Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Abraço a Vida

 

 

               Não lembro exatamente a data, mas creio que eu estava no começo da adolescência quando comecei a prestar atenção nela. Observava silenciosamente, cuidava de cada detalhe, e escrevia notas num caderno que conservo até hoje. Muitas vezes eram frases soltas, notas esparsas, mas as vezes ela rendia poemas, páginas e páginas de considerações. Lembro de momentos em que ela, vaidosa, desfilava altiva e soberana, e eu sentia que me olhava com certo desdém: apesar do fascínio que exercia em mim naquela época, eu sempre tive a plena convicção que para ela eu não representava absolutamente nada.

Mesmo assim, eu persistia. Muitas vezes sentei na varanda de casa, cuidando de não perder nenhum detalhe sequer. Eu me embriagava nela todos os dias. E todas as noites eu adormecia em meio a ressaca para acordar torporosa, cansada, mas pronta para mais um dia de contemplação silenciosa.

O tempo passou, e a admiração que eu tinha pela forma voluptuosa com que ela se apresentava foi sendo lentamente substituída por um leve temor. Ainda tenho o hábito, mais de 30 anos depois, de ficar observando cada detalhe dela, mas hoje tenho a necessidade meio que estranha de tocá-la. Sinto cada vez mais que não posso continuar a  viver nessa relação platônica, o tempo urge e eu preciso resolver esta relação.

Não sei ainda se terei coragem de dar este passo. Declarar meu amor parece-me definitivo demais, e não sei como conseguiria prosseguir diante da possível/provável rejeição dela. Digo isso até porque cada vez que tento me aproximar percebo que ela meio que se esvai entre meus braços...

Talvez eu precise mudar de estratégia, talvez eu a assuste com esta obsessão de ficar analisando cada detalhe... Não sei... mas, só por hoje, eu queria conseguir dar o meu Abraço a Vida.   

 

Ps: se você se identificou com este texto, se você sente-se assim em relação a Vida, procure ajuda! Não tenha medo e nem vergonha. A depressão é uma doença e tem tratamento. Ligue ou mande mensagem para o Abraço a Vida 47-99982-2322. 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 13/01/2019 às 13h03 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

Assina a coluna Céres Felski

Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há 21 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br

Página 3
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Abraço a Vida

 

 

               Não lembro exatamente a data, mas creio que eu estava no começo da adolescência quando comecei a prestar atenção nela. Observava silenciosamente, cuidava de cada detalhe, e escrevia notas num caderno que conservo até hoje. Muitas vezes eram frases soltas, notas esparsas, mas as vezes ela rendia poemas, páginas e páginas de considerações. Lembro de momentos em que ela, vaidosa, desfilava altiva e soberana, e eu sentia que me olhava com certo desdém: apesar do fascínio que exercia em mim naquela época, eu sempre tive a plena convicção que para ela eu não representava absolutamente nada.

Mesmo assim, eu persistia. Muitas vezes sentei na varanda de casa, cuidando de não perder nenhum detalhe sequer. Eu me embriagava nela todos os dias. E todas as noites eu adormecia em meio a ressaca para acordar torporosa, cansada, mas pronta para mais um dia de contemplação silenciosa.

O tempo passou, e a admiração que eu tinha pela forma voluptuosa com que ela se apresentava foi sendo lentamente substituída por um leve temor. Ainda tenho o hábito, mais de 30 anos depois, de ficar observando cada detalhe dela, mas hoje tenho a necessidade meio que estranha de tocá-la. Sinto cada vez mais que não posso continuar a  viver nessa relação platônica, o tempo urge e eu preciso resolver esta relação.

Não sei ainda se terei coragem de dar este passo. Declarar meu amor parece-me definitivo demais, e não sei como conseguiria prosseguir diante da possível/provável rejeição dela. Digo isso até porque cada vez que tento me aproximar percebo que ela meio que se esvai entre meus braços...

Talvez eu precise mudar de estratégia, talvez eu a assuste com esta obsessão de ficar analisando cada detalhe... Não sei... mas, só por hoje, eu queria conseguir dar o meu Abraço a Vida.   

 

Ps: se você se identificou com este texto, se você sente-se assim em relação a Vida, procure ajuda! Não tenha medo e nem vergonha. A depressão é uma doença e tem tratamento. Ligue ou mande mensagem para o Abraço a Vida 47-99982-2322. 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 13/01/2019 às 13h03 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

Assina a coluna Céres Felski

Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há 21 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade