Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Só por hoje!

 

         Muitas vezes me pego questionando a necessidade que temos de postergar a vida. Começar a dieta na segunda feira, começar o ano depois do carnaval, entrar na academia no ano que vem, e por aí vai. Vivemos construindo castelos no ar através de planos para iniciar depois. Sempre depois. Depois da prova, depois do casamento, depois que os filhos crescerem, depois que aposentarmos... 

           Pode-se quase dizer que deixamos a vida em suspenso.  Com efeito, nós mesmos nos auto-castramos. Não nos consideramos merecedores do privilégio de viver hoje! Sabe aquele curso de teatro que sempre foi o sonho da sua vida fazer? Por que não hoje? Por que ter que esperar que as crianças cresçam para fazer aquela viagem de férias? Viajar com as crianças pequenas também te dará vivencias incríveis, e lembranças que ficarão na memória delas. 

           Não. Vivemos julgando os outros e nós mesmos, e condenando a cada dia. Meu vizinho está pintando a casa dele e mudando a fachada. Então agora vou ter que investir o dinheiro que estava guardando para aquele curso na pintura da minha casa também para não ficar feia. Ou, pior, como não tenho condições de pintar, vou ficar dentro de casa o máximo possível para que não me vejam e não precise falar sobre a minha.  

           Minha casa tem umas marcas com história: aquele pé de jabuticaba que ninguém pode pegar porque as frutas são das currequinhas. Um móbile de peixes de cerâmica (alguns já beliscados) que comprei num fim de semana em São Francisco do Sul, quando minha filha ainda era pequena. Um armário com os pés com marcas de quando a Prada (uma de nossas cachorrinhas) era pequena e roía os móveis para coçar os dentes. Uns quadrinhos artesanais da pré-escola da minha filha. Acho lindo casas decoradas por arquitetos, com tudo planejado e combinando. Mas acho muito mais vivo ter uma casa com história. Uma casa viva.

           Gosto de pensar que minha casa tem vida, que é feita de pequenas histórias que vou amealhando no decorrer dos dias. Cada tijolinho representa um instante em que vivi efetivamente. E, por sua vez,  cada instante de vida vivida tem o peso de anos, e serve de fundamento para as histórias que ainda virão, construidas com afeto e dedicação. Assim me tornei uma legitima acumuladora: aprendi a  colecionar momentos.

          Falando em casa, em vidas suspensas, hoje faz um mês que participo do Abraço a Vida. Posso dizer que cada dia aprendo mais um motivo para viver e para viver hoje. O passado já se foi, o futuro não chegou, eu só tenho de fato o HOJE. E todos os dias, quando acordo, repito o meu mantra: só por hoje eu vou viver.  E, a cada dia, minha coleção de momentos vai ficando mais colorida, porque também aprendi que as histórias que ajudo a escrever também me constroem. 

 

 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 01/03/2019 às 12h44 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

Assina a coluna Céres Felski

Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há 21 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


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Só por hoje!

 

         Muitas vezes me pego questionando a necessidade que temos de postergar a vida. Começar a dieta na segunda feira, começar o ano depois do carnaval, entrar na academia no ano que vem, e por aí vai. Vivemos construindo castelos no ar através de planos para iniciar depois. Sempre depois. Depois da prova, depois do casamento, depois que os filhos crescerem, depois que aposentarmos... 

           Pode-se quase dizer que deixamos a vida em suspenso.  Com efeito, nós mesmos nos auto-castramos. Não nos consideramos merecedores do privilégio de viver hoje! Sabe aquele curso de teatro que sempre foi o sonho da sua vida fazer? Por que não hoje? Por que ter que esperar que as crianças cresçam para fazer aquela viagem de férias? Viajar com as crianças pequenas também te dará vivencias incríveis, e lembranças que ficarão na memória delas. 

           Não. Vivemos julgando os outros e nós mesmos, e condenando a cada dia. Meu vizinho está pintando a casa dele e mudando a fachada. Então agora vou ter que investir o dinheiro que estava guardando para aquele curso na pintura da minha casa também para não ficar feia. Ou, pior, como não tenho condições de pintar, vou ficar dentro de casa o máximo possível para que não me vejam e não precise falar sobre a minha.  

           Minha casa tem umas marcas com história: aquele pé de jabuticaba que ninguém pode pegar porque as frutas são das currequinhas. Um móbile de peixes de cerâmica (alguns já beliscados) que comprei num fim de semana em São Francisco do Sul, quando minha filha ainda era pequena. Um armário com os pés com marcas de quando a Prada (uma de nossas cachorrinhas) era pequena e roía os móveis para coçar os dentes. Uns quadrinhos artesanais da pré-escola da minha filha. Acho lindo casas decoradas por arquitetos, com tudo planejado e combinando. Mas acho muito mais vivo ter uma casa com história. Uma casa viva.

           Gosto de pensar que minha casa tem vida, que é feita de pequenas histórias que vou amealhando no decorrer dos dias. Cada tijolinho representa um instante em que vivi efetivamente. E, por sua vez,  cada instante de vida vivida tem o peso de anos, e serve de fundamento para as histórias que ainda virão, construidas com afeto e dedicação. Assim me tornei uma legitima acumuladora: aprendi a  colecionar momentos.

          Falando em casa, em vidas suspensas, hoje faz um mês que participo do Abraço a Vida. Posso dizer que cada dia aprendo mais um motivo para viver e para viver hoje. O passado já se foi, o futuro não chegou, eu só tenho de fato o HOJE. E todos os dias, quando acordo, repito o meu mantra: só por hoje eu vou viver.  E, a cada dia, minha coleção de momentos vai ficando mais colorida, porque também aprendi que as histórias que ajudo a escrever também me constroem. 

 

 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 01/03/2019 às 12h44 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

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Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há 21 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


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