Jornal Página 3
Coluna
Turiscope - Retratos de Viagens
Por Ike Gevaerd

OBSERVATÓRIO PARANAL – CHILE

Ike Gevaerd

 

OBSERVANDO GALÁXIAS

Ike Gevaerd 

Perdido no meio do deserto (na foto à esquerda), junto à costa do Pacífico perto da cidade de Antofogasta, no Chile, está instalado um dos maiores observatórios do planeta, o Paranal. Tive a oportunidade de conhecê-lo em 2011, quando fui fazer uma reportagem especial para o Página 3. A visita e a hospedagem tiveram que ser agendadas com antecedência, pois não é qualquer mortal que pode conhecer o dia a dia do complexo astronômico, que tem como uma de suas finalidades descobrir novos exoplanetas, ou seja planetas que estão fora do sistema solar. 

 

NUM DESERTO INÓSPITO

Ike Gevaerd 

O Centro Astronômico (foto) foi construído sobre o Cerro Paranal, a mais de 2.600 metros sobre o nível do mar e a apenas 12 km do oceano Pacífico. O complexo foi inaugurado em 1996, e nele foram investidos 200 milhões de dólares. Ele é financiado pela Áustria, Alemanha, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Itália, Holanda, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça e é administrado pela  ESO, o Observatório  Europeu do Sul, uma importante instituição de pesquisas astronômicas intergovernamental européia.

 

OS ESPIÕES GIGANTES

Ike Gevaerd

Os VLT (Very Large Telescope), são grandes telescópios que possuem instrumentos óticos avançados, que trabalham em conjunto formando um grande interferômetro permitindo que os astrônomos possam ver detalhes, reconstituindo imagens que talvez um dia possam a ajudar a descobrir vida em outros planetas, pois esta é uma das missões destes espiões do universo. Acompanhado, conheci detalhes dos VLT`s.

 

DENTRO DO OLHO DO ESPIÃO DO UNIVERSO

BIOSPHERA

Cercado de todos os cuidados, pude conhecer o local e os equipamentos onde o universo é espionado. 

 

O ASTRÔNOMO BRASILEIRO

Ike Gevaerd

Na visita guiada exclusiva conheci Gadotti, o astrônomo brasileiro que lá estava trabalhando quando de minha visita em 2011. Ele me explicou em detalhes o que acontece dentro do complexo.

 

ARQUITETURA NA AREIA

Ike Gevaerd

O espetacular hotel, onde ficam os que trabalham no complexo astronômico, já foi cenário de filme do 007. No primeiro plano, o hotel e ao fundo, o observatório.

 

UM OÁSIS DENTRO DO HOTEL

Ike Gevaerd 

Contrastando com a aridez externa, o interior do hotel oferece todas as comodidades de um 5 estrelas. Fiquei duas noites hospedado, a convite, nesse oásis construído pelo homem nos confins do deserto do Atacama.

 

A ESTRADA QUE NOS LEVA AO OBSERVATÓRIO

Ike Gevaerd

Vindo do norte do Chile pela rodovia Panamericana, passando por Antofogasta, dirija por mais 55 km até o acesso à Ruta Observatório Paranal (B701) e por ela, viaje mais 75 km e você chega ao Monte Paranal.

 

POIS É

Astrônomos de diversos países buscam novos planetas fora do sistema solar. E nós terráqueos não aprendemos a cuidar do nosso planeta, estamos transformando ele numa terra destruída. Temos muito que aprender, insignificantes que somos perante o universo. 


 

Escrito por Ike Gevaerd, 06/08/2020 às 13h55 | ikegevaerd@terra.com.br

HUILLOC – ANDES PERUANOS

IKE GEVAERD

 

OLLANTAYTAMBO

IKE GEVAERD

Entre Cuzco e Machu Pichu existe um lugar chamado Ollantaytambo que tem tanta história quanto às outras duas famosas vizinhas. Depois de visitar Machu Picchu e se decepcionar com Águas Calientes, o vilarejo que hospeda os que visitam as ruínas incas, resolvemos trocar as duas noites que lá restavam por Ollantaytambo e sua história.

 

UM LUGAR NO TOPO DAS MONTANHAS

 IKE GEVAERD

Foi uma boa decisão, pois ali ouvimos falar num lugar chamado Huilloc, a terra dos Rojos, os vermelhos, que habitam o topo dos Andes, naquela região. Fiquei curioso, me informei de como lá chegar. No outro dia de manhã alugamos um carro com um motorista que conhecia o caminho e para lá fomos, bem cedinho, em busca da pura tradição e cultura andina.

 

NAS ALTURAS

IKE GEVAERD

Localizado a 4.000 metros sobre o nível do mar e a 15 km de Ollantaytambo, viajamos quase uma hora por uma estreita estrada de barro (foto) que nos conduziu por uma belíssima paisagem até o vilarejo Inca de Huilloc.

 

UM PEQUENO LUGAR

IKE GEVAERD 

 

AS TECELÃS

IKE GEVAERD

Fomos recebidos pelas sempre sorridentes mulheres incas, que fazem do pátio central do vilarejo o seu atelier de tecelagem. Elas são ótimas tecelãs e consideradas as melhores do Vale Sagrado. Na foto, mostrando sua arte para Clarice.

 

CRIANÇAS SOB FRIO, SOL E NEVE

IKE GEVAERD

Dividem com elas o pátio dezenas de crianças, que ali brincam e se divertem enquanto os homens em sua grande maioria trabalham como carregadores para os que trilham o Caminho Inca. Na foto, a menina com seu rosto vermelho, reflexo do sol e o frio na sua pele.

 

AS MORADIAS

IKE GEVAERD

As construções de Huilloc são quase todas de tijolos de adobe, menos as mais recentes que já apresentam um aspecto um pouco mais moderno. Ferramentas pré hispânicas ainda são utilizadas na agricultura de subsistência e na construção das moradas. O menino descansa sobre as palhas usadas para cobrir sua casa.

 

“CUY” PERUANOS

IKE GEVAERD

Alimento popular, o cuy (porquinho da índia) coabita tranquilamente na morada onde a tecelã faz seu trabalho e ele será o prato principal da refeição do dia..

 

A CAMINHADA

IKE GEVAERD

Ficamos tão impressionados com o que vimos, que voltamos no outro dia com o objetivo de fazer a pé o percurso Huilloc – Ollantaytambo (foto). Um espetáculo deslumbrante naquele dia de sol no inverno andino.  

 

POIS É

Clarice Fernandes

Esta viagem aconteceu em 2004, a cultura Inca sobrevivia a duras penas. Foi uma das mais marcantes experiências que vivemos nessas nossas andanças mundo afora.


 

Escrito por Ike Gevaerd, 30/07/2020 às 08h45 | ikegevaerd@terra.com.br

PRIORATO - HISTÓRIA E CULINÁRIA

IKE GEVAERD 

 

A CHEGADA

IKE GEVAERD

Barcelona é o aeroporto de chegada. Depois de curtir a cidade por uns dias, siga para o sul da Catalunha em direção ao Priorato, comarca catalã distante 152 km em boas estradas da rebelde capital catalã. Na foto, o Jardim da Fundação Juan Miró, em Barcelona.

 

UM DESTINO DIFERENTE

IKE GEVAERD

A região do Priorato, uma novidade para nós, já era ocupado pelos sarracenos desde o século XII quando travaram batalhas históricas com os cristãos. Hoje muitos vestígios desta época nos transportam para o tempo dos romanos quando ela tinha mais habitantes que atualmente. Mesquitas, igrejas e monastérios seculares se confundem com as casas dos pequenos povoados que hoje estão sendo reformados e reabitados, principalmente por espanhóis das grandes cidades, alemães e ingleses que fazem deles seu lugar preferido para moradia, férias e sossego. 

 

GRATALLOPS - A BASE 

IKE GEVAERD

Localizada no centro do Priorato e incrustada no topo de um monte (foto), Gratallops, com seus 272 habitantes é o local perfeito para dali se conhecer a região. Hospede-se no hotel Cal Llops, um hotel de charme que abriga na sua centenária construção, o conforto das novas tecnologias e a tradição do bem receber catalão. Prove os caracoles do familiar Restaurante Piró e deguste os vinhos e azeites na Agrobotiga da Cooperativa Agrícola do Priorato, uma maravilha. Caminhe pela vila e prove do seu mel, o mel de Gratallops.

 

VINHEDOS CULTIVADOS À MODA ANTIGA

IKE GEVAERD

A redescoberta do Priorato como a região que produz atualmente um dos vinhos tintos mais apreciados e caros da Espanha despertou o interesse pelos terroirs esquecidos, que na idade média eram respeitados como importante zona de produção vinícola. Trata-se de uma região rodeada por uma cadeia de montanhas que descem até o mar, formando uma paisagem fascinante onde a maioria dos seus vinhedos só podem ser cultivados manualmente, pois estão localizadas em terrazas íngremes (foto).

 

UMA REGIÃO “DOC”.

IKE GEVAERD

Em 2000, a região com seus 1600 hectares produtivos e que crescem dia a dia, foi declarada a segunda DOC, Denominação de Origem Controlada da Espanha, produzindo 20.000 hectolitros anuais. Les Terrasses, o vinho produzido pelo viticultor mais criativo do Priorato, Álvaro Palácios, tem a produção mais significativa. Onix a marca de vinho e azeite de oliva da Cooperativa de Vinicultores do Priorato e os vinhos e vinhedos da Buil Giné merecem ser admirados. Na foto, a Vinícola de Álvaro Palácios, que produz excelentes vinhos 

 

PRODUTOS REGIONAIS

IKE GEVAERD  

Butifarras, caracoles, cabritos, ovelhas e alcachofras servem de base para a degustação dos incríveis azeites produzidos na região. A Denominação de Origem Siurana, regulamentada em 1979, garante a qualidade dos 11% do óleo de oliva produzido na Catalunha, dos quais 60% são consumidos na Espanha e o restante vai para o mercado europeu. Raríssimos são os frascos que chegam por aqui, o que é uma pena.

 

OUTROS “PUEBLOS”.

IKE GEVAERD

Escaladei(foto), La Morera, Pobodela, Torroja Del Priorat, Porrera, Belmunt Del Priorat, El Molar, El Lloar, Gratallops, La Viella Baixa e La Villa Alta são os pueblos que formam comarca de El Priorat, sendo todos interligados por trilhas para caminhadas e estradas cênicas que completam o cenário exuberante de uma das regiões mais incríveis da Espanha. Mas esta experiência fica para uma outra foto reportagem.

 

POIS É

Tanto no Priorato como em outras terras do velho mundo as regiões vinícolas estão se reinventando e melhorando a qualidade, nós aqui na Serra Catarinense estamos nascendo, e graças a dedicação de poucos heróis vinicultores, já estamos produzindo os melhores vinhos nacionais. Parabéns. Na foto os vinhedos de Buil Guiné.


 

Escrito por Ike Gevaerd, 23/07/2020 às 14h14 | ikegevaerd@terra.com.br

HYDE PARK - LONDRES 1980

IKE GEVAERD 

 

O DESPERTAR AMBIENTAL 

IKE GEVAERD

Depois de participar da “novembrada”, aquela manifestação ocorrida em 1979 na praça XV, em Florianópolis, quando o General Figueiredo foi duramente hostilizado, que resolvi buscar novos ares. Escolhi Londres como meu primeiro destino, lá chegando no outono de 80. Tive muita sorte, o apartamento que fiquei era em Chelsea, de onde podia ir caminhando até o Hyde Park, o grande parque/escola de Londres, onde tirei as fotos e as impressões desta matéria.  

 

APRENDER A ADMIRAR O BELO 

IKE GEVAERD

O parque tem uma área de 142 hectares, e está localizado no centro de Londres. Foi adquirido em 1536 pelo rei Henrique VII, que lá criou umas das suas áreas de caça. Uma das primeiras caminhadas que fiz pelo parque iniciou na “Speack Corner”, uma esquina onde todos tinham o direito de manifestar suas ideias e pensamentos, o que era impossível no Brasil naqueles tempos. Depois de assistir a novidade andei um pouco e deparei com uma alameda de cerejeiras em flor e pude também apreciar, além da liberdade, o belo.  

 

ENTENDER O QUE ERA QUALIDADE DE VIDA 

IKE GEVAERD 

Nas caminhadas quase que diárias pelo parque pude observar quanto os moradores de Londres aproveitam e valorizam o contato com a natureza. Milhares de pessoas faziam dos gramados do parque seu playground, praticando esportes, tomando sol ou simplesmente conversando. Ali comecei a entender o que era qualidade de vida, coisa que tínhamos e pouco compreendíamos por aqui.  

 

A IMPORTÂNCIA DE LER, MUITO. 

IKE GEVAERD

Nas primeiras vezes que ia de metrô até o parque, da estação Sloane Square perto de onde morava, até a estação St James Park, ficava admirado com a quantidade de pessoas lendo. Liam de tudo, jornais, revistas livros. Hábito este que pude também observar nas pessoas que frequentavam os parques. Foi quando fortaleci a importância da leitura para o desenvolvimento do saber e do bem pensar.  

 

BOB MARLEY, MÚSICA NO PARQUE 

IKE GEVAERD

Até hoje grandes shows acontecem no parque. Tive o prazer de lá assistir em 1980 uma das últimas apresentações de Bob Marley, ele morreu em 1981. Outras manifestações culturais lá aconteciam, principalmente na Galeria Serpentine, onde constatei a importância da arte interagir com a natureza.  

 

JARDINS DENTRO DE UM GRANDE JARDIM 

IKE GEVAERD

O Hyde Park abriga em seu território diversos jardins, o Kensington Gardens é um deles(foto). Foram as flores e os jardins do Hyde Park que me inspiraram, uma década depois, junto com o Malta e o Prof. Edgar a criar o Horto da recém criada Secretaria do Meio Ambiente, de onde saíram as primeiras mudas que floriram nossa cidade no início da década de 90, servindo de exemplo para o estado. Hoje as flores estão sendo substituídas pelo asfalto.  

 

SONHANDO NUMA TARDE DE VERÃO 

Lembro bem, foi sentado em das cadeiras de aluguel no Hyde Park que resolvi voltar ao Brasil e tentar ajudar a construir algo novo. O “algo novo” na época eram os movimentos ecológicos que aconteciam na Europa, principalmente na Alemanha e na Inglaterra. Com o conhecimento adquirido junto aos movimentos europeus voltei entusiasmado ao Brasil, criamos os primeiros movimentos verdes em Santa Catariana, depois fundamos o Partido Verde no Brasil, junto com  Gabeira, Minc, Sirkis, Guido/Sonia Heuer e Beaco e outros herói, depois construímos secretarias do Meio Ambiente e muitos empreendimentos ambientais.   

 

POIS É 

IKE GEVAERD

Hoje 40 anos depois aqui no Brasil, o Partido Verde amarelou, os movimentos ecológicos e as secretarias de meio ambiente pouco avançaram e muitos empreendimentos e ações apenas fazem de conta que são sustentáveis. Já na segunda década do século 21 vejo que me enganei, que sonhei um sonho impossível. Mas não desisto, vou em frente buscando o sonho que sonhei naquele verão de 1980. 


 

 

Escrito por Ike Gevaerd, 16/07/2020 às 09h08 | ikegevaerd@terra.com.br

UMA PEQUENA ROTA ENOGASTRONÔMICA

Foto: Ike Gevaerd 

INICIA EM JOSÉ IGNÁCIO

Foto: Ike Gevaerd

Em abril de 2018 eu e Clarice resolvemos viajar pelo Uruguai de carro, viemos pela costa parando nas belas praias e pequenas baías desde o Chuí. Nosso primeiro destino foi José Ignácio, um pequeno balneário com pouco mais de 300 habitantes, que fica a 40km de Punta del Este.

 

JOSÉ IGNACIO

Foto: Ike Gevaerd

No verão muitos viajantes brasileiros e argentinos procuram José Ignácio, buscando um lugar mais tranquilo, longe da muvuca em que se transforma Punta. Praias (foto) compõe o cenário da pequena península que avança por 800m sobre o mar e tem o farol, inaugurado em 1877 como complemento da paisagem. Foi uma bela surpresa, mas se forem para lá fora do verão, encontrarão muitos dos seus bons restaurante e pousadas fechados. Confira antes.

 

AS CASAS DA PENÍNSULA

Foto: Ike Gevaerd

Numa caminhada pelo pequeno vilarejo, um destaque é a arquitetura das construções, uma atração pela sua contemporaneidade e bom gosto. No centrinho existe uma praça cercada por pousadas, bons bares e restaurantes para todos os gostos. No centro da praça tem um posto de informações turísticas cercado por um belo jardim. Dali iniciamos o passeio pelos pontos interessantes da península.

 

BELOS CAMINHOS LEVAM A GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Antes de seguir viagem vale a pena ir até a Laguna Garzon e passear por sua polêmica ponte (foto) que liga os Departamentos de Rocha e Maldonado. Dali seguimos para Garzon, que pode ser pelo Caminho Sainz Martinez ou pela Rota 9, ambas com pouco mais de 30 km. Escolhemos ir pelo Caminho Sainz Martinez, uma estrada rural e onde estavam localizadas duas das atrações que nos interessavam.

 

A ESTRADA RURAL

Foto: Ike Gevaerd

Ao longo do Caminho Sainz Martinez (foto) encontramos diversas propriedades rurais, sítios de veraneio e chácaras para alugar. É um percurso mais demorado, mas vale a pena para conhecer um pouco mais do interior daquela região.

 

AZEITE E OLIVEIRAS

Foto: Ike Gevaerd

Um motivo que nos fez optar por este trajeto foi a possibilidade de visitar um empreendimento onde se produz azeite de oliva (foto). A Agroland proporciona uma experiência especial para quem gosta do “ouro verde”. Além da arquitetura das construções, onde estão instalados equipamentos modernos para a sua produção e depois de conhecer e ter explanações sobre sua produção, uma degustação é proporcionada com o néctar das azeitonas ali colhidas. Necessário fazer reservas antes

 

BODEGA GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Uma das mais belas vinícolas que já conheci mundo afora (foto). Um tour por seus três setores de fermentação, nos faz entender porque os vinhos ali produzidos são em sua maioria excelentes. O milionário argentino Alejandro Bulgheroni, quando conheceu as Serras de Garzon, escolheu o local para ali desenvolver um sonho. O de criar uma das mais emblemáticas bodegas do Uruguai. 

 

INTERIOR VOLTADO A ENOGASTROMIA

Foto: Ike Gevaerd

No Balastro Wine Bar (foto) fizemos uma degustação de vinhos e azeites, no restaurante da bodega você pode optar por almoçar na grande varanda com vista para os vinhedos ou em seu belo interior degustando pratos da moderna culinária uruguaia, acompanhados de um bom vinho da casa, tudo sob acompanhamento de um chef orientado por Francis Mallmann. Reserve antes.

 

O EXTERIOR E SEUS VINHEDOS

Foto: Ike Gevaerd

Aulas de culinária, fazer o próprio blend com vinhos ali produzidos ou um chá da tarde são outras atividades que podem ser feitas na bodega. Avistar os vinhedos da grande varanda (foto), já é uma beleza, mas fazer um piquenique entre os parreirais e caminhar entre eles completam o dia. Imperdível esta visita, na que é considerada por muitos, a melhor vinícola do Novo Mundo.

 

CHEGANDO EM GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Saindo da bodega, passando por parreirais e plantações de oliveiras, seguimos pela estrada de barro (foto) que corta a serra em direção ao Pueblo Garzon que fica próximo. Na chegada ao vilarejo uma monumental escultura de Pablo Atchugarry, é um exemplo da reviravolta que está sofrendo aquela pequena localidade.

 

PUEBLO GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Fundada em 1892, com pouco mais de 200 habitantes hoje, Pueblo Garzon, que já teve mais de 2000 moradores quando existia um moinho que funcionou até o final dos anos 40 do século passado. Com o fim do moinho começou a decadência. Agora, com a chegada de pessoas empreendedoras que respeitam as tradições locais (foto), as coisas estão mudando para melhor.

 

MALLMANN

Foto: Ike Gevaerd

Francis Mallmann, o icônico cozinheiro argentino que tem empreendimentos em diversos locais bacanas da Argentina é uma dessas pessoas. Comprou propriedades que estavam abandonadas e quase em ruínas, transformando-as em estabelecimentos que primam pela qualidade e o bom gosto (foto), sempre respeitando as tradições e a população local, ensinando e gerando emprego e renda.

 

RESTAURANTE GARZON – POR FRANCIS MALLMANN

Foto: Ike Gevaerd

Uma parceria entre chef Francis Malmann e Bodegas Garzon, este restaurante é um dos locais mais visitados pelos que passeiam pelo litoral no entorno de Punta del Este. Produtos regionais e pescados da costa uruguaia são os principais ingredientes do menu. Os alimentos são preparados em forno a lenha e parrilla, e na cozinha trabalham jovens locais, que, além do ambiente (foto acima) e da excelente comida transformam o estabelecimento em uma escola de boas práticas culinárias  

 

HOTEL 

Foto: Ike Gevaerd

Localizado onde existiu o armazém geral de Pueblo Garzon nos tempos áureos do moinho, Mallmann o transformou num charmoso hotel de cinco habitações com vista para o belo jardim (foto) e praticamente ao lado do restaurante. O restaurante e o hotel tem preços salgados mas merecem ser frequentados por quem quer uma experiência diferente e única no interior do país vizinho.  

 

PARQUE DE ESCULTURAS NO PUEBLO

Foto: Ike Gevaerd

Um Parque de Esculturas é outro empreendimento que está contribuindo para fazer de Pueblo Garzon um destino turístico inteligente. Concebido pelo mundialmente reconhecido escultor Pablo Atchugarry, abriga no seu perímetro, esculturas de diversos artistas. Atrações como esta estão contribuindo para transformar antigas casas em pousadas de charme, galerias e outros empreendimentos que, além de dar vida ao pequeno povoado, mostram ser possível crescer sem destruir. A foto acima é do Parque de Esculturas de Atchugarry, que fica próximo a Punta del Este, pois o parque de Garzon seria inaugurado no final do ano. Outra visita imperdível.

 

POIS É

Foto: Ike Gevaerd

O relato acima mostra que destruir tradições, o meio ambiente e a história não é sinônimo de progresso. Mas por aqui poucos conseguem entender isto, vence a ganância. Pena. E sobre esculturas, pior ainda, em Balneário Camboriú retiraram esculturas de um parque alegando que ali não é local para obras de arte. Mentes curtas. Quase conseguimos, não é meu amigo escultor Jorge Schroeder? Mas vamos em frente.


 

Escrito por Ike Gevaerd, 02/07/2020 às 16h07 | ikegevaerd@terra.com.br

NAVEGANDO PELO EXTREMO NORTE DA NORUEGA

DE TROMSØ ATÉ HONNINGSVÅG

 

TROMSØ – A Capital do Ártico

IKE GEVAERD

Situada no centro da costa norte do mar da Noruega, escolhi Tromso, uma região de fiordes e montanhas geladas para o início de uma viagem marítima em direção ao Cabo Norte, o ponto mais ao norte do continete europeu. Para os maratonistas todos os anos nesta época acontece a Maratona do Sol da Meia Noite, com esportistas de diversos paises. 

 

SAINDO DE TROMSO

Estava percorrendo  a costa norueguesa de carro numa visita técnica as 18 Rotas Cênicas daquele país escandinavo e para sair da rotina rodoviária, coloquei meu carro no magnífico navio de cruzeiro Hurtigrutem, que estava passando por Tromso. Feliz, sigo na busca desta experiência num ensolarado dia verão. 

 

O NAVIO DE CRUZEIRO HURTIGRUTEN

Com apenas 14 viagens anuais partindo de Bergem, ao sul em direção ao Cabo Norte, numa viagem que dura 12 dias, ida e volta, é considerada uma das viagens marítimas mais bonitas do planeta. O navio dispõe de tudo o que um bom transatlântico oferece, e a maioria de seus passageiros são europeus e americanos em busca de uma experiência diferente junto a natureza exuberante do extremo norte da  Noruega.

 

PAISAGENS DOS FIORDES DO ÁRTICO  

IKE GEVAERD 

A paisagem acima é do fiorde de Ulss, e vistas como esta me acompanharam durante os dois dias de navegação. 

 

NAVEGANDO ENTRE MONTANHAS GELADAS

IKE GEVAERD

Já tinha navegado por fiordes na costa central norueguesa, mas a sensação de viajar por entre montanhas geladas, observando as pequenas comunas e portos que pontilham a paisagem, tornam a viagem inesquecível.  

 

SOL DA MEIA NOITE

IKE GEVAERD

Quase meia noite, e todos os passageiros já tinham ido para as suas cabines, fiquei sozinho no deque frontal do navio e observei o belo espetáculo quando sol toca a linha do horizonte, este fenômeno acontece de meados de maio até agosto. 

 

HAMMERFEST E O PETRÓLEO

IKE GEVAERD

Totalmente destruída pelo exército nazista durante a segunda guerra, hoje reconstruída, sua economia gira em torno da pesca e da exploração do petróleo, a principal fonte de renda da Noruega. As chaminés com fogo bem como os petroleiros vermelhos chamam a atenção de quem navega pelos arredores de Hammerfest..

 

ENERGIA RENOVÄVEL IMPLANTADA

IKE GEVAERD

As torres de energia eólica são sinais de sustentabilidade espalhados pelas planícies inóspitas daquela região acima do Círculo Polar Ártico. 

 

A PESQUEIRA HAVOYSUND

Pequenos barcos com valentes pescadores partem diariamente em direção ao mar gelado para pescar um dos peixes mais consumidos pelos noruegueses, o Halibut, parecido com o nosso linguado. Todo pescador tem uma cota especial para pesca que é regiamente cumprida. O turismo de pesca é um importante  gerador de renda de Havoysund. 

 

QUASE CHEGANDO

IKE GEVAERD

A cada milha percorrida as paisagens, cada vez mais belas, se transformam. O pico na foto acima no fiorde Kobberg  anuncia  que estamos quase chegando a Honningsvag, nosso destino. 

 

HONNINGSVAG

IKE GEVAERD

É o município mais ao norte da Noruega. Ali reinicio a viagem de carro, cujo próximo destino é o Cabo Norte, passando antes no Centro de Informações Turísticas para me atualizar, pois já se passaram 20 anos desde que lá estive. A Rota Cênica entre Honningsvag e os penhascos do Cabo Norte será tema de uma próxima foto reportagem. 

 

POIS É.........

Viagens de navio fora do circuito tradicional oferecido pelas agências de turismo, poderiam partir aqui de Santa Catarina, passando pela Terra do Fogo indo até os Fiordes Chilenos, tão belos quanto os da Noruega. Mas falta iniciativa e apoio de quem por isto é responsável.   


 

Escrito por Ike Gevaerd, 25/06/2020 às 17h17 | ikegevaerd@terra.com.br



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Ike Gevaerd

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Empresário, Diretor da Biosphera Empreendimentos Ambientais desde 1994, viajante, pesquisador autodidata de assuntos ligados a turismo e meio ambiente, conservacionista e ambientalista.














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OBSERVATÓRIO PARANAL – CHILE

Ike Gevaerd

 

OBSERVANDO GALÁXIAS

Ike Gevaerd 

Perdido no meio do deserto (na foto à esquerda), junto à costa do Pacífico perto da cidade de Antofogasta, no Chile, está instalado um dos maiores observatórios do planeta, o Paranal. Tive a oportunidade de conhecê-lo em 2011, quando fui fazer uma reportagem especial para o Página 3. A visita e a hospedagem tiveram que ser agendadas com antecedência, pois não é qualquer mortal que pode conhecer o dia a dia do complexo astronômico, que tem como uma de suas finalidades descobrir novos exoplanetas, ou seja planetas que estão fora do sistema solar. 

 

NUM DESERTO INÓSPITO

Ike Gevaerd 

O Centro Astronômico (foto) foi construído sobre o Cerro Paranal, a mais de 2.600 metros sobre o nível do mar e a apenas 12 km do oceano Pacífico. O complexo foi inaugurado em 1996, e nele foram investidos 200 milhões de dólares. Ele é financiado pela Áustria, Alemanha, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Itália, Holanda, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça e é administrado pela  ESO, o Observatório  Europeu do Sul, uma importante instituição de pesquisas astronômicas intergovernamental européia.

 

OS ESPIÕES GIGANTES

Ike Gevaerd

Os VLT (Very Large Telescope), são grandes telescópios que possuem instrumentos óticos avançados, que trabalham em conjunto formando um grande interferômetro permitindo que os astrônomos possam ver detalhes, reconstituindo imagens que talvez um dia possam a ajudar a descobrir vida em outros planetas, pois esta é uma das missões destes espiões do universo. Acompanhado, conheci detalhes dos VLT`s.

 

DENTRO DO OLHO DO ESPIÃO DO UNIVERSO

BIOSPHERA

Cercado de todos os cuidados, pude conhecer o local e os equipamentos onde o universo é espionado. 

 

O ASTRÔNOMO BRASILEIRO

Ike Gevaerd

Na visita guiada exclusiva conheci Gadotti, o astrônomo brasileiro que lá estava trabalhando quando de minha visita em 2011. Ele me explicou em detalhes o que acontece dentro do complexo.

 

ARQUITETURA NA AREIA

Ike Gevaerd

O espetacular hotel, onde ficam os que trabalham no complexo astronômico, já foi cenário de filme do 007. No primeiro plano, o hotel e ao fundo, o observatório.

 

UM OÁSIS DENTRO DO HOTEL

Ike Gevaerd 

Contrastando com a aridez externa, o interior do hotel oferece todas as comodidades de um 5 estrelas. Fiquei duas noites hospedado, a convite, nesse oásis construído pelo homem nos confins do deserto do Atacama.

 

A ESTRADA QUE NOS LEVA AO OBSERVATÓRIO

Ike Gevaerd

Vindo do norte do Chile pela rodovia Panamericana, passando por Antofogasta, dirija por mais 55 km até o acesso à Ruta Observatório Paranal (B701) e por ela, viaje mais 75 km e você chega ao Monte Paranal.

 

POIS É

Astrônomos de diversos países buscam novos planetas fora do sistema solar. E nós terráqueos não aprendemos a cuidar do nosso planeta, estamos transformando ele numa terra destruída. Temos muito que aprender, insignificantes que somos perante o universo. 


 

Escrito por Ike Gevaerd, 06/08/2020 às 13h55 | ikegevaerd@terra.com.br

HUILLOC – ANDES PERUANOS

IKE GEVAERD

 

OLLANTAYTAMBO

IKE GEVAERD

Entre Cuzco e Machu Pichu existe um lugar chamado Ollantaytambo que tem tanta história quanto às outras duas famosas vizinhas. Depois de visitar Machu Picchu e se decepcionar com Águas Calientes, o vilarejo que hospeda os que visitam as ruínas incas, resolvemos trocar as duas noites que lá restavam por Ollantaytambo e sua história.

 

UM LUGAR NO TOPO DAS MONTANHAS

 IKE GEVAERD

Foi uma boa decisão, pois ali ouvimos falar num lugar chamado Huilloc, a terra dos Rojos, os vermelhos, que habitam o topo dos Andes, naquela região. Fiquei curioso, me informei de como lá chegar. No outro dia de manhã alugamos um carro com um motorista que conhecia o caminho e para lá fomos, bem cedinho, em busca da pura tradição e cultura andina.

 

NAS ALTURAS

IKE GEVAERD

Localizado a 4.000 metros sobre o nível do mar e a 15 km de Ollantaytambo, viajamos quase uma hora por uma estreita estrada de barro (foto) que nos conduziu por uma belíssima paisagem até o vilarejo Inca de Huilloc.

 

UM PEQUENO LUGAR

IKE GEVAERD 

 

AS TECELÃS

IKE GEVAERD

Fomos recebidos pelas sempre sorridentes mulheres incas, que fazem do pátio central do vilarejo o seu atelier de tecelagem. Elas são ótimas tecelãs e consideradas as melhores do Vale Sagrado. Na foto, mostrando sua arte para Clarice.

 

CRIANÇAS SOB FRIO, SOL E NEVE

IKE GEVAERD

Dividem com elas o pátio dezenas de crianças, que ali brincam e se divertem enquanto os homens em sua grande maioria trabalham como carregadores para os que trilham o Caminho Inca. Na foto, a menina com seu rosto vermelho, reflexo do sol e o frio na sua pele.

 

AS MORADIAS

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As construções de Huilloc são quase todas de tijolos de adobe, menos as mais recentes que já apresentam um aspecto um pouco mais moderno. Ferramentas pré hispânicas ainda são utilizadas na agricultura de subsistência e na construção das moradas. O menino descansa sobre as palhas usadas para cobrir sua casa.

 

“CUY” PERUANOS

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Alimento popular, o cuy (porquinho da índia) coabita tranquilamente na morada onde a tecelã faz seu trabalho e ele será o prato principal da refeição do dia..

 

A CAMINHADA

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Ficamos tão impressionados com o que vimos, que voltamos no outro dia com o objetivo de fazer a pé o percurso Huilloc – Ollantaytambo (foto). Um espetáculo deslumbrante naquele dia de sol no inverno andino.  

 

POIS É

Clarice Fernandes

Esta viagem aconteceu em 2004, a cultura Inca sobrevivia a duras penas. Foi uma das mais marcantes experiências que vivemos nessas nossas andanças mundo afora.


 

Escrito por Ike Gevaerd, 30/07/2020 às 08h45 | ikegevaerd@terra.com.br

PRIORATO - HISTÓRIA E CULINÁRIA

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A CHEGADA

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Barcelona é o aeroporto de chegada. Depois de curtir a cidade por uns dias, siga para o sul da Catalunha em direção ao Priorato, comarca catalã distante 152 km em boas estradas da rebelde capital catalã. Na foto, o Jardim da Fundação Juan Miró, em Barcelona.

 

UM DESTINO DIFERENTE

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A região do Priorato, uma novidade para nós, já era ocupado pelos sarracenos desde o século XII quando travaram batalhas históricas com os cristãos. Hoje muitos vestígios desta época nos transportam para o tempo dos romanos quando ela tinha mais habitantes que atualmente. Mesquitas, igrejas e monastérios seculares se confundem com as casas dos pequenos povoados que hoje estão sendo reformados e reabitados, principalmente por espanhóis das grandes cidades, alemães e ingleses que fazem deles seu lugar preferido para moradia, férias e sossego. 

 

GRATALLOPS - A BASE 

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Localizada no centro do Priorato e incrustada no topo de um monte (foto), Gratallops, com seus 272 habitantes é o local perfeito para dali se conhecer a região. Hospede-se no hotel Cal Llops, um hotel de charme que abriga na sua centenária construção, o conforto das novas tecnologias e a tradição do bem receber catalão. Prove os caracoles do familiar Restaurante Piró e deguste os vinhos e azeites na Agrobotiga da Cooperativa Agrícola do Priorato, uma maravilha. Caminhe pela vila e prove do seu mel, o mel de Gratallops.

 

VINHEDOS CULTIVADOS À MODA ANTIGA

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A redescoberta do Priorato como a região que produz atualmente um dos vinhos tintos mais apreciados e caros da Espanha despertou o interesse pelos terroirs esquecidos, que na idade média eram respeitados como importante zona de produção vinícola. Trata-se de uma região rodeada por uma cadeia de montanhas que descem até o mar, formando uma paisagem fascinante onde a maioria dos seus vinhedos só podem ser cultivados manualmente, pois estão localizadas em terrazas íngremes (foto).

 

UMA REGIÃO “DOC”.

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Em 2000, a região com seus 1600 hectares produtivos e que crescem dia a dia, foi declarada a segunda DOC, Denominação de Origem Controlada da Espanha, produzindo 20.000 hectolitros anuais. Les Terrasses, o vinho produzido pelo viticultor mais criativo do Priorato, Álvaro Palácios, tem a produção mais significativa. Onix a marca de vinho e azeite de oliva da Cooperativa de Vinicultores do Priorato e os vinhos e vinhedos da Buil Giné merecem ser admirados. Na foto, a Vinícola de Álvaro Palácios, que produz excelentes vinhos 

 

PRODUTOS REGIONAIS

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Butifarras, caracoles, cabritos, ovelhas e alcachofras servem de base para a degustação dos incríveis azeites produzidos na região. A Denominação de Origem Siurana, regulamentada em 1979, garante a qualidade dos 11% do óleo de oliva produzido na Catalunha, dos quais 60% são consumidos na Espanha e o restante vai para o mercado europeu. Raríssimos são os frascos que chegam por aqui, o que é uma pena.

 

OUTROS “PUEBLOS”.

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Escaladei(foto), La Morera, Pobodela, Torroja Del Priorat, Porrera, Belmunt Del Priorat, El Molar, El Lloar, Gratallops, La Viella Baixa e La Villa Alta são os pueblos que formam comarca de El Priorat, sendo todos interligados por trilhas para caminhadas e estradas cênicas que completam o cenário exuberante de uma das regiões mais incríveis da Espanha. Mas esta experiência fica para uma outra foto reportagem.

 

POIS É

Tanto no Priorato como em outras terras do velho mundo as regiões vinícolas estão se reinventando e melhorando a qualidade, nós aqui na Serra Catarinense estamos nascendo, e graças a dedicação de poucos heróis vinicultores, já estamos produzindo os melhores vinhos nacionais. Parabéns. Na foto os vinhedos de Buil Guiné.


 

Escrito por Ike Gevaerd, 23/07/2020 às 14h14 | ikegevaerd@terra.com.br

HYDE PARK - LONDRES 1980

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O DESPERTAR AMBIENTAL 

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Depois de participar da “novembrada”, aquela manifestação ocorrida em 1979 na praça XV, em Florianópolis, quando o General Figueiredo foi duramente hostilizado, que resolvi buscar novos ares. Escolhi Londres como meu primeiro destino, lá chegando no outono de 80. Tive muita sorte, o apartamento que fiquei era em Chelsea, de onde podia ir caminhando até o Hyde Park, o grande parque/escola de Londres, onde tirei as fotos e as impressões desta matéria.  

 

APRENDER A ADMIRAR O BELO 

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O parque tem uma área de 142 hectares, e está localizado no centro de Londres. Foi adquirido em 1536 pelo rei Henrique VII, que lá criou umas das suas áreas de caça. Uma das primeiras caminhadas que fiz pelo parque iniciou na “Speack Corner”, uma esquina onde todos tinham o direito de manifestar suas ideias e pensamentos, o que era impossível no Brasil naqueles tempos. Depois de assistir a novidade andei um pouco e deparei com uma alameda de cerejeiras em flor e pude também apreciar, além da liberdade, o belo.  

 

ENTENDER O QUE ERA QUALIDADE DE VIDA 

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Nas caminhadas quase que diárias pelo parque pude observar quanto os moradores de Londres aproveitam e valorizam o contato com a natureza. Milhares de pessoas faziam dos gramados do parque seu playground, praticando esportes, tomando sol ou simplesmente conversando. Ali comecei a entender o que era qualidade de vida, coisa que tínhamos e pouco compreendíamos por aqui.  

 

A IMPORTÂNCIA DE LER, MUITO. 

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Nas primeiras vezes que ia de metrô até o parque, da estação Sloane Square perto de onde morava, até a estação St James Park, ficava admirado com a quantidade de pessoas lendo. Liam de tudo, jornais, revistas livros. Hábito este que pude também observar nas pessoas que frequentavam os parques. Foi quando fortaleci a importância da leitura para o desenvolvimento do saber e do bem pensar.  

 

BOB MARLEY, MÚSICA NO PARQUE 

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Até hoje grandes shows acontecem no parque. Tive o prazer de lá assistir em 1980 uma das últimas apresentações de Bob Marley, ele morreu em 1981. Outras manifestações culturais lá aconteciam, principalmente na Galeria Serpentine, onde constatei a importância da arte interagir com a natureza.  

 

JARDINS DENTRO DE UM GRANDE JARDIM 

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O Hyde Park abriga em seu território diversos jardins, o Kensington Gardens é um deles(foto). Foram as flores e os jardins do Hyde Park que me inspiraram, uma década depois, junto com o Malta e o Prof. Edgar a criar o Horto da recém criada Secretaria do Meio Ambiente, de onde saíram as primeiras mudas que floriram nossa cidade no início da década de 90, servindo de exemplo para o estado. Hoje as flores estão sendo substituídas pelo asfalto.  

 

SONHANDO NUMA TARDE DE VERÃO 

Lembro bem, foi sentado em das cadeiras de aluguel no Hyde Park que resolvi voltar ao Brasil e tentar ajudar a construir algo novo. O “algo novo” na época eram os movimentos ecológicos que aconteciam na Europa, principalmente na Alemanha e na Inglaterra. Com o conhecimento adquirido junto aos movimentos europeus voltei entusiasmado ao Brasil, criamos os primeiros movimentos verdes em Santa Catariana, depois fundamos o Partido Verde no Brasil, junto com  Gabeira, Minc, Sirkis, Guido/Sonia Heuer e Beaco e outros herói, depois construímos secretarias do Meio Ambiente e muitos empreendimentos ambientais.   

 

POIS É 

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Hoje 40 anos depois aqui no Brasil, o Partido Verde amarelou, os movimentos ecológicos e as secretarias de meio ambiente pouco avançaram e muitos empreendimentos e ações apenas fazem de conta que são sustentáveis. Já na segunda década do século 21 vejo que me enganei, que sonhei um sonho impossível. Mas não desisto, vou em frente buscando o sonho que sonhei naquele verão de 1980. 


 

 

Escrito por Ike Gevaerd, 16/07/2020 às 09h08 | ikegevaerd@terra.com.br

UMA PEQUENA ROTA ENOGASTRONÔMICA

Foto: Ike Gevaerd 

INICIA EM JOSÉ IGNÁCIO

Foto: Ike Gevaerd

Em abril de 2018 eu e Clarice resolvemos viajar pelo Uruguai de carro, viemos pela costa parando nas belas praias e pequenas baías desde o Chuí. Nosso primeiro destino foi José Ignácio, um pequeno balneário com pouco mais de 300 habitantes, que fica a 40km de Punta del Este.

 

JOSÉ IGNACIO

Foto: Ike Gevaerd

No verão muitos viajantes brasileiros e argentinos procuram José Ignácio, buscando um lugar mais tranquilo, longe da muvuca em que se transforma Punta. Praias (foto) compõe o cenário da pequena península que avança por 800m sobre o mar e tem o farol, inaugurado em 1877 como complemento da paisagem. Foi uma bela surpresa, mas se forem para lá fora do verão, encontrarão muitos dos seus bons restaurante e pousadas fechados. Confira antes.

 

AS CASAS DA PENÍNSULA

Foto: Ike Gevaerd

Numa caminhada pelo pequeno vilarejo, um destaque é a arquitetura das construções, uma atração pela sua contemporaneidade e bom gosto. No centrinho existe uma praça cercada por pousadas, bons bares e restaurantes para todos os gostos. No centro da praça tem um posto de informações turísticas cercado por um belo jardim. Dali iniciamos o passeio pelos pontos interessantes da península.

 

BELOS CAMINHOS LEVAM A GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Antes de seguir viagem vale a pena ir até a Laguna Garzon e passear por sua polêmica ponte (foto) que liga os Departamentos de Rocha e Maldonado. Dali seguimos para Garzon, que pode ser pelo Caminho Sainz Martinez ou pela Rota 9, ambas com pouco mais de 30 km. Escolhemos ir pelo Caminho Sainz Martinez, uma estrada rural e onde estavam localizadas duas das atrações que nos interessavam.

 

A ESTRADA RURAL

Foto: Ike Gevaerd

Ao longo do Caminho Sainz Martinez (foto) encontramos diversas propriedades rurais, sítios de veraneio e chácaras para alugar. É um percurso mais demorado, mas vale a pena para conhecer um pouco mais do interior daquela região.

 

AZEITE E OLIVEIRAS

Foto: Ike Gevaerd

Um motivo que nos fez optar por este trajeto foi a possibilidade de visitar um empreendimento onde se produz azeite de oliva (foto). A Agroland proporciona uma experiência especial para quem gosta do “ouro verde”. Além da arquitetura das construções, onde estão instalados equipamentos modernos para a sua produção e depois de conhecer e ter explanações sobre sua produção, uma degustação é proporcionada com o néctar das azeitonas ali colhidas. Necessário fazer reservas antes

 

BODEGA GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Uma das mais belas vinícolas que já conheci mundo afora (foto). Um tour por seus três setores de fermentação, nos faz entender porque os vinhos ali produzidos são em sua maioria excelentes. O milionário argentino Alejandro Bulgheroni, quando conheceu as Serras de Garzon, escolheu o local para ali desenvolver um sonho. O de criar uma das mais emblemáticas bodegas do Uruguai. 

 

INTERIOR VOLTADO A ENOGASTROMIA

Foto: Ike Gevaerd

No Balastro Wine Bar (foto) fizemos uma degustação de vinhos e azeites, no restaurante da bodega você pode optar por almoçar na grande varanda com vista para os vinhedos ou em seu belo interior degustando pratos da moderna culinária uruguaia, acompanhados de um bom vinho da casa, tudo sob acompanhamento de um chef orientado por Francis Mallmann. Reserve antes.

 

O EXTERIOR E SEUS VINHEDOS

Foto: Ike Gevaerd

Aulas de culinária, fazer o próprio blend com vinhos ali produzidos ou um chá da tarde são outras atividades que podem ser feitas na bodega. Avistar os vinhedos da grande varanda (foto), já é uma beleza, mas fazer um piquenique entre os parreirais e caminhar entre eles completam o dia. Imperdível esta visita, na que é considerada por muitos, a melhor vinícola do Novo Mundo.

 

CHEGANDO EM GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Saindo da bodega, passando por parreirais e plantações de oliveiras, seguimos pela estrada de barro (foto) que corta a serra em direção ao Pueblo Garzon que fica próximo. Na chegada ao vilarejo uma monumental escultura de Pablo Atchugarry, é um exemplo da reviravolta que está sofrendo aquela pequena localidade.

 

PUEBLO GARZON

Foto: Ike Gevaerd

Fundada em 1892, com pouco mais de 200 habitantes hoje, Pueblo Garzon, que já teve mais de 2000 moradores quando existia um moinho que funcionou até o final dos anos 40 do século passado. Com o fim do moinho começou a decadência. Agora, com a chegada de pessoas empreendedoras que respeitam as tradições locais (foto), as coisas estão mudando para melhor.

 

MALLMANN

Foto: Ike Gevaerd

Francis Mallmann, o icônico cozinheiro argentino que tem empreendimentos em diversos locais bacanas da Argentina é uma dessas pessoas. Comprou propriedades que estavam abandonadas e quase em ruínas, transformando-as em estabelecimentos que primam pela qualidade e o bom gosto (foto), sempre respeitando as tradições e a população local, ensinando e gerando emprego e renda.

 

RESTAURANTE GARZON – POR FRANCIS MALLMANN

Foto: Ike Gevaerd

Uma parceria entre chef Francis Malmann e Bodegas Garzon, este restaurante é um dos locais mais visitados pelos que passeiam pelo litoral no entorno de Punta del Este. Produtos regionais e pescados da costa uruguaia são os principais ingredientes do menu. Os alimentos são preparados em forno a lenha e parrilla, e na cozinha trabalham jovens locais, que, além do ambiente (foto acima) e da excelente comida transformam o estabelecimento em uma escola de boas práticas culinárias  

 

HOTEL 

Foto: Ike Gevaerd

Localizado onde existiu o armazém geral de Pueblo Garzon nos tempos áureos do moinho, Mallmann o transformou num charmoso hotel de cinco habitações com vista para o belo jardim (foto) e praticamente ao lado do restaurante. O restaurante e o hotel tem preços salgados mas merecem ser frequentados por quem quer uma experiência diferente e única no interior do país vizinho.  

 

PARQUE DE ESCULTURAS NO PUEBLO

Foto: Ike Gevaerd

Um Parque de Esculturas é outro empreendimento que está contribuindo para fazer de Pueblo Garzon um destino turístico inteligente. Concebido pelo mundialmente reconhecido escultor Pablo Atchugarry, abriga no seu perímetro, esculturas de diversos artistas. Atrações como esta estão contribuindo para transformar antigas casas em pousadas de charme, galerias e outros empreendimentos que, além de dar vida ao pequeno povoado, mostram ser possível crescer sem destruir. A foto acima é do Parque de Esculturas de Atchugarry, que fica próximo a Punta del Este, pois o parque de Garzon seria inaugurado no final do ano. Outra visita imperdível.

 

POIS É

Foto: Ike Gevaerd

O relato acima mostra que destruir tradições, o meio ambiente e a história não é sinônimo de progresso. Mas por aqui poucos conseguem entender isto, vence a ganância. Pena. E sobre esculturas, pior ainda, em Balneário Camboriú retiraram esculturas de um parque alegando que ali não é local para obras de arte. Mentes curtas. Quase conseguimos, não é meu amigo escultor Jorge Schroeder? Mas vamos em frente.


 

Escrito por Ike Gevaerd, 02/07/2020 às 16h07 | ikegevaerd@terra.com.br

NAVEGANDO PELO EXTREMO NORTE DA NORUEGA

DE TROMSØ ATÉ HONNINGSVÅG

 

TROMSØ – A Capital do Ártico

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Situada no centro da costa norte do mar da Noruega, escolhi Tromso, uma região de fiordes e montanhas geladas para o início de uma viagem marítima em direção ao Cabo Norte, o ponto mais ao norte do continete europeu. Para os maratonistas todos os anos nesta época acontece a Maratona do Sol da Meia Noite, com esportistas de diversos paises. 

 

SAINDO DE TROMSO

Estava percorrendo  a costa norueguesa de carro numa visita técnica as 18 Rotas Cênicas daquele país escandinavo e para sair da rotina rodoviária, coloquei meu carro no magnífico navio de cruzeiro Hurtigrutem, que estava passando por Tromso. Feliz, sigo na busca desta experiência num ensolarado dia verão. 

 

O NAVIO DE CRUZEIRO HURTIGRUTEN

Com apenas 14 viagens anuais partindo de Bergem, ao sul em direção ao Cabo Norte, numa viagem que dura 12 dias, ida e volta, é considerada uma das viagens marítimas mais bonitas do planeta. O navio dispõe de tudo o que um bom transatlântico oferece, e a maioria de seus passageiros são europeus e americanos em busca de uma experiência diferente junto a natureza exuberante do extremo norte da  Noruega.

 

PAISAGENS DOS FIORDES DO ÁRTICO  

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A paisagem acima é do fiorde de Ulss, e vistas como esta me acompanharam durante os dois dias de navegação. 

 

NAVEGANDO ENTRE MONTANHAS GELADAS

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Já tinha navegado por fiordes na costa central norueguesa, mas a sensação de viajar por entre montanhas geladas, observando as pequenas comunas e portos que pontilham a paisagem, tornam a viagem inesquecível.  

 

SOL DA MEIA NOITE

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Quase meia noite, e todos os passageiros já tinham ido para as suas cabines, fiquei sozinho no deque frontal do navio e observei o belo espetáculo quando sol toca a linha do horizonte, este fenômeno acontece de meados de maio até agosto. 

 

HAMMERFEST E O PETRÓLEO

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Totalmente destruída pelo exército nazista durante a segunda guerra, hoje reconstruída, sua economia gira em torno da pesca e da exploração do petróleo, a principal fonte de renda da Noruega. As chaminés com fogo bem como os petroleiros vermelhos chamam a atenção de quem navega pelos arredores de Hammerfest..

 

ENERGIA RENOVÄVEL IMPLANTADA

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As torres de energia eólica são sinais de sustentabilidade espalhados pelas planícies inóspitas daquela região acima do Círculo Polar Ártico. 

 

A PESQUEIRA HAVOYSUND

Pequenos barcos com valentes pescadores partem diariamente em direção ao mar gelado para pescar um dos peixes mais consumidos pelos noruegueses, o Halibut, parecido com o nosso linguado. Todo pescador tem uma cota especial para pesca que é regiamente cumprida. O turismo de pesca é um importante  gerador de renda de Havoysund. 

 

QUASE CHEGANDO

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A cada milha percorrida as paisagens, cada vez mais belas, se transformam. O pico na foto acima no fiorde Kobberg  anuncia  que estamos quase chegando a Honningsvag, nosso destino. 

 

HONNINGSVAG

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É o município mais ao norte da Noruega. Ali reinicio a viagem de carro, cujo próximo destino é o Cabo Norte, passando antes no Centro de Informações Turísticas para me atualizar, pois já se passaram 20 anos desde que lá estive. A Rota Cênica entre Honningsvag e os penhascos do Cabo Norte será tema de uma próxima foto reportagem. 

 

POIS É.........

Viagens de navio fora do circuito tradicional oferecido pelas agências de turismo, poderiam partir aqui de Santa Catarina, passando pela Terra do Fogo indo até os Fiordes Chilenos, tão belos quanto os da Noruega. Mas falta iniciativa e apoio de quem por isto é responsável.   


 

Escrito por Ike Gevaerd, 25/06/2020 às 17h17 | ikegevaerd@terra.com.br



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Ike Gevaerd

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Empresário, Diretor da Biosphera Empreendimentos Ambientais desde 1994, viajante, pesquisador autodidata de assuntos ligados a turismo e meio ambiente, conservacionista e ambientalista.