Jornal Página 3
Coluna
Turiscope - Retratos de Viagens
Por Ike Gevaerd

DESERTO DO ATACAMA

NORTE DO CHILE

(PARTE 01)

UM LUGAR PARA APRENDER A ESCUTAR O SILÊNCIO 

 

SOBREVOANDO OS ANDES E O DESERTO

Ike Gevaerd

Junho, verão de 2011, véspera do meu aniversário, como presente um vôo sobre os Andes nevado na minha direita e o deserto seco na minha esquerda. Sigo, num belo dia de sol, para a cidade de Calama, onde está o aeroporto mais próximo do meu destino, San Pedro de Atacama, no Norte do Chile.  

ATERRISSANDO NUM DESERTO

Ike Gevaerd

Do avião avisto no mesmo plano os vulcões Licancabur e Lascar, o primeiro inativo e o segundo ativo, cuja última erupção se deu em 1993, formando nuvens de fumaça quase com a mesma intensidade que o recente Puyehue, este no sul do Chile’”. Calama, “Terra de Sol e Cobre, Oasis e Capital Mineira do Chile. Localizada a 2250 metros de altitude, com aproximadamente 160.000 habitantes e a 1500 km de Santiago, pela rodovia Panamericana 

RUMO A SAN PEDRO POR UMA ESTRADA INÓSPITA E BELA

Ike Gevaerd

Alugo um carro e sigo direto por 98 km em asfalto pelo deserto rumo a São Pedro, passando pela inóspita Cordilheira Domeiko, localizada entre as Cordilheiras dos Ande e a da Costa Chilena. Tem 600 km de comprimento, e picos de mais de 4.000 metros de altitude 

CHEGANDO NO OÁSIS DE SAN PEDRO

Ike Gevaerd

Final da tarde assisto ao por do sol a partir de um cerro da Cordilheira do Sal, de onde se avista o grande salar, ao fundo o majestoso Licancabur e os diversos oasis que formam a Comuna de San Pedro de Atacama, rodeada de deserto, salinas, fontes termais, vulcões, reservas naturais e geiseres. A bela estrada termina na rua Licancabur, a principal da cidade, cujo pavimento é barro, para preservar as características originais da localidade, dizem.   

SAN PEDRO DE ATACAMA

Ike Gevaerd

É considerada a capital arqueológica do Chile, esta pequena cidade de que não pára de crescer é cheia de restaurantes, bares, hotéis, hostels, lugares para observar o céu e lojas de turismo de aventura. Pelas suas poucas ruas circulam turistas de todas as partes do planeta, principalmente europeus. Alguns por lá ficam para morar, trabalhar, contribuindo para transformar San Pedro de Atacama (pato negro na língua do atacamenhos), numa cidade colorida e alegre, principalmente ao final da tarde, quando o calor fica mais ameno.  

O GRANDE SALAR

Ike Gevaerd

Tive a oportunidade de cortar o Salar do Atacama de oeste para leste e de norte a sul. Sempre com um galão de 5 litros de água no carro, me aventurei por algumas vezes pelas mais diversas estradas e trilhas que me levaram às belas atrações escondidas naquele deserto de sal de 300.000 hectares, o maior salar do Chile. Formada sobre um lago salgado, sua superfície é branca e rugosa, manchada pela areia do deserto, lagos e lagoas completam a sua paisagem. Lagunas com suas águas tão salgadas que não deixam o corpo afundar, a Laguna Cejar com seus flamingos, os Ojos de São Pedro e a ainda pouco conhecida Laguna Tebenquiche são para mim locais que devem ser visitados.  

OS VALES DA MORTE E DA LUA.

Ike Gevaerd

O Vale da Lua é faz parte da Reserva Nacional Los Flamingos, a área de preservação mais representativa desta parte do deserto do Atacama, e é administrado conjuntamente pela Confederação Nacional Florestal – CONAF. órgão governamental chileno, responsável pela proteção e gestão das unidades de conservação do Chile e pela Associação Indígena do Vale da Lua, formada pelas comunidades de San Pedro do Atacama, Coyo, Quitor, Solor, Sequitor e Larrache. Na entrada principal encontra-se um Centro de Visitantes e um museu sobre a história do local. Ingresso comprado, e tendo o vulcão Licancabur ao fundo, iniciamos um passeio fantástico por um lugar que dizem lembrar a superfície lunar. Cavernas de sal, dunas, e nenhuma vegetação, compõe um quadro monumental emoldurado pelos Andes e iluminado pelo por do sol que é belo se apreciado dos pontos mais altos do Vale. A Cordilheira do Sal, onde está incrustado o Vale da Lua, abriga também o Vale da Morte, onde encontramos formidáveis esculturas de terra e sal esculpidas pelo vento.  

AS LAGUNAS ALTIPLÂNICAS MISCANTI E MIQUINES

Ike Gevaerd

Localizadas na comuna de Socaire, a pouco mais de 100 km de San Pedro, encontramos estes lagos andinos,num vale que também pertence a Reserva Nacional Los Flamingos.

Miquines está a 4.100 metros de altitude e Miquenes, 3 km ao norte a 4.350 metros, e destes locais avista-se as montanhas com mais de 5.000 metros que deram nome as belas lagoas de cor azul. Um pouco distante de San Pedro, é outro passeio imperdível. Próximas foto reportagem irão destacar as outras atrações desta região, como El Tatio, As Termas de Puritama, a Cadeia de Vulcões, os Antigos Povos, os Observatórios o Vale do Arco Iris. 

POIS É. 

Enquanto um árido deserto com sua milenar história é um dos locais mais procurados por pessoas que procuram uma experiência diferente, aqui no Brasil nosso patrimônio natural  e cultural é desprezado. Cito como exemplo o que acontece no interior do Piauí, nos Parques Nacionais de 7 Cidades e da Serra da Capivara. Iniciativas não governamentais, que não tem o devido reconhecimento dos órgãos gestores, é que mantem, a duras penas, os parques vivos. Temos que acordar para esta problemática e transformar estes patrimônios em fonte de geração de emprego e renda para os povos locais, preservando-os.  


 

Escrito por Ike Gevaerd, 18/06/2020 às 09h22 | ikegevaerd@terra.com.br



Ike Gevaerd

Assina a coluna Turiscope - Retratos de Viagens

Empresário, Diretor da Biosphera Empreendimentos Ambientais desde 1994, viajante, pesquisador autodidata de assuntos ligados a turismo e meio ambiente, conservacionista e ambientalista.














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NORTE DO CHILE

(PARTE 01)

UM LUGAR PARA APRENDER A ESCUTAR O SILÊNCIO 

 

SOBREVOANDO OS ANDES E O DESERTO

Ike Gevaerd

Junho, verão de 2011, véspera do meu aniversário, como presente um vôo sobre os Andes nevado na minha direita e o deserto seco na minha esquerda. Sigo, num belo dia de sol, para a cidade de Calama, onde está o aeroporto mais próximo do meu destino, San Pedro de Atacama, no Norte do Chile.  

ATERRISSANDO NUM DESERTO

Ike Gevaerd

Do avião avisto no mesmo plano os vulcões Licancabur e Lascar, o primeiro inativo e o segundo ativo, cuja última erupção se deu em 1993, formando nuvens de fumaça quase com a mesma intensidade que o recente Puyehue, este no sul do Chile’”. Calama, “Terra de Sol e Cobre, Oasis e Capital Mineira do Chile. Localizada a 2250 metros de altitude, com aproximadamente 160.000 habitantes e a 1500 km de Santiago, pela rodovia Panamericana 

RUMO A SAN PEDRO POR UMA ESTRADA INÓSPITA E BELA

Ike Gevaerd

Alugo um carro e sigo direto por 98 km em asfalto pelo deserto rumo a São Pedro, passando pela inóspita Cordilheira Domeiko, localizada entre as Cordilheiras dos Ande e a da Costa Chilena. Tem 600 km de comprimento, e picos de mais de 4.000 metros de altitude 

CHEGANDO NO OÁSIS DE SAN PEDRO

Ike Gevaerd

Final da tarde assisto ao por do sol a partir de um cerro da Cordilheira do Sal, de onde se avista o grande salar, ao fundo o majestoso Licancabur e os diversos oasis que formam a Comuna de San Pedro de Atacama, rodeada de deserto, salinas, fontes termais, vulcões, reservas naturais e geiseres. A bela estrada termina na rua Licancabur, a principal da cidade, cujo pavimento é barro, para preservar as características originais da localidade, dizem.   

SAN PEDRO DE ATACAMA

Ike Gevaerd

É considerada a capital arqueológica do Chile, esta pequena cidade de que não pára de crescer é cheia de restaurantes, bares, hotéis, hostels, lugares para observar o céu e lojas de turismo de aventura. Pelas suas poucas ruas circulam turistas de todas as partes do planeta, principalmente europeus. Alguns por lá ficam para morar, trabalhar, contribuindo para transformar San Pedro de Atacama (pato negro na língua do atacamenhos), numa cidade colorida e alegre, principalmente ao final da tarde, quando o calor fica mais ameno.  

O GRANDE SALAR

Ike Gevaerd

Tive a oportunidade de cortar o Salar do Atacama de oeste para leste e de norte a sul. Sempre com um galão de 5 litros de água no carro, me aventurei por algumas vezes pelas mais diversas estradas e trilhas que me levaram às belas atrações escondidas naquele deserto de sal de 300.000 hectares, o maior salar do Chile. Formada sobre um lago salgado, sua superfície é branca e rugosa, manchada pela areia do deserto, lagos e lagoas completam a sua paisagem. Lagunas com suas águas tão salgadas que não deixam o corpo afundar, a Laguna Cejar com seus flamingos, os Ojos de São Pedro e a ainda pouco conhecida Laguna Tebenquiche são para mim locais que devem ser visitados.  

OS VALES DA MORTE E DA LUA.

Ike Gevaerd

O Vale da Lua é faz parte da Reserva Nacional Los Flamingos, a área de preservação mais representativa desta parte do deserto do Atacama, e é administrado conjuntamente pela Confederação Nacional Florestal – CONAF. órgão governamental chileno, responsável pela proteção e gestão das unidades de conservação do Chile e pela Associação Indígena do Vale da Lua, formada pelas comunidades de San Pedro do Atacama, Coyo, Quitor, Solor, Sequitor e Larrache. Na entrada principal encontra-se um Centro de Visitantes e um museu sobre a história do local. Ingresso comprado, e tendo o vulcão Licancabur ao fundo, iniciamos um passeio fantástico por um lugar que dizem lembrar a superfície lunar. Cavernas de sal, dunas, e nenhuma vegetação, compõe um quadro monumental emoldurado pelos Andes e iluminado pelo por do sol que é belo se apreciado dos pontos mais altos do Vale. A Cordilheira do Sal, onde está incrustado o Vale da Lua, abriga também o Vale da Morte, onde encontramos formidáveis esculturas de terra e sal esculpidas pelo vento.  

AS LAGUNAS ALTIPLÂNICAS MISCANTI E MIQUINES

Ike Gevaerd

Localizadas na comuna de Socaire, a pouco mais de 100 km de San Pedro, encontramos estes lagos andinos,num vale que também pertence a Reserva Nacional Los Flamingos.

Miquines está a 4.100 metros de altitude e Miquenes, 3 km ao norte a 4.350 metros, e destes locais avista-se as montanhas com mais de 5.000 metros que deram nome as belas lagoas de cor azul. Um pouco distante de San Pedro, é outro passeio imperdível. Próximas foto reportagem irão destacar as outras atrações desta região, como El Tatio, As Termas de Puritama, a Cadeia de Vulcões, os Antigos Povos, os Observatórios o Vale do Arco Iris. 

POIS É. 

Enquanto um árido deserto com sua milenar história é um dos locais mais procurados por pessoas que procuram uma experiência diferente, aqui no Brasil nosso patrimônio natural  e cultural é desprezado. Cito como exemplo o que acontece no interior do Piauí, nos Parques Nacionais de 7 Cidades e da Serra da Capivara. Iniciativas não governamentais, que não tem o devido reconhecimento dos órgãos gestores, é que mantem, a duras penas, os parques vivos. Temos que acordar para esta problemática e transformar estes patrimônios em fonte de geração de emprego e renda para os povos locais, preservando-os.  


 

Escrito por Ike Gevaerd, 18/06/2020 às 09h22 | ikegevaerd@terra.com.br



Ike Gevaerd

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Empresário, Diretor da Biosphera Empreendimentos Ambientais desde 1994, viajante, pesquisador autodidata de assuntos ligados a turismo e meio ambiente, conservacionista e ambientalista.