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Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

O constrangedor serviço do vinho

Entendemos como serviço do vinho, nada mais do que o ato de servir o vinho. Nada pode ser mais simples que isso: abrir a garrafa e despejar o vinho na taça. Mas o vinho, como sempre e infelizmente, complica, causa dúvidas, medos e constrangimentos.
 
Em casa para amigos, a chance de alguém retrucar um palpite é quase certa. Não combina com a comida, esta quente demais, frio de menos, se o vinho é brasileiro no máximo é “bonzinho”, mesmo que eu veja estrelas ao beber não damos o elogio que ele merece.
No restaurante, quando o garçom chega para abrir a garrafa de vinho, cai um silêncio sobre a mesa só comparado a elevadores, até a criança na cadeirinha para de chorar nessa hora. Garçons menos tarimbados ficam quase que petrificados diante dos olhares atentos das pessoas em volta da mesa, não se sabe se torcendo contra ou a favor, pois na prática pouca gente entende o que se passa em toda a encenação.
Ah, mas vinho tem temperatura, jeito certo de abrir, mostrar a garrafa para o cliente e coisas mais. Então veja as dicas de serviço e veja como tudo pode ser simples:
Temperatura: pense no vinho como se fosse cerveja, você só reclama se estiver quente ou congelado. Qualquer temperatura nesse meio o vinho pode ser salvo. Aguarde um pouco ou peça um balde de gelo se você acha que pode ajudar.
Abrindo o vinho: abra como se fosse água mineral, ou seja, na frente do cliente. É a única exigência que você deve fazer, para ter certeza que não encheram a garrafa com outro vinho. Rituais mais sofisticados podem ser importantes, mas devem estar em harmonia com o requinte da casa e do vinho.
Provando o vinho: mesmo isso é dispensável, a chance de vinhos apontarem defeitos é muito pequena, pelo menos no que tange a imensa maioria dos vinhos a venda em cartas de restaurantes. Pode haver problema de conservação, ou estarem velhos, mas se esse é o critério, também deveríamos provar a cerveja, o suco, o peixe... E não vejo ninguém oferecendo provinha do mignon para sentir se tá no ponto, nem bicadinha na caipirinha pra ver se tem limão podre no meio. Toda bebida ou alimento sofre da mesma variável.
Taças: também deve esta de acordo com o padrão de qualidade do vinho e do restaurante. Não dá exigir taça grande de cristal pra tomar vinho chileno de 20 reais. A taça ajuda, mas não faz milagre. Não estou menosprezando o vinho que com certeza tem seus predicados, mas toma-lo numa taça normalzinha até que traz uma atmosfera legal.
Sobre harmonização, já escrevi num post anterior (clique aqui para ler).
O serviço do vinho pode ser bem simples. O importante é que funcione. Usar um saca-rolha não é difícil, abrir um vinho com tampa rosca, mais simples ainda. Beber o vinho além de fácil é gostoso, e tenho certeza que ficará ainda mais gostoso quando você abrir uma garrafa sem pensar ou o garçom sem tremer.
Escrito por Carlos Mayer, 23/02/2017 às 11h08 | carlos@casamayer.com.br

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