Jornal Página 3
Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Vinhos e medalhas.

Pra quem tem espírito competitivo até na hora de beber, foi liberada a lista de um dos mais importantes concurso de vinhos do mundo, Decanter World Wine Awards, realizado na Inglaterra. Participaram mais de 17 mil diferentes vinhos e destes, 34 receberam as notas máximas na avaliação: Uma medalha chamada de “Platinum Best in Show”. À medida que as notas vão baixando, seguem outras medalhas em ordem decrescente: Platinum, Gold, Silver, Bronze e por último a Commended, uma espécie de consolo pela participação.
 
O primeiro brasileiro a aparecer na lista é um vinho chamado Vista do Chá Syrah (foto), produzido pela Guaspari no interior de São Paulo, com uma medalha de ouro. Na sequência aparecem 5 vinhos brasileiros com medalha de prata, 15 bronzes e 6 vinhos que apenas receberam a comenda por participação. O Brasil não conseguiu emplacar vinhos nas primeiras posições, mas isso não significa que temos um problema de qualidade, se temos um problema, ele é outro.
Para ver a lista completa dos vinhos premiados clique aqui.
Comparados a outros países produzimos pouco vinho, bebemos pouco vinho, investimos pouco em pesquisa e participamos pouco de concursos. O Brasil produz diversos vinhos de qualidade que podem ser comparados a vinhos de renome mundial, mas no mar de vinhos que envolve o mundo, os brazucas ainda ficam tímidos. Só para exemplificar, neste concurso o Brasil inscreveu 27 vinhos, a França 3748, a Argentina 495 e o Chile 597. Quanto maior a “aposta” maior a chance de ganhar.
Mas qual a real importância desses concursos de vinho para eu e vocês, consumidores comuns? Resposta: Muita!
Estes grandes concursos são como a Maratona de São Silvestre, qualquer pessoa pode participar, mas a gente sabe que quem vai ganhar vai ser um queniano. Com os vinhos é semelhante, qualquer um pode concorrer, mas o normal é que europeus dominem a dianteira. Quando um produtor brasileiro ou de qualquer lugar do mundo resolve participar de uma “corrida” dessas, significa que ele está tentando produzir um vinho melhor, e para isso é preciso caprichar! Fazer a lição de casa, tentar várias vezes, ano após ano, entender do terroir, da uva, da vinificação, do amadurecimento e tudo o mais que possa interferir no vinho final. Esse aprendizado interfere em todos os vinhos produzidos, não só naquele que vai para o concurso, mas também naquele que vai pra loja de vinhos, para prateleira do mercado e para a carta do restaurante.
Um concurso eleva o padrão de qualidade dos vinhos como um todo. É aí que eu e vocês ganhamos, mesmo que nunca vejamos (ou bebamos) um vinho com medalha.
Escrito por Carlos Mayer, 26/06/2017 às 14h34 | carlos@casamayer.com.br

publicidade





publicidade



Carlos Mayer

Assina a coluna Vinho comigo
















Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br