Jornal Página 3
Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

"O Rei da Cortiça"

Mês passado morreu uma pessoa importantíssima do mundo do vinho: Américo Amorim, português, com 82 anos, dono da maior fortuna daquele país. Conhecido como o “rei da cortiça” dirigia a maior empresa produtora de rolhas para vinho do mundo. Se você costuma abrir uma garrafa de vinho de vez em quando, a chance de ter tido nas mãos um produto feito por ele é muito grande.
 
A rolha de cortiça é o fechamento para garrafas de vinho preferido da maioria dos produtores e consumidores, apesar de que outras tampas para garrafas de vinhos estão cada vez mais populares. Rolhas feitas de outros materiais sintéticos, semelhantes ao plástico ou a borracha, rolhas de vidro e tampas com roscas de plástico ou alumínio, para abrir com a mão mesmo, são as algumas tendências de mercado.
Mas será que isso faz diferença no vinho?
Uma pesquisa feita recentemente nos Estados Unidos mostrou que quase 97% dos consumidores americanos entrevistados associam a rolha de cortiça aos vinhos de melhor qualidade, o que de fato pode ser verdade. Todavia, pouquíssimas pessoas conheciam as razões para tal associação. Quando muito, lembraram-se da tradição, do ritual de abertura do vinho com o saca-rolha e o barulhinho “pop” da rolha sendo liberada, que só de escrever dá sede. Cá entre nós, apesar de puramente psicológicos, concordo que são razões muito nobres!
Respondendo a pergunta anterior, sim, a forma que o vinho é fechado faz toda diferença. A rolha de cortiça natural permite a evolução do vinho com o passar do tempo, isso porque a cortiça é um material poroso, na medida certa, para que o vinho não vaze, mas que oxigênio, em mínimas quantidades, entre em contato com o vinho proporcionando sua evolução. Chamamos esse processo de micro oxigenação, sem a qual, a evolução do vinho na garrafa seria muito diferente, podendo até mesmo, não existir, não amadurecer.
Outra pergunta: todo vinho precisa amadurecer? Não. Na verdade, a grande maioria dos vinhos não precisa, ou até não deve amadurecer. Nestes casos o passar do tempo significa perder qualidade, e se o vinho não será guardado, o tipo da tampa não interfere desde que ela realmente feche a garrafa.
Mas falando dos pontos fortes da rolha de cortiça, até em homenagem ao Seu Amorim que nos deixou, são as mais queridas dos consumidores, são totalmente recicláveis e fazem parte de uma indústria bastante sustentável e pouco poluente. Aliás, segundo representantes do setor, as florestas de sobreiros, árvores cujas cascas são feitas as rolhas, são responsáveis por significativa renovação do ar, pela manutenção da biodiversidade e do clima regional.
Não há como ter um veredicto definitivo sobre qual fechamento é o melhor e esse assunto não dá para esgotar hoje. Por enquanto, na próxima vez que usar o saca-rolha, lembre-se da devida importância cultural, social, econômica e ecológica que uma simples rolha pode ter.
Escrito por Carlos Mayer, 03/08/2017 às 15h40 | carlos@casamayer.com.br

publicidade





publicidade



Carlos Mayer

Assina a coluna Vinho comigo
















Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br