Jornal Página 3
Coluna
Vinho comigo
Por Carlos Mayer

Geografia do vinho.

Existe uma teoria, bastante difundida entre especialistas, de que apenas algumas partes do mundo, seriam as ideais para a produção de vinhos, e que, fora delas, não seria recomendado produzir.
Essas partes, na verdade faixas, estão entre os paralelos 30 e 50, tanto no hemisfério sul como no norte. Nestas faixas, ao norte, encontram-se a praticamente a totalidade dos Estados Unidos, da Europa, com destaque para toda região em volta do Mar Mediterrâneo e a China. Ao sul, áreas bem menores, como o Chile, Argentina, Uruguai, o extremo sul do Brasil, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. A não ser que você seja realmente um explorador de vinhos diferentões, os vinhos que você já tomou, vem de uma dessas regiões citadas acima.
 
A principal característica em comum destas grandes áreas do mundo é o clima, que é marcado por estações do ano bem definidas. Invernos frios e verões quentes. Este equilíbrio e regularidade sempre foi importante para o bom desenvolvimento dos parreirais e das uvas, o que resulta, ou pelo menos facilita, a produção de bons vinhos. Fora dessas faixas a natureza costuma se comportar de forma mais instável, é normal, por exemplo, um inverno quentinho ou uma geada no início do verão, fatos que podem estragar uma safra inteira. Além de um comportamento irregular, ano após ano, o que dificulta o aprendizado em relação ao terroir, e também qualquer tipo de previsão do tempo mais precisa.
Apesar das dificuldades, produtores estão desbravando novas regiões e saindo da zona de conforto oferecida pela natureza. Estão indo ao centro do globo, chegando mais próximos da linha do Equador, experimentando novas técnicas e produzindo vinhos de boa qualidade em regiões bastante inusitadas. Por exemplo, Madagascar, Zimbábue, Etiópia, México, Canadá, Cuba, Panamá e centro-norte do Brasil.
Para falar de casa, as novas regiões vinícolas brasileiras estão se espalhando por todo país. Nós que somos catarinenses, já sabemos que aqui se produz vinhos de grande qualidade já há vários anos, e que novos produtores não param de surgir. Também, num post anterior, falei sobre um vinho premiado mundialmente feito no interior de São Paulo. O Ibravin, Instituto Brasileiro do Vinho, divulga um mapa interessante com as principais regiões vinícolas do Brasil, onde aparecem ainda, os estados do Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, como produtores de vinhos.
Veja o mapa do Ibravin aqui.
Estas regiões que ficam fora dos paralelos 30-50, precisam trabalhar de forma diferente da tradicional, praticadas nas regiões típicas. As técnicas não são definidas e cada local deve buscar seu próprio aprendizado, só para citar alguns exemplos, há regiões que buscam compensar a distância dos paralelos com altitude, como fazem alguns produtores catarinenses. Na Bahia, o clima árido e sem chuvas do sertão é associado à irrigação artificial, em Minas Gerais inverteram a época da colheita, com técnicas diferentes de poda e irrigação, tornando possível fazer a colheita das uvas no inverno, quando normalmente seria no verão. Há muita coisa para aprender e desenvolver no mundo do vinho!
Essas novas fronteiras e tecnologias só contribuem para que possamos ter à nossa disposição, mais, novos e diferentes vinhos. Com novas áreas produtoras, a cultura do consumo de vinho também se difunde, e mais uma vez aprendemos que não há verdades absolutas em relação ao vinho.
Se você tem um amigo que só bebe vinho chileno, ou que diz que o Brasil não faz vinho bom, que tal surpreende-lo com um vinho do Zimbábue ou um mineiro, uai!
Escrito por Carlos Mayer, 25/08/2017 às 14h24 | carlos@casamayer.com.br

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