Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
CD-CRÍTICA - João Donato e Donatinho fazem expedição de volta para o futuro

Terça, 4/7/2017 16:45.

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THALES DE MENEZES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A capa do álbum "Sintetizamor" parece a de um disco dos anos 1970 ou 1980, com o desenho dos artistas ocupando os controles de uma espaçonave. Correto. Suas dez faixas pagam tributo ao funk com alguns elementos eletrônicos daquela época.

A capa também sinaliza bem ao jogar o mito do piano João Donato, 82, nesse cenário futurista ao lado do caçula Donatinho. Os dois tocam e cantam. E não é bom esperar reverência do filho ao trabalho do pai. O disco é mais um mergulho de Donato no universo musical do garoto, e a surpresa logo vira deleite.

A ficha técnica do disco lista 12 modelos de teclados eletrônicos utilizados no estúdio. Se essas maquininhas são uma perdição para gente desprovida de talento que se arrisca na música, jogadas nas mãos de Donato proporcionam algo transcendental.

Todas as composições são da dupla, com alguns parceiros, como Davi Moraes, Domenico Lancellotti, Julia Bosco e o veterano Ronaldo Bastos, do Clube da Esquina.

As letras têm um papel claro em "Sintetizamor". São deitadas em cima de uma trama eletrônica dançante, em graus diversos de delicadeza e peso. Os versos são dedicados a uma paquera esperta, de um romantismo juvenil.

A união de som digital com instrumentos analógicos dá aura vintage ao trabalho. Soa natural nessa trajetória de Donatinho, protagonista como músico e produtor de uma certa volta ao futuro, a um futuro idealizado há tempos.

A aceitação de Donato ao convite sonoro do pimpolho nem de longe pode surpreender seus fãs mais antigos.

Embora seja facilmente identificado como o grande pianista da bossa nova, parceiro de João Gilberto e um dos embaixadores de uma música brasileira sofisticada, Donato sabe muito de funk.

Seu disco mais fora da curva, "Bad Donato", de 1970, é um caldeirão de música afro, jazz, soul, alguma psicodelia e funk. Os grooves que permeiam "Sintetizamor" já estavam espalhados ali.

Moderno e nostálgico, o álbum pode agradar geral.

Fã antigo de João Donato vai gostar, porque encontra o mestre brincando feito garoto no meio de tanto teclado eletrônico. Fã de Donatinho também vai aprovar, porque a inquietude do artista está plena, indo de uma faixa que é tributo claro a Earth Wind & Fire para outra que é boa e totalmente inclassificável.

E fã da música pop atual, pulverizada nas plataformas digitais, também vai amar, porque algumas canções de "Sintetizamor" poderiam entrar sem grandes traumas no repertório do Bruno Mars.

SINTETIZAMOR
ARTISTAS João Donato e Donatinho
GRAVADORA Deck
QUANTO R$ 30, em média, nas plataformas digitais
AVALIAÇÃO muito bom


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Página 3

CD-CRÍTICA - João Donato e Donatinho fazem expedição de volta para o futuro

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Terça, 4/7/2017 16:45.

THALES DE MENEZES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A capa do álbum "Sintetizamor" parece a de um disco dos anos 1970 ou 1980, com o desenho dos artistas ocupando os controles de uma espaçonave. Correto. Suas dez faixas pagam tributo ao funk com alguns elementos eletrônicos daquela época.

A capa também sinaliza bem ao jogar o mito do piano João Donato, 82, nesse cenário futurista ao lado do caçula Donatinho. Os dois tocam e cantam. E não é bom esperar reverência do filho ao trabalho do pai. O disco é mais um mergulho de Donato no universo musical do garoto, e a surpresa logo vira deleite.

A ficha técnica do disco lista 12 modelos de teclados eletrônicos utilizados no estúdio. Se essas maquininhas são uma perdição para gente desprovida de talento que se arrisca na música, jogadas nas mãos de Donato proporcionam algo transcendental.

Todas as composições são da dupla, com alguns parceiros, como Davi Moraes, Domenico Lancellotti, Julia Bosco e o veterano Ronaldo Bastos, do Clube da Esquina.

As letras têm um papel claro em "Sintetizamor". São deitadas em cima de uma trama eletrônica dançante, em graus diversos de delicadeza e peso. Os versos são dedicados a uma paquera esperta, de um romantismo juvenil.

A união de som digital com instrumentos analógicos dá aura vintage ao trabalho. Soa natural nessa trajetória de Donatinho, protagonista como músico e produtor de uma certa volta ao futuro, a um futuro idealizado há tempos.

A aceitação de Donato ao convite sonoro do pimpolho nem de longe pode surpreender seus fãs mais antigos.

Embora seja facilmente identificado como o grande pianista da bossa nova, parceiro de João Gilberto e um dos embaixadores de uma música brasileira sofisticada, Donato sabe muito de funk.

Seu disco mais fora da curva, "Bad Donato", de 1970, é um caldeirão de música afro, jazz, soul, alguma psicodelia e funk. Os grooves que permeiam "Sintetizamor" já estavam espalhados ali.

Moderno e nostálgico, o álbum pode agradar geral.

Fã antigo de João Donato vai gostar, porque encontra o mestre brincando feito garoto no meio de tanto teclado eletrônico. Fã de Donatinho também vai aprovar, porque a inquietude do artista está plena, indo de uma faixa que é tributo claro a Earth Wind & Fire para outra que é boa e totalmente inclassificável.

E fã da música pop atual, pulverizada nas plataformas digitais, também vai amar, porque algumas canções de "Sintetizamor" poderiam entrar sem grandes traumas no repertório do Bruno Mars.

SINTETIZAMOR
ARTISTAS João Donato e Donatinho
GRAVADORA Deck
QUANTO R$ 30, em média, nas plataformas digitais
AVALIAÇÃO muito bom


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