Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
Preconceito motiva transferência de empresa de Camboriú para São Paulo

Quarta, 12/12/2018 10:49.
Andressa Magalhães
Viviane (de vermelho) com o filho e parte do elenco, em agosto

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A Plasticine Produções Artísticas e Culturais, sediada em Camboriú há três anos, está se transferindo para São Paulo esta semana. Um dos motivos é a falta de acolhimento e outro são as barreiras do preconceito, que dificultam a sobrevivência de espetáculos como os produzidos pela empresa, que trabalha com artistas gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, sempre com ênfase no transformismo.

A diretora e produtora Viviane de Paoli, 38, uma espécie de ‘faz-tudo’ na empresa, enfrentou muitas dificuldades nestes anos, principalmente com o espetáculo Drag Night Show, que estreou em 2017.

“Foi bem difícil enfrentar a sociedade, levar o transformismo para o teatro, mas preciso agradecer a Casa de Cultura Dide Brandão e ao Teatro Municipal de Itajaí assim como o Teatro Municipal Bruno Nitz de Balneário Camboriú que acreditaram e abriram suas portas para o espetáculo que lotou as casas”, disse Viviane.

O preconceito ficou visível em várias ações e atitudes. Em Camboriú, em fevereiro, os cartazes do espetáculo foram rasgados em sete locais e na Univali/Itajaí. O mesmo aconteceu quando a Plasticine trouxe a performance Preta-à-Porter, do Grupo Coletivo de Teatro Negras Experimentações Grupo de Artes (Nega) de Florianópolis, ano passado.

“A LGBTfobia é uma intolerância ou rejeição aqueles que trabalham com práticas homoafetivas, é o caso do Drag Night, espetáculo transformista com drags que dançam, cantam e muitas pessoas não entendem. Sofremos preconceito aberto e velado, meus artistas foram atacados moralmente, até por outros artistas o que é mais triste ainda, denunciei no Ministério dos Direitos Humanos,”, segue Viviane.

Outro espetáculo que sofreu preconceito além do Preta-à-Porter foi o ‘Sui Generis’, da Cia. Fundo Mundo de Florianópolis, que apresentou-se em Balneário Camboriú no dia 19 de novembro.

“É uma companhia composta somente por pessoas trans e travestis e eles e elas sofreram ataques na Internet e duas pessoas que atacaram as/os artistas foram no dia assistir e não sabemos com qual intenção”, comentou.

Apesar dos espetáculos sempre lotados, e a maior parte do público é de heterossexuais, Viviane decidiu mudar a companhia para São Paulo, onde fechou parcerias para eventos e festas inclusive no Rio.

“Tudo isso desmotiva, porque em Itajaí e Balneário Camboriú por exemplo as portas não fecharam para nós, mas agora com esse conservadorismo a chance de fechar são grandes. Por isso tudo decidimos transferir a sede, começar do zero, o que lamento muito, porque já tínhamos um trabalho pronto, muitos amigos, mas esta é a única maneira de continuar o que começamos aqui”, afirmou Viviane ao Página3 antes de viajar para São Paulo.

Outra dificuldade são os patrocínios, muitas vezes há resistência provocada pelo preconceito mesmo.

“Fazemos um espetáculo de arte contestadora e nesse momento conservador que o país atravessa é ainda mais difícil conseguir patrocinadores. Não recebemos nenhum dinheiro público, tudo com recursos próprios e alguns parceiros”, contou.

Viviane (ao centro) recebendo homenagem no palco em novembro - Foto Andressa Magalhães

Interpretando Lady L.Bixcoito


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Página 3
Andressa Magalhães
Viviane (de vermelho) com o filho e parte do elenco, em agosto
Viviane (de vermelho) com o filho e parte do elenco, em agosto

Preconceito motiva transferência de empresa de Camboriú para São Paulo

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Quarta, 12/12/2018 10:49.

A Plasticine Produções Artísticas e Culturais, sediada em Camboriú há três anos, está se transferindo para São Paulo esta semana. Um dos motivos é a falta de acolhimento e outro são as barreiras do preconceito, que dificultam a sobrevivência de espetáculos como os produzidos pela empresa, que trabalha com artistas gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, sempre com ênfase no transformismo.

A diretora e produtora Viviane de Paoli, 38, uma espécie de ‘faz-tudo’ na empresa, enfrentou muitas dificuldades nestes anos, principalmente com o espetáculo Drag Night Show, que estreou em 2017.

“Foi bem difícil enfrentar a sociedade, levar o transformismo para o teatro, mas preciso agradecer a Casa de Cultura Dide Brandão e ao Teatro Municipal de Itajaí assim como o Teatro Municipal Bruno Nitz de Balneário Camboriú que acreditaram e abriram suas portas para o espetáculo que lotou as casas”, disse Viviane.

O preconceito ficou visível em várias ações e atitudes. Em Camboriú, em fevereiro, os cartazes do espetáculo foram rasgados em sete locais e na Univali/Itajaí. O mesmo aconteceu quando a Plasticine trouxe a performance Preta-à-Porter, do Grupo Coletivo de Teatro Negras Experimentações Grupo de Artes (Nega) de Florianópolis, ano passado.

“A LGBTfobia é uma intolerância ou rejeição aqueles que trabalham com práticas homoafetivas, é o caso do Drag Night, espetáculo transformista com drags que dançam, cantam e muitas pessoas não entendem. Sofremos preconceito aberto e velado, meus artistas foram atacados moralmente, até por outros artistas o que é mais triste ainda, denunciei no Ministério dos Direitos Humanos,”, segue Viviane.

Outro espetáculo que sofreu preconceito além do Preta-à-Porter foi o ‘Sui Generis’, da Cia. Fundo Mundo de Florianópolis, que apresentou-se em Balneário Camboriú no dia 19 de novembro.

“É uma companhia composta somente por pessoas trans e travestis e eles e elas sofreram ataques na Internet e duas pessoas que atacaram as/os artistas foram no dia assistir e não sabemos com qual intenção”, comentou.

Apesar dos espetáculos sempre lotados, e a maior parte do público é de heterossexuais, Viviane decidiu mudar a companhia para São Paulo, onde fechou parcerias para eventos e festas inclusive no Rio.

“Tudo isso desmotiva, porque em Itajaí e Balneário Camboriú por exemplo as portas não fecharam para nós, mas agora com esse conservadorismo a chance de fechar são grandes. Por isso tudo decidimos transferir a sede, começar do zero, o que lamento muito, porque já tínhamos um trabalho pronto, muitos amigos, mas esta é a única maneira de continuar o que começamos aqui”, afirmou Viviane ao Página3 antes de viajar para São Paulo.

Outra dificuldade são os patrocínios, muitas vezes há resistência provocada pelo preconceito mesmo.

“Fazemos um espetáculo de arte contestadora e nesse momento conservador que o país atravessa é ainda mais difícil conseguir patrocinadores. Não recebemos nenhum dinheiro público, tudo com recursos próprios e alguns parceiros”, contou.

Viviane (ao centro) recebendo homenagem no palco em novembro - Foto Andressa Magalhães

Interpretando Lady L.Bixcoito


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