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Dia da Cultura: uma data para reflexão sobre avanços e desafios
Divulgação PMBC
Praça da Cultura se tornou atração turística e espaço democrático de arte e da economia criativa

Segunda, 5/11/2018 16:40.

Daniele Sisnandes/JP3

Nesta segunda-feira, 5 de novembro, é celebrado o Dia da Cultura, um setor que movimenta, conforme o Atlas Econômico da Cultura Brasileira, 4% do PIB nacional, mas que ainda enfrenta desafios orçamentários, descaso de governos e muito preconceito.

Balneário Camboriú teve nos últimos 10 anos avanços significativos e se tornou referência no Estado com a criação do “CPF da Cultura” (Conselho Municipal, Plano e Fundo), o que além de base, serve para o município ter acesso a leis de fomento do governo federal e ainda permite que a cidade se beneficie com linhas de crédito em outras áreas.

Nesta última década também ocorreram marcos para o setor como a inauguração e organização do Teatro Municipal, a reestruturação da feira na Praça da Cultura, da Rua 200, Festival da Canção, consolidação das câmaras setoriais, criação de uma plataforma digital para credenciamento, um site exclusivo. Isso sem falar nas iniciativas como a inauguração da Cineramabc Arthouse, Museu da Imagem e Som e instalação do Sesc.

A Lei de Incentivo à Cultura (LIC) de Balneário Camboriú, apesar das críticas, continua sendo a principal ferramenta do poder público no fomento à cultura e circulação de arte dentro da cidade. O município reserva em torno de R$ 900 mil do orçamento, que são divididos entre projetos selecionados através de curadoria profissional.

Este ano, além da LIC, a Fundação Cultural também promoveu um edital de realização de eventos e assim distribuiu recursos para produtores, descentralizando a realização de eventos na cidade, que antes ficavam apenas sob as asas burocráticas da prefeitura.

Assim, espetáculos teatrais, de dança e música, além de eventos na rua como feiras e festas tradicionalistas, tiveram chance de se credenciar, receber verba e investir nos fornecedores que bem entendessem, transformando a dinâmica da distribuição de verbas no setor produtivo.

Educação e os bravos independentes

Cineramabc Arthouse abre espaço para o lado B, filmes de arte, cursos e shows. Na foto o lendário Wander Wildner

Se por um lado os editais públicos ajudam a tirar ideias do papel, há (muitos) que ficam de fora e engavetam projetos, mas há também quixotescos produtores que resistem às dificuldades e fazem acontecer.

O jornalista Rafael Weiss, que acompanha há décadas cena regional, não deixa esquecer as iniciativas independentes que estão ajudando a escrever a história da cultura local.

“Hoje as melhores ideias e atitudes estão vindo de pessoas como o André Gevaerd, da Arthouse CIneramaBC, um lugar que todo cidadão de Balneário Camboriú precisa conhecer. O pessoal do Sarau da Tainha são heróicos, fazem um evento com pouquíssimo apoio todos os meses”, enfatiza.

Ele acredita que o maior desafio da cultura daqui para frente seria a idealização e construção de uma casa de cultura e um conservatório, como existe em Itajaí, por exemplo, e são responsáveis pela formação de artistas.

“Há muitos jovens, adultos, idosos querendo aprender. Uma casa de cultura com conservatório certamente incentivaria ainda mais a produção artística da cidade”, complementa.

Economia criativa e engajamento

Um debate que precisa ser estimulado em todo o Brasil é da cultura como matéria prima de um pilar da economia e não apenas como entretenimento. Em Balneário Camboriú essa deveria ser uma discussão ainda maior, já que a vocação turística, aliada à força da construção civil, poderia ajudar a consolidar uma nova matriz econômica e fazer da cidade um destino de turismo cultural.

Para Dagma Castro, fotógrafa, produtora e presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, “ainda precisamos dialogar muito com as gestões para que olhem para a cultura não só como movimento de artistas, lazer e entretenimento... nós provocamos mudanças comportamentais, somos capazes de fazer transformações sociais e ser uma matriz econômica que muda padrões e orçamentos de cidades. Podemos citar muitos mas ficamos só com Gramado, Parati, Inhotim, suas matrizes econômicas hoje estão no turismo cultural”, destaca.

A economia criativa precisa ser vista como negócio (principalmente em uma época de crise, onde acaba se tornando uma alternativa de complementação de renda para muitos), e para isso a administração tem investido em workshops e consultoria. Há inclusive em andamento uma parceria com o Sebrae para orientar os profissionais do setor.

Bia Mattar, diretor da Fundação Cultural, produtora e proprietária do escritório de projetos da economia criativa EPEC, entende que é necessário ampliar as discussões do fazer artístico e não se contentar com “migalhas” das captações de recursos.

“Resistir a qualquer maneira, criar novos modos de produção e recolocação no mercado, entender os instrumentos políticos nas três esferas de governo (municipal, estadual e federal), pensar estratégias de formação de público para consumo das artes e ainda, encontrar diferentes formas de financiamento (leis de incentivo, financiamento coletivo, investimento social privado) agora tem sido pauta recorrente dos encontros de cultura e arte”, afirma.

Ela afirma que é necessário refletir sobre os desafios que ainda precisam ser vencidos, como a falta de continuidade nas políticas públicas para a cultura e a falta de entendimento das especificidades da arte na gestão pública e privada.

A diretora também cita outros conflitos como o desinteresse por parte dos artistas em posicionamentos mais contundentes na política, o que acaba os deixando às margens do real processo de desenvolvimento.

“Temos que gerar encontros que promovam diálogos para além da técnica e criação artística. Temos urgência por novas pautas nas instituições formais da economia, nas instituições políticas de governança e nas universidades para elaborarmos propostas qualificadas de atuação e preservação da cultura e das artes em geral no Brasil”, opina.

Diversidade cultural e as conquistas locais

Apesar de jovem e com público em formação, Balneário Camboriú, é segundo Dagma Castro, privilegiada pela influência de diferentes raízes culturais, como cultura açoriana e quilombola, além de receber pessoas de diversas nações e o fluxo constante do capital intelectual das universidades.

A presidente do Conselho Municipal avalia que a comunidade artística é presente nas apresentações de colegas, mas que esse reconhecimento entre si possa ser fortalecido, assim como os laços entre setores.

“Nossas conquistas e nossos valorosos atores dos movimentos culturais locais são o principal brinde para o dia de hoje. Mas eu gosto de comemorar conquistas buscando novos desafios. Acho que é próprio de todos nós esta inquietude e a vigilância. Hoje, dia que comemoramos a Cultura, especialmente com a reunião do Conselho Municipal de Políticas Culturais, onde estou presidente pela sociedade civil, prefiro olhar aqui pertinho - até para exercitar o olhar para o horizonte - e nos fortalecer num abraço com os colegas e lançar nossa LIC hoje em formato de prêmio, será a cereja do bolo”, adianta.

Desafios em diversas esferas

O ex-dirigente da Fundação Cultural, Anderson Beluzzo lembra que "Balneário Camboriú já implantou Sistema Municipal de Cultura, porém os demais entes federados ainda não fizeram a sua parte do pacto pela politica cultural. Aqui já está na primeira revisão de seu plano, metas e respectivas ações. Bom lembrar que só agora em 2018 Santa Catarina aprovou a Lei Estatual que cria o Sistema Estadual de Cultura e que caberá aos novos governantes, instituir no novo Sistema, repasses “fundo a fundo” para que os Estados e municípios desenvolvam a política cultural".

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Dia da Cultura: uma data para reflexão sobre avanços e desafios

Divulgação PMBC
Praça da Cultura se tornou atração turística e espaço democrático de arte e da economia criativa
Praça da Cultura se tornou atração turística e espaço democrático de arte e da economia criativa

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Segunda, 5/11/2018 16:40.

Daniele Sisnandes/JP3

Nesta segunda-feira, 5 de novembro, é celebrado o Dia da Cultura, um setor que movimenta, conforme o Atlas Econômico da Cultura Brasileira, 4% do PIB nacional, mas que ainda enfrenta desafios orçamentários, descaso de governos e muito preconceito.

Balneário Camboriú teve nos últimos 10 anos avanços significativos e se tornou referência no Estado com a criação do “CPF da Cultura” (Conselho Municipal, Plano e Fundo), o que além de base, serve para o município ter acesso a leis de fomento do governo federal e ainda permite que a cidade se beneficie com linhas de crédito em outras áreas.

Nesta última década também ocorreram marcos para o setor como a inauguração e organização do Teatro Municipal, a reestruturação da feira na Praça da Cultura, da Rua 200, Festival da Canção, consolidação das câmaras setoriais, criação de uma plataforma digital para credenciamento, um site exclusivo. Isso sem falar nas iniciativas como a inauguração da Cineramabc Arthouse, Museu da Imagem e Som e instalação do Sesc.

A Lei de Incentivo à Cultura (LIC) de Balneário Camboriú, apesar das críticas, continua sendo a principal ferramenta do poder público no fomento à cultura e circulação de arte dentro da cidade. O município reserva em torno de R$ 900 mil do orçamento, que são divididos entre projetos selecionados através de curadoria profissional.

Este ano, além da LIC, a Fundação Cultural também promoveu um edital de realização de eventos e assim distribuiu recursos para produtores, descentralizando a realização de eventos na cidade, que antes ficavam apenas sob as asas burocráticas da prefeitura.

Assim, espetáculos teatrais, de dança e música, além de eventos na rua como feiras e festas tradicionalistas, tiveram chance de se credenciar, receber verba e investir nos fornecedores que bem entendessem, transformando a dinâmica da distribuição de verbas no setor produtivo.

Educação e os bravos independentes

Cineramabc Arthouse abre espaço para o lado B, filmes de arte, cursos e shows. Na foto o lendário Wander Wildner

Se por um lado os editais públicos ajudam a tirar ideias do papel, há (muitos) que ficam de fora e engavetam projetos, mas há também quixotescos produtores que resistem às dificuldades e fazem acontecer.

O jornalista Rafael Weiss, que acompanha há décadas cena regional, não deixa esquecer as iniciativas independentes que estão ajudando a escrever a história da cultura local.

“Hoje as melhores ideias e atitudes estão vindo de pessoas como o André Gevaerd, da Arthouse CIneramaBC, um lugar que todo cidadão de Balneário Camboriú precisa conhecer. O pessoal do Sarau da Tainha são heróicos, fazem um evento com pouquíssimo apoio todos os meses”, enfatiza.

Ele acredita que o maior desafio da cultura daqui para frente seria a idealização e construção de uma casa de cultura e um conservatório, como existe em Itajaí, por exemplo, e são responsáveis pela formação de artistas.

“Há muitos jovens, adultos, idosos querendo aprender. Uma casa de cultura com conservatório certamente incentivaria ainda mais a produção artística da cidade”, complementa.

Economia criativa e engajamento

Um debate que precisa ser estimulado em todo o Brasil é da cultura como matéria prima de um pilar da economia e não apenas como entretenimento. Em Balneário Camboriú essa deveria ser uma discussão ainda maior, já que a vocação turística, aliada à força da construção civil, poderia ajudar a consolidar uma nova matriz econômica e fazer da cidade um destino de turismo cultural.

Para Dagma Castro, fotógrafa, produtora e presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, “ainda precisamos dialogar muito com as gestões para que olhem para a cultura não só como movimento de artistas, lazer e entretenimento... nós provocamos mudanças comportamentais, somos capazes de fazer transformações sociais e ser uma matriz econômica que muda padrões e orçamentos de cidades. Podemos citar muitos mas ficamos só com Gramado, Parati, Inhotim, suas matrizes econômicas hoje estão no turismo cultural”, destaca.

A economia criativa precisa ser vista como negócio (principalmente em uma época de crise, onde acaba se tornando uma alternativa de complementação de renda para muitos), e para isso a administração tem investido em workshops e consultoria. Há inclusive em andamento uma parceria com o Sebrae para orientar os profissionais do setor.

Bia Mattar, diretor da Fundação Cultural, produtora e proprietária do escritório de projetos da economia criativa EPEC, entende que é necessário ampliar as discussões do fazer artístico e não se contentar com “migalhas” das captações de recursos.

“Resistir a qualquer maneira, criar novos modos de produção e recolocação no mercado, entender os instrumentos políticos nas três esferas de governo (municipal, estadual e federal), pensar estratégias de formação de público para consumo das artes e ainda, encontrar diferentes formas de financiamento (leis de incentivo, financiamento coletivo, investimento social privado) agora tem sido pauta recorrente dos encontros de cultura e arte”, afirma.

Ela afirma que é necessário refletir sobre os desafios que ainda precisam ser vencidos, como a falta de continuidade nas políticas públicas para a cultura e a falta de entendimento das especificidades da arte na gestão pública e privada.

A diretora também cita outros conflitos como o desinteresse por parte dos artistas em posicionamentos mais contundentes na política, o que acaba os deixando às margens do real processo de desenvolvimento.

“Temos que gerar encontros que promovam diálogos para além da técnica e criação artística. Temos urgência por novas pautas nas instituições formais da economia, nas instituições políticas de governança e nas universidades para elaborarmos propostas qualificadas de atuação e preservação da cultura e das artes em geral no Brasil”, opina.

Diversidade cultural e as conquistas locais

Apesar de jovem e com público em formação, Balneário Camboriú, é segundo Dagma Castro, privilegiada pela influência de diferentes raízes culturais, como cultura açoriana e quilombola, além de receber pessoas de diversas nações e o fluxo constante do capital intelectual das universidades.

A presidente do Conselho Municipal avalia que a comunidade artística é presente nas apresentações de colegas, mas que esse reconhecimento entre si possa ser fortalecido, assim como os laços entre setores.

“Nossas conquistas e nossos valorosos atores dos movimentos culturais locais são o principal brinde para o dia de hoje. Mas eu gosto de comemorar conquistas buscando novos desafios. Acho que é próprio de todos nós esta inquietude e a vigilância. Hoje, dia que comemoramos a Cultura, especialmente com a reunião do Conselho Municipal de Políticas Culturais, onde estou presidente pela sociedade civil, prefiro olhar aqui pertinho - até para exercitar o olhar para o horizonte - e nos fortalecer num abraço com os colegas e lançar nossa LIC hoje em formato de prêmio, será a cereja do bolo”, adianta.

Desafios em diversas esferas

O ex-dirigente da Fundação Cultural, Anderson Beluzzo lembra que "Balneário Camboriú já implantou Sistema Municipal de Cultura, porém os demais entes federados ainda não fizeram a sua parte do pacto pela politica cultural. Aqui já está na primeira revisão de seu plano, metas e respectivas ações. Bom lembrar que só agora em 2018 Santa Catarina aprovou a Lei Estatual que cria o Sistema Estadual de Cultura e que caberá aos novos governantes, instituir no novo Sistema, repasses “fundo a fundo” para que os Estados e municípios desenvolvam a política cultural".

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