Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
Teto da Galeria de Artes desaba e artistas denunciam descaso com o local

O teto da Galeria Municipal de Artes de Balneário Camboriú desabou no domingo (27) após fortes ventos. Fundação Cultural interdita a área, mas programação do Teatro Municipal está mantida

Quarta, 30/10/2019 18:03.
Divulgação
Galeria de Artes com o teto danificado

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A questão trouxe à tona a insatisfação dos artistas da cidade, que denunciam o descaso com o local, como infiltrações e goteiras, e pedem uma posição da Fundação Cultural.

A presidente da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Bia Mattar, explicou que o vento de domingo derrubou o teto e com o peso da cortina caiu o apoio, mas que a situação já foi resolvida.

“Agora seguiremos com o planejamento da reforma do telhado, porque já estava na programação”, disse.

“A Galeria está interditada há bastante tempo”

A artista e conselheira de Artes Visuais da Câmara Setorial de Artes Visuais da Fundação Cultural, Luciana Siebert, explica que a Galeria de Artes está interditada ‘há bastante tempo’, Ela soube que além do teto ter caído também está tendo goteiras no Teatro Municipal Bruno Nitz.

“Ela é a melhor Galeria que temos em Balneário Camboriú, mesmo com todos esses problemas. Ela é ampla, tem uma boa iluminação, mas não conseguimos nem criar edital por conta dos problemas de estrutura”, diz.

Mesmo assim, a Comissão busca incentivar os artistas a serem mais presentes, e Luciana criou a Comissão de Pauta da Galeria, para começar a receber trabalhos e fazer curadoria – tudo de forma independente, para poder ocupar o espaço ‘que está se degradando’.

Tem uma exposição marcada para novembro, com o tema Infiltração, mas com os problemas estruturais a mostra será na frente da Galeria ou no hall de entrada do Teatro.

“Queremos mostrar que para nós artistas a Galeria é importante. Balneário Camboriú não tem um movimento artístico, é uma cidade que não está valorizando a sua cultura. Precisamos de um novo tipo de Turismo, e esse espaço é central, tem acessibilidade, elevadores, poderia ser uma opção para o Turismo Cultural, inclusive no inverno, que é quando a cidade ‘morre’ e precisa de movimento”, opina.

Luciana diz que vê que há esforço da Fundação para conseguir recursos e que batalha pelo local, mas que sempre falta ‘mais’, um olhar ‘com mais carinho’ do poder público. “Já demorou muito tempo. Precisamos saber de onde virá o dinheiro para a reforma da Galeria, que hoje temos a impressão que está abandonada. Como uma roda-gigante e um molhe conseguem dinheiro tão rápido? E a Galeria tem que desabar na cabeça do artista para ganhar atenção. Nem o privado valoriza a Galeria”, afirma.

“O Teatro é o ponto máximo e a Galeria é desconsiderada”

A artista Haro Wolff conversou com o Página 3 e conta que o histórico de problemas estruturais da Galeria Municipal é antigo. Ela diz ter acompanhado a abertura do local e que os problemas existem desde essa época, salientando que o artista plástico de Balneário Camboriú ‘é extremamente subjugado’. “O Teatro é o ponto máximo do espaço físico da Fundação. Não estou criticando, mas a Galeria é realmente desconsiderada. Esperávamos o mínimo de respeito”, comenta.

Haro opina que o povo de Balneário Camboriú tem direito de ter acesso à arte, e que as pessoas ‘não têm noção’ do que vem acontecendo nos bastidores.

“A localização da Fundação é privilegiada. Teoricamente é um espaço bonito, mas nunca foi bem aproveitado. Os artistas tentam participar da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) e de editais, que inclusive são controversos, mas há muito descaso com a Galeria. Sinto como se ela estivesse jogada ao lixo”, acrescenta. A artista lembra que os artistas se reuniram e fizeram uma chamada no início do ano pedindo por melhorias estruturais e que estas foram prometidas, mas ainda não foram realizadas.

“Fiz um manifesto por escrito para a diretoria, reclamando diretamente a eles. Na ocasião eles prometeram reforma e melhorias básicas, porque quando chove a Galeria vira uma banheira. O problema de infiltração existe há anos. Quando o local foi inaugurado tinha um piso lindo que após um mês levantou todinho. Ou seja, há problemas em toda a estrutura e eles sempre trabalham com paliativos”, diz.

“É um descaso extremo”

A artista comenta que como a Fundação ‘envolve política’ a arte acaba ficando em ‘segundo, terceiro, quarto, quinto plano’ e que a situação só foi postergada, chegando ao nível de ‘abandono e precariedade’. Segundo ela, há um mês alguns artistas fizeram uma reunião na Galeria e encontraram o local ‘em um lamento’.

Haro diz que havia poças de água no chão, com risco de prejudicar os trabalhos lá expostos e o teto já mostrava sinais que podia cair.

“Como realmente caiu. As pessoas poderiam se ferir. A diretoria da Fundação não mediu as consequências, é um descaso extremo. Eles sabiam a real condição da estrutura e são os responsáveis por isso. Nos indigna a falta de assumir a responsabilidade perante os artistas e comunidade de Balneário Camboriú. É dinheiro público”, pontua.

Antes do desabamento acontecer, os artistas já haviam decidido, ainda na última semana, que iriam fazer uma exposição com a temática Infiltração (citada por Luciana), retratando a situação da Galeria.

“Mesmo receosos, os artistas estão demonstrando indignação. Haverá na exposição, que acontecerá em novembro, pinturas, gravuras e esculturas. Tudo o que há dentro das artes visuais e plásticas. Conseguimos pegar alguns materiais que caíram e temos os vídeos e vamos colocar tudo na exposição para mostrar a realidade, que nem tudo é o que parece. Queremos retratar a farsa, será uma surpresa. O povo merece saber”, completa.

Participe da exposição

A Câmara Setorial de Artes Visuais está se mobilizando para realizar a ‘Infiltração’ e convida a todos os artistas interessados a mostrarem seus trabalhos para participarem da exposição. Quem desejar integrar o movimento pode entrar em contato com Luciana (47) 9.9996-2584.


A Fundação Cultural encaminhou ao Página 3 a seguinte nota:

Nota de esclarecimento

A Fundação Cultural esclarece que com o descolamento de parte do teto de gesso da galeria de artes, na parte superior do Teatro Bruno Nitz, ocorrido no último final de semana devido a condições climáticas adversas, será interditada a área atingida a fim de que não seja comprometida a programação artística do Teatro e da própria galeria.

Levantamento das condições gerais da cobertura do Teatro Bruno Nitz estão em curso e diversos problemas estruturais estão sendo levantados. No início do trabalho a expectativa era de que apenas com mudança de algumas telhas o problema fosse resolvido, mas verificou-se que se faz necessário projeto específico para resolver definitivamente falhas apontadas na cobertura do prédio.

O descolamento de parte do teto de gesso ocorrido se restringe a galeria de artes. As outras salas do teatro, o auditório, e a área da sede da Fundação Cultural, que se encontram dentro do mesmo equipamento cultural, não foram afetados.

Bia Mattar – presidente da Fundação Cultural


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Página 3
Divulgação
Galeria de Artes com o teto danificado
Galeria de Artes com o teto danificado

Teto da Galeria de Artes desaba e artistas denunciam descaso com o local

O teto da Galeria Municipal de Artes de Balneário Camboriú desabou no domingo (27) após fortes ventos. Fundação Cultural interdita a área, mas programação do Teatro Municipal está mantida

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Quarta, 30/10/2019 18:03.

A questão trouxe à tona a insatisfação dos artistas da cidade, que denunciam o descaso com o local, como infiltrações e goteiras, e pedem uma posição da Fundação Cultural.

A presidente da Fundação Cultural de Balneário Camboriú, Bia Mattar, explicou que o vento de domingo derrubou o teto e com o peso da cortina caiu o apoio, mas que a situação já foi resolvida.

“Agora seguiremos com o planejamento da reforma do telhado, porque já estava na programação”, disse.

“A Galeria está interditada há bastante tempo”

A artista e conselheira de Artes Visuais da Câmara Setorial de Artes Visuais da Fundação Cultural, Luciana Siebert, explica que a Galeria de Artes está interditada ‘há bastante tempo’, Ela soube que além do teto ter caído também está tendo goteiras no Teatro Municipal Bruno Nitz.

“Ela é a melhor Galeria que temos em Balneário Camboriú, mesmo com todos esses problemas. Ela é ampla, tem uma boa iluminação, mas não conseguimos nem criar edital por conta dos problemas de estrutura”, diz.

Mesmo assim, a Comissão busca incentivar os artistas a serem mais presentes, e Luciana criou a Comissão de Pauta da Galeria, para começar a receber trabalhos e fazer curadoria – tudo de forma independente, para poder ocupar o espaço ‘que está se degradando’.

Tem uma exposição marcada para novembro, com o tema Infiltração, mas com os problemas estruturais a mostra será na frente da Galeria ou no hall de entrada do Teatro.

“Queremos mostrar que para nós artistas a Galeria é importante. Balneário Camboriú não tem um movimento artístico, é uma cidade que não está valorizando a sua cultura. Precisamos de um novo tipo de Turismo, e esse espaço é central, tem acessibilidade, elevadores, poderia ser uma opção para o Turismo Cultural, inclusive no inverno, que é quando a cidade ‘morre’ e precisa de movimento”, opina.

Luciana diz que vê que há esforço da Fundação para conseguir recursos e que batalha pelo local, mas que sempre falta ‘mais’, um olhar ‘com mais carinho’ do poder público. “Já demorou muito tempo. Precisamos saber de onde virá o dinheiro para a reforma da Galeria, que hoje temos a impressão que está abandonada. Como uma roda-gigante e um molhe conseguem dinheiro tão rápido? E a Galeria tem que desabar na cabeça do artista para ganhar atenção. Nem o privado valoriza a Galeria”, afirma.

“O Teatro é o ponto máximo e a Galeria é desconsiderada”

A artista Haro Wolff conversou com o Página 3 e conta que o histórico de problemas estruturais da Galeria Municipal é antigo. Ela diz ter acompanhado a abertura do local e que os problemas existem desde essa época, salientando que o artista plástico de Balneário Camboriú ‘é extremamente subjugado’. “O Teatro é o ponto máximo do espaço físico da Fundação. Não estou criticando, mas a Galeria é realmente desconsiderada. Esperávamos o mínimo de respeito”, comenta.

Haro opina que o povo de Balneário Camboriú tem direito de ter acesso à arte, e que as pessoas ‘não têm noção’ do que vem acontecendo nos bastidores.

“A localização da Fundação é privilegiada. Teoricamente é um espaço bonito, mas nunca foi bem aproveitado. Os artistas tentam participar da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) e de editais, que inclusive são controversos, mas há muito descaso com a Galeria. Sinto como se ela estivesse jogada ao lixo”, acrescenta. A artista lembra que os artistas se reuniram e fizeram uma chamada no início do ano pedindo por melhorias estruturais e que estas foram prometidas, mas ainda não foram realizadas.

“Fiz um manifesto por escrito para a diretoria, reclamando diretamente a eles. Na ocasião eles prometeram reforma e melhorias básicas, porque quando chove a Galeria vira uma banheira. O problema de infiltração existe há anos. Quando o local foi inaugurado tinha um piso lindo que após um mês levantou todinho. Ou seja, há problemas em toda a estrutura e eles sempre trabalham com paliativos”, diz.

“É um descaso extremo”

A artista comenta que como a Fundação ‘envolve política’ a arte acaba ficando em ‘segundo, terceiro, quarto, quinto plano’ e que a situação só foi postergada, chegando ao nível de ‘abandono e precariedade’. Segundo ela, há um mês alguns artistas fizeram uma reunião na Galeria e encontraram o local ‘em um lamento’.

Haro diz que havia poças de água no chão, com risco de prejudicar os trabalhos lá expostos e o teto já mostrava sinais que podia cair.

“Como realmente caiu. As pessoas poderiam se ferir. A diretoria da Fundação não mediu as consequências, é um descaso extremo. Eles sabiam a real condição da estrutura e são os responsáveis por isso. Nos indigna a falta de assumir a responsabilidade perante os artistas e comunidade de Balneário Camboriú. É dinheiro público”, pontua.

Antes do desabamento acontecer, os artistas já haviam decidido, ainda na última semana, que iriam fazer uma exposição com a temática Infiltração (citada por Luciana), retratando a situação da Galeria.

“Mesmo receosos, os artistas estão demonstrando indignação. Haverá na exposição, que acontecerá em novembro, pinturas, gravuras e esculturas. Tudo o que há dentro das artes visuais e plásticas. Conseguimos pegar alguns materiais que caíram e temos os vídeos e vamos colocar tudo na exposição para mostrar a realidade, que nem tudo é o que parece. Queremos retratar a farsa, será uma surpresa. O povo merece saber”, completa.

Participe da exposição

A Câmara Setorial de Artes Visuais está se mobilizando para realizar a ‘Infiltração’ e convida a todos os artistas interessados a mostrarem seus trabalhos para participarem da exposição. Quem desejar integrar o movimento pode entrar em contato com Luciana (47) 9.9996-2584.


A Fundação Cultural encaminhou ao Página 3 a seguinte nota:

Nota de esclarecimento

A Fundação Cultural esclarece que com o descolamento de parte do teto de gesso da galeria de artes, na parte superior do Teatro Bruno Nitz, ocorrido no último final de semana devido a condições climáticas adversas, será interditada a área atingida a fim de que não seja comprometida a programação artística do Teatro e da própria galeria.

Levantamento das condições gerais da cobertura do Teatro Bruno Nitz estão em curso e diversos problemas estruturais estão sendo levantados. No início do trabalho a expectativa era de que apenas com mudança de algumas telhas o problema fosse resolvido, mas verificou-se que se faz necessário projeto específico para resolver definitivamente falhas apontadas na cobertura do prédio.

O descolamento de parte do teto de gesso ocorrido se restringe a galeria de artes. As outras salas do teatro, o auditório, e a área da sede da Fundação Cultural, que se encontram dentro do mesmo equipamento cultural, não foram afetados.

Bia Mattar – presidente da Fundação Cultural


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