Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
World Art Day: artistas falam sobre a profissão em tempos de Coronavírus

Quarta, 15/4/2020 14:17.

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Nesta quarta-feira (15) é celebrado mundialmente o World Art Day (Dia Mundial da Arte). Neste momento de pandemia e isolamento social, a arte vem se mostrando cada vez mais necessária, e como um exemplo são as lives que centenas de artistas, inclusive de renome nacional e internacional, vêm fazendo online por onde interagem com o público e até mesmo apresentam suas canções. A reportagem do Página 3 conversou com artistas da região que opinam sobre o momento. Confira.


Sebastian Marques e Rafaela Peralta coordenam o projeto Inventor de Sonhos de teatro de mamulengo (fantoches)

“Estamos ensaiando todos os dias, das 14h às 18h, trabalhando em uma adaptação de um texto francês para o teatro de bonecos. Esperamos estreá-lo em 14 de julho, essa é a previsão. De manhã eu (Sebastian) também pinto bonecos e à noite leio. A rotina tem sido essa. Sofremos um impacto muito grande com essa pandemia. Tivemos que cancelar as nossas apresentações que aconteciam todos os domingos na Praça do Pescador, no Bairro da Barra, dois festivais que íamos participar em abril foram suspensos (Festival de Teatro de Piçarras e Festrua de Bombinhas), íamos dar um curso-oficina na Cineramabc Arthouse também. É um caos, tudo parou, não entra dinheiro. Vivemos 100% da arte e do público e realmente financeiramente está um caos. Tenho um carro e queria vendê-lo, mas ninguém quer comprar neste momento. Falta também apoio do governo federal. Mas temos muita fé e foco que a humanidade vai se renovar. A sociedade atual não serve mais, precisamos nos reinventar, sermos mais solidários, olhar para o outro de uma forma mais fraterna. Temos algumas sugestões para vencermos esta crise: a matéria do Página 3 que citou os editais de apoio aos artistas, através da Fundação Cultural, incentivou a criação de um grupo no WhatsApp, mas ainda não aconteceu nada. Vemos que durante este momento os empresários poderiam ser mais solidários. Ninguém quer esmolas, mas eles poderiam comprar espetáculos antecipadamente e quando acabar a crise faríamos as apresentações. Comprem quadros de artistas plásticos, bonecos, CDs. A Fundação Cultural deveria fazer um levantamento para saber quais artistas realmente vivem de sua arte. Eu só vivo do teatro e dos bonecos, temos que saber quais artistas realmente precisam de ajuda. Os vereadores deveriam nos apoiar também, somos reféns da LIC e ela atende pouquíssimos artistas, 30 dos quatro mil. É absurdo isso. A LIC é boa, mas temos que ampliar isso. Sugerimos um imposto de renda aplicado no fundo cultural ou até uma lei de incentivo fiscal. Os vereadores podem criar isso. Na temporada de verão os comércios, restaurantes e hotéis se preparam para receber os turistas, a Fundação também poderia apoiar um projeto para os artistas se apresentarem, uma oportunidade quando a cidade está realmente cheia, com apresentações na rua, pensar em alternativas do tipo. A arte é a grande renovadora, é o que pode salvar a humanidade. Não é a primeira tragédia que o mundo passa. Se não fosse a arte as pessoas iam enlouquecer – as lives dos artistas vem ajudando muito nisso. Não queremos ficar ricos e sim trabalhar. A cultura precisa de medidas urgentes, estamos sentindo diretamente a crise”.


Michele Chaves é dançarina, professora e produtora cultural

Foto Gabriel Camilo

“Sou natural de Uruguaiana/RS e sempre fui envolvida com a dança, poesia e arte dentro da escola. Estudei dança flamenca na Argentina, em Passo de Los Libres, por 10 anos e logo já comecei a dar aulas. Em 2019 fiz um curso na Espanha, através de um projeto aprovado pela LIC em 2017. Também sou acadêmica do curso de Licenciatura em Dança pela FURB, de Blumenau. Moro em Balneário Camboriú há 17 anos. Desenvolvo aqui e na região vários trabalhos culturais através da minha empresa Abril Produtora. Desde 2013 elaboro projetos culturais para leis de incentivo à cultura e também produzo espetáculos no âmbito da música e da dança. Além da produtora, também trabalho como professora de dança flamenca no Espaço Soleares e no Studio de Dança Adriana Alcântara, ambos em Balneário. A comemoração do World Art Day, no meu olhar, nunca teve tanta importância como neste momento. Vários artistas, de todas as áreas, estão se esforçando como podem para levar a arte para a vida das pessoas através da internet por meio de lives, postagens no Instagram, shows no YouTube, etc. Estamos vivendo um momento em que todos precisamos nos reinventar e rever alguns conceitos sobre humanismo, cidadania e a importância que a arte faz na vida das pessoas. Apesar das dificuldades que vivemos, este dia precisa ser comemorado sim e dedicado a todos os artistas mundo afora. Ninguém estava preparado para algo desta magnitude, nem mesmo os aplicativos da internet e as redes sociais contavam com isto. Com todo este exposto, nos damos conta que estávamos usando a internet de forma errada. Eu como estudante, professora de dança com formação superior na disciplina de história vejo que os TIC’s (Tecnologia da Informação e Comunicação) não estavam tendo o devido valor dentro da educação das crianças, jovens e também dos adultos dentro das universidades. Este momento de afastamento social mostrou que a internet deve ser melhor aproveitada e ensinada. Minhas aulas têm se realizado por meio de lives, algumas pelo aplicativo Zoom. Vejo que as lives estão tendo um valor positivo no quesito variedades, você encontra de tudo! As lives também deram a oportunidade de aproximar artistas, eu mesmo já ofereci live com a participação de dois grandes artistas do flamenco que residem na Espanha. Era para ser tudo muito lindo se não fosse a dificuldade financeira que a área artística está vivendo. Vou falar da dança, que é a área que atuo como professora. Muitos não estão podendo pagar pelas aulas online e outros apenas não querem, não se adaptaram e preferiram cancelar suas matrículas. Sendo assim, como os profissionais da dança irão sobreviver e conseguir manter aberto seus estudios de dança? Por quanto tempo, muitos de nós, iremos conseguir sobreviver? Triste realidade de falta de humanidade e de respeito aos profissionais da dança. Sendo que as academias de danças foram uns dos segmentos impedidos de voltar as atividades até final de maio, isto podendo se estender até mais para frente com muitos acham. O contato humano, as relações são um dos bens mais preciosos que podemos ter. Aquele abraço da amiga, do amigo, dos filhos, dos pais, dos avós não tem preço. Aquela reunião na casa com os amigos ou familiares. Aquela balada legal que você dança muito e se diverte. A sala de dança cheia de alunos alegres e sorridentes. Temos que prestar atenção nisto tudo que está acontecendo, na importância que as relações têm em nossas vidas, “o que importa para mim também importa para você”, somos todos ligados”.


Caroline Voltolini é artista circense, atua e produz os espetáculos da Cia Circo Pirata, de Balneário Camboriú

“Tenho 31 anos e há 15 trabalho com arte. Artesanato e teatro foram minha iniciação ainda no Ensino Fundamental. Atualmente sou atriz circense, produtora na Cia Circo Pirata, da qual sou fundadora juntamente com meu marido, Emanuel Delgado, que é venezuelano. Iniciamos a Cia em 2014, desde então toda nossa renda provém de nossa arte, temos quatro espetáculos em repertório, O Desembarco, O Cabaré da Costa, Le Cirque Zaztraz e Astrolábio - Acima do horizonte, este último foi patrocinado pela LIC 2018, de Balneário. Vejo que a arte sempre esteve presente na humanidade, neste momento em que fomos surpreendidos por esta pandemia, diariamente a arte nos dá suporte para estes tempos, pois há toda uma cadeia produtiva no setor, podemos ficar em casa e ler livros, ver filmes, pintar, ensaiar, criar, mais uma vez a arte ao nosso lado. Celebramos vivendo, escolhendo-a para ser nossa profissão, artistas. Para nós artistas que escolhemos a rua como principal palco, ao fazermos teatro/circo na rua, temos um público sempre espontâneo, que se sente atraído, curioso com o que vamos ou estamos fazendo. Tem nos feito muita falta, seja no lado afetivo, do olhar, os risos e as conversas pós espetáculos, e no financeiro. Contratos e festivais foram adiados sem nova data para acontecer, não podemos ir as ruas, pois estamos seguindo as recomendações de ficar em casa e todos os cuidados necessários. O artista é um ser revolucionário, sempre vai buscar e achar uma solução. Tem uma frase que eu gosto muito que define esse momento que estamos vivendo: “Faz-se necessário neste momento que sejamos reconhecidos mesmo na impossibilidade de poder sair. Faz-se necessário medidas emergentes para que continuemos a existir” (Yonara Marques)”.

André Gevaerd é cineasta e proprietário da Cineramabc Arthouse

“As mudanças forçadas devido ao avanço do COVID-19 foram muito tristes para as atividades da Arthousebc. Todos os frequentadores receberam as notícias com tristeza, uns queriam que mantivéssemos as salas em funcionamento, outros pressionaram para fechar antes mesmo das restrições serem gerais e obrigarem espaços de reunião de público. Optamos por anunciar o fechamento, antes mesmo de isso se tornar uma determinação política oficial. Em paralelo fizemos uma rápida campanha de associados da Arthousebc que teve adesão e foi positivo, embora muito abaixo do necessário para cobrir nossos gastos fixos mensais. Cada semana que passa é um rombo na nossa estrutura econômica, principalmente das nossas atividades que eram abertas ao público em geral, que é nossa maior fonte de caixa para pagar as contas. Estávamos com 4 estreias confirmadas e 2 shows só para as duas primeiras semanas do surto. Todas foram adiadas e alguma com certeza não voltarão ao cinema. Alguns títulos, cujo distribuidor considera importante a bilheteria do cinema irão retornar, mas ainda assim a situação nos deixa apreensivos, pois ainda temos de considerar em como as pessoas estarão dispostas a retornar às salas de cinema e espetáculos. Esse fenômeno já foi vivido pelo teatro e shows muitas vezes e também no cinema após grandes tragédias como as Grandes Guerras Mundiais e a Gripe Espanhola por exemplo, e sempre foi um retorno triunfante com muitas pessoas ávidas em retornar a experiência social de fruição artística e diversão, esperamos que essa parte da história se repita. Um grande entrave que vivemos é que todos que podem, estão em seus lares, assistindo filmes e séries, através de dispositivos audiovisuais como televisão e internet, mas os profissionais que produzem esses produtos estão em casa, sem poder trabalhar e para somar não receberam a devida atenção do governo para sua sobrevivência. Então temos de valorizar atitudes de empresas privadas que se preocupam e fazem a diferença em momentos como esse, como é o caso da Netflix que anunciou o auxílio aos profissionais do audiovisual. Acho que o momento é de reflexão mais ampla e não vejo muito a relevância de um World Art Day neste momento. Tenho grandes dúvidas em torno de iniciativas oficiais como estas. É claro que a Arte e o Entretenimento merecem todo nosso respeito e admiração, afinal sem eles seriam poucas as opções em massa para que as pessoas pudessem crescer intelectualmente ou ao menos se distrair dos problemas do dia a dia. Quantas vezes um bom filme não nos ajudou a pensar em questões de nossas vidas?”


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World Art Day: artistas falam sobre a profissão em tempos de Coronavírus

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Quarta, 15/4/2020 14:17.

Nesta quarta-feira (15) é celebrado mundialmente o World Art Day (Dia Mundial da Arte). Neste momento de pandemia e isolamento social, a arte vem se mostrando cada vez mais necessária, e como um exemplo são as lives que centenas de artistas, inclusive de renome nacional e internacional, vêm fazendo online por onde interagem com o público e até mesmo apresentam suas canções. A reportagem do Página 3 conversou com artistas da região que opinam sobre o momento. Confira.


Sebastian Marques e Rafaela Peralta coordenam o projeto Inventor de Sonhos de teatro de mamulengo (fantoches)

“Estamos ensaiando todos os dias, das 14h às 18h, trabalhando em uma adaptação de um texto francês para o teatro de bonecos. Esperamos estreá-lo em 14 de julho, essa é a previsão. De manhã eu (Sebastian) também pinto bonecos e à noite leio. A rotina tem sido essa. Sofremos um impacto muito grande com essa pandemia. Tivemos que cancelar as nossas apresentações que aconteciam todos os domingos na Praça do Pescador, no Bairro da Barra, dois festivais que íamos participar em abril foram suspensos (Festival de Teatro de Piçarras e Festrua de Bombinhas), íamos dar um curso-oficina na Cineramabc Arthouse também. É um caos, tudo parou, não entra dinheiro. Vivemos 100% da arte e do público e realmente financeiramente está um caos. Tenho um carro e queria vendê-lo, mas ninguém quer comprar neste momento. Falta também apoio do governo federal. Mas temos muita fé e foco que a humanidade vai se renovar. A sociedade atual não serve mais, precisamos nos reinventar, sermos mais solidários, olhar para o outro de uma forma mais fraterna. Temos algumas sugestões para vencermos esta crise: a matéria do Página 3 que citou os editais de apoio aos artistas, através da Fundação Cultural, incentivou a criação de um grupo no WhatsApp, mas ainda não aconteceu nada. Vemos que durante este momento os empresários poderiam ser mais solidários. Ninguém quer esmolas, mas eles poderiam comprar espetáculos antecipadamente e quando acabar a crise faríamos as apresentações. Comprem quadros de artistas plásticos, bonecos, CDs. A Fundação Cultural deveria fazer um levantamento para saber quais artistas realmente vivem de sua arte. Eu só vivo do teatro e dos bonecos, temos que saber quais artistas realmente precisam de ajuda. Os vereadores deveriam nos apoiar também, somos reféns da LIC e ela atende pouquíssimos artistas, 30 dos quatro mil. É absurdo isso. A LIC é boa, mas temos que ampliar isso. Sugerimos um imposto de renda aplicado no fundo cultural ou até uma lei de incentivo fiscal. Os vereadores podem criar isso. Na temporada de verão os comércios, restaurantes e hotéis se preparam para receber os turistas, a Fundação também poderia apoiar um projeto para os artistas se apresentarem, uma oportunidade quando a cidade está realmente cheia, com apresentações na rua, pensar em alternativas do tipo. A arte é a grande renovadora, é o que pode salvar a humanidade. Não é a primeira tragédia que o mundo passa. Se não fosse a arte as pessoas iam enlouquecer – as lives dos artistas vem ajudando muito nisso. Não queremos ficar ricos e sim trabalhar. A cultura precisa de medidas urgentes, estamos sentindo diretamente a crise”.


Michele Chaves é dançarina, professora e produtora cultural

Foto Gabriel Camilo

“Sou natural de Uruguaiana/RS e sempre fui envolvida com a dança, poesia e arte dentro da escola. Estudei dança flamenca na Argentina, em Passo de Los Libres, por 10 anos e logo já comecei a dar aulas. Em 2019 fiz um curso na Espanha, através de um projeto aprovado pela LIC em 2017. Também sou acadêmica do curso de Licenciatura em Dança pela FURB, de Blumenau. Moro em Balneário Camboriú há 17 anos. Desenvolvo aqui e na região vários trabalhos culturais através da minha empresa Abril Produtora. Desde 2013 elaboro projetos culturais para leis de incentivo à cultura e também produzo espetáculos no âmbito da música e da dança. Além da produtora, também trabalho como professora de dança flamenca no Espaço Soleares e no Studio de Dança Adriana Alcântara, ambos em Balneário. A comemoração do World Art Day, no meu olhar, nunca teve tanta importância como neste momento. Vários artistas, de todas as áreas, estão se esforçando como podem para levar a arte para a vida das pessoas através da internet por meio de lives, postagens no Instagram, shows no YouTube, etc. Estamos vivendo um momento em que todos precisamos nos reinventar e rever alguns conceitos sobre humanismo, cidadania e a importância que a arte faz na vida das pessoas. Apesar das dificuldades que vivemos, este dia precisa ser comemorado sim e dedicado a todos os artistas mundo afora. Ninguém estava preparado para algo desta magnitude, nem mesmo os aplicativos da internet e as redes sociais contavam com isto. Com todo este exposto, nos damos conta que estávamos usando a internet de forma errada. Eu como estudante, professora de dança com formação superior na disciplina de história vejo que os TIC’s (Tecnologia da Informação e Comunicação) não estavam tendo o devido valor dentro da educação das crianças, jovens e também dos adultos dentro das universidades. Este momento de afastamento social mostrou que a internet deve ser melhor aproveitada e ensinada. Minhas aulas têm se realizado por meio de lives, algumas pelo aplicativo Zoom. Vejo que as lives estão tendo um valor positivo no quesito variedades, você encontra de tudo! As lives também deram a oportunidade de aproximar artistas, eu mesmo já ofereci live com a participação de dois grandes artistas do flamenco que residem na Espanha. Era para ser tudo muito lindo se não fosse a dificuldade financeira que a área artística está vivendo. Vou falar da dança, que é a área que atuo como professora. Muitos não estão podendo pagar pelas aulas online e outros apenas não querem, não se adaptaram e preferiram cancelar suas matrículas. Sendo assim, como os profissionais da dança irão sobreviver e conseguir manter aberto seus estudios de dança? Por quanto tempo, muitos de nós, iremos conseguir sobreviver? Triste realidade de falta de humanidade e de respeito aos profissionais da dança. Sendo que as academias de danças foram uns dos segmentos impedidos de voltar as atividades até final de maio, isto podendo se estender até mais para frente com muitos acham. O contato humano, as relações são um dos bens mais preciosos que podemos ter. Aquele abraço da amiga, do amigo, dos filhos, dos pais, dos avós não tem preço. Aquela reunião na casa com os amigos ou familiares. Aquela balada legal que você dança muito e se diverte. A sala de dança cheia de alunos alegres e sorridentes. Temos que prestar atenção nisto tudo que está acontecendo, na importância que as relações têm em nossas vidas, “o que importa para mim também importa para você”, somos todos ligados”.


Caroline Voltolini é artista circense, atua e produz os espetáculos da Cia Circo Pirata, de Balneário Camboriú

“Tenho 31 anos e há 15 trabalho com arte. Artesanato e teatro foram minha iniciação ainda no Ensino Fundamental. Atualmente sou atriz circense, produtora na Cia Circo Pirata, da qual sou fundadora juntamente com meu marido, Emanuel Delgado, que é venezuelano. Iniciamos a Cia em 2014, desde então toda nossa renda provém de nossa arte, temos quatro espetáculos em repertório, O Desembarco, O Cabaré da Costa, Le Cirque Zaztraz e Astrolábio - Acima do horizonte, este último foi patrocinado pela LIC 2018, de Balneário. Vejo que a arte sempre esteve presente na humanidade, neste momento em que fomos surpreendidos por esta pandemia, diariamente a arte nos dá suporte para estes tempos, pois há toda uma cadeia produtiva no setor, podemos ficar em casa e ler livros, ver filmes, pintar, ensaiar, criar, mais uma vez a arte ao nosso lado. Celebramos vivendo, escolhendo-a para ser nossa profissão, artistas. Para nós artistas que escolhemos a rua como principal palco, ao fazermos teatro/circo na rua, temos um público sempre espontâneo, que se sente atraído, curioso com o que vamos ou estamos fazendo. Tem nos feito muita falta, seja no lado afetivo, do olhar, os risos e as conversas pós espetáculos, e no financeiro. Contratos e festivais foram adiados sem nova data para acontecer, não podemos ir as ruas, pois estamos seguindo as recomendações de ficar em casa e todos os cuidados necessários. O artista é um ser revolucionário, sempre vai buscar e achar uma solução. Tem uma frase que eu gosto muito que define esse momento que estamos vivendo: “Faz-se necessário neste momento que sejamos reconhecidos mesmo na impossibilidade de poder sair. Faz-se necessário medidas emergentes para que continuemos a existir” (Yonara Marques)”.

André Gevaerd é cineasta e proprietário da Cineramabc Arthouse

“As mudanças forçadas devido ao avanço do COVID-19 foram muito tristes para as atividades da Arthousebc. Todos os frequentadores receberam as notícias com tristeza, uns queriam que mantivéssemos as salas em funcionamento, outros pressionaram para fechar antes mesmo das restrições serem gerais e obrigarem espaços de reunião de público. Optamos por anunciar o fechamento, antes mesmo de isso se tornar uma determinação política oficial. Em paralelo fizemos uma rápida campanha de associados da Arthousebc que teve adesão e foi positivo, embora muito abaixo do necessário para cobrir nossos gastos fixos mensais. Cada semana que passa é um rombo na nossa estrutura econômica, principalmente das nossas atividades que eram abertas ao público em geral, que é nossa maior fonte de caixa para pagar as contas. Estávamos com 4 estreias confirmadas e 2 shows só para as duas primeiras semanas do surto. Todas foram adiadas e alguma com certeza não voltarão ao cinema. Alguns títulos, cujo distribuidor considera importante a bilheteria do cinema irão retornar, mas ainda assim a situação nos deixa apreensivos, pois ainda temos de considerar em como as pessoas estarão dispostas a retornar às salas de cinema e espetáculos. Esse fenômeno já foi vivido pelo teatro e shows muitas vezes e também no cinema após grandes tragédias como as Grandes Guerras Mundiais e a Gripe Espanhola por exemplo, e sempre foi um retorno triunfante com muitas pessoas ávidas em retornar a experiência social de fruição artística e diversão, esperamos que essa parte da história se repita. Um grande entrave que vivemos é que todos que podem, estão em seus lares, assistindo filmes e séries, através de dispositivos audiovisuais como televisão e internet, mas os profissionais que produzem esses produtos estão em casa, sem poder trabalhar e para somar não receberam a devida atenção do governo para sua sobrevivência. Então temos de valorizar atitudes de empresas privadas que se preocupam e fazem a diferença em momentos como esse, como é o caso da Netflix que anunciou o auxílio aos profissionais do audiovisual. Acho que o momento é de reflexão mais ampla e não vejo muito a relevância de um World Art Day neste momento. Tenho grandes dúvidas em torno de iniciativas oficiais como estas. É claro que a Arte e o Entretenimento merecem todo nosso respeito e admiração, afinal sem eles seriam poucas as opções em massa para que as pessoas pudessem crescer intelectualmente ou ao menos se distrair dos problemas do dia a dia. Quantas vezes um bom filme não nos ajudou a pensar em questões de nossas vidas?”


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