Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
Exposição Ruína segue fechada, artistas chamam pra roda de conversa

Encontro de protesto acontece em frente a galeria e terá bate-papo, performance e mostra de vídeo

Quinta, 27/2/2020 14:32.

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Nesta sexta-feira, 28 de fevereiro, às 18h, haverá uma Roda de Conversa sobre a Experiência Lote 84 e o direito à liberdade de expressão, em frente a Galeria Municipal de Arte de BC.

"Vamos conversar com os artistas sobre o projeto que foi financiado pela Lei de Incentivo a Cultura de BC, sobre os processos criativos envolvidos nas imersões, sobre a exposição Ruína e principalmente sobre como caímos no Buraco em pleno 2020. O de todo mundo tá na reta! Vai ter mostra de vídeo, performance e debate", diz a convocação do Lote 84.

Eles também pedem a quem tem materiais artísticos para doação colaborem, pois é mais um item previsto como contrapartida no projeto.

"Traga o que está sobrando (papéis, revistas, livros, tintas, lápis e canetas, telas, catálogos de exposições, seus próprios trabalhos)." Além dos artistas convidados - Carina Sehn (SP), Leo Bardo (PR) e Giorgio Ronna (RS), Experiência Lote 84 é Daniel Viecili, Colagista Excentrika, Pyggo, Guilherme Trautmann, Júnior Koche, Luluca, Luciana Siebert, Mariana Sais e Matisuta.

O que aconteceu?

O projeto Experiência Lote 84 foi aprovado pela LIC (Lei de Incentivo a Cultura) no ano passado e promoveu oficinas e a exposição Ruína, que inaugurou na Galeria Municipal, mas foi fechada há mais de duas semanas, por causa da obra Buraco, da artista Luluca L, que usou a foto de um ânus para fazer uma metáfora ao buraco do teto do prédio público.

Recentemente os artistas também protestaram sobre a má conservação da Galeria, com a mostra Inundação, já que em dias de chuva, entrava água, resultando até num desabamento de um pedaço do teto.

A secretária de Cultura Bia Mattar disse que havia falhas na solicitação da exposição, entre elas, não advertiram que era imprópria para menores nos materiais gráficos, obrigatório por lei, não tinham carta de anuência da Fundação Cultural e não enviaram o material para análise da comissão.

"Respeitamos a liberdade de expressão artística mas deve estar amparada pelos Instrumentos legais sendo um prédio público. No plano de trabalho apresentado seria numa galeria particular, no Lote 84, aí a responsabilidade seria deles", disse Bia.

"Quando eles estavam montando alertamos sobre as inconsistências entre o que foi apresentado no plano de trabalho, que previa um espaço privado. Achamos arriscado alguém achar que o conteúdo era classificável e passível de reclamações por usuários do equipamento público. Agora, a solicitação é intempestiva e deliberaremos na próxima semana sobre o cancelamento".

CARTA DOS ARTISTAS

CONTINUA FECHADA A EXPOSIÇÃO RUÍNA NA GALERIA MUNICIPAL DE ARTES DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ

A exposição Ruína teve sua abertura na Galeria Municipal de Artes de Balneário Camboriú em 5 de fevereiro de 2020, sendo resultado da contrapartida do projeto cultural Experiência Lote 84 patrocinado pela Lei de Incentivo à Cultura de Balneário Camboriú, e logo após sua abertura, teve o cancelamento pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú alegando questões técnicas que inviabilizavam a sua manutenção.

A produção executiva do projeto supriu todas as demandas solicitadas pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú, e mesmo assim a exposição encontra-se fechada há mais de 20 dias, causando um enorme prejuízo aos artistas e toda a comunidade de Balneário Camboriú que está impedida de ter acesso ao equipamento cultural da Galeria de Arte Municipal e a Exposição Ruína.

O projeto Experiência Lote 84 se propôs como projeto de formação a realizar oficinas, imersões e experiências criativas com a finalidade de potencializar a criação de artistas de diversas vertentes. Para isso os artistas participaram de uma imersão dividida em 3 partes, com 3 artistas convidados diferentes: Carina Sehn, Leo Bardo e Giorgio Ronna que trabalharam distintos espectros da criação pessoal, artística e política.

Cerca de 30 artistas participaram do projeto onde puderam se colocar em sintonia com as concepções artísticas contemporâneas, assumir os desafios do experimentalismo, passar por um processo coletivo de criação, incentivar e promover a pesquisa através da arte, e principalmente evoluir as capacidades enquanto artistas e retomar novas propostas com mais força e saber. Assim após essa imersão 12 artistas prepararam obras que compõe a Exposição Coletiva Ruína. A exposição como proposta de contrapartida do projeto cultural foi financiada com recursos próprios dos artistas.

Segundo a curadora da Exposição e Representante da Câmara Setorial de Artes Visuais Luciana Siebert, “os artistas se prepararam durante meses para exposição, e para alguns era a primeira oportunidade de estar em uma Galeria de Arte. Se propondo a mostrar trabalhos tão íntimos e autorais. O cancelamento da exposição é um desrespeito aos artistas e também ao interesse público, pois a Exposição é a contrapartida para sociedade do dinheiro público investido no projeto cultural Experiência Lote84, que merece retornar à cidade de Balneário Camboriú com a possibilidade de apresentação pública de seus trabalhos. Espero que isso possa ser o início de um diálogo que nos faça perceber o quanto estamos doentes.

”Na abertura da exposição estiveram presentes autoridades, representantes do órgão municipal de cultura, artistas, produtores culturais e várias pessoas que apoiam e consomem a arte contemporânea produzida na cidade, e os aspectos técnicos alegados pela Fundação Cultural não foram um impeditivo para que a Exposição tivesse sua abertura, que importante destacar teve classificação indicativa de 18 anos.

A produtora executiva Luluca L., e também artista integrante da Exposição Ruína, responsável pela obra Buraco enfatiza que nunca foi fácil para as propostas dissidentes e decoloniais encontrarem lugar de fala no sistema de arte. A obra Buraco, é conceitual e serve de metáfora para muitas coisas, para um buraco no teto da Galeria Municipal de Artes, que desabou no mesmo dia em que artistas desmontavam uma mostra. Para o momento político que passamos com o presidente de vocês e o seu guru constantemente falando com o cu na boca.

“Eu vejo muito sendo dito sobre a obra, por gente que nunca vai a uma exposição de arte e sequer a viu instalada, isso descontextualiza o discurso e a função dela. Buraco é um site specific, uma instalação relacional, um grito de alerta, uma ironia. É justamente sobre o buraco pra onde todos estamos indo. As referências da obra são inúmeras."

“O posicionamento da Fundação Cultural é falacioso. Todas as ações foram feitas perante diálogo direto com o Comissão de Organização e Acompanhamento. Como a exposição abriu se estava completamente fora dos procedimentos? Houveram no mínimo dois responsáveis pela fiscalização da montagem e liberação da exposição. A equipe técnica da galeria auxiliou. Uma destas pessoas foi a própria presidente da Fundação Cultural, que acompanhou todo o processo, deu ideias, autorizou a abertura, esteve presente, discursou protocolarmente.”

“Ao fechar a Exposição Ruína como um todo, fomos silenciados também na possibilidade de trocar estas informações com o público, explicar o que foi o projeto, falar sobre processos, explicar como se dá a criação de obras como as que estão na exposição. A contrapartida teria visitas guiadas, conversa com os artistas, mostra de vídeos, ativação performativa, arrecadação de materiais de arte para doação. A prestação de contas é uma preocupação nossa e a contrapartida faz parte do projeto. A Fundação Cultural está nos impedindo de dar continuidade ao projeto com o fechamento da Exposição Ruína, ela está atrapalhando seu próprio investimento” relata a artista Luluca L.

Para a advogada Nanashara Piazentin, membro da Comissão de Direito às Artes e a Cultura da OAB/BC e responsável pela assessoria jurídica do projeto a liberdade de expressão é um dos mais preciosos direitos dos cidadãos e pilar de uma república que está fundada em bases democráticas. A censura pode se manifestar de diversas formas, algumas mais evidentes, outras veladas.

“Quando se pede a manutenção da exposição em conjunto com todas as obras que a compõe, sejam elas com conteúdo que apresentam ou não nudez e genitálias, é pelo fato de que todo conteúdo artístico, toda mensagem artística externada é, em princípio protegida pela Constituição Federal no art. 5º. IV e IX. Ideias impopulares, que desagradam a maioria, são justamente aquelas que mais precisam ser protegidas pela liberdade de expressão, pois correm risco de sofrerem limitações e censura. ”

Os artistas que participaram da exposição estarão dia 29/02 às 18 horas em frente a Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú, conforme também proposto em contrapartida do projeto cultural, para uma conversa sobre a Exposição Ruína com a comunidade e interessados em arte, cultura e liberdade de expressão.

RUÍNA é Daniel Viecili, Fá Centena, Fillipe Rogerio, Guilherme Trautmann, Junior Koche, Luluca L., Luciana Siebert, Mariana Sais, Matheus Tafas.


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Página 3

Exposição Ruína segue fechada, artistas chamam pra roda de conversa

Encontro de protesto acontece em frente a galeria e terá bate-papo, performance e mostra de vídeo

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Quinta, 27/2/2020 14:32.

Nesta sexta-feira, 28 de fevereiro, às 18h, haverá uma Roda de Conversa sobre a Experiência Lote 84 e o direito à liberdade de expressão, em frente a Galeria Municipal de Arte de BC.

"Vamos conversar com os artistas sobre o projeto que foi financiado pela Lei de Incentivo a Cultura de BC, sobre os processos criativos envolvidos nas imersões, sobre a exposição Ruína e principalmente sobre como caímos no Buraco em pleno 2020. O de todo mundo tá na reta! Vai ter mostra de vídeo, performance e debate", diz a convocação do Lote 84.

Eles também pedem a quem tem materiais artísticos para doação colaborem, pois é mais um item previsto como contrapartida no projeto.

"Traga o que está sobrando (papéis, revistas, livros, tintas, lápis e canetas, telas, catálogos de exposições, seus próprios trabalhos)." Além dos artistas convidados - Carina Sehn (SP), Leo Bardo (PR) e Giorgio Ronna (RS), Experiência Lote 84 é Daniel Viecili, Colagista Excentrika, Pyggo, Guilherme Trautmann, Júnior Koche, Luluca, Luciana Siebert, Mariana Sais e Matisuta.

O que aconteceu?

O projeto Experiência Lote 84 foi aprovado pela LIC (Lei de Incentivo a Cultura) no ano passado e promoveu oficinas e a exposição Ruína, que inaugurou na Galeria Municipal, mas foi fechada há mais de duas semanas, por causa da obra Buraco, da artista Luluca L, que usou a foto de um ânus para fazer uma metáfora ao buraco do teto do prédio público.

Recentemente os artistas também protestaram sobre a má conservação da Galeria, com a mostra Inundação, já que em dias de chuva, entrava água, resultando até num desabamento de um pedaço do teto.

A secretária de Cultura Bia Mattar disse que havia falhas na solicitação da exposição, entre elas, não advertiram que era imprópria para menores nos materiais gráficos, obrigatório por lei, não tinham carta de anuência da Fundação Cultural e não enviaram o material para análise da comissão.

"Respeitamos a liberdade de expressão artística mas deve estar amparada pelos Instrumentos legais sendo um prédio público. No plano de trabalho apresentado seria numa galeria particular, no Lote 84, aí a responsabilidade seria deles", disse Bia.

"Quando eles estavam montando alertamos sobre as inconsistências entre o que foi apresentado no plano de trabalho, que previa um espaço privado. Achamos arriscado alguém achar que o conteúdo era classificável e passível de reclamações por usuários do equipamento público. Agora, a solicitação é intempestiva e deliberaremos na próxima semana sobre o cancelamento".

CARTA DOS ARTISTAS

CONTINUA FECHADA A EXPOSIÇÃO RUÍNA NA GALERIA MUNICIPAL DE ARTES DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ

A exposição Ruína teve sua abertura na Galeria Municipal de Artes de Balneário Camboriú em 5 de fevereiro de 2020, sendo resultado da contrapartida do projeto cultural Experiência Lote 84 patrocinado pela Lei de Incentivo à Cultura de Balneário Camboriú, e logo após sua abertura, teve o cancelamento pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú alegando questões técnicas que inviabilizavam a sua manutenção.

A produção executiva do projeto supriu todas as demandas solicitadas pela Fundação Cultural de Balneário Camboriú, e mesmo assim a exposição encontra-se fechada há mais de 20 dias, causando um enorme prejuízo aos artistas e toda a comunidade de Balneário Camboriú que está impedida de ter acesso ao equipamento cultural da Galeria de Arte Municipal e a Exposição Ruína.

O projeto Experiência Lote 84 se propôs como projeto de formação a realizar oficinas, imersões e experiências criativas com a finalidade de potencializar a criação de artistas de diversas vertentes. Para isso os artistas participaram de uma imersão dividida em 3 partes, com 3 artistas convidados diferentes: Carina Sehn, Leo Bardo e Giorgio Ronna que trabalharam distintos espectros da criação pessoal, artística e política.

Cerca de 30 artistas participaram do projeto onde puderam se colocar em sintonia com as concepções artísticas contemporâneas, assumir os desafios do experimentalismo, passar por um processo coletivo de criação, incentivar e promover a pesquisa através da arte, e principalmente evoluir as capacidades enquanto artistas e retomar novas propostas com mais força e saber. Assim após essa imersão 12 artistas prepararam obras que compõe a Exposição Coletiva Ruína. A exposição como proposta de contrapartida do projeto cultural foi financiada com recursos próprios dos artistas.

Segundo a curadora da Exposição e Representante da Câmara Setorial de Artes Visuais Luciana Siebert, “os artistas se prepararam durante meses para exposição, e para alguns era a primeira oportunidade de estar em uma Galeria de Arte. Se propondo a mostrar trabalhos tão íntimos e autorais. O cancelamento da exposição é um desrespeito aos artistas e também ao interesse público, pois a Exposição é a contrapartida para sociedade do dinheiro público investido no projeto cultural Experiência Lote84, que merece retornar à cidade de Balneário Camboriú com a possibilidade de apresentação pública de seus trabalhos. Espero que isso possa ser o início de um diálogo que nos faça perceber o quanto estamos doentes.

”Na abertura da exposição estiveram presentes autoridades, representantes do órgão municipal de cultura, artistas, produtores culturais e várias pessoas que apoiam e consomem a arte contemporânea produzida na cidade, e os aspectos técnicos alegados pela Fundação Cultural não foram um impeditivo para que a Exposição tivesse sua abertura, que importante destacar teve classificação indicativa de 18 anos.

A produtora executiva Luluca L., e também artista integrante da Exposição Ruína, responsável pela obra Buraco enfatiza que nunca foi fácil para as propostas dissidentes e decoloniais encontrarem lugar de fala no sistema de arte. A obra Buraco, é conceitual e serve de metáfora para muitas coisas, para um buraco no teto da Galeria Municipal de Artes, que desabou no mesmo dia em que artistas desmontavam uma mostra. Para o momento político que passamos com o presidente de vocês e o seu guru constantemente falando com o cu na boca.

“Eu vejo muito sendo dito sobre a obra, por gente que nunca vai a uma exposição de arte e sequer a viu instalada, isso descontextualiza o discurso e a função dela. Buraco é um site specific, uma instalação relacional, um grito de alerta, uma ironia. É justamente sobre o buraco pra onde todos estamos indo. As referências da obra são inúmeras."

“O posicionamento da Fundação Cultural é falacioso. Todas as ações foram feitas perante diálogo direto com o Comissão de Organização e Acompanhamento. Como a exposição abriu se estava completamente fora dos procedimentos? Houveram no mínimo dois responsáveis pela fiscalização da montagem e liberação da exposição. A equipe técnica da galeria auxiliou. Uma destas pessoas foi a própria presidente da Fundação Cultural, que acompanhou todo o processo, deu ideias, autorizou a abertura, esteve presente, discursou protocolarmente.”

“Ao fechar a Exposição Ruína como um todo, fomos silenciados também na possibilidade de trocar estas informações com o público, explicar o que foi o projeto, falar sobre processos, explicar como se dá a criação de obras como as que estão na exposição. A contrapartida teria visitas guiadas, conversa com os artistas, mostra de vídeos, ativação performativa, arrecadação de materiais de arte para doação. A prestação de contas é uma preocupação nossa e a contrapartida faz parte do projeto. A Fundação Cultural está nos impedindo de dar continuidade ao projeto com o fechamento da Exposição Ruína, ela está atrapalhando seu próprio investimento” relata a artista Luluca L.

Para a advogada Nanashara Piazentin, membro da Comissão de Direito às Artes e a Cultura da OAB/BC e responsável pela assessoria jurídica do projeto a liberdade de expressão é um dos mais preciosos direitos dos cidadãos e pilar de uma república que está fundada em bases democráticas. A censura pode se manifestar de diversas formas, algumas mais evidentes, outras veladas.

“Quando se pede a manutenção da exposição em conjunto com todas as obras que a compõe, sejam elas com conteúdo que apresentam ou não nudez e genitálias, é pelo fato de que todo conteúdo artístico, toda mensagem artística externada é, em princípio protegida pela Constituição Federal no art. 5º. IV e IX. Ideias impopulares, que desagradam a maioria, são justamente aquelas que mais precisam ser protegidas pela liberdade de expressão, pois correm risco de sofrerem limitações e censura. ”

Os artistas que participaram da exposição estarão dia 29/02 às 18 horas em frente a Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú, conforme também proposto em contrapartida do projeto cultural, para uma conversa sobre a Exposição Ruína com a comunidade e interessados em arte, cultura e liberdade de expressão.

RUÍNA é Daniel Viecili, Fá Centena, Fillipe Rogerio, Guilherme Trautmann, Junior Koche, Luluca L., Luciana Siebert, Mariana Sais, Matheus Tafas.


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