Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
Artistas de Balneário Camboriú opinam sobre o cenário e analisam futuro

Sexta, 22/5/2020 7:43.
Celso Peixoto
2ª Live em prol dos artistas

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Os artistas vêm sendo essenciais nesse período de isolamento social, com suas lives e interações virtuais com o público. Porém, a situação econômica de muitos deles não é positiva, já que a maioria depende do contato com o público, como atores, bailarinos, músicos. A Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC), junto do Conselho Municipal de Política Cultural, vem desenvolvendo ações para apoiar a classe, como a arrecadação e doação de alimentos e a assinatura dos contratos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) – que deve acontecer até julho, além da disponibilização de espaço para gravação de vídeos no Teatro Municipal Bruno Nitz e uma ‘feira online’ através do site da FCBC.

“A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”

Denize Leite é presidente da Fundação Cultural de Balneário Camboriú

“A cultura foi um dos setores mais afetados pela pandemia, e também provavelmente será o que mais vai demorar para retornar. Realizamos com o Conselho da Cultura um diagnóstico junto aos artistas e tivemos 210 respostas, que apontam quais foram as áreas mais afetadas.

Nos preocupamos com os artistas da cidade e discutimos de que forma poderíamos aumentar e continuar a movimentar a economia, mesmo com a pandemia. Conseguimos dar continuidade à LIC (Lei de Incentivo à Cultura). O processo está com o Comitê Gestor e assim que for liberado vamos assinar os contratos com os artistas contemplados. Eles têm a garantia que vão receber seus recursos e em cima disso vão movimentar a cadeia produtiva de uma forma bem significativa. Porém, a FCBC não vive só da LIC; outras ações aconteceram paralelamente.

Estamos apoiando os pescadores, que estão trabalhando na safra da tainha, conseguimos tendas para eles e apoio logístico, divulgamos e destacamos a importância da valorização da pesca artesanal, que é um patrimônio cultural de Balneário.

As feiras (das praças da Cultura e do Pescador e também da Rua 200) foram bastante afetadas e considerando isso criamos a Feira Online, em um hotsite através de nosso site (www.culturabc.com.br). Já estamos com 21 artistas inscritos, que estão em contato com potenciais clientes, mostrando seus produtos, entregando via delivery. O bacana é que a Feira Online funciona 24h e não somente nos dias de feira. Para participar, o artista deve mandar fotos e descrições de seus produtos. Outra ação foi a utilização do Teatro Bruno Nitz, que conta com infraestrutura de câmeras, som, computadores e apoio técnico para auxiliar artistas a gravarem seus vídeos, lives, videoaulas, etc.

Como os eventos presenciais foram cancelados e possuíamos o edital de credenciamento, chamamos os artistas credenciados para fazer lives remuneradas, que acontecem todas as quartas às 20h, pelo Facebook da prefeitura. O credenciamento tem vigência até julho e já estamos trabalhando em um novo. A parte social também foi priorizada, com apoio aos artistas que precisam.

Conseguimos doação de proteínas e cestas básicas e 49 famílias já foram contempladas. Vamos seguir entregando enquanto tivermos estoque. Seguimos desenvolvendo novos projetos, estamos muito empenhados nisso. Vejo que Balneário Camboriú está de parabéns porque não mediu esforços em lançar e inovar dentro de um momento tão difícil como é a pandemia.

Muitos dos funcionários da FCBC poderiam estar em home-office, mas estão trabalhando presencialmente em dois turnos porque queremos estar disponíveis para apoiar os artistas. Agradeço a eles porque estão se desdobrando e motivados em apoiar a classe. A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”.


“Estamos à deriva”

Dagma Castro é presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Balneário Camboriú

“Cada dia mais incertezas do futuro nos cercam. Os números do país são assustadores e também ao nosso entorno. A cadeia produtiva da cultura está estancada e os trabalhadores sem políticas de governos, em todas as esferas. Apenas esperanças em PLs dos legislativos (federal e de SC) que poderão dar um fôlego aos trabalhadores da cultura, e que poderão ser vetados por um governo que persegue a cultura.

No que se refere a nossa cidade, algumas ações acontecem, mas somente de editais já fechados antes da pandemia; também de coletivos que se movimentam construindo alternativas. A Fundação, sentimos, tem buscado, dentro do possível, fortalecer a cultura local com as lives e auxiliar com alimentos, aos que vieram com este pedido no formulário; que inclusive está sendo trabalhado no diagnóstico colhido dele. Mas já sabemos que áreas mais impactadas são a música, o teatro, o artesanato e a produção cultural, proporcionalmente as demais áreas, toda a cadeia está atingida, fato.

Do Conselho e artistas estamos com a força tarefa no Mercadinho, nas doações que recebemos e distribuímos. Mas no quadro geral está muito difícil, somos muitos e diversos nas áreas artísticas; algumas com perspectivas de retorno só em 2021- shows e peças de teatro, estas áreas lidam diretamente com o número de público, estarão impedidas (necessariamente) por muito tempo, como vão sobreviver? Tudo está interligado, se não temos políticas de contenção da pandemia o efeito é em cadeia também na cultura.

Estamos à deriva e buscando construir botes salva-vidas para todos. Logo o grupo do SOS Artistas terá outra ação muito legal para a cidade e para contribuir financeiramente com os artistas. Contamos mesmo com nossa criatividade e a empatia do povo que está percebendo o valor da cultura, é nós por nós”.


“Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare”


Monique Neves, produtora e atriz da Primo Atto Escola de Teatro

“No cenário teatral, assim como em outras áreas da Cultura, a paralisação das atividades presenciais atingiu e muito o nosso rendimento econômico. Tanto no que se diz respeito as apresentações artísticas de espetáculos nos palcos, teatros, praças e escolas, quanto também as nossas atividades educacionais de formação com aulas de teatro.

Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare, como lives, aulas online e chapéu virtual para as apresentações a distância. Porém não surtem o mesmo efeito, diminuindo e muito o retorno financeiro dos artistas e profissionais da área para seu sustento. Se tratando de Teatro, esta arte é conhecida como a “arte do encontro”, e esses encontros estão impedidos de serem realizados, pelo menos pessoalmente, por enquanto.

Além dos fatores humanos que a arte foi impedida de atuar presencialmente, também existem os aspectos financeiro de se manter os espaços culturais. Para que a arte seja produzida, para que os artistas ensaiem seus espetáculos, para que as aulas possam ser ministradas, é necessária toda uma estrutura. Tudo isto tem custos como qualquer outra empresa: aluguel, água, luz, manutenção, funcionários, etc.

Com nossas atividades paralisadas, não temos de onde tirar os recursos necessários para que os espaços e escolas de artes se mantenham. Uma das alternativas que buscamos para sustentar nossa Escola foi a negociação com os pais de nossos alunos, para que continuem pagando as mensalidades, mesmo não podendo ter aula presencial, mas que serão repostas mais a frente, e também a oferta de aulas online. Porém, nem todos podem aderir ao novo formato e acabam optando pela desistência.

Perdemos um grande número de alunos, consequentemente nossa renda para nos mantermos. Criamos também um novo curso de teatro 100% online especialmente voltado para professores que estão com dificuldades em gravar suas aulas online.

E assim seguimos, mesmo com a paralisação de nossas atividades presenciais, tentando sustentar tanto nossas despesas e necessidades pessoais como cidadãos que somos, quanto manter nossas estruturas profissionais que também necessita de grande demanda econômica para manter-se viva”.


“A situação não é fácil”

Rafaela Backer é musicista e presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário Camboriú

“Falo em nome de vários dos meus colegas, como presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário. Sem dúvida a área da música foi uma das grandes afetadas nessa pandemia. Fomos uns dos primeiros profissionais a pararem e sem dúvida seremos os últimos a retornarmos.

Balneário Camboriú tem inúmeros músicos que atuam diariamente fazendo shows, lecionando, temos muitas casas, bares, restaurantes, eventos municipais, espaços culturais, hotéis, que permite os músicos terem na profissão o seu principal sustento. Sendo assim, fomos diretamente afetados. Os músicos que são professores conseguiram contornar um pouco a situação, através das aulas-online, que conseguiram inclusive aumentar o número de alunos. Não resolve o problema completamente porque as escolas de música, músicos que davam aulas particulares, perderam significativamente seu número de alunos.

As lives também foram positivas, já que foi possível continuar produzindo através delas e até mesmo ganhar com isso. Porém, dificilmente o público tem condição de apoiar financeiramente todos os artistas, pois são muitas lives sendo oferecidas, além daqueles que têm atuação nacional, internacional, com mais visibilidade. A maioria das lives são gratuitas, então acaba sendo difícil concorrer.

Estabelecimentos como bares e restaurantes voltaram, mas os músicos não, seja por conta de corte de gastos como também o preconceito do público, que está discriminando as apresentações. Temos casos bem absurdos que aconteceram na região. Há ações muito positivas acontecendo, a exemplo do Conselho da Cultura, que criou o Mercadinho da Cultura, apoiando artistas que precisam, além das lives remuneradas que estão acontecendo através da prefeitura. Há pessoas e estabelecimentos que também estão nos apoiando.

A situação não é fácil, apesar de serem várias frentes de atuação que o músico tem a principal delas é a apresentação presencial. Os músicos em Balneário têm uma presença muito importante, há muitos artistas da área, e realmente vemos como a situação está triste.

Agora nesse momento de isolamento, quando temos essa certa de solidão, a gente recorre à arte, lemos livros, assistimos filmes ou lives, ouvimos músicas; e percebemos o valor que tem a arte para ajudar no psicológico, em nosso equilíbrio, na nossa alma. Seguimos transmitindo a nossa expressão, o que podemos, para trazer um alívio e conforto para a sociedade, enquanto aguardamos por uma cura e solução”.


“Tudo provavelmente irá atrasar”

Fernando Dalla Nora é bailarino, professor de dança contemporânea no Studio de Dança Adriana Alcântara e membro do Núcleo Corpóreo

“No começo da quarentena foi complicado, apesar de que ainda está sendo. No studio conseguimos dar aulas online, mas diminuiu em 50% a nossa demanda. Seguimos com aulas online e também presencial, mas com no máximo cinco por turma, antes as turmas eram de no mínimo 10 alunos. É difícil, porque o contato com os alunos muda bastante, há uma incerteza no ar.

No Núcleo a nossa realidade é ainda mais diferente, já que trabalhamos com projetos culturais. Fomos aprovados na LIC deste ano, mas ainda não assinamos o contrato, estamos aguardando a Fundação Cultural. Porém, quando a LIC iniciar já estamos pensando em modificar algumas coisas, adaptar para virtual. Trabalhamos com um público menor, mas as pessoas ainda estão apreensivas de sair, de ir ao teatro, acredito que os projetos devem ficar para o ano que vem.

Tudo provavelmente irá atrasar. Não só a dança, mas outras atividades físicas foram deixadas em segundo plano, e não deveria ser assim. Devemos seguir cuidado da nossa saúde corporal, que influencia também na mental. A dança ajuda nesses dois aspectos. A prática esportiva é essencial, também combate o ócio que o isolamento social causa”.


“Dois projetos novos: plataforma de streaming e drive-in”

André Gevaerd é cineasta e proprietário da Cineramabc Arthouse

“A Arthouse fechou até antes da quarentena ser imposta porque entendemos a gravidade do que estava acontecendo, que até então ainda era desconhecido. No passar desses dois meses surgiram dois projetos novos.

Estamos entrando no cinema virtual, com a criação de uma plataforma de streaming que está na fase final e logo deve começar a operar e estamos planejando um drive-in com sessões de cinema comerciais. O drive-in está nos estudos finais para execução. Queremos instalar algo com qualidade suficiente para se tornar uma experiência agradável ao público, e isso tem custo alto.

Acredito que mesmo se acontecer a reabertura de casas de shows, cinemas, a operação será reduzida, com risco de retrocesso frente a alta na pandemia, e por isso temos essa segurança quanto ao drive-in. Porém, precisamos de um decreto por parte da prefeitura, ainda não há nada nesse sentido em Balneário Camboriú ou em Santa Catarina. Estamos aguardando uma clareza nesse aspecto. Não podemos simplesmente abrir.

Já há municípios fazendo decretos e regulamentos nesse sentido priorizando a segurança. Brasília já fez decreto e conta com um drive-in em funcionamento; Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro também contam com projetos nesse sentido. Estou recebendo ligações diárias, estou em contato com fornecedores e parceiros para que tudo aconteça da forma certa e que não vejam que em Balneário Camboriú fomos ‘aventureiros’”.


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Página 3
Celso Peixoto
2ª Live em prol dos artistas
2ª Live em prol dos artistas

Artistas de Balneário Camboriú opinam sobre o cenário e analisam futuro

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Sexta, 22/5/2020 7:43.

Os artistas vêm sendo essenciais nesse período de isolamento social, com suas lives e interações virtuais com o público. Porém, a situação econômica de muitos deles não é positiva, já que a maioria depende do contato com o público, como atores, bailarinos, músicos. A Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC), junto do Conselho Municipal de Política Cultural, vem desenvolvendo ações para apoiar a classe, como a arrecadação e doação de alimentos e a assinatura dos contratos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) – que deve acontecer até julho, além da disponibilização de espaço para gravação de vídeos no Teatro Municipal Bruno Nitz e uma ‘feira online’ através do site da FCBC.

“A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”

Denize Leite é presidente da Fundação Cultural de Balneário Camboriú

“A cultura foi um dos setores mais afetados pela pandemia, e também provavelmente será o que mais vai demorar para retornar. Realizamos com o Conselho da Cultura um diagnóstico junto aos artistas e tivemos 210 respostas, que apontam quais foram as áreas mais afetadas.

Nos preocupamos com os artistas da cidade e discutimos de que forma poderíamos aumentar e continuar a movimentar a economia, mesmo com a pandemia. Conseguimos dar continuidade à LIC (Lei de Incentivo à Cultura). O processo está com o Comitê Gestor e assim que for liberado vamos assinar os contratos com os artistas contemplados. Eles têm a garantia que vão receber seus recursos e em cima disso vão movimentar a cadeia produtiva de uma forma bem significativa. Porém, a FCBC não vive só da LIC; outras ações aconteceram paralelamente.

Estamos apoiando os pescadores, que estão trabalhando na safra da tainha, conseguimos tendas para eles e apoio logístico, divulgamos e destacamos a importância da valorização da pesca artesanal, que é um patrimônio cultural de Balneário.

As feiras (das praças da Cultura e do Pescador e também da Rua 200) foram bastante afetadas e considerando isso criamos a Feira Online, em um hotsite através de nosso site (www.culturabc.com.br). Já estamos com 21 artistas inscritos, que estão em contato com potenciais clientes, mostrando seus produtos, entregando via delivery. O bacana é que a Feira Online funciona 24h e não somente nos dias de feira. Para participar, o artista deve mandar fotos e descrições de seus produtos. Outra ação foi a utilização do Teatro Bruno Nitz, que conta com infraestrutura de câmeras, som, computadores e apoio técnico para auxiliar artistas a gravarem seus vídeos, lives, videoaulas, etc.

Como os eventos presenciais foram cancelados e possuíamos o edital de credenciamento, chamamos os artistas credenciados para fazer lives remuneradas, que acontecem todas as quartas às 20h, pelo Facebook da prefeitura. O credenciamento tem vigência até julho e já estamos trabalhando em um novo. A parte social também foi priorizada, com apoio aos artistas que precisam.

Conseguimos doação de proteínas e cestas básicas e 49 famílias já foram contempladas. Vamos seguir entregando enquanto tivermos estoque. Seguimos desenvolvendo novos projetos, estamos muito empenhados nisso. Vejo que Balneário Camboriú está de parabéns porque não mediu esforços em lançar e inovar dentro de um momento tão difícil como é a pandemia.

Muitos dos funcionários da FCBC poderiam estar em home-office, mas estão trabalhando presencialmente em dois turnos porque queremos estar disponíveis para apoiar os artistas. Agradeço a eles porque estão se desdobrando e motivados em apoiar a classe. A sensibilidade faz toda a diferença neste momento”.


“Estamos à deriva”

Dagma Castro é presidente do Conselho Municipal de Política Cultural de Balneário Camboriú

“Cada dia mais incertezas do futuro nos cercam. Os números do país são assustadores e também ao nosso entorno. A cadeia produtiva da cultura está estancada e os trabalhadores sem políticas de governos, em todas as esferas. Apenas esperanças em PLs dos legislativos (federal e de SC) que poderão dar um fôlego aos trabalhadores da cultura, e que poderão ser vetados por um governo que persegue a cultura.

No que se refere a nossa cidade, algumas ações acontecem, mas somente de editais já fechados antes da pandemia; também de coletivos que se movimentam construindo alternativas. A Fundação, sentimos, tem buscado, dentro do possível, fortalecer a cultura local com as lives e auxiliar com alimentos, aos que vieram com este pedido no formulário; que inclusive está sendo trabalhado no diagnóstico colhido dele. Mas já sabemos que áreas mais impactadas são a música, o teatro, o artesanato e a produção cultural, proporcionalmente as demais áreas, toda a cadeia está atingida, fato.

Do Conselho e artistas estamos com a força tarefa no Mercadinho, nas doações que recebemos e distribuímos. Mas no quadro geral está muito difícil, somos muitos e diversos nas áreas artísticas; algumas com perspectivas de retorno só em 2021- shows e peças de teatro, estas áreas lidam diretamente com o número de público, estarão impedidas (necessariamente) por muito tempo, como vão sobreviver? Tudo está interligado, se não temos políticas de contenção da pandemia o efeito é em cadeia também na cultura.

Estamos à deriva e buscando construir botes salva-vidas para todos. Logo o grupo do SOS Artistas terá outra ação muito legal para a cidade e para contribuir financeiramente com os artistas. Contamos mesmo com nossa criatividade e a empatia do povo que está percebendo o valor da cultura, é nós por nós”.


“Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare”


Monique Neves, produtora e atriz da Primo Atto Escola de Teatro

“No cenário teatral, assim como em outras áreas da Cultura, a paralisação das atividades presenciais atingiu e muito o nosso rendimento econômico. Tanto no que se diz respeito as apresentações artísticas de espetáculos nos palcos, teatros, praças e escolas, quanto também as nossas atividades educacionais de formação com aulas de teatro.

Buscamos outras formas e alternativas para que o setor não pare, como lives, aulas online e chapéu virtual para as apresentações a distância. Porém não surtem o mesmo efeito, diminuindo e muito o retorno financeiro dos artistas e profissionais da área para seu sustento. Se tratando de Teatro, esta arte é conhecida como a “arte do encontro”, e esses encontros estão impedidos de serem realizados, pelo menos pessoalmente, por enquanto.

Além dos fatores humanos que a arte foi impedida de atuar presencialmente, também existem os aspectos financeiro de se manter os espaços culturais. Para que a arte seja produzida, para que os artistas ensaiem seus espetáculos, para que as aulas possam ser ministradas, é necessária toda uma estrutura. Tudo isto tem custos como qualquer outra empresa: aluguel, água, luz, manutenção, funcionários, etc.

Com nossas atividades paralisadas, não temos de onde tirar os recursos necessários para que os espaços e escolas de artes se mantenham. Uma das alternativas que buscamos para sustentar nossa Escola foi a negociação com os pais de nossos alunos, para que continuem pagando as mensalidades, mesmo não podendo ter aula presencial, mas que serão repostas mais a frente, e também a oferta de aulas online. Porém, nem todos podem aderir ao novo formato e acabam optando pela desistência.

Perdemos um grande número de alunos, consequentemente nossa renda para nos mantermos. Criamos também um novo curso de teatro 100% online especialmente voltado para professores que estão com dificuldades em gravar suas aulas online.

E assim seguimos, mesmo com a paralisação de nossas atividades presenciais, tentando sustentar tanto nossas despesas e necessidades pessoais como cidadãos que somos, quanto manter nossas estruturas profissionais que também necessita de grande demanda econômica para manter-se viva”.


“A situação não é fácil”

Rafaela Backer é musicista e presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário Camboriú

“Falo em nome de vários dos meus colegas, como presidente da Câmara Setorial de Música de Balneário. Sem dúvida a área da música foi uma das grandes afetadas nessa pandemia. Fomos uns dos primeiros profissionais a pararem e sem dúvida seremos os últimos a retornarmos.

Balneário Camboriú tem inúmeros músicos que atuam diariamente fazendo shows, lecionando, temos muitas casas, bares, restaurantes, eventos municipais, espaços culturais, hotéis, que permite os músicos terem na profissão o seu principal sustento. Sendo assim, fomos diretamente afetados. Os músicos que são professores conseguiram contornar um pouco a situação, através das aulas-online, que conseguiram inclusive aumentar o número de alunos. Não resolve o problema completamente porque as escolas de música, músicos que davam aulas particulares, perderam significativamente seu número de alunos.

As lives também foram positivas, já que foi possível continuar produzindo através delas e até mesmo ganhar com isso. Porém, dificilmente o público tem condição de apoiar financeiramente todos os artistas, pois são muitas lives sendo oferecidas, além daqueles que têm atuação nacional, internacional, com mais visibilidade. A maioria das lives são gratuitas, então acaba sendo difícil concorrer.

Estabelecimentos como bares e restaurantes voltaram, mas os músicos não, seja por conta de corte de gastos como também o preconceito do público, que está discriminando as apresentações. Temos casos bem absurdos que aconteceram na região. Há ações muito positivas acontecendo, a exemplo do Conselho da Cultura, que criou o Mercadinho da Cultura, apoiando artistas que precisam, além das lives remuneradas que estão acontecendo através da prefeitura. Há pessoas e estabelecimentos que também estão nos apoiando.

A situação não é fácil, apesar de serem várias frentes de atuação que o músico tem a principal delas é a apresentação presencial. Os músicos em Balneário têm uma presença muito importante, há muitos artistas da área, e realmente vemos como a situação está triste.

Agora nesse momento de isolamento, quando temos essa certa de solidão, a gente recorre à arte, lemos livros, assistimos filmes ou lives, ouvimos músicas; e percebemos o valor que tem a arte para ajudar no psicológico, em nosso equilíbrio, na nossa alma. Seguimos transmitindo a nossa expressão, o que podemos, para trazer um alívio e conforto para a sociedade, enquanto aguardamos por uma cura e solução”.


“Tudo provavelmente irá atrasar”

Fernando Dalla Nora é bailarino, professor de dança contemporânea no Studio de Dança Adriana Alcântara e membro do Núcleo Corpóreo

“No começo da quarentena foi complicado, apesar de que ainda está sendo. No studio conseguimos dar aulas online, mas diminuiu em 50% a nossa demanda. Seguimos com aulas online e também presencial, mas com no máximo cinco por turma, antes as turmas eram de no mínimo 10 alunos. É difícil, porque o contato com os alunos muda bastante, há uma incerteza no ar.

No Núcleo a nossa realidade é ainda mais diferente, já que trabalhamos com projetos culturais. Fomos aprovados na LIC deste ano, mas ainda não assinamos o contrato, estamos aguardando a Fundação Cultural. Porém, quando a LIC iniciar já estamos pensando em modificar algumas coisas, adaptar para virtual. Trabalhamos com um público menor, mas as pessoas ainda estão apreensivas de sair, de ir ao teatro, acredito que os projetos devem ficar para o ano que vem.

Tudo provavelmente irá atrasar. Não só a dança, mas outras atividades físicas foram deixadas em segundo plano, e não deveria ser assim. Devemos seguir cuidado da nossa saúde corporal, que influencia também na mental. A dança ajuda nesses dois aspectos. A prática esportiva é essencial, também combate o ócio que o isolamento social causa”.


“Dois projetos novos: plataforma de streaming e drive-in”

André Gevaerd é cineasta e proprietário da Cineramabc Arthouse

“A Arthouse fechou até antes da quarentena ser imposta porque entendemos a gravidade do que estava acontecendo, que até então ainda era desconhecido. No passar desses dois meses surgiram dois projetos novos.

Estamos entrando no cinema virtual, com a criação de uma plataforma de streaming que está na fase final e logo deve começar a operar e estamos planejando um drive-in com sessões de cinema comerciais. O drive-in está nos estudos finais para execução. Queremos instalar algo com qualidade suficiente para se tornar uma experiência agradável ao público, e isso tem custo alto.

Acredito que mesmo se acontecer a reabertura de casas de shows, cinemas, a operação será reduzida, com risco de retrocesso frente a alta na pandemia, e por isso temos essa segurança quanto ao drive-in. Porém, precisamos de um decreto por parte da prefeitura, ainda não há nada nesse sentido em Balneário Camboriú ou em Santa Catarina. Estamos aguardando uma clareza nesse aspecto. Não podemos simplesmente abrir.

Já há municípios fazendo decretos e regulamentos nesse sentido priorizando a segurança. Brasília já fez decreto e conta com um drive-in em funcionamento; Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro também contam com projetos nesse sentido. Estou recebendo ligações diárias, estou em contato com fornecedores e parceiros para que tudo aconteça da forma certa e que não vejam que em Balneário Camboriú fomos ‘aventureiros’”.


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