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PÁGINA 3 / Economia
Em cenário de incertezas, mercados aguardam sinais do Fed sobre os juros

Quarta, 19/12/2018 9:01.
OpenGov

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DANIELLE BRANT
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O banco central americano deve fechar nesta quarta-feira (19) a fatura de altas de juros de 2018, levando a taxa para a faixa entre 2,25% e 2,5% ao ano.

O que vai fazer depois disso tem sido um dos tópicos favoritos de especulação de investidores e analistas, que ponderam até que ponto a recente queda das Bolsas e a desaceleração dos EUA poderiam frear o Fed (Federal Reserve).

Pistas devem ser procuradas nas projeções que o Fomc (comitê de política monetária do banco central americano) vai divulgar após a reunião e que contemplam indicações sobre o futuro e sobre os níveis esperados de juros dos fundos federais, que balizam o mercado.

Mas o que analistas desconfiam mesmo é que Jerome Powell, presidente do Fed, deve aplicar a mesma atitude que tem adotado nas últimas reuniões do Fomc: a decisão será pragmática, baseada em dados da economia americana.

Essa é a expectativa de Michael Feroli e Daniel Silver, da equipe de análise econômica do JPMorgan.

"Há muita incerteza sobre o que o Fed vai fazer sobre sua política monetária em 2019, e nós achamos que os responsáveis pela formulação de políticas vão continuar a enfatizar a dependência de dados em vez de promover um caminho político específico", afirmam, em relatório.

É basicamente a linha de raciocínio defendida por Powell em discurso em Nova York no último dia 28 de novembro. Ele afirmou que "não há caminho político predeterminado" para o Fed, mas que o banco central americano "presta muita atenção ao que os dados econômicos e financeiros estão dizendo."

Ele e o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, também disseram que as taxas estão "abaixo" do nível neutro -que separa política expansiva de restritiva.

Se ele ouvir somente as Bolsas americanas, pode ser forçado a repensar o ritmo gradual de altas nos juros. Nas últimas semanas, os principais indicadores não só zeraram todos os ganhos do ano como entraram no que os analistas chamam de correção -quando a queda em relação à máxima recente supera 10%.

Nesta terça (18), o Dow Jones recuou 0,02%, o S&P 500 caiu 0,37% e a Nasdaq subiu 0,09% -no Brasil, a Bolsa fechou praticamente estável, com leve alta de 0,24%.

É raro o banco central americano elevar os juros quando o mercado acionário está passando por turbulências do tipo. Um aumento no retorno da renda fixa tende a enxugar dinheiro das Bolsas, aumentando a pressão vendedora.

Levantamento da Bloomberg indica que seria a primeira vez desde 1994 que uma alta ocorreria em meio a essas condições negativas.

Para Michael Pearce, economista sênior para EUA da Capital Economics, a recente queda vai ser desconsiderada pelo banco central americano.

"A volatilidade recente nos mercados financeiros não vai deter o aumento de juros do Fed. Uma preocupação maior é a fraqueza no núcleo da inflação, o que pode fazer alguns membros revisarem para baixo as projeções para os juros", afirmou.

Na última semana, dados mostraram que foram criadas 155 mil novas vagas de trabalho em novembro, enquanto o desemprego se manteve em 3,7%, mínima em 49 anos.

A inflação ainda está em torno de 2% ao ano. Estabilidade de preços e máximo emprego são o mandato duplo do Fed.

Segundo Pearce, o Fed deve manter em 2019 o ritmo de uma alta por trimestre, até que a economia americana comece a desacelerar, em meados do ano, nas projeções da Capital Economics. O FMI (Fundo Monetário Internacional) vê expansão de 2,5%, ante 2,9% neste ano.

"Isso deve levar o Fed a interromper as altas e começar a cortar juros em 2020", afirma.

Janwillem Acket, economista-chefe do banco suíço Julius Baer, também considera que as projeções do Fed vão mostrar duas altas de 0,25 ponto percentual em 2019, em vez das três estimadas em setembro. Para 2020, há a expectativa de um aumento nos juros.

Mas uma posição mais cautelosa do Fed em meio a preocupações com uma desaceleração dos EUA não é consenso. Larry Hatheway, economista-chefe do GAM Investments, acredita que os investidores estão subestimando os próximos passos do Fed.

"Os mercados estão descontando uma alta de juros adicional em 2019. É muito provável, no entanto, que o Fed aumente juros várias vezes no próximo ano", afirmou.

"Em algum ponto, os investidores vão perceber que a política monetária vai se tornar mais restritiva do que está precificado hoje."

Em meio a esse dilema, ainda há outro elemento que tem contribuído para tirar a paz de Jerome Powell e dos outros membros do Fed: o presidente Donald Trump.

Em mensagem em uma rede social nesta terça, ele pediu que o Fed não deixe o mercado mais ilíquido do que está agora. "Sinta o mercado, não leve em consideração apenas números sem significados. Boa sorte!"


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Em cenário de incertezas, mercados aguardam sinais do Fed sobre os juros

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Quarta, 19/12/2018 9:01.

DANIELLE BRANT
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O banco central americano deve fechar nesta quarta-feira (19) a fatura de altas de juros de 2018, levando a taxa para a faixa entre 2,25% e 2,5% ao ano.

O que vai fazer depois disso tem sido um dos tópicos favoritos de especulação de investidores e analistas, que ponderam até que ponto a recente queda das Bolsas e a desaceleração dos EUA poderiam frear o Fed (Federal Reserve).

Pistas devem ser procuradas nas projeções que o Fomc (comitê de política monetária do banco central americano) vai divulgar após a reunião e que contemplam indicações sobre o futuro e sobre os níveis esperados de juros dos fundos federais, que balizam o mercado.

Mas o que analistas desconfiam mesmo é que Jerome Powell, presidente do Fed, deve aplicar a mesma atitude que tem adotado nas últimas reuniões do Fomc: a decisão será pragmática, baseada em dados da economia americana.

Essa é a expectativa de Michael Feroli e Daniel Silver, da equipe de análise econômica do JPMorgan.

"Há muita incerteza sobre o que o Fed vai fazer sobre sua política monetária em 2019, e nós achamos que os responsáveis pela formulação de políticas vão continuar a enfatizar a dependência de dados em vez de promover um caminho político específico", afirmam, em relatório.

É basicamente a linha de raciocínio defendida por Powell em discurso em Nova York no último dia 28 de novembro. Ele afirmou que "não há caminho político predeterminado" para o Fed, mas que o banco central americano "presta muita atenção ao que os dados econômicos e financeiros estão dizendo."

Ele e o vice-presidente do Fed, Richard Clarida, também disseram que as taxas estão "abaixo" do nível neutro -que separa política expansiva de restritiva.

Se ele ouvir somente as Bolsas americanas, pode ser forçado a repensar o ritmo gradual de altas nos juros. Nas últimas semanas, os principais indicadores não só zeraram todos os ganhos do ano como entraram no que os analistas chamam de correção -quando a queda em relação à máxima recente supera 10%.

Nesta terça (18), o Dow Jones recuou 0,02%, o S&P 500 caiu 0,37% e a Nasdaq subiu 0,09% -no Brasil, a Bolsa fechou praticamente estável, com leve alta de 0,24%.

É raro o banco central americano elevar os juros quando o mercado acionário está passando por turbulências do tipo. Um aumento no retorno da renda fixa tende a enxugar dinheiro das Bolsas, aumentando a pressão vendedora.

Levantamento da Bloomberg indica que seria a primeira vez desde 1994 que uma alta ocorreria em meio a essas condições negativas.

Para Michael Pearce, economista sênior para EUA da Capital Economics, a recente queda vai ser desconsiderada pelo banco central americano.

"A volatilidade recente nos mercados financeiros não vai deter o aumento de juros do Fed. Uma preocupação maior é a fraqueza no núcleo da inflação, o que pode fazer alguns membros revisarem para baixo as projeções para os juros", afirmou.

Na última semana, dados mostraram que foram criadas 155 mil novas vagas de trabalho em novembro, enquanto o desemprego se manteve em 3,7%, mínima em 49 anos.

A inflação ainda está em torno de 2% ao ano. Estabilidade de preços e máximo emprego são o mandato duplo do Fed.

Segundo Pearce, o Fed deve manter em 2019 o ritmo de uma alta por trimestre, até que a economia americana comece a desacelerar, em meados do ano, nas projeções da Capital Economics. O FMI (Fundo Monetário Internacional) vê expansão de 2,5%, ante 2,9% neste ano.

"Isso deve levar o Fed a interromper as altas e começar a cortar juros em 2020", afirma.

Janwillem Acket, economista-chefe do banco suíço Julius Baer, também considera que as projeções do Fed vão mostrar duas altas de 0,25 ponto percentual em 2019, em vez das três estimadas em setembro. Para 2020, há a expectativa de um aumento nos juros.

Mas uma posição mais cautelosa do Fed em meio a preocupações com uma desaceleração dos EUA não é consenso. Larry Hatheway, economista-chefe do GAM Investments, acredita que os investidores estão subestimando os próximos passos do Fed.

"Os mercados estão descontando uma alta de juros adicional em 2019. É muito provável, no entanto, que o Fed aumente juros várias vezes no próximo ano", afirmou.

"Em algum ponto, os investidores vão perceber que a política monetária vai se tornar mais restritiva do que está precificado hoje."

Em meio a esse dilema, ainda há outro elemento que tem contribuído para tirar a paz de Jerome Powell e dos outros membros do Fed: o presidente Donald Trump.

Em mensagem em uma rede social nesta terça, ele pediu que o Fed não deixe o mercado mais ilíquido do que está agora. "Sinta o mercado, não leve em consideração apenas números sem significados. Boa sorte!"


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