Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Bolsas dos EUA têm a pior semana desde a crise financeira de 2008

Sábado, 22/12/2018 6:57.
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DANIELLE BRANT E TÁSSIA KASTNER
NOVA YORK, EUA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As notícias ruins para o presidente Donald Trump nesta semana não se ativeram ao caos político que tomou conta da Casa Branca. O mercado acionário dos EUA mergulhou em uma volatilidade tão forte que fez muitos investidores se questionarem se os bons tempos de recordes e altas ficaram no passado.

O Dow Jones, índice que reúne as 30 ações mais líquidas da Bolsa de Nova York, despencou 6,9% na semana, a pior desde a encerrada em 10 de outubro de 2008 (-18,15%), auge da crise financeira global.

O S&P 500, das maiores empresas, também teve queda semanal de 6,9%, na maior desvalorização para o período desde março de 2009. O índice da Bolsa Nasdaq foi o mais golpeado na semana, com perda de 8,4%, a maior desde novembro de 2008.

O indicador entrou oficialmente no que se chama de "bear market", quando há uma queda de mais de 20% em relação a uma máxima recente. É a primeira vez que isso acontece desde a crise.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 2% na semana. O dólar fechou esta sexta (21) em alta de 1,16%, a R$ 3,897.

A forte volatilidade e o pessimismo dos investidores têm como pano de fundo preocupações com a economia americana e uma avaliação de que, talvez, o banco central do país não esteja calculando corretamente o risco de desaceleração ao sinalizar mais aumentos de juros em 2019.

Nesta quarta, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros para a faixa entre 2,25% e 2,5% ao ano e indicou que vai subir a taxa mais duas vezes no próximo ano, contra três elevações indicadas em setembro.

Um aumento de juros costuma afetar a expansão dos países, por enxugar dinheiro da economia que poderia ser gasto com consumo ou em investimento produtivo.

Nesta sexta (21), o Departamento de Comércio americano divulgou que o PIB dos EUA cresceu 3,4% no terceiro trimestre na taxa anualizada, ante expansão de 4,2% nos três meses anteriores.

Com a desaceleração cada vez mais evidente, havia a expectativa de que o Fed poderia dar um sinal de que pausaria seu ciclo de aperto monetário, o que não ocorreu.

Diante da reação negativa dos mercados, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, tentou, sem sucesso, tranquilizar os investidores nesta sexta. Ele afirmou que o banco central ouve as preocupações dos investidores e está aberto a reavaliar suas visões de política no próximo ano.

"Quando o Fed diz que está planejando duas altas, o mercado vê isso com preocupação, porque tem dúvidas sobre a economia americana", diz John Canavan, analista da consultoria Oxford Economics.

Ele diz, porém, que a avaliação que o Fed faz da economia está correta, considerando que o duplo mandato do banco central americano está sendo cumprido: máximo emprego e estabilidade de preços.

A semana também contou com um elemento de estresse adicional: a possibilidade de paralisação parcial do governo americano. O presidente Donald Trump e os democratas entraram num embate sobre o financiamento do muro que o republicano quer construir no México, e nenhum dos lados parece disposto a ceder.


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Bolsas dos EUA têm a pior semana desde a crise financeira de 2008

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Sábado, 22/12/2018 6:57.

DANIELLE BRANT E TÁSSIA KASTNER
NOVA YORK, EUA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As notícias ruins para o presidente Donald Trump nesta semana não se ativeram ao caos político que tomou conta da Casa Branca. O mercado acionário dos EUA mergulhou em uma volatilidade tão forte que fez muitos investidores se questionarem se os bons tempos de recordes e altas ficaram no passado.

O Dow Jones, índice que reúne as 30 ações mais líquidas da Bolsa de Nova York, despencou 6,9% na semana, a pior desde a encerrada em 10 de outubro de 2008 (-18,15%), auge da crise financeira global.

O S&P 500, das maiores empresas, também teve queda semanal de 6,9%, na maior desvalorização para o período desde março de 2009. O índice da Bolsa Nasdaq foi o mais golpeado na semana, com perda de 8,4%, a maior desde novembro de 2008.

O indicador entrou oficialmente no que se chama de "bear market", quando há uma queda de mais de 20% em relação a uma máxima recente. É a primeira vez que isso acontece desde a crise.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 2% na semana. O dólar fechou esta sexta (21) em alta de 1,16%, a R$ 3,897.

A forte volatilidade e o pessimismo dos investidores têm como pano de fundo preocupações com a economia americana e uma avaliação de que, talvez, o banco central do país não esteja calculando corretamente o risco de desaceleração ao sinalizar mais aumentos de juros em 2019.

Nesta quarta, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros para a faixa entre 2,25% e 2,5% ao ano e indicou que vai subir a taxa mais duas vezes no próximo ano, contra três elevações indicadas em setembro.

Um aumento de juros costuma afetar a expansão dos países, por enxugar dinheiro da economia que poderia ser gasto com consumo ou em investimento produtivo.

Nesta sexta (21), o Departamento de Comércio americano divulgou que o PIB dos EUA cresceu 3,4% no terceiro trimestre na taxa anualizada, ante expansão de 4,2% nos três meses anteriores.

Com a desaceleração cada vez mais evidente, havia a expectativa de que o Fed poderia dar um sinal de que pausaria seu ciclo de aperto monetário, o que não ocorreu.

Diante da reação negativa dos mercados, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, tentou, sem sucesso, tranquilizar os investidores nesta sexta. Ele afirmou que o banco central ouve as preocupações dos investidores e está aberto a reavaliar suas visões de política no próximo ano.

"Quando o Fed diz que está planejando duas altas, o mercado vê isso com preocupação, porque tem dúvidas sobre a economia americana", diz John Canavan, analista da consultoria Oxford Economics.

Ele diz, porém, que a avaliação que o Fed faz da economia está correta, considerando que o duplo mandato do banco central americano está sendo cumprido: máximo emprego e estabilidade de preços.

A semana também contou com um elemento de estresse adicional: a possibilidade de paralisação parcial do governo americano. O presidente Donald Trump e os democratas entraram num embate sobre o financiamento do muro que o republicano quer construir no México, e nenhum dos lados parece disposto a ceder.


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