Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Bolsa cai 3% após Bolsonaro falar em limite a privatizações

Quinta, 11/10/2018 6:55.

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TÁSSIA KASTNER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado financeiro reagiu mal a posicionamentos do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sobre privatizações e reforma da Previdência, derrubando a Bolsa e levando o dólar a subir para o patamar de R$ 3,75.

No exterior, os mercados também tiveram um dia negativo, com quedas ainda mais acentuadas em Wall Street.

Pressionado pela baixa nas ações das estatais, o Ibovespa (principal índice acionário do país) recuou 2,80% e fechou na mínima do pregão, a 83.679 pontos.

O volume financeiro foi de R$ 14,7 bilhões, abaixo dos números dos últimos dias, mais acima da média diária do ano, que é de R$ 11 bilhões.

Bolsonaro disse, em entrevista à TV Bandeirantes na terça-feira (9) à noite, ser contrário à privatização de ativos na área de geração de energia, assim como gostaria de manter estatal o "miolo" da Petrobras.

Como resultado, as ações de empresas do setor despencaram. A Eletrobras perdeu quase 10% nesta quarta (10). Já os papéis da Petrobras recuaram perto de 3%, e os do Banco do Brasil, mais de 4%.

O dólar avançou 1,40% e fechou a R$ 3,7640. No exterior, o desempenho foi misto: de 24 moedas emergentes, o dólar ganhou força sobre a metade –o real liderou as perdas.

O deputado afirmou também na terça que não pretende aprovar a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer (MDB).

"Eu, chegando lá, vou procurar o governo para aprovar uma reforma da Previdência que tenha aceitação do Parlamento e a população entenda como sendo justa e necessária", disse.

Essa é a primeira reação negativa do mercado financeiro a pronunciamentos de Bolsonaro desde o resultado do primeiro turno, no domingo (8).

Investidores abraçaram a candidatura do capitão reformado do Exército por considerá-lo, comparado a Fernando Haddad (PT), mais disposto a conduzir reformas tidas como necessárias para o reequilíbrio das contas públicas e a recuperação da economia.

"Dessa forma, ele se coloca numa posição de antagonismo à de seu assessor econômico, que é mais agressivo [sobre reforma da Previdência]", disse o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

A expectativa de um governo reformista é atribuída a Paulo Guedes, fiador econômico de Bolsonaro, com viés liberal. Durante o primeiro turno, Guedes chegou a defender a privatização de todas as estatais.

No radar de investidores esteve ainda a expectativa pela primeira pesquisa de intenção de votos do segundo turno pelo Datafolha.

O levantamento, divulgado após o fechamento do mercado, mostrou que o capitão reformado do Exército tem 16 pontos de vantagem sobre o petista, com 58% dos votos válidos. Haddad tem 42% da preferência dos eleitores. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-00214/2018.

Nas últimas semanas, o mercado financeiro se pautou pelo cenário eleitoral doméstico, escapando de parte das turbulências externas.

O exterior nesta quarta, no entanto, também contribuiu para a reação negativa de investidores locais.

As Bolsas americanas despencaram, reflexo do agravamento da guerra comercial travada por Estados Unidos e China.

O presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar com sobretaxas todos os produtos importados da China.

Além disso, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que a desvalorização do yuan está sendo monitorada de perto pelos americanos para evitar que o preço da moeda seja utilizado pelos chineses como instrumento de competição comercial.

O efeito foi mais negativo sobre a Nasdaq, que reúne ações do setor de tecnologia. O índice caiu 4,08%.

Entre os destaques de baixa estiveram Netflix (-8,4%) e Amazon (-6,2%).

O índice Dow Jones recuou 3,15%, e o S&P 500, 3,29%.Com a Reuters.


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Página 3

Bolsa cai 3% após Bolsonaro falar em limite a privatizações

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Quinta, 11/10/2018 6:55.

TÁSSIA KASTNER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado financeiro reagiu mal a posicionamentos do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sobre privatizações e reforma da Previdência, derrubando a Bolsa e levando o dólar a subir para o patamar de R$ 3,75.

No exterior, os mercados também tiveram um dia negativo, com quedas ainda mais acentuadas em Wall Street.

Pressionado pela baixa nas ações das estatais, o Ibovespa (principal índice acionário do país) recuou 2,80% e fechou na mínima do pregão, a 83.679 pontos.

O volume financeiro foi de R$ 14,7 bilhões, abaixo dos números dos últimos dias, mais acima da média diária do ano, que é de R$ 11 bilhões.

Bolsonaro disse, em entrevista à TV Bandeirantes na terça-feira (9) à noite, ser contrário à privatização de ativos na área de geração de energia, assim como gostaria de manter estatal o "miolo" da Petrobras.

Como resultado, as ações de empresas do setor despencaram. A Eletrobras perdeu quase 10% nesta quarta (10). Já os papéis da Petrobras recuaram perto de 3%, e os do Banco do Brasil, mais de 4%.

O dólar avançou 1,40% e fechou a R$ 3,7640. No exterior, o desempenho foi misto: de 24 moedas emergentes, o dólar ganhou força sobre a metade –o real liderou as perdas.

O deputado afirmou também na terça que não pretende aprovar a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer (MDB).

"Eu, chegando lá, vou procurar o governo para aprovar uma reforma da Previdência que tenha aceitação do Parlamento e a população entenda como sendo justa e necessária", disse.

Essa é a primeira reação negativa do mercado financeiro a pronunciamentos de Bolsonaro desde o resultado do primeiro turno, no domingo (8).

Investidores abraçaram a candidatura do capitão reformado do Exército por considerá-lo, comparado a Fernando Haddad (PT), mais disposto a conduzir reformas tidas como necessárias para o reequilíbrio das contas públicas e a recuperação da economia.

"Dessa forma, ele se coloca numa posição de antagonismo à de seu assessor econômico, que é mais agressivo [sobre reforma da Previdência]", disse o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

A expectativa de um governo reformista é atribuída a Paulo Guedes, fiador econômico de Bolsonaro, com viés liberal. Durante o primeiro turno, Guedes chegou a defender a privatização de todas as estatais.

No radar de investidores esteve ainda a expectativa pela primeira pesquisa de intenção de votos do segundo turno pelo Datafolha.

O levantamento, divulgado após o fechamento do mercado, mostrou que o capitão reformado do Exército tem 16 pontos de vantagem sobre o petista, com 58% dos votos válidos. Haddad tem 42% da preferência dos eleitores. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-00214/2018.

Nas últimas semanas, o mercado financeiro se pautou pelo cenário eleitoral doméstico, escapando de parte das turbulências externas.

O exterior nesta quarta, no entanto, também contribuiu para a reação negativa de investidores locais.

As Bolsas americanas despencaram, reflexo do agravamento da guerra comercial travada por Estados Unidos e China.

O presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar com sobretaxas todos os produtos importados da China.

Além disso, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmou que a desvalorização do yuan está sendo monitorada de perto pelos americanos para evitar que o preço da moeda seja utilizado pelos chineses como instrumento de competição comercial.

O efeito foi mais negativo sobre a Nasdaq, que reúne ações do setor de tecnologia. O índice caiu 4,08%.

Entre os destaques de baixa estiveram Netflix (-8,4%) e Amazon (-6,2%).

O índice Dow Jones recuou 3,15%, e o S&P 500, 3,29%.Com a Reuters.


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