Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Esse Dia do Trabalhador entrará para a história devido à perda de milhares de vidas e milhões de empregos

Sexta-feira, 1 de maio de 2020, traz esperança, deseja o Guarda Municipal

Quinta, 30/4/2020 9:42.

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Neste Dia do Trabalhador, sexta-feira, primeiro dia de maio, não haverá festas, comemorações, passeatas, nem manifestações, mas com certeza ele entrará para a história como uma data inédita, onde o mundo assiste a perda de milhares de vidas e junto, a perda de milhões de empregos. O Coronavírus provocou uma pandemia na saúde mundial e outra tragédia na economia mundial. Balneário Camboriú que certamente receberia grande número de turistas neste feriado prolongado, vai ter uma novidade: pela primeira vez em anos, o comércio tem autorização para abrir (somente em duas datas as lojas não abrem na cidade: 25 de dezembro e 1º de maio, além de 1º de janeiro somente a partir da tarde). Com a economia em jogo, por conta da pandemia, o comércio que reabriu há alguns dias, recebeu sinal verde para trabalhar, assim como os bares e restaurantes.

Para lembrar esta data histórica, a reportagem do Página 3 conversou com o prefeito Fabrício Oliveira, sindicatos e profissionais, como trabalhadores do turismo, construção civil, educação e saúde que opinaram sobre o significado deste Dia, que se mostra ainda mais significativo.

Crédito: Ivan Rupp

FABRÍCIO OLIVEIRA, prefeito de Balneário Camboriú

“O Dia do Trabalhador nunca foi tão importante e essencial como este, para fazer uma reflexão sobre tudo que está acontecendo. Estamos passando por um 1 de Maio onde o trabalho se tornou algo incerto e preocupante. Mas quero tranquilizar os trabalhadores, tenho certeza que Balneário Camboriú vai ser a primeira cidade a sair disso e nós vamos conseguir proporcionar toda segurança necessária para quem virá nos visitar, pois todos nós dependemos do turismo. A condição de retomada será importante para a cidade e para cada trabalhador, mas para isso acontecer, precisamos ter todo o cuidado para o quadro não se agravar. Com todas as medidas tomadas ao longo desse período difícil, eu acredito muito que no próximo 1 de Maio poderemos comemorar como sempre fizemos”.

Creditos: Ivan Rupp e DivulgaçãoO prefeito Fabricio trabalhando usando máscara e visitando comunidades.
Marcela Spagnol e o gerente Osny Maciel Junior

MARCELA SPAGNOL é graduada em Turismo e gerente comercial do Hotel Sibara, onde trabalha há 10 anos (na área atua há 14)

“Sou do interior de São Paulo, e vim para Balneário Camboriú fazer faculdade, me apaixonei pela cidade e fiquei por aqui. O Coronavírus foi um susto muito grande para todos, jamais esperávamos uma crise de tal proporção, mas por outro lado aproveitamos para rever conceitos. O receio e o medo existem, mas seguimos com o ‘motor funcionando’, tendo em mente que essa crise será uma propulsão para aumentar empregos mais para frente, planejando uma retomada num futuro próximo. No Sibara, a diretoria se preocupa conosco, eles passaram a olhar ainda mais para dentro da empresa, buscando minimizar impactos junto aos colaboradores, mesmo sabendo que é muito difícil reverter certos aspectos imediatamente. Dialogamos junto com eles sobre as medidas a serem tomadas, eles se preocupam com a saúde da equipe, quem vem para o hotel usa máscara e segue todas as normas de segurança. Estamos atuando neste momento com 25 pessoas, nossa equipe tem cerca de 60 colaboradores, estão acontecendo revezamentos de férias, mas houve alguns desligamentos também. Somos um dos maiores hotéis de Balneário, tanto em questão estrutural como em equipe de colaboradores. O Dia do Trabalhador ressalta a força para a economia, além da questão da importância de estarmos juntos, da equipe pensar junto, focando tanto na temporada como agora. Essa situação que estamos vivendo é tão maior, mas não deixamos de planejar a retomada e pensar no futuro da economia. Estamos também sempre em contato com o Sechobar (Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região), o nosso gerente, Osny Maciel Júnior, também preside o Comtur (Conselho Municipal de Turismo de Balneário Camboriú) e temos contato com o Sindisol (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região). Sem dúvida a união entre entidades também é essencial, assim como a comunicação linear com os colaboradores e a gestão. Todos estamos com medo, desde quem auxilia na ponta da cadeia até os grandes empresários, por isso precisamos permanecer unidos”.

JOAQUIM VIEIRA é garçom no restaurante Chaplin há 23 anos, desde maio de 1997

“Para nós da área de restaurantes, turismo em geral, está bem complicado. Estava todo mundo achando que essa pandemia iria ficar lá para a Europa e acabamos tendo que entrar em umas férias coletivas. Após isso, suspendemos os contratos e agora estamos retornando as atividades, mas com equipe e horários reduzidos. Esperamos que com mais um tempo possamos estar todos na ativa novamente. O Sechobar como sempre fez, está nos apoiando, preocupados com todos os colaboradores da região, que são em torno de sete a oito mil funcionários. Foi feito o acordo da Medida Provisória 936 com o Sindicato Patronal, o Sindisol, e o Sechobar com apoio de toda a nossa diretoria, e esperamos que tudo vá melhorando, para que todos consigam voltar o mais rápido possível. O Dia do Trabalhador sempre foi considerado um dia de festa, nós da categoria dos garçons sempre trabalhamos nesse dia, comemorávamos antes da data ou após, com funcionários e também pessoal do sindicato. O que temos que fazer agora é torcer para que tudo passe logo e que todos consigam voltar para os seus postos de trabalho com saúde. Gostaria de deixar um abraço especial para toda a nossa categoria de restaurantes e hotéis de Balneário Camboriú e para todos os trabalhadores do Brasil, especialmente também para os da área da Saúde, que estão na linha de frente e precisam do nosso apoio”.

VALDEIR MANOEL DA SILVA, 47, é pescador nativo do Bairro da Barra, pesca desde os 13 anos, é filho de pescador e atualmente preside a Colônia de Pescadores de Balneário Camboriú

“Esse Dia do Trabalhador vai ser de muito trabalho para nós pescadores, porque é quando inicia a safra da tainha, que segue até 31 de julho. Será diferente, já que estamos passando por esse momento de pandemia. Não poderá ter tumulto na pesca, no máximo cinco ou seis pescadores por barco, dependendo do tamanho de cada canoa. As equipes dos ranchos foram liberadas, mas também cuidando com as aglomerações, usando máscara, mantendo o distanciamento. Estamos todos com boas expectativas para essa safra, já que é ano bissexto e os antigos dizem que isso ajuda. A esperança é a última que morre, e isso vale também para o Corona. O Dia do Trabalhador normalmente é uma pausa para descansar, mas para nós pescadores, se Deus quiser, vai marcar o início de um bom trabalho, o começo de um bom ano”.

ADRIANO RAMÍLIO é Guarda Municipal 1ª Classe

“Sou Guarda Municipal da 1ª turma, comecei a trabalhar em janeiro de 2013. Sempre gostei da área da segurança, era agente prisional, e resolvi seguir carreira na GM, em Balneário. O Coronavírus é um fato atípico, somos da linha de frente junto com os profissionais da saúde. É um momento difícil, mas vamos superar. Sou motorista da Supervisão, então estamos 24h nas ruas, apoiando também nas barreiras, e junto da Secretaria de Educação na entrega das cestas básicas (kits de merenda) para as famílias dos alunos. O Dia do Trabalho traz esperança, principalmente neste momento. Estamos ansiosos para que o Coronavírus acabe, apesar de não sabermos quando isso vai acontecer. Trabalhamos para conquistar o futuro, enquanto muitas pessoas podiam e deveriam ficar em suas casas, nós continuamos a trabalhar, com escalas o tempo todo. Nos preocupamos com as nossas famílias, tem a questão psicológica também, com as notícias ruins, mas seguimos nos cuidando, higienizando uniformes, botas e viaturas, tomando os principais cuidados para não nos infectarmos. Todos nós guardas temos kits com máscaras, luvas e álcool em gel para usarmos no dia a dia. O nosso pedido é para as pessoas se conscientizarem, fazemos o possível para orientar e a grande maioria ainda acha que é conversa fiada e infelizmente não dão a devida importância para isso tudo que estamos vivendo”.

ALMIR DA SILVA é funcionário efetivo da Secretaria de Obras, atuando no departamento há 18 anos, neste momento ele é responsável pelo setor de Drenagem

“Sou pedreiro e atualmente sou o responsável pela coordenação da equipe de Drenagem, que conta com 20 homens. Muitas coisas mudaram no nosso trabalho neste momento, só podemos trabalhar mascarados, não pode haver aglomeração, nos cuidamos com álcool em gel. Nossas caminhonetes foram adaptadas para nos higienizarmos com frequência também. Nós cobramos uns dos outros e há fiscalização por parte da Secretaria. No começo as equipes não queriam se cuidar, achavam que não era necessário, mas agora se mostraram mais conscientes, somos realmente determinados a seguir pelo bem da nossa saúde e de todos. Antes da pandemia conseguíamos ir em seis, oito homens por obra, agora é no máximo quatro. Na medida do possível dividimos as equipes, às vezes o serviço pode demorar um pouco mais, mas temos que nos cuidar. Neste Dia do Trabalhador estamos tranquilos, temos que agradecer por sermos funcionários públicos, porque realmente tem muita gente passando necessidade. O funcionário público acaba tendo uma segurança maior, temos garantia de serviço. É assustador o que venho escutando de pedreiros de construtoras, salário diminuiu, demissões também. Só vamos trabalhar nesse dia 1º se acontecer algo urgente, como um buraco na rua, algo que precise mesmo, e aí pagamos a hora”.

MOISÉS BENTO DAS NEVES é mestre de obras da Construtora N Nitz, onde trabalha há seis anos

“Comecei há 12 anos na construção civil como auxiliar de pedreiro e hoje sou mestre de obras na N Nitz. O Coronavírus mudou bastante coisa no nosso trabalho, principalmente a questão dos cuidados de nós trabalhadores, estamos tendo que tomar distância e sem aglomerações, máscara e luvas também. Nossas equipes diminuíram, alguns estão de férias, quando um volta outro entra. Demissão até agora não houve nenhuma. Neste Dia do Trabalhador eu vejo que o pessoal está assustado, não temos a mesma esperança do começo do ano, mas seguimos trabalhando. Há a ansiedade de saber o que vai acontecer, mas temos o apoio dos patrões, que estão bastante presentes, direto em contato com a gente. Tentamos passar entre nós colaboradores que é uma fase ruim e que vai passar. Temos que continuar nos cuidando e rezar para tudo dar certo e logo voltar ao normal como era no começo ano”.

PAULO KOHI BRAGA, tecnólogo em Logística, é coordenador do setor de mercearia do Supermercado Bistek de Balneário Camboriú

“Iniciei minha carreira no ramo varejista em 1999 numa rede de supermercados aqui da região do Vale do Itajaí, onde trabalhei por quase 15 anos, quando em 2014 recebi o convite para vir conhecer a rede Bistek de supermercados e também então vir trabalhar nela. Resolvi encerrar esse ciclo de quase 15 anos na minha vida e aceitei esse novo desafio. Iniciei em umas das filiais de Florianópolis como coordenador de mercearia, passando também pela filial de Navegantes, Itajaí, e há quase três anos estou coordenando o setor de mercearia da loja de Balneário, desde a inauguração. É realmente um desafio, pois sabíamos da grande responsabilidade que seria conquistar a confiança da comunidade, dos novos clientes, por causa dos nossos concorrentes que já estavam há muito mais tempo estabelecidos na cidade. A pandemia de Coronavírus acredito que foi complicado para todos nós colaboradores, não somente da nossa loja, mas do comércio em geral. No início o medo era um pouco menor, mas conforme foram aumentando os casos no país e também no Estado, começou a aumentar, pois ainda não sabíamos realmente o que estávamos enfrentando. Quando surgiram os primeiros decretos no Estado, a preocupação por parte da empresa com nós colaboradores e clientes foi muito grande. A diretoria da empresa se reuniu com os supervisores da rede e juntos criaram um comitê interno, o qual seria responsável por passar para todas as lojas as medidas de precauções que deveriam ser tomadas. No momento a situação ainda é de grande preocupação, e de consciência de que todos nós cada vez mais devemos nos cuidar. Orientando sempre quanto a importância do uso da máscara, que hoje é obrigatória e também da grande importância da higienização das mãos a todo momento. O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (SECBC) desde os nossos primeiros dias aqui na cidade sempre foi muito presente com nós. Também tiveram que acatar o decreto do governador assim como todos, mas logo que foi liberada as atividades na cidade, o Rafael, presidente da entidade nos comunicou que o sindicato tinha retomado as atividades na sede de Balneário se colocando à disposição caso necessitasse. Vejo que o Dia 1º de Maio é uma data muito importante pra todos nós, porque nele é prestada uma homenagem a todos nós trabalhadores, que fazemos a grandeza desse país, que garantimos a vida das nossas famílias. Acredito que este ano, até pela situação que vivemos hoje no país devido a pandemia, o Dia do Trabalhador será uma data muito diferente de todos os anos, onde se tinham comemorações, confraternizações com colegas de trabalho, e também algumas manifestações sempre pela luta dos nossos direitos que cada vez mais nos tiram. Este ano será uma data pra ficar mais perto da família ou até um momento real de reflexão sobre tudo que estamos passando no país hoje, tanto pelo Coronavírus quanto politicamente e também economicamente”.

MARCOS CORRÊA AGUIAR é professor de Educação Física na rede estadual há dois anos, mas atua na área há 10

“Tem sido um desafio muito grande dar aulas de Educação Física à distância para os meus alunos porque estou acostumado ao dia a dia com o aluno, na quadra, no corpo a corpo. Transformar um conteúdo de Educação Física, que boa parte dele é prático, para algo teórico foi realmente um grande desafio, o qual eu aceitei. Acabei criando um canal no YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCprau44Bd_vK353hPRg-KKw), onde eu gravo as minhas videoaulas, com conteúdo sobre sistema ósseo, lutas e apresento para os alunos. Foi a maneira que eu criei para interagirmos, e a Educação Física ter a sua continuidade. Os alunos vêm realizando as atividades, em torno de 60% interagem. Aqueles que não têm acesso à internet retiram os materiais impressos para fazer as atividades também. Eu sinto que mesmo com toda essa dificuldade, estamos conseguindo cumprir o nosso papel. O nosso sindicato, o Sinte, acompanho através das redes sociais os posicionamentos. Eles não veem com bons olhos a questão das aulas à distância porque acreditam que não atingem o todo e colocam em risco a saúde dos alunos. Nas escolas onde eu leciono tomamos todos os cuidados para os alunos que vão buscar esses materiais. Nem todos são a favor desse formato online, mas diante de tudo, nós professores estamos dando o nosso máximo. É dificultoso para nós, mas não tem sido impossível trabalhar à distância. A união dos professores têm sido muito bacana, tentamos nos ajudar quando há alguma dificuldade. Eu vim de família humilde, tive que trancar a faculdade por três vezes, mas nunca desisti do meu sonho, que era ser professor de Educação Física, inspirado por dois professores meus, Eraste (que ‘premeditou’ que ele seria professor de Educação Física ou atleta) e Odon, ainda em São Borja, no Rio Grande do Sul. Eu sempre me vi sendo professor. Acredito que este 1º de Maio, Dia do Trabalhador, vai ficar marcado em nossas vidas. Essa data tem um simbolismo muito forte, visto que estamos no meio de uma pandemia e mesmo assim muitos voltaram ao mercado de trabalho até para manter o sustento de suas famílias e sabendo que, diante de tudo isso, também estão colocando as suas vidas em risco”.

RICARDO LORENZ BRODERSEM, diretor de Enfermagem do Hospital Municipal Ruth Cardoso

“Nasci em Blumenau, porém desde minha infância desfruto das belezas e prazeres que é viver em BC, logo posso afirmar que mesmo não tendo nascido aqui meu coração pertence a Balneário Camboriú. Com relação a escolha da minha profissão, eu acredito muito, por mais clichê que pareça, que somos escolhidos para essa profissão, visto todas as questões que a envolvem, onde o primordial é ser apaixonado por pessoas e todos os percalços que o ser humano e seus cuidados exigem, pois afinal, escolhemos cuidar do outro e não tratar, onde o principal de tudo isso é ajudar o próximo, ressalto também que minha escolha se deu pela ótima aceitação no mercado de trabalho e o leque que abrange todo ofício da enfermagem. Atuo como diretor de Enfermagem no HMRC desde 2017, onde me encho de orgulho ao visualizar tudo que foi construído até aqui, onde nosso intuito é prestar um serviço de saúde de qualidade a nossa população, diante do cenário atual, suponho que a palavra que nos define é MEDO, pois tudo é desconhecido, ninguém sabe o que pode, muito menos, o que vai acontecer, tudo não passa de suposição das experiências dos demais países; meu ponto de vista, nós não devemos nos desesperar, muito menos perder as esperanças de que tudo vai acabar o mais breve possível, não deixando de lado todo aprendizado e cuidado que esse momento crítico nos proporcionou. Estamos nos aproximando do Dia do Trabalhador, que coincidentemente é o mês da enfermagem, onde mais do que nunca, devemos ser homenageados diante do panorama atual, onde somos linha de frente e nosso maior prazer é ver nossos pacientes restabelecidos e de volta a sociedade”.


SINDICATOS E ENTIDADES DE CLASSE

OLGA FERREIRA é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar)

“Um dos dias mais importantes do ano é o Dia do Trabalhador, porque são eles que movimentam o mundo. Tanto que mesmo em pandemia, há esses valores sendo liberados pelo governo, acordos sendo feitos... tudo vem do trabalho, FGTS, PIS/PASEP, amparo ao trabalhador, taxas, impostos, tudo sai do Fundo do Trabalhador. Mesmo em quarentena, muitos estão loucos para trabalhar. São os trabalhadores que movimentam a economia, recebem do patrão e vão aos mercados, shopping. Tivemos cerca de 525 suspensões de contrato em Balneário, foi uma novidade esse tipo de negociação, com o objetivo dos trabalhadores retornarem para as empresas dentro de 30, 60 ou 90 dias. Nossa mão de obra é qualificada, temos prestadores de serviço, e toda empresa precisa de colaboradores assim. Conversei com muitos empresários e eles viram que compensa fazer a suspensão e não a demissão, pois pagam parte do salário e o resto o seguro desemprego cobre. Nossa categoria realmente gosta do que faz, ninguém trabalha com turismo e gastronomia sem gostar. Quem se efetiva é por amor, abrem mão do lazer, de feriados, férias, festas. Eu trabalhei 23 anos na hotelaria, sei o que falo. O Sechobar tem muito carinho pelos trabalhadores, apesar de não termos comemoração neste momento, nosso cuidado foi em firmar os dois termos aditivos para manter os trabalhos de muitos deles, junto ao Sindisol. As empresas também darão uma cesta básica por mês, aquelas que têm plano de saúde também vão manter. Negociamos muitas coisas. Parabenizo e agradeço a compreensão da classe, e mesmo de portas fechadas seguimos atendendo os trabalhadores, continuamos fiscalizando as empresas e focando nos direitos do nosso pessoal. Os trabalhadores são engrenagens essenciais nessa indústria do turismo e torcemos para que tudo passe logo”.

RAFAEL FELIPE DE SOUZA é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Balneário e de Camboriú (SECBC)

“Este ano está sendo atípico para todos os setores por conta da pandemia. Mudou todo o cenário do mercado de trabalho, assim como as expectativas de crescimento. Neste ano além do 1º de Maio ter a sua importância história, também estamos focando na garantia de empregos. Balneário Camboriú tem três feriados onde o comércio não trabalha, que é o Dia do Trabalhador, Natal e 1º de janeiro (abre somente a partir da tarde). O Dia do Trabalhador é uma questão de honra folgarmos, mas com tudo que vem acontecendo, junto com o Hélio Dagnoni, do sindicato patronal (Sindicato do Comércio Varejista de Balneário Camboriú (Sindilojas)), decidimos autorizar a abertura do comércio, mas somente neste ano. E autorizamos somente com pagamento de bônus ao trabalhador. Aqueles que trabalham em lojas de rua vão ganhar R$ 60, shoppings (incluindo grandes lojas de rede) R$ 75 e supermercados R$ 72. Esse valor precisa ser pago no 1º de Maio, e com mais uma folga que precisa ser dada em até 30 dias. Estamos abrindo mão do feriado somente neste ano. Muitas empresas seguiram a norma que autoriza a redução da jornada de trabalho e a suspensão de contratos, mas houve demissões também. A maioria está pensando que em dois meses a situação irá melhorar e os colaboradores vão poder retornar. Acreditamos em um horizonte um pouco melhor, esperamos isso. Neste momento celebramos os trabalhadores, ainda mais com tudo que estamos passando. O patrão é de suma importância, mas sem mão de obra a economia não gira”.

ANTÔNIO DEMOS é presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Balneário Camboriú (AMPE)

“O trabalho como um todo mudou com essa pandemia. A AMPE tem um quadro de cerca de 300 associados e 70% deles são MEIs (Micro Empreendedores Individuais), autônomos ou que deixaram de ser empregados e passaram a ser CNPJ, e continuam com a mesma força de trabalho de antes. Os demais são empresários de pequeno e médio porte. É um momento extremamente difícil, porém nos incentiva a usarmos a criatividade. Temos que ter perseverança, foco e criar alternativas em busca de uma nova realidade. Já sabemos que o ritmo de trabalho e consumo de antes não vamos ter agora. A saída da crise vai ser pelo trabalho, esforço e dinâmica de cada um. Sem renda não temos como sobreviver. O Dia do Trabalhador é importante para refletirmos sobre a força do trabalhador no desenvolvimento da economia, com essa pandemia ficou ainda mais claro o quanto o trabalhador é essencial. Ficamos felizes porque houve mais registros de aberturas de empresas do que fechamentos, há pessoas que estão empreendendo mesmo em meio a crise. Desde o primeiro momento trabalhamos junto aos associados buscando alternativas, também junto aos governos. Conseguimos bons resultados no sentido de dar suporte para as empresas não fecharem. Estaremos lançando em breve uma campanha para sensibilizar a comunidade a consumir primeiro de pequenas empresas e fornecedores locais, são esses os que mais precisam de apoio. Aproveito para lembrar que vamos ter que trabalhar arduamente para nos recuperarmos. Trabalhar é preciso”.

NELSON NITZ é presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Balneário Camboriú

“Com quase 70 anos de idade eu nunca havia vivenciado nada como isto. Todos estamos tentando sobreviver, o setor privado, comércio e a construção civil. Pressionamos o governo para liberar as construções, porque as obras não se fazem de um dia para o outro. Estamos trabalhando, mesmo que não em plena carga. Muitos dos colaboradores da construção civil estão tendo dificuldade por conta do transporte, e também dispensamos pessoas mais velhas. Acredito que em torno de 50 a 60% das equipes estão atuando, e com todo o aparato que a legislação exige, como máscaras, álcool em gel, higiene das mãos, distanciamento também. Não permitimos acumulação de muita gente em um local. Os mestres de obras e engenheiros estão sempre fiscalizando, evitando assim uma possível contaminação. Todos estamos preocupados. A economia de Balneário Camboriú é muito frágil, não podemos ficar sem produzir. Não podemos parar o Brasil por muito tempo. Nos cuidamos, mas não podemos parar de trabalhar, o correto é isolar aqueles que possuem mais risco. Os mais jovens podem trabalhar. O Dia do Trabalhador é uma data comemorativa importante, todo mundo depende do trabalhador e todos nós somos trabalhadores, tanto o patrão como o empregado e também os empreendedores. É muito bom estarmos retomando os trabalhos”.

SÉRGIO LUIZ DOS SANTOS é presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação, Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais de Santa Catarina (Secovi-SC), com sede em Balneário Camboriú

“O Secovi representa diversos segmentos e conseguimos contar com o apoio de nossa classe. Infelizmente alguns setores, como os shoppings e galerias, foram prejudicados, assim como as locações. Mas estamos lutando para reverter, trabalhando dentro da lei. Foi bastante importante a participação do sindicato laboral (Secovelar) também, na área dos condomínio, pois com tantas pessoas em casa se mostrou um serviço essencial. Não podíamos permitir que os condomínios ficassem sem esses colaboradores, e tivemos uma participação assídua deles, todos tomando os devidos cuidados. Quanto aos shoppings e galerias, estamos buscando as melhores formas para viabilizar, a reabertura deles deu uma grande atenuação, causando uma ‘fuga’ das pessoas em busca de um lugar, não necessariamente para consumo, mas para lazer, para ter um lugar diferente para ir, além do supermercado. Há ainda as funções administrativas dos shoppings, e isso prejudicou bastante. Houve acordos, antecipações de férias e negociações internas. Com certeza o fechamento das lojas atrapalhou a economia, mas a pandemia exigiu isso. Esperamos agora que o público volte a consumir e adquirir os produtos, que todos consigamos ter recursos. Os shoppings também vão fazer promoções para atrair os clientes. Balneário é uma cidade diferente, e estamos esperando para ver como vai ser a assiduidade e demanda do público. Precisamos saber como vai ser o consumo agora, se o público irá economizar ou gastar mais. Não há uma definição de quando a economia vai melhorar. O Dia do Trabalhador marca o atual cenário, onde os empregadores não podem garantir a função dos funcionários sem estarem recebendo, eles precisam ganhar para empregar. E os empregados são a ‘alavanca’ em todas as áreas; para serem recontratados ou mantidos em seus empregos o patrão precisa ter receita, é isso que estamos evidenciado. A esperança de dias melhores existe”.

HÉLIO DAGNONI é empresário e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Balneário Camboriú (Sindilojas)

“Temos muito orgulho de nunca abrir o comércio de Balneário Camboriú e Camboriú neste 1º de Maio, mas o sindicato laboral (SECBC) entendeu que se abríssemos seria uma forma de ajudar os empresários e também de manter os empregos. Houve uma concordância muito grande entre os dois sindicatos. Afinal, tudo que é fixo continua: aluguel, água, luz, contabilidade. Sabemos que nem todos os comércios vão abrir, porque a retomada está sendo fraca. Nós temos uma população de quase 30% que é grupo de risco, os idosos, e percebo que o pessoal está se ‘segurando’ em casa junto com suas famílias. Mas muitos comerciantes gostaram dessa exceção, será realmente somente neste ano que as lojas vão abrir. O 1º de Maio emendou, caiu em uma sexta-feira, junto com o sábado. Vejo que com tudo isso que aconteceu o nosso turismo tenderá a ser muito terrestre, as pessoas vão viajar confinadas dentro de seus carros, e dessa forma vão circular pelo comércio. Acredito que receberemos turistas vindos do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, e também os produtos de soja, que estão tendo um bom resultado considerando o preço do dólar. Sobre o Dia do Trabalhador, nessa pandemia que estamos enfrentando o trabalho se mostrou ainda mais importante. Mesmo em confinamento, comprovamos que todos querem trabalhar. O trabalho realmente nos enobrece”.

JOSÉ DOMINGOS MINELA integra a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Balneário Camboriú (Siticom)

“O 1º de Maio é uma data histórica, a cada ano que passa os trabalhadores a utilizam para comemorar, fazem atos sociais, pedidos por melhoras salariais. O Brasil progrediu muito nos últimos anos, mas esse atual governo conseguiu destruir isso tudo, com o fim do Ministério do Trabalho e com os setores que defendiam os trabalhadores sendo prejudicados. Como sindicato lamentamos muito o desgoverno que aí está. O Dia do Trabalhador deveria ser uma data comemorativa para nós e infelizmente todas as categorias laborais estão vivendo isso tudo que vem acontecendo. Esperamos que dias melhores venham para os trabalhadores do Brasil, pois quem leva o país é a classe trabalhadora. O próprio presidente quer que os trabalhadores voltem a trabalhar, a produção está na mão do trabalhador, a tecnologia não conseguiu substituir o humano. No cenário da construção civil em Balneário Camboriú, as demissões que aconteceram foram dentro do normal. Há muita rotatividade na indústria da construção. Começa uma obra e as empresas contratam, termina e demitem, é uma rotatividade enorme de empregos; mas houve redução de salário e de jornadas também. A situação que vivemos é muito grave, há uma perspectiva de futuro, mas o trabalhador está um pouco perdido, há uma preocupação de saber o que vai acontecer. Está tudo muito complexo, sabemos que não vai se resolver de um dia para o outro. É algo a longo prazo. Mesmo assim, o Siticom deseja um bom feriado e bom fim de semana para todos, e lembramos que o isolamento social é necessário. Precisamos preservar a nossa saúde. Logo vamos passar por isso tudo e recomeçar o trabalho e seguir a vida com alegria e confraternizações”.



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Esse Dia do Trabalhador entrará para a história devido à perda de milhares de vidas e milhões de empregos

Sexta-feira, 1 de maio de 2020, traz esperança, deseja o Guarda Municipal

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Quinta, 30/4/2020 9:42.

Neste Dia do Trabalhador, sexta-feira, primeiro dia de maio, não haverá festas, comemorações, passeatas, nem manifestações, mas com certeza ele entrará para a história como uma data inédita, onde o mundo assiste a perda de milhares de vidas e junto, a perda de milhões de empregos. O Coronavírus provocou uma pandemia na saúde mundial e outra tragédia na economia mundial. Balneário Camboriú que certamente receberia grande número de turistas neste feriado prolongado, vai ter uma novidade: pela primeira vez em anos, o comércio tem autorização para abrir (somente em duas datas as lojas não abrem na cidade: 25 de dezembro e 1º de maio, além de 1º de janeiro somente a partir da tarde). Com a economia em jogo, por conta da pandemia, o comércio que reabriu há alguns dias, recebeu sinal verde para trabalhar, assim como os bares e restaurantes.

Para lembrar esta data histórica, a reportagem do Página 3 conversou com o prefeito Fabrício Oliveira, sindicatos e profissionais, como trabalhadores do turismo, construção civil, educação e saúde que opinaram sobre o significado deste Dia, que se mostra ainda mais significativo.

Crédito: Ivan Rupp

FABRÍCIO OLIVEIRA, prefeito de Balneário Camboriú

“O Dia do Trabalhador nunca foi tão importante e essencial como este, para fazer uma reflexão sobre tudo que está acontecendo. Estamos passando por um 1 de Maio onde o trabalho se tornou algo incerto e preocupante. Mas quero tranquilizar os trabalhadores, tenho certeza que Balneário Camboriú vai ser a primeira cidade a sair disso e nós vamos conseguir proporcionar toda segurança necessária para quem virá nos visitar, pois todos nós dependemos do turismo. A condição de retomada será importante para a cidade e para cada trabalhador, mas para isso acontecer, precisamos ter todo o cuidado para o quadro não se agravar. Com todas as medidas tomadas ao longo desse período difícil, eu acredito muito que no próximo 1 de Maio poderemos comemorar como sempre fizemos”.

Creditos: Ivan Rupp e DivulgaçãoO prefeito Fabricio trabalhando usando máscara e visitando comunidades.
Marcela Spagnol e o gerente Osny Maciel Junior

MARCELA SPAGNOL é graduada em Turismo e gerente comercial do Hotel Sibara, onde trabalha há 10 anos (na área atua há 14)

“Sou do interior de São Paulo, e vim para Balneário Camboriú fazer faculdade, me apaixonei pela cidade e fiquei por aqui. O Coronavírus foi um susto muito grande para todos, jamais esperávamos uma crise de tal proporção, mas por outro lado aproveitamos para rever conceitos. O receio e o medo existem, mas seguimos com o ‘motor funcionando’, tendo em mente que essa crise será uma propulsão para aumentar empregos mais para frente, planejando uma retomada num futuro próximo. No Sibara, a diretoria se preocupa conosco, eles passaram a olhar ainda mais para dentro da empresa, buscando minimizar impactos junto aos colaboradores, mesmo sabendo que é muito difícil reverter certos aspectos imediatamente. Dialogamos junto com eles sobre as medidas a serem tomadas, eles se preocupam com a saúde da equipe, quem vem para o hotel usa máscara e segue todas as normas de segurança. Estamos atuando neste momento com 25 pessoas, nossa equipe tem cerca de 60 colaboradores, estão acontecendo revezamentos de férias, mas houve alguns desligamentos também. Somos um dos maiores hotéis de Balneário, tanto em questão estrutural como em equipe de colaboradores. O Dia do Trabalhador ressalta a força para a economia, além da questão da importância de estarmos juntos, da equipe pensar junto, focando tanto na temporada como agora. Essa situação que estamos vivendo é tão maior, mas não deixamos de planejar a retomada e pensar no futuro da economia. Estamos também sempre em contato com o Sechobar (Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região), o nosso gerente, Osny Maciel Júnior, também preside o Comtur (Conselho Municipal de Turismo de Balneário Camboriú) e temos contato com o Sindisol (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região). Sem dúvida a união entre entidades também é essencial, assim como a comunicação linear com os colaboradores e a gestão. Todos estamos com medo, desde quem auxilia na ponta da cadeia até os grandes empresários, por isso precisamos permanecer unidos”.

JOAQUIM VIEIRA é garçom no restaurante Chaplin há 23 anos, desde maio de 1997

“Para nós da área de restaurantes, turismo em geral, está bem complicado. Estava todo mundo achando que essa pandemia iria ficar lá para a Europa e acabamos tendo que entrar em umas férias coletivas. Após isso, suspendemos os contratos e agora estamos retornando as atividades, mas com equipe e horários reduzidos. Esperamos que com mais um tempo possamos estar todos na ativa novamente. O Sechobar como sempre fez, está nos apoiando, preocupados com todos os colaboradores da região, que são em torno de sete a oito mil funcionários. Foi feito o acordo da Medida Provisória 936 com o Sindicato Patronal, o Sindisol, e o Sechobar com apoio de toda a nossa diretoria, e esperamos que tudo vá melhorando, para que todos consigam voltar o mais rápido possível. O Dia do Trabalhador sempre foi considerado um dia de festa, nós da categoria dos garçons sempre trabalhamos nesse dia, comemorávamos antes da data ou após, com funcionários e também pessoal do sindicato. O que temos que fazer agora é torcer para que tudo passe logo e que todos consigam voltar para os seus postos de trabalho com saúde. Gostaria de deixar um abraço especial para toda a nossa categoria de restaurantes e hotéis de Balneário Camboriú e para todos os trabalhadores do Brasil, especialmente também para os da área da Saúde, que estão na linha de frente e precisam do nosso apoio”.

VALDEIR MANOEL DA SILVA, 47, é pescador nativo do Bairro da Barra, pesca desde os 13 anos, é filho de pescador e atualmente preside a Colônia de Pescadores de Balneário Camboriú

“Esse Dia do Trabalhador vai ser de muito trabalho para nós pescadores, porque é quando inicia a safra da tainha, que segue até 31 de julho. Será diferente, já que estamos passando por esse momento de pandemia. Não poderá ter tumulto na pesca, no máximo cinco ou seis pescadores por barco, dependendo do tamanho de cada canoa. As equipes dos ranchos foram liberadas, mas também cuidando com as aglomerações, usando máscara, mantendo o distanciamento. Estamos todos com boas expectativas para essa safra, já que é ano bissexto e os antigos dizem que isso ajuda. A esperança é a última que morre, e isso vale também para o Corona. O Dia do Trabalhador normalmente é uma pausa para descansar, mas para nós pescadores, se Deus quiser, vai marcar o início de um bom trabalho, o começo de um bom ano”.

ADRIANO RAMÍLIO é Guarda Municipal 1ª Classe

“Sou Guarda Municipal da 1ª turma, comecei a trabalhar em janeiro de 2013. Sempre gostei da área da segurança, era agente prisional, e resolvi seguir carreira na GM, em Balneário. O Coronavírus é um fato atípico, somos da linha de frente junto com os profissionais da saúde. É um momento difícil, mas vamos superar. Sou motorista da Supervisão, então estamos 24h nas ruas, apoiando também nas barreiras, e junto da Secretaria de Educação na entrega das cestas básicas (kits de merenda) para as famílias dos alunos. O Dia do Trabalho traz esperança, principalmente neste momento. Estamos ansiosos para que o Coronavírus acabe, apesar de não sabermos quando isso vai acontecer. Trabalhamos para conquistar o futuro, enquanto muitas pessoas podiam e deveriam ficar em suas casas, nós continuamos a trabalhar, com escalas o tempo todo. Nos preocupamos com as nossas famílias, tem a questão psicológica também, com as notícias ruins, mas seguimos nos cuidando, higienizando uniformes, botas e viaturas, tomando os principais cuidados para não nos infectarmos. Todos nós guardas temos kits com máscaras, luvas e álcool em gel para usarmos no dia a dia. O nosso pedido é para as pessoas se conscientizarem, fazemos o possível para orientar e a grande maioria ainda acha que é conversa fiada e infelizmente não dão a devida importância para isso tudo que estamos vivendo”.

ALMIR DA SILVA é funcionário efetivo da Secretaria de Obras, atuando no departamento há 18 anos, neste momento ele é responsável pelo setor de Drenagem

“Sou pedreiro e atualmente sou o responsável pela coordenação da equipe de Drenagem, que conta com 20 homens. Muitas coisas mudaram no nosso trabalho neste momento, só podemos trabalhar mascarados, não pode haver aglomeração, nos cuidamos com álcool em gel. Nossas caminhonetes foram adaptadas para nos higienizarmos com frequência também. Nós cobramos uns dos outros e há fiscalização por parte da Secretaria. No começo as equipes não queriam se cuidar, achavam que não era necessário, mas agora se mostraram mais conscientes, somos realmente determinados a seguir pelo bem da nossa saúde e de todos. Antes da pandemia conseguíamos ir em seis, oito homens por obra, agora é no máximo quatro. Na medida do possível dividimos as equipes, às vezes o serviço pode demorar um pouco mais, mas temos que nos cuidar. Neste Dia do Trabalhador estamos tranquilos, temos que agradecer por sermos funcionários públicos, porque realmente tem muita gente passando necessidade. O funcionário público acaba tendo uma segurança maior, temos garantia de serviço. É assustador o que venho escutando de pedreiros de construtoras, salário diminuiu, demissões também. Só vamos trabalhar nesse dia 1º se acontecer algo urgente, como um buraco na rua, algo que precise mesmo, e aí pagamos a hora”.

MOISÉS BENTO DAS NEVES é mestre de obras da Construtora N Nitz, onde trabalha há seis anos

“Comecei há 12 anos na construção civil como auxiliar de pedreiro e hoje sou mestre de obras na N Nitz. O Coronavírus mudou bastante coisa no nosso trabalho, principalmente a questão dos cuidados de nós trabalhadores, estamos tendo que tomar distância e sem aglomerações, máscara e luvas também. Nossas equipes diminuíram, alguns estão de férias, quando um volta outro entra. Demissão até agora não houve nenhuma. Neste Dia do Trabalhador eu vejo que o pessoal está assustado, não temos a mesma esperança do começo do ano, mas seguimos trabalhando. Há a ansiedade de saber o que vai acontecer, mas temos o apoio dos patrões, que estão bastante presentes, direto em contato com a gente. Tentamos passar entre nós colaboradores que é uma fase ruim e que vai passar. Temos que continuar nos cuidando e rezar para tudo dar certo e logo voltar ao normal como era no começo ano”.

PAULO KOHI BRAGA, tecnólogo em Logística, é coordenador do setor de mercearia do Supermercado Bistek de Balneário Camboriú

“Iniciei minha carreira no ramo varejista em 1999 numa rede de supermercados aqui da região do Vale do Itajaí, onde trabalhei por quase 15 anos, quando em 2014 recebi o convite para vir conhecer a rede Bistek de supermercados e também então vir trabalhar nela. Resolvi encerrar esse ciclo de quase 15 anos na minha vida e aceitei esse novo desafio. Iniciei em umas das filiais de Florianópolis como coordenador de mercearia, passando também pela filial de Navegantes, Itajaí, e há quase três anos estou coordenando o setor de mercearia da loja de Balneário, desde a inauguração. É realmente um desafio, pois sabíamos da grande responsabilidade que seria conquistar a confiança da comunidade, dos novos clientes, por causa dos nossos concorrentes que já estavam há muito mais tempo estabelecidos na cidade. A pandemia de Coronavírus acredito que foi complicado para todos nós colaboradores, não somente da nossa loja, mas do comércio em geral. No início o medo era um pouco menor, mas conforme foram aumentando os casos no país e também no Estado, começou a aumentar, pois ainda não sabíamos realmente o que estávamos enfrentando. Quando surgiram os primeiros decretos no Estado, a preocupação por parte da empresa com nós colaboradores e clientes foi muito grande. A diretoria da empresa se reuniu com os supervisores da rede e juntos criaram um comitê interno, o qual seria responsável por passar para todas as lojas as medidas de precauções que deveriam ser tomadas. No momento a situação ainda é de grande preocupação, e de consciência de que todos nós cada vez mais devemos nos cuidar. Orientando sempre quanto a importância do uso da máscara, que hoje é obrigatória e também da grande importância da higienização das mãos a todo momento. O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (SECBC) desde os nossos primeiros dias aqui na cidade sempre foi muito presente com nós. Também tiveram que acatar o decreto do governador assim como todos, mas logo que foi liberada as atividades na cidade, o Rafael, presidente da entidade nos comunicou que o sindicato tinha retomado as atividades na sede de Balneário se colocando à disposição caso necessitasse. Vejo que o Dia 1º de Maio é uma data muito importante pra todos nós, porque nele é prestada uma homenagem a todos nós trabalhadores, que fazemos a grandeza desse país, que garantimos a vida das nossas famílias. Acredito que este ano, até pela situação que vivemos hoje no país devido a pandemia, o Dia do Trabalhador será uma data muito diferente de todos os anos, onde se tinham comemorações, confraternizações com colegas de trabalho, e também algumas manifestações sempre pela luta dos nossos direitos que cada vez mais nos tiram. Este ano será uma data pra ficar mais perto da família ou até um momento real de reflexão sobre tudo que estamos passando no país hoje, tanto pelo Coronavírus quanto politicamente e também economicamente”.

MARCOS CORRÊA AGUIAR é professor de Educação Física na rede estadual há dois anos, mas atua na área há 10

“Tem sido um desafio muito grande dar aulas de Educação Física à distância para os meus alunos porque estou acostumado ao dia a dia com o aluno, na quadra, no corpo a corpo. Transformar um conteúdo de Educação Física, que boa parte dele é prático, para algo teórico foi realmente um grande desafio, o qual eu aceitei. Acabei criando um canal no YouTube (https://www.youtube.com/channel/UCprau44Bd_vK353hPRg-KKw), onde eu gravo as minhas videoaulas, com conteúdo sobre sistema ósseo, lutas e apresento para os alunos. Foi a maneira que eu criei para interagirmos, e a Educação Física ter a sua continuidade. Os alunos vêm realizando as atividades, em torno de 60% interagem. Aqueles que não têm acesso à internet retiram os materiais impressos para fazer as atividades também. Eu sinto que mesmo com toda essa dificuldade, estamos conseguindo cumprir o nosso papel. O nosso sindicato, o Sinte, acompanho através das redes sociais os posicionamentos. Eles não veem com bons olhos a questão das aulas à distância porque acreditam que não atingem o todo e colocam em risco a saúde dos alunos. Nas escolas onde eu leciono tomamos todos os cuidados para os alunos que vão buscar esses materiais. Nem todos são a favor desse formato online, mas diante de tudo, nós professores estamos dando o nosso máximo. É dificultoso para nós, mas não tem sido impossível trabalhar à distância. A união dos professores têm sido muito bacana, tentamos nos ajudar quando há alguma dificuldade. Eu vim de família humilde, tive que trancar a faculdade por três vezes, mas nunca desisti do meu sonho, que era ser professor de Educação Física, inspirado por dois professores meus, Eraste (que ‘premeditou’ que ele seria professor de Educação Física ou atleta) e Odon, ainda em São Borja, no Rio Grande do Sul. Eu sempre me vi sendo professor. Acredito que este 1º de Maio, Dia do Trabalhador, vai ficar marcado em nossas vidas. Essa data tem um simbolismo muito forte, visto que estamos no meio de uma pandemia e mesmo assim muitos voltaram ao mercado de trabalho até para manter o sustento de suas famílias e sabendo que, diante de tudo isso, também estão colocando as suas vidas em risco”.

RICARDO LORENZ BRODERSEM, diretor de Enfermagem do Hospital Municipal Ruth Cardoso

“Nasci em Blumenau, porém desde minha infância desfruto das belezas e prazeres que é viver em BC, logo posso afirmar que mesmo não tendo nascido aqui meu coração pertence a Balneário Camboriú. Com relação a escolha da minha profissão, eu acredito muito, por mais clichê que pareça, que somos escolhidos para essa profissão, visto todas as questões que a envolvem, onde o primordial é ser apaixonado por pessoas e todos os percalços que o ser humano e seus cuidados exigem, pois afinal, escolhemos cuidar do outro e não tratar, onde o principal de tudo isso é ajudar o próximo, ressalto também que minha escolha se deu pela ótima aceitação no mercado de trabalho e o leque que abrange todo ofício da enfermagem. Atuo como diretor de Enfermagem no HMRC desde 2017, onde me encho de orgulho ao visualizar tudo que foi construído até aqui, onde nosso intuito é prestar um serviço de saúde de qualidade a nossa população, diante do cenário atual, suponho que a palavra que nos define é MEDO, pois tudo é desconhecido, ninguém sabe o que pode, muito menos, o que vai acontecer, tudo não passa de suposição das experiências dos demais países; meu ponto de vista, nós não devemos nos desesperar, muito menos perder as esperanças de que tudo vai acabar o mais breve possível, não deixando de lado todo aprendizado e cuidado que esse momento crítico nos proporcionou. Estamos nos aproximando do Dia do Trabalhador, que coincidentemente é o mês da enfermagem, onde mais do que nunca, devemos ser homenageados diante do panorama atual, onde somos linha de frente e nosso maior prazer é ver nossos pacientes restabelecidos e de volta a sociedade”.


SINDICATOS E ENTIDADES DE CLASSE

OLGA FERREIRA é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar)

“Um dos dias mais importantes do ano é o Dia do Trabalhador, porque são eles que movimentam o mundo. Tanto que mesmo em pandemia, há esses valores sendo liberados pelo governo, acordos sendo feitos... tudo vem do trabalho, FGTS, PIS/PASEP, amparo ao trabalhador, taxas, impostos, tudo sai do Fundo do Trabalhador. Mesmo em quarentena, muitos estão loucos para trabalhar. São os trabalhadores que movimentam a economia, recebem do patrão e vão aos mercados, shopping. Tivemos cerca de 525 suspensões de contrato em Balneário, foi uma novidade esse tipo de negociação, com o objetivo dos trabalhadores retornarem para as empresas dentro de 30, 60 ou 90 dias. Nossa mão de obra é qualificada, temos prestadores de serviço, e toda empresa precisa de colaboradores assim. Conversei com muitos empresários e eles viram que compensa fazer a suspensão e não a demissão, pois pagam parte do salário e o resto o seguro desemprego cobre. Nossa categoria realmente gosta do que faz, ninguém trabalha com turismo e gastronomia sem gostar. Quem se efetiva é por amor, abrem mão do lazer, de feriados, férias, festas. Eu trabalhei 23 anos na hotelaria, sei o que falo. O Sechobar tem muito carinho pelos trabalhadores, apesar de não termos comemoração neste momento, nosso cuidado foi em firmar os dois termos aditivos para manter os trabalhos de muitos deles, junto ao Sindisol. As empresas também darão uma cesta básica por mês, aquelas que têm plano de saúde também vão manter. Negociamos muitas coisas. Parabenizo e agradeço a compreensão da classe, e mesmo de portas fechadas seguimos atendendo os trabalhadores, continuamos fiscalizando as empresas e focando nos direitos do nosso pessoal. Os trabalhadores são engrenagens essenciais nessa indústria do turismo e torcemos para que tudo passe logo”.

RAFAEL FELIPE DE SOUZA é presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Balneário e de Camboriú (SECBC)

“Este ano está sendo atípico para todos os setores por conta da pandemia. Mudou todo o cenário do mercado de trabalho, assim como as expectativas de crescimento. Neste ano além do 1º de Maio ter a sua importância história, também estamos focando na garantia de empregos. Balneário Camboriú tem três feriados onde o comércio não trabalha, que é o Dia do Trabalhador, Natal e 1º de janeiro (abre somente a partir da tarde). O Dia do Trabalhador é uma questão de honra folgarmos, mas com tudo que vem acontecendo, junto com o Hélio Dagnoni, do sindicato patronal (Sindicato do Comércio Varejista de Balneário Camboriú (Sindilojas)), decidimos autorizar a abertura do comércio, mas somente neste ano. E autorizamos somente com pagamento de bônus ao trabalhador. Aqueles que trabalham em lojas de rua vão ganhar R$ 60, shoppings (incluindo grandes lojas de rede) R$ 75 e supermercados R$ 72. Esse valor precisa ser pago no 1º de Maio, e com mais uma folga que precisa ser dada em até 30 dias. Estamos abrindo mão do feriado somente neste ano. Muitas empresas seguiram a norma que autoriza a redução da jornada de trabalho e a suspensão de contratos, mas houve demissões também. A maioria está pensando que em dois meses a situação irá melhorar e os colaboradores vão poder retornar. Acreditamos em um horizonte um pouco melhor, esperamos isso. Neste momento celebramos os trabalhadores, ainda mais com tudo que estamos passando. O patrão é de suma importância, mas sem mão de obra a economia não gira”.

ANTÔNIO DEMOS é presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Balneário Camboriú (AMPE)

“O trabalho como um todo mudou com essa pandemia. A AMPE tem um quadro de cerca de 300 associados e 70% deles são MEIs (Micro Empreendedores Individuais), autônomos ou que deixaram de ser empregados e passaram a ser CNPJ, e continuam com a mesma força de trabalho de antes. Os demais são empresários de pequeno e médio porte. É um momento extremamente difícil, porém nos incentiva a usarmos a criatividade. Temos que ter perseverança, foco e criar alternativas em busca de uma nova realidade. Já sabemos que o ritmo de trabalho e consumo de antes não vamos ter agora. A saída da crise vai ser pelo trabalho, esforço e dinâmica de cada um. Sem renda não temos como sobreviver. O Dia do Trabalhador é importante para refletirmos sobre a força do trabalhador no desenvolvimento da economia, com essa pandemia ficou ainda mais claro o quanto o trabalhador é essencial. Ficamos felizes porque houve mais registros de aberturas de empresas do que fechamentos, há pessoas que estão empreendendo mesmo em meio a crise. Desde o primeiro momento trabalhamos junto aos associados buscando alternativas, também junto aos governos. Conseguimos bons resultados no sentido de dar suporte para as empresas não fecharem. Estaremos lançando em breve uma campanha para sensibilizar a comunidade a consumir primeiro de pequenas empresas e fornecedores locais, são esses os que mais precisam de apoio. Aproveito para lembrar que vamos ter que trabalhar arduamente para nos recuperarmos. Trabalhar é preciso”.

NELSON NITZ é presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) de Balneário Camboriú

“Com quase 70 anos de idade eu nunca havia vivenciado nada como isto. Todos estamos tentando sobreviver, o setor privado, comércio e a construção civil. Pressionamos o governo para liberar as construções, porque as obras não se fazem de um dia para o outro. Estamos trabalhando, mesmo que não em plena carga. Muitos dos colaboradores da construção civil estão tendo dificuldade por conta do transporte, e também dispensamos pessoas mais velhas. Acredito que em torno de 50 a 60% das equipes estão atuando, e com todo o aparato que a legislação exige, como máscaras, álcool em gel, higiene das mãos, distanciamento também. Não permitimos acumulação de muita gente em um local. Os mestres de obras e engenheiros estão sempre fiscalizando, evitando assim uma possível contaminação. Todos estamos preocupados. A economia de Balneário Camboriú é muito frágil, não podemos ficar sem produzir. Não podemos parar o Brasil por muito tempo. Nos cuidamos, mas não podemos parar de trabalhar, o correto é isolar aqueles que possuem mais risco. Os mais jovens podem trabalhar. O Dia do Trabalhador é uma data comemorativa importante, todo mundo depende do trabalhador e todos nós somos trabalhadores, tanto o patrão como o empregado e também os empreendedores. É muito bom estarmos retomando os trabalhos”.

SÉRGIO LUIZ DOS SANTOS é presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação, Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais de Santa Catarina (Secovi-SC), com sede em Balneário Camboriú

“O Secovi representa diversos segmentos e conseguimos contar com o apoio de nossa classe. Infelizmente alguns setores, como os shoppings e galerias, foram prejudicados, assim como as locações. Mas estamos lutando para reverter, trabalhando dentro da lei. Foi bastante importante a participação do sindicato laboral (Secovelar) também, na área dos condomínio, pois com tantas pessoas em casa se mostrou um serviço essencial. Não podíamos permitir que os condomínios ficassem sem esses colaboradores, e tivemos uma participação assídua deles, todos tomando os devidos cuidados. Quanto aos shoppings e galerias, estamos buscando as melhores formas para viabilizar, a reabertura deles deu uma grande atenuação, causando uma ‘fuga’ das pessoas em busca de um lugar, não necessariamente para consumo, mas para lazer, para ter um lugar diferente para ir, além do supermercado. Há ainda as funções administrativas dos shoppings, e isso prejudicou bastante. Houve acordos, antecipações de férias e negociações internas. Com certeza o fechamento das lojas atrapalhou a economia, mas a pandemia exigiu isso. Esperamos agora que o público volte a consumir e adquirir os produtos, que todos consigamos ter recursos. Os shoppings também vão fazer promoções para atrair os clientes. Balneário é uma cidade diferente, e estamos esperando para ver como vai ser a assiduidade e demanda do público. Precisamos saber como vai ser o consumo agora, se o público irá economizar ou gastar mais. Não há uma definição de quando a economia vai melhorar. O Dia do Trabalhador marca o atual cenário, onde os empregadores não podem garantir a função dos funcionários sem estarem recebendo, eles precisam ganhar para empregar. E os empregados são a ‘alavanca’ em todas as áreas; para serem recontratados ou mantidos em seus empregos o patrão precisa ter receita, é isso que estamos evidenciado. A esperança de dias melhores existe”.

HÉLIO DAGNONI é empresário e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Balneário Camboriú (Sindilojas)

“Temos muito orgulho de nunca abrir o comércio de Balneário Camboriú e Camboriú neste 1º de Maio, mas o sindicato laboral (SECBC) entendeu que se abríssemos seria uma forma de ajudar os empresários e também de manter os empregos. Houve uma concordância muito grande entre os dois sindicatos. Afinal, tudo que é fixo continua: aluguel, água, luz, contabilidade. Sabemos que nem todos os comércios vão abrir, porque a retomada está sendo fraca. Nós temos uma população de quase 30% que é grupo de risco, os idosos, e percebo que o pessoal está se ‘segurando’ em casa junto com suas famílias. Mas muitos comerciantes gostaram dessa exceção, será realmente somente neste ano que as lojas vão abrir. O 1º de Maio emendou, caiu em uma sexta-feira, junto com o sábado. Vejo que com tudo isso que aconteceu o nosso turismo tenderá a ser muito terrestre, as pessoas vão viajar confinadas dentro de seus carros, e dessa forma vão circular pelo comércio. Acredito que receberemos turistas vindos do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, e também os produtos de soja, que estão tendo um bom resultado considerando o preço do dólar. Sobre o Dia do Trabalhador, nessa pandemia que estamos enfrentando o trabalho se mostrou ainda mais importante. Mesmo em confinamento, comprovamos que todos querem trabalhar. O trabalho realmente nos enobrece”.

JOSÉ DOMINGOS MINELA integra a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Balneário Camboriú (Siticom)

“O 1º de Maio é uma data histórica, a cada ano que passa os trabalhadores a utilizam para comemorar, fazem atos sociais, pedidos por melhoras salariais. O Brasil progrediu muito nos últimos anos, mas esse atual governo conseguiu destruir isso tudo, com o fim do Ministério do Trabalho e com os setores que defendiam os trabalhadores sendo prejudicados. Como sindicato lamentamos muito o desgoverno que aí está. O Dia do Trabalhador deveria ser uma data comemorativa para nós e infelizmente todas as categorias laborais estão vivendo isso tudo que vem acontecendo. Esperamos que dias melhores venham para os trabalhadores do Brasil, pois quem leva o país é a classe trabalhadora. O próprio presidente quer que os trabalhadores voltem a trabalhar, a produção está na mão do trabalhador, a tecnologia não conseguiu substituir o humano. No cenário da construção civil em Balneário Camboriú, as demissões que aconteceram foram dentro do normal. Há muita rotatividade na indústria da construção. Começa uma obra e as empresas contratam, termina e demitem, é uma rotatividade enorme de empregos; mas houve redução de salário e de jornadas também. A situação que vivemos é muito grave, há uma perspectiva de futuro, mas o trabalhador está um pouco perdido, há uma preocupação de saber o que vai acontecer. Está tudo muito complexo, sabemos que não vai se resolver de um dia para o outro. É algo a longo prazo. Mesmo assim, o Siticom deseja um bom feriado e bom fim de semana para todos, e lembramos que o isolamento social é necessário. Precisamos preservar a nossa saúde. Logo vamos passar por isso tudo e recomeçar o trabalho e seguir a vida com alegria e confraternizações”.



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