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PÁGINA 3 / Educação
Dilemas e abismos marcam discussões sobre retorno às aulas presenciais

Quinta, 13/8/2020 18:04.
Foto: Freepik

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Daniele Sisnandes
As salas de aula são ecossistemas multifacetados, que reúnem por natureza, realidades muito diferentes. A pandemia de Covid-19 forçou a uma adaptação de métodos, mas só vamos entender no futuro se esses esforços conseguiram substituir as aulas presenciais. Agora, a discussão é acerca do retorno. Se de um lado, especialistas e pais temem a volta das aulas presenciais pela falta de uma vacina, há também uma grande preocupação de que se não voltarem, o abismo na educação só vai aumentar.
-

Os desafios se multiplicam, mas os avanços também

Augusto Cruz, professor de Língua Portuguesa no Colégio Fayal (Itajaí) e Colégio Energia (BC), relata que a necessidade levou a uma adequação rápida para as aulas online. Em questão de semanas o sistema foi redesenhado e melhorado através de feedbacks.

“Neste processo, estamos percorrendo um caminho que dificilmente será esquecido. As descobertas que estamos fazendo serão a chave para uma nova educação no futuro. Contudo, hoje o desafio tem sido lidar com as questões da saúde mental”.

O professor Augusto entende que além dos aspectos da pandemia e do distanciamento social, há outros obstáculos a serem vencidos.

“É difícil manter motivação e engajamento, especialmente nos alunos. Há um desgaste mental de todos, são muitas horas diante das telas todos os dias e muitos meses longe das pessoas que faziam parte do dia a dia”.

Ponto positivo

“Estudos já demonstram que a pandemia vem proporcionando a revolução tecnológica que a Educação precisava (não só no Brasil, mas no mundo). Demos um importante passo a caminho das inovações educacionais e do sistema de ensino híbrido (que utiliza o remoto como potencializador do presencial) sendo este o melhor cenário para o futuro”, afirma.

Pontos de atenção

“Também me preocupo com a rede pública de ensino. Existem muitas realidades e sei que as aulas remotas não atingem todas. Infelizmente, a desigualdade educacional que já era escancarada no Brasil, hoje é um abismo”.

Aulas presenciais

Augusto Cruz opina ainda que o retorno deve acontecer com segurança, após a vacina. Ele lembra que as tentativas de retorno às aulas presenciais levaram a novos avanços da doença em muitos lugares do mundo.


“Já tentei prever o que iria acontecer e desisti”

Fabio Schmitz Meyer, professor de Filosofia, História e Informática no Liceu Catarinense, conta que as adaptações deram bons resultados. Ter conhecimento sobre tecnologia e o fato de o colégio já usar uma plataforma antes da pandemia, também ajudaram. Entretanto, não foi assim para todos.

“A maioria dos professores não tinha a formação e as ferramentas necessárias. Muitos desistiram por vários fatores, seja pela falta de conhecimento na área de informática, seja por não possuir um bom computador, seja por falta de internet, é até mesmo pela questão salarial que não é nada atraente sendo que o volume de trabalho aumentou muito”.

Pontos positivos:

“Eu possuía computador e internet, já tinha um canal no YouTube e no Facebook e conhecia o funcionamento destas plataformas. O Liceu Catarinense possuía um portal onde já tínhamos sido treinados, e fomos rápidos em nossa reação. Algumas escolas não possuíam portal e demoraram um pouco”.

Pontos de atenção

“No começo foi difícil programar uma agenda, o que me deixou bastante nervoso. Tinha que gravar as aulas, editar, jogar no YouTube e depois produzir a aula no portal. Sem falar no atendimento aos alunos que de início buscavam informações a qualquer hora do dia e qualquer dia da semana”.

Aulas presenciais

Pensando em um possível retorno, o colégio já promoveu curso de formação explicando as mudanças físicas, mas Fábio tem preocupações.

“Não acredito que seja possível controlar a proximidade dos alunos dentro da escola. Acredito também que a maioria dos pais não deixará seus filhos retornarem enquanto não tivermos uma vacina”, pondera.


Acesso e estrutura preocupam

A educadora Josiane Schueda vivenciou duas realidades durante esta pandemia: uma como professora no ensino superior e outra como orientadora educacional no Centro Educacional Dona Lili, na Barra. Ela alerta para a falta de estrutura de escolas, professores e famílias e como isso está impactando o acesso à educação.

“Enquanto professora, precisei pesquisar, assistir tutoriais no Youtube, estudar ferramentas, comprar programas e trocar o provedor de internet da minha casa. Grande aprendizado, porém, como meu trabalho foi com alunos do ensino superior, considero que tenha sido mais fácil do que para os professores com alunos do ensino fundamental”, descreve.

Já como orientadora educacional, ela relata a dificuldade em contatar alunos e pais para orientá-los sobre o acesso à plataforma. Apesar da estrutura oferecida pela escola, grande parte dos pais não atualizou seus contatos no início do ano.

Aulas Presenciais

“Defendo a volta às aulas presenciais, desde que atendidas todas as normas estabelecidas pelos órgãos da saúde. Posso até estar errada, porém acredito que o maior impacto para a educação, neste momento, seja a não presença de alunos e professores nas escolas. Tem várias discrepâncias com as aulas online. Grande parte dos alunos de escolas públicas não têm recursos para participar das aulas, os próprios professores receberam pouca ou nenhuma orientação para um trabalho online. Alguns também não possuem equipamentos para programarem e realizarem suas aulas online".


Início foi rodeado de incertezas

“Quando iniciamos as aulas remotamente, a tutora nos passou tranquilidade e mesmo à distância deu seu melhor, o que resultou em mais confiança. Continuamos com a troca de experiências e aprendizados que farão a diferença”, relata a acadêmica de Pedagogia e monitora de inclusão na rede municipal de Camboriú, Suellen Caroline Pereira.

Aulas presenciais

“Creio que será desafiador, principalmente para os pequenos, pois as crianças gostam de brincar e estar próximas. Nas faculdades, acredito ser um pouco mais fácil, mas vai de cada indivíduo. Não me sinto totalmente segura para retornar, mas creio que algo positivo ainda virá”.


Depois da ansiedade inicial, a chance de se recriar

Segundo Gilmara de Moraes Heusser, psicopedagoga, tutora do ensino superior e especialista em Educação Infantil e Séries Iniciais, o isolamento social levou a ajustes, da prática à didática.

“A princípio foi desafiador, até um pouco assustador, tivemos que aprender rapidamente gravar aulas, nos aproximar de muitos aplicativos editores de vídeos e até lecionar virtualmente”.

Pontos positivos

"Prefiro acreditar que esse momento foi uma oportunidade de desenvolvermos ainda mais essa capacidade que todo professor tem de criar e recriar. No primeiro momento nos trouxe desconforto e até um pouco de ansiedade, porém agora tudo vai fazendo um pouco mais de sentido”.

Pontos de atenção

“Na educação básica a participação dos alunos depende também do comprometimento e tempo dos pais, o que nem sempre é possível. No ensino superior um pouco mais tranquilo, porque mesmo com algumas dificuldades temos tido sucesso”.

Aulas presenciais

“As instituições estão se esforçando para que esse retorno seja possível, acatando todas as determinações legais e medidas de segurança, mas continuamos em um momento de incertezas”.


Quatro meses vendo o filho só pelo portão

A educadora Tarsilla Noemi Bertoli Alexandrino viveu os primeiros meses da pandemia com o coração apertado. Como tinha que sair para trabalhar todos os dias, o filho Guilherme, de 11 anos ficou na casa da avó e eles só se encontravam pelo portão. Apesar disso, ele se ajustou bem à rotina de levantar cedo, tomar banho, vestir uniforme e acompanhar diariamente as aulas via Google Meet.

“Não podemos negar que sentimos muita saudade um do outro e ele do seu espaço em casa, da nossa cachorra, da nossa convivência. Mas isso foi necessário e contribuiu muito para a segurança da nossa família. Ele retornou para casa e agora estamos de volta com a nossa rotina em ordem e o coração tranquilo”, conta a mãe.

Como professora do ensino fundamental, Tarsila ocupa o cargo de diretora na rede municipal de Camboriú e precisou gerenciar uma pandemia com quase 900 alunos, 60 funcionários e 27 turmas.

Pontos positivos

“Considero o saldo muito positivo, porque conseguimos perpassar esse momento com empatia e baseados nas orientações legais. Acredito que viveremos muitas mudanças na educação básica depois da pandemia, como o aumento do uso da tecnologia no ensino e na aprendizagem, a complementação de conteúdos online”.

Aulas presenciais

“Penso que o retorno das aulas presenciais ainda é um mistério, porque as crianças não têm condições de se manter 4h/dia usando máscaras e mantendo distanciamento social na escola. Não me sinto segura para retornar à sala ainda, porque vemos os números crescendo e uma incerteza sobre os dias que virão”.


Saudade da escola e a luta diária das aulas online

Para a assistente administrativa Jaíne Trindade Silveira, as aulas online têm sido um desafio com o pequeno Gustavo, de apenas seis anos.

“Ele não quer muito fazer as atividades. Já tive que pagar alguém para ver se ele fazia alguma coisa, é uma luta diária. Ele sempre gostou muito de ir para escola, pois começou a ir desde bebê. Então ele sente a falta dos colegas e da prof. Está sendo bem difícil aceitar as aulas online, pois não tem paciência de ficar na frente do computador”, conta.

Aulas Presenciais

“Segura não estou, tenho um pouco de medo ainda, mas eu mandaria ele sim para a escola, por que sei que eles estão tomando todas as medidas necessárias. Então isso me tranquiliza um pouco. Quanto ao retorno, acredito que de início será mais difícil, tanto para as crianças, quanto escola e professores. Por eles serem pequenos o cuidado tem que ser maior”.


O desafio épico de estudar em casa ao lado de três filhos pequenos

Priscila Jucemar dos Santos, 27 anos, acadêmica do ensino superior, vem equilibrando os próprios estudos com as tarefas do filho Pedro, de 5 anos e os cuidados com os filhos menores, Tiago, de 3 anos e Maria Clara, de 11 meses.

Ela conta que antes, com o filho mais velho na escola, as tardes eram silenciosas, pois os irmãos dormiam, o que a ajudava na concentração dos seus estudos. Entretanto agora com o pequeno Pedro em casa, o irmão (Tiago, 3 anos) não dorme mais durante o dia para ficar brincando e isso tem reduzido o tempo da mãe estudar.

Aulas Presenciais

“Acredito que o retorno das aulas deverá ser gradativo e com medidas de segurança. O dia desse reencontro será de muita felicidade! No caso das crianças acredito que seja algo um pouco mais delicado. Então acredito que ainda não seja o momento deste retorno acontecer, precisa ser gradual, já com vacina, um tratamento bem estabelecido e com comprovação de eficácia para segurança de todos, desde a educação infantil até a superior”.


Mãe e filha relatam experiência juntas

A estudante do 1º ano do ensino médio do Recriarte, Lanai Januário Fagundes, relata que as mudanças correram bem, contudo a saudade da convivência fala alto.

Pontos positivos

“Minha experiência com as aulas online vem sendo muito gratificante, minha escola vem mantendo a mesma rotina das aulas presenciais e ainda investindo em novas plataformas, por isso a adaptação e o aprendizado foram ótimos, mas é claro, que seriam melhores ainda de forma presencial, infelizmente”.

Pontos de atenção

“Sinto falta do convívio com as pessoas e também sinto muita falta de dançar, que não vem sendo possível como antes. Com essa nova realidade nos vemos muito sozinhos, e claro, estou ansiosa para o retorno das aulas. Se possível ainda esse ano, mas entendo completamente o que estamos passando”.

A mãe de Lanai, Maitê Januário, conta que o primeiro momento foi um pouco confuso, até criar uma rotina. Depois disso, com o auxílio estruturado da escola, tudo fluiu bem.

Aulas Presenciais

“Acredito que volta às aulas nesse momento poderia estar sujeita ao contágio dos parentes mais idosos. Não para os que já estão no ensino médio, mas para o ensino infantil, pois normalmente ficam amparados pelos avós, devido os pais (na grande maioria) já estarem novamente em suas funções normais de trabalho. Aí que o contágio se amplifica. Acredito que retorno, somente ano que vem, esperando que já com vacina”, afirma Maitê.


Adaptação com vídeos gravados foi boa

Cristine Juk Cattani conta que a experiência do ensino a distância tem sido tranquila com o filho mais novo, Felipe, que está no 2ºano do COC e tem síndrome de down. Ele se adaptou bem à nova realidade e vem estudando através de vídeos específicos.

“Mas o aprendizado deixa muito a desejar. São horas e horas perdidas, jamais será igual a ter aulas presenciais”, opina a mãe.

Felipe conta que tem gostado dos vídeos que os professores enviam, mas ainda sente das aulas presenciais. Apesar disso, a mãe é enfática. “Não me sinto segura e não enviarei meu filho à escola esse ano e até que tenhamos tomado a vacina”.


Só depois da vacina

Grasiely de Souza tem duas filhas em idade escolar, uma com quatro e a outra com 13 anos, só permitirá o retorno às aulas presenciais quando houver uma vacina.

“Ainda não me sinto segura e principalmente para minhas filhas. Em relação às aulas on line eu me sinto mais segura e não vi problema nenhum, já minha filha de 13 anos está odiando. Às vezes até chora e reclama sempre, para ela a experiência não está sendo nada boa, e minha filha menor diz que sente muita falta da prof e dos amiguinhos”.


Lições e expectativa de melhora

Para Bruna Raquel Belusso, acadêmica do ensino superior e mãe de dois filhos, um com quatro anos outro com sete, o ajustamento a essa nova realidade tem sido cheio de ensinamentos, sempre se preocupando a ajudar os filhos a aprender algo a cada atividade e experiência.

Pontos de atenção

“Em relação às crianças já foi bem estressante, teve dias conturbados e dias tranquilos. Eles entendiam que quando estão em casa é momento de lazer, não de estudar. Foi complicado até eles entrarem numa rotina de cumprir agenda. Mesmo após todos esses meses ainda pedem pra ir à escola e ver a professora e os amigos.

Aulas presenciais

“Vai ser um retorno de desafios para todos, em todos os sentidos, o medo com toda certeza irá voltar junto. Porém até o nosso retorno essa pandemia já estará no fim, assim eu acredito”.


Sem colocar a vida de ninguém em risco

“Nós sentimos falta do contato físico, do olho no olho, da energia. O processo de aprendizado tem superado minhas expectativas, possuo uma ótima tutora, que busca sempre o melhor para minha turma não causando dificuldades no que diz respeito a adquirir o conhecimento”, avalia a acadêmica da Uniavan, Raiane Felipe Cordeiro.

Aulas presenciais

“Mesmo diante de todos os cuidados, ainda vejo que não é o momento de retornarmos, não possuo esta segurança. Estamos no período onde a pandemia se alastrou de uma forma feroz, contudo, pensando não só na minha pessoa, mas como num todo, acredito que não podemos pôr em risco a vida de pessoas que estão ao nosso redor, seja família, amigos e afins, porém, acredito que há chances de as aulas retornarem neste ano”, comenta.



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Página 3
Foto: Freepik

Dilemas e abismos marcam discussões sobre retorno às aulas presenciais

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Quinta, 13/8/2020 18:04.
Daniele Sisnandes
As salas de aula são ecossistemas multifacetados, que reúnem por natureza, realidades muito diferentes. A pandemia de Covid-19 forçou a uma adaptação de métodos, mas só vamos entender no futuro se esses esforços conseguiram substituir as aulas presenciais. Agora, a discussão é acerca do retorno. Se de um lado, especialistas e pais temem a volta das aulas presenciais pela falta de uma vacina, há também uma grande preocupação de que se não voltarem, o abismo na educação só vai aumentar.
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Os desafios se multiplicam, mas os avanços também

Augusto Cruz, professor de Língua Portuguesa no Colégio Fayal (Itajaí) e Colégio Energia (BC), relata que a necessidade levou a uma adequação rápida para as aulas online. Em questão de semanas o sistema foi redesenhado e melhorado através de feedbacks.

“Neste processo, estamos percorrendo um caminho que dificilmente será esquecido. As descobertas que estamos fazendo serão a chave para uma nova educação no futuro. Contudo, hoje o desafio tem sido lidar com as questões da saúde mental”.

O professor Augusto entende que além dos aspectos da pandemia e do distanciamento social, há outros obstáculos a serem vencidos.

“É difícil manter motivação e engajamento, especialmente nos alunos. Há um desgaste mental de todos, são muitas horas diante das telas todos os dias e muitos meses longe das pessoas que faziam parte do dia a dia”.

Ponto positivo

“Estudos já demonstram que a pandemia vem proporcionando a revolução tecnológica que a Educação precisava (não só no Brasil, mas no mundo). Demos um importante passo a caminho das inovações educacionais e do sistema de ensino híbrido (que utiliza o remoto como potencializador do presencial) sendo este o melhor cenário para o futuro”, afirma.

Pontos de atenção

“Também me preocupo com a rede pública de ensino. Existem muitas realidades e sei que as aulas remotas não atingem todas. Infelizmente, a desigualdade educacional que já era escancarada no Brasil, hoje é um abismo”.

Aulas presenciais

Augusto Cruz opina ainda que o retorno deve acontecer com segurança, após a vacina. Ele lembra que as tentativas de retorno às aulas presenciais levaram a novos avanços da doença em muitos lugares do mundo.


“Já tentei prever o que iria acontecer e desisti”

Fabio Schmitz Meyer, professor de Filosofia, História e Informática no Liceu Catarinense, conta que as adaptações deram bons resultados. Ter conhecimento sobre tecnologia e o fato de o colégio já usar uma plataforma antes da pandemia, também ajudaram. Entretanto, não foi assim para todos.

“A maioria dos professores não tinha a formação e as ferramentas necessárias. Muitos desistiram por vários fatores, seja pela falta de conhecimento na área de informática, seja por não possuir um bom computador, seja por falta de internet, é até mesmo pela questão salarial que não é nada atraente sendo que o volume de trabalho aumentou muito”.

Pontos positivos:

“Eu possuía computador e internet, já tinha um canal no YouTube e no Facebook e conhecia o funcionamento destas plataformas. O Liceu Catarinense possuía um portal onde já tínhamos sido treinados, e fomos rápidos em nossa reação. Algumas escolas não possuíam portal e demoraram um pouco”.

Pontos de atenção

“No começo foi difícil programar uma agenda, o que me deixou bastante nervoso. Tinha que gravar as aulas, editar, jogar no YouTube e depois produzir a aula no portal. Sem falar no atendimento aos alunos que de início buscavam informações a qualquer hora do dia e qualquer dia da semana”.

Aulas presenciais

Pensando em um possível retorno, o colégio já promoveu curso de formação explicando as mudanças físicas, mas Fábio tem preocupações.

“Não acredito que seja possível controlar a proximidade dos alunos dentro da escola. Acredito também que a maioria dos pais não deixará seus filhos retornarem enquanto não tivermos uma vacina”, pondera.


Acesso e estrutura preocupam

A educadora Josiane Schueda vivenciou duas realidades durante esta pandemia: uma como professora no ensino superior e outra como orientadora educacional no Centro Educacional Dona Lili, na Barra. Ela alerta para a falta de estrutura de escolas, professores e famílias e como isso está impactando o acesso à educação.

“Enquanto professora, precisei pesquisar, assistir tutoriais no Youtube, estudar ferramentas, comprar programas e trocar o provedor de internet da minha casa. Grande aprendizado, porém, como meu trabalho foi com alunos do ensino superior, considero que tenha sido mais fácil do que para os professores com alunos do ensino fundamental”, descreve.

Já como orientadora educacional, ela relata a dificuldade em contatar alunos e pais para orientá-los sobre o acesso à plataforma. Apesar da estrutura oferecida pela escola, grande parte dos pais não atualizou seus contatos no início do ano.

Aulas Presenciais

“Defendo a volta às aulas presenciais, desde que atendidas todas as normas estabelecidas pelos órgãos da saúde. Posso até estar errada, porém acredito que o maior impacto para a educação, neste momento, seja a não presença de alunos e professores nas escolas. Tem várias discrepâncias com as aulas online. Grande parte dos alunos de escolas públicas não têm recursos para participar das aulas, os próprios professores receberam pouca ou nenhuma orientação para um trabalho online. Alguns também não possuem equipamentos para programarem e realizarem suas aulas online".


Início foi rodeado de incertezas

“Quando iniciamos as aulas remotamente, a tutora nos passou tranquilidade e mesmo à distância deu seu melhor, o que resultou em mais confiança. Continuamos com a troca de experiências e aprendizados que farão a diferença”, relata a acadêmica de Pedagogia e monitora de inclusão na rede municipal de Camboriú, Suellen Caroline Pereira.

Aulas presenciais

“Creio que será desafiador, principalmente para os pequenos, pois as crianças gostam de brincar e estar próximas. Nas faculdades, acredito ser um pouco mais fácil, mas vai de cada indivíduo. Não me sinto totalmente segura para retornar, mas creio que algo positivo ainda virá”.


Depois da ansiedade inicial, a chance de se recriar

Segundo Gilmara de Moraes Heusser, psicopedagoga, tutora do ensino superior e especialista em Educação Infantil e Séries Iniciais, o isolamento social levou a ajustes, da prática à didática.

“A princípio foi desafiador, até um pouco assustador, tivemos que aprender rapidamente gravar aulas, nos aproximar de muitos aplicativos editores de vídeos e até lecionar virtualmente”.

Pontos positivos

"Prefiro acreditar que esse momento foi uma oportunidade de desenvolvermos ainda mais essa capacidade que todo professor tem de criar e recriar. No primeiro momento nos trouxe desconforto e até um pouco de ansiedade, porém agora tudo vai fazendo um pouco mais de sentido”.

Pontos de atenção

“Na educação básica a participação dos alunos depende também do comprometimento e tempo dos pais, o que nem sempre é possível. No ensino superior um pouco mais tranquilo, porque mesmo com algumas dificuldades temos tido sucesso”.

Aulas presenciais

“As instituições estão se esforçando para que esse retorno seja possível, acatando todas as determinações legais e medidas de segurança, mas continuamos em um momento de incertezas”.


Quatro meses vendo o filho só pelo portão

A educadora Tarsilla Noemi Bertoli Alexandrino viveu os primeiros meses da pandemia com o coração apertado. Como tinha que sair para trabalhar todos os dias, o filho Guilherme, de 11 anos ficou na casa da avó e eles só se encontravam pelo portão. Apesar disso, ele se ajustou bem à rotina de levantar cedo, tomar banho, vestir uniforme e acompanhar diariamente as aulas via Google Meet.

“Não podemos negar que sentimos muita saudade um do outro e ele do seu espaço em casa, da nossa cachorra, da nossa convivência. Mas isso foi necessário e contribuiu muito para a segurança da nossa família. Ele retornou para casa e agora estamos de volta com a nossa rotina em ordem e o coração tranquilo”, conta a mãe.

Como professora do ensino fundamental, Tarsila ocupa o cargo de diretora na rede municipal de Camboriú e precisou gerenciar uma pandemia com quase 900 alunos, 60 funcionários e 27 turmas.

Pontos positivos

“Considero o saldo muito positivo, porque conseguimos perpassar esse momento com empatia e baseados nas orientações legais. Acredito que viveremos muitas mudanças na educação básica depois da pandemia, como o aumento do uso da tecnologia no ensino e na aprendizagem, a complementação de conteúdos online”.

Aulas presenciais

“Penso que o retorno das aulas presenciais ainda é um mistério, porque as crianças não têm condições de se manter 4h/dia usando máscaras e mantendo distanciamento social na escola. Não me sinto segura para retornar à sala ainda, porque vemos os números crescendo e uma incerteza sobre os dias que virão”.


Saudade da escola e a luta diária das aulas online

Para a assistente administrativa Jaíne Trindade Silveira, as aulas online têm sido um desafio com o pequeno Gustavo, de apenas seis anos.

“Ele não quer muito fazer as atividades. Já tive que pagar alguém para ver se ele fazia alguma coisa, é uma luta diária. Ele sempre gostou muito de ir para escola, pois começou a ir desde bebê. Então ele sente a falta dos colegas e da prof. Está sendo bem difícil aceitar as aulas online, pois não tem paciência de ficar na frente do computador”, conta.

Aulas Presenciais

“Segura não estou, tenho um pouco de medo ainda, mas eu mandaria ele sim para a escola, por que sei que eles estão tomando todas as medidas necessárias. Então isso me tranquiliza um pouco. Quanto ao retorno, acredito que de início será mais difícil, tanto para as crianças, quanto escola e professores. Por eles serem pequenos o cuidado tem que ser maior”.


O desafio épico de estudar em casa ao lado de três filhos pequenos

Priscila Jucemar dos Santos, 27 anos, acadêmica do ensino superior, vem equilibrando os próprios estudos com as tarefas do filho Pedro, de 5 anos e os cuidados com os filhos menores, Tiago, de 3 anos e Maria Clara, de 11 meses.

Ela conta que antes, com o filho mais velho na escola, as tardes eram silenciosas, pois os irmãos dormiam, o que a ajudava na concentração dos seus estudos. Entretanto agora com o pequeno Pedro em casa, o irmão (Tiago, 3 anos) não dorme mais durante o dia para ficar brincando e isso tem reduzido o tempo da mãe estudar.

Aulas Presenciais

“Acredito que o retorno das aulas deverá ser gradativo e com medidas de segurança. O dia desse reencontro será de muita felicidade! No caso das crianças acredito que seja algo um pouco mais delicado. Então acredito que ainda não seja o momento deste retorno acontecer, precisa ser gradual, já com vacina, um tratamento bem estabelecido e com comprovação de eficácia para segurança de todos, desde a educação infantil até a superior”.


Mãe e filha relatam experiência juntas

A estudante do 1º ano do ensino médio do Recriarte, Lanai Januário Fagundes, relata que as mudanças correram bem, contudo a saudade da convivência fala alto.

Pontos positivos

“Minha experiência com as aulas online vem sendo muito gratificante, minha escola vem mantendo a mesma rotina das aulas presenciais e ainda investindo em novas plataformas, por isso a adaptação e o aprendizado foram ótimos, mas é claro, que seriam melhores ainda de forma presencial, infelizmente”.

Pontos de atenção

“Sinto falta do convívio com as pessoas e também sinto muita falta de dançar, que não vem sendo possível como antes. Com essa nova realidade nos vemos muito sozinhos, e claro, estou ansiosa para o retorno das aulas. Se possível ainda esse ano, mas entendo completamente o que estamos passando”.

A mãe de Lanai, Maitê Januário, conta que o primeiro momento foi um pouco confuso, até criar uma rotina. Depois disso, com o auxílio estruturado da escola, tudo fluiu bem.

Aulas Presenciais

“Acredito que volta às aulas nesse momento poderia estar sujeita ao contágio dos parentes mais idosos. Não para os que já estão no ensino médio, mas para o ensino infantil, pois normalmente ficam amparados pelos avós, devido os pais (na grande maioria) já estarem novamente em suas funções normais de trabalho. Aí que o contágio se amplifica. Acredito que retorno, somente ano que vem, esperando que já com vacina”, afirma Maitê.


Adaptação com vídeos gravados foi boa

Cristine Juk Cattani conta que a experiência do ensino a distância tem sido tranquila com o filho mais novo, Felipe, que está no 2ºano do COC e tem síndrome de down. Ele se adaptou bem à nova realidade e vem estudando através de vídeos específicos.

“Mas o aprendizado deixa muito a desejar. São horas e horas perdidas, jamais será igual a ter aulas presenciais”, opina a mãe.

Felipe conta que tem gostado dos vídeos que os professores enviam, mas ainda sente das aulas presenciais. Apesar disso, a mãe é enfática. “Não me sinto segura e não enviarei meu filho à escola esse ano e até que tenhamos tomado a vacina”.


Só depois da vacina

Grasiely de Souza tem duas filhas em idade escolar, uma com quatro e a outra com 13 anos, só permitirá o retorno às aulas presenciais quando houver uma vacina.

“Ainda não me sinto segura e principalmente para minhas filhas. Em relação às aulas on line eu me sinto mais segura e não vi problema nenhum, já minha filha de 13 anos está odiando. Às vezes até chora e reclama sempre, para ela a experiência não está sendo nada boa, e minha filha menor diz que sente muita falta da prof e dos amiguinhos”.


Lições e expectativa de melhora

Para Bruna Raquel Belusso, acadêmica do ensino superior e mãe de dois filhos, um com quatro anos outro com sete, o ajustamento a essa nova realidade tem sido cheio de ensinamentos, sempre se preocupando a ajudar os filhos a aprender algo a cada atividade e experiência.

Pontos de atenção

“Em relação às crianças já foi bem estressante, teve dias conturbados e dias tranquilos. Eles entendiam que quando estão em casa é momento de lazer, não de estudar. Foi complicado até eles entrarem numa rotina de cumprir agenda. Mesmo após todos esses meses ainda pedem pra ir à escola e ver a professora e os amigos.

Aulas presenciais

“Vai ser um retorno de desafios para todos, em todos os sentidos, o medo com toda certeza irá voltar junto. Porém até o nosso retorno essa pandemia já estará no fim, assim eu acredito”.


Sem colocar a vida de ninguém em risco

“Nós sentimos falta do contato físico, do olho no olho, da energia. O processo de aprendizado tem superado minhas expectativas, possuo uma ótima tutora, que busca sempre o melhor para minha turma não causando dificuldades no que diz respeito a adquirir o conhecimento”, avalia a acadêmica da Uniavan, Raiane Felipe Cordeiro.

Aulas presenciais

“Mesmo diante de todos os cuidados, ainda vejo que não é o momento de retornarmos, não possuo esta segurança. Estamos no período onde a pandemia se alastrou de uma forma feroz, contudo, pensando não só na minha pessoa, mas como num todo, acredito que não podemos pôr em risco a vida de pessoas que estão ao nosso redor, seja família, amigos e afins, porém, acredito que há chances de as aulas retornarem neste ano”, comenta.



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