Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Educação
Escolas particulares têm forte expectativa para o retorno presencial em setembro

Rede municipal também se prepara, mas a decisão final será das famílias

Quinta, 30/7/2020 10:17.

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Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes

O último decreto do governo do Estado, publicado no dia 17 de julho, anuncia o retorno presencial das aulas para 8 de setembro e, se nada mudar por conta dos números da pandemia que continuam em alta, as atividades acontecerão de forma gradativa e com alternância entre estudantes em sala de aula e em casa (modelo híbrido), mas sempre respeitando o direito de decisão das famílias, são elas que decidirão se os filhos retornam ou não às salas de aula.

As escolas particulares de Santa Catarina se uniram, lideradas pelo Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina (SINEPE/SC) e estão confiantes pela retomada das aulas presenciais, já que estão enfrentando problemas financeiros, especialmente os núcleos de educação infantil. Em Balneário Camboriú, as escolas espalharam outdoors pela cidade defendendo a retomada, com apoio da Associação de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais (AMPE). A reportagem do Página 3 ouviu algumas das instituições privadas da cidade, líderes de Sindicatos ligados à educação e também a rede pública municipal sobre o assunto. Confira.

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SINEPE/SC defende a importância da retomada

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de SC (SINEPE/SC), Marcelo Baptista de Sousa, vem defendendo com efetividade o retorno das atividades presenciais nas escolas particulares do Estado, alegando que as instituições estão aptas para receber os alunos, seguindo todas as normas sanitárias indicadas pelo Governo.

“As escolas estão prontas e preparadas para recebermos os alunos, assim que as famílias se sentirem confiantes e desejarem, essa seria a nossa maior luta, que a gente não precisasse da tutela do Estado, que fosse uma decisão da família. Muitos pais nos procuram porque não têm como assegurar o atendimento, não tem local, para fazer o serviço que só a escola pode oferecer”, explica.

Marcelo opina que as escolas ‘nunca foram um grande vetor ou foco’ de meningite ou gripe – citando como exemplo, lembrando que os colégios são arejados e que ‘o que resta é dúvida e indignação’.

“Me corrijam se eu estiver errado, mas lá em março o que sempre escutamos foi que o vírus só iria embora quando no mínimo 70, 90% da população pegue, mas o Estado não tem condições pela falta de leitos. Falam de achatar a curva, mas não há nem investimento do Estado, não estou vendo onde foram os R$ 33 milhões, não estou vendo os hospitais além dos respiradores abrindo vagas para contratar novas equipes, não vejo o Estado e os municípios adotando infraestrutura, por isso fica a pergunta: vamos esperar mais quanto tempo?”, salienta.

O presidente levanta ainda a questão de cidades grandes como São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, os casos já começaram a diminuir – nessa última as aulas já retornaram.

“As escolas de educação infantil estão ‘quebradinhas’, imagina quatro meses sem receber nada? Os meses de suspensão de contratos já acabaram. O apoio do governo tem sido mandar a polícia prender diretor de escolinha, porque a gente vê o hotel fazendo colônia de férias, uma indignação nossa, é isso que estão fazendo”, acrescenta.


AMPE apoia as escolas particulares em Balneário

O Núcleo das Escolas Particulares da Associação de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Balneário Camboriú (AMPE/BC) espalhou pela cidade outdoors pedindo a retomada das aulas presenciais. O presidente da AMPE, Antônio Demos, explica que integram o Núcleo cerca de 20 escolas, mas que houve também integração de instituições da região, como Itapema, Camboriú e Itajaí. “A AMPE está defendendo o interesse das escolas. No início entendíamos que era uma crise temporária e que a situação não se arrastaria muito tempo, mas agora está ficando insustentável, com dificuldade de sobrevivência para algumas escolas”, comenta.

Segundo Antônio, há relatos de pais que deixaram de pagar mensalidade e outros que migraram para colégios públicos, mas ele lembra que as despesas das escolas continuaram, além de terem ocorrido demissões. “Sabemos que a vida está em primeiro plano, mas não está havendo atenção para esse segmento, que parou 100%, não só em Balneário e no Estado, mas no Brasil todo. Precisamos de uma contrapartida, pois não é possível saber até quando as instituições vão conseguir se manter, desde a educação infantil como Ensino Médio, é desesperador imaginar que pode não voltar neste ano”, salienta.

Aline Luzia Tonezer Pereira, sócia-proprietária da Oficina da Infância Centro Educacional, é diretora do Núcleo das Escolas Particulares da AMPE, e comenta que as escolas de Balneário e região se uniram ainda em abril, para conseguirem sobreviver a tudo o que vem acontecendo, e uma das iniciativas foi mostrar para a comunidade o retorno das aulas com segurança – através de outdoors, que foram distribuídos pela cidade entre maio e junho.

“Respeitamos todo o momento que estamos vivendo, sabemos que o governo está tentando encontrar projeções para abrirmos as escolas em setembro, de uma forma segura, não vai ser como antes, será de forma híbrida, presencial e online. Essa é a nossa expectativa. Vai ser uma opção do pai levar ou não a criança para a escola, claro que para a educação infantil fica um pouco longe da realidade, mas também tentaremos nos adaptar, porque os pais voltaram a trabalhar e precisam de local para deixar os seus filhos”, analisa.


As escolas e a expectativa do retorno

Matrículas canceladas, demissões de professores, inadimplência crescendo e contas que não param de chegar, a preocupação é generalizada, desde as escolas de educação infantil até o ensino superior. Mas todos dizem que a decisão de retorno presencial ou não é das famílias. Acompanhe o que dizem os responsáveis:

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Colégio Raízes

credito - Márcio Gonçalves

Nivaldo Ávila dos Santos, integrante do Núcleo das Escolas Particulares da AMPE e proprietário do Colégio Raízes está no limite de sua expectativa para o retorno das atividades presenciais. Ele já esteve no Legislativo pedindo ajuda para a reabertura, falando da situação difícil das escolas de educação infantil e quatro meses depois de portas trancadas, ele já atribui toda essa situação a ‘brigas políticas’ que estão acontecendo, segundo ele, em todo o país e aqui também.

“Estamos lutando para desvincular, não ficar mais atrelados ao município, ao estado, através de um projeto em andamento”, disse.

Tudo que as escolas tinham que fazer foi feito, desde o preparo das salas, compra de equipamentos, como medidor de temperatura, tapete higiênico, aparelho para higienização das mãos.

“Estamos preparados, todos sabem que não vai ser como antes, se eu tinha 350 alunos, vão voltar uns 120... então as escolas estão prontas, vamos seguir todo esse protocolo exigido, mas estamos nesse aguardo, enquanto tiver uma determinação do governo do Estado ninguém pode fazer nada”.

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Paraíso Infantil Baby

Ana Paula Petter é proprietária do Paraíso Infantil Baby junto com a mãe, Tânia Medeiros Petter, ela conta que em 20 anos de existência da escola, com duas unidades em Balneário Camboriú, nunca presenciaram uma situação como a atual.

“Tem sido bem difícil, estamos fechados desde 19 de março, o número de alunos cancelando as matrículas têm sido frequente. A educação infantil é a que mais está sofrendo, já que não é obrigatória. Houve pais que retiraram seus alunos e matricularam na rede pública também, inclusive não sei como eles darão conta do número maior de alunos quando acontecer o retorno. Fizemos descontos para incentivar que os pais continuem conosco, que serão devolvidos em descontos fracionados, assim como a inclusão da colônia de férias, que será em janeiro”, explica.

Segundo Ana, considerando que a receita da escola diminuiu, precisaram fazer a redução da jornada de trabalho e salário dos funcionários, assim como a suspensão de contratos, mas que o futuro ainda permanece incerto.

“Estamos prontos para receber as crianças, compramos todos os equipamentos necessários, como máscaras, termômetros e tapetes sanitizadores. Criamos um protocolo de cuidados e higiene especial para nossa escola. Fizemos uma pesquisa com os pais e 80% deles querem que a gente reabra. As crianças estão sentindo falta também, e boa parte dos pais estão tendo que ter um gasto extra com babás, já que a escola está fechada”, afirma.

No Paraíso Infantil Baby as crianças ganham kits (retirados pelos pais na escola) para desenvolver atividades pedagógicas em casa, e, além deles, os alunos a partir dos quatro anos assistem os vídeos gravados pelas professoras.

A escola também participou junto da campanha da AMPE e Ana vê que a união tem sido ‘super importante’, já que pode fazer a diferença e sensibilizar a comunidade e os governos.

“Precisamos pagar as contas, estávamos preparados para voltar em agosto, agora dizem que voltaremos em setembro... temos esperança, mas é complicado. Se não podemos voltar, então esperamos que o governo nos ajude de alguma forma, seja na folha ou na isenção de impostos, porque nada disso parou, as contas continuam chegando”, completa.

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Centro Educacional Construindo o Saber

A diretora do Centro Educacional Construindo o Saber, Maria de Fátima Ribeiro Pereira, conta que a situação da pandemia tem sido um grande desafio, mas também aprendizado, exigindo que se reinventem em busca constante de novos conhecimentos e descobrindo novas tecnologias.

“Tivemos uma perda significativa de alunos principalmente da educação infantil, o segmento mais atingido durante esse período de pandemia, já que muitos pais não possuem seus familiares próximos e confiam na escola para deixar seus filhos enquanto trabalham. Temos negociado os descontos diretamente com os pais, realizando atendimentos individualizados e negociações de acordo com a situação de cada família”, diz.

O colégio vem realizando desde março as aulas online, para que os alunos não fossem prejudicados pedagogicamente, mas Maria vê que as atividades presenciais são diferenciadas, já que ‘a escola além de proporcionar o ensino aprendizado, possui um papel muito importante que é o espaço de convivência’. “Muitas famílias buscam o ensino infantil para que as crianças possam socializar e conviver em grupos, com o isolamento social muitas famílias cancelaram as matrículas. Considerando um retorno às aulas presenciais respeitando todos os protocolos de segurança exigidos pelos órgãos competentes, acreditamos que seja importante não somente para o aprendizado dos alunos, mas principalmente para saúde emocional. Os alunos sentem muita falta do ambiente escolar e da interação com amigos e professores, é muito comum nas aulas online relatos sobre a falta que sentem da rotina escolar”, salienta.

O Construindo o Saber está equipando toda a sua estrutura para o anunciado retorno com as atividades presenciais; foram adquiridos termômetros digitais, tapetes higiênicos, totem de álcool-gel na entrada, dispenser de álcool distribuídos por todo o espaço escolar nas áreas externas, salas de aula e todas as dependências. “Profissionais estão sendo treinados para realização das limpezas, contratamos uma empresa de sanitização também, as carteiras estão com marcações para que os alunos mantenham a devida distância, as mesas do refeitório e educação infantil estão com barreiras de acrílico. Além da estrutura para garantir os cuidados e prevenção, a escola realizou a aquisição de câmeras de alta resolução para a transmissão ao vivo das aulas com a realização do ensino híbrido para os alunos do grupo de risco e também para os alunos que os pais optarem em mantê-los em casa”, completa.

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SEI Educação Infantil

credito - Arquivo PessoalLizele com a filha.
A proprietária da escola de educação infantil SEI, Lizele Pereira disse que todos os protocolos e regras estabelecidas pelo decreto estadual para o anunciado retorno presencial no início de setembro, serão cumpridas.

“As escolas particulares estão entre os setores mais prejudicados com esta crise. Em nossa escola e acho que aconteceu em todas, fizemos em torno de 30% de demissões até o momento. Além disso, muitas matrículas foram cancelada e também aumentou muito a inadimplência. Nós continuamos buscando maneiras de nos manter, com aulas e atividades online, se reinventando a cada dia”, disse Lizele.

A escola na Rua 2448 está preparada para o retorno. Segundo a diretora, todos os cuidados serão tomados, equipamentos para este novo momento foram comprados para voltar de forma segura para todos.

“Mas a partir do momento que as aulas voltarem, os pais é que deverão decidir, se sentem-se seguros ou não de levar seus filhos à escola. O que as escolas particulares querem é a oportunidade de voltar a desenvolver seu trabalho, suas atividades, evitando mais demissões ou até o fechamento das portas, mas a decisão de levar os filhos à escola é totalmente dos pais, até porque estamos tratando de crianças”, finalizou Lizele.

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Colégio Unificado Balneário Camboriú

credito - Divulgação

O diretor do Colégio Unificado, Castelo Gazzoni disse que está cansado de reclamar e ficar apreensivo para o retorno, mas acredita que agora está perto de acontecer.

“Estamos na expectativa de retornar no início de setembro, possivelmente de forma semipresencial, com adequações específicas e toda a questão da vigilância sanitária, procedimentos, protocolos, para que o aluno tenha toda segurança, assim como os professores e demais profissionais”, afirmou.

Todo equipamento exigido e recomendado está comprado e a escola está pronta: toten com álcool em gel, tapete sanitizante, obrigatoriedade do uso de máscara, professores com máscaras face shield, distanciamento de 1,5m entre carteiras.

“Temos um esquema especial para alunos que porventura queiram continuar com aulas online até o final do ano, vamos fazer turmas específicas. Aquele aluno e pais que desejar voltar à escola terá seu direito respeitado e estamos preparadíssimos para recebê-lo e aquele pai que não se sentir muito bem, tem pais que tem idosos em casa ou outras questões, este também pode optar para que seu filho fique em casa e receba aulas online. Queremos abranger todos os alunos para que nenhum fique com prejuízo na educação esse ano”, afirmou Castelo.

Ele disse que a inadimplência cresceu bastante, porque outros setores estão prejudicados pela pandemia.

“Mas estamos achando meios para nos manter nessa luta.

Até aqui estamos fazendo aulas online, completando a carga horária necessária, com qualidade, envolvimento total dos professores e investimento grande da escola na parte tecnológica, tenho certeza que estamos dando conta com sucesso, mas estamos apreensivos para o retorno presencial, embora sabendo da situação difícil que o Estado se encontra neste momento”, concluiu o diretor.

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COC Balneário Camboriú

credito DivulgaçãoOs diretores e sócios do colégio COC Balneário Camboriú, de Ensino Médio e Pré-Vestibular, André Volpato e Rogério Novaes sabem que a volta do ensino presencial ainda é incerta e acreditam que o mais importante neste momento é a saúde da comunidade escolar.

“Temos um governo sinalizando um retorno para 8 de setembro mas se isso realmente vai acontecer ou não, nós não sabemos dizer hoje. Só sabemos como faremos, retornando seguiremos os protocolos, não teremos a volta de todos os alunos, será um retorno gradual, estaremos dando a opção para que o aluno decida se vai voltar ou se continuará assistindo sua aula de casa, porque o mais importante é o cuidado, a saúde desta comunidade escolar”, disse André.

Ele destacou que o cenário da educação será diferente para cada nível da educação. Além dos impactos que todos estão vivendo hoje, haverá os impactos pós-pandemia, porque a escola está impactando direta ou indiretamente nas rotinas da família, do aluno, do professor.

“A mesma coisa aconteceu com a rotina do aluno, ele teve que se reorganizar, antes precisava levantar, sair de casa para escola e hoje ele está recebendo essa aula muitas vezes dentro do seu quarto. O mesmo acontece com o professor, antes ele se constituía pela presença, pelas relações, hoje ele não consegue mediar as relações, não consegue perceber se o aluno está acompanhando, aprendendo o conteúdo”, destacou professor André.

Escola e socialização

Outro ponto importante, lembrado pelo professor Rogério, é a valorização da escola, como fio condutor que entrelaça questões na reorganização da vida, nas relações necessárias entre seres humanos, nas relações da busca de conhecimento, nas relações que implicam direta ou indiretamente no contexto da sociedade.

“A escola passa a ser vista como fundamental e não mais como instituição que poderá ser substituída pela tecnologia. A escola jamais será substituída pela tec nologia e quanto menor os níveis, vamos falar em educação básica, mais importante é o papel da escola. Não só a estrutura física, não só os alunos, os pais, os professores, mas a comunidade escolar toda que tem necessidade desse espaço de socialização e aprendizagem”, ressaltou Rogério, lembrando que a hoje educação aumentou as desigualdades, porque muitas famílias ainda não tem acesso à tecnologia e tudo que ela oferece.

“Por todo esse conjunto, o momento exige muita cautela embora gerado por grandes expectativas de retorno, é um momento delicado. Todas as instituições escolares terão que se adaptar aos protocolos. O COC está se preparando e vai estar aberto com todas as condições para trazer tranquilidade às famílias”, concluiu.

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Centro Universitário UniAvan

Os acadêmicos da UniAvan poderão decidir se desejam retornar para os encontros presenciais a partir do segundo semestre ou se continuam participando das aulas remotamente nas plataformas virtuais disponibilizadas pela instituição. O Centro Universitário irá aderir ao formato de ensino híbrido a partir de segunda-feira (3), com 30% dos alunos – que escolheram voltar com as atividades presenciais através de uma pesquisa; os outros 70% permanecerão tendo as aulas de forma online, com reforço nas medidas de biossegurança contra a Covid-19 (aferição de temperatura de alunos, colaboradores, professores e visitantes antes da entrada nos prédios, álcool em gel em todos os espaços comuns, reforço na rotina de limpeza e sanitização de todos os setores e salas e controle de fluxo de entrada e saída, evitando que as pessoas esbarrem entre si nos corredores e escadas, dentre outras ações).

A reitora do Centro Universitário, Isabel Regina Depiné Poffo, explica que durante todo o primeiro semestre foram analisadas as ferramentas de ensino disponibilizadas e o processo de aprendizagem. “Entendemos que as estratégias adotadas para aulas online tiveram um resultado muito positivo e analisamos diversas possibilidades. Constatamos que neste momento o ensino híbrido seria uma alternativa segura e o estudante avalia se deseja ou não voltar neste momento. Aqueles que preferem estudar em casa ou pertencem ao grupo de risco, por exemplo, terão exatamente a mesma aula”, esclarece. Além de estar disponível na sala de aula, o professor irá transmitir a aula ao vivo para os alunos de casa.

A UniAvan está fazendo um reforço na infraestrutura de internet para otimizar a conexão durante os horários das aulas. Já as avaliações individuais continuarão de modo remoto, a todos, independente da forma de estudo escolhida pelo estudante. As práticas e estágios presenciais continuam sendo ofertados com uma formatação específica que permite o distanciamento social seguro. A instituição também fez a promoção ‘Cheque UniAvan’ que ofertou R$ 2 milhões em descontos em mensalidades para auxiliar acadêmicos a continuarem os estudos, manteve todas as bolsas, descontos e financiamentos. Cada caso está sendo analisado individualmente, e segundo a assessoria, estão buscando ofertar todas as negociações possíveis para que o aluno não interrompa a graduação neste momento. Também foram ampliados os canais de atendimento online para que o aluno não precise ir até a instituição, inclusive com um específico para negociações: [email protected]

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Universidade do Vale do Itajaí (Univali)

A Univali também estabeleceu um plano de retorno das atividades do segundo semestre deste ano, com um modelo híbrido. As aulas iniciaram no último dia 27 para o Colégio de Aplicação e no dia 17 de agosto está previsto para acontecer o retorno para os cursos de graduação, ainda de forma remota, mas seguem ao longo do semestre com a combinação do estudo síncrono com o estudo customizado assíncrono (home study) no ambiente remoto, as experiências práticas presenciais em laboratórios e a vivência no campus universitário – estas quando autorizadas pelos órgãos governamentais. Os cursos de pós-graduação, também no modelo de retorno híbrido, seguem calendário próprio por curso e programa.

A coordenadora do Ensino Superior da Vice-Reitoria de Graduação e Desenvolvimento Institucional da Univali, Patrícia Duarte Peixoto Morella, explica que o retorno presencial 100% é algo que independe da universidade, e que haverá ainda a decisão por município. Por exemplo, Balneário Camboriú pode vir a liberar o retorno, enquanto Itajaí e Florianópolis não.

“Fizemos a programação do retorno híbrido, que é aos poucos, ainda permanecendo com a aula online, mas é difícil ter uma certeza já que o cenário permanece instável. Depende do número de casos em cada cidade também, há o cronograma de aulas presenciais, queremos retornar, mas não depende apenas da vontade da Univali. O primeiro semestre foi sem prejuízos para nenhum curso, conseguimos cumprir toda a programação”, destaca.

Segundo Patrícia, há dois lados: os alunos que estão inseguros e que dizem preferir continuar de forma remota, e os que pedem pelo retorno.

“Por isso seguimos acompanhando as cidades onde temos campi, mas as aulas online seguem, inclusive aproveito para agradecer a inventividade e criatividade dos professores, que conseguiram cumprir com o conteúdo no ambiente online, sem atrasar nada. Não houve suspensão, e os alunos também avaliaram de forma positiva”, acrescenta.

A coordenadora reconhece que há casos de alunos que estão com problemas para acertar a mensalidade, e que já possuíam canais de comunicação para tratar da inadimplência anteriormente, e que agora eles estão de forma ainda mais efetiva e online.

“É tudo personalizado, estamos sempre à disposição dos acadêmicos para dialogar e tentar resolver as situações, além de tirar dúvidas, como agora estão acontecendo sobre as rematrículas”, informa.

O Vice-Reitor de Graduação e Desenvolvimento Institucional, professor Carlos Alberto Tomelin, salienta que as medidas de segurança serão rigorosamente observadas e respeitadas e que a Univali desenvolveu um protocolo de biossegurança com foco no bem-estar da comunidade acadêmica. Este protocolo orienta a conduta desde a entrada na universidade, a circulação no campus, os serviços de atendimento ao estudante, até o comportamento em sala de aula e nos laboratórios. “Seguiremos atentos às recomendações e cientes de que o modelo de retorno pode sofrer alterações, uma vez que o cenário é instável. A Univali está trabalhando intensamente para que a comunidade não sofra prejuízos no calendário acadêmico e possa continuar contando com ensino de qualidade, aliado à autonomia, saúde e segurança de todos”, ressalta Tomelin.


SINTE-SC é contra o retorno presencial sem apoio

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC) é contra a retomada das aulas presenciais. O coordenador do sindicato, Luiz Carlos Vieira, destaca que não há condições estruturais nas escolas estaduais, além da questão da testagem e do risco do contágio da doença, lembrando que a saúde deve ser o principal foco, tanto a dos trabalhadores como dos alunos.

“Nós não voltamos enquanto as autoridades técnicas e científicas apontarem as garantias de saúde e o Estado nos dar condições. O Governo do Estado relaxou a situação e empurrou para os municípios a decisão do isolamento e nós vimos aumentar o número de casos e óbitos em Santa Catarina”, diz.

Luiz Carlos ainda aponta desafios para implementar o plano proposto pelo Governo na prática, citando a capacitação dos professores, resultados de testagens de profissionais da área da educação e levantamento de informações sobre os alunos, que podem integrar algum grupo de risco ou conviver com quem integra.


Rede municipal de Balneário Camboriú preparando a volta, mas retorno não é obrigatório

Em um cenário incerto e confuso, a Secretaria Municipal da Educação está preparando o retorno presencial das aulas para 8 de setembro, conforme estabelece o último decreto estadual. Incerto e confuso, porque o momento é muito preocupante com a doença registrando seus picos mais severos, o que pode gerar novos decretos.

A secretária da Educação, Rosângela Percegona Borba disse que a Educação segue a orientação determinadas pela Saúde.

“A orientação que temos é que as aulas devem retornar apenas quando tivermos uma curva descendente e a nossa curva ainda está subindo”, disse.x

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Rosângela concedeu entrevista ao Página3 sobre a expectativa do retorno. Acompanhe:

credito - Divulgação

JP3 - O governo estadual está anunciando para setembro o retorno presencial, com 50% dos alunos. Como será a logística deste retorno?

Rosângela - Se o retorno presencial for autorizado, retornaremos com 50% dos alunos. Por ex: uma sala com 40 alunos, em uma semana irão 20 alunos e os outros ficam na plataforma e na semana seguinte, os que estavam na plataforma ficam no presencial e os que estavam em sala ficam na plataforma. O trabalho com a plataforma vamos levar até o final do ano e quem sabe até o ano que vem também com esta sistemática, uma vez que temos que voltar com apenas 50% dos alunos. Em relação aos alunos que ficam em período integral, a intenção é manter todos, porém na sala com 50% e a ideia é que 50% vá no período da manhã e os outros 50% frequentam o período da tarde.

JP3 - Como estão organizando esse novo momento da educação?

R - Fizemos aquisição de termômetros para as escolas, tapete higiênico e todo um preparo interno das escolas, distanciamento nas salas. A regra vai ser lavar as mãos na pia, passar pelo tapete higiênico, verificar temperatura, passar álcool em gel e só então entrar na sala. Esperamos que as famílias entendam que ficarão limitadas ao portão, para fazermos esta higienização apenas aos estudantes e aos servidores da escola. Haverá um movimento diferente dentro das escolas. Por ex: os infectologistas nos passaram que um dos locais com maior contaminação é o refeitório. Nossos nutricionistas estão elaborando cardápios mais fáceis de ser consumidos dentro da própria sala de aula, para evitar o uso do refeitório. Tudo isso já foi conversado com os diretores e estes estão conversando com seus professores, seus agentes, para verificar como isso vai acontecer em cada unidade. Outra diretriz é a questão do parquinho, infelizmente os alunos não terão acesso a esse espaço que eles gostam muito, justamente pela questão da contaminação. Temos que explicar aos alunos que este será um retorno diferente, não teremos mais um recreio e sim um momento para dar uma volta pela escola, arejar a cabeça e retornar à sala. Tudo isso é muito novo e diferente.

JP3 - Como estas mudanças chegarão ao conhecimento dos alunos e seus pais?

R - Não podemos fazer reuniões presenciais, então a Secretaria de Educação está elaborando um documento com as novas regras, o que pode e não pode nas escolas, nesse período de pandemia. Cada escola tem autonomia, elas estão dialogando para verificar a sua realidade. As famílias receberão este documento.

JP3 - O retorno até aqui está previsto para 8 de setembro, mas isso pode mudar. Como vocês planejam o calendário nessa incerteza?

R - Não conseguimos fazer um planejamento muito demorado, então fazemos a cada 10 dias. Hoje não tenho um calendário pronto, porque temos um decreto que saiu semana passada, que adiou a intencionalidade do retorno de agosto para setembro. Se o retorno fosse em agosto, já havíamos elaborado três calendários, um para volta dia 5, outro para volta dia 17 e outro para dia 31, mas nenhum deles mais será útil, porque a data do retorno no momento é 8 de setembro. Nesta semana a Secretaria da Educação está estudando possíveis datas de setembro. Até os professores estão perguntando por que não liberamos os calendários, não temos como fazer isso, porque a cada 15 dias sai uma nova situação, exige novos estudos sobre o calendário e para não bombardear os professores com um calendário novo a cada 15 dias, estamos aguardando a decisão final, o dia que voltarmos, aí sim liberamos o calendário oficial.

JP3 - Esse retorno presencial é obrigatório para quem está matriculado, porque muitas famílias não querem mandar seus filhos à escola neste momento.

R - Não é obrigatório. Pela primeira vez se abre uma outra possibilidade, em função da pandemia, já mandamos para as famílias da educação infantil e os alunos da alfabetização e agora estamos encaminhando para as famílias do ensino fundamental um questionário. Uma das questões deste questionário é sobre o retorno das atividades, perguntando se deseja ou não enviar seu filho para a escola, mesmo sendo uma semana sim e uma semana não, é um modelo híbrido. A partir do momento que tivermos as famílias se posicionando, não quero mandar meu filho para a escola, hoje ele está amparado legalmente, ele pode ter essa opção. Neste caso o aluno vai ficar até o final do ano na plataforma. Para os alunos que a família decidir voltar teremos o modelo híbrido, 50% presencial uma semana, 50% na plataforma.

JP3 - Como a secretaria está preparando os professores e todo o pessoal para esse retorno presencial?

R - Estamos em período de férias nesse momento, antecipamos as férias, porque recebemos comentários de professores que estavam cansados, estressados, abalados com essa mudança e como vamos precisar deles fortalecidos emocionalmente no nosso retorno, seja em setembro ou quando for, em função disso fizemos antecipação das férias de janeiro para agora,para que os professores parassem o trabalho da plataforma, também as familias e alunos, sem aquela obrigatoriedade de abrir o computador para realmente dar um descanso. Sabemos que todos retornarão mexidos, inseguros, tanto professor, aluno, pais, enfrentaremos isso e por isso estamos trabalhando questões emocionais com os professores, por meio das formações e isso terá que continuar no retorno das aulas. A antecipação das férias foi uma estratégia também, porque temos no município cerca de 900 ACTs e nós decidimos antecipar as férias para não desligar estas 900 famílias, como outros fizeram, nesse momento delicado para todos. Tivemos questionamentos de professores efetivos, mas nessa hora temos que olhar para todos. Também não reduzimos valores dos pagamentos nem dos efetivos, nem dos ACTs.

JP3 - Em alguns estados onde as aulas estão retornando houve uma grande procura por vagas nas escolas públicas, principalmente na educação infantil, porque a pandemia provocou uma debandada das particulares, além do que muitas fecharam. Como está essa situação por aqui?

R - Estamos com inscrições abertas e a partir da próxima semana estas inscrições se transformarão em matrículas. Abrimos as inscrições para medir como seria a procura do ensino particular para o público e tivemos uma procura que não podemos classificar de ‘drástica’, é uma procura no ensino fundamental que o município ainda consegue abraçar. A situação das escolas de educação infantil, que muitas estão em situação de fechar, é muito difícil mesmo, mas a Secretaria da Educação não tem competência para interferir na logística das escolas particulares, mas temos um bom diálogo com estas escolas, em algumas de educação infantil 0 a 3 anos temos a compra de 436 vagas, entendemos que também estamos passando por um momento difícil, mas estas vagas seguem mantidas.

JP3 - Os alunos da rede que não estão fazendo aulas à distância terão preferência no retorno às aulas presenciais?

R - Dos 15 mil alunos da rede, 23% estão buscando material físico nas escolas entre educação infantil e fundamental, é muito maior a quantidade dos alunos do ensino fundamental. Ficou muito aflorada por meio desta estratégia, do ensino à distância, a situação da desigualdade. Procuramos suprir isso com material impresso, que as famílias buscam semanalmente nas escolas com o professor, o diretor. Para melhorar esse quadro no nosso retorno a intenção é que esses 23% fiquem o tempo todo presencial, porque sabemos que não terão acesso a internet.

JP3 - A segurança para todos é essencial nesse retorno e aí reside a preocupação maior...

R - As alternativas que estamos buscando foram com estudos do que está acontecendo em outros lugares e como podemos adaptar essas possibilidades na nossa realidade. Não é nada fácil, seguimos buscando mais informações com nossos infectologistas para que possamos dar mais segurança aos professores, aos estudantes, estamos nos reinventando, redescobrindo, não conseguimos tomar decisões a longo prazo. Tudo muito devagar, lento, mas quando voltarmos queremos voltar com toda segurança e temos o entendimento que se houver uma sala em que um professor ou um aluno teste positivo, aquela sala inteira ou a escola inteira terá que fechar, entrar em quarentena, tudo isso vamos descobrindo com a ajuda dos especialistas da saúde. Estamos estudando muito tudo isso, buscando todas as alternativas. Hoje posso dizer que estamos pensando em um calendário, mas se terminaremos o ano letivo em 2020 ou se levaremos para 2021... essa resposta ainda não temos hoje”.


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Escolas particulares têm forte expectativa para o retorno presencial em setembro

Rede municipal também se prepara, mas a decisão final será das famílias

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Quinta, 30/7/2020 10:17.
Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes

O último decreto do governo do Estado, publicado no dia 17 de julho, anuncia o retorno presencial das aulas para 8 de setembro e, se nada mudar por conta dos números da pandemia que continuam em alta, as atividades acontecerão de forma gradativa e com alternância entre estudantes em sala de aula e em casa (modelo híbrido), mas sempre respeitando o direito de decisão das famílias, são elas que decidirão se os filhos retornam ou não às salas de aula.

As escolas particulares de Santa Catarina se uniram, lideradas pelo Sindicato das Escolas Particulares de Santa Catarina (SINEPE/SC) e estão confiantes pela retomada das aulas presenciais, já que estão enfrentando problemas financeiros, especialmente os núcleos de educação infantil. Em Balneário Camboriú, as escolas espalharam outdoors pela cidade defendendo a retomada, com apoio da Associação de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais (AMPE). A reportagem do Página 3 ouviu algumas das instituições privadas da cidade, líderes de Sindicatos ligados à educação e também a rede pública municipal sobre o assunto. Confira.

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SINEPE/SC defende a importância da retomada

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de SC (SINEPE/SC), Marcelo Baptista de Sousa, vem defendendo com efetividade o retorno das atividades presenciais nas escolas particulares do Estado, alegando que as instituições estão aptas para receber os alunos, seguindo todas as normas sanitárias indicadas pelo Governo.

“As escolas estão prontas e preparadas para recebermos os alunos, assim que as famílias se sentirem confiantes e desejarem, essa seria a nossa maior luta, que a gente não precisasse da tutela do Estado, que fosse uma decisão da família. Muitos pais nos procuram porque não têm como assegurar o atendimento, não tem local, para fazer o serviço que só a escola pode oferecer”, explica.

Marcelo opina que as escolas ‘nunca foram um grande vetor ou foco’ de meningite ou gripe – citando como exemplo, lembrando que os colégios são arejados e que ‘o que resta é dúvida e indignação’.

“Me corrijam se eu estiver errado, mas lá em março o que sempre escutamos foi que o vírus só iria embora quando no mínimo 70, 90% da população pegue, mas o Estado não tem condições pela falta de leitos. Falam de achatar a curva, mas não há nem investimento do Estado, não estou vendo onde foram os R$ 33 milhões, não estou vendo os hospitais além dos respiradores abrindo vagas para contratar novas equipes, não vejo o Estado e os municípios adotando infraestrutura, por isso fica a pergunta: vamos esperar mais quanto tempo?”, salienta.

O presidente levanta ainda a questão de cidades grandes como São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, os casos já começaram a diminuir – nessa última as aulas já retornaram.

“As escolas de educação infantil estão ‘quebradinhas’, imagina quatro meses sem receber nada? Os meses de suspensão de contratos já acabaram. O apoio do governo tem sido mandar a polícia prender diretor de escolinha, porque a gente vê o hotel fazendo colônia de férias, uma indignação nossa, é isso que estão fazendo”, acrescenta.


AMPE apoia as escolas particulares em Balneário

O Núcleo das Escolas Particulares da Associação de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais de Balneário Camboriú (AMPE/BC) espalhou pela cidade outdoors pedindo a retomada das aulas presenciais. O presidente da AMPE, Antônio Demos, explica que integram o Núcleo cerca de 20 escolas, mas que houve também integração de instituições da região, como Itapema, Camboriú e Itajaí. “A AMPE está defendendo o interesse das escolas. No início entendíamos que era uma crise temporária e que a situação não se arrastaria muito tempo, mas agora está ficando insustentável, com dificuldade de sobrevivência para algumas escolas”, comenta.

Segundo Antônio, há relatos de pais que deixaram de pagar mensalidade e outros que migraram para colégios públicos, mas ele lembra que as despesas das escolas continuaram, além de terem ocorrido demissões. “Sabemos que a vida está em primeiro plano, mas não está havendo atenção para esse segmento, que parou 100%, não só em Balneário e no Estado, mas no Brasil todo. Precisamos de uma contrapartida, pois não é possível saber até quando as instituições vão conseguir se manter, desde a educação infantil como Ensino Médio, é desesperador imaginar que pode não voltar neste ano”, salienta.

Aline Luzia Tonezer Pereira, sócia-proprietária da Oficina da Infância Centro Educacional, é diretora do Núcleo das Escolas Particulares da AMPE, e comenta que as escolas de Balneário e região se uniram ainda em abril, para conseguirem sobreviver a tudo o que vem acontecendo, e uma das iniciativas foi mostrar para a comunidade o retorno das aulas com segurança – através de outdoors, que foram distribuídos pela cidade entre maio e junho.

“Respeitamos todo o momento que estamos vivendo, sabemos que o governo está tentando encontrar projeções para abrirmos as escolas em setembro, de uma forma segura, não vai ser como antes, será de forma híbrida, presencial e online. Essa é a nossa expectativa. Vai ser uma opção do pai levar ou não a criança para a escola, claro que para a educação infantil fica um pouco longe da realidade, mas também tentaremos nos adaptar, porque os pais voltaram a trabalhar e precisam de local para deixar os seus filhos”, analisa.


As escolas e a expectativa do retorno

Matrículas canceladas, demissões de professores, inadimplência crescendo e contas que não param de chegar, a preocupação é generalizada, desde as escolas de educação infantil até o ensino superior. Mas todos dizem que a decisão de retorno presencial ou não é das famílias. Acompanhe o que dizem os responsáveis:

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Colégio Raízes

credito - Márcio Gonçalves

Nivaldo Ávila dos Santos, integrante do Núcleo das Escolas Particulares da AMPE e proprietário do Colégio Raízes está no limite de sua expectativa para o retorno das atividades presenciais. Ele já esteve no Legislativo pedindo ajuda para a reabertura, falando da situação difícil das escolas de educação infantil e quatro meses depois de portas trancadas, ele já atribui toda essa situação a ‘brigas políticas’ que estão acontecendo, segundo ele, em todo o país e aqui também.

“Estamos lutando para desvincular, não ficar mais atrelados ao município, ao estado, através de um projeto em andamento”, disse.

Tudo que as escolas tinham que fazer foi feito, desde o preparo das salas, compra de equipamentos, como medidor de temperatura, tapete higiênico, aparelho para higienização das mãos.

“Estamos preparados, todos sabem que não vai ser como antes, se eu tinha 350 alunos, vão voltar uns 120... então as escolas estão prontas, vamos seguir todo esse protocolo exigido, mas estamos nesse aguardo, enquanto tiver uma determinação do governo do Estado ninguém pode fazer nada”.

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Paraíso Infantil Baby

Ana Paula Petter é proprietária do Paraíso Infantil Baby junto com a mãe, Tânia Medeiros Petter, ela conta que em 20 anos de existência da escola, com duas unidades em Balneário Camboriú, nunca presenciaram uma situação como a atual.

“Tem sido bem difícil, estamos fechados desde 19 de março, o número de alunos cancelando as matrículas têm sido frequente. A educação infantil é a que mais está sofrendo, já que não é obrigatória. Houve pais que retiraram seus alunos e matricularam na rede pública também, inclusive não sei como eles darão conta do número maior de alunos quando acontecer o retorno. Fizemos descontos para incentivar que os pais continuem conosco, que serão devolvidos em descontos fracionados, assim como a inclusão da colônia de férias, que será em janeiro”, explica.

Segundo Ana, considerando que a receita da escola diminuiu, precisaram fazer a redução da jornada de trabalho e salário dos funcionários, assim como a suspensão de contratos, mas que o futuro ainda permanece incerto.

“Estamos prontos para receber as crianças, compramos todos os equipamentos necessários, como máscaras, termômetros e tapetes sanitizadores. Criamos um protocolo de cuidados e higiene especial para nossa escola. Fizemos uma pesquisa com os pais e 80% deles querem que a gente reabra. As crianças estão sentindo falta também, e boa parte dos pais estão tendo que ter um gasto extra com babás, já que a escola está fechada”, afirma.

No Paraíso Infantil Baby as crianças ganham kits (retirados pelos pais na escola) para desenvolver atividades pedagógicas em casa, e, além deles, os alunos a partir dos quatro anos assistem os vídeos gravados pelas professoras.

A escola também participou junto da campanha da AMPE e Ana vê que a união tem sido ‘super importante’, já que pode fazer a diferença e sensibilizar a comunidade e os governos.

“Precisamos pagar as contas, estávamos preparados para voltar em agosto, agora dizem que voltaremos em setembro... temos esperança, mas é complicado. Se não podemos voltar, então esperamos que o governo nos ajude de alguma forma, seja na folha ou na isenção de impostos, porque nada disso parou, as contas continuam chegando”, completa.

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Centro Educacional Construindo o Saber

A diretora do Centro Educacional Construindo o Saber, Maria de Fátima Ribeiro Pereira, conta que a situação da pandemia tem sido um grande desafio, mas também aprendizado, exigindo que se reinventem em busca constante de novos conhecimentos e descobrindo novas tecnologias.

“Tivemos uma perda significativa de alunos principalmente da educação infantil, o segmento mais atingido durante esse período de pandemia, já que muitos pais não possuem seus familiares próximos e confiam na escola para deixar seus filhos enquanto trabalham. Temos negociado os descontos diretamente com os pais, realizando atendimentos individualizados e negociações de acordo com a situação de cada família”, diz.

O colégio vem realizando desde março as aulas online, para que os alunos não fossem prejudicados pedagogicamente, mas Maria vê que as atividades presenciais são diferenciadas, já que ‘a escola além de proporcionar o ensino aprendizado, possui um papel muito importante que é o espaço de convivência’. “Muitas famílias buscam o ensino infantil para que as crianças possam socializar e conviver em grupos, com o isolamento social muitas famílias cancelaram as matrículas. Considerando um retorno às aulas presenciais respeitando todos os protocolos de segurança exigidos pelos órgãos competentes, acreditamos que seja importante não somente para o aprendizado dos alunos, mas principalmente para saúde emocional. Os alunos sentem muita falta do ambiente escolar e da interação com amigos e professores, é muito comum nas aulas online relatos sobre a falta que sentem da rotina escolar”, salienta.

O Construindo o Saber está equipando toda a sua estrutura para o anunciado retorno com as atividades presenciais; foram adquiridos termômetros digitais, tapetes higiênicos, totem de álcool-gel na entrada, dispenser de álcool distribuídos por todo o espaço escolar nas áreas externas, salas de aula e todas as dependências. “Profissionais estão sendo treinados para realização das limpezas, contratamos uma empresa de sanitização também, as carteiras estão com marcações para que os alunos mantenham a devida distância, as mesas do refeitório e educação infantil estão com barreiras de acrílico. Além da estrutura para garantir os cuidados e prevenção, a escola realizou a aquisição de câmeras de alta resolução para a transmissão ao vivo das aulas com a realização do ensino híbrido para os alunos do grupo de risco e também para os alunos que os pais optarem em mantê-los em casa”, completa.

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SEI Educação Infantil

credito - Arquivo PessoalLizele com a filha.
A proprietária da escola de educação infantil SEI, Lizele Pereira disse que todos os protocolos e regras estabelecidas pelo decreto estadual para o anunciado retorno presencial no início de setembro, serão cumpridas.

“As escolas particulares estão entre os setores mais prejudicados com esta crise. Em nossa escola e acho que aconteceu em todas, fizemos em torno de 30% de demissões até o momento. Além disso, muitas matrículas foram cancelada e também aumentou muito a inadimplência. Nós continuamos buscando maneiras de nos manter, com aulas e atividades online, se reinventando a cada dia”, disse Lizele.

A escola na Rua 2448 está preparada para o retorno. Segundo a diretora, todos os cuidados serão tomados, equipamentos para este novo momento foram comprados para voltar de forma segura para todos.

“Mas a partir do momento que as aulas voltarem, os pais é que deverão decidir, se sentem-se seguros ou não de levar seus filhos à escola. O que as escolas particulares querem é a oportunidade de voltar a desenvolver seu trabalho, suas atividades, evitando mais demissões ou até o fechamento das portas, mas a decisão de levar os filhos à escola é totalmente dos pais, até porque estamos tratando de crianças”, finalizou Lizele.

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Colégio Unificado Balneário Camboriú

credito - Divulgação

O diretor do Colégio Unificado, Castelo Gazzoni disse que está cansado de reclamar e ficar apreensivo para o retorno, mas acredita que agora está perto de acontecer.

“Estamos na expectativa de retornar no início de setembro, possivelmente de forma semipresencial, com adequações específicas e toda a questão da vigilância sanitária, procedimentos, protocolos, para que o aluno tenha toda segurança, assim como os professores e demais profissionais”, afirmou.

Todo equipamento exigido e recomendado está comprado e a escola está pronta: toten com álcool em gel, tapete sanitizante, obrigatoriedade do uso de máscara, professores com máscaras face shield, distanciamento de 1,5m entre carteiras.

“Temos um esquema especial para alunos que porventura queiram continuar com aulas online até o final do ano, vamos fazer turmas específicas. Aquele aluno e pais que desejar voltar à escola terá seu direito respeitado e estamos preparadíssimos para recebê-lo e aquele pai que não se sentir muito bem, tem pais que tem idosos em casa ou outras questões, este também pode optar para que seu filho fique em casa e receba aulas online. Queremos abranger todos os alunos para que nenhum fique com prejuízo na educação esse ano”, afirmou Castelo.

Ele disse que a inadimplência cresceu bastante, porque outros setores estão prejudicados pela pandemia.

“Mas estamos achando meios para nos manter nessa luta.

Até aqui estamos fazendo aulas online, completando a carga horária necessária, com qualidade, envolvimento total dos professores e investimento grande da escola na parte tecnológica, tenho certeza que estamos dando conta com sucesso, mas estamos apreensivos para o retorno presencial, embora sabendo da situação difícil que o Estado se encontra neste momento”, concluiu o diretor.

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COC Balneário Camboriú

credito DivulgaçãoOs diretores e sócios do colégio COC Balneário Camboriú, de Ensino Médio e Pré-Vestibular, André Volpato e Rogério Novaes sabem que a volta do ensino presencial ainda é incerta e acreditam que o mais importante neste momento é a saúde da comunidade escolar.

“Temos um governo sinalizando um retorno para 8 de setembro mas se isso realmente vai acontecer ou não, nós não sabemos dizer hoje. Só sabemos como faremos, retornando seguiremos os protocolos, não teremos a volta de todos os alunos, será um retorno gradual, estaremos dando a opção para que o aluno decida se vai voltar ou se continuará assistindo sua aula de casa, porque o mais importante é o cuidado, a saúde desta comunidade escolar”, disse André.

Ele destacou que o cenário da educação será diferente para cada nível da educação. Além dos impactos que todos estão vivendo hoje, haverá os impactos pós-pandemia, porque a escola está impactando direta ou indiretamente nas rotinas da família, do aluno, do professor.

“A mesma coisa aconteceu com a rotina do aluno, ele teve que se reorganizar, antes precisava levantar, sair de casa para escola e hoje ele está recebendo essa aula muitas vezes dentro do seu quarto. O mesmo acontece com o professor, antes ele se constituía pela presença, pelas relações, hoje ele não consegue mediar as relações, não consegue perceber se o aluno está acompanhando, aprendendo o conteúdo”, destacou professor André.

Escola e socialização

Outro ponto importante, lembrado pelo professor Rogério, é a valorização da escola, como fio condutor que entrelaça questões na reorganização da vida, nas relações necessárias entre seres humanos, nas relações da busca de conhecimento, nas relações que implicam direta ou indiretamente no contexto da sociedade.

“A escola passa a ser vista como fundamental e não mais como instituição que poderá ser substituída pela tecnologia. A escola jamais será substituída pela tec nologia e quanto menor os níveis, vamos falar em educação básica, mais importante é o papel da escola. Não só a estrutura física, não só os alunos, os pais, os professores, mas a comunidade escolar toda que tem necessidade desse espaço de socialização e aprendizagem”, ressaltou Rogério, lembrando que a hoje educação aumentou as desigualdades, porque muitas famílias ainda não tem acesso à tecnologia e tudo que ela oferece.

“Por todo esse conjunto, o momento exige muita cautela embora gerado por grandes expectativas de retorno, é um momento delicado. Todas as instituições escolares terão que se adaptar aos protocolos. O COC está se preparando e vai estar aberto com todas as condições para trazer tranquilidade às famílias”, concluiu.

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Centro Universitário UniAvan

Os acadêmicos da UniAvan poderão decidir se desejam retornar para os encontros presenciais a partir do segundo semestre ou se continuam participando das aulas remotamente nas plataformas virtuais disponibilizadas pela instituição. O Centro Universitário irá aderir ao formato de ensino híbrido a partir de segunda-feira (3), com 30% dos alunos – que escolheram voltar com as atividades presenciais através de uma pesquisa; os outros 70% permanecerão tendo as aulas de forma online, com reforço nas medidas de biossegurança contra a Covid-19 (aferição de temperatura de alunos, colaboradores, professores e visitantes antes da entrada nos prédios, álcool em gel em todos os espaços comuns, reforço na rotina de limpeza e sanitização de todos os setores e salas e controle de fluxo de entrada e saída, evitando que as pessoas esbarrem entre si nos corredores e escadas, dentre outras ações).

A reitora do Centro Universitário, Isabel Regina Depiné Poffo, explica que durante todo o primeiro semestre foram analisadas as ferramentas de ensino disponibilizadas e o processo de aprendizagem. “Entendemos que as estratégias adotadas para aulas online tiveram um resultado muito positivo e analisamos diversas possibilidades. Constatamos que neste momento o ensino híbrido seria uma alternativa segura e o estudante avalia se deseja ou não voltar neste momento. Aqueles que preferem estudar em casa ou pertencem ao grupo de risco, por exemplo, terão exatamente a mesma aula”, esclarece. Além de estar disponível na sala de aula, o professor irá transmitir a aula ao vivo para os alunos de casa.

A UniAvan está fazendo um reforço na infraestrutura de internet para otimizar a conexão durante os horários das aulas. Já as avaliações individuais continuarão de modo remoto, a todos, independente da forma de estudo escolhida pelo estudante. As práticas e estágios presenciais continuam sendo ofertados com uma formatação específica que permite o distanciamento social seguro. A instituição também fez a promoção ‘Cheque UniAvan’ que ofertou R$ 2 milhões em descontos em mensalidades para auxiliar acadêmicos a continuarem os estudos, manteve todas as bolsas, descontos e financiamentos. Cada caso está sendo analisado individualmente, e segundo a assessoria, estão buscando ofertar todas as negociações possíveis para que o aluno não interrompa a graduação neste momento. Também foram ampliados os canais de atendimento online para que o aluno não precise ir até a instituição, inclusive com um específico para negociações: [email protected]

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Universidade do Vale do Itajaí (Univali)

A Univali também estabeleceu um plano de retorno das atividades do segundo semestre deste ano, com um modelo híbrido. As aulas iniciaram no último dia 27 para o Colégio de Aplicação e no dia 17 de agosto está previsto para acontecer o retorno para os cursos de graduação, ainda de forma remota, mas seguem ao longo do semestre com a combinação do estudo síncrono com o estudo customizado assíncrono (home study) no ambiente remoto, as experiências práticas presenciais em laboratórios e a vivência no campus universitário – estas quando autorizadas pelos órgãos governamentais. Os cursos de pós-graduação, também no modelo de retorno híbrido, seguem calendário próprio por curso e programa.

A coordenadora do Ensino Superior da Vice-Reitoria de Graduação e Desenvolvimento Institucional da Univali, Patrícia Duarte Peixoto Morella, explica que o retorno presencial 100% é algo que independe da universidade, e que haverá ainda a decisão por município. Por exemplo, Balneário Camboriú pode vir a liberar o retorno, enquanto Itajaí e Florianópolis não.

“Fizemos a programação do retorno híbrido, que é aos poucos, ainda permanecendo com a aula online, mas é difícil ter uma certeza já que o cenário permanece instável. Depende do número de casos em cada cidade também, há o cronograma de aulas presenciais, queremos retornar, mas não depende apenas da vontade da Univali. O primeiro semestre foi sem prejuízos para nenhum curso, conseguimos cumprir toda a programação”, destaca.

Segundo Patrícia, há dois lados: os alunos que estão inseguros e que dizem preferir continuar de forma remota, e os que pedem pelo retorno.

“Por isso seguimos acompanhando as cidades onde temos campi, mas as aulas online seguem, inclusive aproveito para agradecer a inventividade e criatividade dos professores, que conseguiram cumprir com o conteúdo no ambiente online, sem atrasar nada. Não houve suspensão, e os alunos também avaliaram de forma positiva”, acrescenta.

A coordenadora reconhece que há casos de alunos que estão com problemas para acertar a mensalidade, e que já possuíam canais de comunicação para tratar da inadimplência anteriormente, e que agora eles estão de forma ainda mais efetiva e online.

“É tudo personalizado, estamos sempre à disposição dos acadêmicos para dialogar e tentar resolver as situações, além de tirar dúvidas, como agora estão acontecendo sobre as rematrículas”, informa.

O Vice-Reitor de Graduação e Desenvolvimento Institucional, professor Carlos Alberto Tomelin, salienta que as medidas de segurança serão rigorosamente observadas e respeitadas e que a Univali desenvolveu um protocolo de biossegurança com foco no bem-estar da comunidade acadêmica. Este protocolo orienta a conduta desde a entrada na universidade, a circulação no campus, os serviços de atendimento ao estudante, até o comportamento em sala de aula e nos laboratórios. “Seguiremos atentos às recomendações e cientes de que o modelo de retorno pode sofrer alterações, uma vez que o cenário é instável. A Univali está trabalhando intensamente para que a comunidade não sofra prejuízos no calendário acadêmico e possa continuar contando com ensino de qualidade, aliado à autonomia, saúde e segurança de todos”, ressalta Tomelin.


SINTE-SC é contra o retorno presencial sem apoio

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC) é contra a retomada das aulas presenciais. O coordenador do sindicato, Luiz Carlos Vieira, destaca que não há condições estruturais nas escolas estaduais, além da questão da testagem e do risco do contágio da doença, lembrando que a saúde deve ser o principal foco, tanto a dos trabalhadores como dos alunos.

“Nós não voltamos enquanto as autoridades técnicas e científicas apontarem as garantias de saúde e o Estado nos dar condições. O Governo do Estado relaxou a situação e empurrou para os municípios a decisão do isolamento e nós vimos aumentar o número de casos e óbitos em Santa Catarina”, diz.

Luiz Carlos ainda aponta desafios para implementar o plano proposto pelo Governo na prática, citando a capacitação dos professores, resultados de testagens de profissionais da área da educação e levantamento de informações sobre os alunos, que podem integrar algum grupo de risco ou conviver com quem integra.


Rede municipal de Balneário Camboriú preparando a volta, mas retorno não é obrigatório

Em um cenário incerto e confuso, a Secretaria Municipal da Educação está preparando o retorno presencial das aulas para 8 de setembro, conforme estabelece o último decreto estadual. Incerto e confuso, porque o momento é muito preocupante com a doença registrando seus picos mais severos, o que pode gerar novos decretos.

A secretária da Educação, Rosângela Percegona Borba disse que a Educação segue a orientação determinadas pela Saúde.

“A orientação que temos é que as aulas devem retornar apenas quando tivermos uma curva descendente e a nossa curva ainda está subindo”, disse.x

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Rosângela concedeu entrevista ao Página3 sobre a expectativa do retorno. Acompanhe:

credito - Divulgação

JP3 - O governo estadual está anunciando para setembro o retorno presencial, com 50% dos alunos. Como será a logística deste retorno?

Rosângela - Se o retorno presencial for autorizado, retornaremos com 50% dos alunos. Por ex: uma sala com 40 alunos, em uma semana irão 20 alunos e os outros ficam na plataforma e na semana seguinte, os que estavam na plataforma ficam no presencial e os que estavam em sala ficam na plataforma. O trabalho com a plataforma vamos levar até o final do ano e quem sabe até o ano que vem também com esta sistemática, uma vez que temos que voltar com apenas 50% dos alunos. Em relação aos alunos que ficam em período integral, a intenção é manter todos, porém na sala com 50% e a ideia é que 50% vá no período da manhã e os outros 50% frequentam o período da tarde.

JP3 - Como estão organizando esse novo momento da educação?

R - Fizemos aquisição de termômetros para as escolas, tapete higiênico e todo um preparo interno das escolas, distanciamento nas salas. A regra vai ser lavar as mãos na pia, passar pelo tapete higiênico, verificar temperatura, passar álcool em gel e só então entrar na sala. Esperamos que as famílias entendam que ficarão limitadas ao portão, para fazermos esta higienização apenas aos estudantes e aos servidores da escola. Haverá um movimento diferente dentro das escolas. Por ex: os infectologistas nos passaram que um dos locais com maior contaminação é o refeitório. Nossos nutricionistas estão elaborando cardápios mais fáceis de ser consumidos dentro da própria sala de aula, para evitar o uso do refeitório. Tudo isso já foi conversado com os diretores e estes estão conversando com seus professores, seus agentes, para verificar como isso vai acontecer em cada unidade. Outra diretriz é a questão do parquinho, infelizmente os alunos não terão acesso a esse espaço que eles gostam muito, justamente pela questão da contaminação. Temos que explicar aos alunos que este será um retorno diferente, não teremos mais um recreio e sim um momento para dar uma volta pela escola, arejar a cabeça e retornar à sala. Tudo isso é muito novo e diferente.

JP3 - Como estas mudanças chegarão ao conhecimento dos alunos e seus pais?

R - Não podemos fazer reuniões presenciais, então a Secretaria de Educação está elaborando um documento com as novas regras, o que pode e não pode nas escolas, nesse período de pandemia. Cada escola tem autonomia, elas estão dialogando para verificar a sua realidade. As famílias receberão este documento.

JP3 - O retorno até aqui está previsto para 8 de setembro, mas isso pode mudar. Como vocês planejam o calendário nessa incerteza?

R - Não conseguimos fazer um planejamento muito demorado, então fazemos a cada 10 dias. Hoje não tenho um calendário pronto, porque temos um decreto que saiu semana passada, que adiou a intencionalidade do retorno de agosto para setembro. Se o retorno fosse em agosto, já havíamos elaborado três calendários, um para volta dia 5, outro para volta dia 17 e outro para dia 31, mas nenhum deles mais será útil, porque a data do retorno no momento é 8 de setembro. Nesta semana a Secretaria da Educação está estudando possíveis datas de setembro. Até os professores estão perguntando por que não liberamos os calendários, não temos como fazer isso, porque a cada 15 dias sai uma nova situação, exige novos estudos sobre o calendário e para não bombardear os professores com um calendário novo a cada 15 dias, estamos aguardando a decisão final, o dia que voltarmos, aí sim liberamos o calendário oficial.

JP3 - Esse retorno presencial é obrigatório para quem está matriculado, porque muitas famílias não querem mandar seus filhos à escola neste momento.

R - Não é obrigatório. Pela primeira vez se abre uma outra possibilidade, em função da pandemia, já mandamos para as famílias da educação infantil e os alunos da alfabetização e agora estamos encaminhando para as famílias do ensino fundamental um questionário. Uma das questões deste questionário é sobre o retorno das atividades, perguntando se deseja ou não enviar seu filho para a escola, mesmo sendo uma semana sim e uma semana não, é um modelo híbrido. A partir do momento que tivermos as famílias se posicionando, não quero mandar meu filho para a escola, hoje ele está amparado legalmente, ele pode ter essa opção. Neste caso o aluno vai ficar até o final do ano na plataforma. Para os alunos que a família decidir voltar teremos o modelo híbrido, 50% presencial uma semana, 50% na plataforma.

JP3 - Como a secretaria está preparando os professores e todo o pessoal para esse retorno presencial?

R - Estamos em período de férias nesse momento, antecipamos as férias, porque recebemos comentários de professores que estavam cansados, estressados, abalados com essa mudança e como vamos precisar deles fortalecidos emocionalmente no nosso retorno, seja em setembro ou quando for, em função disso fizemos antecipação das férias de janeiro para agora,para que os professores parassem o trabalho da plataforma, também as familias e alunos, sem aquela obrigatoriedade de abrir o computador para realmente dar um descanso. Sabemos que todos retornarão mexidos, inseguros, tanto professor, aluno, pais, enfrentaremos isso e por isso estamos trabalhando questões emocionais com os professores, por meio das formações e isso terá que continuar no retorno das aulas. A antecipação das férias foi uma estratégia também, porque temos no município cerca de 900 ACTs e nós decidimos antecipar as férias para não desligar estas 900 famílias, como outros fizeram, nesse momento delicado para todos. Tivemos questionamentos de professores efetivos, mas nessa hora temos que olhar para todos. Também não reduzimos valores dos pagamentos nem dos efetivos, nem dos ACTs.

JP3 - Em alguns estados onde as aulas estão retornando houve uma grande procura por vagas nas escolas públicas, principalmente na educação infantil, porque a pandemia provocou uma debandada das particulares, além do que muitas fecharam. Como está essa situação por aqui?

R - Estamos com inscrições abertas e a partir da próxima semana estas inscrições se transformarão em matrículas. Abrimos as inscrições para medir como seria a procura do ensino particular para o público e tivemos uma procura que não podemos classificar de ‘drástica’, é uma procura no ensino fundamental que o município ainda consegue abraçar. A situação das escolas de educação infantil, que muitas estão em situação de fechar, é muito difícil mesmo, mas a Secretaria da Educação não tem competência para interferir na logística das escolas particulares, mas temos um bom diálogo com estas escolas, em algumas de educação infantil 0 a 3 anos temos a compra de 436 vagas, entendemos que também estamos passando por um momento difícil, mas estas vagas seguem mantidas.

JP3 - Os alunos da rede que não estão fazendo aulas à distância terão preferência no retorno às aulas presenciais?

R - Dos 15 mil alunos da rede, 23% estão buscando material físico nas escolas entre educação infantil e fundamental, é muito maior a quantidade dos alunos do ensino fundamental. Ficou muito aflorada por meio desta estratégia, do ensino à distância, a situação da desigualdade. Procuramos suprir isso com material impresso, que as famílias buscam semanalmente nas escolas com o professor, o diretor. Para melhorar esse quadro no nosso retorno a intenção é que esses 23% fiquem o tempo todo presencial, porque sabemos que não terão acesso a internet.

JP3 - A segurança para todos é essencial nesse retorno e aí reside a preocupação maior...

R - As alternativas que estamos buscando foram com estudos do que está acontecendo em outros lugares e como podemos adaptar essas possibilidades na nossa realidade. Não é nada fácil, seguimos buscando mais informações com nossos infectologistas para que possamos dar mais segurança aos professores, aos estudantes, estamos nos reinventando, redescobrindo, não conseguimos tomar decisões a longo prazo. Tudo muito devagar, lento, mas quando voltarmos queremos voltar com toda segurança e temos o entendimento que se houver uma sala em que um professor ou um aluno teste positivo, aquela sala inteira ou a escola inteira terá que fechar, entrar em quarentena, tudo isso vamos descobrindo com a ajuda dos especialistas da saúde. Estamos estudando muito tudo isso, buscando todas as alternativas. Hoje posso dizer que estamos pensando em um calendário, mas se terminaremos o ano letivo em 2020 ou se levaremos para 2021... essa resposta ainda não temos hoje”.


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