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Futuros jornalistas deficientes visuais buscam uma oportunidade de trabalho

Quinta, 8/11/2018 18:02.

Recentemente uma exposição de fotos feitas por um casal de deficientes visuais, acadêmicos de jornalismo da Univali, chamou muita atenção do público. A exposição despertou atenção por vários motivos, mas sobretudo porque mostrou que deficientes visuais também podem fotografar.

A iniciativa de mostrar essa realidade partiu da vontade dos universitários e do professor de jornalismo Eduardo Gomes que, entre outras coisas, adaptou os equipamentos para que seus alunos Felipe Cristiano da Silva e Carla Chierosa Antunes pudessem fazer o que a maioria pensa que é impossível para alguém que não enxerga.

Felipe, 27 e Carla, 25 mostraram (para espanto de muitos) que podem fotografar, que podem cursar jornalismo ou qualquer outro curso e sobretudo, que podem trabalhar. Mas é no mercado de trabalho que estão esbarrando nas maiores dificuldades, sem falar naquelas sempre capitaneadas pelo preconceito.

Os acadêmicos são palestrantes, trabalham com computador, com eventos, estudam línguas, estão procurando trabalho na área da comunicação ou na área administrativa. Felipe faz stand up comedy, porque tem paixão por comédia, mas por enquanto é somente um hobby.

Esta semana a reportagem conversou com Felipe e Carla. Eles têm cães-guia que os tornam independentes e ágeis. Mas ainda assim enfrentam muitas barreiras (e tristezas) no dia-a-dia.

Acompanhe o que eles dizem:

Preconceito ou medo?

“Muitas empresas têm vagas disponíveis para pessoas com deficiências na região, mas percebemos pelas situações que vivenciamos que elas preferem contratar alguém que não tenha um dedo, ou que não tenha uma perna ou alguém que seja surdo do que contratar um cego. Não sei se é medo... o mito de que a empresa precisa ser transformada e adaptada, inclusive já ouvimos isso várias vezes, mas essa necessidade não existe, nunca existiu, talvez seja isso. Ou o preconceito que sentimos. Por exemplo: Somos estudantes de jornalismo, mandamos currículo para as rádios e outros veículos de mídia e quando somos chamados para entrevista e eles vêem que somos deficientes visuais, a conversa muda. Ou uma situação recente que enfrentei numa entrevista de emprego em Balneário Camboriú onde o dono da empresa não me contratou por causa do cão-guia. São situações que vivemos no dia-a-dia. Não quero que a sociedade tenha um olhar de pena. Muito pelo contrário, quero mostrar que sou capaz, me considero perfeitamente capaz de suprir a demanda de uma empresa”, disse Felipe.

Sem chance de crescer

“Nasci com glaucoma congênito. Entre tratamentos e cirurgias perdi a visão com 18 anos e junto com ela perdi muitas coisas. Perdi amigos, oportunidades, mas também ganhei muita coisa, independência, força de vontade, mas só quando comecei a fazer Direito em São Paulo é que conheci o preconceito. Até então não sabia que era tão difícil ser cega. Foi muito sofrimento, Tranquei e tempos depois voltei mas em outra faculdade, também em São Paulo. Por falta de emprego, tranquei o curso por dois anos, quando conheci um pessoal de Santa Catarina, um deles é hoje meu namorado Felipe Cristiano e decidi fazer jornalismo, porque estava dando palestras sobre acessibilidade, inclusão social, cão-guia porque tenho um que é meu anjo protetor, todos me incentivaram para a área de comunicação. Fiz vestibular na Univali, passei e vim morar em Itajaí, achando que era uma área mais despojada, que seria mais fácil conseguir um trampo, mas aí sim senti o que é o preconceito. Faz dois anos e até agora não consegui estágio na área, nem dentro e nem fora da faculdade. Eu não tenho possibilidade de crescer. Gosto da área de locução, de tevê, de comunicação em geral, tenho boa voz, mas não tenho oportunidade de mostrar o que sei fazer. Há pouco tempo passamos por uma experiência diferente, fizemos uma exposição de fotos que bombou, todos acharam lindo, mas essa mesma mídia que procura a gente para fazer click´s, views, entrevistas não contrata a gente para um estágio, um trabalho, é muito desanimador”, afirmou Carla.

O casal

Felipe Cristiano nasceu há 27 anos em Balneário Camboriú com má formação na retina, porém enxergava muito mais do que enxerga hoje. Começou a estudar Relações Internacionais, se diz apaixonado pelo curso, mas depois da chegada do cão-guia e de dar palestras, decidiu mudar para jornalismo. “Me sentia muito mais como um comunicador do que como um internacionalista”, afirmou.

Ele conta que conheceu Carla, paulista de São Bernardo dos Campos, há dois anos, em um evento que eles organizaram na Univali de Itajaí.

“Nos conhecemos por causa dos cães-guia, em 2016 nos conhecemos nesse evento, ela nem pensava em morar aqui ainda. Os cães acabaram sendo o meio que nos aproximou”, contou Felipe Cristiano.

Carla conta que entre tratamentos, cirurgias e algumas opiniões médicas de que ela já havia nascido cega, o mais importante foi o amor e o apoio dos pais. “Graças a eles enxerguei até os 18 anos, aí comecei a perceber que minha visão estava diminuindo. Eu lia 48 livros por ano, vi que havia algo errado quando em vez de quatro eu estava lendo apenas dois livros por mês(...)”, disse, enfatizando que com a deficiência conheceu o preconceito e todo tipo de barreiras que vem driblando todos os dias graças ao apoio incondicional da família.

Contatos:

Felipe Cristiano - 47 99741-3218 ou felipecristianofcs3@gmail.com

Carla - 11 98214-8112 ou carla.chierosa@gmail.com

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Futuros jornalistas deficientes visuais buscam uma oportunidade de trabalho

Quinta, 8/11/2018 18:02.

Recentemente uma exposição de fotos feitas por um casal de deficientes visuais, acadêmicos de jornalismo da Univali, chamou muita atenção do público. A exposição despertou atenção por vários motivos, mas sobretudo porque mostrou que deficientes visuais também podem fotografar.

A iniciativa de mostrar essa realidade partiu da vontade dos universitários e do professor de jornalismo Eduardo Gomes que, entre outras coisas, adaptou os equipamentos para que seus alunos Felipe Cristiano da Silva e Carla Chierosa Antunes pudessem fazer o que a maioria pensa que é impossível para alguém que não enxerga.

Felipe, 27 e Carla, 25 mostraram (para espanto de muitos) que podem fotografar, que podem cursar jornalismo ou qualquer outro curso e sobretudo, que podem trabalhar. Mas é no mercado de trabalho que estão esbarrando nas maiores dificuldades, sem falar naquelas sempre capitaneadas pelo preconceito.

Os acadêmicos são palestrantes, trabalham com computador, com eventos, estudam línguas, estão procurando trabalho na área da comunicação ou na área administrativa. Felipe faz stand up comedy, porque tem paixão por comédia, mas por enquanto é somente um hobby.

Esta semana a reportagem conversou com Felipe e Carla. Eles têm cães-guia que os tornam independentes e ágeis. Mas ainda assim enfrentam muitas barreiras (e tristezas) no dia-a-dia.

Acompanhe o que eles dizem:

Preconceito ou medo?

“Muitas empresas têm vagas disponíveis para pessoas com deficiências na região, mas percebemos pelas situações que vivenciamos que elas preferem contratar alguém que não tenha um dedo, ou que não tenha uma perna ou alguém que seja surdo do que contratar um cego. Não sei se é medo... o mito de que a empresa precisa ser transformada e adaptada, inclusive já ouvimos isso várias vezes, mas essa necessidade não existe, nunca existiu, talvez seja isso. Ou o preconceito que sentimos. Por exemplo: Somos estudantes de jornalismo, mandamos currículo para as rádios e outros veículos de mídia e quando somos chamados para entrevista e eles vêem que somos deficientes visuais, a conversa muda. Ou uma situação recente que enfrentei numa entrevista de emprego em Balneário Camboriú onde o dono da empresa não me contratou por causa do cão-guia. São situações que vivemos no dia-a-dia. Não quero que a sociedade tenha um olhar de pena. Muito pelo contrário, quero mostrar que sou capaz, me considero perfeitamente capaz de suprir a demanda de uma empresa”, disse Felipe.

Sem chance de crescer

“Nasci com glaucoma congênito. Entre tratamentos e cirurgias perdi a visão com 18 anos e junto com ela perdi muitas coisas. Perdi amigos, oportunidades, mas também ganhei muita coisa, independência, força de vontade, mas só quando comecei a fazer Direito em São Paulo é que conheci o preconceito. Até então não sabia que era tão difícil ser cega. Foi muito sofrimento, Tranquei e tempos depois voltei mas em outra faculdade, também em São Paulo. Por falta de emprego, tranquei o curso por dois anos, quando conheci um pessoal de Santa Catarina, um deles é hoje meu namorado Felipe Cristiano e decidi fazer jornalismo, porque estava dando palestras sobre acessibilidade, inclusão social, cão-guia porque tenho um que é meu anjo protetor, todos me incentivaram para a área de comunicação. Fiz vestibular na Univali, passei e vim morar em Itajaí, achando que era uma área mais despojada, que seria mais fácil conseguir um trampo, mas aí sim senti o que é o preconceito. Faz dois anos e até agora não consegui estágio na área, nem dentro e nem fora da faculdade. Eu não tenho possibilidade de crescer. Gosto da área de locução, de tevê, de comunicação em geral, tenho boa voz, mas não tenho oportunidade de mostrar o que sei fazer. Há pouco tempo passamos por uma experiência diferente, fizemos uma exposição de fotos que bombou, todos acharam lindo, mas essa mesma mídia que procura a gente para fazer click´s, views, entrevistas não contrata a gente para um estágio, um trabalho, é muito desanimador”, afirmou Carla.

O casal

Felipe Cristiano nasceu há 27 anos em Balneário Camboriú com má formação na retina, porém enxergava muito mais do que enxerga hoje. Começou a estudar Relações Internacionais, se diz apaixonado pelo curso, mas depois da chegada do cão-guia e de dar palestras, decidiu mudar para jornalismo. “Me sentia muito mais como um comunicador do que como um internacionalista”, afirmou.

Ele conta que conheceu Carla, paulista de São Bernardo dos Campos, há dois anos, em um evento que eles organizaram na Univali de Itajaí.

“Nos conhecemos por causa dos cães-guia, em 2016 nos conhecemos nesse evento, ela nem pensava em morar aqui ainda. Os cães acabaram sendo o meio que nos aproximou”, contou Felipe Cristiano.

Carla conta que entre tratamentos, cirurgias e algumas opiniões médicas de que ela já havia nascido cega, o mais importante foi o amor e o apoio dos pais. “Graças a eles enxerguei até os 18 anos, aí comecei a perceber que minha visão estava diminuindo. Eu lia 48 livros por ano, vi que havia algo errado quando em vez de quatro eu estava lendo apenas dois livros por mês(...)”, disse, enfatizando que com a deficiência conheceu o preconceito e todo tipo de barreiras que vem driblando todos os dias graças ao apoio incondicional da família.

Contatos:

Felipe Cristiano - 47 99741-3218 ou felipecristianofcs3@gmail.com

Carla - 11 98214-8112 ou carla.chierosa@gmail.com

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