Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Entrevista com George Varela, presidente da Fundação Cultural de BC

Sexta, 15/9/2017 8:35.

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Por Marlise Schneider Cezar & Daniele Sisnandes

"Se criar cultura só como atrativo, ela morre na casca"

George Varela, 46, catarinense de Blumenau, mora em Balneário Camboriú desde 1971, não tem formação acadêmica ‘mas estudei no João Goulart, Ivo Silveira, Maria da Glória e no Armando César Ghislandi’, assumiu no começo deste ano, um novo desafio em sua bem sucedida carreira como empresário e designer, quando aceitou convite do prefeito Fabrício Oliveira para administrar a Fundação Cultural. Casado com Meri Dalcegio Varela, dois filhos, Georgia, 21 e João Pedro, 18, curte fotografia e estrada, além de trabalhar, que ele inclui entre suas atividades de lazer.

Para comer, adora farofa de ovo, carne de panela (receita da mãe Glaci), arroz com linguiça, salmão, côngrio, sardinha, tainha, camarão. ‘Ah, bananinha com massa de pastel e uma garrafa de laranjinha tem sabor de nostalgia’. É empolgado com a nova função, humilde quando diz que está sempre aprendendo e confiante quando fala que pretende dar um novo rumo à cultura municipal.

Quando uma pessoa da iniciativa privada assume uma função pública ela estranha, porque é muito diferente. Aconteceu contigo também?

A maior diferença é o tempo de gestação para as coisas acontecerem, seguir todos os processos, os protocolos e aguardar as decisões dos editais, do depto de compras...etc. Isso torna a atividade do setor público um dos mais eficazes tratamentos para ansiedade, tolerância e paciência. É uma experiência interessante, está me ensinando a encontrar um equilíbrio entre esses dois mundos corporativos. A principal surpresa é que por mais que eu sou um morador daqui há 45 anos e achava que conhecia alguma coisa da cidade e cidadania, foi um choque perceber que eu era um completo ignorante como cidadão.

Em que sentido?

No sentido de como as coisas funcionam, sentido em qual que é a atribuição ao governo, sentido de que começou a ir, comecei a compreender e como a população também precisa entender como funciona o mecanismo, porque se não passa a existir uma atribuição e um uso deturpado do sistema. Percebi que nesses sete meses, talvez 60% da ocupação dos servidores públicos é pra resolver problemas que não tem importância nenhuma.

Quer dizer, gastam tempo em bobagem...

Nós como cidadãos, não aproveitamos a principal atribuição que é a do governo e em contrapartida o governo também não se desperta de qual é a principal finalidade dele. Deveria ser equilibrado mas tem as intenções políticas, tem as atribuições de gestão, administração do município, acaba criando uma tendência ficar mais no lado da preocupação política. E isso é muito ruim, porque a preocupação política não deveria ser o propósito principal da administração pública, deveria ser administrar. E pra administrar, você tem que fazer com que as pessoas entendam qual que é o papel dessa administração, senão a própria população fica pressionando pra ter assistencialismo ou para ter privilégio individual. A maioria do cidadão procura muitas vezes as secretarias, os orgãos públicos para resolver o seu problema individual. Raramente você encontra alguém que chega lá com um propósito coletivo (...). A partir do momento que o prefeito atual abdicou de algumas escolhas políticas e colocou algumas escolhas técnicas lá dentro, isso já foi uma tendência a mudar. De uma forma muito devagar, mas já é um movimento positivo. Tive o privilégio de ter a confiança do prefeito para assumir a pasta da cultura, que teoricamente é uma das pastas mais leves de se conduzir.

Mas só teoricamente, porque mexer com cultura não é uma coisa fácil.

Ela é mais leve com relação a responsabilidade da opinião pública, não é uma questão de vida ou morte e em contrapartida percebi que historicamente falando de cultura x relação governos, a cultura é o último da fila nas pastas. O próprio governo não dá importância a isso, não entende que a cultura pode permear todas as atividades de governo (...).

Nestes sete meses parece que a cultura já ganhou uma outra conotação na cidade, você sente isso?

Sinto e tenho também ouvido muito isso. E o que percebi, é que as pessoas estão sentindo um movimento, uma vibração diferente. Já tentei me perguntar o porque disso. É óbvio que a mudança de gestão e um perfil diferente, porque não é político já é um ponto…tive oportunidade de compor a equipe que eu gostaria, não indicando pessoas de fora, até usando as que já tavam lá (...).

A presença da cultura dando respostas se tornou uma marca da equipe, sempre presentes nas redes sociais, explicando, esclarecendo a população,. isso é novo…

O governo não pode omitir nenhum tipo de informação, porque a omissão faz parte do jogo político. Muitos já te questionam querendo que você fale a resposta que querem ouvir e se a resposta não é a que querem ouvir, você começa a ser o patinho feio da história e ninguém tá falando nenhuma inverdade. Gente que vai lá pedir apoio, porque eu preciso comprar uma passagem…Desculpa, mas a gente hoje não tem instrumento legal pra poder te pagar uma passagem. “Como assim? Sempre foi feito”. Não tem, eu não posso chegar da noite pro dia e se eu banco uma passagem pra ti, vou ter que bancar pra outro... Se eu não tenho critério de isonomia, eu não posso fazer. Desculpa, pode ser amigo, pode ser o que for, né… então quando você começa a responder isso... já conquistei alguns inimigos. Um queria participar de um show à força, querendo ganhar um cachê exorbitante perto do trabalho que ele apresenta... e ele me mandou mensagens super desaforadas, dizendo que quem que eu achava que eu era? Que eu tava julgando o trabalho dele e eu disse, eu não tô julgando, temos um edital de credenciamento, que uma dupla custa R$ 1200, R$ 1500… Tá lá é o padrão (...).

É um jeito de mostrar que as coisas mudaram.

A grande conquista dos primeiros sete meses é você começar a naturalmente afastar os ratos, e isso é muito legal, porque daqui a pouco você dá o lugar às pessoas de bem (...).

Políticas públicas mais claras podem ser o instrumento que falta.

A questão das políticas públicas precisa ser reconstruída. Tem muita coisa boa, mas as coisas vem viciadas, porque uma das dificuldades da tua primeira pergunta “qual foi o choque de sair da iniciativa privada para iniciativa pública?’, é que na pública a tua decisão tem que passar por várias fases, comissão disso, daquilo, conselho disso, daquilo… Se essas pessoas trabalham de boa fé e tem conhecimento, tem muita contribuição para dar, mas ao mesmo tempo tem muita perda. Porque nas comissões já há dissidência e lá elas são formadas por pessoas que muitas vezes tem interesses pessoais e que acabam levantando a voz justamente para quê?... Para defender os seus interesses (...). Aí você tem políticas públicas que foram feitas no nosso plano municipal de cultura, em 2013, 2014 e você vê lá que boa parte não tem mais serventia. Algumas coisas são boas, algumas coisas são pertinentes mas, fazer um plano é praticamente fazer uma profecia né?

Você pensa em reformar esse plano municipal?

Não, na verdade a gente tem que obedecer algumas regras. Ele vai passar por uma revisão agora, isso é um pouco engessado. Mas por um lado é bom, porque senão vira uma casa da mãe joana. Percebi pelo feedback que tive, é que no começo tivemos algumas reuniões pelo conselho que foram mais conturbadas. Mas eram pessoas que tinham manifestações mais políticas às vezes e queriam beneficiar a cultura, só que acabavam criando discussões que não deixavam contribuição e agora, o que se percebe que estão na mesma sala representantes de várias câmaras setoriais, de entidades civis, e ao mesmo tempo as discussões parecem que se tornaram mais positivas (...). Então, quando a gente fala da vibração da cultura na cidade, eu acho que é resultado de tudo isso. Uma que realmente as pessoas que chegam querendo trazer viés político não vão ter vez, mesmo que seja do governo (...). Então começa nessa credibilidade, nessa movimentação dentro da Fundação, porque quando cheguei, encontrei uma repartição pública, com funcionários fazendo hora e a partir do momento em que começou a ter demanda, e aí começou a ter uma relação também de liderança ou de trabalho em equipe... praticamente se você for na Fundação não tem funcionário público mais lá. O pessoal fica o final de semana todo envolvido quando precisa.

O primeiro ato prático foi fechar a Galeria de Artes anexa ao Teatro Municipal. Em que pé tá aquilo lá?

Vamos abrir nos próximos dias, está faltando só o piso agora. Infelizmente como várias obras públicas, ela é construída pelo maior preço possível com a pior qualidade possível e lá não foi diferente. Os registros que a gente tem, é de que logo após a inauguração há 3 anos já teve problemas de goteiras, sem falar de alguns acabamentos de péssima qualidade e péssimo gosto (...).

A Galeria está junto de outro ‘pepino’, que é o teatro...

Aquele mezanino foi mal projetado. A gente tem dois problemas lá. Um é a régua da iluminação que atrapalha a visão e o outro é a inclinação das poltronas, que tem uma área aqui e ali, que praticamente você não consegue assistir o espetáculo. Aquilo não tem como desmontar, o que tem é no segundo momento fazer uma repaginação das poltronas, fazer um levantamento e estamos orçando para corrigir, melhorar estes problemas.

Uma mudança que todo mundo está vendo é a feirinha livre bombando...qual é o segredo?

Acho que em primeiro lugar foi a Fundação assumir aquilo, porque ela tinha a jurisdição sobre aquilo, mas ela foi terceirizada e entregue aos poucos remanescentes que ficavam na feira. Ali existia uma relação quase de propriedade de algumas pessoas e não funcionava (...).

Até o nome era uma confusão...

É, cada um falava de um jeito, a Praça da Bíblia, Praça do Artesanato, Praça do Índio, a Praça da Lagoa...e Praça da Cultura foi a última coisa que ouvi, só que pra nós era um nome muito mais sonoro, com potencial para trabalhar. Começamos a orientar todo mundo...ali é Praça da Cultura. Segundo ponto, nas primeiras semanas passei meio cedo, 6h da manhã, pra ver o horário que eles não estavam. Haviam entre oito a 12 barracas que ficavam ali como se fosse uma formação medieval de guerra. Faziam um quadrado, que tinha um ponto que era privilegiado e os outros não. E então era todo mundo se cuidando para o outro não ganhar mais, ou tipo, pra eu ficar no lugar melhor. Que é um pensamento de sobrevivência, mas não está certo. A gente fez o reordenamento. Só que ela avançava pouquinho. Meu sonho é que ela chegasse até o final do ano, pelo menos até a Alvin Bauer, porque a hora que preenchesse aquele espaço, daria pra trabalhar a sinalização. E eles reclamando, “tô pensando em ir embora, não vou ficar aqui e tal’. Aí comecei a perceber que precisava atrair novos, começamos a convidar pessoas que tinham um potencial maior de atração e de qualidade do produto. E a gastronomia fazia parte disso, porque feira nenhuma se sustenta sem (...).

Agora tem liderança no controle, aí funciona.

Fizemos parceria muito bacana com a Vigilância Sanitária que nos orientou, secretaria de Administração também, o nosso diretor William Goulart, que era administrativo jurídico. Temporariamente fizemos o novo decreto que o prefeito assinou e passamos a ter um instrumento para poder legislar sobre as feiras em espaços públicos. Aí começou a crescer exponencialmente aquilo (...).

Ela já ultrapassou a Alvin Bauer muito antes do que tu imaginava e chegou na Higino Pio, sempre vazia…

A Higino Pio precisa de reforma, vamos chegar lá. E na última de julho, a gente já conseguiu o impensável, uma feira que ocupasse a avenida da Lagoa inteira. Hoje já estamos na Higinio Pio, tem uma fila de espera de 60. Nós estamos com 100 feirantes na Praça da Cultura. E a parte norte da avenida da Lagoa já começou a ser ocupada também.

Agora falta dar vida à Feira do Artesanato, aquela das casinhas...todo aquele burburinho em volta e aquele corredor sempre vazio…

Acho que aquela entrada ali inibe. Porque todo mundo acaba se sentindo bem onde tem fluxo e aquilo parece um corredor polonês. Hoje esse é o nosso maior dilema ali. São 38 lojas. Estamos ensaiando reduzir, até porque temos dificuldade pra encher aquelas salas, porque é compromisso todo dia. Se é compromisso todo dia, só o artesanato não sustenta isso. Até tive uma reunião com eles falando que não vamos criar falsas expectativas porque o artesanato, o consumo de bens, está caindo (...). Falei que eles tem que tornar seus produtos mais atraentes, temos muito a evoluir, tanto nas artes visuais quanto no artesanato. Só que são 38, a nossa intenção é que aos poucos quem realmente não tem resultado que se convide a sair, pra liberar o lado de lá, a nossa intenção é trabalhar com serviços gastronômicos constantes, suco, cervejaria artesanal, geleinha...

Levar as pessoas lá pra dentro...

Preencher aquele espaço de mesas e fazer uma cobertura. Então você vai ter 19 lojas de artesanato com um padrão e você pode ocupar aquele espaço para tomar um chá, um café da tarde, o pessoal descer dos prédios. Você pode perceber que as pessoas estão fugindo do rótulo do espaço comercial, ninguém mais quer (...).

Vai ficar definida uma grande área de artesanato, artes, cultura, música, gastronomia e sobretudo, convivência...

Sim, o projeto pra lá é fazer um ligação quase com a Tamandaré, como se fosse um grande boulevard. Mas isso vai demorar quatro, cinco anos. Então por hora a gente resolve esse dilema, coloca lá cobertura, mesinhas no meio, serviço de gastronomia e aí vai ficar todo mundo feliz.

Você também falou de um projeto para colorir a cidade com a arte do grafite. Ainda está de pé?

Sim, de vento em popa. Acho que foi uma das coisas que mais caminhou, mesmo com poucos recursos. Enfim, a gente tá vendo agora como botar no registro de preços tintas de grafite, acho que isso vai ser inédito na Fundação Cultural. Conseguir comprar pra poder fomentar os painéis da cidade. Já tem vários lugares mapeados que a gente tem intenção de poder manifestar a arte do grafite nos muros e em volta deles. Tem a beirada da ponte lá na Vila Real, tem as duas laterais da ponte. Tem alguns muros aqui que você vê que estão completamente descuidados, são de extensões grandes e que merecem uma manifestação assim. A gente já fez a revitalização do painel da Praça da Cultura. Tem um projeto de trabalhar com painel, com mural artístico nas laterais do teatro, e já temos um orçamento, só estamos vendo a viabilidade, já convidamos um artista. Estou com os contatos do Kobra e dos Gêmeos, que são nomes internacionais de muralismo. A ideia é conseguir trazer pelo menos um deles pra cá, talvez ano que vem.

Mesmo com o dinheiro de certa forma limitado, dá pra fazer um monte de coisas...

Dá pra fazer e isso que a gente ainda não conseguiu articular com a iniciativa privada e tem uma abertura. Deixa aquecer um pouquinho a economia e com a credibilidade que o prefeito tem hoje perante o empresariado, e a Fundação também fazendo um trabalho bacana, a Fundação de Esportes também, a do Turismo também, eu acho que vai dar pra conseguir fazer com que as pessoas entendam que isso não é doação, isso é um investimento na cidade. Um mural do Kobra, a estimativa é que custe R$ 300 mil. Aí vão falar, vocês são loucos pagar tudo isso pra um cara pintar... tem que olhar só o atrativo que isso traz pro turismo...

A Festa do Bonsucesso na Barra é outro exemplo que mesmo sem gastar muito dá pra fazer...

A Barra merece ser valorizada como parte de Balneário Camboriú. Vamos romper um pouco esses paradigmas, ah não, show de grande expressão tem que ser no Pontal Norte ou na Tamandaré. Legal, sempre vai ser, mas e se levar um evento pra Praça da Barra? A gente quebra o vício, né? Eu acho que essa foi a grande contribuição, então o investimento acabou sendo baixo se considerar o retorno que deu. Estamos colocando isso no próximo calendário, então não vai mudar. Outra mudança: por que comemorar só dia 20 se temos o mês inteiro de férias? Já temos o Balneário Saboroso o mês inteiro, temos peça de teatro, competições, por si só o mês de julho já atrai. Se você vai em julho para Campos do Jordão, a cidade tá efervescente. As maiores marcas do país estão lá. A KIA manda robô, vem do Japão um robô gigante fazendo transformers, a BMW faz carros de neon na praça. São marcas mundiais de carros, de bens de consumo de alto valor agregado e não tem como andar por lá, todo mundo vai sabendo que julho é o mês mais caro de todos(...). Então em julho vamos trazer eventos para rua, podemos celebrar o mês inteiro. É só uma mudança de conceito. Aliás esse ano tudo o que a gente está fazendo, tá sendo 80 ou 90% conceito e esforço e o resto que é investimento.

O que tem pela frente na sua área agora?

Nosso objetivo é o calendário do ano que vem. Até lá nós teremos que cumprir algumas coisas que são muito difíceis de romper uma tradição, independente se ela foi jogada do jeito A ou B, uma delas é a Semana Farropilha, que tem um investimento alto e vamos realizar com investimento bem menor esse ano, e ano que vem ela será repaginada e provavelmente mudar de lugar (...). Existem outros eventos que estão para acontecer, hoje a gente está com a agenda do teatro quase fechada…

Com relação a LIC, o que vai mudar?

Ainda vamos ter que manter ela sendo lançada num ano para executar no outro. Mas o nosso objetivo é que acerte o ano do exercício até o final da gestão (...). O edital queremos lançar até dezembro.

Além do Cinerama, o que mais tem de grandes eventos até o final do ano?

O Festival de Fotografias que aconteceu agora, o Festival de Música, Festival de Cinema…

O Festival de Música vai permanecer nos moldes que vinha sendo feito?

Talvez vai ter algumas alterações. A ideia era que a gente conseguisse fazer um festival de músicas de Santa Catarina autorais, mas é meio que um revive assim, reunir o Expresso, toda aquela velha guarda, o Engenho, Dazaranha… pegar pessoas daqui, que tem músicas, que criam músicas o Escova do Estação... e fazer um mega festival de música...

Até hoje a cultura foi subvalorizada como potencial para atrair turistas...

Acho que o potencial é enorme, mas ele tem que ser verdadeiro. Não posso criar cultura para turista ver. Vamos fazer a cultura para nós. Para que a gente se alimente dela e pra que a gente produza para ela...

Para que quem vem nos visitar admire...

Se criar cultura só como atrativo, ela morre na casca. Primeiro que BC é uma cidade multicultural, vamos parar de querer puxar pra uma vertente só, essa cidade é multicultural e pronto. A mistura de pessoas, de manifestações artísticas que a cidade tem, elas são pequenas, mas elas são completamente diferentes e valiosas (...). A própria cultura gastronômica, aqui ela não é valorizada como tal...mas com a faculdade de gastronomia, melhorou muito (...). Vamos fazer com que cada esquina tenha uma manifestação. Vamos assumir que Balneário é multicultural e vamos juntar tudo que temos e começar a dar holofotes pra isso.

Você ficou com pouco tempo para sua empresa, para passeios de moto, cuidar da cultura municipal é uma espécie de realização pessoal?

A realização pessoal se realizou primeiro em me tirar da ignorância como cidadão, primeira grande surpresa. Segundo, que eu tenho um estômago de avestruz, pra poder engolir um monte de coisas que discordo e isso é um desafio constante de exercício de paciência, de tolerância, de não julgar, porque muitas vezes fiz um prejulgamento, porque fui informado por outras pessoas e aí aprendi a ouvir menos as outras pessoas (...). Muitas vezes no poder público o que você pode entregar é atenção e uma boa vontade em não trancar as coisas (...). Tem o fato de eu ter acesso a um monte de coisas que eu não conhecia e que eu adoro. Os ateliês de artesanato, participar dos bastidores do teatro, observar aquilo e isso acaba sendo compensador, porque sempre adorei informação. Então hoje estou num parque de diversões de informação artística e cultural, que é o que eu sempre gostei. Então nesse ponto estou realizado.


Entrevista publicada na edição de agosto no Página 3 impresso. Para ter acesso a todo o conteúdo antes, assine aqui.


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Entrevista com George Varela, presidente da Fundação Cultural de BC

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Sexta, 15/9/2017 8:35.

Por Marlise Schneider Cezar & Daniele Sisnandes

"Se criar cultura só como atrativo, ela morre na casca"

George Varela, 46, catarinense de Blumenau, mora em Balneário Camboriú desde 1971, não tem formação acadêmica ‘mas estudei no João Goulart, Ivo Silveira, Maria da Glória e no Armando César Ghislandi’, assumiu no começo deste ano, um novo desafio em sua bem sucedida carreira como empresário e designer, quando aceitou convite do prefeito Fabrício Oliveira para administrar a Fundação Cultural. Casado com Meri Dalcegio Varela, dois filhos, Georgia, 21 e João Pedro, 18, curte fotografia e estrada, além de trabalhar, que ele inclui entre suas atividades de lazer.

Para comer, adora farofa de ovo, carne de panela (receita da mãe Glaci), arroz com linguiça, salmão, côngrio, sardinha, tainha, camarão. ‘Ah, bananinha com massa de pastel e uma garrafa de laranjinha tem sabor de nostalgia’. É empolgado com a nova função, humilde quando diz que está sempre aprendendo e confiante quando fala que pretende dar um novo rumo à cultura municipal.

Quando uma pessoa da iniciativa privada assume uma função pública ela estranha, porque é muito diferente. Aconteceu contigo também?

A maior diferença é o tempo de gestação para as coisas acontecerem, seguir todos os processos, os protocolos e aguardar as decisões dos editais, do depto de compras...etc. Isso torna a atividade do setor público um dos mais eficazes tratamentos para ansiedade, tolerância e paciência. É uma experiência interessante, está me ensinando a encontrar um equilíbrio entre esses dois mundos corporativos. A principal surpresa é que por mais que eu sou um morador daqui há 45 anos e achava que conhecia alguma coisa da cidade e cidadania, foi um choque perceber que eu era um completo ignorante como cidadão.

Em que sentido?

No sentido de como as coisas funcionam, sentido em qual que é a atribuição ao governo, sentido de que começou a ir, comecei a compreender e como a população também precisa entender como funciona o mecanismo, porque se não passa a existir uma atribuição e um uso deturpado do sistema. Percebi que nesses sete meses, talvez 60% da ocupação dos servidores públicos é pra resolver problemas que não tem importância nenhuma.

Quer dizer, gastam tempo em bobagem...

Nós como cidadãos, não aproveitamos a principal atribuição que é a do governo e em contrapartida o governo também não se desperta de qual é a principal finalidade dele. Deveria ser equilibrado mas tem as intenções políticas, tem as atribuições de gestão, administração do município, acaba criando uma tendência ficar mais no lado da preocupação política. E isso é muito ruim, porque a preocupação política não deveria ser o propósito principal da administração pública, deveria ser administrar. E pra administrar, você tem que fazer com que as pessoas entendam qual que é o papel dessa administração, senão a própria população fica pressionando pra ter assistencialismo ou para ter privilégio individual. A maioria do cidadão procura muitas vezes as secretarias, os orgãos públicos para resolver o seu problema individual. Raramente você encontra alguém que chega lá com um propósito coletivo (...). A partir do momento que o prefeito atual abdicou de algumas escolhas políticas e colocou algumas escolhas técnicas lá dentro, isso já foi uma tendência a mudar. De uma forma muito devagar, mas já é um movimento positivo. Tive o privilégio de ter a confiança do prefeito para assumir a pasta da cultura, que teoricamente é uma das pastas mais leves de se conduzir.

Mas só teoricamente, porque mexer com cultura não é uma coisa fácil.

Ela é mais leve com relação a responsabilidade da opinião pública, não é uma questão de vida ou morte e em contrapartida percebi que historicamente falando de cultura x relação governos, a cultura é o último da fila nas pastas. O próprio governo não dá importância a isso, não entende que a cultura pode permear todas as atividades de governo (...).

Nestes sete meses parece que a cultura já ganhou uma outra conotação na cidade, você sente isso?

Sinto e tenho também ouvido muito isso. E o que percebi, é que as pessoas estão sentindo um movimento, uma vibração diferente. Já tentei me perguntar o porque disso. É óbvio que a mudança de gestão e um perfil diferente, porque não é político já é um ponto…tive oportunidade de compor a equipe que eu gostaria, não indicando pessoas de fora, até usando as que já tavam lá (...).

A presença da cultura dando respostas se tornou uma marca da equipe, sempre presentes nas redes sociais, explicando, esclarecendo a população,. isso é novo…

O governo não pode omitir nenhum tipo de informação, porque a omissão faz parte do jogo político. Muitos já te questionam querendo que você fale a resposta que querem ouvir e se a resposta não é a que querem ouvir, você começa a ser o patinho feio da história e ninguém tá falando nenhuma inverdade. Gente que vai lá pedir apoio, porque eu preciso comprar uma passagem…Desculpa, mas a gente hoje não tem instrumento legal pra poder te pagar uma passagem. “Como assim? Sempre foi feito”. Não tem, eu não posso chegar da noite pro dia e se eu banco uma passagem pra ti, vou ter que bancar pra outro... Se eu não tenho critério de isonomia, eu não posso fazer. Desculpa, pode ser amigo, pode ser o que for, né… então quando você começa a responder isso... já conquistei alguns inimigos. Um queria participar de um show à força, querendo ganhar um cachê exorbitante perto do trabalho que ele apresenta... e ele me mandou mensagens super desaforadas, dizendo que quem que eu achava que eu era? Que eu tava julgando o trabalho dele e eu disse, eu não tô julgando, temos um edital de credenciamento, que uma dupla custa R$ 1200, R$ 1500… Tá lá é o padrão (...).

É um jeito de mostrar que as coisas mudaram.

A grande conquista dos primeiros sete meses é você começar a naturalmente afastar os ratos, e isso é muito legal, porque daqui a pouco você dá o lugar às pessoas de bem (...).

Políticas públicas mais claras podem ser o instrumento que falta.

A questão das políticas públicas precisa ser reconstruída. Tem muita coisa boa, mas as coisas vem viciadas, porque uma das dificuldades da tua primeira pergunta “qual foi o choque de sair da iniciativa privada para iniciativa pública?’, é que na pública a tua decisão tem que passar por várias fases, comissão disso, daquilo, conselho disso, daquilo… Se essas pessoas trabalham de boa fé e tem conhecimento, tem muita contribuição para dar, mas ao mesmo tempo tem muita perda. Porque nas comissões já há dissidência e lá elas são formadas por pessoas que muitas vezes tem interesses pessoais e que acabam levantando a voz justamente para quê?... Para defender os seus interesses (...). Aí você tem políticas públicas que foram feitas no nosso plano municipal de cultura, em 2013, 2014 e você vê lá que boa parte não tem mais serventia. Algumas coisas são boas, algumas coisas são pertinentes mas, fazer um plano é praticamente fazer uma profecia né?

Você pensa em reformar esse plano municipal?

Não, na verdade a gente tem que obedecer algumas regras. Ele vai passar por uma revisão agora, isso é um pouco engessado. Mas por um lado é bom, porque senão vira uma casa da mãe joana. Percebi pelo feedback que tive, é que no começo tivemos algumas reuniões pelo conselho que foram mais conturbadas. Mas eram pessoas que tinham manifestações mais políticas às vezes e queriam beneficiar a cultura, só que acabavam criando discussões que não deixavam contribuição e agora, o que se percebe que estão na mesma sala representantes de várias câmaras setoriais, de entidades civis, e ao mesmo tempo as discussões parecem que se tornaram mais positivas (...). Então, quando a gente fala da vibração da cultura na cidade, eu acho que é resultado de tudo isso. Uma que realmente as pessoas que chegam querendo trazer viés político não vão ter vez, mesmo que seja do governo (...). Então começa nessa credibilidade, nessa movimentação dentro da Fundação, porque quando cheguei, encontrei uma repartição pública, com funcionários fazendo hora e a partir do momento em que começou a ter demanda, e aí começou a ter uma relação também de liderança ou de trabalho em equipe... praticamente se você for na Fundação não tem funcionário público mais lá. O pessoal fica o final de semana todo envolvido quando precisa.

O primeiro ato prático foi fechar a Galeria de Artes anexa ao Teatro Municipal. Em que pé tá aquilo lá?

Vamos abrir nos próximos dias, está faltando só o piso agora. Infelizmente como várias obras públicas, ela é construída pelo maior preço possível com a pior qualidade possível e lá não foi diferente. Os registros que a gente tem, é de que logo após a inauguração há 3 anos já teve problemas de goteiras, sem falar de alguns acabamentos de péssima qualidade e péssimo gosto (...).

A Galeria está junto de outro ‘pepino’, que é o teatro...

Aquele mezanino foi mal projetado. A gente tem dois problemas lá. Um é a régua da iluminação que atrapalha a visão e o outro é a inclinação das poltronas, que tem uma área aqui e ali, que praticamente você não consegue assistir o espetáculo. Aquilo não tem como desmontar, o que tem é no segundo momento fazer uma repaginação das poltronas, fazer um levantamento e estamos orçando para corrigir, melhorar estes problemas.

Uma mudança que todo mundo está vendo é a feirinha livre bombando...qual é o segredo?

Acho que em primeiro lugar foi a Fundação assumir aquilo, porque ela tinha a jurisdição sobre aquilo, mas ela foi terceirizada e entregue aos poucos remanescentes que ficavam na feira. Ali existia uma relação quase de propriedade de algumas pessoas e não funcionava (...).

Até o nome era uma confusão...

É, cada um falava de um jeito, a Praça da Bíblia, Praça do Artesanato, Praça do Índio, a Praça da Lagoa...e Praça da Cultura foi a última coisa que ouvi, só que pra nós era um nome muito mais sonoro, com potencial para trabalhar. Começamos a orientar todo mundo...ali é Praça da Cultura. Segundo ponto, nas primeiras semanas passei meio cedo, 6h da manhã, pra ver o horário que eles não estavam. Haviam entre oito a 12 barracas que ficavam ali como se fosse uma formação medieval de guerra. Faziam um quadrado, que tinha um ponto que era privilegiado e os outros não. E então era todo mundo se cuidando para o outro não ganhar mais, ou tipo, pra eu ficar no lugar melhor. Que é um pensamento de sobrevivência, mas não está certo. A gente fez o reordenamento. Só que ela avançava pouquinho. Meu sonho é que ela chegasse até o final do ano, pelo menos até a Alvin Bauer, porque a hora que preenchesse aquele espaço, daria pra trabalhar a sinalização. E eles reclamando, “tô pensando em ir embora, não vou ficar aqui e tal’. Aí comecei a perceber que precisava atrair novos, começamos a convidar pessoas que tinham um potencial maior de atração e de qualidade do produto. E a gastronomia fazia parte disso, porque feira nenhuma se sustenta sem (...).

Agora tem liderança no controle, aí funciona.

Fizemos parceria muito bacana com a Vigilância Sanitária que nos orientou, secretaria de Administração também, o nosso diretor William Goulart, que era administrativo jurídico. Temporariamente fizemos o novo decreto que o prefeito assinou e passamos a ter um instrumento para poder legislar sobre as feiras em espaços públicos. Aí começou a crescer exponencialmente aquilo (...).

Ela já ultrapassou a Alvin Bauer muito antes do que tu imaginava e chegou na Higino Pio, sempre vazia…

A Higino Pio precisa de reforma, vamos chegar lá. E na última de julho, a gente já conseguiu o impensável, uma feira que ocupasse a avenida da Lagoa inteira. Hoje já estamos na Higinio Pio, tem uma fila de espera de 60. Nós estamos com 100 feirantes na Praça da Cultura. E a parte norte da avenida da Lagoa já começou a ser ocupada também.

Agora falta dar vida à Feira do Artesanato, aquela das casinhas...todo aquele burburinho em volta e aquele corredor sempre vazio…

Acho que aquela entrada ali inibe. Porque todo mundo acaba se sentindo bem onde tem fluxo e aquilo parece um corredor polonês. Hoje esse é o nosso maior dilema ali. São 38 lojas. Estamos ensaiando reduzir, até porque temos dificuldade pra encher aquelas salas, porque é compromisso todo dia. Se é compromisso todo dia, só o artesanato não sustenta isso. Até tive uma reunião com eles falando que não vamos criar falsas expectativas porque o artesanato, o consumo de bens, está caindo (...). Falei que eles tem que tornar seus produtos mais atraentes, temos muito a evoluir, tanto nas artes visuais quanto no artesanato. Só que são 38, a nossa intenção é que aos poucos quem realmente não tem resultado que se convide a sair, pra liberar o lado de lá, a nossa intenção é trabalhar com serviços gastronômicos constantes, suco, cervejaria artesanal, geleinha...

Levar as pessoas lá pra dentro...

Preencher aquele espaço de mesas e fazer uma cobertura. Então você vai ter 19 lojas de artesanato com um padrão e você pode ocupar aquele espaço para tomar um chá, um café da tarde, o pessoal descer dos prédios. Você pode perceber que as pessoas estão fugindo do rótulo do espaço comercial, ninguém mais quer (...).

Vai ficar definida uma grande área de artesanato, artes, cultura, música, gastronomia e sobretudo, convivência...

Sim, o projeto pra lá é fazer um ligação quase com a Tamandaré, como se fosse um grande boulevard. Mas isso vai demorar quatro, cinco anos. Então por hora a gente resolve esse dilema, coloca lá cobertura, mesinhas no meio, serviço de gastronomia e aí vai ficar todo mundo feliz.

Você também falou de um projeto para colorir a cidade com a arte do grafite. Ainda está de pé?

Sim, de vento em popa. Acho que foi uma das coisas que mais caminhou, mesmo com poucos recursos. Enfim, a gente tá vendo agora como botar no registro de preços tintas de grafite, acho que isso vai ser inédito na Fundação Cultural. Conseguir comprar pra poder fomentar os painéis da cidade. Já tem vários lugares mapeados que a gente tem intenção de poder manifestar a arte do grafite nos muros e em volta deles. Tem a beirada da ponte lá na Vila Real, tem as duas laterais da ponte. Tem alguns muros aqui que você vê que estão completamente descuidados, são de extensões grandes e que merecem uma manifestação assim. A gente já fez a revitalização do painel da Praça da Cultura. Tem um projeto de trabalhar com painel, com mural artístico nas laterais do teatro, e já temos um orçamento, só estamos vendo a viabilidade, já convidamos um artista. Estou com os contatos do Kobra e dos Gêmeos, que são nomes internacionais de muralismo. A ideia é conseguir trazer pelo menos um deles pra cá, talvez ano que vem.

Mesmo com o dinheiro de certa forma limitado, dá pra fazer um monte de coisas...

Dá pra fazer e isso que a gente ainda não conseguiu articular com a iniciativa privada e tem uma abertura. Deixa aquecer um pouquinho a economia e com a credibilidade que o prefeito tem hoje perante o empresariado, e a Fundação também fazendo um trabalho bacana, a Fundação de Esportes também, a do Turismo também, eu acho que vai dar pra conseguir fazer com que as pessoas entendam que isso não é doação, isso é um investimento na cidade. Um mural do Kobra, a estimativa é que custe R$ 300 mil. Aí vão falar, vocês são loucos pagar tudo isso pra um cara pintar... tem que olhar só o atrativo que isso traz pro turismo...

A Festa do Bonsucesso na Barra é outro exemplo que mesmo sem gastar muito dá pra fazer...

A Barra merece ser valorizada como parte de Balneário Camboriú. Vamos romper um pouco esses paradigmas, ah não, show de grande expressão tem que ser no Pontal Norte ou na Tamandaré. Legal, sempre vai ser, mas e se levar um evento pra Praça da Barra? A gente quebra o vício, né? Eu acho que essa foi a grande contribuição, então o investimento acabou sendo baixo se considerar o retorno que deu. Estamos colocando isso no próximo calendário, então não vai mudar. Outra mudança: por que comemorar só dia 20 se temos o mês inteiro de férias? Já temos o Balneário Saboroso o mês inteiro, temos peça de teatro, competições, por si só o mês de julho já atrai. Se você vai em julho para Campos do Jordão, a cidade tá efervescente. As maiores marcas do país estão lá. A KIA manda robô, vem do Japão um robô gigante fazendo transformers, a BMW faz carros de neon na praça. São marcas mundiais de carros, de bens de consumo de alto valor agregado e não tem como andar por lá, todo mundo vai sabendo que julho é o mês mais caro de todos(...). Então em julho vamos trazer eventos para rua, podemos celebrar o mês inteiro. É só uma mudança de conceito. Aliás esse ano tudo o que a gente está fazendo, tá sendo 80 ou 90% conceito e esforço e o resto que é investimento.

O que tem pela frente na sua área agora?

Nosso objetivo é o calendário do ano que vem. Até lá nós teremos que cumprir algumas coisas que são muito difíceis de romper uma tradição, independente se ela foi jogada do jeito A ou B, uma delas é a Semana Farropilha, que tem um investimento alto e vamos realizar com investimento bem menor esse ano, e ano que vem ela será repaginada e provavelmente mudar de lugar (...). Existem outros eventos que estão para acontecer, hoje a gente está com a agenda do teatro quase fechada…

Com relação a LIC, o que vai mudar?

Ainda vamos ter que manter ela sendo lançada num ano para executar no outro. Mas o nosso objetivo é que acerte o ano do exercício até o final da gestão (...). O edital queremos lançar até dezembro.

Além do Cinerama, o que mais tem de grandes eventos até o final do ano?

O Festival de Fotografias que aconteceu agora, o Festival de Música, Festival de Cinema…

O Festival de Música vai permanecer nos moldes que vinha sendo feito?

Talvez vai ter algumas alterações. A ideia era que a gente conseguisse fazer um festival de músicas de Santa Catarina autorais, mas é meio que um revive assim, reunir o Expresso, toda aquela velha guarda, o Engenho, Dazaranha… pegar pessoas daqui, que tem músicas, que criam músicas o Escova do Estação... e fazer um mega festival de música...

Até hoje a cultura foi subvalorizada como potencial para atrair turistas...

Acho que o potencial é enorme, mas ele tem que ser verdadeiro. Não posso criar cultura para turista ver. Vamos fazer a cultura para nós. Para que a gente se alimente dela e pra que a gente produza para ela...

Para que quem vem nos visitar admire...

Se criar cultura só como atrativo, ela morre na casca. Primeiro que BC é uma cidade multicultural, vamos parar de querer puxar pra uma vertente só, essa cidade é multicultural e pronto. A mistura de pessoas, de manifestações artísticas que a cidade tem, elas são pequenas, mas elas são completamente diferentes e valiosas (...). A própria cultura gastronômica, aqui ela não é valorizada como tal...mas com a faculdade de gastronomia, melhorou muito (...). Vamos fazer com que cada esquina tenha uma manifestação. Vamos assumir que Balneário é multicultural e vamos juntar tudo que temos e começar a dar holofotes pra isso.

Você ficou com pouco tempo para sua empresa, para passeios de moto, cuidar da cultura municipal é uma espécie de realização pessoal?

A realização pessoal se realizou primeiro em me tirar da ignorância como cidadão, primeira grande surpresa. Segundo, que eu tenho um estômago de avestruz, pra poder engolir um monte de coisas que discordo e isso é um desafio constante de exercício de paciência, de tolerância, de não julgar, porque muitas vezes fiz um prejulgamento, porque fui informado por outras pessoas e aí aprendi a ouvir menos as outras pessoas (...). Muitas vezes no poder público o que você pode entregar é atenção e uma boa vontade em não trancar as coisas (...). Tem o fato de eu ter acesso a um monte de coisas que eu não conhecia e que eu adoro. Os ateliês de artesanato, participar dos bastidores do teatro, observar aquilo e isso acaba sendo compensador, porque sempre adorei informação. Então hoje estou num parque de diversões de informação artística e cultural, que é o que eu sempre gostei. Então nesse ponto estou realizado.


Entrevista publicada na edição de agosto no Página 3 impresso. Para ter acesso a todo o conteúdo antes, assine aqui.


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