Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Página 3 entrevista: Luciano Potter, do Pretinho Básico

Sábado, 3/8/2019 9:34.
Renata Rutes

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Por Renata Rutes

"As pessoas querem saber a opinião do jornalista. Elas já têm a notícia, mas querem saber a opinião para amar ou odiar aquele profissional".


O jornalista Luciano Potter, conhecido por seu trabalho na Rádio Atlântida, no programa Pretinho Básico, esteve nesta quinta-feira (1º) em Balneário Camboriú para abrir a programação da 8ª edição do Encontro Empresarial, da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc), no Hotel Sibara. Potter, que atua no ramo da comunicação desde 2002, está no ‘Pretinho’ desde a sua estreia, ainda em 2007. Desde então, já passou por diversos programas, tanto na rádio como na TV, e hoje apresenta ainda seu podcast Potter Entrevista (disponível no Spotify), onde entrevista personalidades sobre assuntos diversos. O tema da vez é ‘Deus existe?’, e ele já recebeu convidados importantes, como o jornalista Casagrande, da Rede Globo. Potter também já debateu sobre o cenário político, e até mesmo sobre a direita x esquerda.

Na palestra em Balneário, seguindo o tema ‘Mudança, todo mundo está em uma, você não?’, Potter falou ao público sobre as mudanças na tecnologia, citando a máquina de escrever, LP, fitas VHS, até chegar no download de música, Netflix, Spotify, dentre outras novidades utilizadas hoje. Ele salientou, entre brincadeiras e muita interação com o público, o quanto o empresário precisa se atentar no que pode valer a pena investir e o que não é tão bacana assim.

Antes do evento, o jornalista conversou com o Página 3.

O Encontro Empresarial segue nesta sexta-feira (2) com palestras sobre inovação, tecnologia e mercado, e um painel de inovação 360°. O destaque do segundo dia é a apresentação do case de sucesso Vakinha Online, com Flávio Steffens.

Confira a entrevista.


Página 3: Como é estar 12 anos no Pretinho? De que forma o programa impactou na tua vida?

Potter: Lindo, lindo, lindo. Bom, eu já trabalhava na Rádio Atlântida desde 2002, e o Pretinho começou em 2007. Eu já tinha outros projetos lá. Na ocasião, teve umas mudanças de chefia, onde o Fetter (Alexandre Fetter, apresentador do Pretinho) voltava para a Atlântida naquela época, ele já tinha trabalhado na década de 90 lá, tinha saído 10 anos. E assim começa o programa, começa a crescer muito rápido. Agora o Porã voltou né, então temos três pessoas daquela formação original. É um programa que sempre teve essa pegada legal, mas mudou muito o humor dele ao longo dos anos também, passou por ‘reformas’, assim como o mundo do humor vem passando. Então é mais ou menos esse tipo de experiência que a gente tem. Mudou completamente a minha vida, foi o primeiro momento que senti que tinha uma grande massa me escutando. A Atlântida sempre foi uma rádio muito escutada, os programas que eu participava sempre tiveram grande audiência, mas o Pretinho foi um hit, como quando uma banda lança um grande hit. Tu sai de uma normalidade, as pessoas querem mostrar que te escutam, e o engraçado do Pretinho é que fazem 12 anos que isso acontece. É um trabalho de muito tempo, 10 vezes por semana ao vivo, 10 horas por semana. O público se renova, teve gente que cresceu com a gente, outros que estão descobrindo agora. A gente testa, erra e aprende. É muito trabalho.

Página 3: Como é o contato com o ouvinte, que agora também pode ver vocês pelas lives?

Potter: No começo tinha alguns muxoxos, pessoas que reclamavam que não era legal aparecermos, mas hoje é algo muito normal. Hoje as pessoas comentam só sobre o que estamos falando. Para quem está nascendo e está, sei lá, com 15, 16 anos, acham absurdamente mais normal nos ver. Mesmo assim é diferente, porque TV chega em milhões de pessoas. Quando eu trabalhava na RBS, durante algum tempo apresentei o Patrola (que também existiu em Santa Catarina), aquilo ali sim, as pessoas te olhavam na rua, mas não falavam nada. Já com o Pretinho elas te olham, reconhecem e tentam contato. Está tudo muito misturado, simplesmente é assim, um programa de rádio que tem câmera, como muitos outros.

Página 3: Como surgiu a ideia dos seus podcasts solo?

Potter: Como eu já trabalho em áudio há muito tempo, desde o ano 2000, como estagiário da Rádio Gaúcha, então o áudio sempre esteve muito presente na minha vida. Então, foi meio natural. Tem o Potter Entrevista, que é o primeiro dessa leva, o ATLFlix, onde falamos sobre séries, que até eu não acho mais tempo na minha vida pra gravar. Os guris gravaram hoje (1º) sem mim, porque eu estou aqui em Balneário Camboriú. Depois veio o Podcast Friends, uma espécie de spin-off onde você olha um episódio de Friends e grava. Sempre fui testando. E aí chegaram as eleições, vi todo mundo brigando, e tive uma ideia: vou escutar as pessoas. Ninguém escuta ninguém e eu vou escutar pessoas completamente diferentes, que pensam diferente. E aí gravei, pensei que ninguém ia escutar, gravei pra mim, obviamente querendo que as pessoas escutassem. Aí começou a ter uma audiência muito grande. Óbvio que não se compara com o Pretinho Básico, mas uma audiência legal. Gravo um só por semana, às vezes chega no top 10, top 3 do Spotify. Primeira temporada foi ‘Bolsonaro x Haddad’, a segunda foi ‘Bolsonaro: e agora?’, e a terceira ‘Direita x esquerda’. Estamos na quarta, mudei completamente, perguntando sobre a existência de Deus. Eu fico mais em silêncio, tento guiar, e são histórias maravilhosas. Só que é um filho né, tu começa e tem que alimentar ele toda semana, gravar toda semana, as pessoas querem e cobram. Se torna um compromisso.

Página 3: Como é a escolha dos temas abordados por temporada?

Potter: Nas eleições foi bem óbvio e um meio que puxou o outro. Eu perguntava quem ia ganhar, ganhou uma pessoa, aí perguntei o que ia acontecer com aquela pessoa. Continuei falando de política e veio o direita x esquerda. Deus veio num pensamento de querer tentar trazer temas atemporais, que alguém escute um episódio daqui a seis, sete anos e ache que aquilo é legal, que veja que tem algo a dizer. Um amigo meu deu a ideia de eu perguntar ‘o que é o amor?’ e é uma ideia legal, mas ainda tem bastante coisa pra falar sobre Deus, mas daqui a pouco pode pintar algo em cima disso aí.

Página 3: A diferença entre o humor e temas abordados no Potter Entrevista e o Pretinho, são bem diferentes, com temas às vezes mais emocionais...

Potter: São histórias emocionantes, mas já estou um pouco acostumado. Tenho um programa na Rádio Gaúcha, desde 2014, que se chama Timeline, eu, a Kelly Matos e o Davi Coimbra, e ali eu já lido com temas mais ‘espinhosos’. O nome do programa é Timeline porque aproveitamos o que está nela. Às vezes é política, futebol também. Já estou meio acostumado, das 10h às 11h falar com um Ministro do Supremo, às 11h falar de futebol, às 13h contar piada, de tarde gravar uma entrevista séria sobre Deus, depois falar de séries... então, tipo assim, já é algo da minha rotina. Mas exige concentração, tem que saber se adequar o ambiente, junto com a voz, o tom, mas acho que isso é natural. Quando tu está na casa do teu sogro você age de um jeito, na mesa de bar com amigos é outra. E isso é jornalismo, faz parte da profissão.

Página 3: A comunicação vem enfrentando muitas mudanças? A da rádio, TV, diminuição do número de jornalistas nas redações...

Potter: Sim, poucas pessoas fazendo muitas coisas. É número, não tem o que fazer. A internet pegou o lugar. Em compensação, rádio e TV cresceram, ou se mantiveram. São os privilegiados, pelo menos na região onde eu moro. O Pretinho é um programa de rádio, com muita gente ouvindo, muita gente comprando, no sentido de patrocinadores. Então as coisas estão fortes. Mas o mundo caminha conforme para onde a gente caminha. Rádio e podcasts seguem fortes porque a gente caminha para uma coisa de escutar. O meio de comunicação tem que se adaptar, com conteúdo personalizado e diferente, como no YouTube. Há fenômenos de um milhão de visualizações no YouTube que nem todo mundo conhece, já um ator de novela é difícil passar incólume. No mínimo tu conhece o cara. O Whindersson Nunes, o maior youtuber do Brasil, não é conhecido por todos, e mesmo assim é o maior nessa área. A TV e o rádio ainda são muito potentes, mas a tecnologia ajudou, hoje tu faz tudo no celular: grava, edita, publica. Tudo instantâneo. As coisas estão mais fáceis.

Página 3: Quanto à profissão de jornalista no futuro? Acha que haverá mais mudanças?

Potter: Ela está diminuindo, mas é uma profissão importante pra sociedade, então acredito que vamos continuar tendo jornalistas. O que eu acho que vai acontecer é a possível substituição por máquinas, o que deve chegar até na Medicina, por exemplo. Jornalismo é isso, mas as pessoas querem saber a opinião do jornalista. As pessoas já têm a notícia, e elas querem saber a opinião para amar ou odiar aquele profissional. Mas é algo que demora. Eu comecei a ter um respeito mínimo por minha opinião agora, com 20 anos de profissão. O que acontece é que hoje as pessoas querem isso em 20 dias. O Whindersson pode não estar no YouTube todo esse tempo, mas deve estar há uns 10 anos, e ele teve o processo dele também, com câmera ruim, áudio ruim, foi conquistando audiência, melhorando e hoje olha onde ele está. Mas as pessoas esquecem disso. Esse é o mundo de hoje, as pessoas acham que não tem suor, que não tem uma jornada, querem resultado rápido. E o jornalista pena para comer o pão que o diabo amassou e às vezes passa o resto da vida comendo esse pão (risos). É uma profissão complicada.

Página 3: Para finalizar, comparando com a sua trajetória, como é falar para empresários em um evento como esse?

Potter: É ótimo! Posso apresentar a minha vivência, sou pouco empreendedor, mas muito observador do mundo, do que eu consigo enxergar. É sobre mudanças, de trazer o que vivemos. Se duas pessoas saírem da palestra pensando que agregou em algo eu já fico feliz, e nem precisa gostar da fala toda, se um momento só já trouxer esse ‘insight’ eu já fico grato e realizado, porque é assim que eu vejo palestras e tento transmitir. O mundo é difícil, mas pode ser também muito divertido.


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Página 3
Renata Rutes

Página 3 entrevista: Luciano Potter, do Pretinho Básico

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Sábado, 3/8/2019 9:34.
Por Renata Rutes

"As pessoas querem saber a opinião do jornalista. Elas já têm a notícia, mas querem saber a opinião para amar ou odiar aquele profissional".


O jornalista Luciano Potter, conhecido por seu trabalho na Rádio Atlântida, no programa Pretinho Básico, esteve nesta quinta-feira (1º) em Balneário Camboriú para abrir a programação da 8ª edição do Encontro Empresarial, da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc), no Hotel Sibara. Potter, que atua no ramo da comunicação desde 2002, está no ‘Pretinho’ desde a sua estreia, ainda em 2007. Desde então, já passou por diversos programas, tanto na rádio como na TV, e hoje apresenta ainda seu podcast Potter Entrevista (disponível no Spotify), onde entrevista personalidades sobre assuntos diversos. O tema da vez é ‘Deus existe?’, e ele já recebeu convidados importantes, como o jornalista Casagrande, da Rede Globo. Potter também já debateu sobre o cenário político, e até mesmo sobre a direita x esquerda.

Na palestra em Balneário, seguindo o tema ‘Mudança, todo mundo está em uma, você não?’, Potter falou ao público sobre as mudanças na tecnologia, citando a máquina de escrever, LP, fitas VHS, até chegar no download de música, Netflix, Spotify, dentre outras novidades utilizadas hoje. Ele salientou, entre brincadeiras e muita interação com o público, o quanto o empresário precisa se atentar no que pode valer a pena investir e o que não é tão bacana assim.

Antes do evento, o jornalista conversou com o Página 3.

O Encontro Empresarial segue nesta sexta-feira (2) com palestras sobre inovação, tecnologia e mercado, e um painel de inovação 360°. O destaque do segundo dia é a apresentação do case de sucesso Vakinha Online, com Flávio Steffens.

Confira a entrevista.


Página 3: Como é estar 12 anos no Pretinho? De que forma o programa impactou na tua vida?

Potter: Lindo, lindo, lindo. Bom, eu já trabalhava na Rádio Atlântida desde 2002, e o Pretinho começou em 2007. Eu já tinha outros projetos lá. Na ocasião, teve umas mudanças de chefia, onde o Fetter (Alexandre Fetter, apresentador do Pretinho) voltava para a Atlântida naquela época, ele já tinha trabalhado na década de 90 lá, tinha saído 10 anos. E assim começa o programa, começa a crescer muito rápido. Agora o Porã voltou né, então temos três pessoas daquela formação original. É um programa que sempre teve essa pegada legal, mas mudou muito o humor dele ao longo dos anos também, passou por ‘reformas’, assim como o mundo do humor vem passando. Então é mais ou menos esse tipo de experiência que a gente tem. Mudou completamente a minha vida, foi o primeiro momento que senti que tinha uma grande massa me escutando. A Atlântida sempre foi uma rádio muito escutada, os programas que eu participava sempre tiveram grande audiência, mas o Pretinho foi um hit, como quando uma banda lança um grande hit. Tu sai de uma normalidade, as pessoas querem mostrar que te escutam, e o engraçado do Pretinho é que fazem 12 anos que isso acontece. É um trabalho de muito tempo, 10 vezes por semana ao vivo, 10 horas por semana. O público se renova, teve gente que cresceu com a gente, outros que estão descobrindo agora. A gente testa, erra e aprende. É muito trabalho.

Página 3: Como é o contato com o ouvinte, que agora também pode ver vocês pelas lives?

Potter: No começo tinha alguns muxoxos, pessoas que reclamavam que não era legal aparecermos, mas hoje é algo muito normal. Hoje as pessoas comentam só sobre o que estamos falando. Para quem está nascendo e está, sei lá, com 15, 16 anos, acham absurdamente mais normal nos ver. Mesmo assim é diferente, porque TV chega em milhões de pessoas. Quando eu trabalhava na RBS, durante algum tempo apresentei o Patrola (que também existiu em Santa Catarina), aquilo ali sim, as pessoas te olhavam na rua, mas não falavam nada. Já com o Pretinho elas te olham, reconhecem e tentam contato. Está tudo muito misturado, simplesmente é assim, um programa de rádio que tem câmera, como muitos outros.

Página 3: Como surgiu a ideia dos seus podcasts solo?

Potter: Como eu já trabalho em áudio há muito tempo, desde o ano 2000, como estagiário da Rádio Gaúcha, então o áudio sempre esteve muito presente na minha vida. Então, foi meio natural. Tem o Potter Entrevista, que é o primeiro dessa leva, o ATLFlix, onde falamos sobre séries, que até eu não acho mais tempo na minha vida pra gravar. Os guris gravaram hoje (1º) sem mim, porque eu estou aqui em Balneário Camboriú. Depois veio o Podcast Friends, uma espécie de spin-off onde você olha um episódio de Friends e grava. Sempre fui testando. E aí chegaram as eleições, vi todo mundo brigando, e tive uma ideia: vou escutar as pessoas. Ninguém escuta ninguém e eu vou escutar pessoas completamente diferentes, que pensam diferente. E aí gravei, pensei que ninguém ia escutar, gravei pra mim, obviamente querendo que as pessoas escutassem. Aí começou a ter uma audiência muito grande. Óbvio que não se compara com o Pretinho Básico, mas uma audiência legal. Gravo um só por semana, às vezes chega no top 10, top 3 do Spotify. Primeira temporada foi ‘Bolsonaro x Haddad’, a segunda foi ‘Bolsonaro: e agora?’, e a terceira ‘Direita x esquerda’. Estamos na quarta, mudei completamente, perguntando sobre a existência de Deus. Eu fico mais em silêncio, tento guiar, e são histórias maravilhosas. Só que é um filho né, tu começa e tem que alimentar ele toda semana, gravar toda semana, as pessoas querem e cobram. Se torna um compromisso.

Página 3: Como é a escolha dos temas abordados por temporada?

Potter: Nas eleições foi bem óbvio e um meio que puxou o outro. Eu perguntava quem ia ganhar, ganhou uma pessoa, aí perguntei o que ia acontecer com aquela pessoa. Continuei falando de política e veio o direita x esquerda. Deus veio num pensamento de querer tentar trazer temas atemporais, que alguém escute um episódio daqui a seis, sete anos e ache que aquilo é legal, que veja que tem algo a dizer. Um amigo meu deu a ideia de eu perguntar ‘o que é o amor?’ e é uma ideia legal, mas ainda tem bastante coisa pra falar sobre Deus, mas daqui a pouco pode pintar algo em cima disso aí.

Página 3: A diferença entre o humor e temas abordados no Potter Entrevista e o Pretinho, são bem diferentes, com temas às vezes mais emocionais...

Potter: São histórias emocionantes, mas já estou um pouco acostumado. Tenho um programa na Rádio Gaúcha, desde 2014, que se chama Timeline, eu, a Kelly Matos e o Davi Coimbra, e ali eu já lido com temas mais ‘espinhosos’. O nome do programa é Timeline porque aproveitamos o que está nela. Às vezes é política, futebol também. Já estou meio acostumado, das 10h às 11h falar com um Ministro do Supremo, às 11h falar de futebol, às 13h contar piada, de tarde gravar uma entrevista séria sobre Deus, depois falar de séries... então, tipo assim, já é algo da minha rotina. Mas exige concentração, tem que saber se adequar o ambiente, junto com a voz, o tom, mas acho que isso é natural. Quando tu está na casa do teu sogro você age de um jeito, na mesa de bar com amigos é outra. E isso é jornalismo, faz parte da profissão.

Página 3: A comunicação vem enfrentando muitas mudanças? A da rádio, TV, diminuição do número de jornalistas nas redações...

Potter: Sim, poucas pessoas fazendo muitas coisas. É número, não tem o que fazer. A internet pegou o lugar. Em compensação, rádio e TV cresceram, ou se mantiveram. São os privilegiados, pelo menos na região onde eu moro. O Pretinho é um programa de rádio, com muita gente ouvindo, muita gente comprando, no sentido de patrocinadores. Então as coisas estão fortes. Mas o mundo caminha conforme para onde a gente caminha. Rádio e podcasts seguem fortes porque a gente caminha para uma coisa de escutar. O meio de comunicação tem que se adaptar, com conteúdo personalizado e diferente, como no YouTube. Há fenômenos de um milhão de visualizações no YouTube que nem todo mundo conhece, já um ator de novela é difícil passar incólume. No mínimo tu conhece o cara. O Whindersson Nunes, o maior youtuber do Brasil, não é conhecido por todos, e mesmo assim é o maior nessa área. A TV e o rádio ainda são muito potentes, mas a tecnologia ajudou, hoje tu faz tudo no celular: grava, edita, publica. Tudo instantâneo. As coisas estão mais fáceis.

Página 3: Quanto à profissão de jornalista no futuro? Acha que haverá mais mudanças?

Potter: Ela está diminuindo, mas é uma profissão importante pra sociedade, então acredito que vamos continuar tendo jornalistas. O que eu acho que vai acontecer é a possível substituição por máquinas, o que deve chegar até na Medicina, por exemplo. Jornalismo é isso, mas as pessoas querem saber a opinião do jornalista. As pessoas já têm a notícia, e elas querem saber a opinião para amar ou odiar aquele profissional. Mas é algo que demora. Eu comecei a ter um respeito mínimo por minha opinião agora, com 20 anos de profissão. O que acontece é que hoje as pessoas querem isso em 20 dias. O Whindersson pode não estar no YouTube todo esse tempo, mas deve estar há uns 10 anos, e ele teve o processo dele também, com câmera ruim, áudio ruim, foi conquistando audiência, melhorando e hoje olha onde ele está. Mas as pessoas esquecem disso. Esse é o mundo de hoje, as pessoas acham que não tem suor, que não tem uma jornada, querem resultado rápido. E o jornalista pena para comer o pão que o diabo amassou e às vezes passa o resto da vida comendo esse pão (risos). É uma profissão complicada.

Página 3: Para finalizar, comparando com a sua trajetória, como é falar para empresários em um evento como esse?

Potter: É ótimo! Posso apresentar a minha vivência, sou pouco empreendedor, mas muito observador do mundo, do que eu consigo enxergar. É sobre mudanças, de trazer o que vivemos. Se duas pessoas saírem da palestra pensando que agregou em algo eu já fico feliz, e nem precisa gostar da fala toda, se um momento só já trouxer esse ‘insight’ eu já fico grato e realizado, porque é assim que eu vejo palestras e tento transmitir. O mundo é difícil, mas pode ser também muito divertido.


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