Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
“O rock tem que fazer seu papel de ser a contracultura” Sady Homrich, baterista da banda Nenhum de Nós

Rock gaúcho dos anos 80 foi atração nos 12 anos da festa Tempos do Vinil

Segunda, 6/5/2019 14:01.
Divulgação

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Por Renata Rutes

Os saudosistas dos anos 80 e 90 aproveitaram a noite de sábado (4) no Maria’s em Camboriú, onde aconteceu a festa Tempos do Vinil, que completou 12 anos. Para marcar a data, o criador da festa, Maguila Matheus, presenteou seu público com o show de uma das bandas de maior sucesso dos anos 80 e 90, a gaúcha Nenhum de Nós. O Página 3 esteve por lá e conversou com o grupo momentos antes de eles subirem ao palco. Confira.

JP3: Vocês acumulam mais de 30 anos de carreira, como continuam se reinventando? O som de vocês mudou dos anos 80 para hoje?

Thedy Corrêa (vocal): A gente procura se manter atualizado, fazendo o som que a gente gosta, mas tentando sempre agregar alguma coisa de sonoridade, algo que dê um pequeno diferencial, sem que a gente perca a nossa característica principal, que é o nosso som que os fãs gostam.

Vocês anunciaram recentemente que em maio haverá novidades para os fãs, e acabaram de relançar o álbum Paz e Amor, um dos principais da carreira. Como está sendo o retorno?

Thedy Corrêa: Foi ontem (3) que saiu para as plataformas, chegou nas lojas. O Paz e Amor é um disco que temos muito carinho. O dono da gravadora faleceu, um monte de coisa aconteceu nesse meio do caminho e o disco fica inacessível. Até que conseguimos trazê-lo de volta, disponibilizar para os fãs e mostrar pra eles esse trabalho, que muitos consideram um dos nossos melhores.

Sady Homrich (bateria): É uma edição especial que acompanha uma coisa que a gente sempre vem fazendo ao longo dos anos que é a temporada de final de ano. Então no final daquele ano de lançamento do Paz e Amor fizemos um show no Teatro São Pedro que retrata o disco, mas tem muita coisa extra, muita coisa bacana. É acústico, foi eternizado, foi gravado e está vindo como uma mega edição especial. É o Paz e Amor e o Paz e Amor Acústico. Pague um e leve dois (risos).

Como vêem o cenário da música nacional hoje? Vocês viveram o auge do rock nacional e hoje o funk e o sertanejo, por exemplo, estão mais em alta...

Thedy Corrêa: É, está complicado, né... para quem faz rock. Já faz algum tempo que a música está mais focada nesses estilos e para a gente o que resta é investir no nosso público, naquele público que se interessa mais em outro tipo de canção, em outro tipo de letra. Isso está predominando há mais de 10 anos no Brasil, então se a gente se foca muito em ficar esperando passar uma onda...

Sady Homrich: Se a gente lembrar quando Astronauta de Mármore foi a música mais tocada no Brasil (em 1989), a segunda mais tocada foi Beto Barbosa né, então...

Thedy Corrêa: Aquele ano foi Bem Que Se Quis, com a Marisa Monte.

Sady Homrich: Mas o Beto Barbosa estava com a lambada em alta, com a Adocica.

Thedy Corrêa: O Fantástico fez a eleição para saber quais eram as músicas mais tocadas no ano e quase que deu empate, Nenhum de Nós com Astronauta de Mármore e Marisa Monte com Bem Que Se Quis... mas o Adocica realmente estava lá no páreo também.

Sady Homrich: Mas o rock tem que fazer o seu papel de ser a contra cultura. Se entrar na moda o rock ele perde um pouco sentido, então a diferença é que antes as pessoas eram mais seletivas em relação a estilo musical, e hoje todo mundo ouve de tudo. A gente tem que entender isso e entender que estamos inseridos nesse contexto.

João Vicenti (piano): O mais importante é continuar produzindo, gravando, compondo, tocando e fazendo shows.

O hit ‘Camila’, que é um dos maiores sucessos de vocês (lançado em 1988, chegando ao 3º lugar da parada nacional), se mostra cada vez mais atual com a criminalização do feminicídio, por exemplo. Como vocês vêem essa situação?

Carlos Stein (guitarra): ‘Camila’ ela foi uma música que foi muito importante para a gente desde o início e ela foi construída em cima de um tema que hoje não se consideraria muito apropriado para uma banda pop que almejasse sucesso lançar. Mas fizemos realmente em cima de uma indignação nossa, pensando nos casos de violência contra a mulher e isso é uma coisa que não perdeu a relevância até hoje. É uma coisa triste da gente constatar, mas eu acho que a música de uma certa forma funciona como um grito de liberdade para as mulheres. Eu acho que a ideia dela foi dar uma ‘sacudida’ nas mulheres, que elas precisam também reagir, não aceitarem isso como uma realidade imutável e a ‘Camila’ fala bastante disso. Acho que é de certa forma uma contribuição que a gente dá para esse tipo de situação.

Veco Marques (guitarra): Essa música, como obra musical, é um orgulho pra gente. Só dá uma certa tristeza saber que o tema ainda é atual. Depois de ter passado tanto tempo a gente ainda tem que estar sempre mexendo nessa ferida e alertando para que se cuide da violência contra as mulheres, contra as crianças. Então está aí, é a nossa bandeira há muito tempo escrita e que levaremos para sempre, até que se pare com essa função toda.


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“O rock tem que fazer seu papel de ser a contracultura” Sady Homrich, baterista da banda Nenhum de Nós

Rock gaúcho dos anos 80 foi atração nos 12 anos da festa Tempos do Vinil

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Segunda, 6/5/2019 14:01.

Por Renata Rutes

Os saudosistas dos anos 80 e 90 aproveitaram a noite de sábado (4) no Maria’s em Camboriú, onde aconteceu a festa Tempos do Vinil, que completou 12 anos. Para marcar a data, o criador da festa, Maguila Matheus, presenteou seu público com o show de uma das bandas de maior sucesso dos anos 80 e 90, a gaúcha Nenhum de Nós. O Página 3 esteve por lá e conversou com o grupo momentos antes de eles subirem ao palco. Confira.

JP3: Vocês acumulam mais de 30 anos de carreira, como continuam se reinventando? O som de vocês mudou dos anos 80 para hoje?

Thedy Corrêa (vocal): A gente procura se manter atualizado, fazendo o som que a gente gosta, mas tentando sempre agregar alguma coisa de sonoridade, algo que dê um pequeno diferencial, sem que a gente perca a nossa característica principal, que é o nosso som que os fãs gostam.

Vocês anunciaram recentemente que em maio haverá novidades para os fãs, e acabaram de relançar o álbum Paz e Amor, um dos principais da carreira. Como está sendo o retorno?

Thedy Corrêa: Foi ontem (3) que saiu para as plataformas, chegou nas lojas. O Paz e Amor é um disco que temos muito carinho. O dono da gravadora faleceu, um monte de coisa aconteceu nesse meio do caminho e o disco fica inacessível. Até que conseguimos trazê-lo de volta, disponibilizar para os fãs e mostrar pra eles esse trabalho, que muitos consideram um dos nossos melhores.

Sady Homrich (bateria): É uma edição especial que acompanha uma coisa que a gente sempre vem fazendo ao longo dos anos que é a temporada de final de ano. Então no final daquele ano de lançamento do Paz e Amor fizemos um show no Teatro São Pedro que retrata o disco, mas tem muita coisa extra, muita coisa bacana. É acústico, foi eternizado, foi gravado e está vindo como uma mega edição especial. É o Paz e Amor e o Paz e Amor Acústico. Pague um e leve dois (risos).

Como vêem o cenário da música nacional hoje? Vocês viveram o auge do rock nacional e hoje o funk e o sertanejo, por exemplo, estão mais em alta...

Thedy Corrêa: É, está complicado, né... para quem faz rock. Já faz algum tempo que a música está mais focada nesses estilos e para a gente o que resta é investir no nosso público, naquele público que se interessa mais em outro tipo de canção, em outro tipo de letra. Isso está predominando há mais de 10 anos no Brasil, então se a gente se foca muito em ficar esperando passar uma onda...

Sady Homrich: Se a gente lembrar quando Astronauta de Mármore foi a música mais tocada no Brasil (em 1989), a segunda mais tocada foi Beto Barbosa né, então...

Thedy Corrêa: Aquele ano foi Bem Que Se Quis, com a Marisa Monte.

Sady Homrich: Mas o Beto Barbosa estava com a lambada em alta, com a Adocica.

Thedy Corrêa: O Fantástico fez a eleição para saber quais eram as músicas mais tocadas no ano e quase que deu empate, Nenhum de Nós com Astronauta de Mármore e Marisa Monte com Bem Que Se Quis... mas o Adocica realmente estava lá no páreo também.

Sady Homrich: Mas o rock tem que fazer o seu papel de ser a contra cultura. Se entrar na moda o rock ele perde um pouco sentido, então a diferença é que antes as pessoas eram mais seletivas em relação a estilo musical, e hoje todo mundo ouve de tudo. A gente tem que entender isso e entender que estamos inseridos nesse contexto.

João Vicenti (piano): O mais importante é continuar produzindo, gravando, compondo, tocando e fazendo shows.

O hit ‘Camila’, que é um dos maiores sucessos de vocês (lançado em 1988, chegando ao 3º lugar da parada nacional), se mostra cada vez mais atual com a criminalização do feminicídio, por exemplo. Como vocês vêem essa situação?

Carlos Stein (guitarra): ‘Camila’ ela foi uma música que foi muito importante para a gente desde o início e ela foi construída em cima de um tema que hoje não se consideraria muito apropriado para uma banda pop que almejasse sucesso lançar. Mas fizemos realmente em cima de uma indignação nossa, pensando nos casos de violência contra a mulher e isso é uma coisa que não perdeu a relevância até hoje. É uma coisa triste da gente constatar, mas eu acho que a música de uma certa forma funciona como um grito de liberdade para as mulheres. Eu acho que a ideia dela foi dar uma ‘sacudida’ nas mulheres, que elas precisam também reagir, não aceitarem isso como uma realidade imutável e a ‘Camila’ fala bastante disso. Acho que é de certa forma uma contribuição que a gente dá para esse tipo de situação.

Veco Marques (guitarra): Essa música, como obra musical, é um orgulho pra gente. Só dá uma certa tristeza saber que o tema ainda é atual. Depois de ter passado tanto tempo a gente ainda tem que estar sempre mexendo nessa ferida e alertando para que se cuide da violência contra as mulheres, contra as crianças. Então está aí, é a nossa bandeira há muito tempo escrita e que levaremos para sempre, até que se pare com essa função toda.


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