Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Potyra fala sobre a experiência de comandar o Teatro Municipal, cargo que deixou há duas semanas

Quarta, 27/11/2019 17:47.
Arquivo Pessoal
Potyra deixou um trabalho que gostava demais de fazer

Publicidade

Há duas semanas a atriz e escritora Potyra Najara pediu seu desligamento do cargo de diretora do Teatro Municipal Bruno Nitz, que ocupava desde janeiro de 2017. Potyra é concursada desde 2015, como professora de Artes, na rede municipal de ensino. Agora ela retorna à secretaria da Educação, mas antes conversou com a reportagem para falar sobre essa experiência e sobre o real motivo de sua saída do cargo. Até a publicação desta reportagem, o teatro continuava sem diretor. Acompanhe:

Por que deixou o cargo?

Estive como diretora do Teatro de janeiro de 2017 à novembro de 2019. Pedi meu desligamento no dia 13.11 após um episódio ocorrido na Fundação Cultural, onde a superintendente tomou uma decisão que contraria minha orientação, que está em desacordo com o sistema de funcionamento do Teatro que é de minha responsabilidade.

Como foi essa experiência de cuidar do Teatro?

Meu foco principal a frente do Teatro foi fazer com que as pessoas soubessem da existência dele, acompanhassem a agenda com a programação e tivessem desejo de freqüentar os espetáculos. Esse desejo aliado a um trabalho de equipe comprometida em receber e atender bem os artistas, produtores e público, se transformou em resultado e hoje temos um Teatro Municipal sempre bem freqüentado de produções e espectadores.

Organizar a agenda de ocupação do Teatro não é uma tarefa fácil. Como isso funciona na prática?

Eu lanço anualmente um edital de ocupação do Teatro, sempre no mês de março, culminando com a festa que celebra o aniversário de inauguração do nosso Teatro Municipal, o dia mundial do teatro e o dia nacional do circo. As solicitações de pauta são para o período de 1 de julho de um ano até 30 de junho do próximo ano, as pautas que por ventura não sejam solicitadas ficam como datas remanescentes e é com elas que seguimos trabalhando durante o ano. Gerir a agenda sempre foi uma tarefa delicada, por este motivo ficava sob a responsabilidade de apenas uma pessoa, no caso a minha, por conta da demanda de solicitações e pelo cuidado de não haver choque de pautas.

Há preferência para algum tipo de evento ou tem espaço para todos?

Recebemos diversos tipos de eventos como shows de música, teatro, dança, circo, mágica, festivais artísticos, eventos da Fundação Cultural e Lei de Incentivo à Cultura, eventos da prefeitura como o Projeto Oficinas, o Programa Maturidade saudável, eventos do SESC, conseguimos construir um público cativo e certamente a cada espetáculo íamos ganhando novos. Esta programação sempre contou tanto com eventos pagos como com entrada franca.

Como é medida a frequência de público?

De janeiro a meados de novembro de 2019 tivemos um total de 127 espetáculos e 28.928 pessoas no público.

O que precisa mudar por ali, na opinião de quem viu de dentro o teatro?

Estávamos buscando alternativas para o melhor funcionamento e um problema que enfrentamos é o fato de não vendermos ingressos, por isso deixei encaminhado com a secretaria de compras a licitação de terceirização da bilheteria e a licitação para manutenção da caixa cênica que nestes cinco anos, desde a inauguração, nunca foi feita e junto disso um contrato de manutenção anual do equipamento para não haver riscos (varas de luz, de cenário, motores, cabos de aço, etc.), para isso deixei a agenda fechada para manutenção por 45 dias a partir de 1 de fevereiro de 2020. O que precisa ser feito também é a troca do equipamento de som que fica aquém da estrutura do belo teatro que nós temos e a realocação da vara de luz frontal que desde a construção do teatro foi instalada no lugar errado, mas este seria nosso próximo passo.

Importante é o conjunto, trabalho em equipe. Isso aconteceu nesta experiência?

O Teatro tem uma equipe de trabalho maravilhosa e muito dedicada, durante nossas reuniões eu sempre trazia para eles a importância de tratarmos todas as pessoas com carinho e atenção, porque por mais que nós estivéssemos todos os dias ali e sabermos o funcionamento, para muita gente é tudo novidade, além disso, sempre trouxe à consciência do grupo que ao servirmos no Teatro Municipal estamos ajudando as pessoas a realizarem sonhos, sejam eles apresentar um espetáculo ou assisti-lo.

Espaço aberto para mais alguma mensagem?

Nestes quase três anos que estive à frente deste equipamento cultural trabalhei para toda a comunidade de Balneário Camboriú, artistas, produtores, público, tratando todos de igual maneira com muito respeito e carinho sem privilegiar ou desprestigiar ninguém. O trabalho desenvolvido no Teatro até aqui só foi possível porque tive uma equipe sensacional de pessoas sensíveis e dedicadas, das quais sentirei muita falta. Somos um órgão público e estamos ali para servir e proporcionar o melhor funcionamento possível para esta casa de espetáculos. Agradeço imensamente a confiança do Prefeito Fabrício Oliveira e do vice Carlos Humberto que sempre acreditaram no meu trabalho. Eles não queriam a minha saída, mas apoiaram minha posição”.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade













Página 3
Arquivo Pessoal
Potyra deixou um trabalho que gostava demais de fazer
Potyra deixou um trabalho que gostava demais de fazer

Potyra fala sobre a experiência de comandar o Teatro Municipal, cargo que deixou há duas semanas

Publicidade

Quarta, 27/11/2019 17:47.

Há duas semanas a atriz e escritora Potyra Najara pediu seu desligamento do cargo de diretora do Teatro Municipal Bruno Nitz, que ocupava desde janeiro de 2017. Potyra é concursada desde 2015, como professora de Artes, na rede municipal de ensino. Agora ela retorna à secretaria da Educação, mas antes conversou com a reportagem para falar sobre essa experiência e sobre o real motivo de sua saída do cargo. Até a publicação desta reportagem, o teatro continuava sem diretor. Acompanhe:

Por que deixou o cargo?

Estive como diretora do Teatro de janeiro de 2017 à novembro de 2019. Pedi meu desligamento no dia 13.11 após um episódio ocorrido na Fundação Cultural, onde a superintendente tomou uma decisão que contraria minha orientação, que está em desacordo com o sistema de funcionamento do Teatro que é de minha responsabilidade.

Como foi essa experiência de cuidar do Teatro?

Meu foco principal a frente do Teatro foi fazer com que as pessoas soubessem da existência dele, acompanhassem a agenda com a programação e tivessem desejo de freqüentar os espetáculos. Esse desejo aliado a um trabalho de equipe comprometida em receber e atender bem os artistas, produtores e público, se transformou em resultado e hoje temos um Teatro Municipal sempre bem freqüentado de produções e espectadores.

Organizar a agenda de ocupação do Teatro não é uma tarefa fácil. Como isso funciona na prática?

Eu lanço anualmente um edital de ocupação do Teatro, sempre no mês de março, culminando com a festa que celebra o aniversário de inauguração do nosso Teatro Municipal, o dia mundial do teatro e o dia nacional do circo. As solicitações de pauta são para o período de 1 de julho de um ano até 30 de junho do próximo ano, as pautas que por ventura não sejam solicitadas ficam como datas remanescentes e é com elas que seguimos trabalhando durante o ano. Gerir a agenda sempre foi uma tarefa delicada, por este motivo ficava sob a responsabilidade de apenas uma pessoa, no caso a minha, por conta da demanda de solicitações e pelo cuidado de não haver choque de pautas.

Há preferência para algum tipo de evento ou tem espaço para todos?

Recebemos diversos tipos de eventos como shows de música, teatro, dança, circo, mágica, festivais artísticos, eventos da Fundação Cultural e Lei de Incentivo à Cultura, eventos da prefeitura como o Projeto Oficinas, o Programa Maturidade saudável, eventos do SESC, conseguimos construir um público cativo e certamente a cada espetáculo íamos ganhando novos. Esta programação sempre contou tanto com eventos pagos como com entrada franca.

Como é medida a frequência de público?

De janeiro a meados de novembro de 2019 tivemos um total de 127 espetáculos e 28.928 pessoas no público.

O que precisa mudar por ali, na opinião de quem viu de dentro o teatro?

Estávamos buscando alternativas para o melhor funcionamento e um problema que enfrentamos é o fato de não vendermos ingressos, por isso deixei encaminhado com a secretaria de compras a licitação de terceirização da bilheteria e a licitação para manutenção da caixa cênica que nestes cinco anos, desde a inauguração, nunca foi feita e junto disso um contrato de manutenção anual do equipamento para não haver riscos (varas de luz, de cenário, motores, cabos de aço, etc.), para isso deixei a agenda fechada para manutenção por 45 dias a partir de 1 de fevereiro de 2020. O que precisa ser feito também é a troca do equipamento de som que fica aquém da estrutura do belo teatro que nós temos e a realocação da vara de luz frontal que desde a construção do teatro foi instalada no lugar errado, mas este seria nosso próximo passo.

Importante é o conjunto, trabalho em equipe. Isso aconteceu nesta experiência?

O Teatro tem uma equipe de trabalho maravilhosa e muito dedicada, durante nossas reuniões eu sempre trazia para eles a importância de tratarmos todas as pessoas com carinho e atenção, porque por mais que nós estivéssemos todos os dias ali e sabermos o funcionamento, para muita gente é tudo novidade, além disso, sempre trouxe à consciência do grupo que ao servirmos no Teatro Municipal estamos ajudando as pessoas a realizarem sonhos, sejam eles apresentar um espetáculo ou assisti-lo.

Espaço aberto para mais alguma mensagem?

Nestes quase três anos que estive à frente deste equipamento cultural trabalhei para toda a comunidade de Balneário Camboriú, artistas, produtores, público, tratando todos de igual maneira com muito respeito e carinho sem privilegiar ou desprestigiar ninguém. O trabalho desenvolvido no Teatro até aqui só foi possível porque tive uma equipe sensacional de pessoas sensíveis e dedicadas, das quais sentirei muita falta. Somos um órgão público e estamos ali para servir e proporcionar o melhor funcionamento possível para esta casa de espetáculos. Agradeço imensamente a confiança do Prefeito Fabrício Oliveira e do vice Carlos Humberto que sempre acreditaram no meu trabalho. Eles não queriam a minha saída, mas apoiaram minha posição”.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade