Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Página 3 entrevista Armandinho: cantor fala sobre o Dia dos Pais e convivência com as filhas na quarentena

Quinta, 6/8/2020 6:30.

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Por: Renata Rutes-
O cantor Armandinho, morador da Praia Brava de Itajaí há anos, o autor de famosas canções como Desenho de Deus, Analua, Sol Loiro, e muitas outras é pai de Antônia, a Tonton, e Marcela, filhas do seu primeiro casamento. Atualmente ele é casado com a modelo Carla Nicolait.
Nesta semana, ele conversou com o Página 3 (as perguntas foram feitas pela filha primogênita, em Garopaba, onde Armandinho está curtindo a ‘Semana do Pai’ em isolamento social na companhia das meninas).
Confira a entrevista:

-

JP3: A pandemia reduziu e praticamente suspendeu a agenda profissional, o que resultou em uma maior convivência familiar. Como está sendo esse cotidiano diferente? A relação pai e filhos ganhou novos cenários e até novas descobertas. Como tem sido pra você?

Armandinho: Eu acho que o fato de eu ter vindo passar a quarentena aqui em Garopaba, e ter ficado a uma certa distância da Praia Brava nos permitiu ficar mais tempo juntos. Antes eu ficava três, quatro dias com as crianças, hoje eu estou ficando 12. Ou seja, eu estou fazendo jus, pela primeira vez, à guarda compartilhada, coisa que eu nunca pude fazer porque eu tinha shows. E agora eu estou cumprindo essa guarda e a convivência tem sido muito melhor, e o ambiente muito diferente, com muita natureza, tudo aquilo que a gente sempre sonhou.

JP3: Este período te trouxe novos aprendizados com relação à vida? Que novidades essa maior proximidade com as suas filhas trouxe?

Armandinho: Eu acho que o principal é a gente conseguir se manter de bom humor por muito mais tempo e poder identificar quando a gente vai perder a cabeça ou ficar de mau humor, e antes que aconteça isso tu já vai lá e ‘limpa o terreno’ na frente e passa ligeiro para o bom humor e segue. São muitos dias juntos e o som não pode parar.

JP3: Como define a importância delas na sua vida? O que ser pai significa pra você?

Armandinho: Bom, eu não tive um padrão de pai convencional. Meu pai foi embora quando eu tinha dois anos, e ele não está mais aqui hoje, infelizmente. Então eu tinha esse desafio de mudar a história da família, de provar que eu sei ser um bom pai, que eu tenho condições de ser um pai talvez muito melhor do que o pai que eu tive, infelizmente.

JP3: Elas já te inspiraram na hora de compor também, certo? Quais músicas são para as duas? Há mais alguma canção ainda não lançada que é pra elas?

Armandinho: ‘Morena Nativa’ foi a primeira música que eu fiz pra Antônia, quando ela nasceu, em 2007. Não foi um grande hit, mas é uma música que eu adoro. Depois, ‘Sol Loiro’ pra Marcela, quando ela nasceu, que foi mais ou menos um mix de reatar o relacionamento com a mãe delas na época e o nascimento da Marcela. Isso foi muito bacana, muito legal. ‘Sol Loiro’, a música da Marcela. Ainda estou devendo uma música melhor pra Antônia, mas acho que não é preciso. Na real, quem faz música pra mim é ela. Quem abençoa os meus dias é ela.

JP3: E como era o contato com seu pai? Ele já foi citado em algumas canções, como em ‘O Que o Meu Pai Falou Pra Mim’... ele te incentivou na sua carreira?

Armandinho: Eu acho que ele me incentivou na minha carreira com o DNA, com o talento. O fato de ser músico, de tocar violão, de cantar. Meu pai era um grande cantor, mas infelizmente o meu pai se perdeu para o álcool e eu acabei tendo um momento difícil com o álcool também, que eu acho que é hereditário, mas eu lutei e não me deixei entregar. Dei a volta por cima, e hoje eu não consumo mais bebida alcoólica de jeito nenhum. Não vou aconselhar as pessoas a não beberem, porque isso é praticamente impossível; a gente sabe que o álcool é a razão às vezes escondida na vida de muita gente hoje. É uma questão difícil e que a sociedade deve abordar. Infelizmente o meu pai tinha esse problema, que nos impossibilitou de conviver. Ele acabou sendo um ídolo pra mim porque ele me ensinou a Música Popular Brasileira, ele que me ensinou a cantar samba-canção, como segurar o violão, e isso pra mim já é gigantesco. Ele não precisa fazer mais nada.

JP3: Como vê a diferença da sua criação comparando com a das suas filhas? Acha que o mundo mudou muito?

Armandinho: As duas são diferentes uma da outra, a Antônia é mais dramática, se bem que as duas são (risos). A Antônia é mais difícil (risos), acho que ela tem um lado artístico bastante aguçado. A Marcela também tem, mas ainda não deixou fluir, ela é sensacional, de um caráter maravilhoso. Ela é extremamente justa, honesta, um exemplo de pessoa e um orgulho de filha. A Antônia já é mais rebelde, a gente tem que levar ela, né... mas ela tem a música, a arte, várias coisas muito boas. Filhos, né? Cada um do seu jeito e a gente se enxerga neles.

JP3: Qual é a importância do Dia dos Pais na sua vida? Costuma comemorar a data? Se sim, já tem planos para este domingo?

Armandinho: Durante muito tempo eu praticamente comemorei poucas vezes a data, ou chegava atrasado. Então começou a ser uma data que passou a não ter tanta importância na nossa família. Ao inverso de hoje, estou passando a Semana dos Pais, um dia só de Dia dos Pais é muito pouco. Acho que os pais merecem uma semana inteira de convívio só pra ele. No caso, as minhas duas filhas comigo, uma semana inteira, 10 dias, só pra mim. Pra gente poder fazer muitas brincadeiras, jogar, cuidar, orientar, ser corrigido também porque a gente erra. Mais dias é muito mais importante. Infelizmente foi por essa pandemia, mas que depois que essa pandemia saia a gente continue assim, desse jeito que a gente cultivou nesses momentos juntos.

JP3: Espaço aberto para você acrescentar o que achar importante.

Armandinho: Muito obrigado ao Jornal Página 3. Nós estamos aqui na Praia do Siriú, em Garopaba, de quarentena. Quero mandar um abraço para toda a galera da região da Praia Brava, do Balneário, de Itajaí, Navegantes, Itapema, Camboriú... toda a galera da área. Muito obrigado e saudade de vocês!



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Página 3 entrevista Armandinho: cantor fala sobre o Dia dos Pais e convivência com as filhas na quarentena

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Quinta, 6/8/2020 6:30.
Por: Renata Rutes-
O cantor Armandinho, morador da Praia Brava de Itajaí há anos, o autor de famosas canções como Desenho de Deus, Analua, Sol Loiro, e muitas outras é pai de Antônia, a Tonton, e Marcela, filhas do seu primeiro casamento. Atualmente ele é casado com a modelo Carla Nicolait.
Nesta semana, ele conversou com o Página 3 (as perguntas foram feitas pela filha primogênita, em Garopaba, onde Armandinho está curtindo a ‘Semana do Pai’ em isolamento social na companhia das meninas).
Confira a entrevista:

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JP3: A pandemia reduziu e praticamente suspendeu a agenda profissional, o que resultou em uma maior convivência familiar. Como está sendo esse cotidiano diferente? A relação pai e filhos ganhou novos cenários e até novas descobertas. Como tem sido pra você?

Armandinho: Eu acho que o fato de eu ter vindo passar a quarentena aqui em Garopaba, e ter ficado a uma certa distância da Praia Brava nos permitiu ficar mais tempo juntos. Antes eu ficava três, quatro dias com as crianças, hoje eu estou ficando 12. Ou seja, eu estou fazendo jus, pela primeira vez, à guarda compartilhada, coisa que eu nunca pude fazer porque eu tinha shows. E agora eu estou cumprindo essa guarda e a convivência tem sido muito melhor, e o ambiente muito diferente, com muita natureza, tudo aquilo que a gente sempre sonhou.

JP3: Este período te trouxe novos aprendizados com relação à vida? Que novidades essa maior proximidade com as suas filhas trouxe?

Armandinho: Eu acho que o principal é a gente conseguir se manter de bom humor por muito mais tempo e poder identificar quando a gente vai perder a cabeça ou ficar de mau humor, e antes que aconteça isso tu já vai lá e ‘limpa o terreno’ na frente e passa ligeiro para o bom humor e segue. São muitos dias juntos e o som não pode parar.

JP3: Como define a importância delas na sua vida? O que ser pai significa pra você?

Armandinho: Bom, eu não tive um padrão de pai convencional. Meu pai foi embora quando eu tinha dois anos, e ele não está mais aqui hoje, infelizmente. Então eu tinha esse desafio de mudar a história da família, de provar que eu sei ser um bom pai, que eu tenho condições de ser um pai talvez muito melhor do que o pai que eu tive, infelizmente.

JP3: Elas já te inspiraram na hora de compor também, certo? Quais músicas são para as duas? Há mais alguma canção ainda não lançada que é pra elas?

Armandinho: ‘Morena Nativa’ foi a primeira música que eu fiz pra Antônia, quando ela nasceu, em 2007. Não foi um grande hit, mas é uma música que eu adoro. Depois, ‘Sol Loiro’ pra Marcela, quando ela nasceu, que foi mais ou menos um mix de reatar o relacionamento com a mãe delas na época e o nascimento da Marcela. Isso foi muito bacana, muito legal. ‘Sol Loiro’, a música da Marcela. Ainda estou devendo uma música melhor pra Antônia, mas acho que não é preciso. Na real, quem faz música pra mim é ela. Quem abençoa os meus dias é ela.

JP3: E como era o contato com seu pai? Ele já foi citado em algumas canções, como em ‘O Que o Meu Pai Falou Pra Mim’... ele te incentivou na sua carreira?

Armandinho: Eu acho que ele me incentivou na minha carreira com o DNA, com o talento. O fato de ser músico, de tocar violão, de cantar. Meu pai era um grande cantor, mas infelizmente o meu pai se perdeu para o álcool e eu acabei tendo um momento difícil com o álcool também, que eu acho que é hereditário, mas eu lutei e não me deixei entregar. Dei a volta por cima, e hoje eu não consumo mais bebida alcoólica de jeito nenhum. Não vou aconselhar as pessoas a não beberem, porque isso é praticamente impossível; a gente sabe que o álcool é a razão às vezes escondida na vida de muita gente hoje. É uma questão difícil e que a sociedade deve abordar. Infelizmente o meu pai tinha esse problema, que nos impossibilitou de conviver. Ele acabou sendo um ídolo pra mim porque ele me ensinou a Música Popular Brasileira, ele que me ensinou a cantar samba-canção, como segurar o violão, e isso pra mim já é gigantesco. Ele não precisa fazer mais nada.

JP3: Como vê a diferença da sua criação comparando com a das suas filhas? Acha que o mundo mudou muito?

Armandinho: As duas são diferentes uma da outra, a Antônia é mais dramática, se bem que as duas são (risos). A Antônia é mais difícil (risos), acho que ela tem um lado artístico bastante aguçado. A Marcela também tem, mas ainda não deixou fluir, ela é sensacional, de um caráter maravilhoso. Ela é extremamente justa, honesta, um exemplo de pessoa e um orgulho de filha. A Antônia já é mais rebelde, a gente tem que levar ela, né... mas ela tem a música, a arte, várias coisas muito boas. Filhos, né? Cada um do seu jeito e a gente se enxerga neles.

JP3: Qual é a importância do Dia dos Pais na sua vida? Costuma comemorar a data? Se sim, já tem planos para este domingo?

Armandinho: Durante muito tempo eu praticamente comemorei poucas vezes a data, ou chegava atrasado. Então começou a ser uma data que passou a não ter tanta importância na nossa família. Ao inverso de hoje, estou passando a Semana dos Pais, um dia só de Dia dos Pais é muito pouco. Acho que os pais merecem uma semana inteira de convívio só pra ele. No caso, as minhas duas filhas comigo, uma semana inteira, 10 dias, só pra mim. Pra gente poder fazer muitas brincadeiras, jogar, cuidar, orientar, ser corrigido também porque a gente erra. Mais dias é muito mais importante. Infelizmente foi por essa pandemia, mas que depois que essa pandemia saia a gente continue assim, desse jeito que a gente cultivou nesses momentos juntos.

JP3: Espaço aberto para você acrescentar o que achar importante.

Armandinho: Muito obrigado ao Jornal Página 3. Nós estamos aqui na Praia do Siriú, em Garopaba, de quarentena. Quero mandar um abraço para toda a galera da região da Praia Brava, do Balneário, de Itajaí, Navegantes, Itapema, Camboriú... toda a galera da área. Muito obrigado e saudade de vocês!



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