Jornal Página 3
Os anos dourados do surf em Balneário Camboriú

Por Marlise Schneider Cezar

Tempo dos grandes campeões.Época de competições acirradas. Pódios inesquecíveis e vibrantes. Anos que transformaram Balneário Camboriú em ‘celeiro’ de feras conhecidas em todo o país e fora dele. Tempo que deixou boas lembranças e muitas saudades. Mas o cenário continua o mesmo. Então o que mudou?Para falar sobre o assunto convidamos alguns campeões dessa época dourada para perguntar: é possível repetir a dose?

O que fazer para o surf de Balneário voltar a ser reconhecido como uma ‘fábrica de campeões’?

Teco Padaratz

Flávio Padaratz (Teco), 46, empresário, é considerado uma lenda do surf catarinense e nacional. Hoje mora em Florianópolis, onde continua praticando o esporte que o tornou mundialmente conhecido.

“O que precisa ser feito para Balneário voltar à posição de 'celeiro' que já ocupou um dia? Acredito que competições de vários níveis é o que chama a juventude pra experimentar um esporte. Com a facilidade de poder surfar a pé, fica bem melhor a evolução pra níveis mais elevados. Sem falar que a cidade respira este esporte por todos os cantos e isso é uma benção”.

Teco Padaratz começou a surfar em Balneário Camboriú em 1981. Em 1988 tornou-se profissional. E nunca mais parou. É o maior colecionador de títulos do surf catarinense e depois que tornou-se bicampeão mundial do WQS (1992 e 1999) virou referência.

Na década de 80 na praia de Balneário e ocampeão e seus troféus

Lembranças de Teco

“Lembro da liberdade de poder surfar a pé todos os dias, sempre bem acompanhado dos amigos, desbravando cada fim de semana uma nova onda”.

Teco, até hoje continua fazendo o que sempre curtiu.


Willian Cardoso

Willian Cardoso, 31, surfista profissional desde os 18 anos, está competindo o Circuito WQS, esse ano foi quinto na Austrália e em maio compete no Japão, busca seu lugar entre os melhores do mundo.

“Alguma coisa mudou, tem uma nova geração surgindo, mas houve sim uma parada, parece que perderam o gosto pelo surf, porque havia aqui uma boa estrutura. Mas tivemos dois campeões mundiais, o surf virou esporte olímpico, gerou um novo estímulo, acho que vai crescer, é um momento legal do circuito de Balneário também estar voltando, inclusive promovendo competições, como foi o Back Fish ano passado”.

Willian começou a surfar em Balneário aos 10 anos. Ele diz que deu sorte de ter ‘caído’ no prédio em que morava o Eduardo Amorim (Orelha), um prédio que respirava surf’. É um multicampeão em plena atividade. Da sua coleção de pódios, ele destaca cinco vitórias no Circuito Mundial em 21 anos de surf. Mora em Timbó, mas treina sempre na Praia Brava.

Lembranças de Willian

“Na minha época era mais fácil, a vida era mais livre, a gente descia pra brincar na praia e voltava bem tarde, quando ouvia o assobio, não existia preocupação com segurança. No surf o começo foi meio conturbado, difícil, eu trabalhava no verão pra comprar uma prancha nova. James Santos, Sidnei Orsi, Rodrigo Wazlavick, Luli Pereira todos já estavam em alta quando comecei e eles me ajudaram muito. Lembro da oportunidade de representar Balneário no Surfing Games, eu era o mascote, esses que citei já estavam ‘por cima’, só boas lembranças, bom demais”.


Luli Pereira

Luli Pereira rumo a torre de julgamento no Tahiti

Luiz Fernando Steffen Pereira (Luli), 40, trabalha para WorldSurfLeague(WSL), é juiz do WCT desde 2008, avalia o desempenho dos melhores surfistas do mundo.

“Voltar a ocupar a posição de celeiro? É uma questão bem difícil de responder, pois envolve muitos e diferentes aspectos. É uma época bem diferente da que vivemos agora, na minha época a praia central foi o playground de toda uma geração de talentosos jovens surfistas que podiam se inspirar assistindo aos mais experientes ali na mesma praia. Acho que é necessário mais eventos de surf em BC, tanto de pequeno e grande porte para que os novos surfistas possam se inspirar ao assistirem profissionais ao vivo em sua praia. Essa troca de experiências e proximidade é muito importante. A valorização da cultura de praia, da história do surf e de nossos surfistas é ponto fundamental para que continuemos produzindo bons surfistas e possíveis atletas do esporte. Um calendário forte para a associação de surf é necessário e que não dependa da vontade política desse ou daquele partido político é fundamental”.

Luli surfa em Balneário Camboriú desde 1984. Na década de 90 colecionou títulos que o destacaram no cenário estadual e nacional. Os principais foram: Campeão Brasileiro Mirim Sub 15(1991); Campeão Catarinense profissional (1997), Júnior (1993), Mirim (1990/1991); Campeão ASBC (1993).

Lembranças de Luli

“A casinha do surfista, prancha de isopor, ônibus praiana estudantil, campeonatos de surf no centro, poder assistir alguns do melhores surfistas do Brasil e de Santa Catarina surfando em BC diariamente, noites de verão na praça Tamandaré, Baturité”.

Da esquerda para direita: Neco Padaratz, André Huebes, Luli Pereira, Geraldo Souza, Christian Vaccaro e Georgia Mello. Agachados: Rafael "Rapinga" Brandt, Fabiano Fischer e Titi


Mickey Bernardoni

Michelangelo Bernardoni (Mickey), 36, FilmMaker dono da produtora de vídeos Roma Filmes e FreeSurfer em viagem pelo mundo

“Reativar as competições, realizar circuitos todos os anos, participar dos eventos oficiais, investir nas categorias de base, porque só assim surgirão novos nomes. Na minha época havia uma seqüência, competia no municipal, dali seguia para o pro estadual, pro nacional e hoje esta seqüência está fraca, quase inexiste aqui e isso faz muita diferença. Porque hoje tem tudo para ser melhor, tem professores capacitados, equipamentos de alta qualidade, mas faltam competições. Agora estamos num momento complicado, mas antes disso já não havia muita competição. Acho que interferência política, brigas internas tudo isso complicou a evolução do surf competitivo. As competições traziam muita gente de fora, tem que reativar”.

Mickey começou a praticar surf com 4 anos, anos 80, precisava da ajuda da mãe para carregar sua prancha 4´2 até o mar. Com 10 anos competiu pela primeira vez na Praia Brava e lembra que estava morrendo de medo, porque nunca tinha surfado lá. Em 97 foi campeão catarinense junior, depois foi morar na Austrália e no ano seguinte tornou-se profissional.

“Não fui um competidor ativo, sempre estava lá, mas dividia o surf com a faculdade”, disse. Até 2004 competiu como profissional, inclusive na Califórnia onde morou. Tornou-se freesurfer, porque a paixão pelo surf continua a mesma até hoje, só que em outro ritmo viajando, fotografando, produzindo vídeos sobre o surf.

Lembranças de Mickey

“Só lembro de coisas boas daquela época, a gente tinha ídolos do surf, os meus principais eram o Christian Vaccaro e o Luli Pereira, isso era essencial, a gente queria imitar eles, mesmo corte de cabelo, mesmo estilo de bermuda, essas coisas... E a amizade entre todos era impressionante e está mantida até hoje, é bonito fazer parte desta época dourada do surf”.


Sidnei Orsi

Mentawai-norte Sumatra, Indonésia, outubro de 2016, Sidnei (D), Thiago Machado (C) que atualmente mora na Austrália e Guilherme Marques (E), o mascote da viagem

Sidnei Orsi, 43,parou de competir como profissional em 2010, mas trabalhou com surf até 2013, hoje atua no ramo da construção civil.

“A proximidade com o mar, onda pequena e boa para quem quer começar, são vantagens para a prática, mas precisa incentivo. Temos novos talentos em formação em Balneário. Acho que é um cenário nacional, falta incentivo do governo federal e a tecnologia acomodou nossas crianças e nossos jovens. Com tantas facilidades que existem hoje não querem praticar, preferem ficar nos eletrônicos, no celular, é triste. É um esporte barato, uma prancha e uma roupa já sai surfando. Temos bons professores de surf na prefeitura, é de graça. Também temos bons professores particulares. Acho que é a tecnologia interferindo e isso é em todos os esportes. O auge do surf foi na década de 90. Até 2010, um período em que a economia do país cresceu, o surf cresceu junto. Tivemos aí dois campeões mundiais, foi uma surpresa para todo mundo, era pra explodir, mas em função da crise, não foi tudo aquilo que se esperava. Há poucos eventos de 2012 para cá, incentivos foram tudo para Copa do Mundo, depois para a Olimpíada e aí veio a recessão. Não teve aquela explosão de novos talentos. nem aqui nem no país”.

Sidnei começou em Balneário Camboriú em 1983, venceu campeonatos e circuitos municipais e catarinenses, foi campeão brasileiro por equipes em 1996. Foi vice-presidente da ASBC e depois assumiu a presidência (1998 a 2001).

Lembranças de Sidnei

“No início o surf era discriminado, havia um preconceito forte na sociedade, nem todos os pais deixavam os filhos praticar, apanhei muitas vezes por ir à praia surfar (risos), na época não tinha roupa de borracha, os equipamentos eram diferentes, era tudo mais difícil, mas foram bons tempos”.

Da esquerda para direita, Sidnei Orsi, James Santos, Rodrigo Waslavick e Luli Pereira condecorados como primeiros campeões brasileiros por equipe, na praia das Pitangueiras, no Guarujá/SP, em 1996.


Klaus Kaiser

Klaus, campeão do BC Junior/Mirim em 1983, e,durante apresentação do evento do Parcel.

Klaus Kaiser, 48, locutor oficial da World Surf League (WSL) e Gerente Geral do Circuito Brasileiro de Surf Profissional da Associação Brasileira de Surf Profissional (ABRASP).

“O trabalho já começou a ser feito pela nova diretoria da ASBC, capitaneada pelo presidente Thiago Velasques, que vem tentando resgatar aquilo que Balneário sempre foi, um ‘celeiro de ases’ e o maior ‘papa títulos’ de Santa Catarina. A ASBC está tendo apoio do atual prefeito Fabrício Oliveira (teve também do anterior, Edson Piriquito Dias) e suas idéias e projetos me levam a crer que, em breve, os resultados voltarão a ser colhidos”.

Klaus começou a surfar em Balneário Camboriú em 1979. Atualmente mora em Porto Alegre, mas sempre que pode, surfa em Balneário. O forte dele não era competições, ele sempre organizou eventos desde os 12 anos (e faz isso até hoje), mas tem um campeonato que ele nunca esqueceu. “Um dos poucos que competi ganhei do Teco Padaratz na grande final, em um evento organizado pelo saudoso Glademir Schmidt, o ‘Mostarda’.

Lembranças de Klaus

“Vivíamos em uma Balneário Camboriú ‘para poucos’, todos se conheciam, estudavam juntos, surfavam juntos, freqüentavam os mesmos lugares, o que foi preponderante para formar uma amizade muito sólida, tanto que até hoje Balneário é reconhecida como um dos lugares onde os surfistas são os mais unidos, mais amigos”, colocou Klaus.

E acrescentou mais uma:

“Lembro de abrirmos à base de facão a trilha que depois se transformou no que é hoje a Estrada da Rainha, para irmos surfar na então intocada Praia Brava, onde não havia nenhuma casa habitável, a não ser uma casinha abandonada ao lado do rio”, resumiu Klaus.


Matéria publicada na edição de abril do Página 3 impresso. Para ler tudo antes também, assine aqui.


Página 3

Os anos dourados do surf em Balneário Camboriú

Por Marlise Schneider Cezar

Tempo dos grandes campeões.Época de competições acirradas. Pódios inesquecíveis e vibrantes. Anos que transformaram Balneário Camboriú em ‘celeiro’ de feras conhecidas em todo o país e fora dele. Tempo que deixou boas lembranças e muitas saudades. Mas o cenário continua o mesmo. Então o que mudou?Para falar sobre o assunto convidamos alguns campeões dessa época dourada para perguntar: é possível repetir a dose?

O que fazer para o surf de Balneário voltar a ser reconhecido como uma ‘fábrica de campeões’?

Teco Padaratz

Flávio Padaratz (Teco), 46, empresário, é considerado uma lenda do surf catarinense e nacional. Hoje mora em Florianópolis, onde continua praticando o esporte que o tornou mundialmente conhecido.

“O que precisa ser feito para Balneário voltar à posição de 'celeiro' que já ocupou um dia? Acredito que competições de vários níveis é o que chama a juventude pra experimentar um esporte. Com a facilidade de poder surfar a pé, fica bem melhor a evolução pra níveis mais elevados. Sem falar que a cidade respira este esporte por todos os cantos e isso é uma benção”.

Teco Padaratz começou a surfar em Balneário Camboriú em 1981. Em 1988 tornou-se profissional. E nunca mais parou. É o maior colecionador de títulos do surf catarinense e depois que tornou-se bicampeão mundial do WQS (1992 e 1999) virou referência.

Na década de 80 na praia de Balneário e ocampeão e seus troféus

Lembranças de Teco

“Lembro da liberdade de poder surfar a pé todos os dias, sempre bem acompanhado dos amigos, desbravando cada fim de semana uma nova onda”.

Teco, até hoje continua fazendo o que sempre curtiu.


Willian Cardoso

Willian Cardoso, 31, surfista profissional desde os 18 anos, está competindo o Circuito WQS, esse ano foi quinto na Austrália e em maio compete no Japão, busca seu lugar entre os melhores do mundo.

“Alguma coisa mudou, tem uma nova geração surgindo, mas houve sim uma parada, parece que perderam o gosto pelo surf, porque havia aqui uma boa estrutura. Mas tivemos dois campeões mundiais, o surf virou esporte olímpico, gerou um novo estímulo, acho que vai crescer, é um momento legal do circuito de Balneário também estar voltando, inclusive promovendo competições, como foi o Back Fish ano passado”.

Willian começou a surfar em Balneário aos 10 anos. Ele diz que deu sorte de ter ‘caído’ no prédio em que morava o Eduardo Amorim (Orelha), um prédio que respirava surf’. É um multicampeão em plena atividade. Da sua coleção de pódios, ele destaca cinco vitórias no Circuito Mundial em 21 anos de surf. Mora em Timbó, mas treina sempre na Praia Brava.

Lembranças de Willian

“Na minha época era mais fácil, a vida era mais livre, a gente descia pra brincar na praia e voltava bem tarde, quando ouvia o assobio, não existia preocupação com segurança. No surf o começo foi meio conturbado, difícil, eu trabalhava no verão pra comprar uma prancha nova. James Santos, Sidnei Orsi, Rodrigo Wazlavick, Luli Pereira todos já estavam em alta quando comecei e eles me ajudaram muito. Lembro da oportunidade de representar Balneário no Surfing Games, eu era o mascote, esses que citei já estavam ‘por cima’, só boas lembranças, bom demais”.


Luli Pereira

Luli Pereira rumo a torre de julgamento no Tahiti

Luiz Fernando Steffen Pereira (Luli), 40, trabalha para WorldSurfLeague(WSL), é juiz do WCT desde 2008, avalia o desempenho dos melhores surfistas do mundo.

“Voltar a ocupar a posição de celeiro? É uma questão bem difícil de responder, pois envolve muitos e diferentes aspectos. É uma época bem diferente da que vivemos agora, na minha época a praia central foi o playground de toda uma geração de talentosos jovens surfistas que podiam se inspirar assistindo aos mais experientes ali na mesma praia. Acho que é necessário mais eventos de surf em BC, tanto de pequeno e grande porte para que os novos surfistas possam se inspirar ao assistirem profissionais ao vivo em sua praia. Essa troca de experiências e proximidade é muito importante. A valorização da cultura de praia, da história do surf e de nossos surfistas é ponto fundamental para que continuemos produzindo bons surfistas e possíveis atletas do esporte. Um calendário forte para a associação de surf é necessário e que não dependa da vontade política desse ou daquele partido político é fundamental”.

Luli surfa em Balneário Camboriú desde 1984. Na década de 90 colecionou títulos que o destacaram no cenário estadual e nacional. Os principais foram: Campeão Brasileiro Mirim Sub 15(1991); Campeão Catarinense profissional (1997), Júnior (1993), Mirim (1990/1991); Campeão ASBC (1993).

Lembranças de Luli

“A casinha do surfista, prancha de isopor, ônibus praiana estudantil, campeonatos de surf no centro, poder assistir alguns do melhores surfistas do Brasil e de Santa Catarina surfando em BC diariamente, noites de verão na praça Tamandaré, Baturité”.

Da esquerda para direita: Neco Padaratz, André Huebes, Luli Pereira, Geraldo Souza, Christian Vaccaro e Georgia Mello. Agachados: Rafael "Rapinga" Brandt, Fabiano Fischer e Titi


Mickey Bernardoni

Michelangelo Bernardoni (Mickey), 36, FilmMaker dono da produtora de vídeos Roma Filmes e FreeSurfer em viagem pelo mundo

“Reativar as competições, realizar circuitos todos os anos, participar dos eventos oficiais, investir nas categorias de base, porque só assim surgirão novos nomes. Na minha época havia uma seqüência, competia no municipal, dali seguia para o pro estadual, pro nacional e hoje esta seqüência está fraca, quase inexiste aqui e isso faz muita diferença. Porque hoje tem tudo para ser melhor, tem professores capacitados, equipamentos de alta qualidade, mas faltam competições. Agora estamos num momento complicado, mas antes disso já não havia muita competição. Acho que interferência política, brigas internas tudo isso complicou a evolução do surf competitivo. As competições traziam muita gente de fora, tem que reativar”.

Mickey começou a praticar surf com 4 anos, anos 80, precisava da ajuda da mãe para carregar sua prancha 4´2 até o mar. Com 10 anos competiu pela primeira vez na Praia Brava e lembra que estava morrendo de medo, porque nunca tinha surfado lá. Em 97 foi campeão catarinense junior, depois foi morar na Austrália e no ano seguinte tornou-se profissional.

“Não fui um competidor ativo, sempre estava lá, mas dividia o surf com a faculdade”, disse. Até 2004 competiu como profissional, inclusive na Califórnia onde morou. Tornou-se freesurfer, porque a paixão pelo surf continua a mesma até hoje, só que em outro ritmo viajando, fotografando, produzindo vídeos sobre o surf.

Lembranças de Mickey

“Só lembro de coisas boas daquela época, a gente tinha ídolos do surf, os meus principais eram o Christian Vaccaro e o Luli Pereira, isso era essencial, a gente queria imitar eles, mesmo corte de cabelo, mesmo estilo de bermuda, essas coisas... E a amizade entre todos era impressionante e está mantida até hoje, é bonito fazer parte desta época dourada do surf”.


Sidnei Orsi

Mentawai-norte Sumatra, Indonésia, outubro de 2016, Sidnei (D), Thiago Machado (C) que atualmente mora na Austrália e Guilherme Marques (E), o mascote da viagem

Sidnei Orsi, 43,parou de competir como profissional em 2010, mas trabalhou com surf até 2013, hoje atua no ramo da construção civil.

“A proximidade com o mar, onda pequena e boa para quem quer começar, são vantagens para a prática, mas precisa incentivo. Temos novos talentos em formação em Balneário. Acho que é um cenário nacional, falta incentivo do governo federal e a tecnologia acomodou nossas crianças e nossos jovens. Com tantas facilidades que existem hoje não querem praticar, preferem ficar nos eletrônicos, no celular, é triste. É um esporte barato, uma prancha e uma roupa já sai surfando. Temos bons professores de surf na prefeitura, é de graça. Também temos bons professores particulares. Acho que é a tecnologia interferindo e isso é em todos os esportes. O auge do surf foi na década de 90. Até 2010, um período em que a economia do país cresceu, o surf cresceu junto. Tivemos aí dois campeões mundiais, foi uma surpresa para todo mundo, era pra explodir, mas em função da crise, não foi tudo aquilo que se esperava. Há poucos eventos de 2012 para cá, incentivos foram tudo para Copa do Mundo, depois para a Olimpíada e aí veio a recessão. Não teve aquela explosão de novos talentos. nem aqui nem no país”.

Sidnei começou em Balneário Camboriú em 1983, venceu campeonatos e circuitos municipais e catarinenses, foi campeão brasileiro por equipes em 1996. Foi vice-presidente da ASBC e depois assumiu a presidência (1998 a 2001).

Lembranças de Sidnei

“No início o surf era discriminado, havia um preconceito forte na sociedade, nem todos os pais deixavam os filhos praticar, apanhei muitas vezes por ir à praia surfar (risos), na época não tinha roupa de borracha, os equipamentos eram diferentes, era tudo mais difícil, mas foram bons tempos”.

Da esquerda para direita, Sidnei Orsi, James Santos, Rodrigo Waslavick e Luli Pereira condecorados como primeiros campeões brasileiros por equipe, na praia das Pitangueiras, no Guarujá/SP, em 1996.


Klaus Kaiser

Klaus, campeão do BC Junior/Mirim em 1983, e,durante apresentação do evento do Parcel.

Klaus Kaiser, 48, locutor oficial da World Surf League (WSL) e Gerente Geral do Circuito Brasileiro de Surf Profissional da Associação Brasileira de Surf Profissional (ABRASP).

“O trabalho já começou a ser feito pela nova diretoria da ASBC, capitaneada pelo presidente Thiago Velasques, que vem tentando resgatar aquilo que Balneário sempre foi, um ‘celeiro de ases’ e o maior ‘papa títulos’ de Santa Catarina. A ASBC está tendo apoio do atual prefeito Fabrício Oliveira (teve também do anterior, Edson Piriquito Dias) e suas idéias e projetos me levam a crer que, em breve, os resultados voltarão a ser colhidos”.

Klaus começou a surfar em Balneário Camboriú em 1979. Atualmente mora em Porto Alegre, mas sempre que pode, surfa em Balneário. O forte dele não era competições, ele sempre organizou eventos desde os 12 anos (e faz isso até hoje), mas tem um campeonato que ele nunca esqueceu. “Um dos poucos que competi ganhei do Teco Padaratz na grande final, em um evento organizado pelo saudoso Glademir Schmidt, o ‘Mostarda’.

Lembranças de Klaus

“Vivíamos em uma Balneário Camboriú ‘para poucos’, todos se conheciam, estudavam juntos, surfavam juntos, freqüentavam os mesmos lugares, o que foi preponderante para formar uma amizade muito sólida, tanto que até hoje Balneário é reconhecida como um dos lugares onde os surfistas são os mais unidos, mais amigos”, colocou Klaus.

E acrescentou mais uma:

“Lembro de abrirmos à base de facão a trilha que depois se transformou no que é hoje a Estrada da Rainha, para irmos surfar na então intocada Praia Brava, onde não havia nenhuma casa habitável, a não ser uma casinha abandonada ao lado do rio”, resumiu Klaus.


Matéria publicada na edição de abril do Página 3 impresso. Para ler tudo antes também, assine aqui.