Jornal Página 3
Comerciantes de Balneário Camboriú frustrados com a temporada de verão
Foto: Renata Rutes Henning

(RENATA RUTES HENNING)

O Página 3 foi às ruas conversar com pessoas que vendem para turistas sobre a temporada de verão e o descontentamento é praticamente unânime, em especial sobre as más condições ambientais da Praia Central e o baixo número de argentinos visitando a cidade.

O Carnaval é a esperança para a situação melhorar, confira:

Edson Muniz de Souza, 26 anos, é motorista da Uber, ele conta que apesar de ser a sua primeira temporada de verão trabalhando aqui não ficou impressionado com o movimento.

“Balneário Camboriú ainda é o melhor lugar da região para trabalhar, pois não só os turistas utilizam a Uber, mas também os moradores.

Busquei bastante pessoas na rodoviária, já levei também o pessoal para o Beto Carrero.

Por aqui não param as chamadas, mas há muitos motoristas trabalhando, até mesmo de fora, e isso acaba baixando um pouco a tarifa.

Mas pelo o que eu soube, nos últimos verões o movimento foi melhor”.

Talissa Fernandes da Silva, 20 anos, funcionária da Tentação do Mate, diz que o pessoal da lanchonete, situada na Avenida Brasil, esperava um movimento mais expressivo.

“Fez muito calor, mas pouco movimento. Todo ano quem salva o verão são os argentinos e vieram poucos. Nossos melhores dias foram do Natal até o dia cinco de janeiro. Chegamos a trabalhar com seis funcionários, agora só estamos com um. O pessoal da região também está concordando que está fraco.

Apesar do Carnaval ter ficado para mais tarde, as aulas foram adiantadas e isso acabou nos prejudicando também”.

Alex Schmidt, 26 anos, funcionário de uma loja que vende lembranças de Balneário Camboriú, disse ao Página 3 que esperava muito mais e que os anos anteriores foram bem melhores do que esse verão.

“A crise financeira da Argentina nos afetou muito. Era o nosso principal público. Os uruguaios, chilenos e paraguaios vieram e ajudaram um pouco, mas não foi algo muito expressivo, não. Os brasileiros gastam pouco nessa época do ano, não são nossos principais clientes. Quem compra são os estrangeiros”.

Um comerciante do Calçadão, que preferiu não se identificar, lamentou o suposto descaso com o local, que é um dos principais pontos turísticos de Balneário e inclusive disse que vai tirar sua loja de lá.

“A temporada não aconteceu, essa é a realidade. Foi geral o descontentamento. Apesar de ter movimento no Calçadão, quem circula por aqui não compra. Até o Natal o movimento foi bom, mas depois disso parou. As pessoas entram, olham, mas não compram. O Calçadão também vive sujo e com muitos mendigos e pedintes. Tivemos problemas com som alto, chamávamos os guardas e fiscais, mas eles demoravam ou nem vinham. Definitivamente falta apoio da prefeitura. Há muitas melhorias que precisam ser feitas”.

Fotos: Renata Rutes Henning

Madson Cortez, 23 anos, e Sílvio Amador, 22 anos, são garçons do Restaurante da Mama, eles salientam que mesmo com o atendimento na praia o movimento não foi o esperado, além da sujeira do mar, que também afastou o público.

“Foi uma temporada fraca, esperávamos mais, principalmente por conta do atendimento na praia. Muitos turistas não sabiam que estávamos atendendo, faltou divulgação. Também não veio um terço dos argentinos que costumam vir e isso afetou bastante. A poluição da praia também assustou o público, que preferiu ir para outras praias da região. O Carnaval vai ser o último suspiro, acreditamos que o pessoal está segurando para gastar nesse feriado. Muitos mendigos também andam circulando pela Avenida Atlântica, isso constrange os visitantes. Eles vêm pedir comida, mas não podemos dar porque se não tende a piorar ainda mais”.

Cícero Vilemar Lima de Melo, 47, maître do Sabores do Mar concorda com os garçons e diz que o movimento foi 40% menor do que no último verão.

“Os argentinos fizeram muita falta. A praia imprópria para banho também foi um problema, além de que faltou água nos chuveiros. O pessoal não tinha como se refrescar. Também temos o problema do uso de drogas na Atlântica, e dos mendigos que ficam circulando por aqui. Precisa ser feito algo. O atendimento na praia foi um dinheiro a mais, mas poderia ter sido melhor. Tivemos a sorte de ter bons clientes brasileiros, que gastaram bem, se não teria sido ainda pior. O nosso movimento costumava ser 70% de argentinos nessa época do ano e não chegou nem perto disso”.

Kessie Jone Pinto Marques, 24 anos, trabalha na barraquinha 94 de churros e milho, bem na frente do edifício Imperatriz, e diz que o movimento está sendo o pior dos últimos anos: durante a semana vende 50 churros e 50 milhos, aos finais de semana esse número dobra, mas está bem abaixo da média. O churros está R$ 7 (normal) e R$ 10 (gourmet, com Nutella), o milho por R$ 7; aluguel de cadeira R$ 8 ou duas por R$ 15 e guarda-sol a R$ 15 o médio e R$ 25 o grande.

“A poluição da praia sem dúvidas foi o que mais afetou. Esperávamos a vinda dos argentinos, porque é difícil dependermos dos brasileiros. Eles gastam pouco e pedem muito desconto. A virada do ano foi muito empolgante, achávamos que ia ser a melhor temporada de todas... e não aconteceu. Estamos com boa expectativa para o Carnaval, será a última chance”.

Marcos Vilanova, 23 anos, e Samiria Lima, 19 anos, trabalham no quiosque 20, e dizem que essa temporada piorou muito em relação aos anos anteriores, além dos turistas estarem reclamando bastante do preço dos produtos.

“Está difícil. A sujeira da praia só piorou tudo. Mesmo com a água imprópria o pessoal entrava no mar, mas aí saíam cheios de algas e não tinham onde se lavar, pois os chuveiros estavam sem água. Quem gasta e movimenta a cidade são os argentinos e eles não vieram. Se for comparar, as nossas vendas estão piores do que no inverno. Esperamos o Carnaval, que serão os cinco últimos dias da temporada de verão. Porém, os turistas estão vindo apenas para curtir e não estão gastando”.

Katellyn Lipel, 30 anos, é proprietária Casa da Baunilha, e está passando pela primeira temporada de verão em Balneário. Para ela, o movimento está bom, porém salienta que não há um comparativo a ser feito.

Percebemos que o pessoal reclama da praia suja, e algo que faz falta é o estacionamento rotativo. Tem gente que deixa o carro na mesma vaga por vários dias, e aí os clientes reclamam que não há lugar para estacionar”.




Página 3

Comerciantes de Balneário Camboriú frustrados com a temporada de verão

Foto: Renata Rutes Henning

(RENATA RUTES HENNING)

O Página 3 foi às ruas conversar com pessoas que vendem para turistas sobre a temporada de verão e o descontentamento é praticamente unânime, em especial sobre as más condições ambientais da Praia Central e o baixo número de argentinos visitando a cidade.

O Carnaval é a esperança para a situação melhorar, confira:

Edson Muniz de Souza, 26 anos, é motorista da Uber, ele conta que apesar de ser a sua primeira temporada de verão trabalhando aqui não ficou impressionado com o movimento.

“Balneário Camboriú ainda é o melhor lugar da região para trabalhar, pois não só os turistas utilizam a Uber, mas também os moradores.

Busquei bastante pessoas na rodoviária, já levei também o pessoal para o Beto Carrero.

Por aqui não param as chamadas, mas há muitos motoristas trabalhando, até mesmo de fora, e isso acaba baixando um pouco a tarifa.

Mas pelo o que eu soube, nos últimos verões o movimento foi melhor”.

Talissa Fernandes da Silva, 20 anos, funcionária da Tentação do Mate, diz que o pessoal da lanchonete, situada na Avenida Brasil, esperava um movimento mais expressivo.

“Fez muito calor, mas pouco movimento. Todo ano quem salva o verão são os argentinos e vieram poucos. Nossos melhores dias foram do Natal até o dia cinco de janeiro. Chegamos a trabalhar com seis funcionários, agora só estamos com um. O pessoal da região também está concordando que está fraco.

Apesar do Carnaval ter ficado para mais tarde, as aulas foram adiantadas e isso acabou nos prejudicando também”.

Alex Schmidt, 26 anos, funcionário de uma loja que vende lembranças de Balneário Camboriú, disse ao Página 3 que esperava muito mais e que os anos anteriores foram bem melhores do que esse verão.

“A crise financeira da Argentina nos afetou muito. Era o nosso principal público. Os uruguaios, chilenos e paraguaios vieram e ajudaram um pouco, mas não foi algo muito expressivo, não. Os brasileiros gastam pouco nessa época do ano, não são nossos principais clientes. Quem compra são os estrangeiros”.

Um comerciante do Calçadão, que preferiu não se identificar, lamentou o suposto descaso com o local, que é um dos principais pontos turísticos de Balneário e inclusive disse que vai tirar sua loja de lá.

“A temporada não aconteceu, essa é a realidade. Foi geral o descontentamento. Apesar de ter movimento no Calçadão, quem circula por aqui não compra. Até o Natal o movimento foi bom, mas depois disso parou. As pessoas entram, olham, mas não compram. O Calçadão também vive sujo e com muitos mendigos e pedintes. Tivemos problemas com som alto, chamávamos os guardas e fiscais, mas eles demoravam ou nem vinham. Definitivamente falta apoio da prefeitura. Há muitas melhorias que precisam ser feitas”.

Fotos: Renata Rutes Henning

Madson Cortez, 23 anos, e Sílvio Amador, 22 anos, são garçons do Restaurante da Mama, eles salientam que mesmo com o atendimento na praia o movimento não foi o esperado, além da sujeira do mar, que também afastou o público.

“Foi uma temporada fraca, esperávamos mais, principalmente por conta do atendimento na praia. Muitos turistas não sabiam que estávamos atendendo, faltou divulgação. Também não veio um terço dos argentinos que costumam vir e isso afetou bastante. A poluição da praia também assustou o público, que preferiu ir para outras praias da região. O Carnaval vai ser o último suspiro, acreditamos que o pessoal está segurando para gastar nesse feriado. Muitos mendigos também andam circulando pela Avenida Atlântica, isso constrange os visitantes. Eles vêm pedir comida, mas não podemos dar porque se não tende a piorar ainda mais”.

Cícero Vilemar Lima de Melo, 47, maître do Sabores do Mar concorda com os garçons e diz que o movimento foi 40% menor do que no último verão.

“Os argentinos fizeram muita falta. A praia imprópria para banho também foi um problema, além de que faltou água nos chuveiros. O pessoal não tinha como se refrescar. Também temos o problema do uso de drogas na Atlântica, e dos mendigos que ficam circulando por aqui. Precisa ser feito algo. O atendimento na praia foi um dinheiro a mais, mas poderia ter sido melhor. Tivemos a sorte de ter bons clientes brasileiros, que gastaram bem, se não teria sido ainda pior. O nosso movimento costumava ser 70% de argentinos nessa época do ano e não chegou nem perto disso”.

Kessie Jone Pinto Marques, 24 anos, trabalha na barraquinha 94 de churros e milho, bem na frente do edifício Imperatriz, e diz que o movimento está sendo o pior dos últimos anos: durante a semana vende 50 churros e 50 milhos, aos finais de semana esse número dobra, mas está bem abaixo da média. O churros está R$ 7 (normal) e R$ 10 (gourmet, com Nutella), o milho por R$ 7; aluguel de cadeira R$ 8 ou duas por R$ 15 e guarda-sol a R$ 15 o médio e R$ 25 o grande.

“A poluição da praia sem dúvidas foi o que mais afetou. Esperávamos a vinda dos argentinos, porque é difícil dependermos dos brasileiros. Eles gastam pouco e pedem muito desconto. A virada do ano foi muito empolgante, achávamos que ia ser a melhor temporada de todas... e não aconteceu. Estamos com boa expectativa para o Carnaval, será a última chance”.

Marcos Vilanova, 23 anos, e Samiria Lima, 19 anos, trabalham no quiosque 20, e dizem que essa temporada piorou muito em relação aos anos anteriores, além dos turistas estarem reclamando bastante do preço dos produtos.

“Está difícil. A sujeira da praia só piorou tudo. Mesmo com a água imprópria o pessoal entrava no mar, mas aí saíam cheios de algas e não tinham onde se lavar, pois os chuveiros estavam sem água. Quem gasta e movimenta a cidade são os argentinos e eles não vieram. Se for comparar, as nossas vendas estão piores do que no inverno. Esperamos o Carnaval, que serão os cinco últimos dias da temporada de verão. Porém, os turistas estão vindo apenas para curtir e não estão gastando”.

Katellyn Lipel, 30 anos, é proprietária Casa da Baunilha, e está passando pela primeira temporada de verão em Balneário. Para ela, o movimento está bom, porém salienta que não há um comparativo a ser feito.

Percebemos que o pessoal reclama da praia suja, e algo que faz falta é o estacionamento rotativo. Tem gente que deixa o carro na mesma vaga por vários dias, e aí os clientes reclamam que não há lugar para estacionar”.