Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Especial
Dia dos Pais: eles falam sobre nova rotina e paternidade em tempos de Coronavírus

Quinta, 6/8/2020 6:30.

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Por Renata Rutes

A pandemia do Covid-19 trouxe muitas mudanças e novas rotinas na vida das famílias, alterou o cotidiano, o jeito de trabalhar e estreitou o convívio entre pais e filhos. Neste Dia dos Pais, comemorado neste domingo (9)‘eles’ falam sobre este ‘novo normal’. Apesar de muitas empresas terem voltado com as atividades presenciais, há pais que seguem fazendo home-office e dividindo a atenção do trabalho com os filhos, além daqueles que trabalham na linha de frente, na área da saúde e da segurança e acabam tendo uma preocupação a mais na hora de voltar pra casa; e até mesmo papais de primeira viagem que estão vivendo a experiência da paternidade em meio ao atual cenário.
O Página 3 conversou com alguns deles, que compartilham suas opiniões sobre este Dia dos Pais, que promete ficar marcado na história.

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Pais que trabalham na área da saúde: dupla preocupação

“Nunca foi tão importante registrar o que sentimos pelas pessoas que amamos”

O médico Diego Missel Gasparelo, 33 anos, trabalha diariamente nas emergências de hospitais da região, incluindo o Ruth Cardoso. Ele está na linha de frente no combate à pandemia do Covid-19, assim como a esposa e também médica Ana Paula Possetti. Eles são pais de Gabriela, de cinco meses, nascida dois dias depois da confirmação do primeiro caso de Covid no Brasil. Por precaução – já que não se sabia como a doença se manifestaria nas crianças e recém-nascidos, ele se isolou da família, ficando mais de um mês longe da esposa e da filha, fazendo contato apenas por vídeo-chamada. “Foi um momento muito difícil para nós, não poder acompanhar de perto os primeiros dias de vida da minha filha era de cortar o coração. Hoje conhecendo um pouco mais sobre a doença voltamos a ficar juntos, porém tomando cuidado redobrado, saindo de casa somente quando necessário. A maioria dos nossos amigos e familiares só conhecem a Gabriela por foto”, diz.

Os cuidados pensando na esposa e na filha começam ainda no ambiente de trabalho. Quando acaba o plantão Diego toma banho no hospital, veste roupas limpas e quando chega em casa deixa os sapatos para fora e vai direto para um banheiro que somente ele utiliza, separa as roupas usadas, higieniza o celular e somente após mais um banho, chega perto de Ana, de Gabriela e dos animais de estimação da família.

“Hoje com a pandemia estou curtindo mais minha filha e esposa, pois estamos evitando de sair de casa e ficamos mais tempos juntos. Depois que a Gabriela nasceu a minha vida mudou, agora ela está com cinco meses, a alegria é imensa e a emoção infinita, algo que não tem como explicar, mas a preocupação e a responsabilidade aumentaram muito. Criança traz muita alegria para casa, filhos é a melhor coisa da vida”, conta.

Segundo Diego, a relação que tem com o pai é ótima, e hoje com Gabriela diz que entende ainda melhor os conselhos que seu pai lhe dava, acrescentando que ‘é grato’ pelos ensinamentos e pelo amor que recebe, mas que com a pandemia não é possível estar sempre com o pai, mas que estão sempre conversando e trocando ideias.

Na opinião do médico, o Dia dos Pais é a melhor data para lembrar a importância da pessoa que fez tudo por ele.

“Ele merece nosso respeito, admiração e carinho. Mesmo com essa epidemia não podemos deixar o dia passar em branco, estamos vivendo um momento em que nunca foi tão importante registrar o que sentimos pelas pessoas que amamos, não perder a oportunidade de agradecer e abrir o coração e mostrar ao seu pai o quanto a sua vida é marcada pelo legado que ele está deixando. Não perca essa oportunidade, não sabemos por quanto tempo ainda teremos as pessoas que mais amamos ao nosso lado. Diga eu te amo e obrigado ao seu pai nesse dia, completa.


“Ser pai é um presente que a gente nunca acredita ser merecedor”

O enfermeiro Ricardo Lorenz Brodersen, 42 anos, é colega do médico Diego, sendo responsável técnico do Hospital Municipal Ruth Cardoso. Além de ter uma rotina bem frenética, em tempos de pandemia ele diz que o trabalho se intensificou ainda mais. Ele é pai de Anthony, 12 anos, e Amabilly, de seis, e define que em casa o aprendizado é contínuo, e que os filhos o impulsionam para continuar buscando o melhor para todos que enfrentam com ele a pandemia, inclusive Ricardo teve Covid-19 ainda no início. “Tive fé e certeza de que era apenas uma fase, onde a única coisa que eu poderia fazer era ficar longe de quem eu mais queria perto, meus filhos. Tive que fazê-los entender que o distanciamento era o mais sensato e seguro. O medo foi tanto que mantivemos o distanciamento até o último domingo (2 de agosto), quando não mais aguentei e me permiti um momento de demonstração de afeto”, conta.

Ricardo conta que o passatempo preferido dele com o filho, Anthony, são os jogos de futebol no videogame e andar de bicicleta, mas que o seu ‘parceirinho’ está jogando sozinho, com ele assistindo apenas por vídeo-chamada – a maneira encontrada para se verem todos os dias.

“Depois de ser pai, pude entender várias coisas que meu pai me dizia, fui capaz de compreender dezenas de ‘não’ que ele me disse, ser pai é o maior presente que Deus pode conceber a um homem, onde só depois disso se é capaz de entender o que é sorrir com um aperto na boca do estômago, ou até o medo de não ser bom o suficiente. Resumindo, ser pai é um presente que a gente nunca acredita ser merecedor. Essa data em tempos de pandemia me fez entender que a presença vai além do físico, que se pode fazer presente de diversas outras maneiras, enfim, amar também é isolar-se”, opina.


“O tempo precisa ser usado com as pessoas que amamos”

O dentista Diego Radaelli da Silva, 44 anos, destaca que na área da odontologia sempre houve uma preocupação com a biossegurança, que só se intensificou com a pandemia, já que os profissionais se expõe diretamente aos agentes biológicos. Ele é casado com a também dentista Priscila Teixeira, diretora do Centro Odontológico Especializado (COE) de Balneário Camboriú. Diego atende pela prefeitura de Itajaí e através de consultório particular.

O casal é pai de Rodrigo, 11 anos, e de Rafaela, de oito.

“O lado emocional foi o mais afetado, e as crianças também se preocupam. A Priscila, minha esposa, testou positivo e todos nós nos isolamos juntos. Observamos que as crianças ficaram apreensivas, e quando passou a quarentena eles relataram que tiveram medo, mas que não queriam falar. Eles estão com aulas online tanto do colégio quanto do inglês, se adaptaram rápido, mas vejo que eles sentem falta dos amigos, dos professores, dos parentes. Minha filha disse que sentia falta do mundo como era antes”, explica.

Diego afirma que os filhos são tudo em sua vida, e que dá o máximo de si para que eles sejam felizes. Antes da pandemia, eles costumavam sair bastante, indo na praia, ao clube, gostavam de jogar tênis, andar de bicicleta e skate.

“Mas o Dia dos Pais nós vamos comemorar, é um dia especial, mesmo sendo simbólico. Vejo que tudo que está acontecendo serviu para vermos que o tempo precisa ser usado com as pessoas que amamos, e não só com trabalho”, pontua.


“Ser pai na minha vida é tudo, meus filhos são meu porto-seguro”

Marcello Luiz Lopes da Silva, 46 anos, é socorrista do SAMU, técnico em Enfermagem e formado em Educação Física, com pós-graduação em Urgência e Emergência. Ele atua no SAMU de Balneário Camboriú e Itajaí – dando plantão uma noite em Balneário e uma em Itajaí, tendo uma noite de folga.

É casado com uma técnica em Enfermagem, Alessandra, com quem tem três filhos: Luis, de 18 anos, Jasmyne, de 13 e a pequena Valenttina, de dois anos. Marcello conta que a principal alteração em sua rotina foi o reforço nos cuidados, principalmente focando em sua própria saúde, para assim conseguir atender outras pessoas.

“Os cuidados são 1000%, ao chegar em casa tiro minha roupa e calçados, lavo tudo, e vou para o banho. Só depois disso que interajo com a minha família. Às vezes é até engraçado, minha filha pequena, a Valenttina, já sabe que não pode me abraçar quando estou de uniforme (risos)”, conta.

Segundo o socorrista, por conta da pandemia ele, os filhos e a esposa acabaram se distanciando, porque precisou aumentar seu número de plantões, principalmente porque alguns de seus colegas contraíram Covid-19, mas que a família entende a importância de seu trabalho.

“O pouco tempo que tenho é dedicado a eles, brincando, interagindo, estamos sempre juntos e aproveitando quando podemos. Ser pai na minha vida é tudo, meus filhos são meu porto-seguro. Quando estou cansado e triste, olho para eles e me sinto melhor. É algo supremo. Perdi meu pai há três anos, eu que o atendi quando ele passou mal, levei para o hospital e após 25 dias ele faleceu. Eu fiz de tudo o que podia pra ele, mas Deus quis assim. Sinto falta dele todos os dias”, diz.

Marcello salienta que agradece todos os dias por estar vivo e que por isso cada momento precisa ser aproveitado ao máximo, já que não sabe se pegará Covid.

“Estarei de plantão no Dia dos Pais à noite, mas vou ficar com eles durante o dia. Espero que as pessoas levem a sério essa doença, crianças e jovens também estão morrendo. Respeite o isolamento, cuidem uns dos outros, cuide com o distanciamento e higiene, porque não é brincadeira”, acrescenta.

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Pai que trabalha na área de segurança: cuidados redobrados

“A importância de não se deixar passar essas datas em branco”

Sargento Flecki com João Victor e com Nicolas

Rosmar Flecki, 44 anos, é mais conhecido no 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Balneário Camboriú como Sargento Flecki. Ele é pai de João Victor, 24 anos, que mora em Florianópolis, e de Nicolas, de nove, que mora com ele e com a mãe em Balneário. Em setembro, Flecki comemora 23 anos na PMSC, atuando hoje na parte administrativa, explicando que o trabalho se assemelha com a atuação de um escritório, mas tendo a responsabilidade de dar todas as condições para que o policial militar que está na rua possa realizar o seu trabalho.

“Com a diferença que trabalho armado e pronto para que se precisar eu possa auxiliar no atendimento de alguma ocorrência de emergência. Além disso, participo de operações e outros trabalhos como, por exemplo na fiscalização e conscientização da população em relação a prevenção da Covid-19”, afirma.

Por trabalhar diretamente com o público, o Sargento confessa que há o receio de se contaminar e levar o vírus para dentro de casa, e por isso toma todos os cuidados possíveis para se prevenir e impedir que isso aconteça.

“O que se pode tirar de aprendizado é que perante a doença somos todos iguais, que a vida é frágil e que devemos valorizar mais a saúde e cuidar dos outros”, explica.

Segundo Flecki, antes da pandemia ele e seu filho mais novo, Nicolas, costumavam andar de bicicleta e passear bastante, mas agora estão mais em casa, e o menino se acostumou com computador e celular, porém quando podem vão até a praia praticar atividades físicas, algo que estavam acostumados e gostam. Mesmo morando em outra cidade, o Sargento afirma que sempre que pode ele e João Victor se veem.

“Fui pai muito jovem, aos 20 anos, na época mudou muito, pois tive que assumir uma responsabilidade para qual ainda não estava pronto, mas deu tudo certo, curti muito meu filho”, diz.

O Sargento conta que o contato com o seu pai infelizmente não foi o melhor, já que seu progenitor era alcoólatra e separado de sua mãe.

“Meu pai faleceu em 2011, um pouco antes do meu filho mais novo nascer, e com o meu filho mais velho não houve convivência. Infelizmente, o exemplo que trago do meu pai é o de não agir com meus filhos como ele agia comigo e meus irmãos”, relembra.

Mesmo assim, o policial vê que o Dia dos Pais é importante, e se sente grato por ser lembrado e homenageado pelos filhos na data.

“Em épocas de pandemia cresce o temor de se perder um ente querido, o pai, a mãe, o irmão, e com isso a importância de não se deixar passar essas datas em branco”, acrescenta.

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Pais que se dividem entre filhos e trabalho

“Ser pai é algo a ser construído todos os dias”

O designer e professor universitário Marco Aurélio Petrelli, 46 anos, está fazendo home-office, passando 24h de seus dias com os dois filhos, Arthur, de 13 anos, e Lucca, de dois. Entre risos ele confessa que há momentos de ‘caos’, citando que vive pontos divergentes, já que o mais velho passa pela adolescência e o mais novo tem muita energia por ser pequeno.

“Moramos em apartamento, então as brincadeiras acabam sendo na sala, no quarto. Nem sempre eles respeitam as minhas calls, o pequeno também não entende situações perigosas, mexe em tudo, então tenho que trabalhar e ficar sempre de olho”, explica.

A esposa de Petrelli trabalha fora, e para tentar encaixar as agendas para que os dois consigam desenvolver seus projetos, o casal compartilha seus compromissos (para o outro cuidar das crianças). O designer salienta que o momento em que consegue produzir mais é após as 22h, muitas vezes indo noite adentro com seu trabalho.

“Estamos sempre reinventando a dinâmica da nossa casa, nos readaptando a essa nova realidade. Todos os dias saímos com nosso cachorro, eles vão junto. Costumávamos sempre sair de casa, ir a restaurantes, brincar na praça andar de bicicleta. Agora só andamos de bike sem parar, para não ter contato com ninguém. A criatividade é o forte, esses dias brincamos de cabra-cega”, conta.

Porém, mesmo com as dificuldades causadas pelo ‘novo normal’, Petrelli afirma que daria a vida pelos filhos, e que apesar de ser cansativo, ‘não há preço que pague ser pai’.

“Ser pai é aconchego, é uma transformação também. É primeiro eles, e depois a gente. É uma data que não deve ser lembrada só nesse dia especificamente, ser pai é algo a ser construído todos os dias. Eu, por exemplo, no Dia dos Pais presenteio os meus filhos, agradeço porque eles me fizeram pai e me fazem uma pessoa melhor”, completa.


“É legal utilizarmos essas datas e nos aproximar de quem amamos e para cuidar do próximo”

O empresário André Tiago dos Passos, 39 anos, é proprietário da Ayty Higienização e Impermeabilização de Estofados, que atende em domicílio clientes em toda região para a higienização de colchões, sofás, tapetes, cortinas, etc. Apesar de o atendimento ser presencial, aproximadamente de 30 a 40% do trabalho André consegue realizar de casa, já que cuida das redes sociais da empresa. Porém, quando ele precisa sair de casa (assim como sua esposa), quem fica com o filho do casal, Vinícius, de seis anos, é a mãe do empresário, que é idosa. Por isso, há uma preocupação extra na hora de voltar pra casa.

“Meu contato com meu filho procuro que seja o mais próximo possível, a gente interage bastante, apesar de ele não reclamar, a rotina dele também foi mudada, longe da escola e dos amigos. Nós sempre gostamos muito de praia, trilhas, futebol, agora na pandemia ele me ensina xadrez. Como nós dois gostamos de praticar exercícios, na maioria dos dias procuramos realizar juntos uma corridinha nas escadas do prédio ou exercícios através de canais do YouTube, conta.

André não teve pai, sua mãe sempre foi solteira, mas ele afirma que ela nunca lhe deixou faltar nada e que sempre lidou muito bem com esse fato, apesar de ter tido um tio próximo, que tratava o seu filho como neto. Ele faleceu em abril deste ano.

“Acredito que todas as datas têm um significado especial. Quando mudei de SP para o Sul fiquei 10 anos morando longe de toda a minha família. A pandemia deve servir como reflexão, a sensação de perda nunca, ao menos na minha visão, esteve tão próxima. Então é legal utilizarmos essas datas cheias de simbolismo e procurarmos nos aproximar de quem amamos e também cuidar do próximo, seja ele da nossa família ou não”, diz.

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Pai de primeira viagem: experiência nova e em quarentena

“O Dia dos Pais sempre foi uma data especial, mas agora que estou pai parece algo novo”

Ser pai já é uma experiência intensa, ainda mais pela primeira vez, e em plena quarentena torna tudo ainda mais complexo. O designer gráfico e produtor cultural Felipe Gallarza, 32 anos, sabe bem o que significa isso, já que está vivendo essa novidade com Catharina, sua filha de nove meses.

“Sempre fiz home-office, mas com certeza é um novo home-office, tudo mudou. Estou em contato frequente com ela, esse é um ponto positivo, porque estamos próximos, acompanho o desenvolvimento, consigo ver diferenças de uma semana para a outra”, conta.

Segundo o designer, a rotina em casa é agitada, já que a pequena tem muita energia, e que antes ele fazia tudo no tempo que queria, mas que agora o ritmo foi totalmente readaptado.

“Ela muda tudo. É puxado, trabalhoso, diferente, mas são descobertas diárias, intensas e maravilhosas. É tudo muito prazeroso”, afirma.

Apesar do pai de Felipe residir em Balneário, eles não se veem por conta da quarentena, e ele diz que o avô está sentindo falta da neta, que agora só vê virtualmente.

“O Dia dos Pais sempre foi uma data especial, mas agora que estou pai parece algo novo, é um sentimento inédito, preciso viver para realmente entender mais. É tudo novo”, finaliza.



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Dia dos Pais: eles falam sobre nova rotina e paternidade em tempos de Coronavírus

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Quinta, 6/8/2020 6:30.

Por Renata Rutes

A pandemia do Covid-19 trouxe muitas mudanças e novas rotinas na vida das famílias, alterou o cotidiano, o jeito de trabalhar e estreitou o convívio entre pais e filhos. Neste Dia dos Pais, comemorado neste domingo (9)‘eles’ falam sobre este ‘novo normal’. Apesar de muitas empresas terem voltado com as atividades presenciais, há pais que seguem fazendo home-office e dividindo a atenção do trabalho com os filhos, além daqueles que trabalham na linha de frente, na área da saúde e da segurança e acabam tendo uma preocupação a mais na hora de voltar pra casa; e até mesmo papais de primeira viagem que estão vivendo a experiência da paternidade em meio ao atual cenário.
O Página 3 conversou com alguns deles, que compartilham suas opiniões sobre este Dia dos Pais, que promete ficar marcado na história.

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Pais que trabalham na área da saúde: dupla preocupação

“Nunca foi tão importante registrar o que sentimos pelas pessoas que amamos”

O médico Diego Missel Gasparelo, 33 anos, trabalha diariamente nas emergências de hospitais da região, incluindo o Ruth Cardoso. Ele está na linha de frente no combate à pandemia do Covid-19, assim como a esposa e também médica Ana Paula Possetti. Eles são pais de Gabriela, de cinco meses, nascida dois dias depois da confirmação do primeiro caso de Covid no Brasil. Por precaução – já que não se sabia como a doença se manifestaria nas crianças e recém-nascidos, ele se isolou da família, ficando mais de um mês longe da esposa e da filha, fazendo contato apenas por vídeo-chamada. “Foi um momento muito difícil para nós, não poder acompanhar de perto os primeiros dias de vida da minha filha era de cortar o coração. Hoje conhecendo um pouco mais sobre a doença voltamos a ficar juntos, porém tomando cuidado redobrado, saindo de casa somente quando necessário. A maioria dos nossos amigos e familiares só conhecem a Gabriela por foto”, diz.

Os cuidados pensando na esposa e na filha começam ainda no ambiente de trabalho. Quando acaba o plantão Diego toma banho no hospital, veste roupas limpas e quando chega em casa deixa os sapatos para fora e vai direto para um banheiro que somente ele utiliza, separa as roupas usadas, higieniza o celular e somente após mais um banho, chega perto de Ana, de Gabriela e dos animais de estimação da família.

“Hoje com a pandemia estou curtindo mais minha filha e esposa, pois estamos evitando de sair de casa e ficamos mais tempos juntos. Depois que a Gabriela nasceu a minha vida mudou, agora ela está com cinco meses, a alegria é imensa e a emoção infinita, algo que não tem como explicar, mas a preocupação e a responsabilidade aumentaram muito. Criança traz muita alegria para casa, filhos é a melhor coisa da vida”, conta.

Segundo Diego, a relação que tem com o pai é ótima, e hoje com Gabriela diz que entende ainda melhor os conselhos que seu pai lhe dava, acrescentando que ‘é grato’ pelos ensinamentos e pelo amor que recebe, mas que com a pandemia não é possível estar sempre com o pai, mas que estão sempre conversando e trocando ideias.

Na opinião do médico, o Dia dos Pais é a melhor data para lembrar a importância da pessoa que fez tudo por ele.

“Ele merece nosso respeito, admiração e carinho. Mesmo com essa epidemia não podemos deixar o dia passar em branco, estamos vivendo um momento em que nunca foi tão importante registrar o que sentimos pelas pessoas que amamos, não perder a oportunidade de agradecer e abrir o coração e mostrar ao seu pai o quanto a sua vida é marcada pelo legado que ele está deixando. Não perca essa oportunidade, não sabemos por quanto tempo ainda teremos as pessoas que mais amamos ao nosso lado. Diga eu te amo e obrigado ao seu pai nesse dia, completa.


“Ser pai é um presente que a gente nunca acredita ser merecedor”

O enfermeiro Ricardo Lorenz Brodersen, 42 anos, é colega do médico Diego, sendo responsável técnico do Hospital Municipal Ruth Cardoso. Além de ter uma rotina bem frenética, em tempos de pandemia ele diz que o trabalho se intensificou ainda mais. Ele é pai de Anthony, 12 anos, e Amabilly, de seis, e define que em casa o aprendizado é contínuo, e que os filhos o impulsionam para continuar buscando o melhor para todos que enfrentam com ele a pandemia, inclusive Ricardo teve Covid-19 ainda no início. “Tive fé e certeza de que era apenas uma fase, onde a única coisa que eu poderia fazer era ficar longe de quem eu mais queria perto, meus filhos. Tive que fazê-los entender que o distanciamento era o mais sensato e seguro. O medo foi tanto que mantivemos o distanciamento até o último domingo (2 de agosto), quando não mais aguentei e me permiti um momento de demonstração de afeto”, conta.

Ricardo conta que o passatempo preferido dele com o filho, Anthony, são os jogos de futebol no videogame e andar de bicicleta, mas que o seu ‘parceirinho’ está jogando sozinho, com ele assistindo apenas por vídeo-chamada – a maneira encontrada para se verem todos os dias.

“Depois de ser pai, pude entender várias coisas que meu pai me dizia, fui capaz de compreender dezenas de ‘não’ que ele me disse, ser pai é o maior presente que Deus pode conceber a um homem, onde só depois disso se é capaz de entender o que é sorrir com um aperto na boca do estômago, ou até o medo de não ser bom o suficiente. Resumindo, ser pai é um presente que a gente nunca acredita ser merecedor. Essa data em tempos de pandemia me fez entender que a presença vai além do físico, que se pode fazer presente de diversas outras maneiras, enfim, amar também é isolar-se”, opina.


“O tempo precisa ser usado com as pessoas que amamos”

O dentista Diego Radaelli da Silva, 44 anos, destaca que na área da odontologia sempre houve uma preocupação com a biossegurança, que só se intensificou com a pandemia, já que os profissionais se expõe diretamente aos agentes biológicos. Ele é casado com a também dentista Priscila Teixeira, diretora do Centro Odontológico Especializado (COE) de Balneário Camboriú. Diego atende pela prefeitura de Itajaí e através de consultório particular.

O casal é pai de Rodrigo, 11 anos, e de Rafaela, de oito.

“O lado emocional foi o mais afetado, e as crianças também se preocupam. A Priscila, minha esposa, testou positivo e todos nós nos isolamos juntos. Observamos que as crianças ficaram apreensivas, e quando passou a quarentena eles relataram que tiveram medo, mas que não queriam falar. Eles estão com aulas online tanto do colégio quanto do inglês, se adaptaram rápido, mas vejo que eles sentem falta dos amigos, dos professores, dos parentes. Minha filha disse que sentia falta do mundo como era antes”, explica.

Diego afirma que os filhos são tudo em sua vida, e que dá o máximo de si para que eles sejam felizes. Antes da pandemia, eles costumavam sair bastante, indo na praia, ao clube, gostavam de jogar tênis, andar de bicicleta e skate.

“Mas o Dia dos Pais nós vamos comemorar, é um dia especial, mesmo sendo simbólico. Vejo que tudo que está acontecendo serviu para vermos que o tempo precisa ser usado com as pessoas que amamos, e não só com trabalho”, pontua.


“Ser pai na minha vida é tudo, meus filhos são meu porto-seguro”

Marcello Luiz Lopes da Silva, 46 anos, é socorrista do SAMU, técnico em Enfermagem e formado em Educação Física, com pós-graduação em Urgência e Emergência. Ele atua no SAMU de Balneário Camboriú e Itajaí – dando plantão uma noite em Balneário e uma em Itajaí, tendo uma noite de folga.

É casado com uma técnica em Enfermagem, Alessandra, com quem tem três filhos: Luis, de 18 anos, Jasmyne, de 13 e a pequena Valenttina, de dois anos. Marcello conta que a principal alteração em sua rotina foi o reforço nos cuidados, principalmente focando em sua própria saúde, para assim conseguir atender outras pessoas.

“Os cuidados são 1000%, ao chegar em casa tiro minha roupa e calçados, lavo tudo, e vou para o banho. Só depois disso que interajo com a minha família. Às vezes é até engraçado, minha filha pequena, a Valenttina, já sabe que não pode me abraçar quando estou de uniforme (risos)”, conta.

Segundo o socorrista, por conta da pandemia ele, os filhos e a esposa acabaram se distanciando, porque precisou aumentar seu número de plantões, principalmente porque alguns de seus colegas contraíram Covid-19, mas que a família entende a importância de seu trabalho.

“O pouco tempo que tenho é dedicado a eles, brincando, interagindo, estamos sempre juntos e aproveitando quando podemos. Ser pai na minha vida é tudo, meus filhos são meu porto-seguro. Quando estou cansado e triste, olho para eles e me sinto melhor. É algo supremo. Perdi meu pai há três anos, eu que o atendi quando ele passou mal, levei para o hospital e após 25 dias ele faleceu. Eu fiz de tudo o que podia pra ele, mas Deus quis assim. Sinto falta dele todos os dias”, diz.

Marcello salienta que agradece todos os dias por estar vivo e que por isso cada momento precisa ser aproveitado ao máximo, já que não sabe se pegará Covid.

“Estarei de plantão no Dia dos Pais à noite, mas vou ficar com eles durante o dia. Espero que as pessoas levem a sério essa doença, crianças e jovens também estão morrendo. Respeite o isolamento, cuidem uns dos outros, cuide com o distanciamento e higiene, porque não é brincadeira”, acrescenta.

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Pai que trabalha na área de segurança: cuidados redobrados

“A importância de não se deixar passar essas datas em branco”

Sargento Flecki com João Victor e com Nicolas

Rosmar Flecki, 44 anos, é mais conhecido no 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Balneário Camboriú como Sargento Flecki. Ele é pai de João Victor, 24 anos, que mora em Florianópolis, e de Nicolas, de nove, que mora com ele e com a mãe em Balneário. Em setembro, Flecki comemora 23 anos na PMSC, atuando hoje na parte administrativa, explicando que o trabalho se assemelha com a atuação de um escritório, mas tendo a responsabilidade de dar todas as condições para que o policial militar que está na rua possa realizar o seu trabalho.

“Com a diferença que trabalho armado e pronto para que se precisar eu possa auxiliar no atendimento de alguma ocorrência de emergência. Além disso, participo de operações e outros trabalhos como, por exemplo na fiscalização e conscientização da população em relação a prevenção da Covid-19”, afirma.

Por trabalhar diretamente com o público, o Sargento confessa que há o receio de se contaminar e levar o vírus para dentro de casa, e por isso toma todos os cuidados possíveis para se prevenir e impedir que isso aconteça.

“O que se pode tirar de aprendizado é que perante a doença somos todos iguais, que a vida é frágil e que devemos valorizar mais a saúde e cuidar dos outros”, explica.

Segundo Flecki, antes da pandemia ele e seu filho mais novo, Nicolas, costumavam andar de bicicleta e passear bastante, mas agora estão mais em casa, e o menino se acostumou com computador e celular, porém quando podem vão até a praia praticar atividades físicas, algo que estavam acostumados e gostam. Mesmo morando em outra cidade, o Sargento afirma que sempre que pode ele e João Victor se veem.

“Fui pai muito jovem, aos 20 anos, na época mudou muito, pois tive que assumir uma responsabilidade para qual ainda não estava pronto, mas deu tudo certo, curti muito meu filho”, diz.

O Sargento conta que o contato com o seu pai infelizmente não foi o melhor, já que seu progenitor era alcoólatra e separado de sua mãe.

“Meu pai faleceu em 2011, um pouco antes do meu filho mais novo nascer, e com o meu filho mais velho não houve convivência. Infelizmente, o exemplo que trago do meu pai é o de não agir com meus filhos como ele agia comigo e meus irmãos”, relembra.

Mesmo assim, o policial vê que o Dia dos Pais é importante, e se sente grato por ser lembrado e homenageado pelos filhos na data.

“Em épocas de pandemia cresce o temor de se perder um ente querido, o pai, a mãe, o irmão, e com isso a importância de não se deixar passar essas datas em branco”, acrescenta.

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Pais que se dividem entre filhos e trabalho

“Ser pai é algo a ser construído todos os dias”

O designer e professor universitário Marco Aurélio Petrelli, 46 anos, está fazendo home-office, passando 24h de seus dias com os dois filhos, Arthur, de 13 anos, e Lucca, de dois. Entre risos ele confessa que há momentos de ‘caos’, citando que vive pontos divergentes, já que o mais velho passa pela adolescência e o mais novo tem muita energia por ser pequeno.

“Moramos em apartamento, então as brincadeiras acabam sendo na sala, no quarto. Nem sempre eles respeitam as minhas calls, o pequeno também não entende situações perigosas, mexe em tudo, então tenho que trabalhar e ficar sempre de olho”, explica.

A esposa de Petrelli trabalha fora, e para tentar encaixar as agendas para que os dois consigam desenvolver seus projetos, o casal compartilha seus compromissos (para o outro cuidar das crianças). O designer salienta que o momento em que consegue produzir mais é após as 22h, muitas vezes indo noite adentro com seu trabalho.

“Estamos sempre reinventando a dinâmica da nossa casa, nos readaptando a essa nova realidade. Todos os dias saímos com nosso cachorro, eles vão junto. Costumávamos sempre sair de casa, ir a restaurantes, brincar na praça andar de bicicleta. Agora só andamos de bike sem parar, para não ter contato com ninguém. A criatividade é o forte, esses dias brincamos de cabra-cega”, conta.

Porém, mesmo com as dificuldades causadas pelo ‘novo normal’, Petrelli afirma que daria a vida pelos filhos, e que apesar de ser cansativo, ‘não há preço que pague ser pai’.

“Ser pai é aconchego, é uma transformação também. É primeiro eles, e depois a gente. É uma data que não deve ser lembrada só nesse dia especificamente, ser pai é algo a ser construído todos os dias. Eu, por exemplo, no Dia dos Pais presenteio os meus filhos, agradeço porque eles me fizeram pai e me fazem uma pessoa melhor”, completa.


“É legal utilizarmos essas datas e nos aproximar de quem amamos e para cuidar do próximo”

O empresário André Tiago dos Passos, 39 anos, é proprietário da Ayty Higienização e Impermeabilização de Estofados, que atende em domicílio clientes em toda região para a higienização de colchões, sofás, tapetes, cortinas, etc. Apesar de o atendimento ser presencial, aproximadamente de 30 a 40% do trabalho André consegue realizar de casa, já que cuida das redes sociais da empresa. Porém, quando ele precisa sair de casa (assim como sua esposa), quem fica com o filho do casal, Vinícius, de seis anos, é a mãe do empresário, que é idosa. Por isso, há uma preocupação extra na hora de voltar pra casa.

“Meu contato com meu filho procuro que seja o mais próximo possível, a gente interage bastante, apesar de ele não reclamar, a rotina dele também foi mudada, longe da escola e dos amigos. Nós sempre gostamos muito de praia, trilhas, futebol, agora na pandemia ele me ensina xadrez. Como nós dois gostamos de praticar exercícios, na maioria dos dias procuramos realizar juntos uma corridinha nas escadas do prédio ou exercícios através de canais do YouTube, conta.

André não teve pai, sua mãe sempre foi solteira, mas ele afirma que ela nunca lhe deixou faltar nada e que sempre lidou muito bem com esse fato, apesar de ter tido um tio próximo, que tratava o seu filho como neto. Ele faleceu em abril deste ano.

“Acredito que todas as datas têm um significado especial. Quando mudei de SP para o Sul fiquei 10 anos morando longe de toda a minha família. A pandemia deve servir como reflexão, a sensação de perda nunca, ao menos na minha visão, esteve tão próxima. Então é legal utilizarmos essas datas cheias de simbolismo e procurarmos nos aproximar de quem amamos e também cuidar do próximo, seja ele da nossa família ou não”, diz.

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Pai de primeira viagem: experiência nova e em quarentena

“O Dia dos Pais sempre foi uma data especial, mas agora que estou pai parece algo novo”

Ser pai já é uma experiência intensa, ainda mais pela primeira vez, e em plena quarentena torna tudo ainda mais complexo. O designer gráfico e produtor cultural Felipe Gallarza, 32 anos, sabe bem o que significa isso, já que está vivendo essa novidade com Catharina, sua filha de nove meses.

“Sempre fiz home-office, mas com certeza é um novo home-office, tudo mudou. Estou em contato frequente com ela, esse é um ponto positivo, porque estamos próximos, acompanho o desenvolvimento, consigo ver diferenças de uma semana para a outra”, conta.

Segundo o designer, a rotina em casa é agitada, já que a pequena tem muita energia, e que antes ele fazia tudo no tempo que queria, mas que agora o ritmo foi totalmente readaptado.

“Ela muda tudo. É puxado, trabalhoso, diferente, mas são descobertas diárias, intensas e maravilhosas. É tudo muito prazeroso”, afirma.

Apesar do pai de Felipe residir em Balneário, eles não se veem por conta da quarentena, e ele diz que o avô está sentindo falta da neta, que agora só vê virtualmente.

“O Dia dos Pais sempre foi uma data especial, mas agora que estou pai parece algo novo, é um sentimento inédito, preciso viver para realmente entender mais. É tudo novo”, finaliza.



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