Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Especial
Dia dos Professores, "a pandemia tirou muita coisa, mas principalmente o convívio"

Momento é de reflexão devido às dificuldades impostas pela covid-19

Quinta, 15/10/2020 14:55.

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Por Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes
Sem aulas presenciais desde março, os professores e estudantes precisaram se adaptar à nova realidade: as aulas online, algo bem diferente, até mesmo para as escolas que já utilizavam a plataforma. O Dia dos Professores é comemorado nesta quinta-feira (15) e representa, mais do que nunca, a importância do contato ‘olho no olho’ e interação presencial com os estudantes.
O Página 3 conversou com professores das mais diversas modalidades (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) e disciplinas que relatam como tem sido a busca pela reinvenção que o ‘novo normal’ exige e a falta que sentem dos colégios e das atividades presenciais com seus alunos.
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Experiência de quatro décadas, o que mudou ao longo do tempo e impactos do Coronavírus

Marlene Toledo Sisnandes, supervisora de Estágios e professora no Curso de Pedagogia da UniAvan

“Eu sempre quis ser professora! Ao longo de quatro décadas de exercício do magistério construí uma trajetória onde se misturaram episódios da vida pessoal com as atividades profissionais. Não saberia separar minha atuação em sala de aula de minha vida fora da escola. Minha escolha profissional foi por vocação e por acreditar que pela educação poderia mudar minha vida e a dos alunos que encontraria pelo caminho. Fui criando uma identidade como profissional que serviu de referência ao longo da caminhada para muitas gerações de alunos, conforme o que eles mesmo relatam tão carinhosamente até hoje pelas redes sociais. Pra mim, isso sempre foi a maior recompensa: ver meus alunos plenos e felizes, encontrando e abraçando suas vocações como eu fiz, em 1979. Vivenciei muitas mudanças na educação, enfrentei contradições, falta de perspectivas e comprometimento. Mas nada como o que estamos vivendo em 2020. Com a pandemia, a escola fechou, mas nós, professores, não paramos. Precisamos nos reinventar, aprender e descobrir técnicas para dar conta das demandas que surgiam. Tivemos um salto nas tecnologias da educação enquanto víamos se acentuar as diferenças de acesso a essa nova forma de aprender. A pandemia pode ter afetado muito a vivência do professor, mas essa profissão é justamente feita de superação de obstáculos, criatividade e a busca de alívio das desigualdades com empatia. O que nos espera causa expectativa! Que quando voltarmos à rotina, o novo normal seja de mais respeito, conexão entre os seres humanos e de valorização do professor. Que juntos possamos escrever um capítulo decisivo para a educação e esse novo mundo que queremos”.


“A pandemia tirou muita coisa, mas principalmente o convívio”

Jonas Bakalarczyk, professor de Física da Escola de Educação Básica Professora Maria da Glória Pereira, graduado pela UFSM em Física e Mestre em Ensino de Física pela UFSC

“Comecei minha carreira de professor em escola particular religiosa, em Santa Maria, cidade universitária. A escola tinha um ambiente bom para trabalhar, bem remunerado e foco em vestibular. Ao mesmo tempo surgiram oportunidades em cursinhos pré-vestibulares onde acabei trabalhando por cinco anos e acabei me especializando em treinar alunos a fazerem provas de vestibular. Após este período acabei voltando para o interior por motivos familiares. Consegui emprego em uma escola particular e também em pré-vestibular, mas a realidade foi bem diferente. Alunos sem foco, ameaçavam a escola, pois ‘pagavam’, então tinham seus direitos. Acabei saindo e me dedicando somente em pré-vestibulares. Viajei muito, todo dia em uma cidade diferente, mas acabei decidindo por uma questão de segurança investir em concursos públicos. Passei em 2012 e assumi a vaga. Minhas primeiras experiências na escola pública foram bem complexas, mas meu pai me ensinou que quando temos problemas temos que resolver um de cada vez e foi isso que fiz. Resolvi focar no aluno! Comecei a me adaptar à realidade deles e tive que me reinventar como professor. Passei a ser um educador, além de ajudar o aluno a construir conceitos precisava interagir com ele, entender seus anseios e mostrar que existe um futuro. Confesso que não foi fácil e continua não sendo, mas é uma aventura inesquecível. Sempre fui ligado a questão tecnológica, ainda hoje arrisco em fazer uma programação e tento ser ligado em tecnologias de educação. Antes da pandemia faziam dois anos que eu já trabalhava com meus alunos no Classroom (plataforma utilizada nas aulas online atualmente). Muitos gostaram e outros detestaram. Inclusive o assunto foi parar na direção, pois era uma novidade. Nunca imaginei que fosse ser tão usada posteriormente e fico feliz que para os alunos que já trabalharam com ela ficou mais fácil. Porém, é importante destacar que nem toda ferramenta digital ajuda a construir o conhecimento. O Classroom é apenas um site organizado para você postar material e fazer avaliações. Está longe de ser uma ferramenta que faça nosso aluno refletir, pensar e agir. E a pergunta é: como se faz isso? A resposta é inevitável: o professor! A chave ainda é o professor, que tem o papel fundamental de elaborar produtos educacionais, e cabe a ele traçar as competências e habilidades que nosso aluno tem que desenvolver. Outro problema encontrado sem dúvida é o acesso estas plataformas. Será que todos os alunos tem acesso? A gente sabe que não. E isso foi um dos problemas enfrentados. A pandemia tirou muita coisa, mas principalmente o convívio. Escola é como a música do cantor Leonardo: ‘entre tapas e beijos, é ódio e desejo, mas também é paixão e ternura’. Se você perguntasse aos professores antes da pandemia quem gostaria de tirar uma folga de seis meses em casa, a maioria responderia que gostaria. Mas se fizer esta pergunta hoje, muitos mudaram de opinião. Minha rotina mudou neste sentido, falta de aluno me dizendo ‘não entendi professor’, ‘para que serve estas contas aí?’, ou da direção falando ‘os alunos não estão gostando das tuas aulas’. Como eu disse, é entre tapas e beijos (risos). Mas continuo acordando as 6h, tomo meu chimarrão, dou uma olhada nos e-mails e WhatsApp do grupo da escola, e vou produzir meus vídeos para meus alunos. Quando os alunos me procuram tiro suas dúvidas. Eu acredito que a escola do futuro será uma escola híbrida. Usaremos plataformas digitais, mas teremos aulas presenciais e se isso for bem usado onde todos tenham acesso acrescentará no processo de aprendizagem. Porém, para que haja sucesso deverá haver muita dedicação, não só de professores, mas por toda a comunidade escolar. Implementar processos requer investimento, treinamento e tempo”.


“Transformamos nossa casa em escola”

Camila Graeff Casiraghi, graduada em Geografia Bacharel e Licenciatura e Pós-Graduada em História e Geografia, leciona desde 2013 e atualmente trabalha com turmas do sexto ao nono ano

“Antes da pandemia estávamos mais próximos dos alunos, tanto no processo de ensino e aprendizagem como apoio para diversas situações. Nosso desafio é imenso, precisamos diminuir nossas desigualdades educacionais, mas também lidar com tantas incertezas. Nosso trabalho aumentou, transformamos nossa casa em escola, adaptando-nos ao ‘novo normal’. Com os recursos disponíveis, encontrando o melhor caminho para prosseguir diante desse novo contexto, além de conciliar com outros aspectos da vida pessoal. Todo esse processo também está sendo um aprendizado para os professores, houve uma necessidade de adaptação a essa situação. A expectativa é que tudo melhore e, que com as medidas sanitárias adequadas e a vacina, possamos voltar em segurança para a escola. Através da pandemia reforçamos como a escola é insubstituível e necessária. É um momento muito complexo para todos. Sendo a escola insubstituível, a importância do professor é inquestionável, já que não estamos restritos apenas a espaços físicos. A comemoração do Dia do Professor, mesmo que virtual, é ainda mais especial nesse contexto que estamos vivendo: a gratidão, o respeito e o reconhecimento do nosso trabalho”.

Professora Camila e alunos

“Vi que somos capazes de nos reinventar diariamente”

credito - Arquivo Pessoal

Alba Cristina Sobreira Garcia, formada em Educação Física Licenciatura Plena, pós graduada em Treinamento Desportivo e especialista em Basquete 3x3, Desenvolvimento e Detecção de Talentos e Alto Rendimento, única mulher a representar o sul do país, através do Comitê Olímpico Brasileiro, do Instituto Brasileiro e da Academia Brasileira de Treinadores

“A escolha pela profissão veio da paixão pelo esporte, ajudar as pessoas a se transformar. A pandemia trouxe ansiedade, medo e insegurança, mas também nos proporcionou a hora da mudança, a hora de provar para você mesmo que é capaz, que você é realmente um agente de transformação na vida das pessoas. Para mim o ponto crucial foi me colocar em xeque mate com teoria e prática, o que teoricamente eu estudo e o que realmente eu coloco para as pessoas na prática. Muitas vezes falamos bonito, mas nossas ações práticas vão totalmente contra o que falamos. Então a pandemia fez isso comigo: sentar, respirar e organizar minha vida em todos os sentidos, sentimental, profissional, familiar, financeiro e ver qual a mudança que estava sendo necessária na minha vida. Vi que somos capazes de nos reinventar diariamente se acreditarmos que temos potencialidades e cada um de nós tem diversas. Vejo o lado bom da pandemia, que me tirou da zona de conforto e me propôs novos desafios. A cada dia estou saindo mais fortalecida. Por não poder estar em contato direto com meus atletas durante a pandemia, me reinventei e me achei na área de alimentação, trabalho com alimentação natural, saudável, o que também proporciona transformações na vida das pessoas. Pós pandemia? Vejo que estas transformações que aconteceram em minha vida sigam acontecendo e me façam rever minha prática, minha teoria diariamente para que eu esteja em constante evolução e possa atingir meus propósitos. A minha reflexão para todo professor nesse dia a ser comemorado é que a gente realmente reveja nossa teoria e veja se ela realmente está de acordo com nossa prática”.


“A pandemia nos tirou o calor humano e nos trouxe a ansiedade”

credito - Arquivo Pessoal

Margareth Tavares Sultowski, professora municipal de Atendimento Educacional Especializado (A.E.E.) no núcleo de ensino infantil Vovô Alécio, bairro Ariribá. O A.E.E. é realizado prioritariamente na sala de recursos multifuncionais, em turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns.

“A prática pedagógica antes da pandemia, representava um conjunto de valores, missões e acima de tudo uma vontade grande de fazer parte do crescimento de nossos pequenos. Durante a pandemia infelizmente fomos privados da melhor parte, que é o convívio com nossos educandos. A pandemia nos tirou o calor humano e nos trouxe a ansiedade. Desse modo nós professores temos lidado com a angústia de um futuro incerto. Temos muitas expectativas, particularmente consigo vislumbrar dias melhores para a educação de Balneário Camboriú, depois que tudo isso passar”.


“Lecionar não se resume a apenas entrar e sair de sala de aula”

Lucielle Merlym Bertolli, professora de Biologia Licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), Mestre em Botânica (UFPR), Doutora em Ciências - Botânica (UFRGS), atualmente é professora na Escola de Educação Básica Professora Maria da Glória Pereira e no Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) de Balneário Camboriú

“Comecei a lecionar em 2010, em Curitiba. Desde lá já atuei nos anos finais do ensino fundamental (redes particular e estadual no PR), ensino médio regular (redes particular e estaduais no PR e SC), ensino médio técnico (rede federal, Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Blumenau), ensino superior (rede federal, IFC – Campus Blumenau) e Educação de Jovens e Adultos (CEJA). A rotina durante a pandemia mudou muito. Embora tenhamos infinitos meios de comunicação, a troca presencial com os alunos ainda parece ser a forma mais efetiva de interação. Perde-se muito com o contato apenas virtual. Não podemos nos esquecer que a escola é muito mais do que um ambiente de transmissão de conhecimento, é também um espaço de formação social e promoção de saúde, e essas funções acabaram prejudicadas pela necessidade de distanciamento social. Sinto falta da dinâmica da sala de aula, das gincanas, dos desenhos no quadro, dos modelos didáticos, das aulas práticas, das dúvidas que aparecem no meio das explicações e nos levam a debater assuntos que muitas vezes são mais pertinentes do que o conteúdo formal. Tivemos que nos adaptar à nova realidade, aprendendo a utilizar plataformas, gravar e editar vídeos, fazendo testes e mais testes de áudio, cenografia e iluminação, produzindo material didático, enfim, uma série de atividades que não faziam parte da rotina normal. Cabe lembrar que muitos de nós investimos em equipamentos (quadros, lâmpadas, microfones, câmeras...) e em melhor conexão de internet, para tentar oferecer o melhor que pudéssemos e atender as demandas, utilizando recursos próprios, pois não houve contrapartida da SED (Secretaria de Educação Estadual) nesse sentido. Além disso, trabalhar em home office quando não se está adaptado a isso é também um desafio. Organizar o tempo para realizar as tarefas de casa e da escola, conciliar a dinâmica familiar e o trabalho em casa, tentar não passar 12h trabalhando e não se culpar por ter tirado um dia de folga no meio da semana depois disso, foram situações pelas quais passei e que demandaram tempo até se estabilizarem. Além de toda a preocupação em atingir efetivamente o aluno, seja com o conteúdo digital ou com o conteúdo impresso ofertado para retirada na escola, ainda temos que lidar com a grande burocracia imposta pela SED, participando de webinários, preenchendo planilhas e relatórios, planejando e replanejando constantemente, pois muitas vezes recebemos notificações de mudanças de planos em cima da hora (como a mudança de trimestre para semestre, por exemplo, que demandou um esforço grande para fechamento de notas e realização de conselho de classe). Percebo entre meus colegas um grande cansaço, uma sensação de incerteza sobre estarmos realmente atingindo os alunos e uma grande frustração quando recebemos deliberações da SED que parecem não levar em conta os reais executores desses processos, resultando em sobrecarga para os professores. A incerteza, que pairou durante muito tempo, sobre o retorno presencial, sobre os riscos aos quais nos exporíamos e exporíamos nossas famílias, a opinião pública de que estamos em casa e por isso não estamos trabalhando, que estamos recebendo para ficar em casa e é por isso que não queremos o retorno presencial, tudo isso contribui para um cenário de estafa e depressão. Existe uma parte do nosso trabalho que é invisível à sociedade. Lecionar não se resume a apenas entrar e sair de sala de aula. Há estudo planejamento, elaboração e correção de atividades, análise do que precisa ser retomado para realizar a recuperação paralela, um sem fim de atividades que não cabem na nossa carga horária contratual, pois nossa hora atividade está longe de contemplar essa necessidade. Essa sobrecarga ficou ainda mais clara durante a pandemia. Podem ter certeza: nós estamos trabalhando, e arrisco dizer que muito mais do que antes. É por termos conhecimento da dinâmica dentro das escolas que entendemos que não é seguro voltar ao ensino presencial. Como professora de Biologia entendo que temos que pensar no futuro próximo de forma cautelosa. Aguardamos ansiosamente uma vacina, mas mesmo que ela chegue em breve, ainda é cedo para imaginarmos um mundo livre dessa pandemia e de suas consequências. Várias medidas de prevenção precisarão ser mantidas e, certamente, isso continuará tendo impacto na dinâmica escolar. Se for preciso continuar com o ensino remoto durante o próximo ano, acredito que teremos que rever muitas das estratégias adotadas nesse ano, para que possamos garantir a qualidade do processo ensino aprendizagem e não apenas gerar dados que mascaram a realidade do acesso à educação”.

Lucielle em aula online
Professora Lucielle e alunos

“Espero que tudo termine logo e que não percamos a fé”

Arlete e seu aluno Enrico
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Arlete da Silva Caetano, professora do Núcleo de Educação Infantil Recanto dos Passarinhos, que fica no Bairro das Nações, em Balneário

“Já trabalhei com todas as faixas etárias no Núcleo, nesse ano eu estava readaptada, por alguns problemas de saúde. A pandemia deixou tudo muito diferente, eu e as outras professoras sentimos muito a falta do contato físico com os alunos, do dia a dia no Núcleo. As crianças alegram os nossos dias, mesmo em um momento ruim o ‘bom dia’ e um sorriso delas mudava tudo. Muitas crianças ficavam o dia todo conosco, isso realmente faz muita falta. Vou uma vez por semana até o Núcleo, gravamos vídeos, fazemos atividades, que são repassadas para as famílias. Encontro pais e mães às vezes e eles repassam que as crianças falam que estão com muita saudade, que dizem que o emocional delas foi afetado. A grande maioria dos pais diz que se a escola voltar esse ano, as crianças não retornam, mas eu vejo que, em parte, deveria voltar, pois há crianças que precisam do Núcleo, já que há pais que trabalham o dia todo. Seria bom voltar em partes, para quem realmente necessita. Porém, sabemos que teremos dificuldade com o uso de máscara, as crianças não gostam, além de que elas vão querer se abraçar, brincar juntas, usar o parquinho. E agora nada disso vai poder acontecer. Quero muito que tudo volte ao ‘normal’ logo, mas se for para voltarmos desse jeito, vejo que é impossível. O Dia dos Professores tem sim um diferencial nesse ano, exatamente porque estamos sendo mais valorizados. Há pais que nos criticam, que infelizmente pensam que a escola é ‘depósito’, e que agora estão vendo a nossa importância. Desejo a todos os professores um dia abençoado, espero que tudo termine logo e que não percamos a fé, para que assim tudo possa voltar ao normal o mais rápido possível”.


“Não é a mesma ‘magia’ de antes”

Denise e seus alunos nos Jogos Escolares
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Denise Regina da Rosa Campos, professora de Educação Física na Escola de Educação Básica Professora Maria da Glória Pereira

“Eu amo a Educação Física e o contato que tenho com os alunos. Muitas vezes eles vêm conversar sobre os problemas, me sinto muito satisfeita em poder ajudá-los. Fisicamente também, como correção de postura. É uma prática muito boa, poder passar isso. Nessa época de pandemia mudou tudo, passar matéria pra eles agora é muito diferente, não é a mesma ‘magia’ de antes. O que mais sinto falta é exatamente esse contato com eles, a convivência que tínhamos. Sinto falta de todo o ambiente da escola, o contato com meus colegas professores. Tudo era muito gostoso, e acredito que quando voltarmos será muito melhor do que antes. Creio que há vários pais que estão em casa que estão valorizando mais os professores, mas ainda estamos muito longe da valorização que deveríamos ter. Porém, os nossos alunos nos valorizam, e isso já significa muito”.


“O presencial é essencial, pois o online é muito limitado”

Francisco d’Avila da Silva, conhecido como Chico, é professor de História dos colégios COC (unidades de Balneário Camboriú e Blumenau), Confepi (de Navegantes) e do Colégio Universitário de Brusque

“Sou professor há 21 anos e esse ano realmente tem sido muito diferente de antes. Eu já tinha ‘know-how’ com o online, pois tenho um canal no YouTube (https://bit.ly/3dw8DOo- com 67 mil inscritos e mais de três milhões de visualizações), mas a aula curricular online é muito diferente, já que o professor não tem a ‘reação’ imediata dos aluno. A interação é primordial. Vejo que o pessoal do pré-vestibular tem um foco muito estabelecido e muitos até conseguem se focar mais agora na pandemia, mas no Ensino Médio a aula não é só explanativa; nós discutimos, ouvimos os alunos. Por isso, vejo que o presencial é essencial, pois o online é muito limitado. Nos colégios onde eu trabalho, talvez não seja a realidade da maioria, percebo que há uma quantidade significativa de alunos que conseguiram se adaptar [ao online]. Eles interagem, perguntam. Mas fico angustiado porque na sala de aula há alunos que mostram ‘gestualmente’ se estão aprendendo ou não. Eles balançam a cabeça, mesmo que não questionem nada, e online isso fica mais complicado. Em termos de resultado tem sido bom, levando em conta esse critério de aproveitamento, mas o critério de avaliação vai muito além de prova. Considerando tudo isso, vejo que no futuro o ensino híbrido (mistura do presencial com o online) é inevitável. Já falava-se antes do online ser mais utilizado, mas não acredito que irá substituir totalmente o presencial. Pode-se construir um modelo em que haja, por exemplo, a base teórica online e encontros presenciais para exercitar e refletir sobre o conteúdo passado. Analisando o que estamos vivendo, como historiador, vejo que quando estudamos História devemos aprender de fato. Já vivemos circunstâncias semelhantes (à pandemia), e cabe a nós olhar para a história e fugir dos mesmos erros. Mas enxergo hoje que tem muita coisa se repetindo, que mostra que a gente não conseguiu aprender muito. Há o descaso das pessoas com a pandemia, como aconteceu na gripe espanhola, quando muitas pessoas negaram a doença, fizeram protestos para não usar máscara. O esclarecimento deveria ser maior hoje, mas o positivo é que há pessoas que estão se cuidando, e por isso esse ‘capítulo’ poderia ser pior, mas com certeza será visto como um momento de ‘baque’ na história da humanidade e do Brasil. Vejo que o Dia do Professor não está tendo exatamente um ressignificado, pois quem está nessa profissão é porque a ama e sempre se dedicou à ela; talvez na visão da sociedade estão vendo o nosso esforço extra, pois realmente tivemos que nos adaptar, para assegurar o mínimo da ‘normalidade’ para os estudantes, assim como os profissionais da área da saúde, que sempre se dedicaram muito e agora estão sendo ‘mais vistos’. Sou feliz porque sempre me senti valorizado e amado pelos meus alunos, mas sei que infelizmente isso não reflete a totalidade dos meus colegas de profissão”.


“São novas formas de ensinar e aprender, mas a interação com certeza faz falta”

Isabella Cristina de Souza, professora de História (formada pela UFSC) nos colégios Construindo o Saber, de Balneário Camboriú, e Bom Jesus, que fica na Praia Brava de Itajaí

“Sou professora há cinco anos. Vejo que tudo mudou muito, o setor da Educação foi um dos que mais ‘sentiu’ a pandemia. Graças à Deus conseguimos manter os trabalhos online, mas foi uma mudança radical. Sinto muita falta de ver meus alunos, da sala de aula, do presencial em si, assim como a troca com os colegas professores na sala dos professores. A parte positiva, e que é um desafio, foi aprender a utilizar essas novas ferramentas online. Quando o presencial voltar acredito que será muito diferente. O ensino híbrido é o caminho, vejo que o presencial vai continuar, mas a tecnologia estará cada vez mais presente. Os alunos conseguiram se adaptar, mesmo ‘no susto’, aprenderam e estão se adequando a esses novos métodos de ensino. São novas formas de ensinar e aprender, mas a interação com certeza faz falta, às vezes o aluno não fala nada na aula, mas dá para ver pelo olhar se ele está entendendo, e no online isso fica mais complicado. Eles têm vergonha de falar no microfone, ligar a câmera. Nas avaliações meus alunos, no geral, estão indo bem, mas não há como controlar se eles estão colando, por exemplo. Alguns demoram mais para entregar os trabalhos, mas no geral estão fazendo as atividades e com boas notas. Porém, o online trouxe à tona a importância de repensar as avaliações, com conteúdos mais reflexivos e contextualizados, algo que o aluno não consiga copiar, jogar no Google e ter a resposta ali. Como historiadora vejo que a pandemia logo vai aparecer nos livros de história e será mostrada com um ‘ponto de virada’, já que acelerou muitas mudanças, principalmente na educação. Há alguns historiadores que dizem inclusive que o século 21 está iniciando agora. Espero que esse ano tenha servido para as pessoas perceberem a importância dos professores para os alunos. Há alguns pais que antes não viam e agora entendem as dificuldades que enfrentamos, que não é fácil ensinar. Será um Dia diferente, sem presentes e abraços, mas para refletirmos sobre a ausência do presencial e sobre o quanto esse momento está sendo muito desafiador para todos. Há quem diga que esse foi um ‘ano perdido’ para os alunos, mas não acredito que tenha sido perdido, e sim de aprendizado sobre novas formas de ensinar e aprender”.

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Por que os estudantes brasileiros não se interessam pelas carreiras do magistério?

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“Nesta quinta-feira em que celebramos o dia do professor são comuns muitas homenagens carinhosas dirigidas aos mestres. É justo que sejam homenageados aqueles e aquelas que se dedicam e têm como projeto de vida contribuir para que os estudantes possam também viabilizar seus próprios projetos. A data que celebra o Dia dos Professores é reconhecimento ao Decreto Imperial de 15/10/1827, quando D. Pedro I assinou a lei que criou o ensino elementar no Brasil, determinando que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.Quase dois séculos depois, esse decreto ainda não foi cumprido integralmente, dado ao tamanho do desafio, tão grande quanto a extensão do próprio território nacional. Mas é preciso reconhecer os avanços no sentido de promover a universalização da Educação Básica no país, assim como reconhecer o papel de um de seus protagonistas: os professores.

Parece óbvio, mas vale a lembrança. Não há escola sem professor, sem aluno e sem conhecimento científico. Para ter aluno, a escola precisa oferecer condições adequadas e a família não pode negligenciar sua responsabilidade de garantir que as crianças sejam matriculadas. Uma vez na escola, o estudante tem o direito de receber uma formação ancorada nos conhecimentos científicos e na cultura construída pela sociedade no decorrer do tempo. Ao professor, cabe a responsabilidade de dominar esses conhecimentos, desenvolvendo métodos e técnicas para que ocorra o ensino e a aprendizagem do aluno.

Em alguns países do extremo Oriente, como a Coreia do Sul, que atribui à Educação a transformação social, cultural e econômica do país nas últimas décadas, e que conduziu os sul-coreanos ao grupo dos países mais desenvolvidos do mundo, ser professor é uma das profissões mais admiradas e respeitadas na sociedade, com o mesmo status de outros profissionais também reconhecidos por aqui, como o médico e o magistrado. Com isso, não surpreende o fato de o magistério ser uma carreira profissional concorrida naquele país, atraindo o interesse dos estudantes. Um paradoxo se comparado ao Brasil, onde a docência, sobretudo na Educação Básica, atrai cada vez menos interesse dos jovens. Ser professor acaba sendo a segunda alternativa para muitos brasileiros que não conseguiram aprovação nos vestibulares em áreas mais concorridas ou que não se estabeleceram em outras profissões.

Por que os estudantes brasileiros não se interessam pelas carreiras do magistério? É certo que cada leitor tem uma lista de fatores. Ou seja, com maior ou menor profundidade, sabemos onde estão os problemas. Um deles, certamente, é a falta de valorização do trabalho docente e da compreensão da relevância que essa profissão desempenha para uma sociedade que deseja se desenvolver. No passado, na Coreia do Sul e em outros países da região, como o Japão, os professores eram os únicos cidadãos que podiam andar ao lado do imperador. Todos os demais deveriam vir atrás dele. E mais: se curvar diante do outro, gesto muito comum de demonstração de respeito e reconhecimento na cultural oriental, era algo que o imperador só fazia diante de um professor.

Por que no Brasil parte da sociedade ainda não reconhece seus mestres? Certamente você também deve ter muitas respostas para esse questionamento. Mas convém perguntar: até que ponto os professores precisarão continuar provando que são relevantes, necessários, fundamentais? A permanência das crianças em casa em tempo integral devido ao isolamento social ajudou muitas famílias a vivenciarem parte da realidade da educação de seus filhos, reconhecendo a importância do trabalho docente até mesmo por tentarem absorver parte do papel dos professores. Não é fácil, não é mesmo?!

A pandemia desafiou muitos profissionais, e entre os mais desafiados, figuram os professores. Eles tiveram que se adaptar, incorporando novos métodos e ferramentas às suas práticas. De um dia para o outro viraram youtubers, redatores, digital influencers e etc. Abriram suas casas, suas vidas, se entregaram, tudo isso para ensinar, mas também para não perder o vínculo com o estudante, mantendo o afeto na espera pelo dia do retorno às atividades presenciais. Devemos reconhecer esses bons exemplos e nos curvar diante destes professores incansáveis que, a despeito da falta de apoio, de reconhecimento e até de respeito, mantêm firme seus propósitos de vida, estudando, aprimorando técnicas e métodos, buscando novidades, investindo seus recursos em instrumentos para educar os estudantes brasileiros. A Educação é o meio mais seguro para transformar a realidade. Precisamos, urgentemente, nos curvar diante dessa verdade e praticar o reconhecimento aos principais protagonistas dessa mudança: nossos bons professores”.

  • Wilson Galvão é coordenador de Assessoria de Áreas do Sistema Positivo de Ensino.


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Dia dos Professores, "a pandemia tirou muita coisa, mas principalmente o convívio"

Momento é de reflexão devido às dificuldades impostas pela covid-19

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Quinta, 15/10/2020 14:55.
Por Marlise Schneider Cezar e Renata Rutes
Sem aulas presenciais desde março, os professores e estudantes precisaram se adaptar à nova realidade: as aulas online, algo bem diferente, até mesmo para as escolas que já utilizavam a plataforma. O Dia dos Professores é comemorado nesta quinta-feira (15) e representa, mais do que nunca, a importância do contato ‘olho no olho’ e interação presencial com os estudantes.
O Página 3 conversou com professores das mais diversas modalidades (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) e disciplinas que relatam como tem sido a busca pela reinvenção que o ‘novo normal’ exige e a falta que sentem dos colégios e das atividades presenciais com seus alunos.
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Experiência de quatro décadas, o que mudou ao longo do tempo e impactos do Coronavírus

Marlene Toledo Sisnandes, supervisora de Estágios e professora no Curso de Pedagogia da UniAvan

“Eu sempre quis ser professora! Ao longo de quatro décadas de exercício do magistério construí uma trajetória onde se misturaram episódios da vida pessoal com as atividades profissionais. Não saberia separar minha atuação em sala de aula de minha vida fora da escola. Minha escolha profissional foi por vocação e por acreditar que pela educação poderia mudar minha vida e a dos alunos que encontraria pelo caminho. Fui criando uma identidade como profissional que serviu de referência ao longo da caminhada para muitas gerações de alunos, conforme o que eles mesmo relatam tão carinhosamente até hoje pelas redes sociais. Pra mim, isso sempre foi a maior recompensa: ver meus alunos plenos e felizes, encontrando e abraçando suas vocações como eu fiz, em 1979. Vivenciei muitas mudanças na educação, enfrentei contradições, falta de perspectivas e comprometimento. Mas nada como o que estamos vivendo em 2020. Com a pandemia, a escola fechou, mas nós, professores, não paramos. Precisamos nos reinventar, aprender e descobrir técnicas para dar conta das demandas que surgiam. Tivemos um salto nas tecnologias da educação enquanto víamos se acentuar as diferenças de acesso a essa nova forma de aprender. A pandemia pode ter afetado muito a vivência do professor, mas essa profissão é justamente feita de superação de obstáculos, criatividade e a busca de alívio das desigualdades com empatia. O que nos espera causa expectativa! Que quando voltarmos à rotina, o novo normal seja de mais respeito, conexão entre os seres humanos e de valorização do professor. Que juntos possamos escrever um capítulo decisivo para a educação e esse novo mundo que queremos”.


“A pandemia tirou muita coisa, mas principalmente o convívio”

Jonas Bakalarczyk, professor de Física da Escola de Educação Básica Professora Maria da Glória Pereira, graduado pela UFSM em Física e Mestre em Ensino de Física pela UFSC

“Comecei minha carreira de professor em escola particular religiosa, em Santa Maria, cidade universitária. A escola tinha um ambiente bom para trabalhar, bem remunerado e foco em vestibular. Ao mesmo tempo surgiram oportunidades em cursinhos pré-vestibulares onde acabei trabalhando por cinco anos e acabei me especializando em treinar alunos a fazerem provas de vestibular. Após este período acabei voltando para o interior por motivos familiares. Consegui emprego em uma escola particular e também em pré-vestibular, mas a realidade foi bem diferente. Alunos sem foco, ameaçavam a escola, pois ‘pagavam’, então tinham seus direitos. Acabei saindo e me dedicando somente em pré-vestibulares. Viajei muito, todo dia em uma cidade diferente, mas acabei decidindo por uma questão de segurança investir em concursos públicos. Passei em 2012 e assumi a vaga. Minhas primeiras experiências na escola pública foram bem complexas, mas meu pai me ensinou que quando temos problemas temos que resolver um de cada vez e foi isso que fiz. Resolvi focar no aluno! Comecei a me adaptar à realidade deles e tive que me reinventar como professor. Passei a ser um educador, além de ajudar o aluno a construir conceitos precisava interagir com ele, entender seus anseios e mostrar que existe um futuro. Confesso que não foi fácil e continua não sendo, mas é uma aventura inesquecível. Sempre fui ligado a questão tecnológica, ainda hoje arrisco em fazer uma programação e tento ser ligado em tecnologias de educação. Antes da pandemia faziam dois anos que eu já trabalhava com meus alunos no Classroom (plataforma utilizada nas aulas online atualmente). Muitos gostaram e outros detestaram. Inclusive o assunto foi parar na direção, pois era uma novidade. Nunca imaginei que fosse ser tão usada posteriormente e fico feliz que para os alunos que já trabalharam com ela ficou mais fácil. Porém, é importante destacar que nem toda ferramenta digital ajuda a construir o conhecimento. O Classroom é apenas um site organizado para você postar material e fazer avaliações. Está longe de ser uma ferramenta que faça nosso aluno refletir, pensar e agir. E a pergunta é: como se faz isso? A resposta é inevitável: o professor! A chave ainda é o professor, que tem o papel fundamental de elaborar produtos educacionais, e cabe a ele traçar as competências e habilidades que nosso aluno tem que desenvolver. Outro problema encontrado sem dúvida é o acesso estas plataformas. Será que todos os alunos tem acesso? A gente sabe que não. E isso foi um dos problemas enfrentados. A pandemia tirou muita coisa, mas principalmente o convívio. Escola é como a música do cantor Leonardo: ‘entre tapas e beijos, é ódio e desejo, mas também é paixão e ternura’. Se você perguntasse aos professores antes da pandemia quem gostaria de tirar uma folga de seis meses em casa, a maioria responderia que gostaria. Mas se fizer esta pergunta hoje, muitos mudaram de opinião. Minha rotina mudou neste sentido, falta de aluno me dizendo ‘não entendi professor’, ‘para que serve estas contas aí?’, ou da direção falando ‘os alunos não estão gostando das tuas aulas’. Como eu disse, é entre tapas e beijos (risos). Mas continuo acordando as 6h, tomo meu chimarrão, dou uma olhada nos e-mails e WhatsApp do grupo da escola, e vou produzir meus vídeos para meus alunos. Quando os alunos me procuram tiro suas dúvidas. Eu acredito que a escola do futuro será uma escola híbrida. Usaremos plataformas digitais, mas teremos aulas presenciais e se isso for bem usado onde todos tenham acesso acrescentará no processo de aprendizagem. Porém, para que haja sucesso deverá haver muita dedicação, não só de professores, mas por toda a comunidade escolar. Implementar processos requer investimento, treinamento e tempo”.


“Transformamos nossa casa em escola”

Camila Graeff Casiraghi, graduada em Geografia Bacharel e Licenciatura e Pós-Graduada em História e Geografia, leciona desde 2013 e atualmente trabalha com turmas do sexto ao nono ano

“Antes da pandemia estávamos mais próximos dos alunos, tanto no processo de ensino e aprendizagem como apoio para diversas situações. Nosso desafio é imenso, precisamos diminuir nossas desigualdades educacionais, mas também lidar com tantas incertezas. Nosso trabalho aumentou, transformamos nossa casa em escola, adaptando-nos ao ‘novo normal’. Com os recursos disponíveis, encontrando o melhor caminho para prosseguir diante desse novo contexto, além de conciliar com outros aspectos da vida pessoal. Todo esse processo também está sendo um aprendizado para os professores, houve uma necessidade de adaptação a essa situação. A expectativa é que tudo melhore e, que com as medidas sanitárias adequadas e a vacina, possamos voltar em segurança para a escola. Através da pandemia reforçamos como a escola é insubstituível e necessária. É um momento muito complexo para todos. Sendo a escola insubstituível, a importância do professor é inquestionável, já que não estamos restritos apenas a espaços físicos. A comemoração do Dia do Professor, mesmo que virtual, é ainda mais especial nesse contexto que estamos vivendo: a gratidão, o respeito e o reconhecimento do nosso trabalho”.

Professora Camila e alunos

“Vi que somos capazes de nos reinventar diariamente”

credito - Arquivo Pessoal

Alba Cristina Sobreira Garcia, formada em Educação Física Licenciatura Plena, pós graduada em Treinamento Desportivo e especialista em Basquete 3x3, Desenvolvimento e Detecção de Talentos e Alto Rendimento, única mulher a representar o sul do país, através do Comitê Olímpico Brasileiro, do Instituto Brasileiro e da Academia Brasileira de Treinadores

“A escolha pela profissão veio da paixão pelo esporte, ajudar as pessoas a se transformar. A pandemia trouxe ansiedade, medo e insegurança, mas também nos proporcionou a hora da mudança, a hora de provar para você mesmo que é capaz, que você é realmente um agente de transformação na vida das pessoas. Para mim o ponto crucial foi me colocar em xeque mate com teoria e prática, o que teoricamente eu estudo e o que realmente eu coloco para as pessoas na prática. Muitas vezes falamos bonito, mas nossas ações práticas vão totalmente contra o que falamos. Então a pandemia fez isso comigo: sentar, respirar e organizar minha vida em todos os sentidos, sentimental, profissional, familiar, financeiro e ver qual a mudança que estava sendo necessária na minha vida. Vi que somos capazes de nos reinventar diariamente se acreditarmos que temos potencialidades e cada um de nós tem diversas. Vejo o lado bom da pandemia, que me tirou da zona de conforto e me propôs novos desafios. A cada dia estou saindo mais fortalecida. Por não poder estar em contato direto com meus atletas durante a pandemia, me reinventei e me achei na área de alimentação, trabalho com alimentação natural, saudável, o que também proporciona transformações na vida das pessoas. Pós pandemia? Vejo que estas transformações que aconteceram em minha vida sigam acontecendo e me façam rever minha prática, minha teoria diariamente para que eu esteja em constante evolução e possa atingir meus propósitos. A minha reflexão para todo professor nesse dia a ser comemorado é que a gente realmente reveja nossa teoria e veja se ela realmente está de acordo com nossa prática”.


“A pandemia nos tirou o calor humano e nos trouxe a ansiedade”

credito - Arquivo Pessoal

Margareth Tavares Sultowski, professora municipal de Atendimento Educacional Especializado (A.E.E.) no núcleo de ensino infantil Vovô Alécio, bairro Ariribá. O A.E.E. é realizado prioritariamente na sala de recursos multifuncionais, em turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns.

“A prática pedagógica antes da pandemia, representava um conjunto de valores, missões e acima de tudo uma vontade grande de fazer parte do crescimento de nossos pequenos. Durante a pandemia infelizmente fomos privados da melhor parte, que é o convívio com nossos educandos. A pandemia nos tirou o calor humano e nos trouxe a ansiedade. Desse modo nós professores temos lidado com a angústia de um futuro incerto. Temos muitas expectativas, particularmente consigo vislumbrar dias melhores para a educação de Balneário Camboriú, depois que tudo isso passar”.


“Lecionar não se resume a apenas entrar e sair de sala de aula”

Lucielle Merlym Bertolli, professora de Biologia Licenciada em Ciências Biológicas (UFPR), Mestre em Botânica (UFPR), Doutora em Ciências - Botânica (UFRGS), atualmente é professora na Escola de Educação Básica Professora Maria da Glória Pereira e no Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA) de Balneário Camboriú

“Comecei a lecionar em 2010, em Curitiba. Desde lá já atuei nos anos finais do ensino fundamental (redes particular e estadual no PR), ensino médio regular (redes particular e estaduais no PR e SC), ensino médio técnico (rede federal, Instituto Federal Catarinense (IFC) – Campus Blumenau), ensino superior (rede federal, IFC – Campus Blumenau) e Educação de Jovens e Adultos (CEJA). A rotina durante a pandemia mudou muito. Embora tenhamos infinitos meios de comunicação, a troca presencial com os alunos ainda parece ser a forma mais efetiva de interação. Perde-se muito com o contato apenas virtual. Não podemos nos esquecer que a escola é muito mais do que um ambiente de transmissão de conhecimento, é também um espaço de formação social e promoção de saúde, e essas funções acabaram prejudicadas pela necessidade de distanciamento social. Sinto falta da dinâmica da sala de aula, das gincanas, dos desenhos no quadro, dos modelos didáticos, das aulas práticas, das dúvidas que aparecem no meio das explicações e nos levam a debater assuntos que muitas vezes são mais pertinentes do que o conteúdo formal. Tivemos que nos adaptar à nova realidade, aprendendo a utilizar plataformas, gravar e editar vídeos, fazendo testes e mais testes de áudio, cenografia e iluminação, produzindo material didático, enfim, uma série de atividades que não faziam parte da rotina normal. Cabe lembrar que muitos de nós investimos em equipamentos (quadros, lâmpadas, microfones, câmeras...) e em melhor conexão de internet, para tentar oferecer o melhor que pudéssemos e atender as demandas, utilizando recursos próprios, pois não houve contrapartida da SED (Secretaria de Educação Estadual) nesse sentido. Além disso, trabalhar em home office quando não se está adaptado a isso é também um desafio. Organizar o tempo para realizar as tarefas de casa e da escola, conciliar a dinâmica familiar e o trabalho em casa, tentar não passar 12h trabalhando e não se culpar por ter tirado um dia de folga no meio da semana depois disso, foram situações pelas quais passei e que demandaram tempo até se estabilizarem. Além de toda a preocupação em atingir efetivamente o aluno, seja com o conteúdo digital ou com o conteúdo impresso ofertado para retirada na escola, ainda temos que lidar com a grande burocracia imposta pela SED, participando de webinários, preenchendo planilhas e relatórios, planejando e replanejando constantemente, pois muitas vezes recebemos notificações de mudanças de planos em cima da hora (como a mudança de trimestre para semestre, por exemplo, que demandou um esforço grande para fechamento de notas e realização de conselho de classe). Percebo entre meus colegas um grande cansaço, uma sensação de incerteza sobre estarmos realmente atingindo os alunos e uma grande frustração quando recebemos deliberações da SED que parecem não levar em conta os reais executores desses processos, resultando em sobrecarga para os professores. A incerteza, que pairou durante muito tempo, sobre o retorno presencial, sobre os riscos aos quais nos exporíamos e exporíamos nossas famílias, a opinião pública de que estamos em casa e por isso não estamos trabalhando, que estamos recebendo para ficar em casa e é por isso que não queremos o retorno presencial, tudo isso contribui para um cenário de estafa e depressão. Existe uma parte do nosso trabalho que é invisível à sociedade. Lecionar não se resume a apenas entrar e sair de sala de aula. Há estudo planejamento, elaboração e correção de atividades, análise do que precisa ser retomado para realizar a recuperação paralela, um sem fim de atividades que não cabem na nossa carga horária contratual, pois nossa hora atividade está longe de contemplar essa necessidade. Essa sobrecarga ficou ainda mais clara durante a pandemia. Podem ter certeza: nós estamos trabalhando, e arrisco dizer que muito mais do que antes. É por termos conhecimento da dinâmica dentro das escolas que entendemos que não é seguro voltar ao ensino presencial. Como professora de Biologia entendo que temos que pensar no futuro próximo de forma cautelosa. Aguardamos ansiosamente uma vacina, mas mesmo que ela chegue em breve, ainda é cedo para imaginarmos um mundo livre dessa pandemia e de suas consequências. Várias medidas de prevenção precisarão ser mantidas e, certamente, isso continuará tendo impacto na dinâmica escolar. Se for preciso continuar com o ensino remoto durante o próximo ano, acredito que teremos que rever muitas das estratégias adotadas nesse ano, para que possamos garantir a qualidade do processo ensino aprendizagem e não apenas gerar dados que mascaram a realidade do acesso à educação”.

Lucielle em aula online
Professora Lucielle e alunos

“Espero que tudo termine logo e que não percamos a fé”

Arlete e seu aluno Enrico
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Arlete da Silva Caetano, professora do Núcleo de Educação Infantil Recanto dos Passarinhos, que fica no Bairro das Nações, em Balneário

“Já trabalhei com todas as faixas etárias no Núcleo, nesse ano eu estava readaptada, por alguns problemas de saúde. A pandemia deixou tudo muito diferente, eu e as outras professoras sentimos muito a falta do contato físico com os alunos, do dia a dia no Núcleo. As crianças alegram os nossos dias, mesmo em um momento ruim o ‘bom dia’ e um sorriso delas mudava tudo. Muitas crianças ficavam o dia todo conosco, isso realmente faz muita falta. Vou uma vez por semana até o Núcleo, gravamos vídeos, fazemos atividades, que são repassadas para as famílias. Encontro pais e mães às vezes e eles repassam que as crianças falam que estão com muita saudade, que dizem que o emocional delas foi afetado. A grande maioria dos pais diz que se a escola voltar esse ano, as crianças não retornam, mas eu vejo que, em parte, deveria voltar, pois há crianças que precisam do Núcleo, já que há pais que trabalham o dia todo. Seria bom voltar em partes, para quem realmente necessita. Porém, sabemos que teremos dificuldade com o uso de máscara, as crianças não gostam, além de que elas vão querer se abraçar, brincar juntas, usar o parquinho. E agora nada disso vai poder acontecer. Quero muito que tudo volte ao ‘normal’ logo, mas se for para voltarmos desse jeito, vejo que é impossível. O Dia dos Professores tem sim um diferencial nesse ano, exatamente porque estamos sendo mais valorizados. Há pais que nos criticam, que infelizmente pensam que a escola é ‘depósito’, e que agora estão vendo a nossa importância. Desejo a todos os professores um dia abençoado, espero que tudo termine logo e que não percamos a fé, para que assim tudo possa voltar ao normal o mais rápido possível”.


“Não é a mesma ‘magia’ de antes”

Denise e seus alunos nos Jogos Escolares
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Denise Regina da Rosa Campos, professora de Educação Física na Escola de Educação Básica Professora Maria da Glória Pereira

“Eu amo a Educação Física e o contato que tenho com os alunos. Muitas vezes eles vêm conversar sobre os problemas, me sinto muito satisfeita em poder ajudá-los. Fisicamente também, como correção de postura. É uma prática muito boa, poder passar isso. Nessa época de pandemia mudou tudo, passar matéria pra eles agora é muito diferente, não é a mesma ‘magia’ de antes. O que mais sinto falta é exatamente esse contato com eles, a convivência que tínhamos. Sinto falta de todo o ambiente da escola, o contato com meus colegas professores. Tudo era muito gostoso, e acredito que quando voltarmos será muito melhor do que antes. Creio que há vários pais que estão em casa que estão valorizando mais os professores, mas ainda estamos muito longe da valorização que deveríamos ter. Porém, os nossos alunos nos valorizam, e isso já significa muito”.


“O presencial é essencial, pois o online é muito limitado”

Francisco d’Avila da Silva, conhecido como Chico, é professor de História dos colégios COC (unidades de Balneário Camboriú e Blumenau), Confepi (de Navegantes) e do Colégio Universitário de Brusque

“Sou professor há 21 anos e esse ano realmente tem sido muito diferente de antes. Eu já tinha ‘know-how’ com o online, pois tenho um canal no YouTube (https://bit.ly/3dw8DOo- com 67 mil inscritos e mais de três milhões de visualizações), mas a aula curricular online é muito diferente, já que o professor não tem a ‘reação’ imediata dos aluno. A interação é primordial. Vejo que o pessoal do pré-vestibular tem um foco muito estabelecido e muitos até conseguem se focar mais agora na pandemia, mas no Ensino Médio a aula não é só explanativa; nós discutimos, ouvimos os alunos. Por isso, vejo que o presencial é essencial, pois o online é muito limitado. Nos colégios onde eu trabalho, talvez não seja a realidade da maioria, percebo que há uma quantidade significativa de alunos que conseguiram se adaptar [ao online]. Eles interagem, perguntam. Mas fico angustiado porque na sala de aula há alunos que mostram ‘gestualmente’ se estão aprendendo ou não. Eles balançam a cabeça, mesmo que não questionem nada, e online isso fica mais complicado. Em termos de resultado tem sido bom, levando em conta esse critério de aproveitamento, mas o critério de avaliação vai muito além de prova. Considerando tudo isso, vejo que no futuro o ensino híbrido (mistura do presencial com o online) é inevitável. Já falava-se antes do online ser mais utilizado, mas não acredito que irá substituir totalmente o presencial. Pode-se construir um modelo em que haja, por exemplo, a base teórica online e encontros presenciais para exercitar e refletir sobre o conteúdo passado. Analisando o que estamos vivendo, como historiador, vejo que quando estudamos História devemos aprender de fato. Já vivemos circunstâncias semelhantes (à pandemia), e cabe a nós olhar para a história e fugir dos mesmos erros. Mas enxergo hoje que tem muita coisa se repetindo, que mostra que a gente não conseguiu aprender muito. Há o descaso das pessoas com a pandemia, como aconteceu na gripe espanhola, quando muitas pessoas negaram a doença, fizeram protestos para não usar máscara. O esclarecimento deveria ser maior hoje, mas o positivo é que há pessoas que estão se cuidando, e por isso esse ‘capítulo’ poderia ser pior, mas com certeza será visto como um momento de ‘baque’ na história da humanidade e do Brasil. Vejo que o Dia do Professor não está tendo exatamente um ressignificado, pois quem está nessa profissão é porque a ama e sempre se dedicou à ela; talvez na visão da sociedade estão vendo o nosso esforço extra, pois realmente tivemos que nos adaptar, para assegurar o mínimo da ‘normalidade’ para os estudantes, assim como os profissionais da área da saúde, que sempre se dedicaram muito e agora estão sendo ‘mais vistos’. Sou feliz porque sempre me senti valorizado e amado pelos meus alunos, mas sei que infelizmente isso não reflete a totalidade dos meus colegas de profissão”.


“São novas formas de ensinar e aprender, mas a interação com certeza faz falta”

Isabella Cristina de Souza, professora de História (formada pela UFSC) nos colégios Construindo o Saber, de Balneário Camboriú, e Bom Jesus, que fica na Praia Brava de Itajaí

“Sou professora há cinco anos. Vejo que tudo mudou muito, o setor da Educação foi um dos que mais ‘sentiu’ a pandemia. Graças à Deus conseguimos manter os trabalhos online, mas foi uma mudança radical. Sinto muita falta de ver meus alunos, da sala de aula, do presencial em si, assim como a troca com os colegas professores na sala dos professores. A parte positiva, e que é um desafio, foi aprender a utilizar essas novas ferramentas online. Quando o presencial voltar acredito que será muito diferente. O ensino híbrido é o caminho, vejo que o presencial vai continuar, mas a tecnologia estará cada vez mais presente. Os alunos conseguiram se adaptar, mesmo ‘no susto’, aprenderam e estão se adequando a esses novos métodos de ensino. São novas formas de ensinar e aprender, mas a interação com certeza faz falta, às vezes o aluno não fala nada na aula, mas dá para ver pelo olhar se ele está entendendo, e no online isso fica mais complicado. Eles têm vergonha de falar no microfone, ligar a câmera. Nas avaliações meus alunos, no geral, estão indo bem, mas não há como controlar se eles estão colando, por exemplo. Alguns demoram mais para entregar os trabalhos, mas no geral estão fazendo as atividades e com boas notas. Porém, o online trouxe à tona a importância de repensar as avaliações, com conteúdos mais reflexivos e contextualizados, algo que o aluno não consiga copiar, jogar no Google e ter a resposta ali. Como historiadora vejo que a pandemia logo vai aparecer nos livros de história e será mostrada com um ‘ponto de virada’, já que acelerou muitas mudanças, principalmente na educação. Há alguns historiadores que dizem inclusive que o século 21 está iniciando agora. Espero que esse ano tenha servido para as pessoas perceberem a importância dos professores para os alunos. Há alguns pais que antes não viam e agora entendem as dificuldades que enfrentamos, que não é fácil ensinar. Será um Dia diferente, sem presentes e abraços, mas para refletirmos sobre a ausência do presencial e sobre o quanto esse momento está sendo muito desafiador para todos. Há quem diga que esse foi um ‘ano perdido’ para os alunos, mas não acredito que tenha sido perdido, e sim de aprendizado sobre novas formas de ensinar e aprender”.

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Por que os estudantes brasileiros não se interessam pelas carreiras do magistério?

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“Nesta quinta-feira em que celebramos o dia do professor são comuns muitas homenagens carinhosas dirigidas aos mestres. É justo que sejam homenageados aqueles e aquelas que se dedicam e têm como projeto de vida contribuir para que os estudantes possam também viabilizar seus próprios projetos. A data que celebra o Dia dos Professores é reconhecimento ao Decreto Imperial de 15/10/1827, quando D. Pedro I assinou a lei que criou o ensino elementar no Brasil, determinando que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.Quase dois séculos depois, esse decreto ainda não foi cumprido integralmente, dado ao tamanho do desafio, tão grande quanto a extensão do próprio território nacional. Mas é preciso reconhecer os avanços no sentido de promover a universalização da Educação Básica no país, assim como reconhecer o papel de um de seus protagonistas: os professores.

Parece óbvio, mas vale a lembrança. Não há escola sem professor, sem aluno e sem conhecimento científico. Para ter aluno, a escola precisa oferecer condições adequadas e a família não pode negligenciar sua responsabilidade de garantir que as crianças sejam matriculadas. Uma vez na escola, o estudante tem o direito de receber uma formação ancorada nos conhecimentos científicos e na cultura construída pela sociedade no decorrer do tempo. Ao professor, cabe a responsabilidade de dominar esses conhecimentos, desenvolvendo métodos e técnicas para que ocorra o ensino e a aprendizagem do aluno.

Em alguns países do extremo Oriente, como a Coreia do Sul, que atribui à Educação a transformação social, cultural e econômica do país nas últimas décadas, e que conduziu os sul-coreanos ao grupo dos países mais desenvolvidos do mundo, ser professor é uma das profissões mais admiradas e respeitadas na sociedade, com o mesmo status de outros profissionais também reconhecidos por aqui, como o médico e o magistrado. Com isso, não surpreende o fato de o magistério ser uma carreira profissional concorrida naquele país, atraindo o interesse dos estudantes. Um paradoxo se comparado ao Brasil, onde a docência, sobretudo na Educação Básica, atrai cada vez menos interesse dos jovens. Ser professor acaba sendo a segunda alternativa para muitos brasileiros que não conseguiram aprovação nos vestibulares em áreas mais concorridas ou que não se estabeleceram em outras profissões.

Por que os estudantes brasileiros não se interessam pelas carreiras do magistério? É certo que cada leitor tem uma lista de fatores. Ou seja, com maior ou menor profundidade, sabemos onde estão os problemas. Um deles, certamente, é a falta de valorização do trabalho docente e da compreensão da relevância que essa profissão desempenha para uma sociedade que deseja se desenvolver. No passado, na Coreia do Sul e em outros países da região, como o Japão, os professores eram os únicos cidadãos que podiam andar ao lado do imperador. Todos os demais deveriam vir atrás dele. E mais: se curvar diante do outro, gesto muito comum de demonstração de respeito e reconhecimento na cultural oriental, era algo que o imperador só fazia diante de um professor.

Por que no Brasil parte da sociedade ainda não reconhece seus mestres? Certamente você também deve ter muitas respostas para esse questionamento. Mas convém perguntar: até que ponto os professores precisarão continuar provando que são relevantes, necessários, fundamentais? A permanência das crianças em casa em tempo integral devido ao isolamento social ajudou muitas famílias a vivenciarem parte da realidade da educação de seus filhos, reconhecendo a importância do trabalho docente até mesmo por tentarem absorver parte do papel dos professores. Não é fácil, não é mesmo?!

A pandemia desafiou muitos profissionais, e entre os mais desafiados, figuram os professores. Eles tiveram que se adaptar, incorporando novos métodos e ferramentas às suas práticas. De um dia para o outro viraram youtubers, redatores, digital influencers e etc. Abriram suas casas, suas vidas, se entregaram, tudo isso para ensinar, mas também para não perder o vínculo com o estudante, mantendo o afeto na espera pelo dia do retorno às atividades presenciais. Devemos reconhecer esses bons exemplos e nos curvar diante destes professores incansáveis que, a despeito da falta de apoio, de reconhecimento e até de respeito, mantêm firme seus propósitos de vida, estudando, aprimorando técnicas e métodos, buscando novidades, investindo seus recursos em instrumentos para educar os estudantes brasileiros. A Educação é o meio mais seguro para transformar a realidade. Precisamos, urgentemente, nos curvar diante dessa verdade e praticar o reconhecimento aos principais protagonistas dessa mudança: nossos bons professores”.

  • Wilson Galvão é coordenador de Assessoria de Áreas do Sistema Positivo de Ensino.


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