Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Especial
Primavera, a estação da transição, mistura dias de frio e calor, mas as flores e as cores destacam Balneário Camboriú

Quinta, 24/9/2020 9:09.

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Renata Rutes
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A primavera começou oficialmente na terça-feira (22), quando o dia e a noite tiveram a mesma duração por conta do fenômeno chamado de equinócio. A estação, que é conhecida principalmente por ser a mais florida do ano, traz este ano a esperança da diminuição de casos de Covid-19, porque muito se fala que o frio potencializa a disseminação do vírus. Balneário Camboriú se preparou para a chegada da estação e isso se reflete nos mais de sete mil metros quadrados de canteiros espalhados pela cidade – nas principais avenidas e praças, que estão floridos, transmitindo a fé de que dias melhores virão.
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Ventos fortes, calor e chuvas irregulares: confira a previsão do tempo para a estação

Crédito:pexels.com
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Com previsão de dias mais quentes e desequilíbrios climáticos causados pelo fenômeno La Niña (resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico, que no sul do Brasil é marcado por irregularidade nas chuvas e menor temperatura), a primavera segue até 21 de dezembro.

Segundo a meteorologista da Epagri/Ciram, Gilsânia Cruz, a previsão para o período da primavera é de chuvas abaixo da média climatológica, com irregularidades causadas pelo La Niña e chances de dias consecutivos sem chuvas em Santa Catarina – a exemplo do que já vinha acontecendo há alguns meses. Porém, a especialista aponta que ainda não é possível afirmar se o Estado realmente passará novamente por um período de grave seca, já que normalmente a primavera é marcada por níveis altos de chuva, mesmo que abaixo da média dos outros anos. Gilsânia alerta que há chance inclusive de fortes tempestades que podem ocorrer quando chover, com ventania expressiva.

Sobre a temperatura climatológica, em outubro as mínimas devem ficar entre 9°C e 13°C do Oeste ao Planalto e parte do Litoral Sul. Nas demais regiões, ficam acima de 14°C. As máximas é de 28°C na maioria das regiões, e abaixo de 20°C em uma pequena área do Planalto Sul. Já para novembro, as mínimas variam de 10ºC a 18ºC e máximas acima dos 25ºC em todas as regiões de Santa Catarina.

O Laboratório de Climatologia da Universidade do Vale do Itajaí (Labclima Univali) confirma a previsão da meteorologista, lembrando que o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) para o trimestre indica chuva abaixo da média, contudo, apresenta nos modelos de anomalias mensais, chuva acima da média para outubro e novembro, e abaixo da média em dezembro.

Conforme os dados históricos para região é esperado temperaturas mínimas de 17/18/19°C para o trimestre outubro, novembro e dezembro, e as temperaturas máximas de 24/26/28°C respectivamente. O Labclima cita ainda que a primavera é uma estação de transição, ou seja, em sua primeira metade com características de inverno, e na segunda, do verão, com as temperaturas variando entre mais amenas a dias mais quentes conforme o verão se aproxima.

Primavera é o ‘terror’ das alergias e doenças respiratórias: infectologista alerta para público não se alarmar

A Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI) estima que no Brasil há quase 40 milhões de pessoas afetadas pela rinite, e essa população sofre com a chegada da primavera, já que o pólen se espalha pelo ar em maior intensidade nessa estação e isso estimula o processo inflamatório da mucosa respiratória, que pode intensificar os sintomas comuns das doenças respiratórias, como tosse, espirros e coriza.

Em plena pandemia de Covid-19, esses efeitos indesejados assustam, mas é preciso calma, já que a rinite, bronquite, sinusite, asma não são transmissíveis.

A médica infectologista Rosalie Knoll lembra que não há uma preocupação maior com a chegada da primavera, mas que o que tende a acontecer é que as pessoas podem ficar confusas já que podem espirrar ou tossir um pouco mais, acreditando que é Covid-19.

“Se você tem rinite, você precisa ver como a sua alergia se comporta. É comum elas [as alergias/doenças respiratórias] se exarcebarem por conta do pólen e da mudança de temperatura que acontece agora, mas não pode ser confundido com infecção pelo Coronavírus”, diz.

A infectologista aconselha que a comunidade se hidrate, bebendo muita água, tenha bastante cuidado com o ambiente, mantendo-o livre de poeira e também é adequado limpar a cavidade nasal.

“Pode usar soro fisiológico, é muito importante essa limpeza, assim como a de casa e do trabalho, quanto mais limpos e arejados, mais saudáveis. Essa lição da pandemia temos que levar para o resto da vida, assim como distanciamento social se você está espirrando, tossindo ou com coriza. Sei que qualquer tosse que temos já gera uma ansiedade, mas a epidemia já diminuiu bastante, a curva está bem descendente, nem se compara a julho e agosto”, explica.

Balneário está florida: Paisagismo trabalha diariamente por toda a cidade

As equipes do setor de Paisagismo, que pertence à Secretaria de Obras, trabalham diariamente na manutenção dos mais de sete mil metros quadrados de canteiros espalhados por Balneário Camboriú, em praças da cidade como também nas avenidas.

A diretora do departamento, Neuza Thomé Pereira, conta que para a primavera-verão são plantadas diversas espécies de flores, como sálvia vermelha, impatiens (popularmente conhecida como beijinho), torênia, tagete e tagetão.

“São flores coloridas, um mix. A sálvia é vermelha, mas o foco são espécies que possuem tons intensos, e priorizamos também aquelas que são resistentes a chuva”, diz.

Neuza, que trabalha há 18 anos no Paisagismo, salienta que a cidade sempre foi referência no quesito flores – tanto que possui uma avenida nomeada como tal (a Avenida das Flores, no Bairro dos Estados, que sempre precisa estar florida, segundo a diretora), e que os moradores questionam quando os canteiros estão ‘vazios’, e que por isso tentam sempre mantê-los ativos.

“Não é só o plantio. Trabalhamos diariamente na manutenção, limpeza, irrigação, adubação. Temos em média mais de sete mil metros quadrados de canteiros de flores em Balneário Camboriú”, explica.

A diretora opina que a época ‘mais bonita’ dos canteiros é a atual, já que agora elas estão mais vivas, enquanto no verão estão um pouco diferentes.

“Agora elas estão mais variadas. Posso dizer que a nossa cidade está 90% florida nesse momento. Há também muitas árvores espalhadas pelo município, como o ipê-amarelo, que é a nossa árvore símbolo, e isso ajuda a deixar as ruas ainda mais bonitas”, completa.

Viveiro é uma alternativa para a preservação

Foto: Divulgação

Em meio a polêmicas com as queimadas ocorridas recentemente na Amazônia e no Pantanal, é tempo de lembrar que um dos principais biomas existentes é a nossa Mata Atlântica, com uma enorme diversidade em sua fauna e flora. Na segunda-feira (21) foi comemorado o Dia da Árvore, data que antecede a primavera e tem o objetivo de conscientizar a população da necessidade de cuidar e proteger a natureza. A secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, Maria Heloísa Lenzi, lembra que as ações humanas causaram e vêm causando danos significativos à fauna e flora, onde o desmatamento predomina e o mau uso do solo diminui a vida deste bioma tão importante, citando ainda que os recursos estão se esgotando gradativamente e que a ocupação humana em locais inapropriados e sem saneamento algum contribui para o despejo de resíduos sólidos em todas as bacias hidrológicas, aumentando ainda a contaminação de rios.

Um viveiro de mudas nativas é uma alternativa para a preservação, e Balneário conta com o Viveiro Mata Atlântica, situado no Parque Natural Municipal Raimundo Gonçalez Malta – no Bairro dos Municípios e aberto diariamente para prática de caminhadas com entrada gratuita das 13h às 17h, que faz o cultivo e distribuição de mudas de plantas nativas, atualmente contando com 56 espécies entre opções com beleza paisagística e até frutíferas.

Em 2020, até o momento o Viveiro realizou quase 500 atendimentos, onde distribuiu-se 2.057 mudas; no ano de 2019, foram doadas 4.266 mudas, atendendo 707 pessoas.

  • O atendimento no Viveiro Mata Atlântica acontece nas terças e quintas das 14h às 17h.

Parque Raimundo Malta passou por melhorias

O Parque também passou por melhorias recentemente, pois foi afetado pelo ciclone bomba que atingiu Balneário Camboriú no final de junho, com a colocação de novas placas informativas que divulgam a fauna e flora existente, que é também a sede da Secretaria.

O conhecido labirinto que há no local também foi reformulado, com utilização de Clausia (mangue-de-formiga), espécie nativa da região.

“A espécie que tinha antes morreu em função do sombreamento e essa vai se adaptar melhor, porque é daqui”, diz.

Outra novidade é a licitação para a implantação de um gazebo coberto, onde poderão ser realizados pequenos eventos – proibidos agora por conta da pandemia, mas futuramente lá podem acontecer aniversários, chás de bebê, e também cerimônias da secretaria e aulas de Educação Ambiental, do projeto Terra Limpa.

Balneário tem mais de 11,5 mil árvores

A secretária salienta que foi realizado um geo-processamento que estimou que há hoje em Balneário Camboriú 11.551 árvores isoladas em áreas públicas – esse número provavelmente é maior, e não compreende locais como o Parque Raimundo Malta e morros da região, como os da Região do Interpraias.

“Nossa cidade é uma das mais arborizadas da região, temos algumas espécies que são consideradas patrimônio do município, como as amendoeiras da Avenida Atlântica(foto), e as figueiras, que são protegidas por lei”, comenta.

Há ainda a preocupação com o plantio errôneo das espécies, principalmente as de grande porte, que podem causar problemas, como as raízes, que podem prejudicar a fiação e até mesmo invadir casas e levantar calçadas, como é comum ver pela cidade. Por isso, a Secretaria do Meio Ambiente pede que a comunidade seja consciente quanto a isso, optando por plantar espécies nativas, que possuem raízes não agressivas e copas menores, além ainda de precisar seguir o manual de poda e corte elaborado pela Secretaria.

Ipê-amarelo: a árvore símbolo de Balneário Camboriú

Fotos: Renata Rutes

A secretária Maria Heloísa lembra que Balneário possui uma árvore símbolo, o ipê-amarelo. Ipê vem do tupi-guarani e significa casca grossa, que é o tronco bem desenhado. O ipê-rosa não tem o tronco tão grosso, mas o amarelo sim. Ele serve tanto para arborização urbana quanto para paisagismo. Além do ipê-amarelo ser a árvore símbolo de Balneário, a flor dele é símbolo nacional, já que é dourada e remete a bandeira e ao ouro que tinha no Brasil.

Há diversos ipês-amarelos em Balneário, a exemplo do que fica na Rua Uganda, no Bairro das Nações, além de alguns na Marginal Oeste. É uma árvore de grande porte, liberada para ser plantada na cidade, podendo chegar a 30 metros de altura. Há mudas dela disponíveis no Viveiro Mata Atlântica, que podem ser retiradas gratuitamente pela comunidade.

Primavera também incentiva o público a comprar flores

Por ser conhecida como a estação das flores, a primavera também atrai a comunidade para as floriculturas e em Balneário Camboriú isso não é diferente. A empresária Susana Mendes, proprietária da floricultura Kasa da Flor, conta que nesta época do ano o público realmente começa a organizar seus jardins, e que mesmo com a pandemia isso tem acontecido.

“As pessoas querem deixar tudo mais bonito e colorido, a procura realmente aumenta muito mais. Trabalhamos com muitas variedades de flores, com valores a partir de R$ 2,50. Nessa época as mais procuradas são celósia, tagete, impatiens e onze horas”, explica.

  • A Kasa da Flor fica na Terceira Avenida, esquina com a Rua 2.950, no centro de Balneário, e atende ao público de segunda a sábado das 8h30 às 18h30, sem fechar para o almoço.
  • A floricultura faz entregas e também presta serviços de jardinagem. Mais informações: 3367-1152.

Mercado da moda foi afetado: tendência segue sendo o conforto (e o tie dye!)

Moda Comfy.

Moda tie dye.

O segmento da moda foi um dos mais prejudicados pela pandemia de Covid-19, ainda no inverno os números de vendas caíram drasticamente, com o público comprando basicamente moletons e pijamas. O cenário mudou um pouco, porém a busca pelo conforto continua sendo uma prioridade. Quando os clientes vão até as lojas, eles sabem o que querem, e ficam menos tempo nos estabelecimentos, principalmente porque ainda não é possível provar roupas: em SC foi liberado, mas em Balneário, por estar na faixa laranja (Risco Potencial Grave), não.

A designer de moda e arquiteta, Giovana Castellano, explica que as pessoas estarem muito mais em casa por conta da quarentena as incentivou a pararem de consumir roupas, tendo necessidade apenas de adquirir peças confortáveis, com o moletom realmente sendo um destaque.

Gigi, como é conhecida, salienta que o tie dye foi uma surpresa, mas que surgiu exatamente porque as pessoas começaram a produzir em casa. A técnica, que ganhou fama nos anos 60 com o movimento hippie, voltou com força. O nome em inglês significa amarrar e tingir – e o procedimento é exatamente esse.

“A reutilização já estava crescendo antes da pandemia e agora ainda mais, tanto para economizar quanto para passar o tempo. A combinação do moletom, inclusive com conjuntos, e o tie dye viralizou. Você abre o Instagram e é só o que aparece”, destaca, lembrando que não há uma tendência específica e que grande parte das empresas de confecção estão investindo em peças mais ‘soltinhas’ e confortáveis, exatamente o que o público está procurando quando querem adquirir algo novo.

A designer também é arquiteta, e pontua que os dois segmentos normalmente andam juntos, mas que a arquitetura cresceu com a pandemia, já que exatamente por conta de as pessoas estarem mais em casa elas passaram a ver o que queriam mudar, e o mercado aqueceu. Porém, há o problema da falta de matéria-prima, como alumínio e MDF.

“Puxando para a primavera, também percebi uma necessidade nas pessoas em cuidarem de plantas, elas voltaram a ter essa vontade, também para passar o tempo e para darem vida às suas casas”, comenta.

Giovana vê que a pandemia fez as pessoas repensarem suas vidas, vendo que é possível viver com muito menos, de forma mais simples, e consequentemente o consumo da moda será repensado.

“O estudo da indústria têxtil começa muito antes. Por exemplo, há dois anos a tendência foi lançada na Europa, e somente agora aqui. Não tinha como as marcas estarem preparadas, então os estudos e apostas precisaram ser alterados. As empresas se readequaram às necessidades de momento, não acredito que alguém imaginava e apostava no tie dye, por exemplo”, diz, opinando que o recomeço que o segmento terá tende a ser positivo, com o conforto devendo continuar em alta.

“A moda vai precisar ser repensada, será necessário começar do zero. Assim como na arquitetura: antes o home office estava engatinhando, as pessoas não o viam como necessário, priorizavam grandes escritórios, e agora todos pedem para incluir um em casa, é uma prioridade”, completa.



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Primavera, a estação da transição, mistura dias de frio e calor, mas as flores e as cores destacam Balneário Camboriú

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Quinta, 24/9/2020 9:09.
Renata Rutes
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A primavera começou oficialmente na terça-feira (22), quando o dia e a noite tiveram a mesma duração por conta do fenômeno chamado de equinócio. A estação, que é conhecida principalmente por ser a mais florida do ano, traz este ano a esperança da diminuição de casos de Covid-19, porque muito se fala que o frio potencializa a disseminação do vírus. Balneário Camboriú se preparou para a chegada da estação e isso se reflete nos mais de sete mil metros quadrados de canteiros espalhados pela cidade – nas principais avenidas e praças, que estão floridos, transmitindo a fé de que dias melhores virão.
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Ventos fortes, calor e chuvas irregulares: confira a previsão do tempo para a estação

Crédito:pexels.com
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Com previsão de dias mais quentes e desequilíbrios climáticos causados pelo fenômeno La Niña (resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico, que no sul do Brasil é marcado por irregularidade nas chuvas e menor temperatura), a primavera segue até 21 de dezembro.

Segundo a meteorologista da Epagri/Ciram, Gilsânia Cruz, a previsão para o período da primavera é de chuvas abaixo da média climatológica, com irregularidades causadas pelo La Niña e chances de dias consecutivos sem chuvas em Santa Catarina – a exemplo do que já vinha acontecendo há alguns meses. Porém, a especialista aponta que ainda não é possível afirmar se o Estado realmente passará novamente por um período de grave seca, já que normalmente a primavera é marcada por níveis altos de chuva, mesmo que abaixo da média dos outros anos. Gilsânia alerta que há chance inclusive de fortes tempestades que podem ocorrer quando chover, com ventania expressiva.

Sobre a temperatura climatológica, em outubro as mínimas devem ficar entre 9°C e 13°C do Oeste ao Planalto e parte do Litoral Sul. Nas demais regiões, ficam acima de 14°C. As máximas é de 28°C na maioria das regiões, e abaixo de 20°C em uma pequena área do Planalto Sul. Já para novembro, as mínimas variam de 10ºC a 18ºC e máximas acima dos 25ºC em todas as regiões de Santa Catarina.

O Laboratório de Climatologia da Universidade do Vale do Itajaí (Labclima Univali) confirma a previsão da meteorologista, lembrando que o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) para o trimestre indica chuva abaixo da média, contudo, apresenta nos modelos de anomalias mensais, chuva acima da média para outubro e novembro, e abaixo da média em dezembro.

Conforme os dados históricos para região é esperado temperaturas mínimas de 17/18/19°C para o trimestre outubro, novembro e dezembro, e as temperaturas máximas de 24/26/28°C respectivamente. O Labclima cita ainda que a primavera é uma estação de transição, ou seja, em sua primeira metade com características de inverno, e na segunda, do verão, com as temperaturas variando entre mais amenas a dias mais quentes conforme o verão se aproxima.

Primavera é o ‘terror’ das alergias e doenças respiratórias: infectologista alerta para público não se alarmar

A Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI) estima que no Brasil há quase 40 milhões de pessoas afetadas pela rinite, e essa população sofre com a chegada da primavera, já que o pólen se espalha pelo ar em maior intensidade nessa estação e isso estimula o processo inflamatório da mucosa respiratória, que pode intensificar os sintomas comuns das doenças respiratórias, como tosse, espirros e coriza.

Em plena pandemia de Covid-19, esses efeitos indesejados assustam, mas é preciso calma, já que a rinite, bronquite, sinusite, asma não são transmissíveis.

A médica infectologista Rosalie Knoll lembra que não há uma preocupação maior com a chegada da primavera, mas que o que tende a acontecer é que as pessoas podem ficar confusas já que podem espirrar ou tossir um pouco mais, acreditando que é Covid-19.

“Se você tem rinite, você precisa ver como a sua alergia se comporta. É comum elas [as alergias/doenças respiratórias] se exarcebarem por conta do pólen e da mudança de temperatura que acontece agora, mas não pode ser confundido com infecção pelo Coronavírus”, diz.

A infectologista aconselha que a comunidade se hidrate, bebendo muita água, tenha bastante cuidado com o ambiente, mantendo-o livre de poeira e também é adequado limpar a cavidade nasal.

“Pode usar soro fisiológico, é muito importante essa limpeza, assim como a de casa e do trabalho, quanto mais limpos e arejados, mais saudáveis. Essa lição da pandemia temos que levar para o resto da vida, assim como distanciamento social se você está espirrando, tossindo ou com coriza. Sei que qualquer tosse que temos já gera uma ansiedade, mas a epidemia já diminuiu bastante, a curva está bem descendente, nem se compara a julho e agosto”, explica.

Balneário está florida: Paisagismo trabalha diariamente por toda a cidade

As equipes do setor de Paisagismo, que pertence à Secretaria de Obras, trabalham diariamente na manutenção dos mais de sete mil metros quadrados de canteiros espalhados por Balneário Camboriú, em praças da cidade como também nas avenidas.

A diretora do departamento, Neuza Thomé Pereira, conta que para a primavera-verão são plantadas diversas espécies de flores, como sálvia vermelha, impatiens (popularmente conhecida como beijinho), torênia, tagete e tagetão.

“São flores coloridas, um mix. A sálvia é vermelha, mas o foco são espécies que possuem tons intensos, e priorizamos também aquelas que são resistentes a chuva”, diz.

Neuza, que trabalha há 18 anos no Paisagismo, salienta que a cidade sempre foi referência no quesito flores – tanto que possui uma avenida nomeada como tal (a Avenida das Flores, no Bairro dos Estados, que sempre precisa estar florida, segundo a diretora), e que os moradores questionam quando os canteiros estão ‘vazios’, e que por isso tentam sempre mantê-los ativos.

“Não é só o plantio. Trabalhamos diariamente na manutenção, limpeza, irrigação, adubação. Temos em média mais de sete mil metros quadrados de canteiros de flores em Balneário Camboriú”, explica.

A diretora opina que a época ‘mais bonita’ dos canteiros é a atual, já que agora elas estão mais vivas, enquanto no verão estão um pouco diferentes.

“Agora elas estão mais variadas. Posso dizer que a nossa cidade está 90% florida nesse momento. Há também muitas árvores espalhadas pelo município, como o ipê-amarelo, que é a nossa árvore símbolo, e isso ajuda a deixar as ruas ainda mais bonitas”, completa.

Viveiro é uma alternativa para a preservação

Foto: Divulgação

Em meio a polêmicas com as queimadas ocorridas recentemente na Amazônia e no Pantanal, é tempo de lembrar que um dos principais biomas existentes é a nossa Mata Atlântica, com uma enorme diversidade em sua fauna e flora. Na segunda-feira (21) foi comemorado o Dia da Árvore, data que antecede a primavera e tem o objetivo de conscientizar a população da necessidade de cuidar e proteger a natureza. A secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú, Maria Heloísa Lenzi, lembra que as ações humanas causaram e vêm causando danos significativos à fauna e flora, onde o desmatamento predomina e o mau uso do solo diminui a vida deste bioma tão importante, citando ainda que os recursos estão se esgotando gradativamente e que a ocupação humana em locais inapropriados e sem saneamento algum contribui para o despejo de resíduos sólidos em todas as bacias hidrológicas, aumentando ainda a contaminação de rios.

Um viveiro de mudas nativas é uma alternativa para a preservação, e Balneário conta com o Viveiro Mata Atlântica, situado no Parque Natural Municipal Raimundo Gonçalez Malta – no Bairro dos Municípios e aberto diariamente para prática de caminhadas com entrada gratuita das 13h às 17h, que faz o cultivo e distribuição de mudas de plantas nativas, atualmente contando com 56 espécies entre opções com beleza paisagística e até frutíferas.

Em 2020, até o momento o Viveiro realizou quase 500 atendimentos, onde distribuiu-se 2.057 mudas; no ano de 2019, foram doadas 4.266 mudas, atendendo 707 pessoas.

  • O atendimento no Viveiro Mata Atlântica acontece nas terças e quintas das 14h às 17h.

Parque Raimundo Malta passou por melhorias

O Parque também passou por melhorias recentemente, pois foi afetado pelo ciclone bomba que atingiu Balneário Camboriú no final de junho, com a colocação de novas placas informativas que divulgam a fauna e flora existente, que é também a sede da Secretaria.

O conhecido labirinto que há no local também foi reformulado, com utilização de Clausia (mangue-de-formiga), espécie nativa da região.

“A espécie que tinha antes morreu em função do sombreamento e essa vai se adaptar melhor, porque é daqui”, diz.

Outra novidade é a licitação para a implantação de um gazebo coberto, onde poderão ser realizados pequenos eventos – proibidos agora por conta da pandemia, mas futuramente lá podem acontecer aniversários, chás de bebê, e também cerimônias da secretaria e aulas de Educação Ambiental, do projeto Terra Limpa.

Balneário tem mais de 11,5 mil árvores

A secretária salienta que foi realizado um geo-processamento que estimou que há hoje em Balneário Camboriú 11.551 árvores isoladas em áreas públicas – esse número provavelmente é maior, e não compreende locais como o Parque Raimundo Malta e morros da região, como os da Região do Interpraias.

“Nossa cidade é uma das mais arborizadas da região, temos algumas espécies que são consideradas patrimônio do município, como as amendoeiras da Avenida Atlântica(foto), e as figueiras, que são protegidas por lei”, comenta.

Há ainda a preocupação com o plantio errôneo das espécies, principalmente as de grande porte, que podem causar problemas, como as raízes, que podem prejudicar a fiação e até mesmo invadir casas e levantar calçadas, como é comum ver pela cidade. Por isso, a Secretaria do Meio Ambiente pede que a comunidade seja consciente quanto a isso, optando por plantar espécies nativas, que possuem raízes não agressivas e copas menores, além ainda de precisar seguir o manual de poda e corte elaborado pela Secretaria.

Ipê-amarelo: a árvore símbolo de Balneário Camboriú

Fotos: Renata Rutes

A secretária Maria Heloísa lembra que Balneário possui uma árvore símbolo, o ipê-amarelo. Ipê vem do tupi-guarani e significa casca grossa, que é o tronco bem desenhado. O ipê-rosa não tem o tronco tão grosso, mas o amarelo sim. Ele serve tanto para arborização urbana quanto para paisagismo. Além do ipê-amarelo ser a árvore símbolo de Balneário, a flor dele é símbolo nacional, já que é dourada e remete a bandeira e ao ouro que tinha no Brasil.

Há diversos ipês-amarelos em Balneário, a exemplo do que fica na Rua Uganda, no Bairro das Nações, além de alguns na Marginal Oeste. É uma árvore de grande porte, liberada para ser plantada na cidade, podendo chegar a 30 metros de altura. Há mudas dela disponíveis no Viveiro Mata Atlântica, que podem ser retiradas gratuitamente pela comunidade.

Primavera também incentiva o público a comprar flores

Por ser conhecida como a estação das flores, a primavera também atrai a comunidade para as floriculturas e em Balneário Camboriú isso não é diferente. A empresária Susana Mendes, proprietária da floricultura Kasa da Flor, conta que nesta época do ano o público realmente começa a organizar seus jardins, e que mesmo com a pandemia isso tem acontecido.

“As pessoas querem deixar tudo mais bonito e colorido, a procura realmente aumenta muito mais. Trabalhamos com muitas variedades de flores, com valores a partir de R$ 2,50. Nessa época as mais procuradas são celósia, tagete, impatiens e onze horas”, explica.

  • A Kasa da Flor fica na Terceira Avenida, esquina com a Rua 2.950, no centro de Balneário, e atende ao público de segunda a sábado das 8h30 às 18h30, sem fechar para o almoço.
  • A floricultura faz entregas e também presta serviços de jardinagem. Mais informações: 3367-1152.

Mercado da moda foi afetado: tendência segue sendo o conforto (e o tie dye!)

Moda Comfy.

Moda tie dye.

O segmento da moda foi um dos mais prejudicados pela pandemia de Covid-19, ainda no inverno os números de vendas caíram drasticamente, com o público comprando basicamente moletons e pijamas. O cenário mudou um pouco, porém a busca pelo conforto continua sendo uma prioridade. Quando os clientes vão até as lojas, eles sabem o que querem, e ficam menos tempo nos estabelecimentos, principalmente porque ainda não é possível provar roupas: em SC foi liberado, mas em Balneário, por estar na faixa laranja (Risco Potencial Grave), não.

A designer de moda e arquiteta, Giovana Castellano, explica que as pessoas estarem muito mais em casa por conta da quarentena as incentivou a pararem de consumir roupas, tendo necessidade apenas de adquirir peças confortáveis, com o moletom realmente sendo um destaque.

Gigi, como é conhecida, salienta que o tie dye foi uma surpresa, mas que surgiu exatamente porque as pessoas começaram a produzir em casa. A técnica, que ganhou fama nos anos 60 com o movimento hippie, voltou com força. O nome em inglês significa amarrar e tingir – e o procedimento é exatamente esse.

“A reutilização já estava crescendo antes da pandemia e agora ainda mais, tanto para economizar quanto para passar o tempo. A combinação do moletom, inclusive com conjuntos, e o tie dye viralizou. Você abre o Instagram e é só o que aparece”, destaca, lembrando que não há uma tendência específica e que grande parte das empresas de confecção estão investindo em peças mais ‘soltinhas’ e confortáveis, exatamente o que o público está procurando quando querem adquirir algo novo.

A designer também é arquiteta, e pontua que os dois segmentos normalmente andam juntos, mas que a arquitetura cresceu com a pandemia, já que exatamente por conta de as pessoas estarem mais em casa elas passaram a ver o que queriam mudar, e o mercado aqueceu. Porém, há o problema da falta de matéria-prima, como alumínio e MDF.

“Puxando para a primavera, também percebi uma necessidade nas pessoas em cuidarem de plantas, elas voltaram a ter essa vontade, também para passar o tempo e para darem vida às suas casas”, comenta.

Giovana vê que a pandemia fez as pessoas repensarem suas vidas, vendo que é possível viver com muito menos, de forma mais simples, e consequentemente o consumo da moda será repensado.

“O estudo da indústria têxtil começa muito antes. Por exemplo, há dois anos a tendência foi lançada na Europa, e somente agora aqui. Não tinha como as marcas estarem preparadas, então os estudos e apostas precisaram ser alterados. As empresas se readequaram às necessidades de momento, não acredito que alguém imaginava e apostava no tie dye, por exemplo”, diz, opinando que o recomeço que o segmento terá tende a ser positivo, com o conforto devendo continuar em alta.

“A moda vai precisar ser repensada, será necessário começar do zero. Assim como na arquitetura: antes o home office estava engatinhando, as pessoas não o viam como necessário, priorizavam grandes escritórios, e agora todos pedem para incluir um em casa, é uma prioridade”, completa.



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