Prosperidade na superfície, poluição por baixo: o que separa BC e Camboriú reflete o que falta em SC

De um lado, Balneário é modelo em saneamento; do outro, Camboriú corre contra o tempo. As duas faces da mesma bacia mostram o abismo entre os números e a realidade catarinense

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Santa Catarina é vista como sinônimo de prosperidade. O estado lidera o crescimento econômico na região Sul do Brasil – de acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), entre 2001 e 2024, Santa Catarina apresentou um crescimento médio de 2,5% ao ano. Segundo os pesquisadores, os números vêm do processo que conecta inovação e tecnologia aos setores tradicionais da indústria catarinense, representadas por empresas como WEG, Intelbras, Gelnex e Duas Rodas.

PIB de Santa Catarina mantém liderança de crescimento no país. (Foto Eduardo Valente/Secom)

Destaque em IDH, economia e geração de empregos

O estado se destaca no crescimento econômico, com PIB em alta de 5,4%, conforme os dados atualizados do 2º trimestre de 2025, segundo estimativa da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan-SC), que analisou os 12 meses encerrados em junho, frente ao mesmo período do ano anterior, com ritmo acima da média nacional (que avançou 3,2% na mesma comparação).

Santa Catarina em números. Crédito Canva/Página 3

Santa Catarina também ostenta indicadores sociais de destaque: é o terceiro estado brasileiro com o melhor IDH (0,792, atrás apenas do Distrito Federal e de São Paulo, segundo dados do IBGE); ocupa a 5ª posição no ranking de maiores saldos de emprego no país, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia – o estado gerou 83.817 novos postos formais no acumulado do ano, entre janeiro e agosto, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) e, segundo anunciado pelo IBGE em agosto deste ano, a taxa de desemprego em SC é de 2,2% – a menor do Brasil e também a menor da série histórica iniciada em 2012.

Esse desempenho atrai migrantes de todas as partes. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, Santa Catarina foi o estado que mais recebeu novos moradores no país: se mudaram para SC 503.580 imigrantes interestaduais entre 2017 e 2022, o que resultou em um aumento de 4,66% da população total, a maior taxa de crescimento por migração no Brasil no período.

O maior desafio de Santa Catarina: saneamento básico

Mas, enquanto cresce em riqueza e atratividade, o estado ainda enfrenta um desafio: o saneamento básico. Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA) mostram que apenas 33,97% da população catarinense tem acesso à rede coletora de esgoto (a média total do Brasil, calculada a partir do SINISA, foi de 55,2%), um número que contrasta com a cobertura de abastecimento de água em SC (89,59%) e com o avanço observado em outras áreas no estado.

Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA) mostram a realidade e os desafios que SC enfrenta. Arte do infográfico gerada via ChatGPT.

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) possui o painel Saneamento básico, disponível na ferramenta Farol TCE/SC dentro do portal da instituição e, com base nos dados do SINISA, foi feito um cálculo alternativo, que considerou a população total residente no estado (estimada em 8.187.029 habitantes, segundo divulgado pelo IBGE em agosto deste ano), sem restrição à condição de atendimento ou delegação formal, e a estimativa feita indica um índice ainda menor: 29,08%.

A maioria das cidades de SC não possui cobertura de esgotamento sanitário hoje. A foto é da cidade de Camboriú. (Foto Renata Rutes)

O cenário expõe uma contradição: o mesmo estado que desponta em tecnologia, inovação, economia e qualidade de vida ainda está longe de conseguir garantir a universalização de um serviço básico, aquele que mais impacta a saúde pública, o meio ambiente e a dignidade das pessoas. O desafio é cumprir, em pouco mais de oito anos, a meta do Novo Marco Legal do Saneamento, que prevê 90% da população atendida com coleta e tratamento de esgoto até 2033. 

Regionalização do Saneamento

Na foto, o presidente da CASAN, Edson Moritz, no VI Fórum Novo Saneamento, ocorrido em agosto deste ano, quando abordou a Regionalização do Saneamento como prioridade do Governo de SC. (Crédito CASAN)

Para alcançar o objetivo, o estado precisa fazer duas vezes mais do que foi feito até agora e há planos para isso. Durante o VI Fórum Novo Saneamento, realizado em agosto deste ano em São Paulo, o diretor-presidente da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN), Edson Moritz, afirmou que a Regionalização do Saneamento é a ‘prioridade número um’ da atual gestão, para assim ‘garantir segurança jurídica, escala e eficiência para ampliar o acesso à coleta e tratamento de esgoto no estado’. Para isso, é necessário aprovar uma lei de regionalização contemporânea e o objetivo é que isso aconteça ainda  em 2025.

R$ 50 bilhões de investimento privado para alcançar o Novo Marco Legal do Saneamento

O foco do governo de Santa Catarina, através da Regionalização, é conseguir construir condições para permitir a entrada de capital privado (isto é – investimento privado) estimado em R$ 50 bilhões (ao longo da próxima década) e assim realizar as obras de saneamento no estado. Moritz afirmou que isso deve ocorrer a partir de 2027 assim e atingir a universalização do saneamento até 2033.

Saneamento é um desafio em SC. Na foto, obra de implantação de rede de esgoto em São Francisco do Sul. Crédito Aegea.

O modelo em construção prevê protagonismo dos municípios na governança regional (através de unidades regionais/blocos de municípios), sob a liderança da Federação de Consórcios, Associações de Municípios e Municípios de Santa Catarina (Fecam), com participação direta na definição de projetos, modelagens e critérios de aplicação dos recursos. Caso dê certo, a Regionalização do Saneamento promete permitir a diluição de custos, tarifas mais justas e uniformização de padrões regulatórios.

Planasa e Marco Legal do Saneamento

O engenheiro sanitarista e ambiental Gabriel Fasola, que atualmente ocupa o cargo de Gerente de Planejamento Regional em Santa Catarina da Aegea (que atualmente atende no estado São Francisco do Sul, Penha, Camboriú, Bombinhas e Palhoça), a maior empresa privada de saneamento básico do Brasil, explica que o saneamento do estado começou a se desenvolver ainda na década de 70, com a criação do Plano Nacional de Saneamento (1971), foram criadas as companhias estaduais (como a Casan) e o ‘boom’ do saneamento aconteceu bastante focado em água – algo visível com o número de cobertura de abastecimento de água em SC (89,59%).

O engenheiro sanitarista e ambiental Gabriel Fasola, que atualmente ocupa o cargo de Gerente de Planejamento Regional em Santa Catarina da Aegea. (Foto Renata Rutes)

“Depois disso houve um bom lapso de tempo em que os investimentos pararam e aí agora, com o Marco Legal do Saneamento, em 2020, houve uma nova retomada dos investimentos de forma mais acelerada – se criou um ambiente sobretudo regulatório um pouco mais seguro para as iniciativas privadas começarem a fazer os investimentos, e o mercado abriu. É possível ver um crescimento da participação privada no saneamento muito maior a partir de 2020. O principal foi o destrave disso, esse ambiente regulatório político, que aconteceu a partir de então”, explica Gabriel.

Gabriel comenta que os investimentos cresceram, mas que para SC alcançar a meta do Marco, que é 90% de cobertura de esgoto até 2033, exigirá um orçamento robusto bilhões a cada ano, conforme já citado nesta reportagem. 

A cidade de São Ludgero, localizada no Sul de Santa Catarina, é hoje o único município catarinense que alcança 100% de coleta e tratamento de esgoto no estado (tratamento via rede e sistemas individuais adaptados). O trabalho começou ainda em 2015, quando foi lançado o projeto ‘São Ludgero 100% Esgoto Sanitário Tratado’ e o grande desafio era levar redes de esgoto nas áreas consideradas irregulares, além do perímetro urbano, o que foi possível com o Programa de Regularização Fundiária Lar Legal, do Governo de SC.

Projeto São Ludgero 100% Esgoto Sanitário Tratado foi lançado ainda em 2015. (Foto Prefeitura de São Ludgero)

A iniciativa, que contou com suporte de um grupo gestor formado por setores públicos como secretarias de Saúde, Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo, Vigilância Sanitária, do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Samae) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), também trabalhou para detectar e regularizar possíveis ligações clandestinas.

Prefeitura de São Ludgero retomou neste ano a instalação de fossas sépticas no interior do município. (Foto Prefeitura de São Ludgero)

Na zona rural, onde não existe rede de esgoto, foram instalados Sistemas Individuais de Tratamento (SIT) ou kits de fossas sépticas adaptados localmente (em parceria com a Epagri). Inclusive neste ano foram retomadas as instalações de fossas sépticas no interior do município, justamente para manter a universalização do saneamento básico. O prefeito da cidade, Paulo Lorenzetti, explicou que seu objetivo é continuar investindo em infraestrutura e assim proporcionar mais saúde e bem-estar para a população. “São Ludgero tem sido uma referência em saneamento, e essa ação reforça o nosso compromisso com a qualidade de vida dos munícipes e a continuidade em um trabalho que foi muito positivo para nosso município ao longo dos últimos anos”, afirmou.

A prefeita Juliana e o prefeito Leonel Pavan com o Rio Camboriú atrás. (Foto Biel Carboni)

Como citado nesta reportagem, a única cidade 100% saneada é São Ludgero, mas há outros municípios que se aproximam da universalização, e um deles é Balneário Camboriú, cidade que também ostenta o título de metro-quadrado mais valorizado do Brasil, que tem hoje 95% de eficiência no tratamento e coleta de esgoto. Porém, sua cidade vizinha, conhecida também por ter sido sua ‘mãe’ (Balneário pertencia a Camboriú antes da emancipação, há 61 anos), Camboriú, vive uma realidade bastante diferente. Os dois municípios também possuem uma característica que foi notícia nacional – são administrados por um pai, Leonel Pavan, prefeito de Camboriú, e sua filha, Juliana Pavan, prefeita de Balneário Camboriú. Vale citar que Leonel também foi prefeito de Balneário, nas décadas de 1990 e 2000.

Balneário Camboriú, a capital do turismo de Santa Catarina, enfrentou problemas em sua Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) (ainda em 2020 foram identificadas bolhas no tanque de aeração, porque houve um rompimento da geomembrana e consequente falha na eficácia do tratamento de esgoto) e foi manchete nacional devido a sua Praia Central estar imprópria para banho.

Gases criaram bolhas na manta de impermeabilização da ETE da Emasa, ainda em 2020, prejudicando a situação do esgoto da cidade. (Foto IMA SC)

Balneário Camboriú recebe milhões de turistas que escolhem a cidade para passar o verão, mesma estação em que algumas doenças costumam aumentar – como as tradicionais viroses. Problemas (ou falta de) com o esgotamento sanitário também possuem ligação direta com a saúde pública, pois doenças como as viroses são causadas por micro-organismos em água não tratada ou contaminada.

Saneamento e a saúde pública: 6.565 casos de diarreia em 2025

A Vigilância Epidemiológica de Balneário Camboriú explica que a virose é o termo dado para determinados tipos de doença, com algumas delas sendo causadas por vírus que se tornam mais comuns nas estações mais quentes do ano. Com uma movimentação e aglomeração maior de pessoas nesses períodos, os vírus tendem a proliferar com mais facilidade. 

Segundo a Vigilância, antes da pandemia de Covid-19, Balneário Camboriú contava com menos unidades de saúde sentinelas para realizar as coletas de dados referentes às viroses, e após isso passou a levantar dados de todas as unidades de saúde do município, o que acarretou em um aumento dos números registrados. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, em 2024, Balneário Camboriú registrou 5.260 casos de diarreia. De janeiro a setembro de 2025, o número registrado foi de 6.565.

“A Vigilância Epidemiológica coleta esses dados semanalmente, conforme orientação do Ministério da Saúde e Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina. É importante destacar que não são doenças de notificação compulsória. Ressalta-se que as viroses não são exclusivamente da água ou somente de alimentos. As viroses mais comuns são as respiratórias, como gripe e resfriado, e as gastrointestinais – diarreia. Por isso é importante manter a higiene, a fim de se prevenir contra esse tipo de doença”, foi destacado pelo órgão.

Investimentos e melhorias no saneamento

A atual prefeita, Juliana Pavan, acompanhou a situação da crise sanitária vivenciada pela cidade de perto, pois estava como vereadora. Por isso, quando assumiu a prefeitura em janeiro de 2025, teve isso como uma das prioridades de seu governo. Houve a troca do lodo ativado – medida que reduziu significativamente o mau cheiro que há anos afetava os moradores do Bairro Nova Esperança e de regiões próximas, como Barra e Barra Sul, também foi realizada a correção de falhas hidráulicas no 4º decantador e a substituição das membranas da lagoa de aeração por peças originais, o que impactou diretamente no aumento do grau de eficiência do tratamento.

A prefeita Juliana na ETE de Balneário Camboriú. (Foto Biel Carboni)

Além disso, a prefeitura está investindo no conserto de um decantador que está inativo desde 2019, o que representará um reforço essencial para a estrutura, também está em construção uma nova estação de esgoto primário, com investimento de R$ 33 milhões, e estão realizando melhorias que permitirão aumentar em até 30% a capacidade de tratamento da ETE, para atender a alta demanda da temporada de verão.

Emasa avança nas obras da nova Estação de Tratamento de Esgoto Preliminar. (Foto Pedro Crestani)

O problema estava além da ETE

A reportagem esteve na ETE, onde foi acompanhada por Auri Pavoni, diretor-presidente da Empresa Municipal de Água e Saneamento, Emasa. Ele lembrou que mesmo com a melhora das condições da Estação, foi descoberto outro problema de saneamento – pela primeira vez a cidade tem em mãos um diagnóstico completo da rede de esgoto e o levantamento mostrou que há infiltrações, ligações clandestinas e cruzamentos entre rede pluvial e cloacal na Avenida Brasil (uma das principais avenidas da cidade), que estão sobrecarregando o sistema, elevando custos e colocando em risco a balneabilidade da Praia Central.

Auri Pavoni na ETE de Balneário Camboriú. (Foto Renata Rutes)

Resumindo, quando chove em Balneário, mistura a água da chuva com o esgoto e causa poluição no rio e mar. As redes pluvial e cloacal precisam funcionar lado a lado, mas separadas. Hoje, se encontram de forma errada – quando há transbordamento nas ruas é sinal que estão misturadas as redes.

O Projeto Praia 100% Limpa

O plano apresentado, batizado de Projeto Praia 100% Limpa, prevê até 18 meses de intervenções para corrigir as falhas estruturais da rede. O foco principal é recuperar os pontos de balneabilidade da Praia Central. Entre as primeiras medidas estão: Novo coletor tronco e rede auxiliar na Rua 3.700, com investimento de R$ 2,8 milhões (obra já em licitação), reforma de filtros e impermeabilização da Estação de Tratamento de Água (R$ 2,7 milhões), reforma estrutural do decantador 3 (R$ 1,5 milhão), aquisição de novas bombas (R$ 6,94 milhões até novembro) e atualização do parque de hidrômetros com 15 mil unidades novas, no valor de R$ 2,34 milhões.

Balneário Camboriú apresentou situação do esgoto da Avenida Brasil em setembro, em coletiva de imprensa. (Foto Renata Rutes)

Já a recuperação completa do esgoto da Avenida Brasil deve custar, no total, cerca de R$ 60 milhões até 2026. Neste momento, a Emasa está com R$ 25 milhões em superávit, resultado de cortes e aumento de arrecadação nos primeiros meses da atual gestão. A receita prevista para 2025 é de R$ 140 milhões, sendo que o custo com pessoal é de R$ 21 milhões. A Emasa estima que 60% são destinados ao tratamento de esgoto (R$ 71 milhões por ano).

A etapa mais sensível será a recuperação do emissário da Avenida Brasil, que exigirá intervenções em toda a extensão da via. Serão abertas linhas auxiliares para evitar que o esgoto retorne aos prédios, enquanto uma técnica de injeção de material vitrificado dentro dos tubos recuperará o emissário. A ideia é que a obra inicie neste ano, ainda antes da temporada, pela Rua 3.700 em direção à 2.900 (os trabalhos devem seguir até início de dezembro e ser retomados após o verão). Pavoni relatou que fará duas linhas de esgoto, na questão de um metro e meio do meio fio, de lado a lado, para conectar todas as ligações diretas na Brasil nessa nova linha. 

Impactos na ETE

O diretor explicou que a importância dessa obra é perceptível porque até mesmo em uma segunda-feira (15/09/2025, data em que a reportagem esteve na ETE), com dia de sol, havia chovido no dia anterior – mas não de maneira expressiva, a Estação estava recebendo 600 litros por segundo de esgoto.

No dia que a reportagem visitou a ETE de Balneário Camboriú, a estação estava recebendo 600 litros de esgoto por segundo. (Foto Renata Rutes)

“Era para estarmos recebendo em torno de 400 litros de esgoto por segundo na ETE. Ou seja, se cada pessoa produz em torno de 150 litros/dia, estamos tratando esgoto hoje equivalente a uma cidade de 345 mil pessoas, mais do que se fosse Balneário Camboriú e Camboriú juntas”, informou.

Na foto, Auri Pavoni mostra as lagoas desativadas, onde vivem muitos jacarés. Inclusive o mascote da Emasa se chama Jacamasa inspirado nos primos que vivem nas lagoas. (Foto Renata Rutes.)

Situação melhorou significativamente

Algo muito apontado pelos moradores da região sul de Balneário Camboriú era o fedor intenso que vinha da Estação quando houve a crise sanitária. Hoje, o odor na ETE é praticamente inexistente.

Um dos processos da estação de esgoto primário. (Foto Renata Rutes)

“Estamos com eficiência hoje (15/09) de 97%. Na semana passada baixou um pouquinho porque tivemos que parar um decantador para fazer uma manutenção, mas fica sempre acima de 90%, então a estação está bem controlada. Fizemos todas as correções que precisavam ser feitas e, na temporada, como previmos que virão muitas pessoas, o nosso limite de 500 l/s ficará na média de 700 l/s, por isso vamos injetar oxigênio líquido, porque o nosso tratamento é a base de oxigênio. Ou seja, ele é uma estação de lodo de aeração prolongada, que é basicamente o oxigênio. Como nós não temos como aumentar o tamanho da lagoa de tratamento, nós vamos aumentar a quantidade de oxigênio para assim tratar mais esgoto sanitário em Balneário”, acrescentou.

Auri mostra um dos processos da ETE. Cheiro no local é praticamente inexistente. (Foto Renata Rutes)
ETE de Balneário Camboriú viveu períodos difíceis, mas hoje está consideravelmente melhor. (Foto Renata Rutes)

Possível novo modelo para tratar esgoto

Outra novidade foi anunciada pela prefeita Juliana Pavan na primeira semana de outubro – ela esteve em Brasília, onde se reuniu no Ministério das Cidades com Roberto Nami Garibe Filho, secretário adjunto do Novo PAC, programa de investimentos coordenado pelo governo federal.

Juliana Pavan e Auri Pavoni em Brasília, no Ministério das Cidades com Roberto Nami Garibe Filho. Foto PMBC.

“Estive com ele para apresentar o projeto de um novo sistema de tratamento de esgoto para Balneário Camboriú de ultrafiltração. É um modelo mais moderno e eficiente do que o atual de lodo aditivado. Já atingimos 98% de captação de esgoto e 95% de eficiência logo no primeiro ano de governo, mas precisamos avançar. Esse novo modelo foi cadastrado, seria dentro da nossa ETE, em outra área, já foi cadastrada no PAC e é para agora – pedi prazo e deve vir em breve a resposta, ainda neste mês de outubro. Apresentamos em tempo hábil o projeto, e agora vamos aguardar para vir a notícia positiva”, disse.

A prefeita detalhou o projeto – o lodo absorve a água da chuva, que acaba se misturando com o próprio esgoto, e passa pelo tratamento de depuração.

“Isso acaba aumentando ainda o volume de esgoto e, consequentemente, todos os custos de operação da própria companhia – o cálculo feito pelo Auri Pavoni é que gastamos uns R$30 milhões a mais por mês para tratar a água que está misturada com o esgoto. Então, no caso, com esse novo modelo, se o município de Balneário Camboriú puder ser contemplado, essa situação histórica vai ser solucionada e vai trazer essa economia que vai poder ser investida em outras ações”, acrescentou.

Integração com Camboriú

Juliana também abordou a necessidade de Camboriú avançar no tratamento do esgoto. Segundo ela, a integração com o município de Camboriú está acontecendo na prática e cita como exemplo a conquista de verba para o Parque Inundável no PAC – Prevenção a Desastres Climáticos, do governo federal, que destinou mais de R$ 120 milhões para a execução do projeto, sendo R$ 73 milhões a fundo perdido e R$ 50 milhões via financiamento.

O Parque Inundável Multiuso na Bacia do Rio Camboriú é o principal projeto contemplado pelo Novo PAC, representando o maior orçamento entre os que foram aprovados- R$ 73 milhões.  

O Parque é um projeto de grande porte que tem como principal objetivo garantir segurança hídrica e prevenir enchentes na região; prevê a construção de uma barragem de contenção no Rio Camboriú, vai controlar o nível da água em períodos de chuva intensa e também formará uma área de lazer e preservação ambiental. 

“Foi com a força da equipe de Balneário e de Camboriú que nós conseguimos cadastrar e, com articulação política, pudemos ser contemplados pelo governo federal. Mas é importante falar que a preocupação precisa ser das duas cidades. E é. O prefeito Leonel Pavan está correndo com isso, inclusive porque o município de Camboriú está crescendo. É uma cobrança minha também para que a parte de esgotamento sanitário de Camboriú possa acontecer o mais rápido possível, pois isso impacta também em Balneário Camboriú”, afirmou.

Encontros entre as prefeituras de Balneário e Camboriú para discutir saneamento acontecem com frequência. (Foto PMBC)

O diretor-presidente da Emasa, Auri Pavoni, também falou sobre a importância de Camboriú fazer o ‘dever de casa’ e avançar com seu esgotamento sanitário.

“É uma questão que a sociedade cobra e os moradores tendem a pressionar para que isso acelere. A nossa bacia hidrográfica é pequena e acredito que, num horizonte não tão longo, teremos ela toda saneada. Estando na Emasa, eu tenho uma noção maior do problema, e que a ETE era só uma parte. Eu moro em Balneário desde 1986, quando as lagoas eram da Casan, tinham cheiro ruim, não tinham eficiência. Em 2012 foi inaugurada essa nova estação, no início tinha eficiência acima de 90%, semelhante ao que nós temos hoje, e nos últimos anos isso se perdeu. Temos que levar saneamento a sério, tratar todos os problemas, que mesmo sendo complexos, podem ser resolvidos. Acredito que assim conseguiremos avançar na questão de qualidade ambiental”, completou.

Balneário Camboriú também enfrenta problemas com rios poluídos, como é o caso do Rio Marambaia, que corta o Centro da cidade e o Pontal Norte, e do Rio Peroba (que aparece nesta foto), no Bairro dos Municípios. (Foto Renata Rutes)

A situação de Camboriú não é muito diferente quando se compara com a de muitos municípios catarinenses. Há moradores que inclusive dizem que não sabem se acreditam que um dia verão a cidade saneada – é o caso do morador que preferiu se identificar somente como Carlos, de 63 anos, que reside e tem um pequeno comércio no Bairro Santa Regina. 

Em quatro horas mais de duas toneladas de lixo retiradas do Rio Camboriú e das suas margens na ação Todos Pelo Rio Camboriú, que aconteceu em março deste ano. Foto Renata Rutes

“Moro e trabalho aqui toda a vida. Sei que já fizeram abaixo-assinado, em 2024 assinaram o documento dizendo que a obra ia acontecer, né? Mas até agora não vi nada. É uma coisa horrível. Sem falar na quantidade de lixo que jogam no rio! Até hoje tiram móveis, sujeirada dele. Agora mudou o prefeito, a filha dele está em Balneário, estamos aguardando… mas tem gente que já cansou de esperar. Eu tenho esperança, estão falando de tantas obras que vão acontecer em Camboriú – Parque Inundável, autódromo, até aeroporto. Vamos ver o que vai acontecer”, disse.

Esgotamento sanitário de Camboriú está avançando

Carlos não está enganado – de fato as três obras citadas por ele (Parque Inundável, autódromo e aeroporto) estão sendo planejadas e devem fazer parte do futuro de Camboriú. É o que afirmou ao jornal o prefeito da cidade, Leonel Pavan.

Leonel Pavan, prefeito de Balneário Camboriú. Foto Renata Rutes

Já sobre o esgotamento sanitário de Camboriú, Pavan explicou que solicitou para a concessionária responsável, a Aegea (Águas de Camboriú), passar a ter um controle mais rigoroso. “Todos os loteamentos já estão contribuindo, pagando, já está havendo um tratamento de esgoto nos loteamentos. E todos os condomínios fechados já estão tratando o esgoto no próprio condomínio. Isto diminui muito a questão do despejo do esgoto no Rio Camboriú. E uma coisa que beneficia muito é que aqui todas as residências têm filtro anaeróbio, então há um controle”, informou.

Pavan quer área no IFC-Camboriú para fazer a ETE da cidade. (Foto Divulgação)

O prefeito pontuou que também avança o possível local onde será instalada a ETE de Camboriú – no Instituto Federal Catarinense, que fica na Rua Joaquim Garcia, no Centro da cidade.

“Já foi destinada uma área para que seja feito o tratamento de esgoto. É o esgoto que seria em filtros, superior, acima da terra, para tratar todo o esgoto de Camboriú, no geral. O IFC está contribuindo conosco. Eles estão prestando um grande serviço e estão sendo muito parceiros para que seja feito o tratamento de esgoto e assim solucionar os problemas. Estamos fazendo a nossa parte e eu sou rigoroso com essa questão”, explicou.

O que diz o IFC

A diretora do IFC Camboriú, Sirlei Albino, explicou que foram realizadas reuniões entre a atual gestão do município e o campus para apresentação de propostas para construção de projetos municipais, porém ainda não há formalização do pedido de cessão por parte da prefeitura.

“Como instituição pública federal, precisamos seguir todos os trâmites legais e burocráticos que envolvem o processo institucional para cessão de qualquer área do campus. O Instituto ressalta ser fundamental que todas as etapas do processo sejam conduzidas com transparência, diálogo com a comunidade e de acordo com as normativas legais vigentes”, afirmou.

Águas de Camboriú explica andamento do esgotamento sanitário na cidade

O engenheiro sanitarista e ambiental Gabriel Fasola conta que a Aegea recebeu as primeiras ETEs de loteamentos, uma iniciativa em parceria com o município que, para poder continuar avançando economicamente, encontrou como uma condição essas ETEs (chamadas de ETEs Compactas), que são equipamentos mais focados nos condomínios e loteamentos. 

ETEs dos loteamentos de Camboriú. (Foto Aegea)

“Só que isso exige também a operação e manutenção desses ativos, então como isso não é uma atividade fim, vamos dizer assim, do próprio município, ele transferiu para a concessionária essa responsabilidade. A Águas de Camboriú já assumiu seis loteamentos, fizemos as recuperações dessas instalações, que agora operam em condições adequadas. Há mais outros para assumir até o final do ano, algumas (ETEs) em situações deficitárias e que precisarão de melhorias. Com isso, chegaremos a 7% de cobertura de esgotamento sanitário no município. Hoje o percentual é de um pouco mais de 2% e iremos chegar em torno de 7%”, relatou.

Águas de Camboriú trabalha para ampliar e atender mais loteamentos de Camboriú. (Foto Aegea)

Gabriel apontou que os sistemas individuais removem em torno de 70% da carga orgânica, então ainda há um percentual de poluição que contribui para a poluição do Rio Camboriú.

“Temos muito o que avançar e o cenário ainda é crítico em Camboriú hoje. De fato há um percentual muito baixo de coleta e tratamento de esgoto na cidade e precisa avançar. Temos pelo menos um direcionador depois que conseguimos aditivar o contrato, ainda em 2024, quando o município cedeu de fato a implantação da obra de esgotamento sanitário para a concessionária, assim foi possível destravar esse ponto e temos um caminho a ser seguido”, informou.

Obra da ETE de Camboriú pode começar em 2026

A novidade é que a Aegea tem planos para iniciar as obras da ETE no ano que vem, o sistema principal. Porém, há etapas para serem vencidas na questão do terreno – o consenso é que o melhor lugar seria o IFC e inclusive já foi feito pela Aegea uma análise do solo, que é o que embasa e a possibilidade de construir uma estação.

Águas de Camboriú assinou aditivo no contrato para fazer a obra do esgotamento da cidade ainda em 2024. Foto Divulgação.

“Já foi um laudo positivo, então nós encaminhamos esses documentos para o município, que é responsável por liberar essa área. Tudo indica que será [no IFC], mas ainda não há uma conclusão de fato. Assim que isso for definido, daremos entrada no órgão ambiental para licenciamento, que é mais uma etapa a ser vencida. O trabalho de esgoto começou a partir do momento que assinamos o termo aditivo. Já possuímos alguns estudos de concepção, a começar pela definição da área, o estudo de dispersão do rio que vai receber esse efluente tratado, o próprio licenciamento. Ano que vem é o início das obras em campo, mas o serviço já começou bem antes. O prazo de 10 anos que demos para finalizar continua. Até 2033 chegaremos nos 90%, como preconiza o Marco”, acrescentou, citando que o foco é transformar o saneamento de Camboriú, que está atrelado a mais qualidade de vida, saúde e avanço econômico.

Vereadores também esperam por definição

Os vereadores de Camboriú também acompanham de perto a situação do saneamento da cidade, como é o caso do presidente do Legislativo, Marlon Borsatto, que é nativo da cidade.

O vereador Marlon Borsatto pontua a importância de Camboriú avançar no saneamento. Foto Divulgação/Gabinete Marlon Borsatto.

“O que sabemos no Legislativo é que ainda nada foi fechado de fato com o IFC, que seria um grande parceiro, porque possui uma extensão territorial muito boa, mas eles (IFC) também têm seus interesses e devem pedir algumas contrapartidas. Mas é mais do que necessário [evoluir no saneamento], se a gente quer pensar na evolução da cidade, na prosperidade, crescimento, para atrair mais investimentos… me parece um pouquinho audacioso querer atrair isso tudo sem ter o mínimo, que seria saneamento básico”, analisou.

Poluição no Rio Camboriú é visível. (Foto Renata Rutes)

Marlon contou que trabalhou na Secretaria de Desenvolvimento Econômico e sua linha de pesquisa na época da faculdade foi na linha de desenvolvimento socioeconômico, quando constatou que uma empresa que quer investir não vai para nenhuma cidade que não tenha saneamento adequado, água, energia e acessibilidade (estradas boas, como ele especificou).

“Nós tivemos boas áreas do nosso município que foram pavimentadas, sobre energia tem agora uma promessa da Celesc de implementar uma subestação em Camboriú, e a água nós conseguimos entregar, mas o saneamento ainda não temos… vejo que é um grande descaso não termos avançado nisso. Precisa iniciar, o pontapé precisa ser dado”, pontuou.

O presidente da Câmara de Camboriú comentou ainda que os vereadores da cidade esperam ansiosos por respostas, porque também são cobrados dos moradores. Marlon contou que o assunto é sempre abordado nas sessões e que é um consenso entre os parlamentares que, se já está havendo cobrança a mais na fatura pelo esgoto, precisa ser feito.

“É para a cidade, nós queremos a obra, e precisamos ver acontecer. Temos casos em Camboriú de esgoto a céu aberto, é uma situação que vivemos desde sempre, e que precisa ser solucionada. Sou morador de Camboriú, nasci aqui, escuto isso desde que eu era criança, na escola, sobre a necessidade de fazermos essa obra, e espero que isso seja resolvido. Tenho uma visão otimista, acredito que vai acontecer, mas temos pressa, porque é uma obra que vai levar anos”, completou. 

Professora analisa importância do saneamento para as duas cidades

A professora Letícia Rabelo, que atua no IFC-Camboriú, possui graduação e mestrado em Engenharia Ambiental, doutorado em Ciência e Tecnologia Ambiental, na área de gestão de bacias hidrográficas, e pós-doutorado em Sociologia Política. Ela destaca que, apesar de Santa Catarina ter índices considerados baixos no saneamento, o caso dos municípios de Camboriú e Balneário Camboriú é também muito grave, justamente por envolver uma bacia hidrográfica pequena, que deveria ser mais fácil de gerenciar.

A professora Letícia. Foto Arquivo pessoal.

“Se para Santa Catarina já é algo vergonhoso, quando a gente olha para a nossa bacia, que envolve só dois municípios, é uma situação que poderia ser facilmente resolvida. Camboriú não tem rede coletora nem estação de tratamento de esgoto, e isso impacta diretamente o Rio Camboriú, que deságua na praia de Balneário Camboriú”, explica.

A fauna do Rio Camboriú. (Foto Renata Rutes)

A ausência de infraestrutura adequada em Camboriú faz com que toda a carga orgânica e poluição chegue ao rio e, consequentemente, às praias, prejudicando também Balneário.

“É um problema que precisamos resolver com urgência”, reforça.

Impactos diretos na saúde pública e no turismo

A falta de tratamento de esgoto, segundo Letícia, não afeta apenas o meio ambiente, mas também a saúde da população e a economia local, especialmente o turismo. Ela cita que, durante o verão, surtos de doenças diarreicas e internações aumentam, o que demonstra a contaminação da água utilizada pela população.

“Quem quer vir para um local em que não se pode nem tomar banho de mar? A praia tem pontos impróprios, e sem tratamento de esgoto essa situação não vai melhorar”, alerta.

Em novembro de 2024, Balneário Camboriú teve 9 dos 15 pontos analisados impróprios para banho. (Foto IMA)

Além disso, Letícia lembra que a imagem da cidade é diretamente afetada.

“O turismo é um dos motores econômicos da região. Se o visitante souber que a praia é imprópria, a tendência é ele não voltar”, complementa.

Um rio entre os mais poluídos do mundo

A professora lembra que o Rio Camboriú já foi apontado em estudos como um dos rios mais poluídos do mundo, resultado da combinação entre esgoto doméstico, agrotóxicos e microplásticos. A principal fonte de contaminação, porém, continua sendo a matéria orgânica: o esgoto sem tratamento que é despejado diretamente no leito do rio.

“É vergonhoso termos uma bacia tão pequena e um rio em condições tão críticas… Temos um rio praticamente morto”, diz Letícia.

Além da poluição pelo esgoto, muitas pessoas também jogam lixo no Rio Camboriú, como garrafas pet. Foto Renata Rutes

Ela explica que a baixa concentração de oxigênio dissolvido na água impede a sobrevivência de diversas espécies de peixes.

“Muitas espécies nativas já desapareceram. Ou seja, isso influencia na pesca, na qualidade da fauna, na balneabilidade da praia e em todo o ecossistema relacionado”, comenta.

Até colchões foram retirados em ação de limpeza do Rio Camboriú realizada em março deste ano, o que mostra a falta de consciência ambiental da população. Foto Renata Rutes.

Balneário Camboriú também enfrenta falhas estruturais

Embora Balneário Camboriú possua rede coletora e estação de tratamento, Letícia afirma que problemas recorrentes na manutenção e ligações irregulares comprometem a eficiência do sistema.

“Há pontos da cidade, inclusive na Avenida Brasil, onde há ligação da rede de drenagem pluvial com a rede de esgoto. Essas falhas acabam permitindo que parte do esgoto chegue novamente ao rio e à praia, agravando a contaminação. Mesmo Balneário, que está muito à frente de Camboriú, precisa de atenção constante. O investimento não pode parar”, ressalta.

Camboriú precisa começar

Para a professora, o desafio maior está em Camboriú, que ainda precisa iniciar a implantação completa da rede e de uma estação de tratamento.

“Começar do zero é muito mais difícil, porque o investimento precisa ser feito de uma vez só. Em Balneário, é possível readequar bairros e otimizar estruturas já existentes. Em Camboriú, é tudo do início, mas importante é começar, e para ontem”, enfatiza.

Consequências futuras: uma região insustentável

Afinal, como esses municípios vão se estabelecer sem água? Foto Renata Rutes

Letícia alerta que, caso os municípios não enfrentem o problema com seriedade, as consequências podem ser as piores possíveis, com prejuízos à saúde pública, perda da qualidade de vida e impactos econômicos severos.

“Afinal, como esses municípios vão se estabelecer sem água e com um rio e uma praia podre? Quem vai querer morar aqui ou visitar se não tivermos água? É preciso urgentemente resolver esses problemas e não adianta só resolver em Balneário. Quando pensamos em uma gestão de bacia hidrográfica, temos que pensar na bacia como um todo, não em municípios separados”, completa.