Jornal Página 3

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Licitação de R$ 550 milhões da CBF terminou com clubes sem receber

Quinta, 13/12/2018 9:06.

(FOLHAPRESS) - A BR Foot Mídia não tem dinheiro para pagar aos clubes as luvas de R$ 100 milhões prometidas pelos direitos de transmissão e exploração das placas de publicidade. Agora, briga com a CBF e tenta suspender o acordo, alegando problemas contratuais.

O acordo, de R$ 550 milhões, foi assinado por 18 clubes do futebol brasileiro, após licitação promovida pela CBF. O processo de concorrência, contudo, foi marcado por inconsistências. A BR Foot Mídia não participou da licitação, por exemplo. A empresa sequer existia na data da disputa.

Entenda melhor o caso por meio das perguntas e respostas abaixo.

O que a licitação oferecia? O que foi colocado a venda?

Após a Rede Globo ceder aos clubes a possibilidade de negociar a transmissão internacional dos direitos de transmissão e a venda das placas de publicidade do Campeonato Brasileiro de 2019 a 2022, a CBF chamou os clubes em julho de 2017 para organizar uma concorrência pela comercialização do serviço.

Quando o processo de licitação foi feito?

A concorrência foi realizada entre janeiro e maio de 2018, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, e contou com a participação de todos os times da Série A. Uma comissão de clubes foi criada entre eles para analisar as propostas apresentadas e escolher a vencedora.

Quem participou da licitação?

A francesa Lagardère, com mais de 1.600 funcionários espalhados pelo mundo e 50 anos de experiência no esporte; as norte-americanas Octagon, que representa centenas de atletas e gerencia cerca de 13 mil eventos por ano, e IMG, com escritórios em mais de 30 países e dona de direitos internacionais da Copa Libertadores e do Campeonato Inglês; a suíça Sinergy; e as brasileiras Klefer, Sport Promotion, Propaganda Estática e BR Newmedia.

Qual foi a proposta vencedora?

A escolhida foi a BR Newmedia com uma oferta de R$ 550 milhões. Uma empresa que, antes, era do ramo de móveis.

Por que a BR Newmedia não assina os contratos com os clubes?

Eles foram repassados a uma empresa de nome, CNPJ e donos diferentes. Essa empresa não existia na época do processo de concorrência e só passou a ser considerada pela Junta Comercial em 4 de julho, após a licitação e os contratos iniciais, que são de 18 de junho. A companhia só passou a existir na Receita Federal em 18 de agosto. Dona da BR Newmedia, Patrícia Coelho confirmou que foi tirada do negócio.

O que a CBF alegou sobre a mudança?

Walter Feldman, secretário-geral da CBF, confirmou à reportagem a mudança de empresas, mas disse que se tratava de um "aperfeiçoamento", e que elas tinham os mesmos componentes, como o advogado Caio Cesar Vieira Rocha, que era o dono da empresa. Segundo o cartola, a análise jurídica da entidade é que não haveria contradição quanto a essa mudança.

Quem é o advogado Caio Cesar Vieira Rocha?

Ele foi ex-presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) entre 2014 e 2016, indicado por Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF banido do futebol por corrupção, em abril deste ano. Vieira Rocha era do conselho de administração da BR Newmedia e também o único acionista da BR Foot Midia no ato de criação da empresa. O advogado diz que foi colocado no conselho da primeira empresa à revelia e que sua participação na segunda foi apenas transitória.

Que clubes assinaram contrato com a BR Foot Mídia?

América-MG, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Cruzeiro, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Paraná, Santos, São Paulo, Sport, Vasco e Vitória.

Por que Flamengo e Atlético-PR não assinaram?

O Flamengo conseguiu uma proposta maior de um fundo luxemburguês, de US$ 200 milhões (R$ 800 milhões) por 10 anos, mais porcentagens nos lucros, com o apoio de Atlético-PR e Corinthians. A CBF não quis ouvir a oferta, alegando que a licitação estava encerrada. Com isso, os dois clubes se recusaram a assinar o acordo. O Corinthians acertou apenas os direitos internacionais, e se uniu ao time rubro-negro carioca para fechar acordo pela exploração das placas de publicidade com outra empresa.

Quanto cada clube receberia pelo contrato?

América-MG, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Paraná, Santos, São Paulo, Sport, Vasco e Vitória receberiam R$ 29 milhões cada. O Corinthians levaria R$ 5,5 milhões, pois fechou apenas a transmissão internacional, que é um contrato menor. A CBF ficaria com comissão de R$ 55 milhões.

Quem é a BR Foot Mídia?

A BR Foot Mídia nasceu de uma empresa de gaveta chamada Quasar, que por sua vez foi criada em 18 de agosto de 2017, com capital de apenas R$ 100. Só em 4 de julho de 2018 a Junta Comercial outorgou a mudança de nome da empresa para BR Foot Mídia, e seu capital subiu para cerca de R$ 150 milhões, com Caio Cesar Vieira Rocha como único acionista.

Quem são os donos da BR Foot Mídia hoje em dia?

Após a criação da companhia, Caio Cesar Vieira Rocha repassou suas ações a um fundo chamado Futbol Holdings, no paraíso fiscal de Delaware (EUA). O território é considerado como o local com jurisdição mais sigilosa do mundo, o que impossibilita saber quem são os nomes por trás da empresa. Entre os parceiros da BR Foot Mídia está a Riza Capital, do bilionário egípcio Naguib Sawiris, sócio da ditadura norte-coreana e com acusações de propinas em diversos países.

Quando seria feito o primeiro pagamento?

Pelo contrato, o primeiro pagamento teria de ser feito em 16 agosto, já que o documento é de 18 de junho e prevê 60 dias para o pagamento. No entanto, a CBF alega que os contratos foram feitos novamente e datam de 16 de julho, passando a data limite para 14 de setembro. Mesmo assim, a entidade só considerou a cobrança a partir da assinatura final das partes. Assim, a BR Foot Mídia teria de ter depositado a quantia até 1º de dezembro, mais de dois meses depois do anúncio oficial do acordo em 27 de setembro. No entanto, a quantia não foi paga.

Por que a BR Foot Mídia agora contesta o contrato?

A empresa não conseguiu levantar os R$ 100 milhões previstos de luvas no acordo e notificou a CBF dizendo que a entidade vendeu direitos que já eram da TV Globo, que tem o pay-per-view no exterior, e não incluiu os 20 clubes da Série A do Nacional no acordo. As reclamações, porém, já eram conhecidas pelos envolvidos nas operações semanas antes das assinaturas dos contratos.

O contrato está suspenso?

Até o momento, não. À reportagem, a BR Foot Mídia alega estar em dia com suas obrigações contratuais. A empresa enviou notificações à CBF para discutir o contrato. Na última delas, fala em "rescindir obrigações contratuais" por conta do imbróglio. A confederação, contudo, vetou a suspensão, uma vez que os documentos já estão assinados e os pagamentos devem ser feitos. Como ainda existem prazos em vigor, o acordo ainda está de pé, até que as partes decidam encerrá-lo de forma definitiva. O documento prevê multas por inadimplemento. Por meio de sua assessoria de empresa, a BRFoot disse que "não tirou nenhuma proposta do mercado, pelo contrário, continua atendendo normalmente seus anunciantes".
 

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade



Publicidade


Publicidade


Cidade

Balneário Camboriú adotará entrega voluntária em ponto da prefeitura  


Divulgação

Excelente opção para os micro empreendedores, pequenas empresas e freelancers.


Especial

Festival de música eletrônica reuniu milhares de pessoas na virada do ano, em Rio Negrinho


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Página 3

Licitação de R$ 550 milhões da CBF terminou com clubes sem receber

Quinta, 13/12/2018 9:06.

(FOLHAPRESS) - A BR Foot Mídia não tem dinheiro para pagar aos clubes as luvas de R$ 100 milhões prometidas pelos direitos de transmissão e exploração das placas de publicidade. Agora, briga com a CBF e tenta suspender o acordo, alegando problemas contratuais.

O acordo, de R$ 550 milhões, foi assinado por 18 clubes do futebol brasileiro, após licitação promovida pela CBF. O processo de concorrência, contudo, foi marcado por inconsistências. A BR Foot Mídia não participou da licitação, por exemplo. A empresa sequer existia na data da disputa.

Entenda melhor o caso por meio das perguntas e respostas abaixo.

O que a licitação oferecia? O que foi colocado a venda?

Após a Rede Globo ceder aos clubes a possibilidade de negociar a transmissão internacional dos direitos de transmissão e a venda das placas de publicidade do Campeonato Brasileiro de 2019 a 2022, a CBF chamou os clubes em julho de 2017 para organizar uma concorrência pela comercialização do serviço.

Quando o processo de licitação foi feito?

A concorrência foi realizada entre janeiro e maio de 2018, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, e contou com a participação de todos os times da Série A. Uma comissão de clubes foi criada entre eles para analisar as propostas apresentadas e escolher a vencedora.

Quem participou da licitação?

A francesa Lagardère, com mais de 1.600 funcionários espalhados pelo mundo e 50 anos de experiência no esporte; as norte-americanas Octagon, que representa centenas de atletas e gerencia cerca de 13 mil eventos por ano, e IMG, com escritórios em mais de 30 países e dona de direitos internacionais da Copa Libertadores e do Campeonato Inglês; a suíça Sinergy; e as brasileiras Klefer, Sport Promotion, Propaganda Estática e BR Newmedia.

Qual foi a proposta vencedora?

A escolhida foi a BR Newmedia com uma oferta de R$ 550 milhões. Uma empresa que, antes, era do ramo de móveis.

Por que a BR Newmedia não assina os contratos com os clubes?

Eles foram repassados a uma empresa de nome, CNPJ e donos diferentes. Essa empresa não existia na época do processo de concorrência e só passou a ser considerada pela Junta Comercial em 4 de julho, após a licitação e os contratos iniciais, que são de 18 de junho. A companhia só passou a existir na Receita Federal em 18 de agosto. Dona da BR Newmedia, Patrícia Coelho confirmou que foi tirada do negócio.

O que a CBF alegou sobre a mudança?

Walter Feldman, secretário-geral da CBF, confirmou à reportagem a mudança de empresas, mas disse que se tratava de um "aperfeiçoamento", e que elas tinham os mesmos componentes, como o advogado Caio Cesar Vieira Rocha, que era o dono da empresa. Segundo o cartola, a análise jurídica da entidade é que não haveria contradição quanto a essa mudança.

Quem é o advogado Caio Cesar Vieira Rocha?

Ele foi ex-presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) entre 2014 e 2016, indicado por Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF banido do futebol por corrupção, em abril deste ano. Vieira Rocha era do conselho de administração da BR Newmedia e também o único acionista da BR Foot Midia no ato de criação da empresa. O advogado diz que foi colocado no conselho da primeira empresa à revelia e que sua participação na segunda foi apenas transitória.

Que clubes assinaram contrato com a BR Foot Mídia?

América-MG, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Cruzeiro, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Paraná, Santos, São Paulo, Sport, Vasco e Vitória.

Por que Flamengo e Atlético-PR não assinaram?

O Flamengo conseguiu uma proposta maior de um fundo luxemburguês, de US$ 200 milhões (R$ 800 milhões) por 10 anos, mais porcentagens nos lucros, com o apoio de Atlético-PR e Corinthians. A CBF não quis ouvir a oferta, alegando que a licitação estava encerrada. Com isso, os dois clubes se recusaram a assinar o acordo. O Corinthians acertou apenas os direitos internacionais, e se uniu ao time rubro-negro carioca para fechar acordo pela exploração das placas de publicidade com outra empresa.

Quanto cada clube receberia pelo contrato?

América-MG, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Cruzeiro, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Paraná, Santos, São Paulo, Sport, Vasco e Vitória receberiam R$ 29 milhões cada. O Corinthians levaria R$ 5,5 milhões, pois fechou apenas a transmissão internacional, que é um contrato menor. A CBF ficaria com comissão de R$ 55 milhões.

Quem é a BR Foot Mídia?

A BR Foot Mídia nasceu de uma empresa de gaveta chamada Quasar, que por sua vez foi criada em 18 de agosto de 2017, com capital de apenas R$ 100. Só em 4 de julho de 2018 a Junta Comercial outorgou a mudança de nome da empresa para BR Foot Mídia, e seu capital subiu para cerca de R$ 150 milhões, com Caio Cesar Vieira Rocha como único acionista.

Quem são os donos da BR Foot Mídia hoje em dia?

Após a criação da companhia, Caio Cesar Vieira Rocha repassou suas ações a um fundo chamado Futbol Holdings, no paraíso fiscal de Delaware (EUA). O território é considerado como o local com jurisdição mais sigilosa do mundo, o que impossibilita saber quem são os nomes por trás da empresa. Entre os parceiros da BR Foot Mídia está a Riza Capital, do bilionário egípcio Naguib Sawiris, sócio da ditadura norte-coreana e com acusações de propinas em diversos países.

Quando seria feito o primeiro pagamento?

Pelo contrato, o primeiro pagamento teria de ser feito em 16 agosto, já que o documento é de 18 de junho e prevê 60 dias para o pagamento. No entanto, a CBF alega que os contratos foram feitos novamente e datam de 16 de julho, passando a data limite para 14 de setembro. Mesmo assim, a entidade só considerou a cobrança a partir da assinatura final das partes. Assim, a BR Foot Mídia teria de ter depositado a quantia até 1º de dezembro, mais de dois meses depois do anúncio oficial do acordo em 27 de setembro. No entanto, a quantia não foi paga.

Por que a BR Foot Mídia agora contesta o contrato?

A empresa não conseguiu levantar os R$ 100 milhões previstos de luvas no acordo e notificou a CBF dizendo que a entidade vendeu direitos que já eram da TV Globo, que tem o pay-per-view no exterior, e não incluiu os 20 clubes da Série A do Nacional no acordo. As reclamações, porém, já eram conhecidas pelos envolvidos nas operações semanas antes das assinaturas dos contratos.

O contrato está suspenso?

Até o momento, não. À reportagem, a BR Foot Mídia alega estar em dia com suas obrigações contratuais. A empresa enviou notificações à CBF para discutir o contrato. Na última delas, fala em "rescindir obrigações contratuais" por conta do imbróglio. A confederação, contudo, vetou a suspensão, uma vez que os documentos já estão assinados e os pagamentos devem ser feitos. Como ainda existem prazos em vigor, o acordo ainda está de pé, até que as partes decidam encerrá-lo de forma definitiva. O documento prevê multas por inadimplemento. Por meio de sua assessoria de empresa, a BRFoot disse que "não tirou nenhuma proposta do mercado, pelo contrário, continua atendendo normalmente seus anunciantes".
 

Publicidade

Publicidade