Jornal Página 3

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Oceanógrafo alerta que Balneário está deixando de ser bela
Waldemar Cezar Neto

Quarta, 19/8/2015 8:46.

Em artigo enviado para o Página 3 o oceanógrafo, professor e consultor Fernando Luiz Diehl alerta para a necessidade de participação da comunidade nas discussões da revisão do Plano Diretor e lembra de problemas que estão à vista de todos, mas não gostamos de discutir.



Reflexões sobre Balneário Camboriú

Fernando Luiz Diehl

Por que as pessoas querem vir à Balneário Camboriú? O que elas querem ver aqui? Será que estão vindo na busca das melhores paisagens com os edifícios mais modernos e altos? Estão atrás de uma cidade de concreto à beira mar? De uma vida noturna agitada? Uma boa bebida, boa comida? Não! Certamente que elas querem mais, muito mais!

Fiz estes mesmos questionamentos e afirmação num artigo que escrevi em meados dos anos 1990, quando começava esse “boom” pelo qual ainda passa Balneário Camboriú, com a construção de grandes empreendimentos imobiliários. Obras que até podem, de certa forma, valorizar a cidade perante a opinião pública, ou de alguns, mas que muitas vezes ocorrem em detrimento do bom senso para se garantir uma melhor qualidade de vida aos que aqui moram.

Ainda, a forma rápida e sem muitos critérios técnicos de tais construções colocam em risco, inclusive, o potencial turístico e de lazer do município, tão necessárias para mantermos a cidade como “a princesinha do Estado” e destino de milhões de turistas a cada ano. Trata-se de uma reflexão profunda e importante sobre Balneário Camboriú, que está discutindo a reformulação de seu Plano Diretor após cinco anos, conforme determina a legislação. Mas, em primeiro lugar, onde está sendo discutido esse novo Plano Diretor, que até hoje não se tornou devidamente público para o debate?

A sociedade precisa urgentemente se envolver nessa discussão, definir os rumos que serão dados ao desenvolvimento e o futuro de Balneário Camboriú. O Poder Público precisa chamá-la (a sociedade) ao debate, precisa buscar mecanismos democráticos para essa discussão, facilitar a sua participação e não apenas envolver empreendedores da construção civil, sejam as construtoras, as incorporadoras ou as imobiliárias. Obviamente os mais interessados no tema.

Entre o que será discutido, deve ser colocado em pauta um tema muito importante, qual seja: o que estão planejando para a nossa cidade que infelizmente hoje respira ares de “mofo”? Não estou falando aqui sobre poluição ou balneabilidade, porque aí envolve questões relacionadas a saneamento básico e não há como avaliar isso sem considerar o que vem da vizinha Camboriú. Falo da qualidade da praia, dos espaços públicos de nossa cidade, do bem estar que ela proporciona.

Não há dúvidas de que à medida que o tempo passa a cidade não está mais atraindo admiração como antes, não cheira bem, não é mais tão bela. Cheira a briozoário, animal de baixo da escala evolutiva e muito oportunista, que se prolifera em nossa praia Central, se gruda na roupa de banho e, impregnadas, as pessoas carregam para casa, especialmente no ápice da temporada de verão.

Transportam em si o reflexo de um problema recorrente que ninguém enfrenta e, quando alguém fala a respeito, é tratado como quem é contra a cidade, contra o desenvolvimento, contra a vinda de turistas, a distribuição das riquezas advindas com o verão.

O que estão planejando para a nossa cidade que enfrenta o caos no trânsito? O que estão pensando para a Praia dos Amores, que pode ser “invadida” por arranha-céus. Até poucos anos era um lugar nobre, seguro, bonito, onde se construía apenas uma unidade habitacional por terreno, hoje já se planeja duas, três, até quatro casas ou edifícios, por lote! E os bairros outrora mais calmos, eminentemente residenciais, como o bairro das Nações, Vila Real, Pioneiros e dos Municípios, o que estão pensando para eles? O adensamento do concreto e a subida dos edifícios? E a Vila da Barra, o que preparam para o bairro?

Estamos vivenciando a privatização do espaço público. Locais que deveriam ser de uso comum tornaram-se privados. As pessoas perdem cada vez mais áreas de lazer, parques, ambientes verdes, morros, a mata, fundamentais para a sustentabilidade de qualquer território. Onde estão nossas praças? Balneário Camboriú tem uma praça de lazer além da praia e do Parque Ecológico Raimundo Malta? Uma praça pública, na concepção da palavra?

Esse importante debate também envolve segurança. A Praia dos Amores, aliás, é um ótimo exemplo. Evidencia a insegurança em que vivemos na região. Vivemos à mercê de gente oportunista, muitos deles menores de idade, que enxergam na ineficiência pública o viés para ganhar uma grana fácil e bens, amedrontando os mais frágeis e sem suporte do Estado que garanta a integridade própria, de seus familiares e de seus bens.

Diante disso tudo, a única solução, ao meu ver, é um planejamento efetivo, norteado pela ética e pelo respeito ao meio ambiente, à cidadania, aos princípios básicos do bem-estar. Não podemos ser norteados pelo conceito de benefício a qualquer custo. Eis, então, o papel deste novo Plano Diretor, que precisa imediatamente ser tornado público e intensamente debatido em todas as esferas municipais e, por que não, intermunicipais, envolvendo questões também relacionadas à Camboriú e Itajaí.

Por isso, a administração pública tem que exigir a participação popular nessas discussões, torná-la aberta e efetivamente pública. Fazê-la de forma responsável, sem atropelos, pois desses debates sairá um plano eficiente de desenvolvimento, o qual será construído, por que não, com envolvimento também de especialistas, criando polêmicas, tornando públicos os problemas, as soluções e os entraves, todos, sem exceções.

Nossa bela Balneário Camboriú, recém-chegada aos 51 anos de fundação, não pode sofrer as mesmas consequências vivenciadas por badalados balneários ao redor do mundo, que hoje sustentam-se por seus nomes e glamorosos passados que não voltam mais. Precisamos urgentemente de planejamento eficiente, que pensem a cidade e, também, as regiões, para o futuro, para daqui 10, 20, 30 anos, envolvendo população, especialistas e gestores bem intencionados em fazer do nosso litoral referência para o Brasil e para o mundo.

Fernando Luiz Diehl é  oceanógrafo, diretor do Grupo Acquaplan – Tecnologia e Consultoria Ambiental e morador de Balneário Camboriú desde 1986.
 

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Oceanógrafo alerta que Balneário está deixando de ser bela

Waldemar Cezar Neto

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Quarta, 19/8/2015 8:46.

Em artigo enviado para o Página 3 o oceanógrafo, professor e consultor Fernando Luiz Diehl alerta para a necessidade de participação da comunidade nas discussões da revisão do Plano Diretor e lembra de problemas que estão à vista de todos, mas não gostamos de discutir.



Reflexões sobre Balneário Camboriú

Fernando Luiz Diehl

Por que as pessoas querem vir à Balneário Camboriú? O que elas querem ver aqui? Será que estão vindo na busca das melhores paisagens com os edifícios mais modernos e altos? Estão atrás de uma cidade de concreto à beira mar? De uma vida noturna agitada? Uma boa bebida, boa comida? Não! Certamente que elas querem mais, muito mais!

Fiz estes mesmos questionamentos e afirmação num artigo que escrevi em meados dos anos 1990, quando começava esse “boom” pelo qual ainda passa Balneário Camboriú, com a construção de grandes empreendimentos imobiliários. Obras que até podem, de certa forma, valorizar a cidade perante a opinião pública, ou de alguns, mas que muitas vezes ocorrem em detrimento do bom senso para se garantir uma melhor qualidade de vida aos que aqui moram.

Ainda, a forma rápida e sem muitos critérios técnicos de tais construções colocam em risco, inclusive, o potencial turístico e de lazer do município, tão necessárias para mantermos a cidade como “a princesinha do Estado” e destino de milhões de turistas a cada ano. Trata-se de uma reflexão profunda e importante sobre Balneário Camboriú, que está discutindo a reformulação de seu Plano Diretor após cinco anos, conforme determina a legislação. Mas, em primeiro lugar, onde está sendo discutido esse novo Plano Diretor, que até hoje não se tornou devidamente público para o debate?

A sociedade precisa urgentemente se envolver nessa discussão, definir os rumos que serão dados ao desenvolvimento e o futuro de Balneário Camboriú. O Poder Público precisa chamá-la (a sociedade) ao debate, precisa buscar mecanismos democráticos para essa discussão, facilitar a sua participação e não apenas envolver empreendedores da construção civil, sejam as construtoras, as incorporadoras ou as imobiliárias. Obviamente os mais interessados no tema.

Entre o que será discutido, deve ser colocado em pauta um tema muito importante, qual seja: o que estão planejando para a nossa cidade que infelizmente hoje respira ares de “mofo”? Não estou falando aqui sobre poluição ou balneabilidade, porque aí envolve questões relacionadas a saneamento básico e não há como avaliar isso sem considerar o que vem da vizinha Camboriú. Falo da qualidade da praia, dos espaços públicos de nossa cidade, do bem estar que ela proporciona.

Não há dúvidas de que à medida que o tempo passa a cidade não está mais atraindo admiração como antes, não cheira bem, não é mais tão bela. Cheira a briozoário, animal de baixo da escala evolutiva e muito oportunista, que se prolifera em nossa praia Central, se gruda na roupa de banho e, impregnadas, as pessoas carregam para casa, especialmente no ápice da temporada de verão.

Transportam em si o reflexo de um problema recorrente que ninguém enfrenta e, quando alguém fala a respeito, é tratado como quem é contra a cidade, contra o desenvolvimento, contra a vinda de turistas, a distribuição das riquezas advindas com o verão.

O que estão planejando para a nossa cidade que enfrenta o caos no trânsito? O que estão pensando para a Praia dos Amores, que pode ser “invadida” por arranha-céus. Até poucos anos era um lugar nobre, seguro, bonito, onde se construía apenas uma unidade habitacional por terreno, hoje já se planeja duas, três, até quatro casas ou edifícios, por lote! E os bairros outrora mais calmos, eminentemente residenciais, como o bairro das Nações, Vila Real, Pioneiros e dos Municípios, o que estão pensando para eles? O adensamento do concreto e a subida dos edifícios? E a Vila da Barra, o que preparam para o bairro?

Estamos vivenciando a privatização do espaço público. Locais que deveriam ser de uso comum tornaram-se privados. As pessoas perdem cada vez mais áreas de lazer, parques, ambientes verdes, morros, a mata, fundamentais para a sustentabilidade de qualquer território. Onde estão nossas praças? Balneário Camboriú tem uma praça de lazer além da praia e do Parque Ecológico Raimundo Malta? Uma praça pública, na concepção da palavra?

Esse importante debate também envolve segurança. A Praia dos Amores, aliás, é um ótimo exemplo. Evidencia a insegurança em que vivemos na região. Vivemos à mercê de gente oportunista, muitos deles menores de idade, que enxergam na ineficiência pública o viés para ganhar uma grana fácil e bens, amedrontando os mais frágeis e sem suporte do Estado que garanta a integridade própria, de seus familiares e de seus bens.

Diante disso tudo, a única solução, ao meu ver, é um planejamento efetivo, norteado pela ética e pelo respeito ao meio ambiente, à cidadania, aos princípios básicos do bem-estar. Não podemos ser norteados pelo conceito de benefício a qualquer custo. Eis, então, o papel deste novo Plano Diretor, que precisa imediatamente ser tornado público e intensamente debatido em todas as esferas municipais e, por que não, intermunicipais, envolvendo questões também relacionadas à Camboriú e Itajaí.

Por isso, a administração pública tem que exigir a participação popular nessas discussões, torná-la aberta e efetivamente pública. Fazê-la de forma responsável, sem atropelos, pois desses debates sairá um plano eficiente de desenvolvimento, o qual será construído, por que não, com envolvimento também de especialistas, criando polêmicas, tornando públicos os problemas, as soluções e os entraves, todos, sem exceções.

Nossa bela Balneário Camboriú, recém-chegada aos 51 anos de fundação, não pode sofrer as mesmas consequências vivenciadas por badalados balneários ao redor do mundo, que hoje sustentam-se por seus nomes e glamorosos passados que não voltam mais. Precisamos urgentemente de planejamento eficiente, que pensem a cidade e, também, as regiões, para o futuro, para daqui 10, 20, 30 anos, envolvendo população, especialistas e gestores bem intencionados em fazer do nosso litoral referência para o Brasil e para o mundo.

Fernando Luiz Diehl é  oceanógrafo, diretor do Grupo Acquaplan – Tecnologia e Consultoria Ambiental e morador de Balneário Camboriú desde 1986.
 

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