Jornal Página 3
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Estudantes de jornalismo cegos inauguram exposição de fotos

 Semana Nacional da Pessoa com Deficiência

Segunda, 20/8/2018 18:02.
Divulgação
PraCegoVer: Os alunos cegos e o professor que os orienta na cobertura da regata Volvo.

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Semana Nacional da Pessoa com Deficiência

Os acadêmicos de jornalismo da Univali, Felipe Cristiano da Silva e Carla Chierosa Antunes, deficientes visuais, inauguram a exposição ‘Uma prática inclusiva de ensino de fotojornalismo’, na próxima quarta-feira (22), na Biblioteca Central do campus Itajaí.

A mostra, composta por 26 fotografias, seguirá aberta à visitação até o dia 31 de agosto e integra a programação da Universidade, alusiva à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, por meio do programa Uninclui.

Eles aprenderam a fotografar, graças à prática inclusiva de ensino proposta pelo professor da disciplina de Fotojornalismo, Eduardo Gomes, que criou uma metodologia, adaptou equipamentos e acompanhou os estudantes na captação e produção das imagens.

O processo

Desde a primeira aula, a pedido dos alunos com deficiência, o professor passou a descrever as imagens que apresentava, o contexto e sua importância. Depois tentou alternativas para adaptar a câmera. Pensou em colocar braile nos equipamentos, mas os estudantes não sabem ler o sistema de escrita tátil. A alternativa foi colocar uma fita emborrachada em alto relevo nas principais funções da câmera, diferenciar o zoom por tamanho da fita. Eles começaram a fotografar no modo programado.

"Fiz um gabarito com as funções básicas que precisavam mexer e depois eles mesmos me devolveram, porque memorizaram as funções. O papel deles foi de enquadrar, escolher a cena e bater a foto. Sempre saíamos juntos, eu explicava o contexto, mas eram eles que escolhiam o que queriam registrar", explica Gomes.

Auxiliados por um acadêmico de Jornalismo, sob supervisão do professor, o primeiro desafio foi cobrir a regata Volvo Ocean Race, que aconteceu em abril, em Itajaí.


Treinamento de cão guia

Além desse trabalho, os estudantes fizeram um trabalho em estúdio com retrato ambientado de uma personalidade da região, que no caso deles foram dois treinadores de cão-guia do Instituto Federal Catarinense (IFC) e ainda elaboraram uma grande reportagem, com o tema a escola de cão-guia.

O professor Gomes afirma que a metodologia que ele utilizou com os estudantes cegos é alternativa, criada e adaptada por ele mesmo. O docente fala que teve também como referência o trabalho do fotógrafo Evgen Bavcar, que é cego e o inspirou a fomentar esta prática com os acadêmicos.

"Para mim no começo foi um desafio e depois uma imensa alegria. Precisou de uma atenção extra minha e deles, mas foi uma lição de vida e aprendi muito. Embora eles não estivessem enxergando, fizeram, por meio de suas fotos, com que outras pessoas conheçam algo que é muito importante para eles, os cães-guia", afirmou o professor Gomes.

Os estudantes

Carla enxergou durante 18 anos, ficou cega há sete anos.

"O professor fez a coisa acontecer, a dedicação dele nos deu ânimo e vontade de seguir. O pico de emoção foi quando ele trouxe a câmera adaptada. Isso sim é acessibilidade e tecnologia inclusiva de verdade", disse a futura jornalista.

Felipe disse que a experiência só foi possível por causa do empenho do professor.

“Acredito que conseguimos alcançar as expectativas da disciplina e, de certa forma, até surpreender as pessoas com este trabalho", disse.


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Estudantes de jornalismo cegos inauguram exposição de fotos

Divulgação
PraCegoVer: Os alunos cegos e o professor que os orienta na cobertura da regata Volvo.
PraCegoVer: Os alunos cegos e o professor que os orienta na cobertura da regata Volvo.

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Segunda, 20/8/2018 18:02.

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência

Os acadêmicos de jornalismo da Univali, Felipe Cristiano da Silva e Carla Chierosa Antunes, deficientes visuais, inauguram a exposição ‘Uma prática inclusiva de ensino de fotojornalismo’, na próxima quarta-feira (22), na Biblioteca Central do campus Itajaí.

A mostra, composta por 26 fotografias, seguirá aberta à visitação até o dia 31 de agosto e integra a programação da Universidade, alusiva à Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, por meio do programa Uninclui.

Eles aprenderam a fotografar, graças à prática inclusiva de ensino proposta pelo professor da disciplina de Fotojornalismo, Eduardo Gomes, que criou uma metodologia, adaptou equipamentos e acompanhou os estudantes na captação e produção das imagens.

O processo

Desde a primeira aula, a pedido dos alunos com deficiência, o professor passou a descrever as imagens que apresentava, o contexto e sua importância. Depois tentou alternativas para adaptar a câmera. Pensou em colocar braile nos equipamentos, mas os estudantes não sabem ler o sistema de escrita tátil. A alternativa foi colocar uma fita emborrachada em alto relevo nas principais funções da câmera, diferenciar o zoom por tamanho da fita. Eles começaram a fotografar no modo programado.

"Fiz um gabarito com as funções básicas que precisavam mexer e depois eles mesmos me devolveram, porque memorizaram as funções. O papel deles foi de enquadrar, escolher a cena e bater a foto. Sempre saíamos juntos, eu explicava o contexto, mas eram eles que escolhiam o que queriam registrar", explica Gomes.

Auxiliados por um acadêmico de Jornalismo, sob supervisão do professor, o primeiro desafio foi cobrir a regata Volvo Ocean Race, que aconteceu em abril, em Itajaí.


Treinamento de cão guia

Além desse trabalho, os estudantes fizeram um trabalho em estúdio com retrato ambientado de uma personalidade da região, que no caso deles foram dois treinadores de cão-guia do Instituto Federal Catarinense (IFC) e ainda elaboraram uma grande reportagem, com o tema a escola de cão-guia.

O professor Gomes afirma que a metodologia que ele utilizou com os estudantes cegos é alternativa, criada e adaptada por ele mesmo. O docente fala que teve também como referência o trabalho do fotógrafo Evgen Bavcar, que é cego e o inspirou a fomentar esta prática com os acadêmicos.

"Para mim no começo foi um desafio e depois uma imensa alegria. Precisou de uma atenção extra minha e deles, mas foi uma lição de vida e aprendi muito. Embora eles não estivessem enxergando, fizeram, por meio de suas fotos, com que outras pessoas conheçam algo que é muito importante para eles, os cães-guia", afirmou o professor Gomes.

Os estudantes

Carla enxergou durante 18 anos, ficou cega há sete anos.

"O professor fez a coisa acontecer, a dedicação dele nos deu ânimo e vontade de seguir. O pico de emoção foi quando ele trouxe a câmera adaptada. Isso sim é acessibilidade e tecnologia inclusiva de verdade", disse a futura jornalista.

Felipe disse que a experiência só foi possível por causa do empenho do professor.

“Acredito que conseguimos alcançar as expectativas da disciplina e, de certa forma, até surpreender as pessoas com este trabalho", disse.


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