Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Geral
Moradores de rua assediam e incomodam as pessoas em Balneário Camboriú, prefeitura pede o fim da esmola

Somente até 30 de novembro foram 16 mil abrigamentos na Casa de Passagem

Segunda, 23/12/2019 10:53.
Divulgação/PMBC

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Balneário Camboriú possui hoje pelo menos 130 moradores de rua. Há a preocupação porque nesta época do ano a tendência é que esse número aumente. Somente até 30 de novembro foram 16 mil abrigamentos na Casa de Passagem (cada dia que o usuário passa é contado como um abrigamento). Há ainda a questão dos índios, que também mendigam. O abrigo cedido pela prefeitura comporta até 150 deles, mas devem vir 300.

Não dê esmola

O Página 3 vem recebendo diversas ligações de pessoas preocupados com a situação dos moradores de rua. A prefeitura vem realizando campanhas contra a esmola, pedindo que a população não dê dinheiro, comida ou outros donativos, como roupas, colchões e cobertores, porque isso incentiva os andarilhos a ficarem nas ruas.

A secretária da Inclusão Social (que possui o departamento Resgate Social, responsável pela abordagem aos mendigos), Christina Barichello, conta que há um morador de rua que debocha da equipe de abordagem, dizendo que recebe R$ 300 por dia de esmola.

“As pessoas são facilitadoras. Recentemente internamos compulsoriamente um homem que estava incomodando pessoas ao redor do Teatro Bruno Nitz. Além de usuário de drogas ele é esquizofrênico. Uma idosa defendeu, disse que ele tomava banho na casa dela. Precisamos do apoio dos moradores, que não podem dar esmola e também dos restaurantes, que não devem dar comida”, relata.

Christina garante que a conscientização é a chave e por isso estão realizando as campanhas de panfletagem e com faixas no trânsito.

“Precisamos conscientizar as pessoas todos os dias. A legislação nos limita muito, os mendigos têm o direito de ir e vir. Há pessoas que ficam frustradas com a gente, mas não podemos obrigá-los a saírem das ruas. Só virá questão policial se há mandado em aberto, só assim podemos prendê-los”, diz.

Mendigos x bandidos

Christina diz que as equipes vêm realizando operações diárias, com rondas 24h – isso acontece durante todo o ano, inclusive com apoio da Guarda Municipal, porque já houve casos de criminosos foragidos que viviam nas ruas da cidade. “Infelizmente pegamos muitos bandidos. Eu li recentemente o livro ‘A Máfia dos Mendigos’ e fiquei chocada com os relatos. Emprestei para o secretário de Segurança, David Queiroz, porque realmente há muitos casos de polícia. Já foi pego morando nas ruas de Balneário um cara que era procurado por estupro. Tem um que é de Timbó que acumula 70 passagens pela polícia”, explica.

Porém, há também os casos de moradores de rua que permanecem nessa situação por vício em álcool e drogas. Christina conta que ficou sabendo que há inclusive mendigos que fumam crack com lã de aço (Bombril).

“Cerca de 30 mendigos que vivem nas nossas ruas têm casa em Balneário, são do Monte Alegre, Conde Vila Verde ou do Bairro dos Municípios. Por serem alcoólatras ou usuários de drogas eles ficam vagando. É um problema social, e por Balneário ser cidade turística acaba atraindo, mas estamos incomodando eles, em novembro havia mais, mandamos 108 embora”, conta.

Se você ver alguém em situação de rua ligue para o 156. O Resgate Social atua 24h todos os dias (inclusive domingos e feriados).

Situação dos índios também preocupa

Questionada pela reportagem sobre a situação dos mendigos, Christina perguntou se a comunidade não está confundindo os moradores de rua com os índios, que costumam ‘visitar’ Balneário nesta época do ano e também ficam em situação de rua, pedindo esmola, sentados nas calçadas da Avenida Brasil. “É algo que nos preocupa muito. Cerca de 300 índios devem vir para Balneário neste verão, mas circulam por toda a região, indo para Bombinhas, Itapema. Fizemos cinco reuniões com a Funai (Fundação Nacional do Índio) e com a Procuradoria Federal e não existe solução, eles estão no direito de ir e vir”, salienta.

Segundo Christina, Balneário está arcando com os custos de banheiro público e local para eles ficarem (um salão paroquial na Várzea do Ranchinho, às margens da BR-101, ao lado da Casa de Passagem – albergue que recebe os mendigos) e isso custará R$ 20 mil.

“Eles alegam que vendem artesanatos, mas é mentira. A maioria mendiga. Temos estrutura para receber 120 índios, conseguindo atender até 150, mas o cacique disse que devem vir 300”, acrescenta. A maioria deles são das tribos Kaingang e Guaranis.

Uma das maiores preocupações é com as crianças, que ficam junto com os adultos, e até ficam entre os carros pedindo dinheiro.

“Se fosse uma criança que não é indígena seria um absurdo, os pais responderiam processo, perderiam a guarda”, analisa Christina.

A secretária acrescenta que a presença dos índios acaba trazendo uma ‘sensação de miséria’ para Balneário, mas repete que não há o que se fazer.

“É realmente algo muito complexo e é a nível federal, quem cuida dessa questão é a Promotoria Federal”, finaliza.


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Página 3
Divulgação/PMBC

Moradores de rua assediam e incomodam as pessoas em Balneário Camboriú, prefeitura pede o fim da esmola

Somente até 30 de novembro foram 16 mil abrigamentos na Casa de Passagem

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Segunda, 23/12/2019 10:53.

Balneário Camboriú possui hoje pelo menos 130 moradores de rua. Há a preocupação porque nesta época do ano a tendência é que esse número aumente. Somente até 30 de novembro foram 16 mil abrigamentos na Casa de Passagem (cada dia que o usuário passa é contado como um abrigamento). Há ainda a questão dos índios, que também mendigam. O abrigo cedido pela prefeitura comporta até 150 deles, mas devem vir 300.

Não dê esmola

O Página 3 vem recebendo diversas ligações de pessoas preocupados com a situação dos moradores de rua. A prefeitura vem realizando campanhas contra a esmola, pedindo que a população não dê dinheiro, comida ou outros donativos, como roupas, colchões e cobertores, porque isso incentiva os andarilhos a ficarem nas ruas.

A secretária da Inclusão Social (que possui o departamento Resgate Social, responsável pela abordagem aos mendigos), Christina Barichello, conta que há um morador de rua que debocha da equipe de abordagem, dizendo que recebe R$ 300 por dia de esmola.

“As pessoas são facilitadoras. Recentemente internamos compulsoriamente um homem que estava incomodando pessoas ao redor do Teatro Bruno Nitz. Além de usuário de drogas ele é esquizofrênico. Uma idosa defendeu, disse que ele tomava banho na casa dela. Precisamos do apoio dos moradores, que não podem dar esmola e também dos restaurantes, que não devem dar comida”, relata.

Christina garante que a conscientização é a chave e por isso estão realizando as campanhas de panfletagem e com faixas no trânsito.

“Precisamos conscientizar as pessoas todos os dias. A legislação nos limita muito, os mendigos têm o direito de ir e vir. Há pessoas que ficam frustradas com a gente, mas não podemos obrigá-los a saírem das ruas. Só virá questão policial se há mandado em aberto, só assim podemos prendê-los”, diz.

Mendigos x bandidos

Christina diz que as equipes vêm realizando operações diárias, com rondas 24h – isso acontece durante todo o ano, inclusive com apoio da Guarda Municipal, porque já houve casos de criminosos foragidos que viviam nas ruas da cidade. “Infelizmente pegamos muitos bandidos. Eu li recentemente o livro ‘A Máfia dos Mendigos’ e fiquei chocada com os relatos. Emprestei para o secretário de Segurança, David Queiroz, porque realmente há muitos casos de polícia. Já foi pego morando nas ruas de Balneário um cara que era procurado por estupro. Tem um que é de Timbó que acumula 70 passagens pela polícia”, explica.

Porém, há também os casos de moradores de rua que permanecem nessa situação por vício em álcool e drogas. Christina conta que ficou sabendo que há inclusive mendigos que fumam crack com lã de aço (Bombril).

“Cerca de 30 mendigos que vivem nas nossas ruas têm casa em Balneário, são do Monte Alegre, Conde Vila Verde ou do Bairro dos Municípios. Por serem alcoólatras ou usuários de drogas eles ficam vagando. É um problema social, e por Balneário ser cidade turística acaba atraindo, mas estamos incomodando eles, em novembro havia mais, mandamos 108 embora”, conta.

Se você ver alguém em situação de rua ligue para o 156. O Resgate Social atua 24h todos os dias (inclusive domingos e feriados).

Situação dos índios também preocupa

Questionada pela reportagem sobre a situação dos mendigos, Christina perguntou se a comunidade não está confundindo os moradores de rua com os índios, que costumam ‘visitar’ Balneário nesta época do ano e também ficam em situação de rua, pedindo esmola, sentados nas calçadas da Avenida Brasil. “É algo que nos preocupa muito. Cerca de 300 índios devem vir para Balneário neste verão, mas circulam por toda a região, indo para Bombinhas, Itapema. Fizemos cinco reuniões com a Funai (Fundação Nacional do Índio) e com a Procuradoria Federal e não existe solução, eles estão no direito de ir e vir”, salienta.

Segundo Christina, Balneário está arcando com os custos de banheiro público e local para eles ficarem (um salão paroquial na Várzea do Ranchinho, às margens da BR-101, ao lado da Casa de Passagem – albergue que recebe os mendigos) e isso custará R$ 20 mil.

“Eles alegam que vendem artesanatos, mas é mentira. A maioria mendiga. Temos estrutura para receber 120 índios, conseguindo atender até 150, mas o cacique disse que devem vir 300”, acrescenta. A maioria deles são das tribos Kaingang e Guaranis.

Uma das maiores preocupações é com as crianças, que ficam junto com os adultos, e até ficam entre os carros pedindo dinheiro.

“Se fosse uma criança que não é indígena seria um absurdo, os pais responderiam processo, perderiam a guarda”, analisa Christina.

A secretária acrescenta que a presença dos índios acaba trazendo uma ‘sensação de miséria’ para Balneário, mas repete que não há o que se fazer.

“É realmente algo muito complexo e é a nível federal, quem cuida dessa questão é a Promotoria Federal”, finaliza.


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