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PÁGINA 3 / Geral
Patinetes, bikes e pedestres devem se unir contra carros, diz especialista espanhol

Terça, 9/7/2019 6:57.
Facebook pessoal.

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JÚLIA BARBON
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "Andamos todos muito apertados", resume o espanhol Salvador Bayó, especialista em mobilidade sustentável, sobre a dificuldade de resolver o que chama de problema das patinetes. Permanente defensor das bicicletas e pedestres, porém, ele crê que não pode haver brigas entre eles contra um inimigo em comum: o carro.

Enquanto as cidades brasileiras ainda discutem como espremer todo o mundo no mesmo espaço, a província de Barcelona, na Espanha, para a qual ele trabalha há 30 anos, já tem regras para o novo transporte elétrico há dois anos, sendo a primeira do país a concluir tal feito.

Em entrevista por vídeo de sua cidade natal, ele diz que o pesadelo da Europa agora são as patinetes apelidadas de Harley (pela semelhança com as motos da marca), que andam a até 70 km/h e ainda não foram regulamentadas.

Ele defende que tornar os capacetes obrigatórios, como queria fazer a prefeitura de São Paulo, pode desmotivar usuários.

É a favor da proibição nas calçadas e da aplicação de multas por mau uso aos condutores, e não às empresas.

Apesar de torcer para que as patinetes sejam apenas uma moda passageira, acha que vai ser muito difícil pará-las.

Qual é a origem das patinetes elétricas?

Por volta de 1920, os correios dos EUA incorporaram uma patinete a um motor de gasolina para entregar cartas. Elas também eram usadas pela máfia para fugir da polícia na época da proibição do álcool. Mais tarde, quando os carros começaram a se proliferar, as patinetes desapareceram mais ou menos até a década de 1970.

Não se sabe muito bem quem inventou a elétrica, se foi um catalão, que ganhou um prêmio em 1995 na exposição mundial de invenções de Bruxelas, ou um surfista na Califórnia, que colocou um motor elétrico na sua prancha de surfe. O que se sabe é que desde os anos 1980 é uma coisa que não deixou de crescer em todo o mundo, embora o "boom" seja a partir dos anos 2000.

Patinetes podem substituir as bicicletas?

Falso. Fake. Faz mais de 200 anos que se inventou a bicicleta como meio de transporte, já as patinetes se popularizaram há no máximo 30 anos.

Os comerciantes dizem que elas vão substituir as bicicletas. É verdade que tem muita gente usando, mas é uma moda, e ainda não sabemos se ela vai sobreviver com o tempo.

Sempre conto um exemplo: uma vez estive em um congresso mundial de pedestres e apresentaram o Segway [aquele veículo elétrico usado por seguranças de shoppings], dizendo que no futuro todo mundo iria andar neles. Hoje nenhum lugar tem vias para esse tipo de patinete, e a cada dia se faz mais ciclovias em todo o mundo.

Se isso fosse verdade, ficaríamos como no filme "Wall-E" [da Pixar], em que até os bebês nascem gordos, porque andam sempre sentados.

Se não queremos criar mais crianças e adultos obesos, é melhor que a gente ande ou pedale.

O grande debate que ocorre no Brasil hoje é sobre a falta de segurança das patinetes. Como são as regras em Barcelona?

Em Barcelona patinetes podem circular pelas ciclovias, pelas zonas "peatonales" [ruas para pedestres] e pelas zonas 30, onde não se pode andar a mais de 30 km/h. Mas não podem ir pelas calçadas, como as bicicletas.

Entendemos que não é obrigatório ter seguro nem capacete, ainda que seja muito recomendável. A idade mínima é de 16 anos, e não se pode andar em duas pessoas.

Barcelona foi a primeira cidade da Espanha que se atreveu a fazer uma regulação específica para as patinetes, em 2017. Depois disso saíram leis em cidades como Madri, Valência e a mais avançada, que é Sevilha.

Aqui, agora, o grande problema são as patinetes "alegales" [que não são legais nem ilegais] que chamamos de Harley, porque você vai sentado como em uma moto elétrica e elas podem chegar a 70 km/h, enquanto as patinetes e bicicletas elétricas legais correm no máximo a 25 km/h. Estamos insistindo muito em regular essas, obrigando a ter registro, seguro e capacete. Os acidentes mortais que aconteceram na Espanha foram de patinetes Harley.

O debate sobre patinetes não tira o foco da discussão sobre o excesso de carros, que causam muito mais acidentes, e sobre a falta de espaço para os outros meios de transporte?

Sem dúvida. Pedestres, usuários de patinetes e bicicletas têm que se juntar para reivindicar mais espaço dos carros. Isso é uma evidência.
O que não podemos fazer é brigar entre patinetes e bicicletas. Há lugares nos Estados Unidos, como São Francisco, em que as pessoas estão tão bravas com as patinetes que estão queimando ou atirando elas no rio.

Alguma cidade já chegou a abolir as patinetes?

Abolir é um termo muito drástico. Eu diria que o termo é não facilitar. O que algumas cidades têm feito é rescindir contratos com as empresas e recolher as patinetes, como fez Madri, mas elas não podem se fechar para sempre para a situação. Como as empresas são grandes e têm grandes tentáculos de poder, tenho certeza que elas logo estarão em todo o mundo.

Vai ser muito difícil de parar as patinetes. Eu espero que seja só uma moda, mas não sabemos ainda se será uma aliada contra o carro. E também é uma boa solução para a intermodalidade [ir de um ponto a outro usando mais de um meio de transporte].

É a favor de proibir as patinetes nas calçadas?

Isso é um senso comum. O pedestre já está muito bravo com as bicicletas nas calçadas, se puser também as patinetes...

Uma associação de pessoas com deficiência da Espanha fez recentemente uma manifestação chamada Não Atropelem Meus Direitos.

Aqui em Barcelona a norma diz que se a calçada tem mais de 2,5 metros de largura, há espaço para todos. Mas se tem menos, o mais lógico é que não circulem bicicletas e muito menos patinetes, porque podem provocar acidentes.

Também é um senso comum que em vias muito rápidas não se pode colocar bicicletas nem patinetes.

A patinete é mais frágil, suas rodas são muito pequenas e qualquer pedrinha ou desnivelamento pode causar um acidente.

O governo da Alemanha e de outros lugares da Europa estão fazendo uma coisa muito legal para solucionar o problema dos loucos que usam patinete em alta velocidade.

Quando eles entram em áreas de pedestres, um satélite os freia automaticamente a 8 km/h.

Como deve ser feita a regulamentação das patinetes?

O importante é que a prefeitura tenha muito claro como quer distribuir seu espaço público, sobretudo quanto ao número de patinetes que quer colocar nas ruas.

Eu sempre recomendo começar "suavezito", pouco a pouco: colocar 50 e ver como elas convivem, ver se as pessoas têm a disciplina de deixá-las no lugar certo ou retorná-las às estações, e não as deixar largadas em qualquer lugar.

Há propostas de regulamentação em todo o mundo, ou seja, é um "copia e cola", mas a prefeitura tem que saber muito bem como responder às premissas das empresas, que fazem muita pressão.

Por que Sevilha é um exemplo de regulamentação?

Porque impôs uma regra muito clara de convivência entre pedestres, patinetes e bicicletas. Também há multas para os usuários se eles não cumprem as normas, como o limite mínimo de 15 anos de idade (que eu creio que é o ideal).

Em São Paulo a prefeitura impôs as multas às empresas, que podem repassá-las aos usuários se quiserem. Quem deve pagá-las?

Se um usuário provoca um acidente com um pedestre, a culpa é do usuário, e não da empresa. Se o usuário conduz mal, a culpa é dele, e não da empresa.

O que acha da exigência de um certificado para usar patinetes?

Não tem sentido. O que tem sentido é que a pessoa saiba das normas básicas de circulação, como quem dirige um carro ou uma moto. É bom que haja uma certa orientação, especialmente aos mais jovens, como uma aula prática e teórica que fizemos aqui no dia da mobilidade. O usuário tem que aprender a conviver, porque o que há em todos os países é muita violência viária.

Em São Paulo, a prefeitura chegou a obrigar que as empresas fornecessem capacetes, mas isso foi derrubado pela Justiça. O que pensa sobre o uso do capacete?

O capacete é sempre uma medida de segurança, claro, mas está demonstrado que quando se tem um acidente grande não faz diferença, você vai morrer igual.

Eu não sou partidário da obrigatoriedade, porque imagine um serviço público como o de Barcelona, que tem à disposição mais de 6.000 bicicletas e 400 estações, muitas vezes usadas em distâncias curtas, de forma intermodal.

Evidentemente que se cada usuário tiver que vir de casa com o seu capacete, vai se sentir desmotivado.

Acha que deve haver estações de patinetes?

É melhor que haja estações, porque no final as pessoas as deixam em qualquer lugar. É aí que os pedestres se revoltam e começam a praticar vandalismos contra elas. Aqui somos um povo de clima mediterrâneo, não somos como os povos nórdicos, não somos capazes.

Teve uma ideia boa de uma cidade na região metropolitana de Barcelona que pegou locais como saídas de metrô e pintou no chão um espaço para as patinetes, então de alguma maneira se regulou um pouco aquele espaço.

Porque as patinetes são um problema de espaço, difícil de resolver. Não é fácil implantar um novo mecanismo de mobilidade em cidades densas como Barcelona ou São Paulo. Andamos todos muito apertados.


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Facebook pessoal.

Patinetes, bikes e pedestres devem se unir contra carros, diz especialista espanhol

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Terça, 9/7/2019 6:57.

JÚLIA BARBON
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "Andamos todos muito apertados", resume o espanhol Salvador Bayó, especialista em mobilidade sustentável, sobre a dificuldade de resolver o que chama de problema das patinetes. Permanente defensor das bicicletas e pedestres, porém, ele crê que não pode haver brigas entre eles contra um inimigo em comum: o carro.

Enquanto as cidades brasileiras ainda discutem como espremer todo o mundo no mesmo espaço, a província de Barcelona, na Espanha, para a qual ele trabalha há 30 anos, já tem regras para o novo transporte elétrico há dois anos, sendo a primeira do país a concluir tal feito.

Em entrevista por vídeo de sua cidade natal, ele diz que o pesadelo da Europa agora são as patinetes apelidadas de Harley (pela semelhança com as motos da marca), que andam a até 70 km/h e ainda não foram regulamentadas.

Ele defende que tornar os capacetes obrigatórios, como queria fazer a prefeitura de São Paulo, pode desmotivar usuários.

É a favor da proibição nas calçadas e da aplicação de multas por mau uso aos condutores, e não às empresas.

Apesar de torcer para que as patinetes sejam apenas uma moda passageira, acha que vai ser muito difícil pará-las.

Qual é a origem das patinetes elétricas?

Por volta de 1920, os correios dos EUA incorporaram uma patinete a um motor de gasolina para entregar cartas. Elas também eram usadas pela máfia para fugir da polícia na época da proibição do álcool. Mais tarde, quando os carros começaram a se proliferar, as patinetes desapareceram mais ou menos até a década de 1970.

Não se sabe muito bem quem inventou a elétrica, se foi um catalão, que ganhou um prêmio em 1995 na exposição mundial de invenções de Bruxelas, ou um surfista na Califórnia, que colocou um motor elétrico na sua prancha de surfe. O que se sabe é que desde os anos 1980 é uma coisa que não deixou de crescer em todo o mundo, embora o "boom" seja a partir dos anos 2000.

Patinetes podem substituir as bicicletas?

Falso. Fake. Faz mais de 200 anos que se inventou a bicicleta como meio de transporte, já as patinetes se popularizaram há no máximo 30 anos.

Os comerciantes dizem que elas vão substituir as bicicletas. É verdade que tem muita gente usando, mas é uma moda, e ainda não sabemos se ela vai sobreviver com o tempo.

Sempre conto um exemplo: uma vez estive em um congresso mundial de pedestres e apresentaram o Segway [aquele veículo elétrico usado por seguranças de shoppings], dizendo que no futuro todo mundo iria andar neles. Hoje nenhum lugar tem vias para esse tipo de patinete, e a cada dia se faz mais ciclovias em todo o mundo.

Se isso fosse verdade, ficaríamos como no filme "Wall-E" [da Pixar], em que até os bebês nascem gordos, porque andam sempre sentados.

Se não queremos criar mais crianças e adultos obesos, é melhor que a gente ande ou pedale.

O grande debate que ocorre no Brasil hoje é sobre a falta de segurança das patinetes. Como são as regras em Barcelona?

Em Barcelona patinetes podem circular pelas ciclovias, pelas zonas "peatonales" [ruas para pedestres] e pelas zonas 30, onde não se pode andar a mais de 30 km/h. Mas não podem ir pelas calçadas, como as bicicletas.

Entendemos que não é obrigatório ter seguro nem capacete, ainda que seja muito recomendável. A idade mínima é de 16 anos, e não se pode andar em duas pessoas.

Barcelona foi a primeira cidade da Espanha que se atreveu a fazer uma regulação específica para as patinetes, em 2017. Depois disso saíram leis em cidades como Madri, Valência e a mais avançada, que é Sevilha.

Aqui, agora, o grande problema são as patinetes "alegales" [que não são legais nem ilegais] que chamamos de Harley, porque você vai sentado como em uma moto elétrica e elas podem chegar a 70 km/h, enquanto as patinetes e bicicletas elétricas legais correm no máximo a 25 km/h. Estamos insistindo muito em regular essas, obrigando a ter registro, seguro e capacete. Os acidentes mortais que aconteceram na Espanha foram de patinetes Harley.

O debate sobre patinetes não tira o foco da discussão sobre o excesso de carros, que causam muito mais acidentes, e sobre a falta de espaço para os outros meios de transporte?

Sem dúvida. Pedestres, usuários de patinetes e bicicletas têm que se juntar para reivindicar mais espaço dos carros. Isso é uma evidência.
O que não podemos fazer é brigar entre patinetes e bicicletas. Há lugares nos Estados Unidos, como São Francisco, em que as pessoas estão tão bravas com as patinetes que estão queimando ou atirando elas no rio.

Alguma cidade já chegou a abolir as patinetes?

Abolir é um termo muito drástico. Eu diria que o termo é não facilitar. O que algumas cidades têm feito é rescindir contratos com as empresas e recolher as patinetes, como fez Madri, mas elas não podem se fechar para sempre para a situação. Como as empresas são grandes e têm grandes tentáculos de poder, tenho certeza que elas logo estarão em todo o mundo.

Vai ser muito difícil de parar as patinetes. Eu espero que seja só uma moda, mas não sabemos ainda se será uma aliada contra o carro. E também é uma boa solução para a intermodalidade [ir de um ponto a outro usando mais de um meio de transporte].

É a favor de proibir as patinetes nas calçadas?

Isso é um senso comum. O pedestre já está muito bravo com as bicicletas nas calçadas, se puser também as patinetes...

Uma associação de pessoas com deficiência da Espanha fez recentemente uma manifestação chamada Não Atropelem Meus Direitos.

Aqui em Barcelona a norma diz que se a calçada tem mais de 2,5 metros de largura, há espaço para todos. Mas se tem menos, o mais lógico é que não circulem bicicletas e muito menos patinetes, porque podem provocar acidentes.

Também é um senso comum que em vias muito rápidas não se pode colocar bicicletas nem patinetes.

A patinete é mais frágil, suas rodas são muito pequenas e qualquer pedrinha ou desnivelamento pode causar um acidente.

O governo da Alemanha e de outros lugares da Europa estão fazendo uma coisa muito legal para solucionar o problema dos loucos que usam patinete em alta velocidade.

Quando eles entram em áreas de pedestres, um satélite os freia automaticamente a 8 km/h.

Como deve ser feita a regulamentação das patinetes?

O importante é que a prefeitura tenha muito claro como quer distribuir seu espaço público, sobretudo quanto ao número de patinetes que quer colocar nas ruas.

Eu sempre recomendo começar "suavezito", pouco a pouco: colocar 50 e ver como elas convivem, ver se as pessoas têm a disciplina de deixá-las no lugar certo ou retorná-las às estações, e não as deixar largadas em qualquer lugar.

Há propostas de regulamentação em todo o mundo, ou seja, é um "copia e cola", mas a prefeitura tem que saber muito bem como responder às premissas das empresas, que fazem muita pressão.

Por que Sevilha é um exemplo de regulamentação?

Porque impôs uma regra muito clara de convivência entre pedestres, patinetes e bicicletas. Também há multas para os usuários se eles não cumprem as normas, como o limite mínimo de 15 anos de idade (que eu creio que é o ideal).

Em São Paulo a prefeitura impôs as multas às empresas, que podem repassá-las aos usuários se quiserem. Quem deve pagá-las?

Se um usuário provoca um acidente com um pedestre, a culpa é do usuário, e não da empresa. Se o usuário conduz mal, a culpa é dele, e não da empresa.

O que acha da exigência de um certificado para usar patinetes?

Não tem sentido. O que tem sentido é que a pessoa saiba das normas básicas de circulação, como quem dirige um carro ou uma moto. É bom que haja uma certa orientação, especialmente aos mais jovens, como uma aula prática e teórica que fizemos aqui no dia da mobilidade. O usuário tem que aprender a conviver, porque o que há em todos os países é muita violência viária.

Em São Paulo, a prefeitura chegou a obrigar que as empresas fornecessem capacetes, mas isso foi derrubado pela Justiça. O que pensa sobre o uso do capacete?

O capacete é sempre uma medida de segurança, claro, mas está demonstrado que quando se tem um acidente grande não faz diferença, você vai morrer igual.

Eu não sou partidário da obrigatoriedade, porque imagine um serviço público como o de Barcelona, que tem à disposição mais de 6.000 bicicletas e 400 estações, muitas vezes usadas em distâncias curtas, de forma intermodal.

Evidentemente que se cada usuário tiver que vir de casa com o seu capacete, vai se sentir desmotivado.

Acha que deve haver estações de patinetes?

É melhor que haja estações, porque no final as pessoas as deixam em qualquer lugar. É aí que os pedestres se revoltam e começam a praticar vandalismos contra elas. Aqui somos um povo de clima mediterrâneo, não somos como os povos nórdicos, não somos capazes.

Teve uma ideia boa de uma cidade na região metropolitana de Barcelona que pegou locais como saídas de metrô e pintou no chão um espaço para as patinetes, então de alguma maneira se regulou um pouco aquele espaço.

Porque as patinetes são um problema de espaço, difícil de resolver. Não é fácil implantar um novo mecanismo de mobilidade em cidades densas como Barcelona ou São Paulo. Andamos todos muito apertados.


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