Jornal Página 3

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Fundação Tompinks estrutura e doa ao governo chileno dois parques nacionais
Getty Images
Doug, no hoje Parque Nacional Pumalin “Douglas Tompkins”.

Sexta, 3/5/2019 16:18.

Por Ike Gevaerd

Entidade Conservacionista doa uma área de quase 400 mil hectares para se tornarem Parques Nacionais, e é considerada a maior doação de áreas privadas da história.

Douglas Tompkins, filantropo e empreendedor ambiental

Doug, como era conhecido pelos mais próximos, morreu em dezembro de 2015, aos 72 anos, quando fazia uma travessia de 30 km com amigos no Lago General Carrera, na Patagônia Chilena. Seu caiaque virou e ele caiu nas águas geladas do lago, e por ironia do destino, um dos maiores fabricantes de roupas esportivas, inclusive aquelas para proteger do frio, morreu de hipotermia.

Fundador das marcas esportivas North Face e Espirit, na década de 90, o milionário norte americano vendeu as empresas e partiu em busca de seu novo objetivo: criar parques e unidades de conservação na Patagônia e transforma-la num dos maiores destinos para observação da natureza selvagem. Hoje, pouco mais de três anos depois de sua morte, são, oficialmente doados ao governo chileno, quase 400 mil hectares de terras para serem protegidas e distribuídas entre os agora Parque Nacional da Patagônia e o Parque Nacional Pumalin “Douglas Tompkins”, ambos na Patagônia Chilena.

Depois de 19 anos de negociações e muita burocracia, finalmente os parrques são doados

As conversações para que as doações fossem aceitas pelo governo chileno se tornassem realidade duraram 19 anos, e passaram por diversos presidentes, começaram em 2000 com o presidente Ricardo Lagos, passando por Michelle Bachelet, (na foto com a CEO da Tompinks Conservation, Kris Tompkins), para finalmente se concretizar agora, em 2019, na gestão de Sebastián Piñera (foto: Tompkins Conservation)

Tompkins se estabeleceu na Patagônia Chilena nos anos 90, época em que iniciou a compra de milhares de hectares de terras onde se encontravam montanhas, bosques, rios, fiordes e fazendas. Seu único objetivo era conservar e preservar o que ainda restava de um dos mais espetaculares patrimônios ambientais do planeta. Incompreendido por alguns políticos e ambientalistas retrógados que o acusavam de querer transformar a região em um depósito de lixo nuclear, de querer comprar e doar as terras para os EUA, dentre outras besteiras. Mas Doug não cedeu e seguiu adiante com o objetivo de criar, restaurar, estruturar e doar para a humanidade monumentais parques naturais, o que é hoje uma realidade. Centenas de milhares de hectares são áreas públicas preservadas para as futuras gerações, sempre abertas a novas experiências, conhecimento e visitação.

30 de abril de 2019, dia em que um sonho se transformou em realidade. União e objetivos comuns. (foto:Tompkins Conservation)

Uma referência pessoal e global

Com ele, visitando as obras e estruturas do Parque Pumalin, em 2012. (foto: Divulgação)

Douglas Tompkins, exemplo para os ambientalistas e uma referência para mim. Dedicou sua vida defendendo as paisagens, as terras e as águas da Patagônia. Tive a honra de conhece-lo, estive com ele duas vezes, uma em Esteros del Iberá, na Argentina e outra nos parques e fazendas da Tompkins Conservation na Patagônia Chilena. Estávamos programando uma visita dele ao Brasil em 2016. Perdi uma referência, mas seu legado certamente continuará a nortear os que defendem a harmonia entre o ser humano e o ambiente que o cerca.

Esteros del Iberá - O primeiro contato

Harmonia entre natureza e turismo nos Esteros del Iberá. (foto Ike Gevaerd)

Já tinha ouvido falar sobre a sua organização Conservation Land Trust (CLT) e as ações desenvolvidas em defesa do Movimento Depp Ecology, (Ecologia Profunda), que prega que “ não se faz bem ao planeta em interesse do ser humano, mas sim em interesse da natureza”. Numa viagem que fiz em 2011 aos Esteros del Iberá (Corrientes), no pantanal argentino, soube que ele desenvolvia naquela região um projeto de conservação, recuperação ambiental e turismo, a Estância Rincon del Socorro, uma antiga fazenda de gado abandonada, que ele comprou em 2000, com o objetivo de restaura-la e transforma-la em um exemplo de pastoreio sustentável, cultivo orgânico, preservação e reintrodução da fauna e flora e de fomento ao ecoturismo. Um exemplo de como se fazer bem feito a união do turismo com meio ambiente. Fiquei lá duas noites na sede da fazenda, transformada numa elegante hospedaria. Sem a pretensão de encontrar Douglas, mas com um fiozinho de esperança ser possível, pois fui informado que ele estava pelas redondezas. Meia hora antes de voltar para o Brasil, já com as malas no carro, vejo um pequeno avião pousando na pequena pista da estância, pensei, é ele. “Hello Mr. Tompkins”, falei meio acanhado, ele respondeu feliz, “você é o brasileiro que veio conhecer nosso trabalho”. Pronto, dali fui convidado para a casa dele, onde por mais de duas horas me mostrou os projetos que desenvolvia na Argentina e no Chile, as dezenas de áreas de conservação e parques, os projetos de agroecologia e as campanhas socioambientais que estava desenvolvendo. Fiquei maravilhado, pois ali vi ser possível realizar o que sonhava. Dali saiu o convite para conhecer o trabalho que a Tompkins Conservation desenvolvia na Patagônia Chilena. Convite feito, convite aceito.

Laguna Blanca, seu projeto agroecológico que visto do ceu se transformava em obra de arte (foto: Tompkins Conservation)

O Parque Nacional Pumalin "Douglas Tompkins"

Sede da Tompkins Conservation, em Puerto Varas (foto: Tompkins Conservation)

No verão de 2012, na companhia de um casal amigo, seguimos em direção ao Parques Pumalim e Patagonia. A primeira parada foi na sede da Tompkins Conservation, em Puerto Varas, na região dos Lagos. Ali fomos recebidos pela hoje diretora executiva da organização ecológica, a competente Carolina Morgado, que nos apresentou os projetos desenvolvidos pela TC na Patagônia Chilena e tambem o roteiro que faríamos. Saimos de carro numa manhã ensolarada em direção ao Parque Pumalim, pela Carretera Astral, cruzando fiordes com ferrys até Caleta Gonzalo, onde ficamos hospedados numa confortavel hospedaria que fazia parte do complexo turístico/ambiental. Dali visitamos de barco e de carro, sempre ciceroniados pelos guarda parques aquela exemplar unidade de conservação.

Colônia de lobos marinhos, nos fiordes do Parque Pumalin (foto: Ike Gevaerd)

A seguir uma breve descrição do que é o Parque Pumalin feita pela TC: “Embora a filantropia relacionada à natureza tenha uma longa tradição nos Estados Unidos, a aquisição de terras privadas em grande escala para transforma-las parques, não era familiar no Chile e gerou inicialmente ceticismo e oposição política. Ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto, a confiança foi construída, tanto local quanto nacionalmente, pois a infraestrutura de acesso público de trilhas, acampamentos, centros de informação, cafés e cabanas do Parque Pumalin começaram a atender milhares de visitantes anualmente. Várias pequenas fazendas posicionadas estrategicamente ao redor do parque contribuem para a boa administração do parque, com atividades como pecuária sustentável, ecoturismo, artesanato em lã e produção de mel. Essas fazendas orgânicas funcionam simultaneamente como estações de guarda-parques e centros de informações ao visitante. Dessa forma, tanto a conservação quanto a contribuição para a economia local são alcançadas. O projeto trabalha ativamente para incluir os vizinhos do parque, criando uma aproximação cultural para a conservação da biodiversidade e para demonstrar como a economia agrária, cuidadosamente combinada com as condições locais, pode sustentar a biodiversidade enquanto cria oportunidades econômicas”

Estância Reñihue, de fazenda degrada a um exemplo de sustentabilidade, no Parque Pumalin (foto: Ike Gevaerd)

Parque Nacional da Patagônia - Final da Carretera Astral

Montanhas, campos e uma estrada cênica. Parque Patagônia (foto: Ike Gevaerd)

Depois de visitar Pumalin seguimos em direção ao Vale Chacabuco, onde esta localizada a sede do parque, perto da cidade de Cochcrane, praticamente no final dos 2.800 km da Carretera Astral. Em 2012 ainda estavam sendo construídas a maioria das estruturas que iriam compor o parque, como o centro de visitantes, o restaurante, os campings, os locais para observação e contemplação da natureza e a casa dos guardas parques. O Lodge onde ficamos hospedados estava concluído e sua arquitetura foi inspirada em estruturas existentes em parques mundo afora. O acabamento impecável do lodge é o mesmo aplicado em todas as estruturas, , nivelando pela qualidade as construções existentes no parque. Um detalhe, todos os projetos tiveram orientação e supervisão de Doug. Chegamos a Chacabuco quase a noite e fomos recepcionados por Kris e Doug e jantamos cedo pois no outro dia, iriamos acompanhar Doug na supervisão das obras que estavam sendo implantadas.

 Estruturas localizadas no coração do parque. (foto: Tompkins Conservation)

Neste dia pude observar a dedicação e o carinho que ele tinha pelo que fazia. Para mim um incentivo a continuar o trabalho similar, guardada as devidas proporções, que tentava implantar em Santa Catarina. Foi um longo dia e a noite jantamos novamente, agora na casa deles. O menu simples e orgânico regado, de um bom vinho. Conversamos sobre projetos futuros e começamos a pensar sobre uma possível vinda a Santa Catarina, para conhecer nossas áreas protegidas.

Na década de 80, quando vinha num pequeno bimotor em direção à Patagônia fez uma escala técnica em Florianópolis, me confessou que tinha vontade de voltar um dia. Infelizmente quando estávamos quase lá, ele nos deixou, mas também nos deixou seu legado e o exemplo, que hoje é seguido por seus colaboradores. Parabéns Kris e Carolina, vocês conseguiram.

“Neste século ninguém fez doaçõe de terras para serem preservadas como Douglas Tompkins.” Thanks. (foto: Ike Gevaerd)

Ike Gevaerd, é ambientalista e Secretário do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

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Equipe de revezamento é a mais rápida do Continente 


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Dos 16 secretários do início do governo só um ficou no cargo


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Fundação Tompinks estrutura e doa ao governo chileno dois parques nacionais

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Doug, no hoje Parque Nacional Pumalin “Douglas Tompkins”.
Doug, no hoje Parque Nacional Pumalin “Douglas Tompkins”.

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Sexta, 3/5/2019 16:18.

Por Ike Gevaerd

Entidade Conservacionista doa uma área de quase 400 mil hectares para se tornarem Parques Nacionais, e é considerada a maior doação de áreas privadas da história.

Douglas Tompkins, filantropo e empreendedor ambiental

Doug, como era conhecido pelos mais próximos, morreu em dezembro de 2015, aos 72 anos, quando fazia uma travessia de 30 km com amigos no Lago General Carrera, na Patagônia Chilena. Seu caiaque virou e ele caiu nas águas geladas do lago, e por ironia do destino, um dos maiores fabricantes de roupas esportivas, inclusive aquelas para proteger do frio, morreu de hipotermia.

Fundador das marcas esportivas North Face e Espirit, na década de 90, o milionário norte americano vendeu as empresas e partiu em busca de seu novo objetivo: criar parques e unidades de conservação na Patagônia e transforma-la num dos maiores destinos para observação da natureza selvagem. Hoje, pouco mais de três anos depois de sua morte, são, oficialmente doados ao governo chileno, quase 400 mil hectares de terras para serem protegidas e distribuídas entre os agora Parque Nacional da Patagônia e o Parque Nacional Pumalin “Douglas Tompkins”, ambos na Patagônia Chilena.

Depois de 19 anos de negociações e muita burocracia, finalmente os parrques são doados

As conversações para que as doações fossem aceitas pelo governo chileno se tornassem realidade duraram 19 anos, e passaram por diversos presidentes, começaram em 2000 com o presidente Ricardo Lagos, passando por Michelle Bachelet, (na foto com a CEO da Tompinks Conservation, Kris Tompkins), para finalmente se concretizar agora, em 2019, na gestão de Sebastián Piñera (foto: Tompkins Conservation)

Tompkins se estabeleceu na Patagônia Chilena nos anos 90, época em que iniciou a compra de milhares de hectares de terras onde se encontravam montanhas, bosques, rios, fiordes e fazendas. Seu único objetivo era conservar e preservar o que ainda restava de um dos mais espetaculares patrimônios ambientais do planeta. Incompreendido por alguns políticos e ambientalistas retrógados que o acusavam de querer transformar a região em um depósito de lixo nuclear, de querer comprar e doar as terras para os EUA, dentre outras besteiras. Mas Doug não cedeu e seguiu adiante com o objetivo de criar, restaurar, estruturar e doar para a humanidade monumentais parques naturais, o que é hoje uma realidade. Centenas de milhares de hectares são áreas públicas preservadas para as futuras gerações, sempre abertas a novas experiências, conhecimento e visitação.

30 de abril de 2019, dia em que um sonho se transformou em realidade. União e objetivos comuns. (foto:Tompkins Conservation)

Uma referência pessoal e global

Com ele, visitando as obras e estruturas do Parque Pumalin, em 2012. (foto: Divulgação)

Douglas Tompkins, exemplo para os ambientalistas e uma referência para mim. Dedicou sua vida defendendo as paisagens, as terras e as águas da Patagônia. Tive a honra de conhece-lo, estive com ele duas vezes, uma em Esteros del Iberá, na Argentina e outra nos parques e fazendas da Tompkins Conservation na Patagônia Chilena. Estávamos programando uma visita dele ao Brasil em 2016. Perdi uma referência, mas seu legado certamente continuará a nortear os que defendem a harmonia entre o ser humano e o ambiente que o cerca.

Esteros del Iberá - O primeiro contato

Harmonia entre natureza e turismo nos Esteros del Iberá. (foto Ike Gevaerd)

Já tinha ouvido falar sobre a sua organização Conservation Land Trust (CLT) e as ações desenvolvidas em defesa do Movimento Depp Ecology, (Ecologia Profunda), que prega que “ não se faz bem ao planeta em interesse do ser humano, mas sim em interesse da natureza”. Numa viagem que fiz em 2011 aos Esteros del Iberá (Corrientes), no pantanal argentino, soube que ele desenvolvia naquela região um projeto de conservação, recuperação ambiental e turismo, a Estância Rincon del Socorro, uma antiga fazenda de gado abandonada, que ele comprou em 2000, com o objetivo de restaura-la e transforma-la em um exemplo de pastoreio sustentável, cultivo orgânico, preservação e reintrodução da fauna e flora e de fomento ao ecoturismo. Um exemplo de como se fazer bem feito a união do turismo com meio ambiente. Fiquei lá duas noites na sede da fazenda, transformada numa elegante hospedaria. Sem a pretensão de encontrar Douglas, mas com um fiozinho de esperança ser possível, pois fui informado que ele estava pelas redondezas. Meia hora antes de voltar para o Brasil, já com as malas no carro, vejo um pequeno avião pousando na pequena pista da estância, pensei, é ele. “Hello Mr. Tompkins”, falei meio acanhado, ele respondeu feliz, “você é o brasileiro que veio conhecer nosso trabalho”. Pronto, dali fui convidado para a casa dele, onde por mais de duas horas me mostrou os projetos que desenvolvia na Argentina e no Chile, as dezenas de áreas de conservação e parques, os projetos de agroecologia e as campanhas socioambientais que estava desenvolvendo. Fiquei maravilhado, pois ali vi ser possível realizar o que sonhava. Dali saiu o convite para conhecer o trabalho que a Tompkins Conservation desenvolvia na Patagônia Chilena. Convite feito, convite aceito.

Laguna Blanca, seu projeto agroecológico que visto do ceu se transformava em obra de arte (foto: Tompkins Conservation)

O Parque Nacional Pumalin "Douglas Tompkins"

Sede da Tompkins Conservation, em Puerto Varas (foto: Tompkins Conservation)

No verão de 2012, na companhia de um casal amigo, seguimos em direção ao Parques Pumalim e Patagonia. A primeira parada foi na sede da Tompkins Conservation, em Puerto Varas, na região dos Lagos. Ali fomos recebidos pela hoje diretora executiva da organização ecológica, a competente Carolina Morgado, que nos apresentou os projetos desenvolvidos pela TC na Patagônia Chilena e tambem o roteiro que faríamos. Saimos de carro numa manhã ensolarada em direção ao Parque Pumalim, pela Carretera Astral, cruzando fiordes com ferrys até Caleta Gonzalo, onde ficamos hospedados numa confortavel hospedaria que fazia parte do complexo turístico/ambiental. Dali visitamos de barco e de carro, sempre ciceroniados pelos guarda parques aquela exemplar unidade de conservação.

Colônia de lobos marinhos, nos fiordes do Parque Pumalin (foto: Ike Gevaerd)

A seguir uma breve descrição do que é o Parque Pumalin feita pela TC: “Embora a filantropia relacionada à natureza tenha uma longa tradição nos Estados Unidos, a aquisição de terras privadas em grande escala para transforma-las parques, não era familiar no Chile e gerou inicialmente ceticismo e oposição política. Ao longo dos anos de desenvolvimento do projeto, a confiança foi construída, tanto local quanto nacionalmente, pois a infraestrutura de acesso público de trilhas, acampamentos, centros de informação, cafés e cabanas do Parque Pumalin começaram a atender milhares de visitantes anualmente. Várias pequenas fazendas posicionadas estrategicamente ao redor do parque contribuem para a boa administração do parque, com atividades como pecuária sustentável, ecoturismo, artesanato em lã e produção de mel. Essas fazendas orgânicas funcionam simultaneamente como estações de guarda-parques e centros de informações ao visitante. Dessa forma, tanto a conservação quanto a contribuição para a economia local são alcançadas. O projeto trabalha ativamente para incluir os vizinhos do parque, criando uma aproximação cultural para a conservação da biodiversidade e para demonstrar como a economia agrária, cuidadosamente combinada com as condições locais, pode sustentar a biodiversidade enquanto cria oportunidades econômicas”

Estância Reñihue, de fazenda degrada a um exemplo de sustentabilidade, no Parque Pumalin (foto: Ike Gevaerd)

Parque Nacional da Patagônia - Final da Carretera Astral

Montanhas, campos e uma estrada cênica. Parque Patagônia (foto: Ike Gevaerd)

Depois de visitar Pumalin seguimos em direção ao Vale Chacabuco, onde esta localizada a sede do parque, perto da cidade de Cochcrane, praticamente no final dos 2.800 km da Carretera Astral. Em 2012 ainda estavam sendo construídas a maioria das estruturas que iriam compor o parque, como o centro de visitantes, o restaurante, os campings, os locais para observação e contemplação da natureza e a casa dos guardas parques. O Lodge onde ficamos hospedados estava concluído e sua arquitetura foi inspirada em estruturas existentes em parques mundo afora. O acabamento impecável do lodge é o mesmo aplicado em todas as estruturas, , nivelando pela qualidade as construções existentes no parque. Um detalhe, todos os projetos tiveram orientação e supervisão de Doug. Chegamos a Chacabuco quase a noite e fomos recepcionados por Kris e Doug e jantamos cedo pois no outro dia, iriamos acompanhar Doug na supervisão das obras que estavam sendo implantadas.

 Estruturas localizadas no coração do parque. (foto: Tompkins Conservation)

Neste dia pude observar a dedicação e o carinho que ele tinha pelo que fazia. Para mim um incentivo a continuar o trabalho similar, guardada as devidas proporções, que tentava implantar em Santa Catarina. Foi um longo dia e a noite jantamos novamente, agora na casa deles. O menu simples e orgânico regado, de um bom vinho. Conversamos sobre projetos futuros e começamos a pensar sobre uma possível vinda a Santa Catarina, para conhecer nossas áreas protegidas.

Na década de 80, quando vinha num pequeno bimotor em direção à Patagônia fez uma escala técnica em Florianópolis, me confessou que tinha vontade de voltar um dia. Infelizmente quando estávamos quase lá, ele nos deixou, mas também nos deixou seu legado e o exemplo, que hoje é seguido por seus colaboradores. Parabéns Kris e Carolina, vocês conseguiram.

“Neste século ninguém fez doaçõe de terras para serem preservadas como Douglas Tompkins.” Thanks. (foto: Ike Gevaerd)

Ike Gevaerd, é ambientalista e Secretário do Meio Ambiente de Balneário Camboriú

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