Jornal Página 3

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Camboriú 135 anos: Página 3 entrevista o prefeito Elcio Kuhnen
Renata Rutes Henning.

Sexta, 29/3/2019 7:37.

No próximo dia 5, Camboriú completa 135 anos de emancipação política, com cerca de 82 mil habitantes e em constante crescimento. A histórica cidade terá a partir de segunda-feira (1º), uma programação voltada para a família, com apresentações artísticas, Feira Literária, Feira Gastronômica, passeio ciclístico, e outras atrações. No dia do aniversário acontece o corte de bolo, às 15h.

O Página 3 esteve na prefeitura de Camboriú na tarde de quinta-feira (28) e conversou com o prefeito, Elcio Kuhnen, sobre a situação atual do município, investimentos, economia e visão para o futuro.

JP3 – Como o senhor vê os 135 anos de Camboriú? Uma data importante, e a prefeitura está focando em fazer uma comemoração para toda a comunidade...

Elcio Kuhnen – Primeiramente agradecemos à sociedade organizada como um todo que está se unindo para celebrar os 135 anos e recordar também, com saudosismo e respeito com os nossos antepassados que construíram essa cidade, que já é mais do que centenária.

Para mim, como morador de Camboriú, tenho muito orgulho em estar como prefeito do município nessa data. Respeito muito essa cidade que acompanhou até mesmo a construção do Brasil, até o início da República.

Camboriú é uma cidade muito hospitaleira, de um povo que agrega valores familiares desde o início de sua emancipação. Quem conhece Camboriú sabe o quanto essa cidade é de um povo querido, um município realmente muito bom de se viver.

JP3 – A situação econômica de Camboriú é um tema recorrente, porque comparada com municípios vizinhos tem uma arrecadação menor. Como o senhor está trabalhando nisso?

Elcio Kuhnen – Camboriú, devido ao crescimento populacional desproporcional ao aumento da receita, não é uma cidade de fácil gestão. São 82 mil habitantes com um orçamento de R$ 191 milhões. Quando a gente passa a comparar com os municípios vizinhos nós somos per capta a menor receita, isso mostra a dificuldade em manter qualidade de vida em uma cidade que tem déficit de emprego e que possui problemas sociais.

Mas, temos sim compromisso e determinação para trazer melhorias e bem como auxílio de recursos, que estamos buscando a nível federal e estadual. Com a crise nacional recente, a dificuldade de aumento de receita do município dificultou ainda mais a produção de grandes obras na cidade, mas nós temos diretrizes muito bem traçadas, como a melhoria da saúde pública.

Já reabrimos o hospital, estamos reformando e cuidando da cidade e de todos os equipamentos públicos, seja quadra de esportes, colégios... todos que possuem necessidades estão passando por melhorias e ampliação. Iluminação pública também está sendo nosso foco. Acredito que estamos desempenhando um papel muito bom cuidando de nossa cidade.

Por falta de servidores no serviço de obras temos algumas deficiências de manter, por exemplo, a capina do mato de forma ideal para os moradores, porém não se vê mais sujeira nas ruas. Se vê alguns buracos, mas que com a força tarefa vamos corrigir, tanto nas calçadas quanto nas ruas, além da troca de tubulação, que é muito antiga. Os tubos são muito antigos, pequenos, tendem ao apodrecimento e estouram.

A gente passa por essa dificuldade, além de sermos uma cidade quase no nível do mar, uma drenagem hídrica que é desfavorável. Quando o mar e o Rio Camboriú sobem toda a nossa macrodrenagem da rede pluvial, por não ter saneamento, nas enxurradas e nessa situação acontecem os problemas de enchente nas áreas mais baixas.

JP3 – E estão sendo realizados cortes de funcionários? Como o senhor tem trabalho para melhorar a economia com a arrecadação local?

Elcio Kuhnen – Os nossos cortes, principalmente em gastos, foram muito bem estudados. Coisas básicas, como nunca foi trocado ou comprado um novo carro para o prefeito. O carro que eu tenho é um veículo de 2013, e já estamos em 2019. Copo, jarra, cadeira, uma poltrona... tudo o que você vê no meu gabinete já existia antes. Procuramos evitar novos gastos. Funcionários hoje temos menos, hoje a gente saiu de 61% dentro da folha para 56%, mas com aumento significativo no investimento na educação e na saúde.

Na educação já está em torno de 38%, já é o maior investimento da história da cidade dentro do nosso orçamento.

Na saúde já estamos em torno de 21%. Em 2017 já era em torno de 16, 17%, e já estamos em 21, e vamos aumentar ainda mais em 2019.

JP3 – E quais são esses investimentos que vem sendo feitos?

Elcio Kuhnen – Temos agora um mutirão muito grande para exames laboratoriais e de diagnóstico por imagem, como ressonância e tomografia, que de acordo com a população a fila ainda é grande. Conseguimos quase zerar a fila de várias cirurgias, agora que o hospital está aberto.

Conseguimos pavimentar algumas ruas, através de pavimentação comunitária, que foi importante para a população, algumas com emendas parlamentares, que agora estão sendo liberadas pela Caixa para pavimentação, e algumas com recursos próprios.

Focamos na transparência do poder público e também no pregão eletrônico. Essas melhorias fizeram com que Camboriú recebesse até uma homenagem na Assembleia Legislativa pela eficiência na gestão com relação às ferramentas atuais do controle do dinheiro público.

Através dos nossos pregões compramos a merenda, que é quase a mais barata e ao mesmo tempo de alta qualidade nutritiva, trouxemos de volta o uniforme escolar, jogos escolares... Eram coisas que não tinha e que o povo de Camboriú pedia.

Reformamos escolas que estavam em situação muito precária, tudo com recurso próprio. Temos um orgulho muito grande hoje em dizer que éramos letra C no Tesouro Nacional e hoje somos letra A, como bom pagador.

Só carros e caminhões que adquirimos em dezembro foram 17, e mês que vem virão mais quatro, importantes na renovação da frota. Não fizemos uma carta convite na prefeitura, ou seja, não escolhemos nenhum fornecedor, em nenhum momento desses dois anos e três meses de gestão. E temos muito orgulho em dizer que tudo o que fizemos agora está pago, não temos um centavo de dívida com fornecedor.

Somos pequenos em relação à receita, mas com muita responsabilidade e credibilidade.

JP3 – Qual é a arrecadação de Camboriú hoje? E o IPTU?

Elcio Kuhnen – R$ 191 milhões a arrecadação. Hoje o IPTU e os tributos que vêm do governo federal são a nossa principal fonte de renda. Camboriú ainda é uma cidade que depende dos tributos para sobreviver. Não temos uma fonte, uma matriz econômica, como área industrial ou turismo, que abastece o comércio e rende, como em Balneário Camboriú.

JP3 – E verba federal e estadual quanto Camboriú tem recebido?

Elcio Kuhnen – Olha, de emendas, que vem direto de senador e deputado, nós fomos contemplados aí nesses dois anos com aproximadamente R$ 8 milhões, de Brasília e do Estado. Estamos tentando mais, para 2019 já fomos contemplados com R$ 2,8 milhões na saúde e aguardando mais R$ 800 mil de emendas para infraestrutura, para pavimentação de ruas.

JP3 – Um ponto bastante debatido, a exemplo de Florianópolis, é o investimento na área industrial. Camboriú possui pontos que podem abrigar empresas...

Elcio Kuhnen – Estamos trabalhando nisso. Já conseguimos fazer a regularização de área fundiária (dar escritura para quem não possui a sua posse, o direito de ter o documento) no Conde Vila Verde e também a reintegração de posse, onde já retiramos mais de 300 moradias em área pública. Agora estamos terminando a reintegração na áea industrial, onde nove áreas serão oferecidas através de edital.

Pelo menos 20 empresas estão interessadas, e vão gerar mais empregos e maior receita para o município. Uma nova área industrial está sendo estudada no Rio do Meio, na direção da Rodovia Antônio Heil, em Itajaí, porque ali logisticamente é favorável a entrada tanto na InovaAmfri, que vai ter um polo de inovação tecnológica ali próximo, como no Porto de Itajaí, para deslocamento de caminhões dessas empresas.

JP3 – O senhor comentou sobre o turismo. Por exemplo, o turismo religioso é bem forte em Camboriú, além das áreas rurais que também podem receber visitantes...

Elcio Kuhnen – Sim, temos a Festa do Divino, que já tem mais de 170 anos, e é um orgulho para a cidade. Temos o Gideões, na 37ª edição, que dentro do segmento evangélico é quase a maior festa de missões do Brasil, trazendo gente de várias partes do mundo, que acontece agora entre abril e maio.

Também estamos dentro do Caminho de Santa Paulina, que agora passa a ser um caminho turístico de Santa Catarina, já aprovado pela Assembleia Legislativa. Podemos através dele adquirir recursos, e esperamos ter um futuro promissor nessa área.

Temos o cicloturismo, que cresceu muito em Camboriú, através do Turismo Ecológico. Temos um mirante que vai ser construído no Caeté, com pavimentação asfáltica que também será um atrativo turístico. Estamos no processo de entrega de projeto para a Caixa, aguardando a licitação da obra. Ganhamos R$ 1,1 milhão do Ministério do Turismo.

Também estamos sempre auxiliando o turismo rural, várias pousadas e rica gastronomia – temos vários produtos orgânicos, nosso lambari, o tortéi... Muito já se fez pelo turismo rural em Camboriú nos últimos 20 anos, mas até hoje não conseguimos um público satisfatório em questão de receita.

JP3 – E a segurança da cidade? As ações estão sendo intensificadas junto à Polícia Militar, por exemplo?

Elcio Kuhnen – Somos totalmente colaboradores com o trabalho da PM e Polícia Civil, inclusive os dados do ano passado mostram que já estamos melhorando significativamente. Em 2018 reduzimos bastante o número de homicídios. Isso é mérito totalmente das forças da segurança e das rondas que fazem, junto da melhoria da iluminação pública através do Poder Público.

Todas as escolas possuem iluminação em seus entornos, evitando que delitos aconteçam. Essa sensação de segurança favorece, mas queremos e estamos buscando melhores índices.

E também somos gratos ao entendimento da população em colaborar com projetos da área da segurança, a exemplo do Rede de Vizinhos e o Sou Estudante, Sou Cidadão, que já vem trazendo bons resultados. Todos assumimos o compromisso e queremos evitar ao máximo que nossa população sofra qualquer tipo de risco.

JP3 – Como está a questão do transporte público? Se debate muito também a integração entre as cidades da região...

Elcio Kuhnen – Sim, debatemos isso a nível de Amfri (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí). Integração, os vencimentos das concessões para as empresas que têm direito de atuar, até mesmo a nível de DETER, a nível de Florianópolis.

Estamos preocupados com o crescimento populacional e com alguns trechos que são solicitados pela população. Há algum tempo tivemos uma audiência pública para ouvir as opiniões do público, que merecem ser respeitadas. Sabemos que são esses os cidadãos que sofrem dificuldade quando precisam de um transporte integrado, moderno, com horários mais flexíveis e também com um valor acessível.

Não adianta colocarmos 80 pessoas dentro de um ônibus e achar que isso é um transporte coletivo de qualidade, porque não é. Dentro dessa sintonia que queremos evoluir e melhorar o transporte não só de Camboriú e sim de toda a região, pois nos conectamos diariamente.

JP3 – Outro tema bastante discutido é a questão da água e do saneamento. Houve a conversa de parceria com Balneário, através da Emasa... como está isso? 

Elcio Kuhnen – Camboriú tem menos dificuldade de água do que Balneário Camboriú, até porque temos a outorga de 210 litros por segundo e não utilizamos nem 150, nos maiores picos chega a no máximo 160. Então Camboriú não está passando por algo emergencial, como Balneário Camboriú. Se Camboriú utilizasse os 210 litros, com certeza Balneário passaria já no próximo verão a ter dificuldades de água.

Temos a preocupação exatamente com isso, se houver a necessidade o que faremos? É nisso que estamos focando agora. Temos a discussão do parque inundável, de outros reservatórios e captações. A empresa que está em concessão tem que nos dar essa resposta, os poderes Executivo e Legislativo tem que cobrar e discutir.

Temos bons projetos para avaliar e debater, e temos que decidir isso tudo o quanto antes, porque o tempo passa muito rápido e ali na frente a sociedade vai pagar um preço caro por não termos maturidade no momento que antecede a crise hídrica que pode chegar em menos de cinco, seis anos.

Temos o problema do saneamento básico, que além da poluição do rio não temos esgoto tratado. Nas novas ruas que estão sendo pavimentadas, principalmente com orçamento da Caixa Econômica, já estamos vendo para colocar tubulação, mas a estação de tratamento precisa ser discutida, se vai ser a de Balneário, se vai ser outra e como vai ser feito. É uma obra que vai custar de 80 a R$ 100 milhões e Camboriú não tem essa capacidade, precisamos de parceria.

A Emasa ofereceu e depois não retornou mais com uma resposta favorável. Aguardamos uma definição e também já cobramos com a empresa que tem a concessão da água para discutirmos e levarmos adiante a questão do saneamento básico, então eles tem a obrigação de um investimento de R$ 40 milhões que podemos questionar. Temos bastante interesse em resolver todos esses problemas, mas não cabe somente a Camboriú, e sim também de Balneário e até de outras empresas e sociedade organizada. Minha preocupação é quando não há uma evolução nessa discussão, e aí o tempo vai passando e a gente não vai conseguir resolver no prazo ideal esses graves problemas, que é tanto a poluição como a falta de água.

JP3 – Para finalizar, como o senhor vê o futuro de Camboriú e espera que a cidade conquiste?

Elcio Kuhnen – Camboriú é muito bem situada, de muitas divisas, entre sete municípios, Norte, Sul, Leste e Oeste. É uma cidade que tem sim um povo amável, querido e hospitaleiro, além de uma incidência de um povo cristão muito elevada. Mas Camboriú precisa de um grande avanço na geração de empregos, nós precisamos aumentar a receita do município.

Esse é o principal desafio para as gestões futuras, que daqui a pouco não vão poder ter nem funcionários porque não vai ter receita para pagar todos, já que o aumento da receita pode vir a ser menor do que o aumento salarial natural que acontece todos os anos.

Então é necessário que a cidade de Camboriú busque o progresso através de iniciativas de geração de emprego e aumento da receita para assim o município melhor a sua infraestrutura e segurança, trazendo saúde e qualidade de vida para a população.

A educação tem melhorado muito e com isso tenho certeza que Camboriú tem só a evoluir na próxima década. Hoje somos a 15ª maior cidade de Santa Catarina, e nos próximos 15 anos podemos estar entre as 10 ou sermos a 10ª pelo crescimento bastante acelerado populacional e nós precisamos sim lutar por uma Camboriú sempre melhor.

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Camboriú 135 anos: Página 3 entrevista o prefeito Elcio Kuhnen

Renata Rutes Henning.

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Sexta, 29/3/2019 7:37.

No próximo dia 5, Camboriú completa 135 anos de emancipação política, com cerca de 82 mil habitantes e em constante crescimento. A histórica cidade terá a partir de segunda-feira (1º), uma programação voltada para a família, com apresentações artísticas, Feira Literária, Feira Gastronômica, passeio ciclístico, e outras atrações. No dia do aniversário acontece o corte de bolo, às 15h.

O Página 3 esteve na prefeitura de Camboriú na tarde de quinta-feira (28) e conversou com o prefeito, Elcio Kuhnen, sobre a situação atual do município, investimentos, economia e visão para o futuro.

JP3 – Como o senhor vê os 135 anos de Camboriú? Uma data importante, e a prefeitura está focando em fazer uma comemoração para toda a comunidade...

Elcio Kuhnen – Primeiramente agradecemos à sociedade organizada como um todo que está se unindo para celebrar os 135 anos e recordar também, com saudosismo e respeito com os nossos antepassados que construíram essa cidade, que já é mais do que centenária.

Para mim, como morador de Camboriú, tenho muito orgulho em estar como prefeito do município nessa data. Respeito muito essa cidade que acompanhou até mesmo a construção do Brasil, até o início da República.

Camboriú é uma cidade muito hospitaleira, de um povo que agrega valores familiares desde o início de sua emancipação. Quem conhece Camboriú sabe o quanto essa cidade é de um povo querido, um município realmente muito bom de se viver.

JP3 – A situação econômica de Camboriú é um tema recorrente, porque comparada com municípios vizinhos tem uma arrecadação menor. Como o senhor está trabalhando nisso?

Elcio Kuhnen – Camboriú, devido ao crescimento populacional desproporcional ao aumento da receita, não é uma cidade de fácil gestão. São 82 mil habitantes com um orçamento de R$ 191 milhões. Quando a gente passa a comparar com os municípios vizinhos nós somos per capta a menor receita, isso mostra a dificuldade em manter qualidade de vida em uma cidade que tem déficit de emprego e que possui problemas sociais.

Mas, temos sim compromisso e determinação para trazer melhorias e bem como auxílio de recursos, que estamos buscando a nível federal e estadual. Com a crise nacional recente, a dificuldade de aumento de receita do município dificultou ainda mais a produção de grandes obras na cidade, mas nós temos diretrizes muito bem traçadas, como a melhoria da saúde pública.

Já reabrimos o hospital, estamos reformando e cuidando da cidade e de todos os equipamentos públicos, seja quadra de esportes, colégios... todos que possuem necessidades estão passando por melhorias e ampliação. Iluminação pública também está sendo nosso foco. Acredito que estamos desempenhando um papel muito bom cuidando de nossa cidade.

Por falta de servidores no serviço de obras temos algumas deficiências de manter, por exemplo, a capina do mato de forma ideal para os moradores, porém não se vê mais sujeira nas ruas. Se vê alguns buracos, mas que com a força tarefa vamos corrigir, tanto nas calçadas quanto nas ruas, além da troca de tubulação, que é muito antiga. Os tubos são muito antigos, pequenos, tendem ao apodrecimento e estouram.

A gente passa por essa dificuldade, além de sermos uma cidade quase no nível do mar, uma drenagem hídrica que é desfavorável. Quando o mar e o Rio Camboriú sobem toda a nossa macrodrenagem da rede pluvial, por não ter saneamento, nas enxurradas e nessa situação acontecem os problemas de enchente nas áreas mais baixas.

JP3 – E estão sendo realizados cortes de funcionários? Como o senhor tem trabalho para melhorar a economia com a arrecadação local?

Elcio Kuhnen – Os nossos cortes, principalmente em gastos, foram muito bem estudados. Coisas básicas, como nunca foi trocado ou comprado um novo carro para o prefeito. O carro que eu tenho é um veículo de 2013, e já estamos em 2019. Copo, jarra, cadeira, uma poltrona... tudo o que você vê no meu gabinete já existia antes. Procuramos evitar novos gastos. Funcionários hoje temos menos, hoje a gente saiu de 61% dentro da folha para 56%, mas com aumento significativo no investimento na educação e na saúde.

Na educação já está em torno de 38%, já é o maior investimento da história da cidade dentro do nosso orçamento.

Na saúde já estamos em torno de 21%. Em 2017 já era em torno de 16, 17%, e já estamos em 21, e vamos aumentar ainda mais em 2019.

JP3 – E quais são esses investimentos que vem sendo feitos?

Elcio Kuhnen – Temos agora um mutirão muito grande para exames laboratoriais e de diagnóstico por imagem, como ressonância e tomografia, que de acordo com a população a fila ainda é grande. Conseguimos quase zerar a fila de várias cirurgias, agora que o hospital está aberto.

Conseguimos pavimentar algumas ruas, através de pavimentação comunitária, que foi importante para a população, algumas com emendas parlamentares, que agora estão sendo liberadas pela Caixa para pavimentação, e algumas com recursos próprios.

Focamos na transparência do poder público e também no pregão eletrônico. Essas melhorias fizeram com que Camboriú recebesse até uma homenagem na Assembleia Legislativa pela eficiência na gestão com relação às ferramentas atuais do controle do dinheiro público.

Através dos nossos pregões compramos a merenda, que é quase a mais barata e ao mesmo tempo de alta qualidade nutritiva, trouxemos de volta o uniforme escolar, jogos escolares... Eram coisas que não tinha e que o povo de Camboriú pedia.

Reformamos escolas que estavam em situação muito precária, tudo com recurso próprio. Temos um orgulho muito grande hoje em dizer que éramos letra C no Tesouro Nacional e hoje somos letra A, como bom pagador.

Só carros e caminhões que adquirimos em dezembro foram 17, e mês que vem virão mais quatro, importantes na renovação da frota. Não fizemos uma carta convite na prefeitura, ou seja, não escolhemos nenhum fornecedor, em nenhum momento desses dois anos e três meses de gestão. E temos muito orgulho em dizer que tudo o que fizemos agora está pago, não temos um centavo de dívida com fornecedor.

Somos pequenos em relação à receita, mas com muita responsabilidade e credibilidade.

JP3 – Qual é a arrecadação de Camboriú hoje? E o IPTU?

Elcio Kuhnen – R$ 191 milhões a arrecadação. Hoje o IPTU e os tributos que vêm do governo federal são a nossa principal fonte de renda. Camboriú ainda é uma cidade que depende dos tributos para sobreviver. Não temos uma fonte, uma matriz econômica, como área industrial ou turismo, que abastece o comércio e rende, como em Balneário Camboriú.

JP3 – E verba federal e estadual quanto Camboriú tem recebido?

Elcio Kuhnen – Olha, de emendas, que vem direto de senador e deputado, nós fomos contemplados aí nesses dois anos com aproximadamente R$ 8 milhões, de Brasília e do Estado. Estamos tentando mais, para 2019 já fomos contemplados com R$ 2,8 milhões na saúde e aguardando mais R$ 800 mil de emendas para infraestrutura, para pavimentação de ruas.

JP3 – Um ponto bastante debatido, a exemplo de Florianópolis, é o investimento na área industrial. Camboriú possui pontos que podem abrigar empresas...

Elcio Kuhnen – Estamos trabalhando nisso. Já conseguimos fazer a regularização de área fundiária (dar escritura para quem não possui a sua posse, o direito de ter o documento) no Conde Vila Verde e também a reintegração de posse, onde já retiramos mais de 300 moradias em área pública. Agora estamos terminando a reintegração na áea industrial, onde nove áreas serão oferecidas através de edital.

Pelo menos 20 empresas estão interessadas, e vão gerar mais empregos e maior receita para o município. Uma nova área industrial está sendo estudada no Rio do Meio, na direção da Rodovia Antônio Heil, em Itajaí, porque ali logisticamente é favorável a entrada tanto na InovaAmfri, que vai ter um polo de inovação tecnológica ali próximo, como no Porto de Itajaí, para deslocamento de caminhões dessas empresas.

JP3 – O senhor comentou sobre o turismo. Por exemplo, o turismo religioso é bem forte em Camboriú, além das áreas rurais que também podem receber visitantes...

Elcio Kuhnen – Sim, temos a Festa do Divino, que já tem mais de 170 anos, e é um orgulho para a cidade. Temos o Gideões, na 37ª edição, que dentro do segmento evangélico é quase a maior festa de missões do Brasil, trazendo gente de várias partes do mundo, que acontece agora entre abril e maio.

Também estamos dentro do Caminho de Santa Paulina, que agora passa a ser um caminho turístico de Santa Catarina, já aprovado pela Assembleia Legislativa. Podemos através dele adquirir recursos, e esperamos ter um futuro promissor nessa área.

Temos o cicloturismo, que cresceu muito em Camboriú, através do Turismo Ecológico. Temos um mirante que vai ser construído no Caeté, com pavimentação asfáltica que também será um atrativo turístico. Estamos no processo de entrega de projeto para a Caixa, aguardando a licitação da obra. Ganhamos R$ 1,1 milhão do Ministério do Turismo.

Também estamos sempre auxiliando o turismo rural, várias pousadas e rica gastronomia – temos vários produtos orgânicos, nosso lambari, o tortéi... Muito já se fez pelo turismo rural em Camboriú nos últimos 20 anos, mas até hoje não conseguimos um público satisfatório em questão de receita.

JP3 – E a segurança da cidade? As ações estão sendo intensificadas junto à Polícia Militar, por exemplo?

Elcio Kuhnen – Somos totalmente colaboradores com o trabalho da PM e Polícia Civil, inclusive os dados do ano passado mostram que já estamos melhorando significativamente. Em 2018 reduzimos bastante o número de homicídios. Isso é mérito totalmente das forças da segurança e das rondas que fazem, junto da melhoria da iluminação pública através do Poder Público.

Todas as escolas possuem iluminação em seus entornos, evitando que delitos aconteçam. Essa sensação de segurança favorece, mas queremos e estamos buscando melhores índices.

E também somos gratos ao entendimento da população em colaborar com projetos da área da segurança, a exemplo do Rede de Vizinhos e o Sou Estudante, Sou Cidadão, que já vem trazendo bons resultados. Todos assumimos o compromisso e queremos evitar ao máximo que nossa população sofra qualquer tipo de risco.

JP3 – Como está a questão do transporte público? Se debate muito também a integração entre as cidades da região...

Elcio Kuhnen – Sim, debatemos isso a nível de Amfri (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí). Integração, os vencimentos das concessões para as empresas que têm direito de atuar, até mesmo a nível de DETER, a nível de Florianópolis.

Estamos preocupados com o crescimento populacional e com alguns trechos que são solicitados pela população. Há algum tempo tivemos uma audiência pública para ouvir as opiniões do público, que merecem ser respeitadas. Sabemos que são esses os cidadãos que sofrem dificuldade quando precisam de um transporte integrado, moderno, com horários mais flexíveis e também com um valor acessível.

Não adianta colocarmos 80 pessoas dentro de um ônibus e achar que isso é um transporte coletivo de qualidade, porque não é. Dentro dessa sintonia que queremos evoluir e melhorar o transporte não só de Camboriú e sim de toda a região, pois nos conectamos diariamente.

JP3 – Outro tema bastante discutido é a questão da água e do saneamento. Houve a conversa de parceria com Balneário, através da Emasa... como está isso? 

Elcio Kuhnen – Camboriú tem menos dificuldade de água do que Balneário Camboriú, até porque temos a outorga de 210 litros por segundo e não utilizamos nem 150, nos maiores picos chega a no máximo 160. Então Camboriú não está passando por algo emergencial, como Balneário Camboriú. Se Camboriú utilizasse os 210 litros, com certeza Balneário passaria já no próximo verão a ter dificuldades de água.

Temos a preocupação exatamente com isso, se houver a necessidade o que faremos? É nisso que estamos focando agora. Temos a discussão do parque inundável, de outros reservatórios e captações. A empresa que está em concessão tem que nos dar essa resposta, os poderes Executivo e Legislativo tem que cobrar e discutir.

Temos bons projetos para avaliar e debater, e temos que decidir isso tudo o quanto antes, porque o tempo passa muito rápido e ali na frente a sociedade vai pagar um preço caro por não termos maturidade no momento que antecede a crise hídrica que pode chegar em menos de cinco, seis anos.

Temos o problema do saneamento básico, que além da poluição do rio não temos esgoto tratado. Nas novas ruas que estão sendo pavimentadas, principalmente com orçamento da Caixa Econômica, já estamos vendo para colocar tubulação, mas a estação de tratamento precisa ser discutida, se vai ser a de Balneário, se vai ser outra e como vai ser feito. É uma obra que vai custar de 80 a R$ 100 milhões e Camboriú não tem essa capacidade, precisamos de parceria.

A Emasa ofereceu e depois não retornou mais com uma resposta favorável. Aguardamos uma definição e também já cobramos com a empresa que tem a concessão da água para discutirmos e levarmos adiante a questão do saneamento básico, então eles tem a obrigação de um investimento de R$ 40 milhões que podemos questionar. Temos bastante interesse em resolver todos esses problemas, mas não cabe somente a Camboriú, e sim também de Balneário e até de outras empresas e sociedade organizada. Minha preocupação é quando não há uma evolução nessa discussão, e aí o tempo vai passando e a gente não vai conseguir resolver no prazo ideal esses graves problemas, que é tanto a poluição como a falta de água.

JP3 – Para finalizar, como o senhor vê o futuro de Camboriú e espera que a cidade conquiste?

Elcio Kuhnen – Camboriú é muito bem situada, de muitas divisas, entre sete municípios, Norte, Sul, Leste e Oeste. É uma cidade que tem sim um povo amável, querido e hospitaleiro, além de uma incidência de um povo cristão muito elevada. Mas Camboriú precisa de um grande avanço na geração de empregos, nós precisamos aumentar a receita do município.

Esse é o principal desafio para as gestões futuras, que daqui a pouco não vão poder ter nem funcionários porque não vai ter receita para pagar todos, já que o aumento da receita pode vir a ser menor do que o aumento salarial natural que acontece todos os anos.

Então é necessário que a cidade de Camboriú busque o progresso através de iniciativas de geração de emprego e aumento da receita para assim o município melhor a sua infraestrutura e segurança, trazendo saúde e qualidade de vida para a população.

A educação tem melhorado muito e com isso tenho certeza que Camboriú tem só a evoluir na próxima década. Hoje somos a 15ª maior cidade de Santa Catarina, e nos próximos 15 anos podemos estar entre as 10 ou sermos a 10ª pelo crescimento bastante acelerado populacional e nós precisamos sim lutar por uma Camboriú sempre melhor.

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