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Abandono de animais reduziu na pandemia, mas continua elevado em Balneário Camboriú

Quinta, 27/8/2020 10:54.

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Renata Rutes
O número de animais abandonados no Brasil aumentou com a pandemia do novo Coronavírus, segundo dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária: ONGs de todo o país notaram um aumento de cerca de 40% de pessoas interessadas em encontrar novos donos para seus pets. Porém, em Balneário Camboriú, segundo a ONG Viva Bicho, o número diminuiu, mas ainda permanece alto; são cerca de 70 animais, principalmente cães, que são abandonados junto da instituição, que tem sua sede no Bairro Nova Esperança.
No abrigo da ONG residem hoje 450 animais, sendo 380 cães e 70 gatos. Além disto, a Guarda Municipal Ambiental, ‘braço’ da Guarda Municipal da cidade, resgata animais silvestres e domésticos, que são encaminhados ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd (Zoológico da Santur) e ao abrigo da Viva Bicho, respectivamente.
O Página 3 conversou nesta semana com envolvidos na causa que relatam como vivem os animais na cidade, mas todos concordam que os moradores de Balneário e região precisam ter mais consciência e cuidado.
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Guarda Municipal Ambiental: mesmo com baixo efetivo, trabalho é diário

O Comandante da Guarda Municipal de Balneário Camboriú, Antônio Afonso Coutinho Neto, também comanda a Guarda Municipal Ambiental. Ele explica que hoje o departamento conta com um número reduzido de guardas, com somente seis atuando. Para o efetivo aumentar é preciso fazer uma alteração legislativa, porque atualmente há uma gratificação para que o guarda atue na Guarda Ambiental, já que há risco com animais perigosos também.

“Não podemos pagar a gratificação para mais de seis guardas. Compete ao Executivo enviar o projeto ao Legislativo pedindo por mais guardas ambientais, mas como estamos em período eleitoral e pandemia não conseguiremos realizar isto neste momento”, diz.

Por isso, a Guarda Municipal Ambiental não consegue cumprir escala 24h. Diariamente o trabalho é desenvolvido das 7h às 19h, e a cada três dias até a 1h. Coutinho afirma que mesmo assim há muita vontade dos guardas em fazerem seu trabalho, e é isso que fez o projeto se desenvolver tão bem. A demanda no período noturno é menor, mesmo assim há ocorrências que surgem, como um mão-pelada que foi resgatado na Avenida Atlântica no último dia 26.

“Foi uma guarnição que não era da Ambiental que recolheu. Os outros guardas também colaboram, mas se a equipe fosse maior conseguiríamos trabalhar de forma mais efetiva. Também fiscalizamos áreas de proteção ambiental onde é proibido construir, apoiamos a Secretaria do Meio Ambiente, como na pesca da tainha. Acredito que vamos evoluir”, opina.

Mais de 600 animais resgatados

Segundo Coutinho, até o momento, em 2020, a Guarda Ambiental resgatou 600 animais, sendo 220 silvestres e o restante domésticos, em estado de abandono ou feridos. O Comandante pontua que é difícil saber se os abandonos são apenas envolvendo moradores de Balneário Camboriú ou também de cidades vizinhas, mas afirma que falta consciência e responsabilidade.

“Buscamos responsabilizar o proprietário, porque maus tratos e abandono é crime. Atendemos casos onde o dono sai de manhã e só retorna a noite e o ambiente fica sujo, animais de grande porte em ambiente pequeno, falta de abrigo de sol ou de chuva, animais presos em corrente. Orientamos a adequarem o espaço, e esse é o nosso foco, conscientizar a população sem necessariamente precisar encaminhar para a delegacia”, diz.

Coutinho aproveita para lembrar que é importante que a comunidade saiba que às vezes há animais que sobrevivem bem na rua, como os cães comunitários que vivem principalmente nas Praias Agrestes.

“É melhor que eles estejam na rua, sendo cuidado por vários moradores, como é comum na cidade, do que em um canil no abrigo da Viva Bicho”, diz.

Silvestres também

É comum também a Guarda Ambiental resgatar animais silvestres, como diversas aves, mamíferos (a exemplo de gambás e capivaras), além de serpentes. O Comandante da GM lembra que Balneário Camboriú é cercada pela Mata Atlântica, com morros e matagais, e que este é o habitat natural de muitos bichos. Porém, se eles aparecerem em residências, podendo ficar ‘acuados’ em cômodos, a Guarda Ambiental deve ser acionada (pelo fone 153).

“Mas se você perceber que o animal está apenas passando pelo seu terreno, deixe ele ir embora sozinho. Outro caso onde devemos ser chamados é se o animal estiver ferido ou tiver sido atropelado, por exemplo, porque aí encaminharemos ele para o Complexo Ambiental Cyro Gevaerd. Lá eles verificam se o animal está com boa condição de saúde, se necessário passa por tratamento e é encaminhado novamente para a natureza”, explica.

O Comandante finaliza pedindo que a comunidade tenha paciência e defende que já é ‘um avanço gigantesco’ Balneário Camboriú ter esse atendimento focado nos animais, e que ‘todos os dias buscam se aprimorar’.

“Estamos à disposição sempre pelo 153”, completa.

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Complexo Cyro Gevaerd recebe os animais silvestres resgatados

Os animais silvestres resgatados pela Guarda Municipal Ambiental e que precisam de cuidados veterinários são encaminhados ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd. Segundo a bióloga do zoo, Márcia Achutti, de janeiro a julho o Complexo recebeu 184 animais, entre aves (como sabiá, garça, tucano-do-bico-verde, rolinha, coruja e bacurau), serpentes (jararaca, jararacuçu, coral e caninana) e mamíferos (capivara, mão-pelada, cachorro-do-mato, lontra e gambá).

“As corujas principalmente chegam até nós debilitadas, com a asa machucada. O mão-pelada acabou morrendo porque estava bastante debilitado. Gambás são muito comuns, principalmente filhotes, que aí precisamos cuidar até terem um tamanho maior para conseguir sobreviver sozinhos na mata. Boa parte dos animais conseguimos reabilitar e devolver ao habitat natural”, diz.

Porém, há casos que acabam ficando no zoo, como corujas que por conta de ferimentos é necessário amputar as asas. Segundo a bióloga, elas sobrevivem bem no Complexo – onde há placas sinalizando que elas foram vítimas de maus tratos e agora vivem no zoo.

“Mas o nosso objetivo não é manter os bichos conosco e sim devolvê-los para a natureza”, afirma.

Márcia aponta que a comunidade deve acionar a Guarda Municipal Ambiental apenas se o animal estiver debilitado, citando que às vezes filhotes de pássaros caem de seu ninho, mas é prudente esperar para ver se a mãe não irá procurar por ele.

“Mas se o bicho estiver machucado ou se é um animal perigoso e estiver em uma residência, o ideal é a Guarda resgatá-lo. No Complexo temos atendimento 24h para eles, fazemos os primeiros atendimentos para ver se o animal está bem, se precisar fazemos tratamento, cirurgia, ele fica em observação, e se estiver apto é reintroduzido ao habitat natural”, acrescenta.

Zoo já está recebendo público

Desde maio, o Complexo Ambiental Cyro Gevaerd está aberto ao público (diariamente das 9h às 17h30, incluindo domingos e feriados), seguindo todos os protocolos de cuidados necessários, como disponibilização de álcool gel, aferição de temperatura, obrigação de uso de máscara e o distanciamento social.

“Nosso limite é 70% de público, que corresponde a 390 pessoas. Aos finais de semana recebemos cerca de 450 visitantes, mas durante a semana esse número é de 40/dia. O Zoo é uma ótima opção para as famílias, já que é um local aberto, ao ar livre. Nosso museu e o berçário, que eram ambientes fechados, não estão abertos ao público”, explica Márcia.

  • Os ingressos custam R$ 20 (adulto), R$ 10 (crianças de seis a 12 anos) e crianças até cinco anos não pagam – acompanhadas dos pais.

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ONG Viva Bicho está passando por reformas e precisa de ajuda

De acordo com Patrícia Ferreira, da diretoria da ONG Viva que hoje abriga 380 cães e 70 gatos, estes números já foram muito maiores, ultrapassando mil. Mesmo assim a instituição recebe todo mês 70 animais e consegue doar aproximadamente a mesma quantidade. Mesmo em pandemia, as adoções continuam e os interessados podem ir até o local.

“Em quarentena os abandonos continuam, cerca de 70/mês. Nesta semana uma senhora foi no abrigo descartar um poodle idoso, dizendo que ele fedia. Ele estava numa corrente na garagem, ela disse que têm outros animais e queria reproduzir, e ele já estava velho. Recolhemos ele pelo bem estar. É triste e ficamos desgostosos, porque mostra que a nossa comunidade precisa ter mais consciência”, relata.

Convênio com a prefeitura

Através de convênio com o governo municipal, a Viva Bicho está realizando 300 castrações sociais (firmada em um Termo de Ajustamento de Conduta entre a prefeitura e um condomínio) de cães e gatos de famílias carentes da região. Todas as vagas já foram preenchidas, mas além destas a ONG possui 1.400 castrações anuais, que são divididas por mês. O foco são os animais do abrigo e em situação de rua, mas famílias de baixa renda também podem se inscrever.

“Pode demorar um pouco, mas serão atendidos”, diz.

Assim como no caso dos animais silvestres que são encaminhados ao zoológico, a Viva Bicho recebe os animais domésticos resgatados pela Guarda Ambiental – se encaixam cães e gatos vítimas de maus tratos, idosos, filhotes ou fêmeas no cio ou prenhas.

“Todo animal que precisa ser retirado da rua, nesses casos citados, nós acolhemos. Encaminhamos para clínica veterinária se necessário e então o acolhemos no abrigo, ficando disponível para ser adotado. A Guarda retira da rua e nós fazemos todos os outros atendimentos necessários”, comenta.

Abrigo está sendo reformado

O abrigo da Viva Bicho foi afetado pelo ciclone que passou por Santa Catarina e por Balneário Camboriú no final de junho. Diversos canis sofreram danos estruturais, mas nenhum animal ficou ferido. Isso motivou a ONG e seus voluntários a reformar a instituição, mas para isso é preciso do apoio da comunidade. O Oceanic Aquarium, o aquário de Balneário Camboriú, contribuiu com a causa, doando mais de R$ 7 mil da bilheteria arrecadada em um dia especial para a campanha. Porém, ainda é preciso muito mais.

“Pedimos que a comunidade contribua com dinheiro, porque se doam materiais acabam chegando itens diferentes, é mais fácil comprarmos os mesmos e corretos para cada fase da obra. Tivemos uma boa ajuda no primeiro momento, mas ainda precisamos de apoio. Já começamos as obras, e agora precisamos levantar os canis maiores, e dependemos da verba”, explica Patrícia.

O projeto

A responsável pelo projeto de reestruturação dos canis é Gabriela Rossini, do Studio Opera Design, que é simpatizante da causa da Viva Bicho há mais de 10 anos. Junto com Paula Holand, que está atuando na reestruturação organizacional da entidade, elas tiveram a ideia de fazer blocos de seis canis.

“Iniciamos paralelamente a obra dos canis dos idosos e com necessidades especiais, e estamos finalizando o gatil. Também trocamos a parte elétrica do abrigo. Dentro do possível, estamos conseguindo fazer um ‘upgrade’ que era muito necessário”, explica Gabriela.

A designer aponta que o ideal é realmente a doação em dinheiro, já que a obra acontece por etapas e vão precisar adquirir desde piso, como rejunte, cimento, dentre outros materiais.

“Também é possível o público deixar crédito em lojas, como na Milium, Casas D’Água, assim nos avisam e nós conseguimos retirar o que precisamos. Porque se recebemos o material podemos até acabar perdendo-os, além da falta de espaço para guardar”, comenta.

O próximo passo é a obra do canil central. O cronograma prevê a finalização de três blocos até dezembro, mas para conseguir realizar o projeto a ONG precisa de verba.

“Aproveito para convidar a comunidade de Balneário e região a irem ao abrigo, adotarem, podem também comprar produtos na lojinha. Tudo ajuda. As pessoas precisam ter um olhar diferenciado para os animais, e isso inclui também o trabalho voluntário, que é muito necessário”, finaliza.

  • Para ajudar a Viva Bicho (a ONG aceita qualquer valor):
    Banco do Brasil, agência 1489-3, conta: 50793-8. CNPJ: 06.156.776/0001-81.

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Cãopostagem: projeto é pioneiro na região

A ONG Viva Bicho, em parceria com o Instituto Eco Cidadão, está desenvolvendo o projeto Cãopostagem. Uma das responsáveis é Luciana Andrea, presidente do Instituto; ela conta que possuem assessoria do professor Germano Güttler, do Lixo Orgânico Zero, de Lages, pois utilizam o método aplicado por ele e mais de um terço da população lageana.

Em média, são gerados 40 quilos de fezes dos cães e gatos por dia na ONG. O projeto iniciou em 25 de junho, compostando um dia por semana. Até 10 de agosto haviam sido compostados aproximadamente 350 kg de orgânicos em geral. Com 15 dias da primeira compostagem, foi feito o primeiro plantio de teste com mudas de flores, que hoje, segundo Luciana, estão ‘florindo lindamente’.

O projeto é pioneiro na região e a presidente do Eco Cidadão destaca que está tendo uma grande repercussão e aceitação entre os funcionários e voluntários da Viva Bicho, que têm contribuído e participado das oficinas.

“É maravilhoso, porque a ONG consegue resolver in loco um problema que tinha um custo alto (R$ 1,6 mil por trimestre – que agora poderá ser investido em outra necessidade da instituição) com logística para ‘jogar fora’ e ainda mobiliza um bom número de pessoas que a partir do projeto começam a separar seus resíduos orgânicos e encaminhar para compostagem e também como educador, pois as pessoas que vão na ONG em busca de um animalzinho para adoção, já saem de lá sabendo que podem produzir adubo para suas plantinhas em casa, com as fezes do seu pet”, explica.



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Abandono de animais reduziu na pandemia, mas continua elevado em Balneário Camboriú

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Quinta, 27/8/2020 10:54.
Renata Rutes
O número de animais abandonados no Brasil aumentou com a pandemia do novo Coronavírus, segundo dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária: ONGs de todo o país notaram um aumento de cerca de 40% de pessoas interessadas em encontrar novos donos para seus pets. Porém, em Balneário Camboriú, segundo a ONG Viva Bicho, o número diminuiu, mas ainda permanece alto; são cerca de 70 animais, principalmente cães, que são abandonados junto da instituição, que tem sua sede no Bairro Nova Esperança.
No abrigo da ONG residem hoje 450 animais, sendo 380 cães e 70 gatos. Além disto, a Guarda Municipal Ambiental, ‘braço’ da Guarda Municipal da cidade, resgata animais silvestres e domésticos, que são encaminhados ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd (Zoológico da Santur) e ao abrigo da Viva Bicho, respectivamente.
O Página 3 conversou nesta semana com envolvidos na causa que relatam como vivem os animais na cidade, mas todos concordam que os moradores de Balneário e região precisam ter mais consciência e cuidado.
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Guarda Municipal Ambiental: mesmo com baixo efetivo, trabalho é diário

O Comandante da Guarda Municipal de Balneário Camboriú, Antônio Afonso Coutinho Neto, também comanda a Guarda Municipal Ambiental. Ele explica que hoje o departamento conta com um número reduzido de guardas, com somente seis atuando. Para o efetivo aumentar é preciso fazer uma alteração legislativa, porque atualmente há uma gratificação para que o guarda atue na Guarda Ambiental, já que há risco com animais perigosos também.

“Não podemos pagar a gratificação para mais de seis guardas. Compete ao Executivo enviar o projeto ao Legislativo pedindo por mais guardas ambientais, mas como estamos em período eleitoral e pandemia não conseguiremos realizar isto neste momento”, diz.

Por isso, a Guarda Municipal Ambiental não consegue cumprir escala 24h. Diariamente o trabalho é desenvolvido das 7h às 19h, e a cada três dias até a 1h. Coutinho afirma que mesmo assim há muita vontade dos guardas em fazerem seu trabalho, e é isso que fez o projeto se desenvolver tão bem. A demanda no período noturno é menor, mesmo assim há ocorrências que surgem, como um mão-pelada que foi resgatado na Avenida Atlântica no último dia 26.

“Foi uma guarnição que não era da Ambiental que recolheu. Os outros guardas também colaboram, mas se a equipe fosse maior conseguiríamos trabalhar de forma mais efetiva. Também fiscalizamos áreas de proteção ambiental onde é proibido construir, apoiamos a Secretaria do Meio Ambiente, como na pesca da tainha. Acredito que vamos evoluir”, opina.

Mais de 600 animais resgatados

Segundo Coutinho, até o momento, em 2020, a Guarda Ambiental resgatou 600 animais, sendo 220 silvestres e o restante domésticos, em estado de abandono ou feridos. O Comandante pontua que é difícil saber se os abandonos são apenas envolvendo moradores de Balneário Camboriú ou também de cidades vizinhas, mas afirma que falta consciência e responsabilidade.

“Buscamos responsabilizar o proprietário, porque maus tratos e abandono é crime. Atendemos casos onde o dono sai de manhã e só retorna a noite e o ambiente fica sujo, animais de grande porte em ambiente pequeno, falta de abrigo de sol ou de chuva, animais presos em corrente. Orientamos a adequarem o espaço, e esse é o nosso foco, conscientizar a população sem necessariamente precisar encaminhar para a delegacia”, diz.

Coutinho aproveita para lembrar que é importante que a comunidade saiba que às vezes há animais que sobrevivem bem na rua, como os cães comunitários que vivem principalmente nas Praias Agrestes.

“É melhor que eles estejam na rua, sendo cuidado por vários moradores, como é comum na cidade, do que em um canil no abrigo da Viva Bicho”, diz.

Silvestres também

É comum também a Guarda Ambiental resgatar animais silvestres, como diversas aves, mamíferos (a exemplo de gambás e capivaras), além de serpentes. O Comandante da GM lembra que Balneário Camboriú é cercada pela Mata Atlântica, com morros e matagais, e que este é o habitat natural de muitos bichos. Porém, se eles aparecerem em residências, podendo ficar ‘acuados’ em cômodos, a Guarda Ambiental deve ser acionada (pelo fone 153).

“Mas se você perceber que o animal está apenas passando pelo seu terreno, deixe ele ir embora sozinho. Outro caso onde devemos ser chamados é se o animal estiver ferido ou tiver sido atropelado, por exemplo, porque aí encaminharemos ele para o Complexo Ambiental Cyro Gevaerd. Lá eles verificam se o animal está com boa condição de saúde, se necessário passa por tratamento e é encaminhado novamente para a natureza”, explica.

O Comandante finaliza pedindo que a comunidade tenha paciência e defende que já é ‘um avanço gigantesco’ Balneário Camboriú ter esse atendimento focado nos animais, e que ‘todos os dias buscam se aprimorar’.

“Estamos à disposição sempre pelo 153”, completa.

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Complexo Cyro Gevaerd recebe os animais silvestres resgatados

Os animais silvestres resgatados pela Guarda Municipal Ambiental e que precisam de cuidados veterinários são encaminhados ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd. Segundo a bióloga do zoo, Márcia Achutti, de janeiro a julho o Complexo recebeu 184 animais, entre aves (como sabiá, garça, tucano-do-bico-verde, rolinha, coruja e bacurau), serpentes (jararaca, jararacuçu, coral e caninana) e mamíferos (capivara, mão-pelada, cachorro-do-mato, lontra e gambá).

“As corujas principalmente chegam até nós debilitadas, com a asa machucada. O mão-pelada acabou morrendo porque estava bastante debilitado. Gambás são muito comuns, principalmente filhotes, que aí precisamos cuidar até terem um tamanho maior para conseguir sobreviver sozinhos na mata. Boa parte dos animais conseguimos reabilitar e devolver ao habitat natural”, diz.

Porém, há casos que acabam ficando no zoo, como corujas que por conta de ferimentos é necessário amputar as asas. Segundo a bióloga, elas sobrevivem bem no Complexo – onde há placas sinalizando que elas foram vítimas de maus tratos e agora vivem no zoo.

“Mas o nosso objetivo não é manter os bichos conosco e sim devolvê-los para a natureza”, afirma.

Márcia aponta que a comunidade deve acionar a Guarda Municipal Ambiental apenas se o animal estiver debilitado, citando que às vezes filhotes de pássaros caem de seu ninho, mas é prudente esperar para ver se a mãe não irá procurar por ele.

“Mas se o bicho estiver machucado ou se é um animal perigoso e estiver em uma residência, o ideal é a Guarda resgatá-lo. No Complexo temos atendimento 24h para eles, fazemos os primeiros atendimentos para ver se o animal está bem, se precisar fazemos tratamento, cirurgia, ele fica em observação, e se estiver apto é reintroduzido ao habitat natural”, acrescenta.

Zoo já está recebendo público

Desde maio, o Complexo Ambiental Cyro Gevaerd está aberto ao público (diariamente das 9h às 17h30, incluindo domingos e feriados), seguindo todos os protocolos de cuidados necessários, como disponibilização de álcool gel, aferição de temperatura, obrigação de uso de máscara e o distanciamento social.

“Nosso limite é 70% de público, que corresponde a 390 pessoas. Aos finais de semana recebemos cerca de 450 visitantes, mas durante a semana esse número é de 40/dia. O Zoo é uma ótima opção para as famílias, já que é um local aberto, ao ar livre. Nosso museu e o berçário, que eram ambientes fechados, não estão abertos ao público”, explica Márcia.

  • Os ingressos custam R$ 20 (adulto), R$ 10 (crianças de seis a 12 anos) e crianças até cinco anos não pagam – acompanhadas dos pais.

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ONG Viva Bicho está passando por reformas e precisa de ajuda

De acordo com Patrícia Ferreira, da diretoria da ONG Viva que hoje abriga 380 cães e 70 gatos, estes números já foram muito maiores, ultrapassando mil. Mesmo assim a instituição recebe todo mês 70 animais e consegue doar aproximadamente a mesma quantidade. Mesmo em pandemia, as adoções continuam e os interessados podem ir até o local.

“Em quarentena os abandonos continuam, cerca de 70/mês. Nesta semana uma senhora foi no abrigo descartar um poodle idoso, dizendo que ele fedia. Ele estava numa corrente na garagem, ela disse que têm outros animais e queria reproduzir, e ele já estava velho. Recolhemos ele pelo bem estar. É triste e ficamos desgostosos, porque mostra que a nossa comunidade precisa ter mais consciência”, relata.

Convênio com a prefeitura

Através de convênio com o governo municipal, a Viva Bicho está realizando 300 castrações sociais (firmada em um Termo de Ajustamento de Conduta entre a prefeitura e um condomínio) de cães e gatos de famílias carentes da região. Todas as vagas já foram preenchidas, mas além destas a ONG possui 1.400 castrações anuais, que são divididas por mês. O foco são os animais do abrigo e em situação de rua, mas famílias de baixa renda também podem se inscrever.

“Pode demorar um pouco, mas serão atendidos”, diz.

Assim como no caso dos animais silvestres que são encaminhados ao zoológico, a Viva Bicho recebe os animais domésticos resgatados pela Guarda Ambiental – se encaixam cães e gatos vítimas de maus tratos, idosos, filhotes ou fêmeas no cio ou prenhas.

“Todo animal que precisa ser retirado da rua, nesses casos citados, nós acolhemos. Encaminhamos para clínica veterinária se necessário e então o acolhemos no abrigo, ficando disponível para ser adotado. A Guarda retira da rua e nós fazemos todos os outros atendimentos necessários”, comenta.

Abrigo está sendo reformado

O abrigo da Viva Bicho foi afetado pelo ciclone que passou por Santa Catarina e por Balneário Camboriú no final de junho. Diversos canis sofreram danos estruturais, mas nenhum animal ficou ferido. Isso motivou a ONG e seus voluntários a reformar a instituição, mas para isso é preciso do apoio da comunidade. O Oceanic Aquarium, o aquário de Balneário Camboriú, contribuiu com a causa, doando mais de R$ 7 mil da bilheteria arrecadada em um dia especial para a campanha. Porém, ainda é preciso muito mais.

“Pedimos que a comunidade contribua com dinheiro, porque se doam materiais acabam chegando itens diferentes, é mais fácil comprarmos os mesmos e corretos para cada fase da obra. Tivemos uma boa ajuda no primeiro momento, mas ainda precisamos de apoio. Já começamos as obras, e agora precisamos levantar os canis maiores, e dependemos da verba”, explica Patrícia.

O projeto

A responsável pelo projeto de reestruturação dos canis é Gabriela Rossini, do Studio Opera Design, que é simpatizante da causa da Viva Bicho há mais de 10 anos. Junto com Paula Holand, que está atuando na reestruturação organizacional da entidade, elas tiveram a ideia de fazer blocos de seis canis.

“Iniciamos paralelamente a obra dos canis dos idosos e com necessidades especiais, e estamos finalizando o gatil. Também trocamos a parte elétrica do abrigo. Dentro do possível, estamos conseguindo fazer um ‘upgrade’ que era muito necessário”, explica Gabriela.

A designer aponta que o ideal é realmente a doação em dinheiro, já que a obra acontece por etapas e vão precisar adquirir desde piso, como rejunte, cimento, dentre outros materiais.

“Também é possível o público deixar crédito em lojas, como na Milium, Casas D’Água, assim nos avisam e nós conseguimos retirar o que precisamos. Porque se recebemos o material podemos até acabar perdendo-os, além da falta de espaço para guardar”, comenta.

O próximo passo é a obra do canil central. O cronograma prevê a finalização de três blocos até dezembro, mas para conseguir realizar o projeto a ONG precisa de verba.

“Aproveito para convidar a comunidade de Balneário e região a irem ao abrigo, adotarem, podem também comprar produtos na lojinha. Tudo ajuda. As pessoas precisam ter um olhar diferenciado para os animais, e isso inclui também o trabalho voluntário, que é muito necessário”, finaliza.

  • Para ajudar a Viva Bicho (a ONG aceita qualquer valor):
    Banco do Brasil, agência 1489-3, conta: 50793-8. CNPJ: 06.156.776/0001-81.

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Cãopostagem: projeto é pioneiro na região

A ONG Viva Bicho, em parceria com o Instituto Eco Cidadão, está desenvolvendo o projeto Cãopostagem. Uma das responsáveis é Luciana Andrea, presidente do Instituto; ela conta que possuem assessoria do professor Germano Güttler, do Lixo Orgânico Zero, de Lages, pois utilizam o método aplicado por ele e mais de um terço da população lageana.

Em média, são gerados 40 quilos de fezes dos cães e gatos por dia na ONG. O projeto iniciou em 25 de junho, compostando um dia por semana. Até 10 de agosto haviam sido compostados aproximadamente 350 kg de orgânicos em geral. Com 15 dias da primeira compostagem, foi feito o primeiro plantio de teste com mudas de flores, que hoje, segundo Luciana, estão ‘florindo lindamente’.

O projeto é pioneiro na região e a presidente do Eco Cidadão destaca que está tendo uma grande repercussão e aceitação entre os funcionários e voluntários da Viva Bicho, que têm contribuído e participado das oficinas.

“É maravilhoso, porque a ONG consegue resolver in loco um problema que tinha um custo alto (R$ 1,6 mil por trimestre – que agora poderá ser investido em outra necessidade da instituição) com logística para ‘jogar fora’ e ainda mobiliza um bom número de pessoas que a partir do projeto começam a separar seus resíduos orgânicos e encaminhar para compostagem e também como educador, pois as pessoas que vão na ONG em busca de um animalzinho para adoção, já saem de lá sabendo que podem produzir adubo para suas plantinhas em casa, com as fezes do seu pet”, explica.



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