Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Negócios
SoftBank paga R$ 760 milhões e fica com 8% das ações do Banco Inter

Antes do Inter, japoneses foram atrás do Nubank

Quarta, 31/7/2019 7:52.

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Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt
Bancos digitais e fintechs brasileiras estão virando gente grande, em termos de aportes de investidores internacionais. Depois de o Nubank ter recebido US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) do fundo americano TCV, na semana passada, na última terça-feira, 30, foi a vez do Banco Inter, da família Menin, colocar em caixa R$ 760 milhões vindo de um único investidor, o grupo japonês SoftBank, segundo apurou o ‘Estadão/Broadcast’. Com isso, o Softbank ficará com 8% do banco mineiro.

A injeção de capital no Inter somou um valor total de R$ 1,24 bilhão e foi feita por meio de uma nova emissão de ações. Além do SoftBank, antigos investidores no Inter renovaram a aposta no banco digital. Do restante da emissão, R$ 300 milhões em ações ficaram com os acionistas da instituição que exerceram o direito de prioridade na oferta e cerca de R$ 100 milhões com o mercado. Ontem, as ações do banco da família Menin, dona da construtora MRV, subiram quase 16%.

Em maio, a Coluna do Broadcast havia antecipado o interesse do SoftBank no negócio. O Inter informou ao mercado que as units (pacote de ações) foram precificadas a R$ 39,99, sendo que cada unit é representada por uma ação ordinária e duas preferenciais.

O desembolso do SoftBank foi crucial para o sucesso da oferta. O Banco Inter abriu seu capital em abril do ano passado e de lá para cá tem chamado atenção pelo seu desempenho na Bolsa. Isso porque gestores de fundos já vinham ampliando suas posições no ativo, antes da emissão. Nos últimos 12 meses, as ações do Inter tiveram valorização de 447%. Apenas em 2019, a alta foi de 144%.

Os bancos coordenadores da oferta foram o Bradesco BBI, Goldman Sachs, Banco BTG Pactual, JPMorgan Chase, Banco Santander e a Caixa Econômica Federal.

Latinas. O SoftBank tem mostrado apetite em fintechs no Brasil. Neste mês, o grupo fez um aporte de valor semelhante, de US$ 231 milhões, na Creditas, fintech de empréstimos pessoais. Com os recursos, a startup pretende organizar sua expansão pela América Latina.

O grupo japonês, que tem um fundo de US$ 5 bilhões para investir em startups latinas, também aplicou nas empresas de entrega Loggi e Rappi. Elas levantaram, respectivamente, US$ 150 milhões e US$ 1 bilhão com o SoftBank, liderado na região pelo boliviano-americano Marcelo Claure. Quem também recebeu um aporte do grupo foi a Gympass, startup que oferece um "Netflix de academias" a clientes corporativos.

O Nubank também esteve na mira do grupo asiático, mas acabou anunciando, na última sexta-feira, 26, aporte de US$ 400 milhões liderado pelo TCV, fundo do Vale do Silício que já apostou em Facebook, Netflix, Spotify e Airbnb.

Próximos passos. O Banco Inter vinha em busca de um parceiro estrangeiro para ser mais do que um banco digital, de olho em serviços não financeiros, por meio do lançamento de um super app. Em abril, o Inter recebeu autorização do governo para a participação de estrangeiro em seu capital, o que vinha, até então, impedindo o banco mineiro de concretizar a parceria.

Turismo deve ser o primeiro segmento não financeiro no qual o banco deve investir. A entrada do Inter no segmento não financeiro é tão relevante que João Vítor Menin, presidente do banco, tem dito que as pessoas ainda não entenderam a intenção do banco com a abertura de capital. Procurado, o Inter não concedeu entrevista.

Antes do Inter, japoneses foram atrás do Nubank

Por Bruno Capelas
Responsável por liderar rodadas de investimentos que já injetaram quase US$ 700 bilhões em startups brasileiras, o SoftBank tinha outra opção no mercado local de fintechs: o Nubank.

Segundo apurou o Estado, o grupo japonês e a empresa do cartão de crédito roxo estiveram em tratativas - em abril, a cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, chegou a participar de um jantar com Marcelo Claure, líder do fundo latino de US$ 5 bilhões do SoftBank. Outros participantes do jantar, como Gympass, Loggi e Rappi, receberam aportes dos japoneses.

Segundo fontes do mercado, o investimento não foi fechado por um desacordo entre as duas partes sobre duas questões: o total do aporte e o valor de mercado que o Nubank alcançaria com ele. A opção pelo fundo do Vale Silício TCV acabou sendo mais vantajosa para a brasileira - com o negócio, o Nubank foi avaliado em cerca de US$ 10 bilhões. Para Felipe Matos, autor do livro 10 Mil Startups, o Inter acabou sendo a "segunda melhor opção disponível no mercado", por já ter um histórico de bons resultados e ser "nativo digital".


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Página 3

SoftBank paga R$ 760 milhões e fica com 8% das ações do Banco Inter

Antes do Inter, japoneses foram atrás do Nubank

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Quarta, 31/7/2019 7:52.

Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt
Bancos digitais e fintechs brasileiras estão virando gente grande, em termos de aportes de investidores internacionais. Depois de o Nubank ter recebido US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) do fundo americano TCV, na semana passada, na última terça-feira, 30, foi a vez do Banco Inter, da família Menin, colocar em caixa R$ 760 milhões vindo de um único investidor, o grupo japonês SoftBank, segundo apurou o ‘Estadão/Broadcast’. Com isso, o Softbank ficará com 8% do banco mineiro.

A injeção de capital no Inter somou um valor total de R$ 1,24 bilhão e foi feita por meio de uma nova emissão de ações. Além do SoftBank, antigos investidores no Inter renovaram a aposta no banco digital. Do restante da emissão, R$ 300 milhões em ações ficaram com os acionistas da instituição que exerceram o direito de prioridade na oferta e cerca de R$ 100 milhões com o mercado. Ontem, as ações do banco da família Menin, dona da construtora MRV, subiram quase 16%.

Em maio, a Coluna do Broadcast havia antecipado o interesse do SoftBank no negócio. O Inter informou ao mercado que as units (pacote de ações) foram precificadas a R$ 39,99, sendo que cada unit é representada por uma ação ordinária e duas preferenciais.

O desembolso do SoftBank foi crucial para o sucesso da oferta. O Banco Inter abriu seu capital em abril do ano passado e de lá para cá tem chamado atenção pelo seu desempenho na Bolsa. Isso porque gestores de fundos já vinham ampliando suas posições no ativo, antes da emissão. Nos últimos 12 meses, as ações do Inter tiveram valorização de 447%. Apenas em 2019, a alta foi de 144%.

Os bancos coordenadores da oferta foram o Bradesco BBI, Goldman Sachs, Banco BTG Pactual, JPMorgan Chase, Banco Santander e a Caixa Econômica Federal.

Latinas. O SoftBank tem mostrado apetite em fintechs no Brasil. Neste mês, o grupo fez um aporte de valor semelhante, de US$ 231 milhões, na Creditas, fintech de empréstimos pessoais. Com os recursos, a startup pretende organizar sua expansão pela América Latina.

O grupo japonês, que tem um fundo de US$ 5 bilhões para investir em startups latinas, também aplicou nas empresas de entrega Loggi e Rappi. Elas levantaram, respectivamente, US$ 150 milhões e US$ 1 bilhão com o SoftBank, liderado na região pelo boliviano-americano Marcelo Claure. Quem também recebeu um aporte do grupo foi a Gympass, startup que oferece um "Netflix de academias" a clientes corporativos.

O Nubank também esteve na mira do grupo asiático, mas acabou anunciando, na última sexta-feira, 26, aporte de US$ 400 milhões liderado pelo TCV, fundo do Vale do Silício que já apostou em Facebook, Netflix, Spotify e Airbnb.

Próximos passos. O Banco Inter vinha em busca de um parceiro estrangeiro para ser mais do que um banco digital, de olho em serviços não financeiros, por meio do lançamento de um super app. Em abril, o Inter recebeu autorização do governo para a participação de estrangeiro em seu capital, o que vinha, até então, impedindo o banco mineiro de concretizar a parceria.

Turismo deve ser o primeiro segmento não financeiro no qual o banco deve investir. A entrada do Inter no segmento não financeiro é tão relevante que João Vítor Menin, presidente do banco, tem dito que as pessoas ainda não entenderam a intenção do banco com a abertura de capital. Procurado, o Inter não concedeu entrevista.

Antes do Inter, japoneses foram atrás do Nubank

Por Bruno Capelas
Responsável por liderar rodadas de investimentos que já injetaram quase US$ 700 bilhões em startups brasileiras, o SoftBank tinha outra opção no mercado local de fintechs: o Nubank.

Segundo apurou o Estado, o grupo japonês e a empresa do cartão de crédito roxo estiveram em tratativas - em abril, a cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, chegou a participar de um jantar com Marcelo Claure, líder do fundo latino de US$ 5 bilhões do SoftBank. Outros participantes do jantar, como Gympass, Loggi e Rappi, receberam aportes dos japoneses.

Segundo fontes do mercado, o investimento não foi fechado por um desacordo entre as duas partes sobre duas questões: o total do aporte e o valor de mercado que o Nubank alcançaria com ele. A opção pelo fundo do Vale Silício TCV acabou sendo mais vantajosa para a brasileira - com o negócio, o Nubank foi avaliado em cerca de US$ 10 bilhões. Para Felipe Matos, autor do livro 10 Mil Startups, o Inter acabou sendo a "segunda melhor opção disponível no mercado", por já ter um histórico de bons resultados e ser "nativo digital".


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