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PÁGINA 3 / Negócios
Retomada atenuou a crise e há expectativas de melhora em Balneário Camboriú

Empresários analisam oportunidades para o segundo semestre

Sexta, 22/5/2020 7:44.

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Os comércios e restaurantes de Balneário Camboriú foram os primeiros a fechar quando o isolamento social foi anunciado através dos decretos municipal e estadual; permanecendo abertos somente serviços essenciais, como mercados e farmácias. Porém, houve a retomada gradual de alguns serviços, como lojas, bares e restaurantes – com ordem de distanciamento social, uso de máscaras, etc. Apesar do pouco movimento, os empresários analisam que a retomada atenuou a crise e esperam que o segundo semestre traga oportunidades melhores.

“Com certeza não será um ano fácil para as empresas”

Vilton João dos Santos, proprietário da Purificadores Europa e presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Balneário Camboriú

“ A primeira edição do Termômetro do Comércio de Balneário Camboriú, levantamento realizado pela CDL entre o final de abril e início de maio, mostra que o primeiro mês de pandemia foi bastante difícil para o setor: houve redução de faturamento para 90,9% dos entrevistados. Mesmo assim, quase metade deles (48,5%) não fez demissões e 63,6% não pretende demitir em maio.

Com certeza não será um ano fácil para as empresas, mas o comércio local tem mostrado que, com criatividade e gestão profissional, é possível criar novas formas de se relacionar com o cliente e se adaptar a este “novo mundo”. Dentro da própria CDL, temos exemplos positivos de associados que estão gerando novas conexões com o mercado. O associativismo, por sinal, tem este poder: conectar empresas e negócios, gerando novas possibilidades para todos. Estar associado a uma entidade como a CDL, neste momento, é um enorme diferencial competitivo.

Aqui nos Purificadores Europa estamos entrando de vez no mercado digital. Estamos implantando o inbound marketing, uma ferramenta poderosa que vai alavancar nossa entrada no cenário digital. Também estamos entrando em 2 plataformas de vendas digitais - Mercado Livre e Olist. Além disso lançamos uma campanha de vendas que foca os 4 principais pilares oferecidos por um purificador Europa: garantia, segurança, praticidade e economia”.


“A quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho”

Rafael Felipe de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (SECBC)

“Ficamos 21 dias parados, de 17 de março até meados de abril. Nesse período somente os mercados e farmácias atenderam ao público de forma presencial. Inicialmente, nossa maior preocupação era com a saúde dos trabalhadores, incentivando o uso de máscara e álcool gel; também passamos a nos preocupar de forma mais intensa com a economia local, que já estava fragilizada.

Lutamos pela retomada, porque todos estavam com contas para pagar, precisávamos voltar a trabalhar. Porém, quando reabrimos não teve o retorno esperado. O governo veio com a iniciativa da suspensão dos contratos por 60 dias – a grande maioria fez isso, além da redução da jornada de trabalho.

Estamos nos preocupando porque muitos trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos até agora não receberam nada, e ainda não sabemos como o governo vai proceder. O auxílio emergencial também se tornou um problema. O sindicato não tem poder de fiscalizar, e nem temos um posto do Ministério do Trabalho em Balneário Camboriú para atuar dessa forma.

Realmente estamos muito preocupados com a economia local, se não ejetarem dinheiro no trabalhador não gira a economia, é ele que faz a força, que consome na cidade, ainda mais agora que não há perspectiva de turismo. Lojas estão fechando, está difícil voltar, a quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho.

Não sabemos como vai no segundo semestre, mas temos esperança de que a situação melhore. Quando a economia começar a aquecer o turismo também tende a voltar, acredito que de forma mais regional, com visitantes de locais mais próximos. Se a pandemia acabar até o fim de julho vejo que o ‘pontapé’ da economia local poderá ser dado a partir de dezembro”.


“Estamos esperando o Pronampe”

Antônio Demos, presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas de Balneário Camboriú

“Dividimos a pandemia em dois períodos: os primeiros 30 dias e os últimos 30. No começo, foi um período de pânico que usamos para dimensionar o problema, não sabíamos como tudo iria proceder. E nesse último mês começamos a reagir, tomando atitudes para sobreviver após um mês sem renda, com perda de clientes. 55% das micro e pequenas empresas de Balneário não demitiram, mas 60% delas reduziram a jornada e os salários dos colaboradores, assumindo dessa forma o compromisso de não demiti-los.

Buscamos por linhas de crédito, já que 90% das micro e pequenas empresas tiveram redução de faturamento nesses 60 dias, mas já está havendo um retorno positivo, as empresas estão conseguindo se adequar a essa nova realidade, apesar de que há setores que vão demorar para retornar, como os hotéis e pousadas.

A nossa perspectiva é que no próximo semestre o mercado siga recessivo, mas a tendência é aumentar o consumo e consequentemente retornando mais atividades, ainda que de forma gradativa. Com certeza já podemos dizer que não teremos os mesmos CNPJs e empregos, haverá novas empresas em função das novas demandas, como as oportunidades que vêm surgindo através do sistema de entregas (delivery); alguém está produzindo muito nesse sentido.

Agora estamos esperando o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que está dependendo da medida provisória. Se aprovado, atuará como um fundo garantidor onde o governo vai entrar com 85% e 15% será dos bancos, totalizando R$ 15,9 bilhões. Quando o micro e pequeno empresário for fazer empréstimo, o governo será o avalista dele, com a tendência de reduzir a burocracia. Isso está sendo levado ao Congresso e será um projeto permanente, similar ao Pronafe.

O Pronampe terá o juro da taxa Selic + 1,5% ao ano, com pagamento depois de oito meses e podendo parcelar em 36 meses. Os empresários poderão buscar empréstimo até 30% do valor do faturamento do ano anterior. Estamos com boas expectativas e torcendo para que isso seja liberado, porque é o que dará fôlego para as empresas. Estamos apostando muito nesse sentido”.


“A instabilidade é muito grande”

Maria Pissaia, presidente da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc)

“A Acibalc é uma entidade que reúne empresas de todos os portes e segmentos. Por isso, temos acompanhado realidades bastante diversas entre os empresários associados à entidade. Há setores, como o turismo e o comércio, que ainda estão fortemente impactados, ao mesmo tempo em que empresas da área de tecnologia e prestação de serviço conseguiram adaptar sua operação ao home office e estão passando sem grandes problemas por este momento.

Temos também exemplos de empresas que viram novas oportunidades de negócio e estão melhores que antes, com mais demandas e clientes. Enfim, vivemos um momento atípico e temos que avaliar frequentemente a evolução das relações comerciais dos nossos associados, até porque a instabilidade é muito grande”.


“Qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%”

Angela (centro) Yang Modeladores

Ângela Freire é proprietária da Yang Modeladores

“Não há de se negar que foi uma perplexidade, parecia outro mundo e ainda parece que estamos acordando de um sonho. Estamos realmente vivendo uma nova realidade e ainda tentando entender isso tudo. Sempre falamos na empresa e em nossa família que quem não tem fé não consegue passar por isso. Há esperança que as coisas vão melhorar, mas com certeza não sairemos os mesmos.

Essa experiência é inédita e não é só em Balneário Camboriú, é Brasil, o mundo todo. Por isso, estamos buscando alternativas. Somos associados na CDL e eles estão nos apoiando muito. Há muitos grupos dentro da entidade, como a Câmara da Avenida Brasil, a CDL Mulher. Percebemos que estamos vivendo isso em comunidade. Juntos somos mais fortes, sempre deveria ter sido assim, mas hoje tem sido algo ainda mais intenso. Nos abraçamos virtualmente, mentalmente e energicamente. Inicialmente, nossas vendas foram afetadas em 100%, mas fizemos reuniões e começamos a buscar outras alternativas, como as vendas online e delivery. A cliente liga e fala o que precisa, se tem dor nas costas, problema de circulação ou muscular.

Temos uma série de produtos terapêuticos, preventivos e estéticos. Mandamos fotos, e fazemos a entrega pessoalmente. Estávamos no zero, então qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%. Vamos fazer um bazar virtual, com descontos especiais, parcelamentos também. Agora estamos com a loja aberta e recebendo ao público presencialmente, mas as vendas foram reduzidas em 40%. O site e o delivery ainda não suprem as vendas presenciais, mas não podemos perder a esperança que dias melhores virão. Não temos concorrentes e sim parceiros, a união é o grande diferencial”.


“Nossas vendas aumentaram bastante”

Janice e o marido Célio comandam a Ceroula

Janice Possamai Fiedler, é proprietária da loja Ceroula

“Desde 2009 temos a loja, abrimos quando ainda morávamos em Curitiba e ela nasceu e está até hoje como um e-commerce. Temos o espaço físico em Balneário há um ano e meio, quando nos mudamos pra cá. Sempre tivemos a proposta de atender um público específico, com roupas para climas extremos.

O movimento diminuiu, mas o nosso e-commerce nesse período teve as vendas alavancadas, conseguimos nos manter por isso. O comércio virtual foi ‘lá em cima’, e nesse sentido para nós foi muito positivo. Nossas vendas aumentaram bastante. Trabalhamos com produtos importados e tivemos alguns problemas com fornecedores, como o atraso de mercadorias, mas os clientes entenderam.

Acredito que as coisas vão melhorar no segundo semestre, meu marido também é da área comercial e sentimos isso, porém vemos que o consumidor está mudando, dando mais valor para o produto adquirido. Fomos colados ‘de pernas para o ar’ para nos reinventarmos. Não que vá virar um mar de rosas a curto prazo, há muitas lojas fechando, empresários procurando espaços menores, mas o foco é na união e em buscar diferenciais para atrair o público, com atendimento personalizado e nova forma de vender”.


“Delivery: ele representa muito pouco”

Rafael Jasnievicz Scalco é proprietário do Kombina Felice

“A pandemia nos atingiu de forma bem significativa, pois tivemos que fechar os restaurantes de forma inesperada. Até então não trabalhávamos com delivery, durante o fechamento fizemos projeções para analisar a viabilidade e vimos que não seria viável ter funcionários só para atender o delivery, pelo custo da mão de obra exclusiva para o delivery. Além da taxa altíssima do IFood. Quando reabrimos, já iniciamos com o delivery pois daí se torna uma venda agregada. A equipe já está lá para atender os clientes e pode também atender a demanda do delivery.

Um ponto importante sobre delivery: ele representa muito pouco, algo em torno de 10 a 15% das vendas. Com a permissão de reabertura percebemos que os clientes voltaram a frequentar, as pessoas estavam com muita vontade de sair para relaxar, descontrair, ter momentos agradáveis. Afinal como costumamos dizer, o cliente não vem a Kombina para matar a fome e sim para um momento de lazer, entretenimento, prazer.

Sobre o segundo semestre, não tem muito como fazer um planejamento, definir metas, ter perspectivas. E sim tomar os cuidados e torcer para que todos tenham consciência para que possamos manter os números de casos baixos em nossa região. Como empreendedor, este momento traz uma sensação estranha que é de impotência, pois não depende de nós para as coisas acontecerem. O que é o oposto da forma de agir de um empreendedor”.


“O movimento diminuiu em 60% mais ou menos”

Ronaldo César Amorim, gerente do O Pharol

“Há perspectiva de melhora para o segundo semestre, esperamos ‘engrenar’, aos poucos tudo deve melhorar. Com a reabertura, alguns clientes estão vindo, mas temos muitos clientes idosos, e para eles estamos levando em casa. Seguimos com delivery também, que antes da pandemia não tínhamos, além da retirada no balcão.

O movimento diminuiu em 60% mais ou menos. Aos fins de semana há mais clientes, percebemos que o pessoal da região também está vindo. A safra da tainha também atrai, nessa semana vendemos bastante. Esperamos que a partir de agora as coisas melhorem”.


“Vai ser um ano de sobrevivência”

Leandro e a esposa Fernanda.

Leandro Vicenci, proprietário da Vovó Dilecta

“Ficamos 15 dias fechados, só com delivery, e após isso reabrimos também com o take-away (retirada no balcão), e aí depois desse primeiro mês permitimos que as pessoas pudessem vir até nós presencialmente. Temos mesas, mas do lado de fora, porque nosso comércio é pequeno.

Foi um processo bem difícil, ninguém tinha preparação para isso. Tentamos dar férias alternadas para a nossa equipe, e conseguimos não demitir ninguém. Não sentimos tanto o impacto da crise, por exemplo, meu sogro tem restaurante em Lages há 30 anos e fechou por conta da pandemia, e não vai mais reabrir. Tenho amigos donos de restaurantes, para quem também fornecemos produtos, e sei dos custos altos deles, fora que a receita diminuiu muito. Deveria haver uma determinação no sentido de negociar aluguéis, ajudaria muito.

A falta de dinheiro para o fluxo de caixa também é um problema, porque não é só sobre pagar os salários dos colaboradores, também temos outras contas. Uma falta de regras claras para pequenas empresas está dificultando muito, ainda mais que todos os dias os decretos mudam.

Todo mundo fala que logo vai passar, mas na verdade estamos na curva contrária, acredito que o segundo semestre vai ser um período crítico no sul; a preparação desse ano é trabalhar na perspectiva de criar novos canais de venda, por aplicativos, gerar outras formas. Qualquer possibilidade de entrada está sendo válida. Vai ser um ano de sobrevivência”


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Página 3

Retomada atenuou a crise e há expectativas de melhora em Balneário Camboriú

Empresários analisam oportunidades para o segundo semestre

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Sexta, 22/5/2020 7:44.

Os comércios e restaurantes de Balneário Camboriú foram os primeiros a fechar quando o isolamento social foi anunciado através dos decretos municipal e estadual; permanecendo abertos somente serviços essenciais, como mercados e farmácias. Porém, houve a retomada gradual de alguns serviços, como lojas, bares e restaurantes – com ordem de distanciamento social, uso de máscaras, etc. Apesar do pouco movimento, os empresários analisam que a retomada atenuou a crise e esperam que o segundo semestre traga oportunidades melhores.

“Com certeza não será um ano fácil para as empresas”

Vilton João dos Santos, proprietário da Purificadores Europa e presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Balneário Camboriú

“ A primeira edição do Termômetro do Comércio de Balneário Camboriú, levantamento realizado pela CDL entre o final de abril e início de maio, mostra que o primeiro mês de pandemia foi bastante difícil para o setor: houve redução de faturamento para 90,9% dos entrevistados. Mesmo assim, quase metade deles (48,5%) não fez demissões e 63,6% não pretende demitir em maio.

Com certeza não será um ano fácil para as empresas, mas o comércio local tem mostrado que, com criatividade e gestão profissional, é possível criar novas formas de se relacionar com o cliente e se adaptar a este “novo mundo”. Dentro da própria CDL, temos exemplos positivos de associados que estão gerando novas conexões com o mercado. O associativismo, por sinal, tem este poder: conectar empresas e negócios, gerando novas possibilidades para todos. Estar associado a uma entidade como a CDL, neste momento, é um enorme diferencial competitivo.

Aqui nos Purificadores Europa estamos entrando de vez no mercado digital. Estamos implantando o inbound marketing, uma ferramenta poderosa que vai alavancar nossa entrada no cenário digital. Também estamos entrando em 2 plataformas de vendas digitais - Mercado Livre e Olist. Além disso lançamos uma campanha de vendas que foca os 4 principais pilares oferecidos por um purificador Europa: garantia, segurança, praticidade e economia”.


“A quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho”

Rafael Felipe de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (SECBC)

“Ficamos 21 dias parados, de 17 de março até meados de abril. Nesse período somente os mercados e farmácias atenderam ao público de forma presencial. Inicialmente, nossa maior preocupação era com a saúde dos trabalhadores, incentivando o uso de máscara e álcool gel; também passamos a nos preocupar de forma mais intensa com a economia local, que já estava fragilizada.

Lutamos pela retomada, porque todos estavam com contas para pagar, precisávamos voltar a trabalhar. Porém, quando reabrimos não teve o retorno esperado. O governo veio com a iniciativa da suspensão dos contratos por 60 dias – a grande maioria fez isso, além da redução da jornada de trabalho.

Estamos nos preocupando porque muitos trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos até agora não receberam nada, e ainda não sabemos como o governo vai proceder. O auxílio emergencial também se tornou um problema. O sindicato não tem poder de fiscalizar, e nem temos um posto do Ministério do Trabalho em Balneário Camboriú para atuar dessa forma.

Realmente estamos muito preocupados com a economia local, se não ejetarem dinheiro no trabalhador não gira a economia, é ele que faz a força, que consome na cidade, ainda mais agora que não há perspectiva de turismo. Lojas estão fechando, está difícil voltar, a quarentena mexeu totalmente na estrutura do trabalho.

Não sabemos como vai no segundo semestre, mas temos esperança de que a situação melhore. Quando a economia começar a aquecer o turismo também tende a voltar, acredito que de forma mais regional, com visitantes de locais mais próximos. Se a pandemia acabar até o fim de julho vejo que o ‘pontapé’ da economia local poderá ser dado a partir de dezembro”.


“Estamos esperando o Pronampe”

Antônio Demos, presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas de Balneário Camboriú

“Dividimos a pandemia em dois períodos: os primeiros 30 dias e os últimos 30. No começo, foi um período de pânico que usamos para dimensionar o problema, não sabíamos como tudo iria proceder. E nesse último mês começamos a reagir, tomando atitudes para sobreviver após um mês sem renda, com perda de clientes. 55% das micro e pequenas empresas de Balneário não demitiram, mas 60% delas reduziram a jornada e os salários dos colaboradores, assumindo dessa forma o compromisso de não demiti-los.

Buscamos por linhas de crédito, já que 90% das micro e pequenas empresas tiveram redução de faturamento nesses 60 dias, mas já está havendo um retorno positivo, as empresas estão conseguindo se adequar a essa nova realidade, apesar de que há setores que vão demorar para retornar, como os hotéis e pousadas.

A nossa perspectiva é que no próximo semestre o mercado siga recessivo, mas a tendência é aumentar o consumo e consequentemente retornando mais atividades, ainda que de forma gradativa. Com certeza já podemos dizer que não teremos os mesmos CNPJs e empregos, haverá novas empresas em função das novas demandas, como as oportunidades que vêm surgindo através do sistema de entregas (delivery); alguém está produzindo muito nesse sentido.

Agora estamos esperando o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que está dependendo da medida provisória. Se aprovado, atuará como um fundo garantidor onde o governo vai entrar com 85% e 15% será dos bancos, totalizando R$ 15,9 bilhões. Quando o micro e pequeno empresário for fazer empréstimo, o governo será o avalista dele, com a tendência de reduzir a burocracia. Isso está sendo levado ao Congresso e será um projeto permanente, similar ao Pronafe.

O Pronampe terá o juro da taxa Selic + 1,5% ao ano, com pagamento depois de oito meses e podendo parcelar em 36 meses. Os empresários poderão buscar empréstimo até 30% do valor do faturamento do ano anterior. Estamos com boas expectativas e torcendo para que isso seja liberado, porque é o que dará fôlego para as empresas. Estamos apostando muito nesse sentido”.


“A instabilidade é muito grande”

Maria Pissaia, presidente da Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc)

“A Acibalc é uma entidade que reúne empresas de todos os portes e segmentos. Por isso, temos acompanhado realidades bastante diversas entre os empresários associados à entidade. Há setores, como o turismo e o comércio, que ainda estão fortemente impactados, ao mesmo tempo em que empresas da área de tecnologia e prestação de serviço conseguiram adaptar sua operação ao home office e estão passando sem grandes problemas por este momento.

Temos também exemplos de empresas que viram novas oportunidades de negócio e estão melhores que antes, com mais demandas e clientes. Enfim, vivemos um momento atípico e temos que avaliar frequentemente a evolução das relações comerciais dos nossos associados, até porque a instabilidade é muito grande”.


“Qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%”

Angela (centro) Yang Modeladores

Ângela Freire é proprietária da Yang Modeladores

“Não há de se negar que foi uma perplexidade, parecia outro mundo e ainda parece que estamos acordando de um sonho. Estamos realmente vivendo uma nova realidade e ainda tentando entender isso tudo. Sempre falamos na empresa e em nossa família que quem não tem fé não consegue passar por isso. Há esperança que as coisas vão melhorar, mas com certeza não sairemos os mesmos.

Essa experiência é inédita e não é só em Balneário Camboriú, é Brasil, o mundo todo. Por isso, estamos buscando alternativas. Somos associados na CDL e eles estão nos apoiando muito. Há muitos grupos dentro da entidade, como a Câmara da Avenida Brasil, a CDL Mulher. Percebemos que estamos vivendo isso em comunidade. Juntos somos mais fortes, sempre deveria ter sido assim, mas hoje tem sido algo ainda mais intenso. Nos abraçamos virtualmente, mentalmente e energicamente. Inicialmente, nossas vendas foram afetadas em 100%, mas fizemos reuniões e começamos a buscar outras alternativas, como as vendas online e delivery. A cliente liga e fala o que precisa, se tem dor nas costas, problema de circulação ou muscular.

Temos uma série de produtos terapêuticos, preventivos e estéticos. Mandamos fotos, e fazemos a entrega pessoalmente. Estávamos no zero, então qualquer melhora que estamos tendo já representa 100%. Vamos fazer um bazar virtual, com descontos especiais, parcelamentos também. Agora estamos com a loja aberta e recebendo ao público presencialmente, mas as vendas foram reduzidas em 40%. O site e o delivery ainda não suprem as vendas presenciais, mas não podemos perder a esperança que dias melhores virão. Não temos concorrentes e sim parceiros, a união é o grande diferencial”.


“Nossas vendas aumentaram bastante”

Janice e o marido Célio comandam a Ceroula

Janice Possamai Fiedler, é proprietária da loja Ceroula

“Desde 2009 temos a loja, abrimos quando ainda morávamos em Curitiba e ela nasceu e está até hoje como um e-commerce. Temos o espaço físico em Balneário há um ano e meio, quando nos mudamos pra cá. Sempre tivemos a proposta de atender um público específico, com roupas para climas extremos.

O movimento diminuiu, mas o nosso e-commerce nesse período teve as vendas alavancadas, conseguimos nos manter por isso. O comércio virtual foi ‘lá em cima’, e nesse sentido para nós foi muito positivo. Nossas vendas aumentaram bastante. Trabalhamos com produtos importados e tivemos alguns problemas com fornecedores, como o atraso de mercadorias, mas os clientes entenderam.

Acredito que as coisas vão melhorar no segundo semestre, meu marido também é da área comercial e sentimos isso, porém vemos que o consumidor está mudando, dando mais valor para o produto adquirido. Fomos colados ‘de pernas para o ar’ para nos reinventarmos. Não que vá virar um mar de rosas a curto prazo, há muitas lojas fechando, empresários procurando espaços menores, mas o foco é na união e em buscar diferenciais para atrair o público, com atendimento personalizado e nova forma de vender”.


“Delivery: ele representa muito pouco”

Rafael Jasnievicz Scalco é proprietário do Kombina Felice

“A pandemia nos atingiu de forma bem significativa, pois tivemos que fechar os restaurantes de forma inesperada. Até então não trabalhávamos com delivery, durante o fechamento fizemos projeções para analisar a viabilidade e vimos que não seria viável ter funcionários só para atender o delivery, pelo custo da mão de obra exclusiva para o delivery. Além da taxa altíssima do IFood. Quando reabrimos, já iniciamos com o delivery pois daí se torna uma venda agregada. A equipe já está lá para atender os clientes e pode também atender a demanda do delivery.

Um ponto importante sobre delivery: ele representa muito pouco, algo em torno de 10 a 15% das vendas. Com a permissão de reabertura percebemos que os clientes voltaram a frequentar, as pessoas estavam com muita vontade de sair para relaxar, descontrair, ter momentos agradáveis. Afinal como costumamos dizer, o cliente não vem a Kombina para matar a fome e sim para um momento de lazer, entretenimento, prazer.

Sobre o segundo semestre, não tem muito como fazer um planejamento, definir metas, ter perspectivas. E sim tomar os cuidados e torcer para que todos tenham consciência para que possamos manter os números de casos baixos em nossa região. Como empreendedor, este momento traz uma sensação estranha que é de impotência, pois não depende de nós para as coisas acontecerem. O que é o oposto da forma de agir de um empreendedor”.


“O movimento diminuiu em 60% mais ou menos”

Ronaldo César Amorim, gerente do O Pharol

“Há perspectiva de melhora para o segundo semestre, esperamos ‘engrenar’, aos poucos tudo deve melhorar. Com a reabertura, alguns clientes estão vindo, mas temos muitos clientes idosos, e para eles estamos levando em casa. Seguimos com delivery também, que antes da pandemia não tínhamos, além da retirada no balcão.

O movimento diminuiu em 60% mais ou menos. Aos fins de semana há mais clientes, percebemos que o pessoal da região também está vindo. A safra da tainha também atrai, nessa semana vendemos bastante. Esperamos que a partir de agora as coisas melhorem”.


“Vai ser um ano de sobrevivência”

Leandro e a esposa Fernanda.

Leandro Vicenci, proprietário da Vovó Dilecta

“Ficamos 15 dias fechados, só com delivery, e após isso reabrimos também com o take-away (retirada no balcão), e aí depois desse primeiro mês permitimos que as pessoas pudessem vir até nós presencialmente. Temos mesas, mas do lado de fora, porque nosso comércio é pequeno.

Foi um processo bem difícil, ninguém tinha preparação para isso. Tentamos dar férias alternadas para a nossa equipe, e conseguimos não demitir ninguém. Não sentimos tanto o impacto da crise, por exemplo, meu sogro tem restaurante em Lages há 30 anos e fechou por conta da pandemia, e não vai mais reabrir. Tenho amigos donos de restaurantes, para quem também fornecemos produtos, e sei dos custos altos deles, fora que a receita diminuiu muito. Deveria haver uma determinação no sentido de negociar aluguéis, ajudaria muito.

A falta de dinheiro para o fluxo de caixa também é um problema, porque não é só sobre pagar os salários dos colaboradores, também temos outras contas. Uma falta de regras claras para pequenas empresas está dificultando muito, ainda mais que todos os dias os decretos mudam.

Todo mundo fala que logo vai passar, mas na verdade estamos na curva contrária, acredito que o segundo semestre vai ser um período crítico no sul; a preparação desse ano é trabalhar na perspectiva de criar novos canais de venda, por aplicativos, gerar outras formas. Qualquer possibilidade de entrada está sendo válida. Vai ser um ano de sobrevivência”


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