Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Opinião
Petição de Ozawa contra o alargamento da praia teve pouca adesão

Alargar é um negócio no qual a cidade investe R$ 85 milhões para ganhar R$ 6,5 bilhões

Sexta, 1/3/2019 11:20.
Arquivo Histórico de BC.

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(WALDEMAR CEZAR NETO/JP3) - O abaixo-assinado promovido pelo advogado e ex-candidato a prefeito Luiz Fernando Ozawa contra o alargamento da praia central de Balneário Camboriú obteve em três dias 746 assinaturas.

Isso é menos que 1% dos eleitores registrados na cidade.

Ozawa se diz contra a obra porque ela “incentiva o adensamento populacional desenfreado”, cria uma dívida de R$ 85 milhões para o município e esse dinheiro poderia ser usado em programas de saúde e educação.

Esses argumentos, típicos de políticos mais à esquerda, podem ser bons num palanque, mas estão desconectados da vida prática.

O adensamento populacional é influenciado pelo dinamismo da economia da região e pelo preço dos imóveis, não pela largura de praias.

Mesmo com uma das menores fecundidades do País, o litoral catarinense tem grande crescimento populacional porque aqui é melhor para trabalhar e viver do que em outras cidades.

Falar em adensamento é equivoco, uma praia alargada não gera um único metro quadrado a mais de potencial construtivo, apenas valoriza fortemente tudo que já foi construído e o que vier a ser.

O patrimônio imobiliário de todos tende a sofrer notável valorização o que afasta novos moradores em vez de atraí-los.

Basta fazer contas: a cidade tem cerca de 130 mil imóveis; se o valor médio deles é R$ 500 mil (provavelmente é muito mais) e se o alargamento os valorizar em 10%, o ganho geral será de R$ 6,5 bilhões.

Se valorizar, na pior das hipóteses, 1%, o ganho em Valor Geral de Venda dos imóveis seria R$ 650 milhões.

Imóveis mais caros significa proprietários mais ricos, pagando impostos mais altos sem usar os serviços públicos de saúde e educação.

São pessoas que pagam impostos aqui, geram milhares de empregos aqui e não moram aqui. É o sonho de toda cidade e a fórmula "secreta" do sucesso de Balneário Camboriú.

A praia central tem a mesma largura que tinha em 1991, mas a população que naquele ano era 41.254 pessoas hoje é 139.000.

O que mudou em quase 30 anos não foi a largura da praia e sim a qualidade de vida. O Índice de Desenvolvimento Humano de Balneário Cambori saltou de 0,630 em 1991 para 0,8435 em 2010, quando chegamos à quarta colocação em todo o país.

É sem sentido o discurso rasteiro que os investimentos sempre devem ir apenas para a área social.

É vital investir também em desenvolvimento econômico sob pena de termos dezenas de postos de saúde e escolas fechadas por falta de dinheiro para fazê-las funcionar.

Em seu abaixo-assinado Ozawa fala que o alargamento cria dívida, Claro que cria, mas ela corresponde a menos de 1% da receita prevista para a cidade no prazo para pagar o financiamento.

E a 2,5% do que seria gasto em saúde e educação no mesmo período.

Cidades exigem constantes e milionários investimentos, a Emasa precisa desembolsar na próxima década, só em aumento de infraestrutura, o equivalente a três alargamentos da praia central.

A principal questão sobre a praia Central Ozawa não levantou, a necessidade de saneá-la, deixá-la totalmente limpa porque somos um balneário, vivemos disso e só disso (o turismo), tudo o mais é decorrência.

É um erro de foco, precisamos sanear a praia central, se podemos fazer isso junto com o alargamento -sem dúvidas é possível- melhor para todos.


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Página 3
Arquivo Histórico de BC.

Petição de Ozawa contra o alargamento da praia teve pouca adesão

Alargar é um negócio no qual a cidade investe R$ 85 milhões para ganhar R$ 6,5 bilhões

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Sexta, 1/3/2019 11:20.

(WALDEMAR CEZAR NETO/JP3) - O abaixo-assinado promovido pelo advogado e ex-candidato a prefeito Luiz Fernando Ozawa contra o alargamento da praia central de Balneário Camboriú obteve em três dias 746 assinaturas.

Isso é menos que 1% dos eleitores registrados na cidade.

Ozawa se diz contra a obra porque ela “incentiva o adensamento populacional desenfreado”, cria uma dívida de R$ 85 milhões para o município e esse dinheiro poderia ser usado em programas de saúde e educação.

Esses argumentos, típicos de políticos mais à esquerda, podem ser bons num palanque, mas estão desconectados da vida prática.

O adensamento populacional é influenciado pelo dinamismo da economia da região e pelo preço dos imóveis, não pela largura de praias.

Mesmo com uma das menores fecundidades do País, o litoral catarinense tem grande crescimento populacional porque aqui é melhor para trabalhar e viver do que em outras cidades.

Falar em adensamento é equivoco, uma praia alargada não gera um único metro quadrado a mais de potencial construtivo, apenas valoriza fortemente tudo que já foi construído e o que vier a ser.

O patrimônio imobiliário de todos tende a sofrer notável valorização o que afasta novos moradores em vez de atraí-los.

Basta fazer contas: a cidade tem cerca de 130 mil imóveis; se o valor médio deles é R$ 500 mil (provavelmente é muito mais) e se o alargamento os valorizar em 10%, o ganho geral será de R$ 6,5 bilhões.

Se valorizar, na pior das hipóteses, 1%, o ganho em Valor Geral de Venda dos imóveis seria R$ 650 milhões.

Imóveis mais caros significa proprietários mais ricos, pagando impostos mais altos sem usar os serviços públicos de saúde e educação.

São pessoas que pagam impostos aqui, geram milhares de empregos aqui e não moram aqui. É o sonho de toda cidade e a fórmula "secreta" do sucesso de Balneário Camboriú.

A praia central tem a mesma largura que tinha em 1991, mas a população que naquele ano era 41.254 pessoas hoje é 139.000.

O que mudou em quase 30 anos não foi a largura da praia e sim a qualidade de vida. O Índice de Desenvolvimento Humano de Balneário Cambori saltou de 0,630 em 1991 para 0,8435 em 2010, quando chegamos à quarta colocação em todo o país.

É sem sentido o discurso rasteiro que os investimentos sempre devem ir apenas para a área social.

É vital investir também em desenvolvimento econômico sob pena de termos dezenas de postos de saúde e escolas fechadas por falta de dinheiro para fazê-las funcionar.

Em seu abaixo-assinado Ozawa fala que o alargamento cria dívida, Claro que cria, mas ela corresponde a menos de 1% da receita prevista para a cidade no prazo para pagar o financiamento.

E a 2,5% do que seria gasto em saúde e educação no mesmo período.

Cidades exigem constantes e milionários investimentos, a Emasa precisa desembolsar na próxima década, só em aumento de infraestrutura, o equivalente a três alargamentos da praia central.

A principal questão sobre a praia Central Ozawa não levantou, a necessidade de saneá-la, deixá-la totalmente limpa porque somos um balneário, vivemos disso e só disso (o turismo), tudo o mais é decorrência.

É um erro de foco, precisamos sanear a praia central, se podemos fazer isso junto com o alargamento -sem dúvidas é possível- melhor para todos.


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