Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Opinião
OPINIÃO: Em defesa de um envelhecimento sem maquiagem

A população de idosos no Brasil aumenta mais rapidamente do que em qualquer outro país.

Sexta, 29/11/2019 20:44.
Divulgação

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Por Robson Ramos

O número de pessoas com mais de 60 anos - que hoje representa 13,5% dos brasileiros deve dobrar até 2042, segundo o IBGE. Um salto para 24,5% nas próximas duas décadas.

Ainda que isso represente uma conquista, o cenário é visto com preocupação, afinal, a qualidade de vida de muitos está aquém de padrões aceitáveis. Os países mais desenvolvidos primeiro ficaram ricos e depois envelheceram. O Brasil está envelhecendo e não somos ricos.

Há pouco tempo, havia muitos jovens na base da pirâmide demográfica, e poucos idosos no topo. Mas isso está se alterando drasticamente.

Igualmente relevante é o fato de que as crianças que nascem estão em número maior no meio de famílias pobres e com baixa escolaridade, ao passo que as famílias em melhores condições socioeconômicas optam por ter poucos filhos. A falta de investimento na educação dessas crianças muito mais numerosas e vulneráveis sob todos os aspectos, trará consequências desastrosas. Não nos iludamos, nas palavras do gerontólogo e presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Alexandre Kalache, “a questão demográfica guia e dirige o futuro.”

O que essa realidade significa para nós em Balneário Camboriú e região da AMFRI - Associação dos Municípios na Foz do Rio Itajaí?

Meu objetivo é propor uma reflexão que nos leve a mudanças de paradigmas e nos torne modelo no Envelhecimento Ativo.

Em primeiro lugar é preciso parar de tapar o sol com a peneira, conforme ouvi de um idoso uns dias atrás, “chega de ficar enfeitando o pavão, que inclusive não está tão bonito como fazem parecer”. Basta perguntar aos Idosos menos favorecidos que dependem do SUS e de transporte público e prestar atenção ao que eles têm a dizer.

Em segundo lugar, é fundamental analisar os dados demográficos e informações atinentes ao perfil da população idosa em nossa região, fazendo projeções e análises, à luz do desenvolvimento econômico e demandas sociais.

O processo de envelhecimento no Brasil avança muito rapidamente, e nós – representantes da Sociedade Civil Organizada, do Setor Privado e do Poder Público – temos duas alternativas: a primeira delas é seguir ignorando a real dimensão do desafio que aí está.

Caso ignoremos os alertas seremos irresponsáveis e nossos filhos, netos e bisnetos “pagarão o pato” que, convenhamos, não será nada agradável.

Se já é difícil formar Cuidadores de Idosos para atender a demanda atual imagine daqui a 10 ou 20 anos quando a população de idosos dependentes e sem autonomia terá no mínimo duplicado. Mesmo que mais profissionais entrem nesse mercado quem terá condições de pagar pelos seus serviços? Se hoje as vagas nas ILPI´s (Instituições de Longa Permanência para Pessoa Idosa) são insuficientes para atender a demanda, o que acontecerá quando o número de idosos precisando ficar nessas instituições aumentar de acordo com as projeções? E o que dizer da infraestrutura na Saúde Pública? Se a situação hoje já se apresenta deficitária, imagine quando ...

A segunda alternativa é tomar pé da situação e fazer o dever de casa. Essa opção certamente exigirá um esforço coordenado de todos, entretanto é o caminho certo. Para isso é preciso romper certos paradigmas.

As soluções não cairão do céu. Elas virão como resultado da participação efetiva da sociedade civil e do Poder Público. É condição sine qua non juntar forças, competências e conhecimento. Somente assim teremos condições de colocar em prática aquilo que a Organização Mundial da Saúde define como Envelhecimento Ativo – e que diz respeito a pessoas de todas as idades: “o processo de otimização de oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas, à medida que envelhecem.”

A fim de que haja avanços reais temos que fomentar o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade social. Isso implica, dentre outras coisas, forjar líderes socialmente engajados na busca e implementação de soluções que tragam melhor qualidade de vida, educação e empregabilidade para todos, inclusive os Idosos.

Balneário Camboriú, em parceria com os municípios que fazem parte da AMFRI tem a oportunidade única de desenvolver uma política conjunta visando buscar soluções que são de interesse geral, além de urgentes.

Para que isso aconteça é necessário formar pessoas altruístas que coloquem suas competências e habilidades em prol do bem comum. Precisamos de profissionais com capacidade e coragem para influenciar comportamentos e promover mudanças. Infelizmente profissionais com esse perfil são raros, diferentemente do que vemos aos montes por aí, gente que entende de todos os gadgets e baladas do momento, mas sem sensibilidade e capacidade de inovação nos campos social e humano.

Outro paradigma a ser rompido é o de pensar que o impacto do envelhecimento da população nada tem a ver conosco. Chega de pensar ou dizer que os governantes é que devem resolver o problema. Somos corresponsáveis. Devemos coproduzir em vez de ficarmos andando para trás amarrados a disputas bairristas de cunho político-partidário. Por um lado os políticos têm que atuar em prol da sociedade e, por outro, a sociedade – em especial os Idosos - têm que assumir seu protagonismo, exigindo atenção aos seus direitos, participando ativamente da construção de caminhos com melhores perspectivas, desenvolvendo uma sociedade onde todos, jovens e adultos, entendam que “respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito”.

É necessário que haja dados e informações confiáveis sobre o perfil dos idosos residentes em nossa região para adequar mobilidade urbana, saúde e moradia a esses cidadãos. A ausência de estudos a esse respeito acaba sendo causa de ações feitas na base do improviso. Por exemplo, o que sabemos sobre o número de idosos que fazem uso de antidepressivos? Dados a esse respeito são importantes para que possamos implementar programas de prevenção ao suicídio desse grupo de pessoas.

O Envelhecimento Ativo remete a várias questões do dia a dia da população que merecem ser abordadas, tais como o atendimento nas lojas e restaurantes. São comuns os relatos de idosos reclamando de abusos da parte de funcionários de restaurantes que cobram além do que o idoso de fato consumiu, tratando o cliente de forma abusiva como se fosse um idiota.

As autoridades competentes devem encontrar formas de coibir a circulação de bicicletas nas calçadas e corredores de circulação exclusivos para pedestres. Muitas calçadas na cidade estão em péssimas condições para pedestres de qualquer idade, quanto mais para uma pessoa com limitações físicas.

Reclamações constantes em relação ao Transporte Público e Saúde são uma comprovação de que estamos, há muito tempo, diante de uma situação crônica. Lamentavelmente nenhuma autoridade, seja da Administração Pública ou do Judiciário, consegue se impor a ponto de corrigir as falhas, o que corrobora para o desgaste e descrédito de instituições que deveriam fazer com que as leis fossem cumpridas. Quem sofre mais com isso são os cidadãos de classe social menos favorecida, justamente os mais indefesos perante a inoperância e apatia de agentes públicos que estão lá para zelar pela aplicação da Lei e acabam se escondendo atrás do emaranhado de instâncias administrativas, pouco ou nada fazendo para que as coisas andem como deveriam.

Outras situações poderiam ser apontadas, porém, essas são suficientes para mostrar o quanto estamos longe de ser uma cidade acolhedora da Pessoa Idosa. Precisamos evoluir muito nos termos da OMS – Organização Mundial da Saúde que, em seu entendimento sobre Envelhecimento Ativo, privilegia pilares tais como saúde, mobilidade urbana, participação e segurança, silêncio na madrugada para que as horas de sono sejam respeitadas, criação de áreas verdes, acessibilidade nas calçadas não apenas nas áreas tidas como nobre, dentre outros itens, e tenha seus direitos respeitados, considerando as necessidades da pessoa idosa.

Nosso município, que é relativamente pequeno, tem plenas condições de se tornar modelo no Envelhecimento Ativo. Mas, para isso acontecer, deve investir na formulação de pesquisas e na aferição do perfil dos Idosos na cidade. A partir disso será possível estabelecer políticas públicas viáveis voltadas para a educação da população como um todo. Sem a valorização de pesquisas à altura do desafio ficamos à mercê de programas meramente paliativos e sem possibilidade de mudanças capazes de fazer frente ao impacto que o aumento acelerado da população idosa já está causando.

Considerando o presente cenário seria bem-vinda a criação de um Think Tank – expressão da língua Inglesa comumente traduzida por “laboratório de ideias” – que é um grupo dedicado a gerar e divulgar informações e propostas sobre pautas específicas, objetivando trazer luz ao debate público, influenciar a sociedade e tomar decisões assertivas na esfera política.

Um Think Tank voltado para o debate sobre o Envelhecimento Ativo teria por finalidade o aprofundamento das informações e parâmetros legais disponíveis e a aplicação desses conhecimentos no contexto socioeconômico no qual estamos inseridos. Sua contribuição tem sido observada em situações em que gestores de instituições tradicionais tendem simplesmente a reproduzir práticas tradicionais e ineficientes. O resultado imediato mais evidente é o enriquecimento do debate público que sai do monopólio de órgãos governamentais e de agentes públicos que, não raras vezes, fazem uma gestão tendenciosa privilegiando uma agenda que não atende os interesses da população.

Um grupo com essas características, em parceria com o Setor Privado e com o Poder Público, pode inclusive promover intercâmbios com cidades de países mais desenvolvidos, trazendo conhecimentos, experiências e inovações para a região.

Ações e mudanças desse tipo permitirão criar melhores condições para enfrentamento dos desafios que são mais do que urgentes, especialmente para os Idosos em condição de maior vulnerabilidade, cuja saúde demanda uma resposta rápida e eficaz.

O envelhecimento veio para ficar. É irresponsabilidade evitar o assunto ou maquiá-lo. Está em nossas mãos fazer as mudanças necessárias enquanto há tempo.

Robson Ramos é advogado, palestrante, membro da Academia de Letras de Balneário Camboriú, presidente do Conselho Municipal do Idoso em nossa cidade, de 2009 a 2011. Autor do livro O Idoso do Plaza: crônicas para saber envelhecer (Publit Soluções Editoriais, RJ).


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OPINIÃO: Em defesa de um envelhecimento sem maquiagem

A população de idosos no Brasil aumenta mais rapidamente do que em qualquer outro país.

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Sexta, 29/11/2019 20:44.

Por Robson Ramos

O número de pessoas com mais de 60 anos - que hoje representa 13,5% dos brasileiros deve dobrar até 2042, segundo o IBGE. Um salto para 24,5% nas próximas duas décadas.

Ainda que isso represente uma conquista, o cenário é visto com preocupação, afinal, a qualidade de vida de muitos está aquém de padrões aceitáveis. Os países mais desenvolvidos primeiro ficaram ricos e depois envelheceram. O Brasil está envelhecendo e não somos ricos.

Há pouco tempo, havia muitos jovens na base da pirâmide demográfica, e poucos idosos no topo. Mas isso está se alterando drasticamente.

Igualmente relevante é o fato de que as crianças que nascem estão em número maior no meio de famílias pobres e com baixa escolaridade, ao passo que as famílias em melhores condições socioeconômicas optam por ter poucos filhos. A falta de investimento na educação dessas crianças muito mais numerosas e vulneráveis sob todos os aspectos, trará consequências desastrosas. Não nos iludamos, nas palavras do gerontólogo e presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Alexandre Kalache, “a questão demográfica guia e dirige o futuro.”

O que essa realidade significa para nós em Balneário Camboriú e região da AMFRI - Associação dos Municípios na Foz do Rio Itajaí?

Meu objetivo é propor uma reflexão que nos leve a mudanças de paradigmas e nos torne modelo no Envelhecimento Ativo.

Em primeiro lugar é preciso parar de tapar o sol com a peneira, conforme ouvi de um idoso uns dias atrás, “chega de ficar enfeitando o pavão, que inclusive não está tão bonito como fazem parecer”. Basta perguntar aos Idosos menos favorecidos que dependem do SUS e de transporte público e prestar atenção ao que eles têm a dizer.

Em segundo lugar, é fundamental analisar os dados demográficos e informações atinentes ao perfil da população idosa em nossa região, fazendo projeções e análises, à luz do desenvolvimento econômico e demandas sociais.

O processo de envelhecimento no Brasil avança muito rapidamente, e nós – representantes da Sociedade Civil Organizada, do Setor Privado e do Poder Público – temos duas alternativas: a primeira delas é seguir ignorando a real dimensão do desafio que aí está.

Caso ignoremos os alertas seremos irresponsáveis e nossos filhos, netos e bisnetos “pagarão o pato” que, convenhamos, não será nada agradável.

Se já é difícil formar Cuidadores de Idosos para atender a demanda atual imagine daqui a 10 ou 20 anos quando a população de idosos dependentes e sem autonomia terá no mínimo duplicado. Mesmo que mais profissionais entrem nesse mercado quem terá condições de pagar pelos seus serviços? Se hoje as vagas nas ILPI´s (Instituições de Longa Permanência para Pessoa Idosa) são insuficientes para atender a demanda, o que acontecerá quando o número de idosos precisando ficar nessas instituições aumentar de acordo com as projeções? E o que dizer da infraestrutura na Saúde Pública? Se a situação hoje já se apresenta deficitária, imagine quando ...

A segunda alternativa é tomar pé da situação e fazer o dever de casa. Essa opção certamente exigirá um esforço coordenado de todos, entretanto é o caminho certo. Para isso é preciso romper certos paradigmas.

As soluções não cairão do céu. Elas virão como resultado da participação efetiva da sociedade civil e do Poder Público. É condição sine qua non juntar forças, competências e conhecimento. Somente assim teremos condições de colocar em prática aquilo que a Organização Mundial da Saúde define como Envelhecimento Ativo – e que diz respeito a pessoas de todas as idades: “o processo de otimização de oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas, à medida que envelhecem.”

A fim de que haja avanços reais temos que fomentar o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade social. Isso implica, dentre outras coisas, forjar líderes socialmente engajados na busca e implementação de soluções que tragam melhor qualidade de vida, educação e empregabilidade para todos, inclusive os Idosos.

Balneário Camboriú, em parceria com os municípios que fazem parte da AMFRI tem a oportunidade única de desenvolver uma política conjunta visando buscar soluções que são de interesse geral, além de urgentes.

Para que isso aconteça é necessário formar pessoas altruístas que coloquem suas competências e habilidades em prol do bem comum. Precisamos de profissionais com capacidade e coragem para influenciar comportamentos e promover mudanças. Infelizmente profissionais com esse perfil são raros, diferentemente do que vemos aos montes por aí, gente que entende de todos os gadgets e baladas do momento, mas sem sensibilidade e capacidade de inovação nos campos social e humano.

Outro paradigma a ser rompido é o de pensar que o impacto do envelhecimento da população nada tem a ver conosco. Chega de pensar ou dizer que os governantes é que devem resolver o problema. Somos corresponsáveis. Devemos coproduzir em vez de ficarmos andando para trás amarrados a disputas bairristas de cunho político-partidário. Por um lado os políticos têm que atuar em prol da sociedade e, por outro, a sociedade – em especial os Idosos - têm que assumir seu protagonismo, exigindo atenção aos seus direitos, participando ativamente da construção de caminhos com melhores perspectivas, desenvolvendo uma sociedade onde todos, jovens e adultos, entendam que “respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito”.

É necessário que haja dados e informações confiáveis sobre o perfil dos idosos residentes em nossa região para adequar mobilidade urbana, saúde e moradia a esses cidadãos. A ausência de estudos a esse respeito acaba sendo causa de ações feitas na base do improviso. Por exemplo, o que sabemos sobre o número de idosos que fazem uso de antidepressivos? Dados a esse respeito são importantes para que possamos implementar programas de prevenção ao suicídio desse grupo de pessoas.

O Envelhecimento Ativo remete a várias questões do dia a dia da população que merecem ser abordadas, tais como o atendimento nas lojas e restaurantes. São comuns os relatos de idosos reclamando de abusos da parte de funcionários de restaurantes que cobram além do que o idoso de fato consumiu, tratando o cliente de forma abusiva como se fosse um idiota.

As autoridades competentes devem encontrar formas de coibir a circulação de bicicletas nas calçadas e corredores de circulação exclusivos para pedestres. Muitas calçadas na cidade estão em péssimas condições para pedestres de qualquer idade, quanto mais para uma pessoa com limitações físicas.

Reclamações constantes em relação ao Transporte Público e Saúde são uma comprovação de que estamos, há muito tempo, diante de uma situação crônica. Lamentavelmente nenhuma autoridade, seja da Administração Pública ou do Judiciário, consegue se impor a ponto de corrigir as falhas, o que corrobora para o desgaste e descrédito de instituições que deveriam fazer com que as leis fossem cumpridas. Quem sofre mais com isso são os cidadãos de classe social menos favorecida, justamente os mais indefesos perante a inoperância e apatia de agentes públicos que estão lá para zelar pela aplicação da Lei e acabam se escondendo atrás do emaranhado de instâncias administrativas, pouco ou nada fazendo para que as coisas andem como deveriam.

Outras situações poderiam ser apontadas, porém, essas são suficientes para mostrar o quanto estamos longe de ser uma cidade acolhedora da Pessoa Idosa. Precisamos evoluir muito nos termos da OMS – Organização Mundial da Saúde que, em seu entendimento sobre Envelhecimento Ativo, privilegia pilares tais como saúde, mobilidade urbana, participação e segurança, silêncio na madrugada para que as horas de sono sejam respeitadas, criação de áreas verdes, acessibilidade nas calçadas não apenas nas áreas tidas como nobre, dentre outros itens, e tenha seus direitos respeitados, considerando as necessidades da pessoa idosa.

Nosso município, que é relativamente pequeno, tem plenas condições de se tornar modelo no Envelhecimento Ativo. Mas, para isso acontecer, deve investir na formulação de pesquisas e na aferição do perfil dos Idosos na cidade. A partir disso será possível estabelecer políticas públicas viáveis voltadas para a educação da população como um todo. Sem a valorização de pesquisas à altura do desafio ficamos à mercê de programas meramente paliativos e sem possibilidade de mudanças capazes de fazer frente ao impacto que o aumento acelerado da população idosa já está causando.

Considerando o presente cenário seria bem-vinda a criação de um Think Tank – expressão da língua Inglesa comumente traduzida por “laboratório de ideias” – que é um grupo dedicado a gerar e divulgar informações e propostas sobre pautas específicas, objetivando trazer luz ao debate público, influenciar a sociedade e tomar decisões assertivas na esfera política.

Um Think Tank voltado para o debate sobre o Envelhecimento Ativo teria por finalidade o aprofundamento das informações e parâmetros legais disponíveis e a aplicação desses conhecimentos no contexto socioeconômico no qual estamos inseridos. Sua contribuição tem sido observada em situações em que gestores de instituições tradicionais tendem simplesmente a reproduzir práticas tradicionais e ineficientes. O resultado imediato mais evidente é o enriquecimento do debate público que sai do monopólio de órgãos governamentais e de agentes públicos que, não raras vezes, fazem uma gestão tendenciosa privilegiando uma agenda que não atende os interesses da população.

Um grupo com essas características, em parceria com o Setor Privado e com o Poder Público, pode inclusive promover intercâmbios com cidades de países mais desenvolvidos, trazendo conhecimentos, experiências e inovações para a região.

Ações e mudanças desse tipo permitirão criar melhores condições para enfrentamento dos desafios que são mais do que urgentes, especialmente para os Idosos em condição de maior vulnerabilidade, cuja saúde demanda uma resposta rápida e eficaz.

O envelhecimento veio para ficar. É irresponsabilidade evitar o assunto ou maquiá-lo. Está em nossas mãos fazer as mudanças necessárias enquanto há tempo.

Robson Ramos é advogado, palestrante, membro da Academia de Letras de Balneário Camboriú, presidente do Conselho Municipal do Idoso em nossa cidade, de 2009 a 2011. Autor do livro O Idoso do Plaza: crônicas para saber envelhecer (Publit Soluções Editoriais, RJ).


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