Jornal Página 3

Diálogo de Temer com Joesley Batista é inconclusivo

Sexta, 19/5/2017 5:36.

LETÍCIA CASADO, CAMILA MATTOSO E RUBENS VALENTE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em conversa gravada, o presidente Michel Temer (PMDB) afirmou ao empresário Joesley Batista, ao ouvir as iniciativas que o dono do grupo JBS vinha tomando com relação ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ): "Tem que manter isso, viu?". O diálogo não é conclusivo sobre a realização de pagamentos ao ex-deputado para comprar seu silêncio.

A conversa contém trechos inaudíveis. Após a fala de Temer, Batista afirma: "Todo mês", o que indica, segundo o empresário afirmou em seu acordo de delação premiada fechada com a PGR (Procuradoria-Geral da República), acertos em dinheiro.

Cunha, que está preso em Curitiba (PR), tem indicado nos bastidores a ideia de fazer um acordo de delação com a Lava Jato.

O sigilo judicial sobre a gravação, que integra o acordo de delação premiada homologada com o empresário do grupo JBS, foi levantado nesta quinta-feira (18) por ordem do ministro relator dos casos da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin.

Minutos antes, o ministro havia autorizado a entrega de uma cópia da gravação à área jurídica do Palácio do Planalto.

A gravação tem ao todo 38min57s. O trecho em que Batista trata com Temer sobre o seu relacionamento com Eduardo Cunha, que está preso por ordem do juiz federal Sergio Moro, dura cerca de três minutos.

Batista afirma que fez "o máximo" e "zerou tudo", referindo-se a "pendências" que tinha com Eduardo Cunha. O ex-deputado teria "cobrado" algo que não fica claro na conversa. Batista contou ao presidente que tinha um contato em comum tanto com Cunha quanto com seu aliado, o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro: tratava-se do ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima.

Contudo, Batista disse que perdeu contato com Geddel depois do escândalo que levou à queda de ministro no final do ano passado. Geddel passou a ser "investigado", segundo Batista, e por isso ele evitava entrar em contato com ele.

Temer concordou com o empresário, falou em "cuidado", em um cenário "complicado" e ponderou que poderia aparentar uma "obstrução à Justiça", conduta considerada crime pelo Código Penal.

Na sequência da conversa, Batista resume o quadro: "O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok?".

Nesse momento, Temer concorda: "Tem que manter isso, viu?". Batista complementa: "Todo mês".

A partir daí, a conversa muda de foco, Batista passa a falar sobre a situação dos processos a que responde em Brasília.

Em outra gravação, Batista afirma ao deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR) a sua versão sobre o que teria dito a Michel Temer. "Eu disse pra Michel, desde quando Eduardo foi preso e ele [Funaro] quem está segurando as pontas sou eu". Loures concordou: "Cuidando deles lá".

Para o deputado, essa ajuda "estabilizou" Cunha.

"Agora, o que eu comentei com Michel que o problema é o seguinte, ô, Rodrigo, a gente tem que pensar que essa situação não dá para ficar o resto da vida. Um mês vai, dois meses, três meses, seis meses, mas vai chegando uma hora que você vai indo, você vai indo..." 


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