Jornal Página 3

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Bolsonaro escolhe assessora de aliado para Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos
Divulgação
Pastora Damares Alves

Quinta, 6/12/2018 15:58.

TALITA FERNANDES (FOLHAPRESS)

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, escolheu Damares Alves para o Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos. A pasta vai abrigar a Funai (Fundação Nacional do Índio), que hoje está na Justiça.

Trata-se da segunda mulher indicada para o primeiro escalão do próximo governo. Além de Alves, Bolsonaro confirmou a deputada Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura.

O anúncio da ministra foi feito pelo futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ao lado do deputado federal eleito Julian Lemos (PSL-PB), que foi por três vezes alvo da Lei Maria da Penha, acusado de agressão pela irmã e pela ex-mulher. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo.

​Damares é advogada e atualmente está lotada como assessora no gabinete do senador Magno Malta (PR-ES). O parlamentar capixaba é amigo de Bolsonaro e chegou a ser cotado para o Ministério da Cidadania, mas a ideia foi abandonada após críticas de apoiadores.

A indicação deixa de lado nomes apresentados pela bancada evangélica, que declarou apoio a Bolsonaro ainda durante a campanha e vinha se queixando de não ter pedido acolhido pelo eleito.

Os evangélicos levaram na semana passada os nomes do pastor e deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) e dos deputados Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-RS).

Eles pretendiam emplacar uma das três opções no novo Ministério da Cidadania. Bolsonaro, contudo, decidiu indicar o ex-ministro de Temer Osmar Terra para a pasta e mudou os planos ao decidir que Direitos Humanos seria um ministério independente.

Ministra de Direitos Humanos diz que 'mulher nasceu para ser mãe' e ideologia de gênero 'é morte'

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER (FOLHAPRESS)

A mulher "nasceu para ser mãe", seu "papel mais especial", e dizer que elas estão em guerra com os homens é uma lorota feminista.

É assim que a pastora evangélica Damares Alves, anunciada nesta quinta-feira (6) como ministra dos Direitos Humanos de Jair Bolsonaro (PSL), versa sobre o feminismo em entrevista gravada no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para um site conservador do Rio Grande do Norte, o Expresso Nacional.

Ela, que numa pregação de 2013 se descreveu como pastora, professora, advogada e corintiana, trabalha, por um salário líquido de R$ 4.408, no gabinete do senador Magno Malta (PR-ES), aliado de primeira hora do presidente eleito que acabou esnobado para um cargo na Esplanada.

Damares já fez a assessoria jurídica da Frente Parlamentar Evangélica, na qual ficou conhecida pelo bom trânsito com parlamentares. Diz-se mestre em educação e em direito constitucional e da família. Também é creditada como fundadora da Atini, uma entidade que zela por crianças indígenas.

Suas pautas se alinham às da bancada que diz falar no Congresso em nome dos evangélicos.

Ao Expresso Nacional, por exemplo, afirmou que a ideologia de gênero é "morte, é morte de identidade", além de maldizer o aborto e a legalização das drogas. Todas as "pautas de esquerda", aliás, são "a morte" em sua opinião. "O menino abestado por maconha e abusado não vai liderar uma nação, é massa de manobra, [...] não tem senso de crítico."

Com carreira profissional hiperativa, ela diz que, ao contrário do que feministas propagandeariam, é possível, sim, ser do lar e do mercado de trabalho. "Me preocupo com ausência da mulher de casa", diz a pastora da Igreja Quadrangular, que brinca em seguida: amaria passar a tarde deitada na rede, "e o marido ralando muito, muito, muito para me encher de joias". Compara a imagem materna com "a da galinha com seus pintinhos embaixo da asa".

Ela já contou ter sido uma "sobrevivente da pedofilia", após ter sido "barbaramente estuprada" aos seis anos. O ataque teria a deixado incapaz de engravidar.

O assunto, portanto, tem sua atenção máxima, diz. Para abordar os perigos virtuais, compartilha a história de uma menina que queria procurar na internet "trança embutida", escreveu "transa" e "entrou em choque" com o que viu.

O problema começa com bandas típicas do celeiro progressista, como a roqueira gaúcha Bidê ou Balde?, que tem a música "E Por Que Não?", que vai assim: "Eu estou adorando/ Ver a minha menina/ Com algumas colegas/ Dela da escolinha". O grupo chegou a homologar um acordo numa Vara da Infância que os impede de executar a canção novamente.

A nomeação de Damares foi elogiada por quatro parlamentares evangélicos que a reportagem consultou. Um mais próximo de Magno Malta, contudo, disse que o senador não reeleito se sentiu escanteado por Bolsonaro e que vê na indicação de sua assessora uma vã tentativa de colocar panos quentes em sua mágoa com o presidente eleito.

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Cidade

ATUALIZADO às 7h de 15/12/2018.


Cidade

Balneário Camboriú passa a ser a cidade brasileira com mais bandeiras azuis


Justiça

Ele considera ilegal a lei municipal que permitiu o empreendimento 


Rapidinhas


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Bolsonaro escolhe assessora de aliado para Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos

Divulgação
Pastora Damares Alves
Pastora Damares Alves
Quinta, 6/12/2018 15:58.

TALITA FERNANDES (FOLHAPRESS)

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, escolheu Damares Alves para o Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos. A pasta vai abrigar a Funai (Fundação Nacional do Índio), que hoje está na Justiça.

Trata-se da segunda mulher indicada para o primeiro escalão do próximo governo. Além de Alves, Bolsonaro confirmou a deputada Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura.

O anúncio da ministra foi feito pelo futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ao lado do deputado federal eleito Julian Lemos (PSL-PB), que foi por três vezes alvo da Lei Maria da Penha, acusado de agressão pela irmã e pela ex-mulher. O caso foi revelado pela Folha de S.Paulo.

​Damares é advogada e atualmente está lotada como assessora no gabinete do senador Magno Malta (PR-ES). O parlamentar capixaba é amigo de Bolsonaro e chegou a ser cotado para o Ministério da Cidadania, mas a ideia foi abandonada após críticas de apoiadores.

A indicação deixa de lado nomes apresentados pela bancada evangélica, que declarou apoio a Bolsonaro ainda durante a campanha e vinha se queixando de não ter pedido acolhido pelo eleito.

Os evangélicos levaram na semana passada os nomes do pastor e deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) e dos deputados Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-RS).

Eles pretendiam emplacar uma das três opções no novo Ministério da Cidadania. Bolsonaro, contudo, decidiu indicar o ex-ministro de Temer Osmar Terra para a pasta e mudou os planos ao decidir que Direitos Humanos seria um ministério independente.

Ministra de Direitos Humanos diz que 'mulher nasceu para ser mãe' e ideologia de gênero 'é morte'

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER (FOLHAPRESS)

A mulher "nasceu para ser mãe", seu "papel mais especial", e dizer que elas estão em guerra com os homens é uma lorota feminista.

É assim que a pastora evangélica Damares Alves, anunciada nesta quinta-feira (6) como ministra dos Direitos Humanos de Jair Bolsonaro (PSL), versa sobre o feminismo em entrevista gravada no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, para um site conservador do Rio Grande do Norte, o Expresso Nacional.

Ela, que numa pregação de 2013 se descreveu como pastora, professora, advogada e corintiana, trabalha, por um salário líquido de R$ 4.408, no gabinete do senador Magno Malta (PR-ES), aliado de primeira hora do presidente eleito que acabou esnobado para um cargo na Esplanada.

Damares já fez a assessoria jurídica da Frente Parlamentar Evangélica, na qual ficou conhecida pelo bom trânsito com parlamentares. Diz-se mestre em educação e em direito constitucional e da família. Também é creditada como fundadora da Atini, uma entidade que zela por crianças indígenas.

Suas pautas se alinham às da bancada que diz falar no Congresso em nome dos evangélicos.

Ao Expresso Nacional, por exemplo, afirmou que a ideologia de gênero é "morte, é morte de identidade", além de maldizer o aborto e a legalização das drogas. Todas as "pautas de esquerda", aliás, são "a morte" em sua opinião. "O menino abestado por maconha e abusado não vai liderar uma nação, é massa de manobra, [...] não tem senso de crítico."

Com carreira profissional hiperativa, ela diz que, ao contrário do que feministas propagandeariam, é possível, sim, ser do lar e do mercado de trabalho. "Me preocupo com ausência da mulher de casa", diz a pastora da Igreja Quadrangular, que brinca em seguida: amaria passar a tarde deitada na rede, "e o marido ralando muito, muito, muito para me encher de joias". Compara a imagem materna com "a da galinha com seus pintinhos embaixo da asa".

Ela já contou ter sido uma "sobrevivente da pedofilia", após ter sido "barbaramente estuprada" aos seis anos. O ataque teria a deixado incapaz de engravidar.

O assunto, portanto, tem sua atenção máxima, diz. Para abordar os perigos virtuais, compartilha a história de uma menina que queria procurar na internet "trança embutida", escreveu "transa" e "entrou em choque" com o que viu.

O problema começa com bandas típicas do celeiro progressista, como a roqueira gaúcha Bidê ou Balde?, que tem a música "E Por Que Não?", que vai assim: "Eu estou adorando/ Ver a minha menina/ Com algumas colegas/ Dela da escolinha". O grupo chegou a homologar um acordo numa Vara da Infância que os impede de executar a canção novamente.

A nomeação de Damares foi elogiada por quatro parlamentares evangélicos que a reportagem consultou. Um mais próximo de Magno Malta, contudo, disse que o senador não reeleito se sentiu escanteado por Bolsonaro e que vê na indicação de sua assessora uma vã tentativa de colocar panos quentes em sua mágoa com o presidente eleito.

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