Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Política
Atletas e professores fazem manifestação contra a extinção da Fundação de Esportes

 Foi uma falta de respeito, ficamos sabendo da noite para o dia, foi tudo decidido muito rápido e de uma forma muito estranha.

Quinta, 22/8/2019 8:08.

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Texto e fotos: Renata Rutes

A Fundação Municipal de Esportes de Balneário Camboriú (FMEBC) corre o risco de ser extinta com a reforma administrativa que o governo municipal quer fazer. Nas mudanças, a Fundação passará a fazer parte da Secretaria de Turismo, assim como a Fundação Cultural.


Alunos, atletas, técnicos e professores caminharam até a Câmara de Vereadores para manifestação.

Houve uma reunião na manhã de ontem (22) na prefeitura, mas os professores, técnicos e atletas permanecem pedindo para que o governo desista da ideia, e na tarde desta quinta-feira fizeram uma caminhada até a Câmara de Vereadores, em busca de mais entendimento sobre o assunto.

A manifestação pacífica, que saiu do Ginásio de Esportes Governador Irineu Bornhausen (G1), que fica na Avenida Santa Catarina até a Câmara de Vereadores foi organizada por um grupo de pais de atletas, atletas e professores. No local, o Página 3 conversou com a professora de atletismo Daiana Gamboa e a de vôlei de praia, Leize Bianchini. Participaram do ato aproximadamente 80 pessoas.

As duas estiveram presentes na reunião ocorrida de manhã na prefeitura, e contaram que o prefeito Fabrício Oliveira não participou do momento.

“Estamos preocupados e não queremos o fim da Fundação por conta da autonomia que temos hoje. Temos RH, setor financeiro, tudo decidimos lá. Somente quando envolve gastos maiores que precisamos resolver com a prefeitura. Se unirmos com a secretaria de Turismo teremos que pedir pra cinco pessoas, será muito mais burocrático e difícil. Gostaríamos que o prefeito e os vereadores buscassem informações com cidades que fizeram isso, como Itajaí, Itapema e Joinville vissem que não deu certo. É um retrocesso”, explica Daiana. Ela lembra ainda que o atletismo não possui uma associação, e que hoje competem diretamente pela FMEBC, e se ela fechar não irão mais ter essa representatividade oficial.

Leize opina que a situação tende a ser ‘desastrosa’ e que tiveram a visão de que foram chamadas na prefeitura não para serem ouvidas e sim para serem informadas de que a exclusão da Fundação acontecerá.

“Eles nos receberam para nos comunicar isso, e também nos apresentaram o projeto, citando os 35% de incremento que o Fundo Municipal de Esportes vai receber. Na matéria feita pela prefeitura eles divulgaram que nós concordamos com o que nos disseram, mas não foi bem assim. Foi uma falta de respeito, ficamos sabendo da noite para o dia, foi tudo decidido muito rápido e de uma forma muito estranha. Não concordamos com o fim da Fundação”, diz.

As professoras salientam que foi dito que não haverá corte de verbas e nem redução no número de professores e sim dos cargos comissionados, e por isso dizem que não entendem de onde virá a economia dos R$ 10 milhões prometidas na reforma.

“Se unirem e não cumprirem com todas essas promessas, o esporte de Balneário Camboriú vai falir”, lembra Leize. Na reunião foi citado que o projeto tende a tramitar cerca de dois meses e que em até seis ele será aplicado (com a anexação das fundações à secretaria).


Na Câmara de Vereadores


Vereadores conversaram com os manifestantes

Os vereadores Leonardo Piruka e André Meirinho demonstraram apoio ao movimento dos professores e atletas, participando inclusive da caminhada até a Câmara de Vereadores, onde estavam Marcelo Achutti, Nilson Probst, Patrick Machado, Joceli Nazzari, Bola Pereira, Arlindo Cruz e Juliethe Nitz. Os dois últimos tiveram outros compromissos e não participaram da conversa até o final.

O vereador André Meirinho lembra que foi diretor financeiro da FMEBC de 2009 a 2012, ocasião em que foram criados o Sistema Municipal de Esporte, a Bolsa Atleta e o Cartão da Transparência.

“É totalmente inadequado que a Fundação de Esportes perca a autonomia que tem hoje, não é necessário excluí-la para diminuir os gastos do governo. Se isso acontecer, haverá muita burocracia. Não será positivo de forma nenhuma, eles podem até ser integrados com o Turismo, mas sem extingui-los totalmente. Hoje a FMEBC é uma mini-prefeitura, tem tudo, RH, financeiro, transporte. Se acabarem com ela vai travar tudo e será muito prejudicial. Tem que reduzir o número de cargos comissionados e não excluir a Fundação. Eu sou contrário ao fechamento dela”.

Bola Pereira também se manifestou contra a extinção da FMEBC.

“Se isso acontecer, irá gerar uma falta de autonomia. Ela sendo descentralizada como é hoje há a agilidade para captar recursos, porque as empresas gostam de contribuir com Fundações e não com prefeituras. O investimento público precisa ser melhorado, mas acabar com essas Fundações não é a saída. Isso enfraquece o esporte. O que fizeram na reunião com os professores hoje de manhã foi feio, estão mascarando a situação. O governo só tem mais 16 meses”.

Nilson Probst também afirmou que não concorda com a fusão.

“É uma decisão do governo feita sem avaliação alguma. Fiquei sabendo que o prefeito está fazendo isso e ao mesmo tempo está criando cinco vagas no gabinete dele com salário de secretário municipal. O prefeito deve sim reduzir os cargos, mas não acabar com a liberdade que a FMEBC tem hoje. Se o fechamento acontecer, vai amarrar tudo. A Fundação é fundamental exatamente por ser mais ágil”.

Leonardo Piruka diz que não vai haver a anunciada redução de R$ 10 milhões.

“Analisamos e será no máximo R$ 6 milhões. Não queremos discutir a reforma antecipadamente, mas sem dúvidas a exclusão da Fundação Municipal de Esportes está errada. Até hoje a FMEBC não funciona da forma como deveria. É preciso buscar recursos com a iniciativa privada e isso não está acontecendo. O governo está punindo o esporte, excluindo a FME, por incompetência deles. Foi uma falta de respeito o prefeito não ter ido na reunião. Se em 1992 era viável ter a Fundação imagina hoje em 2019”.

Patrick Machado também se manifestou contra a fusão.

“Acredito muito no esporte e na cultura, são as duas pastas, em minha opinião, que mais se envolvem com a comunidade. O turismo não sabe a realidade dos bairros da cidade. O esporte e a cultura conhecem as famílias, as suas rotinas e dificuldades. Temos que discutir sim a reforma, é preciso reduzir os custos, mas não desmanchando as duas principais pastas”.

Marcelo Achutti afirmou que apoia o corte de verbas, mas é contra a extinção das fundações.

“Eu sempre digo que a Câmara de Vereadores é o parachoque da cidade. Eu sou contrário a extinção da FMEBC, mas favorável ao corte de valores. Há sim cargos que podem ser extintos, de coordenadores e diretores. É preciso investir mais no esporte, usando funcionários de carreira e cortando o apadrinhamento político. Meu voto é não para a extinção da Fundação e sim para o fim dos privilégios”.

Joceli Nazzari disse que ainda precisa estudar mais sobre o assunto.

“A reforma entrou há uma semana na Câmara e não está em regime de urgência, então não será votado semana que vem como muitos estavam falando. Temos que enxugar os gastos, mas temos muito o que conversar. Ainda não decidi se sou contra ou a favor dessa união, mas parabenizo os atletas e professores pelo movimento”.

Arlindo Cruz afirmou que é contra, mas condenou o terrorismo.

“Eu tinha outro compromisso e fiquei sabendo por três meninos atletas que foram até o meu gabinete aterrorizados me implorando para eu não deixar a Fundação acabar. Isso que vocês estão fazendo com as crianças é terrorismo e está errado (nesse momento o vereador foi repelido por gritos e atletas se posicionaram que todos estão assustados porque a FMEBC de fato corre risco de fechar). Estou sim bem preocupado com essa situação e hoje sou contra a união, tanto essa quanto a da secretaria de Obras, que pode virar um departamento, mas mesmo se isso acontecer, o esporte não vai acabar”.

Alessandro Kuehne (Teco), que foi superintendente da FMEBC participou do encontro e também disse que é contra a fusão.

“Sou contra o fechamento. Fiquei mais de um ano na Fundação e vi a realidade de todos lá. Se unir com o turismo vai ficar mais burocrático e difícil, principalmente nas questões das viagens para competições. Hoje é tudo decidido na FME, mas se perdermos o CNPJ isso irá mudar e pode ficar complicado”.

 


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Atletas e professores fazem manifestação contra a extinção da Fundação de Esportes

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Quinta, 22/8/2019 8:08.

Texto e fotos: Renata Rutes

A Fundação Municipal de Esportes de Balneário Camboriú (FMEBC) corre o risco de ser extinta com a reforma administrativa que o governo municipal quer fazer. Nas mudanças, a Fundação passará a fazer parte da Secretaria de Turismo, assim como a Fundação Cultural.


Alunos, atletas, técnicos e professores caminharam até a Câmara de Vereadores para manifestação.

Houve uma reunião na manhã de ontem (22) na prefeitura, mas os professores, técnicos e atletas permanecem pedindo para que o governo desista da ideia, e na tarde desta quinta-feira fizeram uma caminhada até a Câmara de Vereadores, em busca de mais entendimento sobre o assunto.

A manifestação pacífica, que saiu do Ginásio de Esportes Governador Irineu Bornhausen (G1), que fica na Avenida Santa Catarina até a Câmara de Vereadores foi organizada por um grupo de pais de atletas, atletas e professores. No local, o Página 3 conversou com a professora de atletismo Daiana Gamboa e a de vôlei de praia, Leize Bianchini. Participaram do ato aproximadamente 80 pessoas.

As duas estiveram presentes na reunião ocorrida de manhã na prefeitura, e contaram que o prefeito Fabrício Oliveira não participou do momento.

“Estamos preocupados e não queremos o fim da Fundação por conta da autonomia que temos hoje. Temos RH, setor financeiro, tudo decidimos lá. Somente quando envolve gastos maiores que precisamos resolver com a prefeitura. Se unirmos com a secretaria de Turismo teremos que pedir pra cinco pessoas, será muito mais burocrático e difícil. Gostaríamos que o prefeito e os vereadores buscassem informações com cidades que fizeram isso, como Itajaí, Itapema e Joinville vissem que não deu certo. É um retrocesso”, explica Daiana. Ela lembra ainda que o atletismo não possui uma associação, e que hoje competem diretamente pela FMEBC, e se ela fechar não irão mais ter essa representatividade oficial.

Leize opina que a situação tende a ser ‘desastrosa’ e que tiveram a visão de que foram chamadas na prefeitura não para serem ouvidas e sim para serem informadas de que a exclusão da Fundação acontecerá.

“Eles nos receberam para nos comunicar isso, e também nos apresentaram o projeto, citando os 35% de incremento que o Fundo Municipal de Esportes vai receber. Na matéria feita pela prefeitura eles divulgaram que nós concordamos com o que nos disseram, mas não foi bem assim. Foi uma falta de respeito, ficamos sabendo da noite para o dia, foi tudo decidido muito rápido e de uma forma muito estranha. Não concordamos com o fim da Fundação”, diz.

As professoras salientam que foi dito que não haverá corte de verbas e nem redução no número de professores e sim dos cargos comissionados, e por isso dizem que não entendem de onde virá a economia dos R$ 10 milhões prometidas na reforma.

“Se unirem e não cumprirem com todas essas promessas, o esporte de Balneário Camboriú vai falir”, lembra Leize. Na reunião foi citado que o projeto tende a tramitar cerca de dois meses e que em até seis ele será aplicado (com a anexação das fundações à secretaria).


Na Câmara de Vereadores


Vereadores conversaram com os manifestantes

Os vereadores Leonardo Piruka e André Meirinho demonstraram apoio ao movimento dos professores e atletas, participando inclusive da caminhada até a Câmara de Vereadores, onde estavam Marcelo Achutti, Nilson Probst, Patrick Machado, Joceli Nazzari, Bola Pereira, Arlindo Cruz e Juliethe Nitz. Os dois últimos tiveram outros compromissos e não participaram da conversa até o final.

O vereador André Meirinho lembra que foi diretor financeiro da FMEBC de 2009 a 2012, ocasião em que foram criados o Sistema Municipal de Esporte, a Bolsa Atleta e o Cartão da Transparência.

“É totalmente inadequado que a Fundação de Esportes perca a autonomia que tem hoje, não é necessário excluí-la para diminuir os gastos do governo. Se isso acontecer, haverá muita burocracia. Não será positivo de forma nenhuma, eles podem até ser integrados com o Turismo, mas sem extingui-los totalmente. Hoje a FMEBC é uma mini-prefeitura, tem tudo, RH, financeiro, transporte. Se acabarem com ela vai travar tudo e será muito prejudicial. Tem que reduzir o número de cargos comissionados e não excluir a Fundação. Eu sou contrário ao fechamento dela”.

Bola Pereira também se manifestou contra a extinção da FMEBC.

“Se isso acontecer, irá gerar uma falta de autonomia. Ela sendo descentralizada como é hoje há a agilidade para captar recursos, porque as empresas gostam de contribuir com Fundações e não com prefeituras. O investimento público precisa ser melhorado, mas acabar com essas Fundações não é a saída. Isso enfraquece o esporte. O que fizeram na reunião com os professores hoje de manhã foi feio, estão mascarando a situação. O governo só tem mais 16 meses”.

Nilson Probst também afirmou que não concorda com a fusão.

“É uma decisão do governo feita sem avaliação alguma. Fiquei sabendo que o prefeito está fazendo isso e ao mesmo tempo está criando cinco vagas no gabinete dele com salário de secretário municipal. O prefeito deve sim reduzir os cargos, mas não acabar com a liberdade que a FMEBC tem hoje. Se o fechamento acontecer, vai amarrar tudo. A Fundação é fundamental exatamente por ser mais ágil”.

Leonardo Piruka diz que não vai haver a anunciada redução de R$ 10 milhões.

“Analisamos e será no máximo R$ 6 milhões. Não queremos discutir a reforma antecipadamente, mas sem dúvidas a exclusão da Fundação Municipal de Esportes está errada. Até hoje a FMEBC não funciona da forma como deveria. É preciso buscar recursos com a iniciativa privada e isso não está acontecendo. O governo está punindo o esporte, excluindo a FME, por incompetência deles. Foi uma falta de respeito o prefeito não ter ido na reunião. Se em 1992 era viável ter a Fundação imagina hoje em 2019”.

Patrick Machado também se manifestou contra a fusão.

“Acredito muito no esporte e na cultura, são as duas pastas, em minha opinião, que mais se envolvem com a comunidade. O turismo não sabe a realidade dos bairros da cidade. O esporte e a cultura conhecem as famílias, as suas rotinas e dificuldades. Temos que discutir sim a reforma, é preciso reduzir os custos, mas não desmanchando as duas principais pastas”.

Marcelo Achutti afirmou que apoia o corte de verbas, mas é contra a extinção das fundações.

“Eu sempre digo que a Câmara de Vereadores é o parachoque da cidade. Eu sou contrário a extinção da FMEBC, mas favorável ao corte de valores. Há sim cargos que podem ser extintos, de coordenadores e diretores. É preciso investir mais no esporte, usando funcionários de carreira e cortando o apadrinhamento político. Meu voto é não para a extinção da Fundação e sim para o fim dos privilégios”.

Joceli Nazzari disse que ainda precisa estudar mais sobre o assunto.

“A reforma entrou há uma semana na Câmara e não está em regime de urgência, então não será votado semana que vem como muitos estavam falando. Temos que enxugar os gastos, mas temos muito o que conversar. Ainda não decidi se sou contra ou a favor dessa união, mas parabenizo os atletas e professores pelo movimento”.

Arlindo Cruz afirmou que é contra, mas condenou o terrorismo.

“Eu tinha outro compromisso e fiquei sabendo por três meninos atletas que foram até o meu gabinete aterrorizados me implorando para eu não deixar a Fundação acabar. Isso que vocês estão fazendo com as crianças é terrorismo e está errado (nesse momento o vereador foi repelido por gritos e atletas se posicionaram que todos estão assustados porque a FMEBC de fato corre risco de fechar). Estou sim bem preocupado com essa situação e hoje sou contra a união, tanto essa quanto a da secretaria de Obras, que pode virar um departamento, mas mesmo se isso acontecer, o esporte não vai acabar”.

Alessandro Kuehne (Teco), que foi superintendente da FMEBC participou do encontro e também disse que é contra a fusão.

“Sou contra o fechamento. Fiquei mais de um ano na Fundação e vi a realidade de todos lá. Se unir com o turismo vai ficar mais burocrático e difícil, principalmente nas questões das viagens para competições. Hoje é tudo decidido na FME, mas se perdermos o CNPJ isso irá mudar e pode ficar complicado”.

 


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