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PÁGINA 3 / Política
Apelo comercial do voo livre no Morro do Careca gera discussões na Câmara

Sexta, 13/12/2019 10:37.
Divulgação

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Vereadores de Balneário Camboriú se reuniram com pilotos de voo livre, que praticam o esporte no Morro do Careca, esta semana (11), na Câmara. Participaram pilotos não somente de Balneário, mas de cidades vizinhas também. Eles querem que o Legislativo os apoie na reestruturação e diretrizes básicas de utilização do Morro, que desde setembro está sem administração por parte de associação.

Reunião com os vereadores

Um projeto de lei foi enviado pelo Executivo para tratar do processo licitatório do Morro, mas esses pilotos não concordam com algumas emendas citadas no documento. Desde o fim de outubro os voos solo voltaram a acontecer no local, mas os duplos (chamados de ‘voos de instrução’) só podem voltar a acontecer quando acontecer a licitação.


Relembre o caso

No início de setembro, a juíza Adriana Lisbôa, da Vara da Fazenda Pública, acatou o pedido do Ministério Público para tirar a Associação de Voo Livre do Morro do Careca (Amca) do Morro do Careca. A Amca administrava o local desde 2010, com base em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

Para que os voos voltassem a acontecer, pelo menos os solo, pilotos da região se uniram e foram selecionados fiscais, que acompanham os voos e estão credenciados pela Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL). Eles não recebem nada pelo trabalho e nenhum tipo de benefício, e atuam em sistema de rodízio. Para remunerá-los, a prefeitura precisaria fazer um concurso. Isso gerou polêmica e a Amca é contra, julgando que esse serviço é ‘irresponsável’ já que não há uma prova de que os fiscais são realmente aptos para fiscalizar os voos.


“Eles só querem ganhar dinheiro lá em cima”

O atual presidente da Amca, Ricardo Neves, conta que os pilotos que foram até a Câmara não querem que passem algumas emendas no projeto que está tramitando no Legislativo (Projeto de Lei Ordinária N.º 41/2019).

“Essas emendas asseguram e comprovam a capacidade técnica do instrutor, e esses pilotos querem que qualquer um, a qualquer maneira, possa voar e ganhar dinheiro lá em cima. A única proposta deles é comercial, sem critérios de segurança”, diz.

Ricardo opina que o projeto, que foi encaminhado pelo Executivo e que tem como objetivo fazer a licitação para explorar comercialmente o Morro, não contempla a parte técnica do voo.

“Assim foi encaminhado junto com a lei algumas emendas, para assegurar a capacidade técnica de profissionais que irão se candidatar futuramente para trabalhar no local, como instrutores de voo livre. Porém, um grupo de pilotos, a maioria de Itajaí e outros municípios, não querem essas emendas aprovadas, pois não atendem os critérios propostos”, explica.


“Todos perdem, a cidade e os instrutores”

O presidente salienta que a ausência dos voos duplos na temporada de verão, que é considerado um atrativo turístico de Balneário Camboriú, é uma ‘tragédia’ e que todos perdem, não só os instrutores como a cidade, que deixa de contar com uma ferramenta turística.

“Os turistas deixam de ter atendimento de quiosque e informações desde o período da manhã. Nós que trabalhávamos ali sendo que o maior movimento é na temporada, o município porque tem que deslocar funcionários para fazer tudo que a associação fazia, salvaguardar o local, organizar o trânsito, limpeza e conservação do local, manutenção da grama natural e sintética, além da manutenção dos decks de madeira que eram feitas a cada período para conservação da madeira que desde então não foi feito mais nada”, acrescenta.


O que acham os vereadores

Alguns vereadores se posicionaram sobre o assunto na Tribuna na sessão de quarta-feira (11). Confira abaixo.

Joceli Nazari – “Tem um assunto que a gente tem discutido aqui, que inclusive é uma das grandes belezas naturais que nós temos, que é o Morro do Careca. Hoje (quarta, 11) tivemos uma reunião nesta Casa com diversos usuários que praticam seus voos, uns de forma que podem até comercializar, outros de forma de prática de esporte. O Ministério Público identificou que havia uma associação que estava administrando, mas entendeu que seria uma democracia melhor as pessoas puderem chegar a hora que quiser. Fui abordado por um dos integrantes que pratica o voo e nós não podemos direcionar se for passar ou não para alguém terceirizar e administrar o Morro do Careca. Vereador não faz licitação, vereador faz a legislação, faz o Termo de Referência. Quem vai fazer o processo de escolha, quem vai administrar toda a estrutura do Morro do Careca é o Executivo, a prefeitura, é lá que é decidido de que forma vão fazer. Se vão fazer uma parceria público-privada, já tem uma lei aprovada que o município pode fazer essa parceria. Não quero que venham jogar nas costas dos vereadores uma decisão que já foi tomada pelo Ministério Público, dizer que estamos direcionando uma lei, para beneficiar certas instituições. Todos têm direito de fazer suas emendas e mudar o que achamos necessário”.

Patrick Machado – “Não pude estar presente na reunião. Tem até mensagens de pessoas do grupo dizendo que os vereadores já foram comprados. As pessoas devem saber ter cuidado, dizem que tudo é culpa do político. (ele mostrou um áudio que recebeu onde um piloto cita que a Amca é um ‘câncer’, que está falida e que só servia para endividar os associados, e que precisa ‘perder essa licitação’ e que pagar as dívidas é o seu ‘castigo’, falando ainda que os vereadores foram comprados e que estão beneficiando a Amca). Andei confirmando, a associação tem sim algumas dívidas, teve que pagar os honorários dos funcionários que tinham. A responsabilidade é da associação, mas não vem ao caso. O que digo é que o que é tu colocar empecilhos? É pedir credencial? É cobrar um curso que vai dar segurança para quem vai estar voando? O que que é direcionar? Estamos falando de vidas. Temos que no mínimo exigir como estávamos discutindo questão dos prédios de limpeza, pintura, os cursos, know how. Eu simplesmente vou lá, faço um curso para voar, e vou de repente começar a voar voo duplo, e cobrar por isso. Todos têm interesse, mas eu respeito a história, respeito aqueles que lutaram por aquilo lá por 30 anos, que zelaram por aquele Morro. Simplesmente deixar liberado por liberar? Me desculpe, mas estamos falando de vidas, segurança. A associação pode estar errada, não sei, mas o engraçado é que eles têm seguro de vida. Uma empresa de seguro que lhes garantiu, que deu o seu aval, então com certeza o serviço é bem feito. É o primeiro ponto de voo livre que conseguiu esse seguro, então é porque eles tinham um know how pra isso. Precisam ter muito cuidado com o que falam, como dizem, porque aqui não tem nenhum trouxa, não”.

Marcelo Achutti – “O que dizer sobre a reunião que houve com pessoas que não moram em Balneário Camboriú? Grande parte que eu vi ali, eu e Piruka olhamos, vimos que tinha gente de Itajaí. Não vieram discutir a importância de manter um dos maiores empreendimentos turísticos que nós temos em SC, no meu ponto de vista. Pensei que viessem discutir a importância de manter aquele lugar limpo, preservado, a rampa para o voo solo. Mas a única preocupação que tinham não era ambiental, era comercial. Eu não vi a preocupação de dizer aqui, na Casa do Povo, a importância de manter aquele local preservado, só queriam saber de ter o dinheirinho na carteira e no bolso. Questionar a Amca é fácil, vão lá tocar... Pensei que iam discutir a questão que estamos na temporada de verão e o caos que vai virar aquilo ali em relação ao trânsito, as pessoas que vão lá visitar não tem como ir ao banheiro, as questões ambientais, podas das árvores. Vamos respeitar o trabalho das pessoas. Se tem problema de ideias, vão debater lá na associação. Eu não quero saber de questões comerciais, eu quero saber de manter aquele local como patrimônio do povo de Balneário Camboriú. Temporada de verão e o número que lá visitam, é essa a preocupação que eu quero ouvir. Questão comercial para encher o bolso de dinheiro eu não quero saber. Eu não estou aqui para resolver conflitos de associação e sim os interesses da comunidade de Balneário Camboriú. (...) Vamos começar a colocar pingos nos i’s, parem de ser levianos. A cidade precisa desse equipamento turístico. Eu parabenizo a Amca, que manteve o Morro. Ninguém invadiu, ninguém desmatou, mantiveram a ordem. Vão lá visitar hoje, o poder público não conseguiu manter”.


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Sexta, 13/12/2019 10:37.

Vereadores de Balneário Camboriú se reuniram com pilotos de voo livre, que praticam o esporte no Morro do Careca, esta semana (11), na Câmara. Participaram pilotos não somente de Balneário, mas de cidades vizinhas também. Eles querem que o Legislativo os apoie na reestruturação e diretrizes básicas de utilização do Morro, que desde setembro está sem administração por parte de associação.

Reunião com os vereadores

Um projeto de lei foi enviado pelo Executivo para tratar do processo licitatório do Morro, mas esses pilotos não concordam com algumas emendas citadas no documento. Desde o fim de outubro os voos solo voltaram a acontecer no local, mas os duplos (chamados de ‘voos de instrução’) só podem voltar a acontecer quando acontecer a licitação.


Relembre o caso

No início de setembro, a juíza Adriana Lisbôa, da Vara da Fazenda Pública, acatou o pedido do Ministério Público para tirar a Associação de Voo Livre do Morro do Careca (Amca) do Morro do Careca. A Amca administrava o local desde 2010, com base em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

Para que os voos voltassem a acontecer, pelo menos os solo, pilotos da região se uniram e foram selecionados fiscais, que acompanham os voos e estão credenciados pela Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL). Eles não recebem nada pelo trabalho e nenhum tipo de benefício, e atuam em sistema de rodízio. Para remunerá-los, a prefeitura precisaria fazer um concurso. Isso gerou polêmica e a Amca é contra, julgando que esse serviço é ‘irresponsável’ já que não há uma prova de que os fiscais são realmente aptos para fiscalizar os voos.


“Eles só querem ganhar dinheiro lá em cima”

O atual presidente da Amca, Ricardo Neves, conta que os pilotos que foram até a Câmara não querem que passem algumas emendas no projeto que está tramitando no Legislativo (Projeto de Lei Ordinária N.º 41/2019).

“Essas emendas asseguram e comprovam a capacidade técnica do instrutor, e esses pilotos querem que qualquer um, a qualquer maneira, possa voar e ganhar dinheiro lá em cima. A única proposta deles é comercial, sem critérios de segurança”, diz.

Ricardo opina que o projeto, que foi encaminhado pelo Executivo e que tem como objetivo fazer a licitação para explorar comercialmente o Morro, não contempla a parte técnica do voo.

“Assim foi encaminhado junto com a lei algumas emendas, para assegurar a capacidade técnica de profissionais que irão se candidatar futuramente para trabalhar no local, como instrutores de voo livre. Porém, um grupo de pilotos, a maioria de Itajaí e outros municípios, não querem essas emendas aprovadas, pois não atendem os critérios propostos”, explica.


“Todos perdem, a cidade e os instrutores”

O presidente salienta que a ausência dos voos duplos na temporada de verão, que é considerado um atrativo turístico de Balneário Camboriú, é uma ‘tragédia’ e que todos perdem, não só os instrutores como a cidade, que deixa de contar com uma ferramenta turística.

“Os turistas deixam de ter atendimento de quiosque e informações desde o período da manhã. Nós que trabalhávamos ali sendo que o maior movimento é na temporada, o município porque tem que deslocar funcionários para fazer tudo que a associação fazia, salvaguardar o local, organizar o trânsito, limpeza e conservação do local, manutenção da grama natural e sintética, além da manutenção dos decks de madeira que eram feitas a cada período para conservação da madeira que desde então não foi feito mais nada”, acrescenta.


O que acham os vereadores

Alguns vereadores se posicionaram sobre o assunto na Tribuna na sessão de quarta-feira (11). Confira abaixo.

Joceli Nazari – “Tem um assunto que a gente tem discutido aqui, que inclusive é uma das grandes belezas naturais que nós temos, que é o Morro do Careca. Hoje (quarta, 11) tivemos uma reunião nesta Casa com diversos usuários que praticam seus voos, uns de forma que podem até comercializar, outros de forma de prática de esporte. O Ministério Público identificou que havia uma associação que estava administrando, mas entendeu que seria uma democracia melhor as pessoas puderem chegar a hora que quiser. Fui abordado por um dos integrantes que pratica o voo e nós não podemos direcionar se for passar ou não para alguém terceirizar e administrar o Morro do Careca. Vereador não faz licitação, vereador faz a legislação, faz o Termo de Referência. Quem vai fazer o processo de escolha, quem vai administrar toda a estrutura do Morro do Careca é o Executivo, a prefeitura, é lá que é decidido de que forma vão fazer. Se vão fazer uma parceria público-privada, já tem uma lei aprovada que o município pode fazer essa parceria. Não quero que venham jogar nas costas dos vereadores uma decisão que já foi tomada pelo Ministério Público, dizer que estamos direcionando uma lei, para beneficiar certas instituições. Todos têm direito de fazer suas emendas e mudar o que achamos necessário”.

Patrick Machado – “Não pude estar presente na reunião. Tem até mensagens de pessoas do grupo dizendo que os vereadores já foram comprados. As pessoas devem saber ter cuidado, dizem que tudo é culpa do político. (ele mostrou um áudio que recebeu onde um piloto cita que a Amca é um ‘câncer’, que está falida e que só servia para endividar os associados, e que precisa ‘perder essa licitação’ e que pagar as dívidas é o seu ‘castigo’, falando ainda que os vereadores foram comprados e que estão beneficiando a Amca). Andei confirmando, a associação tem sim algumas dívidas, teve que pagar os honorários dos funcionários que tinham. A responsabilidade é da associação, mas não vem ao caso. O que digo é que o que é tu colocar empecilhos? É pedir credencial? É cobrar um curso que vai dar segurança para quem vai estar voando? O que que é direcionar? Estamos falando de vidas. Temos que no mínimo exigir como estávamos discutindo questão dos prédios de limpeza, pintura, os cursos, know how. Eu simplesmente vou lá, faço um curso para voar, e vou de repente começar a voar voo duplo, e cobrar por isso. Todos têm interesse, mas eu respeito a história, respeito aqueles que lutaram por aquilo lá por 30 anos, que zelaram por aquele Morro. Simplesmente deixar liberado por liberar? Me desculpe, mas estamos falando de vidas, segurança. A associação pode estar errada, não sei, mas o engraçado é que eles têm seguro de vida. Uma empresa de seguro que lhes garantiu, que deu o seu aval, então com certeza o serviço é bem feito. É o primeiro ponto de voo livre que conseguiu esse seguro, então é porque eles tinham um know how pra isso. Precisam ter muito cuidado com o que falam, como dizem, porque aqui não tem nenhum trouxa, não”.

Marcelo Achutti – “O que dizer sobre a reunião que houve com pessoas que não moram em Balneário Camboriú? Grande parte que eu vi ali, eu e Piruka olhamos, vimos que tinha gente de Itajaí. Não vieram discutir a importância de manter um dos maiores empreendimentos turísticos que nós temos em SC, no meu ponto de vista. Pensei que viessem discutir a importância de manter aquele lugar limpo, preservado, a rampa para o voo solo. Mas a única preocupação que tinham não era ambiental, era comercial. Eu não vi a preocupação de dizer aqui, na Casa do Povo, a importância de manter aquele local preservado, só queriam saber de ter o dinheirinho na carteira e no bolso. Questionar a Amca é fácil, vão lá tocar... Pensei que iam discutir a questão que estamos na temporada de verão e o caos que vai virar aquilo ali em relação ao trânsito, as pessoas que vão lá visitar não tem como ir ao banheiro, as questões ambientais, podas das árvores. Vamos respeitar o trabalho das pessoas. Se tem problema de ideias, vão debater lá na associação. Eu não quero saber de questões comerciais, eu quero saber de manter aquele local como patrimônio do povo de Balneário Camboriú. Temporada de verão e o número que lá visitam, é essa a preocupação que eu quero ouvir. Questão comercial para encher o bolso de dinheiro eu não quero saber. Eu não estou aqui para resolver conflitos de associação e sim os interesses da comunidade de Balneário Camboriú. (...) Vamos começar a colocar pingos nos i’s, parem de ser levianos. A cidade precisa desse equipamento turístico. Eu parabenizo a Amca, que manteve o Morro. Ninguém invadiu, ninguém desmatou, mantiveram a ordem. Vão lá visitar hoje, o poder público não conseguiu manter”.


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