Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Política
MDB escolhe Renan e mantém favoritismo ao comando do Senado

Bolsonaro ligou para parabenizar Renan que tem 18 inquéritos contra si no STF

Sexta, 1/2/2019 5:18.
EBC.
O impoluto Calheiros.

Publicidade

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em decisão chave para a mais disputada eleição desde a redemocratização, com até dez candidatos, o MDB indicou o nome de Renan Calheiros (AL) para a presidência do Senado.

O senador alagoano, que tentará comandar a Casa pela quinta vez, derrotou nesta quinta (31) Simone Tebet (MS) na votação interna do partido, por 7 votos a 5. Tebet, que cogitava disputar como candidata avulsa, recuou.

Apesar do favoritismo de Renan, o terreno é instável para sessão que começa na tarde desta sexta (1º). Além do Senado, os deputados federais também decidirão quem será o chefe da Câmara.

Fora do governo e sem ter conseguido reeleger nomes como o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da sigla, Romero Jucá (RR), o MDB tem nesta eleição sua principal perspectiva de manutenção de poder.

Há 24 anos no Senado, Renan já presidiu a Casa quatro vezes. Até entrar na reunião da qual saiu vitorioso, negava estar disputando qualquer cargo. Queria aparecer já ungido pela bancada.

"Nunca postulei candidatura porque sempre tive a compreensão de que a bancada majoritariamente que vai escolher. Quem vai falar primeiro é a bancada. Vamos aguardar", afirmou ao chegar para o encontro.

Mas, nos bastidores, Renan vinha fazendo campanha desde o final de 2018. Para diminuir a resistência do governo de Jair Bolsonaro a ele e tentar mostrar sintonia com a onda de renovação que marcou as eleições de outubro, criou dois personagens: o "Renan velho", um "sobrevivente" e de perfil "estatizante" e o "Renan novo", um "liberal", nas palavras dele, defensor das reformas prioritárias do ministro Paulo Guedes (Economia).

O presidente, que está internado em São Paulo em recuperação de uma cirurgia, ligou para parabenizar Renan pela vitória contra Tebet.

O senador alagoano tem a seu favor a habilidade política e a postura firme na defesa dos seus pares diante da Justiça e do Ministério Público.

Contra ele pesa a pressão popular que cobra renovação e levanta bandeira anticorrupção. O senador tem no currículo 18 inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), nove deles arquivados.

Além de Renan, disputam o comando da Casa Davi Alcolumbre (DEM-AP), Major Olímpio (PSL-SP), Alvaro Dias (PODE-PR), Angelo Coronel (PSD-BA), Esperidião Amin (PP-SC), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Regguffe (sem partido-DF). O senador Fernando Collor (AL), que nesta semana trocou o PTC pelo Pros, não admite candidatura, mas é dado como candidato por outros senadores.

A sessão promete ser tensa, com a apresentação de ao menos três questões de ordem que problematizam se a votação será aberta ou fechada, se pode haver segundo turno e se Alcolumbre, único remanescente da Mesa Diretora anterior, pode presidir a votação mesmo sendo candidato. Opositores de Renan cogitam, inclusive, esvaziar a sessão para adiar a votação.

Vencida por Renan, Tebet apostava na onda de renovação, que garantiu a reeleição de apenas oito senadores.

Mas ela começou a dar sinais de fragilidade depois que foi derrotada na bancada, no início da semana, ao defender o voto aberto.

Na manhã de quinta, Tebet foi pressionada a trocar o MDB pelo Podemos para garantir o apoio de outras legendas que resistem a formar aliança com o partido de Renan.

Mas, no fim da tarde, ela decidiu continuar no partido ao qual é filiada desde 1997. Uma eventual mudança jogaria por terra seu discurso de que disputava para garantir que a maior bancada da Casa continuasse na presidência.

A disputa pelo comando do Senado coloca em lados opostos as equipes política e econômica do governo Bolsonaro.

Se para o Ministério da Economia Renan tem maior poder de negociação para viabilizar as reformas estruturais, para a Casa Civil Alcolumbre tem uma postura mais alinhada à pauta governista.

A queda de braço tem ocorrido em caráter reservado, já que o presidente ordenou à sua equipe que não coloque suas digitais na disputa legislativa. O distanciamento busca evitar a possibilidade de retaliações futuras.

Com o favoritismo do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a disputa na Câmara tem até agora seis candidatos. O pleito começará às 18h, após a posse dos novos deputados pela manhã.

Maia conseguiu arregimentar em torno de si boa parte das siglas da Casa, incluindo o centrão, que reúne bancadas expressivas, e o PSL de Bolsonaro.

Mesmo na oposição, partidos como o PC do B não descartam voto no atual presidente da Casa.

Nesta quinta, quatro siglas de esquerda (PT, PSOL, Rede e PSB) fecharam um bloco simbólico, sem definição de candidato. O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), defendeu que a sigla apoie Marcelo Freixo, do PSOL.

Reservadamente, parlamentares admitem, no entanto, que parte dos votos da bancada petista devem terminar em Maia, uma vez que o voto é secreto.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade













Página 3
EBC.
O impoluto Calheiros.
O impoluto Calheiros.

MDB escolhe Renan e mantém favoritismo ao comando do Senado

Bolsonaro ligou para parabenizar Renan que tem 18 inquéritos contra si no STF

Publicidade

Sexta, 1/2/2019 5:18.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em decisão chave para a mais disputada eleição desde a redemocratização, com até dez candidatos, o MDB indicou o nome de Renan Calheiros (AL) para a presidência do Senado.

O senador alagoano, que tentará comandar a Casa pela quinta vez, derrotou nesta quinta (31) Simone Tebet (MS) na votação interna do partido, por 7 votos a 5. Tebet, que cogitava disputar como candidata avulsa, recuou.

Apesar do favoritismo de Renan, o terreno é instável para sessão que começa na tarde desta sexta (1º). Além do Senado, os deputados federais também decidirão quem será o chefe da Câmara.

Fora do governo e sem ter conseguido reeleger nomes como o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da sigla, Romero Jucá (RR), o MDB tem nesta eleição sua principal perspectiva de manutenção de poder.

Há 24 anos no Senado, Renan já presidiu a Casa quatro vezes. Até entrar na reunião da qual saiu vitorioso, negava estar disputando qualquer cargo. Queria aparecer já ungido pela bancada.

"Nunca postulei candidatura porque sempre tive a compreensão de que a bancada majoritariamente que vai escolher. Quem vai falar primeiro é a bancada. Vamos aguardar", afirmou ao chegar para o encontro.

Mas, nos bastidores, Renan vinha fazendo campanha desde o final de 2018. Para diminuir a resistência do governo de Jair Bolsonaro a ele e tentar mostrar sintonia com a onda de renovação que marcou as eleições de outubro, criou dois personagens: o "Renan velho", um "sobrevivente" e de perfil "estatizante" e o "Renan novo", um "liberal", nas palavras dele, defensor das reformas prioritárias do ministro Paulo Guedes (Economia).

O presidente, que está internado em São Paulo em recuperação de uma cirurgia, ligou para parabenizar Renan pela vitória contra Tebet.

O senador alagoano tem a seu favor a habilidade política e a postura firme na defesa dos seus pares diante da Justiça e do Ministério Público.

Contra ele pesa a pressão popular que cobra renovação e levanta bandeira anticorrupção. O senador tem no currículo 18 inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), nove deles arquivados.

Além de Renan, disputam o comando da Casa Davi Alcolumbre (DEM-AP), Major Olímpio (PSL-SP), Alvaro Dias (PODE-PR), Angelo Coronel (PSD-BA), Esperidião Amin (PP-SC), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Regguffe (sem partido-DF). O senador Fernando Collor (AL), que nesta semana trocou o PTC pelo Pros, não admite candidatura, mas é dado como candidato por outros senadores.

A sessão promete ser tensa, com a apresentação de ao menos três questões de ordem que problematizam se a votação será aberta ou fechada, se pode haver segundo turno e se Alcolumbre, único remanescente da Mesa Diretora anterior, pode presidir a votação mesmo sendo candidato. Opositores de Renan cogitam, inclusive, esvaziar a sessão para adiar a votação.

Vencida por Renan, Tebet apostava na onda de renovação, que garantiu a reeleição de apenas oito senadores.

Mas ela começou a dar sinais de fragilidade depois que foi derrotada na bancada, no início da semana, ao defender o voto aberto.

Na manhã de quinta, Tebet foi pressionada a trocar o MDB pelo Podemos para garantir o apoio de outras legendas que resistem a formar aliança com o partido de Renan.

Mas, no fim da tarde, ela decidiu continuar no partido ao qual é filiada desde 1997. Uma eventual mudança jogaria por terra seu discurso de que disputava para garantir que a maior bancada da Casa continuasse na presidência.

A disputa pelo comando do Senado coloca em lados opostos as equipes política e econômica do governo Bolsonaro.

Se para o Ministério da Economia Renan tem maior poder de negociação para viabilizar as reformas estruturais, para a Casa Civil Alcolumbre tem uma postura mais alinhada à pauta governista.

A queda de braço tem ocorrido em caráter reservado, já que o presidente ordenou à sua equipe que não coloque suas digitais na disputa legislativa. O distanciamento busca evitar a possibilidade de retaliações futuras.

Com o favoritismo do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a disputa na Câmara tem até agora seis candidatos. O pleito começará às 18h, após a posse dos novos deputados pela manhã.

Maia conseguiu arregimentar em torno de si boa parte das siglas da Casa, incluindo o centrão, que reúne bancadas expressivas, e o PSL de Bolsonaro.

Mesmo na oposição, partidos como o PC do B não descartam voto no atual presidente da Casa.

Nesta quinta, quatro siglas de esquerda (PT, PSOL, Rede e PSB) fecharam um bloco simbólico, sem definição de candidato. O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), defendeu que a sigla apoie Marcelo Freixo, do PSOL.

Reservadamente, parlamentares admitem, no entanto, que parte dos votos da bancada petista devem terminar em Maia, uma vez que o voto é secreto.


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade